As Duas Ressurreições
Jesus Cristo possui autoridade divina tanto para dar vida quanto para julgar. No presente, ele realiza a ressurreição espiritual daqueles que, mortos em seus pecados, ouvem sua Palavra e creem nele. No futuro, ele realizará a ressurreição física de todas as pessoas, destinando os que estão em Cristo à vida eterna e os que permaneceram sem ele à condenação e à segunda morte. Religiosidade e boas obras não podem salvar — somente Cristo, a fonte da vida, pode libertar o ser humano da morte espiritual e conceder-lhe vida eterna.
Vamos prosseguir agora no Evangelho de João, olharemos hoje para João 5.25-29. Desde o penúltimo sermão estamos vendo uma dos maiores discursos que nosso Senhor proferiu. Esta longa apresentação de sua divindade ocupa João 5.17-47. Na penúltima vez vimos João 5.17-20, onde ele se proclamou igual a Deus em natureza/essência e obras. Na última vez vimos João 5.21-24, onde ele se proclamou igual a Deus em poder, autoridade, honra e verdade. E agora, em João 5.25-29, Jesus afirma que ele é quem dá vida e determinará o destino eterno de cada um.
A exceção daqueles que serão arrebatados, toda pessoa que viveu ou viverá nesta terra experimentará a ressurreição de seu corpo. Não apenas os crentes, mas todo ser humano que já viveu será literalmente ressuscitado dos mortos: os justos, para a vida; os ímpios, para o julgamento e a condenação. Quando um corpo é sepultado, essa não é a última aparição visível daquela pessoa. A eternidade não é habitada apenas por espíritos, mas por corpos ressuscitados que contêm espíritos.
A ressurreição é o tema desta passagem, na qual nosso Senhor faz a surpreendente afirmação de que é ele quem ressuscita os mortos e os julga. Jesus fala aos líderes judeus de Israel, que o consideram um falso profeta, um impostor e o maior dos blasfemos. Embora reconheçam seus milagres, atribuem-nos a poderes vindos do inferno (Mt 12.24) e o rejeitam porque ele afirma realizar as mesmas obras que somente Deus realiza.
É assim que chegamos ao tema da ressurreição e à reivindicação de sua divindade. Em João 5.21-22, Jesus declara que ressuscita os mortos, dá vida e julga, assim como Deus o faz. Foi ele, portanto, quem introduziu os temas da ressurreição e do julgamento nesse discurso sobre sua identidade.
Em João 5.16, os líderes judeus perseguiam Jesus porque ele havia violado suas regras tradicionais do sábado. No versículo 18, porém, a acusação se torna ainda mais grave: Jesus chamava Deus de seu Pai, fazendo-se igual a Deus. Jesus responde não recuando, amenizando ou suavizando suas palavras, mas elevando ainda mais suas afirmações.
Nos versículos 17 a 24, Jesus declara ser igual a Deus em pessoa, obras, poder, autoridade, honra e verdade. No centro dessa declaração estão as duas afirmações mais elevadas: Ele tem o poder de dar vida e o poder de julgar. Ele traz as pessoas à existência e determina a natureza de sua existência eterna. Ele é verdadeiramente Deus. Isso é inegável.
Se eles já estavam chocados com as afirmações de Jesus sobre sua divindade, a tensão subiu ao extremo quando o carpinteiro galileu, que estava diante deles, disse que ele é quem dá a vida a todos e determina o destino eterno de cada um. Ele não recuou nem um pouco diante daqueles olhares furiosos.
João 5
25 Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão.
26 Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.
27 E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem.
28 Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão:
29 os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.
Jesus fala de dois tipos de ressurreição. Há uma ressurreição física e uma ressurreição espiritual. Há uma ressurreição para a vida eterna e há uma ressurreição para a condenação eterna. Tudo isso está contido nesses breves versículos.
O poder de Cristo na ressurreição espiritual dos crentes
Ele diz: “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e já chegou…”. A frase solene “Amém! Amém!” (em verdade, em verdade!) introduz, uma declaração enfática e absoluta de Jesus. Sua afirmação aparentemente paradoxal de uma hora que “está chegando” e “agora é”.
A hora que já chegou é sobre a ressurreição espiritual dos crentes, bem entendida em Efésios 2.5-6, que diz: “estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”. No entanto, a hora que ainda está vindo para os crentes é sobre a ressurreição física que ocorrerá no futuro (1Co 15.35-54; Fp 3.20-21).
Podemos entender de outra maneira. Enquanto Cristo estava presente, ele ofereceu a vida espiritual a todos os que receberam suas palavras (Jo 6.37; Mt 7.24-27; Cf. João 14.6). No entanto, a expressão plena da nova era inaugurada não viria até o dia de Pentecostes (Jo 14.17). Tanto durante o ministério de Cristo na terra e na plenitude do ministério do Espírito, depois de Pentecostes, aqueles espiritualmente mortos e que respondem a voz do Filho de Deus, vivem no Espírito (Rm 8.1-11; Jo 4.39-42,53).
Mas, naquele momento, o ministério da salvação por meio do Senhor Jesus Cristo havia começado. Mesmo antes da cruz e da sua ressurreição, ele dava vida. Por muitas vezes a Escritura relata experiências de salvação durante o ministério de Jesus. Ele disse àqueles líderes religiosos que estavam ali: “em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Ele já havia começado a dar vida. E é por isso que ele diz: “agora é”.
Mas, ao mesmo tempo, há uma hora que está chegando. Quando Jesus usa o termo “hora”, não se refere a um período de sessenta minutos, mas a uma era — uma nova etapa no plano de Deus. Essa hora ainda viria em sua plenitude, embora, em certo sentido, já estivesse presente.
João 1.12 declara: “mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no seu nome”. A mesma verdade aparece em João 3.16: “porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Naquele momento, ainda não havia uma revelação completa da cruz e da ressurreição. O chamado era para que cressem em Jesus como o Filho de Deus e o Salvador do mundo.
Essa fé pressupunha que reconhecessem a santidade de Deus, sua própria condição de pecadores e a necessidade de salvação. Também exigia que confiassem que essa salvação estava em Cristo, embora ainda não compreendessem exatamente como ela seria realizada.
O Espírito Santo ainda não havia vindo na plenitude de sua atuação para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. O Pentecostes ainda não havia acontecido; portanto, o Espírito ainda não havia passado a habitar nos crentes, capacitando-os a testemunhar em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra, conforme a promessa de Atos 1.8.
É isso que a expressão “uma hora está chegando” representa: a revelação plena da cruz e do túmulo vazio, a vinda do Espírito Santo e sua obra por meio da igreja, levando o evangelho até os confins da terra. Essa hora ainda estava por chegar em sua plenitude, mas, em certo sentido, já havia começado.
É preciso crer! Em João 1, os discípulos receberam a vida eterna quando reconheceram quem Jesus era, deixaram João Batista e passaram a segui-lo. Eles confessaram ter encontrado o Messias e creram naquele que fora identificado como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Da mesma forma, os samaritanos receberam a vida eterna ao crerem no nome de Jesus (Jo 4.39-42).
Eles foram salvos de modo semelhante aos santos do Antigo Testamento, ou seja, na futura obra redentora de Cristo na cruz. A diferença é que os santos do Antigo Testamento aguardavam aquele que viria, enquanto os primeiros crentes do Novo Testamento — antes da cruz, da ressurreição e da vinda do Espírito Santo — reconheciam e confessavam aquele que já havia chegado.
A hora da vida, portanto, já havia começado, mas era apenas o início. Quando essa hora chegou à sua plenitude, no Dia de Pentecostes, três mil pessoas foram salvas (At 2.41); pouco depois, o número chegou a cinco mil (At 4.4). A partir daí, houve uma verdadeira explosão de conversões.
Portanto, o que nosso Senhor menciona aqui não é a ressurreição física e literal, mas a ressurreição espiritual, pois era essa que já estava acontecendo naquele momento. As pessoas estavam espiritualmente mortas. É a elas que Jesus se refere em João 5.25, quando fala dos mortos.
Você pergunta: “A morte espiritual não aparece apenas em Efésios? Há nos Evangelhos alguma indicação de que as pessoas eram consideradas espiritualmente mortas?” Sim. Em Mateus 8.22, Jesus diz: “Deixem que os mortos sepultem os seus mortos”. Já no início de seu ministério, ele chama os não regenerados de mortos.
A morte espiritual é uma realidade desde a queda. Todos os homens nascem mortos em seus delitos e pecados. Quando Paulo emprega essa expressão, não está inventando uma doutrina nem apresentando uma ideia nova; está apenas declarando uma verdade que sempre existiu. É por isso que Deus dá vida aos mortos. Os santos do Antigo Testamento também estavam mortos em seus delitos e pecados, mas foram vivificados quando chegaram à verdadeira fé em Deus.
Deixe-me expandir um pouco. Um dos grandes temas do Evangelho de João é que Cristo dá vida aos mortos. João 1.4 declara: “Nele estava a vida”. João 3 afirma repetidamente que quem crê no Filho tem a vida eterna. Em João 4.14, Jesus diz à mulher junto ao poço que a água que ele dá se torna uma fonte a jorrar para a vida eterna. E, em João 5.39-40, declara aos líderes judeus: “vocês examinam as Escrituras porque pensam que nelas encontram a vida eterna. São elas que testemunham a meu respeito, mas vocês não querem vir a mim para terem vida”.
Em João 6, Jesus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo; Ele é o Pão da Vida, e somente Ele tem as palavras da vida eterna. Em João 10.10, afirma: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”; e, no versículo 28: “Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão”. Em João 11.25, diz a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Finalmente, João 20.31 apresenta o propósito do Evangelho de João: “para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome”.
Nada é mais característico, mais essencial ao ministério de Jesus do que dar vida espiritual àqueles que estão espiritualmente mortos. Não se trata de um homem ensinando ética, moral, virtude ou alguma ideologia religiosa. Trata-se de alguém que dá vida aos mortos. Como eles recebem essa vida? João 5.25 responde: “Os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”. Ele é a única voz que dá vida em um mundo de morte e desolação espiritual.
Imagine um mundo repleto de cadáveres e um único homem vivo caminhando entre milhões de corpos, chamando-os à vida. Essa é, espiritualmente falando, a obra de Jesus. Mas não se trata de uma audição superficial ou meramente física; é uma audição eficaz, que alcança o coração e a alma. Não é apenas informação, mas transformação. É a obra regeneradora do Espírito, que desperta a alma morta e faz uma nova vida fluir para ela.
Em Mateus 7, Jesus diz que muitos dirão: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Não expulsamos demônios e fizemos milagres em teu nome?”. No entanto, ele lhes responderá: “Afastem-se de mim; eu nunca os conheci”. Portanto, ouvir não significa apenas escutar palavras ou professar o nome de Cristo. É ouvir com um coração despertado pela graça de Deus. Podemos testemunhar e pregar, mas a voz que as pessoas precisam ouvir não é a nossa; é a voz do Filho de Deus, porque somente Ele pode dar vida.
Os mortos não voltam à vida por si mesmos, por cerimônias, rituais, movimentos religiosos, pela habilidade de um mestre ou pelo autoaperfeiçoamento. Eles vivem quando a voz de Cristo os chama. Efésios 5.14 diz: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará”. Efésios 2 descreve a mesma realidade: estávamos mortos em nossos delitos e pecados, seguindo o curso deste mundo e os desejos da carne; “mas Deus”, rico em misericórdia, por causa de seu grande amor, deu-nos vida juntamente com Cristo.
Isso é um milagre divino. Deus nos dá vida por meio de Cristo, ressuscita-nos da sepultura espiritual e nos faz assentar nos lugares celestiais em Cristo (Ef 2.6). Os redimidos são obra de Deus, criados em Cristo Jesus para as boas obras (Ef 2.10). É por isso que Jesus declara aos líderes judeus: “as Escrituras testemunham a meu respeito, mas vocês se recusam a vir a mim para terem vida” (Jo 5.39-40). Se você não vier a Cristo, morrerá em seus pecados, porque ele é o único que dá vida.
João 5.26 afirma: “assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”. O Filho pode dar vida porque tem vida e porque é a vida. Eu não posso lhe dar vida; nenhum pregador, mestre, líder religioso, místico, ritual, lei ou igreja pode fazê-lo. A vida é uma possessão exclusiva da Trindade. O Pai dá vida, o Filho dá vida e o Espírito dá vida. Como Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Cada pessoa da Trindade possui o mesmo poder e os mesmos atributos, em um mistério maravilhoso.
A afirmação de que o Pai concedeu ao Filho ter vida em si mesmo também refuta a antiga heresia do sabelianismo, ou modalismo, segundo o qual Deus seria uma única pessoa manifestando-se ora como Pai, ora como Filho, ora como Espírito. Se o Pai deu algo ao Filho, então o Pai e o Filho não são apenas manifestações sucessivas da mesma pessoa. Só se pode dar algo a alguém que existe. O Filho sempre possuiu vida na plenitude de Sua divindade e procede eternamente do Pai como seu Filho unigênito. Sim, isso é misterioso.
Vemos em Filipenses 2.5-11, que, em sua humilhação, Cristo restringiu voluntariamente o uso de suas prerrogativas divinas e fez somente aquilo que o Pai desejava. Sua natureza não mudou; Ele escolheu submeter-se à vontade do Pai. Ainda assim, durante Sua encarnação, o Pai quis que ele desse vida. Ele demonstrou esse poder ao criar, realizar milagres e ressuscitar mortos, mas, sobretudo, ao vivificar pessoas espiritualmente mortas. “Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho”, diz 1 João 5.11. Portanto, diante daqueles líderes judeus, Jesus afirmava possuir o poder da ressurreição espiritual: os que ouvem sua voz recebem vida e viverão eternamente.
O poder de Jesus na ressurreição física de todos os mortos
João 5
27 E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem.
28 Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão:
29 os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.
Em segundo lugar, vemos o poder da ressurreição física. O Pai “deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem”. E como esse julgamento acontecerá? “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que fizeram o bem, para a ressurreição da vida; e os que praticaram o mal, para a ressurreição do juízo”. Aqui, claramente, estamos falando de algo futuro. O versículo 22 diz que o Pai confiou todo o julgamento ao Filho; o versículo 27 afirma que Ele executará esse julgamento.
O título “Filho do Homem” é um título messiânico, extraído de Daniel 7.13-14, e aparece aqui relacionado ao julgamento, enquanto “Filho de Deus”, no versículo 25, está relacionado à ressurreição espiritual. Por que Ele é chamado de Filho do Homem quando julga? Porque, como Filho do Homem, ele é o Messias e conhece perfeitamente a experiência humana. Viveu como homem e foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado (Hb 4.15).
Seu julgamento, portanto, é perfeitamente justo: não é apenas Deus julgando o homem, sem ter experimentado os dilemas humanos, nem apenas um homem julgando outro, sem possuir conhecimento absoluto. Ele é o Deus-Homem. Seu julgamento não pode ser questionado, pois reúne a onisciência divina e a experiência humana.
Então Jesus diz: “não se maravilhem com isso”. Essa é uma declaração preventiva, porque o que ele está prestes a dizer é assombroso: “vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a sua voz” (Jo 5.28). A voz de Cristo será ouvida novamente e esvaziará os túmulos deste planeta. Mesmo os corpos que já não existem em sua forma original serão recriados para a eternidade.
E o que acontecerá com os que foram cremados? A questão não é se ainda há algo no túmulo, mas que todos os mortos voltarão a possuir uma forma física. Isso não está acontecendo agora; é algo futuro. A sua voz despertará fisicamente os mortos e reunirá seus corpos aos seus espíritos, estejam eles na presença de Deus ou afastados dela.
Esse é um poder assombroso, capaz de deixar qualquer um perplexo. Como é possível, em um instante, recriar cada ser humano que já viveu e unir essa forma, preparada para o céu ou para o inferno, ao espírito que já se encontra na presença de Deus ou fora dela? Esse poder está além da imaginação, além da nossa compreensão. Mas essa hora chegará.
Como já dissemos, “hora” pode representar um período, e não apenas um instante. A hora presente, na qual os espiritualmente mortos ouvem a voz do Filho de Deus e recebem vida ((Jo 5.25; Ef 2.1–5), já dura cerca de dois mil anos. A hora futura, na qual todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz de Cristo, também abrangerá um longo período (Jo 5.28–29).
Essa etapa futura começará com o arrebatamento da Igreja, quando os mortos em Cristo ressuscitarão, e os crentes que estiverem vivos serão arrebatados e transformados (1Co 15.51–53; 1Ts 4.13–18). Haverá também ressurreições relacionadas ao período da tribulação, inclusive a dos que forem mortos por permanecerem fiéis a Cristo e recusarem a marca da besta (Ap 6.9–11; 13.15–17; 20.4–6). No final desse período, ocorrerá a ressurreição anunciada por Daniel, associada ao “tempo de angústia” e à entrada dos santos no Reino (Dn 12:1–3,13).
Depois virá o reino milenar, durante o qual Cristo e seus santos reinarão por mil anos (Ap 20.1–6). Ao término dos mil anos, após a derrota definitiva de Satanás (Ap 20.7–10), todos os ímpios mortos ao longo da história serão ressuscitados e conduzidos diante do Grande Trono Branco para serem julgados segundo suas obras (Jo 5.29; Ap 20.5,11–13). Aqueles cujos nomes não estiverem escritos no Livro da Vida serão lançados no lago de fogo, que é a segunda morte (Ap 20.14–15).
Portanto, a “hora” da ressurreição futura não se limita a um único instante, mas compreende diferentes etapas ao longo de um extenso período: o arrebatamento e a ressurreição dos mortos em Cristo, as ressurreições ligadas à tribulação e, depois do reino milenar, a ressurreição dos ímpios para o julgamento final (Jo 5.28–29; 1Co 15.22–24; Ap 20.4–6,11–15).
Já houve uma ressurreição: a ressurreição de Cristo. Houve também uma espécie de antecipação quando, na morte de Jesus, os túmulos se abriram e alguns santos ressuscitaram (Mt 27.52-53). Em João 5.29, Jesus divide tudo em duas partes. Todos sairão porque ouvirão a voz de Cristo. O poder pertence a ele. Será o mesmo poder que exerceu diante do túmulo de Lázaro quando disse: “Lázaro, venha para fora” (Jo 11.43). Naquele dia, contudo, ele não dirá “Lázaro”; dirá simplesmente: “venham para fora”, e todos sairão. Os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que praticaram o mal ressuscitarão para a condenação eterna.
Isso levanta uma questão interessante: por que Jesus diz que os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida? É assim que se alcança a salvação, praticando boas obras? A Bíblia diz que ninguém será justificado pelas obras da lei (Gl 2.16; Rm 3.28) e que “pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef.2.8-9). Então, por que Jesus fala dessa maneira?
Porque o contraste exige isso. Ele não pode comparar a fé do crente com a fé do incrédulo, pois o incrédulo não tem fé. Não pode comparar a vida espiritual de ambos, porque o incrédulo está morto. Mas pode comparar suas obras, pois ambos as possuem. Os crentes têm fé; os ímpios não. Os crentes têm vida; os ímpios não. Os crentes têm obras; os ímpios também. Portanto, a comparação é feita nesse terreno. As boas obras dos crentes demonstram a realidade de sua fé, enquanto as obras más dos incrédulos revelam a ausência dela. É o que Jesus disse: “pelos seus frutos vocês os conhecerão” (Mt 7.16-20).
Conclusão
Há, portanto, uma ressurreição espiritual e uma ressurreição física. A ressurreição espiritual já havia começado nos dias de Jesus, manifestou-se com grande poder no Pentecostes e prossegue ao longo da história da Igreja. Mas também virá a ressurreição física: cada pessoa que já viveu será ressuscitada em uma forma apropriada para a bênção celestial ou para o castigo eterno.
“Como será esse corpo?” Para os crentes, Filipenses 3.20-21 diz que será semelhante ao corpo glorioso de Cristo. Seu corpo ressurreto era visível: Ele caminhava, falava e comia; ao mesmo tempo, podia entrar em um ambiente fechado (Lc 24.36-43). Em 1 Coríntios 15 ensina que Deus criou uma grande variedade de corpos e é plenamente capaz de dar a cada um a forma que determinou. Mas também haverá um corpo preparado para o tormento. Por isso, antes de reduzir o fogo do inferno, o choro, o lamento e o ranger de dentes a simples metáforas, lembre-se de que os ímpios existirão em uma forma real, na qual experimentarão sofrimento e castigo.
“Como evitar isso?” Volte João 5.24, que diz: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. É preciso ouvir a Palavra de Cristo e crer naquele que o enviou. A salvação é obra de Deus, mas não acontece separada da fé. O que o pecador deve fazer? Temos repetido isso desde o capítulo 3: “Creia… creia… creia”. João 3.15 declara que todo aquele que crê em Cristo terá a vida eterna. Portanto, creia. Clame a Deus para que lhe conceda fé para crer. Vamos orar.
Pai, estamos tão impressionados com as palavras que saem da boca de nosso Senhor Jesus! Elas nos são tão familiares que dificilmente conseguimos compreender a experiência daqueles que estavam presentes naquele dia e o ouviram dizer todas essas coisas. Mas tudo é verdade.
Eu Te peço, Senhor: fala poderosamente e de maneira salvadora. Que a Tua voz seja ouvida hoje nos corações — até mesmo nos corações daqueles que estão nesta igreja há muito tempo e se acostumaram com sua incredulidade; que se acomodaram em seu pecado; que ainda não contemplaram Tua mão de julgamento, nem reconheceram que Tua paciência e Tolerância têm o propósito de conduzi-los ao arrependimento e à fé.
Senhor, irrompe em suas trevas e traz luz. Irrompe em sua morte e traz vida. Irrompe em sua incredulidade e concede-lhes fé. Faz com que os pecadores clamem a Ti, pedindo que os capacites a crer, a escapar do julgamento da condenação e a entrar nas bênçãos da vida eterna.
Pai, pedimos também que nos capacites a viver uma vida repleta de gratidão. Fomos livres do inferno! Como, então, podemos nos tornar tão mesquinhos, tão banais, tão perturbados por coisas que não têm importância e tão concentrados em nós mesmos? Ajuda-nos a viver em constante alegria, porque temos a vida eterna em Cristo. É em nome de nosso Senhor Jesus Cristo que oramos. Amém.
Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre todo o Evangelho de João.
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Este texto é uma pequena síntese do sermão “The Dead Will Hear Christ”, proferido por John MacArthur em 28/07/2013.
Você pode ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/43-28/the-dead-will-hear-christ
Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno





















