O Mistério de Cristo em Nós

Imprimir
A apresentação efetiva da verdade sempre demanda muita luta. O adversário sempre a dificulta. Isso está claro quando olhamos para o livro de Colossenses. Paulo estava em uma luta intensa, escrevendo da prisão em Roma, onde estava por causa de sua proclamação da verdade de Jesus Cristo.

Epafras, fundador da igreja em Colossos, visita-o, falando sobre as terríveis heresias que circulavam em Colossos: falsos mestres negando a divindade de Cristo e O rejeitando como salvador e reconciliador do homem com Deus. Esses falsos mestres ensinavam legalismo e misticismo, incluindo a adoração de anjos. E assim, Paulo escreve a carta aos colossenses para refutar essas heresias, mostrando a glória e obra de Cristo, bem como qual deve ser nosso comportamento em resposta à compreensão de quem Cristo é e o que Ele realizou na salvação.

O apóstolo Paulo, ao enviar esta carta, dá aos cristãos colossenses razões para crerem no que ele escreveu. Ele não foi o pastor fundador da igreja em Colossos, muitos ali não o conheciam ou conheciam muito pouco. No capítulo 1, versos 24 a 29 , Paulo fala de oito características gerais de seu ministério. Na semana passada, vimos as quatro primeiras. Vamos revisá-las rapidamente e depois avançaremos para as demais.

Em primeiro lugar Paulo diz que a fonte de seu ministério vinha da parte de Deus. Veja os versículos 24-25 de Colossenses 1, que dizem:

Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus

A fonte de qualquer ministério, amado, é Deus. É Deus quem nos chama, concede o Seu Espírito e nos direciona para o ministério que Ele quer para nós. É Deus quem, pelo Seu Espírito, nos dá os dons do Espírito para que possamos ministrá-los. É Deus quem nos equipa, dando-nos capacidades e habilidades, humanamente falando, para funcionarmos em áreas que Ele projeta para nós. É Deus quem nos chama para um ministério. Nós não nos chamamos para o ministério. É Deus quem nos chama. E prestaremos contas do que fizemos com todos os recursos que Ele nos deu.

Se Você recebeu uma dispensação de Deus, isso significa uma responsabilidade, uma mordomia, um chamado divino para ser cumprido. Às vezes as pessoas me dizem: “Quando você gostaria de se aposentar?” E eu sempre digo: “Aposentar-me? De que? De ensinar a Palavra de Deus? Eu prefiro estar morto do que me aposentar de ensinar a Palavra. Esta é uma dispensação de Deus que me foi dada.”

Em segundo lugar, Paulo fala sobre o espírito do ministério: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós” (Col. 1:24). O espírito do ministério é alegria. Essa sempre foi a atitude de Paulo. A alegria é um produto da humildade. Se eu realmente acredito que não mereço nada, qualquer coisa que eu receba me faz feliz. Paulo reconhecia suas misérias, considerava-se o pior dos pecadores, e se alegrava profundamente em sofrer pela igreja, ele não considerava que merecia uma vida confortável.

Sempre que Deus chamou Seus maiores servos, Ele sempre escancarou a total indignidade deles. Assim, esses homens não se julgavam merecedores de nada, e eram gratos e alegres por qualquer coisa que tivessem, pois reconheciam que era um presente da graça de Deus.

Por exemplo, Moisés na sarça ardente só podia ver suas imperfeições e limitações. Ele diz a Deus: “Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Ex. 3:11). Deus não diz: “Oh! Moisés, não se desvalorize, você é capaz!”. Não. Deus diz: “Certamente eu serei contigo” (Êx. 3:12). Ou seja, a força não estaria em Moisés, mas em Deus estar com ele.

Gideão exclamou: “Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai” (Juízes 6:15). Deus lhe responde: “Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um só homem” (Juízes 6:16). O verso 34 diz que o “Espírito do Senhor revestiu a Gideão”.

Isaías foi ao templo e viu a glória de Deus. E logo entrou em pânico e disse: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Is. 6:5). O que mais aconteceu? Deus tentou convencer Isaías de que ele não era um homem de lábios impuros? Não. Ele foi purificado e enviado por Deus. Veja os versos 6 a 8:

Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e expiado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.

Deus quer que todos os que Ele chama para qualquer ministério reconheçam de início sua inutilidade e incapacidade. Somente assim o Senhor pode capacitar um homem e fazê-lo útil na obra. Somente Deus pode capacitar um homem para o ministério que Ele o designou.

Deus tinha muitos planos para Pedro. Após a pesca milagrosa, Pedro percebeu que estava diante do Filho de Deus, e exclamou: “Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador” (Lucas 5:8). Tal atitude de Pedro provocou uma resposta de Jesus: “Não temas; de agora em diante serás pescador de homens” (v. 10). Ou seja, o reconhecimento que Pedro tinha de sua própria miséria era algo necessário para Deus o usar.

Deus tem que levar seus servos escolhidos para um senso de indignidade, de pecaminosidade, de inadequação e de imerecimento, porque isso é o coração da alegria. E então, tudo o que acontece é motivo de alegria. E Paulo, como o resto, não merecia nada; mas tudo o que ele recebeu de Deus era motivo de alegria.

No ministério, desde que você mantenha a humildade, você pode manter a alegria. Mas assim que você começa a pensar que merece mais ou que não está recebendo o que merece, então você está com sérios problemas. E então, a amargura e a murmuração tomam seu coração, e a alegria desaparece de sua vida. Conheço pessoas que perderam a alegria do ministério e conheço cristãos cansados de servirem ao Senhor. Você sabe por quê? Porque eles concluíram que mereciam melhor sorte. Mas, a verdade é que todos nós não merecemos nada.

A terceira característica que vimos na última vez foi o sofrimento do ministério. Não apenas a fonte dele e o espírito dele – alegria, mas o sofrimento dele. Paulo diz: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja” (Col. 1:24). Em outras palavras, “Estou disposto a morrer pela obra do Senhor”. No ministério é o autossacrifício que traz a beleza que distingue o servo diligente do seevo comum.

A quarta característica que vimos na última vez foi o objetivo do ministério. Paulo diz: “da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus” (Col. 1:25). Qual é o objetivo do ministério? Cumprir a Palavra de Deus, ou seja, todo esforço deve ser canalizado para fazer apenas o que Deus te chamou para fazer.

O que isso significa? Significa cumprir a Palavra de Deus no ministério. Significa pregar a Palavra do evangelho. Significa ensinar todo o conselho de Deus. Significa cumprir tudo, fazer o que Deus quer que você faça, proclamando a Sua verdade. Isso é para cumprir a Palavra de Deus.

O grande desejo do homem de Deus, do servo de Deus, de alguém em qualquer ministério é cumprir a vontade de Deus, proclamando a Palavra de Deus. E Paulo não deixou nada impedi-lo. Absolutamente nada impediu o apóstolo Paulo de fazer o que ele sabia que Deus queria que ele fizesse. O compromisso com o encargo dado por Deus move o servo a cumprir fielmente seu chamado, conforme a vontade de Deus.

Isso nos leva às próximas quatro características, e eu quero compartilhar com vocês agora. A quinta característica do ministério é a mensagem do ministério. “o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos” (Col. 1:26). Qual é o assunto do ministério? O mistério que esteve escondido de eras e gerações, ou seja, escondido das pessoas, mas agora é dado em manifestação aos santos.

Qual é a mensagem? O mistério. Nós devemos ensinar às pessoas o mistério. Você diz: “Ei, espere um minuto, o que é essa coisa de mistério?”.

Primeiro de tudo, Deus sempre guardou alguns segredos. Há coisas que semente Ele sabe. Deuteronômio 29:29 diz: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.

Em segundo lugar, Deus tem alguns segredos que Ele revelou para pessoas especiais durante toda a História. Nem todo mundo conhece, apenas pessoas especiais. Você diz: “Quem são eles?” Salmos 25:14 diz: “O segredo do Senhor é com aqueles que o temem; e ele lhes mostrará a sua aliança.”. Eles são os justos, que creem Nele e se comprometem com Ele. São Seus filhos.

Agora, em terceiro lugar, há alguns segredos que Deus escondeu de todos no passado, mas revelou aos santos do Novo Testamento; esses são os mistérios. Então, se você vê a palavra “mistério” na Bíblia, o que é isso? É algo que não foi revelado a ninguém no Antigo Testamento, mas agora, no Novo Testamento, é revelado a todos cristãos, todos os santos.

Que mistério é esse? A revelação do Cristo encarnado. A história de Deus ter se tornado homem. Existem outros mistérios no Novo Testamento, tais como: o mistério do arrebatamento; o mistério da Babilônia, em Apocalipse 17 (alguma forma do mal que nunca havia sido revelada antes); o mistério da igreja (a igreja não é vista no Antigo Testamento), o mistério da noiva, em Efésios 5 (o Antigo Testamento nunca viu a noiva do Messias constituída de povos de todas as raças, tribos e nações); o mistério da incredulidade de Israel (o Antigo Testamento nunca viu um tempo em que Israel abandonou totalmente a Deus) etc.

Não se trata de algum ensinamento secreto, não é uma coisa mística, é apenas algo no passado que estava oculto e que é revelado no Novo Testamento. Qual é então o assunto do nosso ministério? É a plenitude da revelação do Novo Testamento. A plenitude da nossa mensagem é: todos os mistérios do Novo Testamento que fazem o Antigo Testamento significativo. É a mensagem que fala que as promessas do Antigo Testamento se realizaram no Novo Testamento em Cristo. Isso é o mistério. Isso é o que estava oculto e agora é revelado.

Veja que Colossenses 1:27 diz: “aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória”. A quem Deus quis dar conhecer, isto é, para os santos. E aqui está o mistério: “Cristo em vós, a esperança da glória”. Esse é o principal mistério no Novo Testamento.

No Antigo Testamento, os judeus sabiam que o Messias viria. Eles foram informados disso. O que eles nunca souberam é que o Messias não apenas viria, mas que Ele viveria nos próprios corpos de Seu povo. O que eles não sabiam era que seu corpo e meu corpo se tornariam o templo do Deus vivo. Eles não sabiam disso. Isso foi um mistério. E essa é a mensagem que temos para anunciar ao mundo, que todo homem tem uma esperança de glória manifesta agora e uma esperança de glória futura com Deus em virtude de Cristo em nós.

Ele diz que “Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios”. Paulo sempre falou das riquezas em Cristo, ele se considerava muito rico, embora materialmente não tivesse nada. Em Romanos 10:12, ele diz que “não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam”. Em II Coríntios 8:9 ele diz: “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis”. Em efésios 1:18, ele fala sobre “as riquezas da glória da sua herança nos santos”.

Em Colossenses 1:27, ele fala que “Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios”, ou seja, ele está falando das pessoas que Deus chamou de todos as nações. Nós estamos nessa multidão. Os judeus entendiam o Messias relacionado apenas a Israel, eles não concebiam um Messias que habitaria nos gentios. Essa é a igreja. É Cristo habitando em nós, Sua igreja. Quão ricos somos! E essa é a mensagem. Esse era o assunto do ministério de Paulo. Em Efésios 3:4-11, ele diz:

Pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo, o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito, a saber, que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho; do qual fui constituído ministro conforme o dom da graça de Deus a mim concedida segundo a força operante do seu poder. A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Essa é a nossa mensagem. Ela tem que estar queimando em nossos corações. Temos que falar o tempo todo sobre isso. Não estamos oferecendo receita para um viver melhor, mas anunciando que a habitação do Espírito de Cristo é a garantia da glória dutura para todo cristão. Em Colossenses 2:1-3, Paulo deixa muito claro qual é seu esforço:

Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

Não há como entender termos tamanhas riquezas espirituais e vivermos como indigentes neste mundo. Por isso Paulo nos anima a “conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef. 3:19). No verso 17, ele fala que Cristo habita em nossos corações. Essa é a nossa mensagem. Quanto mais eu penso sobre isso, mais extraordinária essa verdade se torna. Veja esses versos:

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre. (João 6:56-58)

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. (João 14:16-17,23).

Em Romanos 8:9-11, Paulo diz que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”, mas “se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça”. E qual a consequência dessa verdade? “Se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita”. Deus vive em nós. Que realidade incompreensível! Não tenho como deixar de citar II Coríntios 6:16 e Gálatas 2:20, que dizem:

Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.

Estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

A única esperança que o homem tem para a glória agora, no futuro, a qualquer momento, sob qualquer condição, é quando Cristo passa a habitar nele. Deus quer viver em você; essa é a mensagem. Por isso Colossenses 1:27 diz: “Cristo em vós, a esperança da glória”. Essa é a mensagem que temos. E Paulo deixa bem claro isso nos versos 28-29:

O qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.

Essa foi a mensagem proclamada por Paulo, e o sentido original diz respeito a declarar uma verdade completa. Não é formalmente pregar, é simplesmente falar a verdade. E essa verdade tem dois componentes: advertência sobre o pecado e a perdição eterna, bem como a transmissão da Palavra de Deus, que nos sustenta e fortalece na caminhada.

A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai (Col. 3:16-17)

Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros (Rom. 15:14).

Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina (II Tim. 4:2).

Por isso não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade. E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações (II Ped. 1:12-13).

Então, qual é a proclamação que fazemos? Envolve advertência e ensino, seja para um incrédulo que rejeita a Palavra de Deus ou para um irmão. E observe o que você deve ensinar: toda sabedoria. Não deixe nada de fora. Sabedoria significa princípios espirituais. Com base nos princípios espirituais, nós advertimos os homens e os ensinamos. Paulo ensinava doutrina sólida; e então, com base na doutrina sólida, ele os advertia.

Entenda bem isto: todos nós somos proclamadores. Todos nós somos bocas para o Senhor, para advertir e ensinar. Isso é uma doutrina básica da igreja. Deus não nos comissionou a levar aos outros nossas opiniões, Ele nos ordenou pregar a sã doutrina, a Palavra. Proclamar o mistério de Cristo em nós e tudo o que isso significa. E a quem devemos fazer isto? “Nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria” (Col. 1:28), ou seja, a todos os homens.

Qual é o objetivo de tudo isso? “A fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Col. 1:28). A maturidade dos santos, esse é o objetivo. Efésios 4:12-13 diz:

Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.

O objetivo não é apenas levar as pessoas a Cristo, mas também levá-las à maturidade espiritual. Assim, elas podem se reproduzir e proclamar em toda a sabedoria. Resultado? Pessoas cheias da Palavra de Deus transmitindo aos outros a Palavra de Deus. Isso é vital para a igreja. Em Filipenses 3:12-14, Paulo não considera ter alcançado a perfeição, ou seja, a plena maturidade, mas ele declara algo muito importante:

“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

Você diz: “Mas, como alcançar essa perfeição que Paulo diz que almejava?”. Quando a Palavra de Deus é seu alimento diário, ela vai te amadurecendo. II Timóteo 3:16-17 diz:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para instruir na justiça, para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.

Em Colossenses 4:12, Paulo cita Epafras, um fiel servo do Senhor junto aos irmãos em Colossos. O que movia o coração desse homem? “Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus”.

Aqui está a Palavra de Deus fazendo uma afirmação válida para qualquer povo, cultura e de qualquer século. E a afirmação é a seguinte: só em Jesus Cristo há o poder de aperfeiçoar todo homem. Há pessoas fisicamente saudáveis, inteligentes, cegas, surdas, mudas, retardadas etc., não importa qual condição, existe uma realidade para todo homem: Jesus Cristo. E Ele, algum dia, os fará todos semelhantes a Si mesmo. Incrível. Por fim, Colossenses 1:29 diz:

Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.

Temos aqui a força do ministério que nos permite o trabalho duro. Há muitos desafios, batalhas etc. Pregar a Palavra de Deus fielmente é uma tarefa árdua, somente o sustento celestial nos permite fazer isto. E Paulo diz que se esforçava o máximo, mas “segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. Devemos pensar que Deus está no controle de nossas vidas, e o ministério é trabalho árduo. Em I Coríntios 9:25-27, II Coríntios 11:24-28 e Atos 20:24,27 e 31, ele nos dá uma amostra de seu esforço:

E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.

Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.

Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós.

Se você pensa que pode realizar qualquer ministério para Deus sem trabalhar duro, está errado. É preciso trabalho duro e muito esforço. Você pode ser um cristão preguiçoso, um pastor preguiçoso, um missionário preguiçoso, um professor da Escola Dominical preguiçoso, ser um ajudante preguiçoso na igreja etc., mas, eu vou te dizer uma coisa: você nunca vai cumprir a Palavra de Deus em sua vida se continuar assim. É preciso esforço máximo pelos anos da sua vida para cumprir a Palavra de Deus em sua vida. Então, Paulo diz: “eu trabalho”.

A única maneira pela qual eu posso trabalhar duro é pelo poder de Deus. Todos os dias preciso ter minhas forças renovadas por Deus, sem isso, fracassarei. Eu sei que, dia após dia, o poder de Cristo, pelo Seu Espírito, está em ação em minha vida. Há momentos em que eu sinto minha total incapacidade, mas Ele me capacita. E quando isso acontece, sei que o recurso veio de fora de mim mesmo, porque Deus me deu o poder.

Eu trabalho duro, do ponto de vista humano. Mas todo trabalho seria cinza absoluta, tudo seria queimado, se não fosse o poder de Deus me energizando; de modo que quando tudo é realizado, não é porque eu trabalhei duro, mas é porque Ele fez isso. Ele energizou. Ele deu o poder, Ele deu o recurso.

Agora você pode resumir tudo em sua própria mente. Aí está. Paulo declara suas credenciais como ministro e chama os colossenses para ouvir, crer e obedecer ao que ele diz. E ele nos dá um tremendo olhar para o ministério. E tudo o que posso dizer é que você ouviu essas verdades e eu creio que você as aplicará em sua própria vida. Vamos orar.

Pai, obrigado por esses momentos hoje à noite. Somos-Te gratos. Tivemos uma noite muito rica, falando acerca dessas riquezas espirituais. Obrigado por nossos queridos amigos, que são parte de Tua família nessa igreja. Obrigado porque Tu tens nos mostrado o caminho e queremos andar por ele. Obrigado por cada um dos irmãos que têm cumprido o seu ministério. E nós oramos, Senhor, para que possamos ser tão fiéis como outros servos Teus que servem de padrão para nós, como o apóstolo Paulo e outros, a fim de termos em nosso ministério todas as características que vimos, para que Tu possas Te agradar de nosso serviço e o Teu nove possa ser glorificado. Dá-nos uma compreensão permanente de nossa indignidade e incapacidade. Que possamos sempre ter alegria naquilo que o Senhor faz através de nós. Agradecemos-Te em nome de Cristo. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “The Mystery of Christ in You”, de John MacArthur em 02/05/1976.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/2138/pauls-ministry-the-mystery-of-christ-in-you

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno.


 

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.