Blasfêmia: Pecado Imperdoável

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Em nossa trilha pelo Evangelho de Marcos, chegamos hoje a uma porção realmente crítica das Escrituras: O pecado imperdoável. Marcos 3:28-29 diz:

28 Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem.
29 Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.

Sempre quando Jesus diz “em verdade vos digo”, Ele está enfatizando e colocando Sua autoridade no que está dizendo. Está chamando atenção para algo muito significativo e que precisa ser ouvido.

Pode parecer estranho que haja um pecado que não pode ser perdoado, sendo Deus misericordioso, que não lembra dos pecados de todos que se quebrantam diante Dele em arrependimento. Sendo a mensagem do Evangelho uma mensagem de perdão, a existência de um pecado imperdoável não seria contraditório? Não. E vou lhe mostrar o motivo.

É um assunto para se levar muito a sério. Deve produzir temor. Há pessoas que não têm ideia de que cometeram o pecado imperdoável. E deveriam estar temerosas, porque elas estão indo para o inferno eterno. Há outras pessoas que pensam que cometeram o pecado imperdoável e não cometeram, e precisam ser consoladas. Através dos anos de meu ministério eu me deparei com esses dois tipos de pessoas.

Talvez alguns aqui estejam carregando temores de que já tenham blasfemado contra o Espírito Santo. Há uma ideia de que se alguém já disse algo contra o Espírito Santo, está condenado irremediavelmente. Eu mesmo já entrei numa lista negra de blasfemadores, porque refuto falsas manifestações de dons no meio cristão.

Talvez haja alguns de vocês carregando este fardo. E há outros que pensam que talvez tenham blasfemado o nome de Jesus Cristo, falando contra Ele, atacando-O com palavras perversas, e que assim estão condenados e sem esperança de perdão. Diante desse quadro, hoje a Palavra de Deus vai confortar muitos assustados e assustar muitos que se sentem confortáveis.

Vimos que os quatro Evangelhos foram escritos para deixar uma evidência histórica e irrefutável de que Jesus é Deus. Ele é 100% homem e também 100% Deus. Ele é Deus em carne humana. Ele é o Messias de Israel. Ele é o Salvador do mundo. Mas tudo isso vem da realidade de que Ele é o Senhor Deus. Ele é Deus Filho, a única esperança do homem está Nele. Não há outro caminho. Em Atos 4:12 Pedro disse:

E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. 

Então, a fé em Cristo envolve crer em tudo o que Ele é e em toda a Sua obra. Tudo está revelado na Escritura Sagrada. A evidência é estabelecida pelo poder e inspiração do Espírito Santo nas páginas das Escrituras. Lemos e entendemos a veracidade desses registros, e nós temos certeza de sua veracidade, e assim abraçamos a Cristo.

As evidências são poderosas. Por três anos Jesus andou pelas terras de Israel e deu provas cabais de quem Ele era. Sua vida, autoridade, ensino, poder, cumprimentos proféticos, testemunhos do Pai etc. deixavam muito claro que Ele era o Deus Eterno encarnado. João finaliza seu evangelho com as seguintes palavras:

Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. (João 21:24-25)

E antes disso, ele disse:

Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. (João 20:30-31)

E assim, as pessoas que estavam vivendo naquele tempo foram expostas a tudo isso. Jesus tinha uma multidão enorme de pessoas O seguindo em toda parte. Mas os líderes religiosos seguiam Jesus obstinadamente, não porque creram Nele, mas buscavam fazer tudo que pudessem para desacreditá-Lo e matá-Lo.

A única conclusão razoável que uma testemunha ocular deveria ter para o que viu e ouviu seria que Jesus é Deus. O testemunho foi muito claro e óbvio. No entanto, apesar de tudo, João retrata como a mente humana é dura, cega e morta para a verdade. Ele diz:

[Jesus] Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. (João 1:10-11).

Em Marcos 1:11, após Seu batismo “ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo”. Aqui estava o Pai testemunhando do Filho. No versículo 24, Marcos relata o testemunho dos próprios demônios, que disseram: “Ah! que temos contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus”. Em todo o Evangelho de Marcos temos as evidências inconfundíveis da divindade de Jesus.

Mas, a maioria não creu, apesar do que viu e ouviu. Muitos concluíram que Ele era um bom mestre, um sábio, um bom homem humilde, um operador de milagres etc. Porém, pararam por aí. Não concluíram nada mais além disso.

E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. (Mateus 16:13-16).

Muitos ateus, críticos e inimigos do cristianismo tendem a ver Jesus como um tipo de revolucionário espiritual equivocado que veio para ajudar os pobres, os oprimidos e libertar as pessoas de seus fardos. E mesmo que eles neguem os milagres, pensam que Ele estava fazendo um esforço nobre para ajudar as pessoas, e assim concluem que Ele era um bom homem.

Esses conceitos representam uma terrível malignidade. Eles negam a divindade de Jesus, negam Sua obra redentora, negam Sua autoridade e negam as Escrituras. C S Lewis disse:

Quando Jesus afirmou ser Deus, havia apenas três opções: ou Ele é Deus, ou Ele é um lunático, ou Ele é um mentiroso.

Essas são as opções. Você não tem como escapar de encaixar Jesus em uma dessas opções. Veja Marcos 3:20-22, que diz:

20 Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer.
21 E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

A primeira possibilidade é considerá-lo um louco. A multidão cercou Jesus. O alvoroço foi tão grande que seus parentes foram tentar resgatá-lo, considerando que Ele estivesse louco. Claro que Maria sabia quem Ele era e José provavelmente já havia morrido. João 7:5 diz que “nem mesmo seus irmãos criam Nele”, realidade essa que foi alterada após a Sua ressurreição.

Naquele momento, Seus irmãos concluíram que Jesus era um lunático, louco, insano, alguém que perdeu a cabeça. Eles estão em Nazaré, não muito distante de Cafarnaum, mas não estavam seguindo a Jesus. Eles não creram em Jesus. Mateus diz que Jesus não fez muitos milagres em Nazaré por causa da incredulidade dos que ali estavam (Mateus 13:58). Lucas diz que após uma visita de Jesus a Nazaré, todos que estavam em uma sinagoga o “expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem” (Lucas 4:29)

Seus irmãos concluíram que Jesus era uma pessoa bizarra que havia chegado ao fundo do poço, e assim decidiram resgatá-Lo do meio da multidão que O rodeava. A palavra grega usada pelos irmãos de Jesus refere-se a prender, a mesma que foi usada sobre a prisão de João Batista e Jesus.

Veja o que Marcos 3:31-35 relata:

31 Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo.
32 Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura.
33 Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?
34 E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos.
35 Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

Será que Jesus foi bruto com Sua família humana? Não. Ele amava Sua mãe, irmãos e irmãs. E, antes de morrer na cruz, Ele confiou a João cuidar de Sua mãe (João 19:27). Atos 1:14 diz que após a Sua ascensão “todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos”.

O que Jesus disse à Sua família é que a fase para de Seus relacionamentos humanos havia chegado ao fim. O único relacionamento que importava para Ele agora era o espiritual. Ter sido mãe de Jesus não garantia a Maria entrada para o Reino de Deus. Ela também precisava de um salvador, que é Jesus. Fazer a vontade de Deus é a única credencial para alguém fazer parte da família de Jesus e entrar no Seu reino. Em João 6:40, Jesus diz:

Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

Qual é a vontade do Pai? Que contemplemos Seu Filho. Crer em tudo o que a Escritura diz a respeito Dele. É uma experiência que transforma o homem e tem impacto eterno.

Se a sua conclusão sobre Jesus é de que Ele é um louco, você não tem um relacionamento com Ele. Seus irmãos eram ignorantes, e estavam agindo conforme a ignorância que estava neles. Eles O rejeitaram, julgando-O como louco, desprezando tudo que se falava a respeito Dele. Eles consideraram que Jesus criou uma fantasia de ser o Messias e o Salvador.

A segunda possibilidade é de que Ele seja um mentiroso. Marcos 3:22 diz:

Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso por Belzebu, que é o maioral dos demônios, e que por isso Ele expele os demônios.

Agora, vamos tirar o foco da família de Jesus e olharmos para os escribas. Eles decidiam quem era mentiroso e quem não era. O texto diz que eles vieram de Jerusalém. Isso é muito importante, porque agora temos as grandes autoridades religiosas vindas de Jerusalém. Eles faziam parte da elite religiosa.

Eles eram os cérebros teológicos do judaísmo na época, os responsáveis por projetá-lo e propagá-lo. E estão atrás de Jesus. Eles não gostaram da Sua mensagem, de Suas palavras e de Suas obras. Eles queriam Jesus morto. Marcos 3:6 diz que “os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra Jesus, em como lhe tirariam a vida”.

Os herodianos formavam um partido político secular cujo nome vinha de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia e da Pereia, que mandou degolar João Batista. Era forte o apoio do herodianos a Roma e a oposição aos fariseus em quase tudo. Mas eles se uniram aos fariseus com um objetivo em comum: destruir Jesus. Mateus 22:15-22 mostra um complô entre eles e os fariseus para tentarem surpreender Jesus em alguma palavra errada.

Porém Jesus continuou indo de cidade em cidade fazendo milagres, ensinando o evangelho do reino e da salvação, e os líderes religiosos estavam sempre ouvindo furiosos. Isso incomodou profundamente a liderança religiosa em Jerusalém. Em Marcos 7:1, é dito que os fariseus e alguns dos escribas que tinham vindo de Jerusalém começaram a seguir Jesus para questioná-Lo.

Quando Jesus, no final de Seu ministério, foi para Jerusalém, os líderes religiosos conspiraram para que Ele fosse morto na cruz. Eles não apenas confrontaram Jesus, mas a todo tempo atribuíam todas as Suas obras a Satanás. Em Marcos 3:22, os escribas dizem que Jesus “tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios”. Em João 8:48, os fariseus disseram a Jesus que Ele era um endemoninhado. E vemos isto em outras porções dos Evangelhos.

Essa era a sinistra conclusão deles: Jesus era possuído por Belzebu, e Seu ensino e milagres não passavam de obra de Satanás. Veja que é algo muito além de considera-Lo insano. A Insanidade não explica o sobrenatural. Não te diz nada. Você só diz que alguém é louco se você não sabe que existe um elemento sobrenatural em suas ações.

Eles viram que Jesus tinha enorme poder sobre os demônios e sobre as doenças. Eles tiveram que explicar o poder sobrenatural. Não há como fugir disso. Lógico que aqueles líderes religiosos não estavam dispostos a dizerem que era o poder de Deus que agia em Jesus. Nicodemos, um dos líderes religiosos, havia dito a Jesus: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” (João 3:2). Enfim, eles concluíram que Jesus era possuído por Belzebu.

Belzebu era um nome usado para Satanás, tal como Baal. Em Marcos 3:22, eles disseram sobre Jesus: “Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios”. A palavra “Belzebu” é usada cinco vezes no Antigo Testamento. Os judeus estavam familiarizados com ela.

Originalmente, Belzebu era uma referência a Baal-Zebuque (Baal, príncipe), principal deus da cidade filisteia de Ecrom. Os judeus se referiam a ele de forma jocosa como “rei das moscas”. O rei idólatra Acazias, que sucedeu Acabe, ao adoecer, enviou mensageiros com a seguinte ordem: “Ide, e perguntai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta doença” (II Reis 1:2). E Deus o matou por isso, conforme havia dito Elias (v.17).

Os judeus fizeram uma troca de letras e alteraram o nome para Belzebu, que deixou de ser o “senhor do lugar alto” para ser o “senhor do esterco”, mostrando desdém judaico pelo falso Deus cananeu. Assim, através dos anos, esse Belzebu, “senhor do esterco”, ou “senhor das moscas” que se acumulam no esterco, tornou-se o nome de Satanás.

Então, qual foi a conclusão da elite religiosa de Israel? Jesus não era o santo Senhor do céu, mas um servo do “senhor do esterco”, de Belzebu. Eles não podiam simplesmente dizer que Jesus era louco, porque pessoas loucas não conseguem fazer as obras que Jesus fazia diante deles. Eles sabiam que Jesus tinha poder sobrenatural. Então, eles blasfemaram.

Diante de tão terrível blasfêmia, Marcos 3:23 diz que Jesus chamou os escribas para perto de Si e pergunta: “Como Satanás pode expulsar Satanás?”. Jesus sabia como colocar Seus opositores diante de um dilema. Satanás não é bobo, ele é esperto, enganador e astuto. Os demônios declaravam publicamente que Jesus era uma ameaça invencível. É um absurdo pensar que Satanás estaria correndo por aí desmantelando seu próprio reino. Nos versos 24 a 26 de Marcos 3, Jesus diz:

Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir. Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas perece.

É um absurdo lógico. Satanás não vai lutar contra si mesmo. Ele quer destruir a obra de Deus e não seu próprio trabalho. A partir desse absurdo lógico, Jesus diz:

27 Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.

Se você quer entrar e roubar a propriedade de alguém, você tem que dominar o cara. Você tem que ser mais forte do que ele para obter sua propriedade. É preciso ser mais forte que Satanás (valente) para poder entrar no seu domínio (casa do valente) e prendê-lo (restringir sua ação) e libertar (rouba-lhe) as pessoas (os bens) que estavam sob seu controle. Somente Jesus tinha esse poder contra Satanás.

Satanás não possui nada material. Seu mundo inteiro é imaterial. Todos os seus demônios são espíritos. Eles são chamados de espíritos imundos. Há um mundo espiritual sem nada material. Jesus entra nesse mundo espiritual, desfaz as obras demoníacas, desbaratando demônios e resgata pessoas que Satanás escravizava. Jesus é maior que Satanás e é capaz de esmagar o reino das trevas.

Eles não podiam atribuir tudo isto a um louco, pois a loucura não poderia operar sinais tão grandiosos. Figuras religiosas não curam doenças, expulsam demônios e ressuscitam mortos. Então eles optaram por considerar que Jesus fazia tudo através de Satanás. Eles não queriam admitir que ali, diante dos olhos deles, estava o Deus Eterno em carne humana. E nos versos 28-29 de Marcos 3, Jesus diz:

28 Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem.
29 Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.

No verso 30, Marcos afirma que Jesus disse isso porque os escribas diziam que Jesus estava possesso de um espírito imundo. Eles disseram que Jesus era satânico, e foram para o inferno por isso.

Você diz: “Ei, espere um minuto, se eu disser isso, eu também vou para o inferno?” Não necessariamente, se você disse isso quando vivia na ignorância. Isso é uma blasfêmia que é perdoável. Certo? Mas se essa é a sua conclusão final mesmo depois de ter plena revelação, se essa é a sua resposta à plena compreensão do Evangelho, a revelação completa de Cristo contida nas páginas da Escritura, se essa é a sua conclusão final, você nunca poderá ser perdoado, porque você teve plena revelação. Se essa é sua conclusão final, é um pecado eterno. É o que o texto está dizendo.

Esse é o comportamento tipicamente apóstata. Mas não podemos simplesmente estabelecer uma lista do que se encaixa e do que não se encaixa nessa categoria de pecado imperdoável. Esse pecado nâo é simplesmente colocar em dúvida uma suposta demonstração de poder do Espírito Santo. É mais que isso, é uma blasfêmia direta, acusando Jesus de ser um demoníaco.

Você diz: “Mas o que isto tem a ver com blasfemar contra o Espírito Santo?”. Bem, quando Jesus veio ao mundo, Ele renunciou à prerrogativa de usar o Seu poder divino por Si mesmo. Em João 5:30, Jesus diz que “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma“. E toda a obra que Jesus fez foi por meio do poder do Espírito. Isso é o que a encarnação significava. Quando Ele colocou de lado Sua glória, tornou-se homem, Ele restringiu o uso independente de Seus atributos divinos, e Ele Se entregou à vontade do Pai e ao poder do Espírito. Tudo o que Ele fez foi a vontade do Pai e foi feito através do poder do Espírito.

Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. (Atos 10:38).

Mateus 1:18,20 diz que Jesus foi concebido no ventre de Maria pelo Espírito Santo. Em Lucas 1:35 o anjo diz a Maria:

Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

Lucas 3:32 diz que no batismo de Jesus o “Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea”. Lucas 4:1 diz que “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto”. Atos 1:2 diz que Jesus foi “recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera”.

Então, se você disser “Jesus é satânico”, você blasfemou contra o Espírito Santo, porque o Espírito Santo estava fazendo Sua obra através Dele. Se você estivesse lá, visse e ouvisse tudo o que Jesus falou e fez, e sua conclusão final fosse: “Ele é demoníaco”, você estaria condenado. Você não poderia ser salvo, porque aquela foi a sua conclusão final, mesmo tendo sido exposto à plena revelação.

E hoje? Alguém poderia cometer a blasfêmia contra o Espírito Santo? Todos nós fomos perdoados por rejeitarmos a Cristo, pois não nascemos salvos. Mas aquele que não será perdoado é o apóstata, isto é aquele que foi totalmente exposto à verdade, plena exposição do Evangelho, revelação completa, e faz a conclusão final: “Não é verdade Eu rejeito a Cristo. É um engano.”. Isso é imperdoável.

O testemunho do Espírito Santo é que Ele é o Senhor. O Espírito Santo fez esse poderoso trabalho através de Jesus para que “toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:11).

Há um comentário sobre isso que quero mostrar brevemente. Volte para o livro de Hebreus, que foi Escrito para os judeus do primeiro século que estavam bem cientes do ministério de Jesus, dos milagres de Jesus, do ensinamento de Jesus, de Seu poder sobre os demônios, doença, morte. Porém, mesmo assim, eles não vieram a Cristo, não estavam crendo, muito embora soubessem a verdade e conheciam o Evangelho. Hebreus 2:3-4 diz:

3 Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;
4 Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?

O que o texto está dizendo é: “Olha, vocês conhecem sobre Cristo, Sua vida e ministério. Vocês conhecem as testemunhas oculares, sabem da obra dos apóstolos que confirmam tudo que Jesus disse. Se vocês negligenciarem crer em Jesus, depois de tanta evidência, como escaparão do julgamento?”. Hebreus 6:4-6 diz:

4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo,
5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro,
6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.

Eles haviam recebido instrução da verdade bíblica. Mas, a percepção intelectual não significa que foram regenerados. Hebreus 10:26-27,29 diz:

26 Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados;
27 pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários.
29 De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?

Quando o verso 4 diz que “provaram o dom celestial”, trata-se de um sentido figurado para dizer que “experimentaram algo de forma consciente”, mesmo que por um momento. Eles sabiam de muitos fatos em relação a Jesus e aos apóstolos. E sabemos que há muitas pessoas que reconhecem alguns atributos de Deus, mas não nasceram de novo. Muitos experimentaram bênçãos do céu que Jesus trouxe em Seu ministério terreno, não só milagres, mas também a boa Palavra de Deus que estava em Seus lábios, mas isso não equivale a dizer que nasceram de novo. O dom refere-se a Cristo (João 6:51;II Cor. 9:15) ou ao Espírito Santo (Atos 2:38; I Pedro 1:12).

Bem, se você provou tudo isso e diz “eu rejeito a revelação completa, a iluminação”, sua decisão é ir embora e se juntar aos crucificadores. Você conclui que Ele não é Deus e Seus poderes sobrenaturais devem ser satânicos. Você não pode ser salvo.

Se você continuar vivendo sua vida de pecado, depois de receber o conhecimento da verdade, não há mais nada a se fazer. Não há outro sacrifício. Se você rejeita a Cristo e ao Seu sacrifício, não há nada de bom esperando por você, apenas o juízo eterno, o inferno eterno. Você profanou o sangue da aliança e ultrajou o Espírito Santo, que era o poder por trás da vida e do ministério de Jesus.

Talvez alguns de vocês rejeitam a Cristo. Seu conhecimento foi aumentado hoje. Você está em perigo de maior julgamento, se concluir que Ele não é o Senhor que Ele afirmou ser. Você precisa se assustar com isso. Alguns de vocês talvez tenham pensado que eram culpados de alguma blasfêmia que jamais poderia ser perdoada. Gostaria de lembrar a você, nos comentários finais, que o apóstolo Paulo, em I Timóteo 1:12-17, diz:

12 Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério,
13 a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade.
14 Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus.
15 Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.
16 Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna.
17 Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!

Todos os tipos de blasfêmia podem ser perdoadas, exceto a blasfêmia final que diz com plena revelação: “Eu rejeito a Cristo”, e você fica com o fato de explicar Seu poder sobrenatural como satânico. E você se coloca, então, com os crucificadores, crucificando-o novamente.

É muito melhor lembrar que Mateus 12:32 diz:

Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.

Todos nós éramos blasfemos que foram perdoados, se chegamos à fé em Cristo. Não se afaste. Receba a revelação completa e responda com total confiança.

Pai, Tua Palavra é clara para nós. Ela é quem nos convence e converte. Que haja convencimento e conversão hoje, para a Tua glória. Em nome de Cristo nós oramos. Amém.


Este texto é uma síntese de um breve sermão “The Unforgivable Sin ”, de John MacArthur em 01/11/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/41-16/the-unforgivable-sin

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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