Dons Temporários (2): Curas (1)

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Esta é uma série de sermões de John MacArthur sobre dons espirituais e homens especialmente dotados. Veja os links no final deste texto.


INTRODUÇÃO: OBSERVAÇÕES PRELIMINARES

Continuamos em nosso estudo dos dons espirituais e chegamos a um assunto muito importante e controverso: o dom de curar. Vamos ao capítulo 12 de I Coríntios. Este é o capítulo que estamos estudando em nossa série e estamos parando ao longo do caminho para considerar os dons individualmente.

Vejamos inicialmente  I Coríntios 12:9, que diz: “E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar“. Então, o versículo 28, “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.” Ainda, versículo 30: “Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?

Agora, nesses três versículos, há três menções dos dons de curar e, portanto, é um dos dons espirituais catalogados aqui neste capítulo, sendo  importante para nós estudarmos. Eu quero começar nosso estudo dessas verdades particulares relativas a este dom com algumas observações preliminares:

Número um: este é um assunto muito controverso. Eu percebo que há muita preocupação sobre isso, porque o problema humano número um no mundo é a doença. Há muita preocupação com a cura e eu quero que você saiba que eu estou bem ciente da variedade de opiniões sobre esse tema, e tenho feito o meu melhor para ler o máximo que eu pude, assim como buscar entender os pontos de vista variados. E o que estou tentando fazer é dar a você o que acredito ser a clara palavra de Deus em relação a esse assunto.

Quero que você entenda que, com minhas fragilidades e minha humanidade, sou apenas mais um em uma longa lista daqueles que Deus usou, começando com Balaão, e se ele pôde falar por Deus, estou confiando que em algum lugar nessa categoria particular eu me encaixe, e tudo o que vou fazer é dar o melhor que posso para abrir a boca e compartilhar com você o que vejo na Palavra de Deus. Espero que você entenda que é isso. Não se trata de minha opinião pessoal. Mas, falarei do que eu creio que a Bíblia nos diz e devemos entendê-la.

Número dois: o que eu digo não é dirigido como um ataque a ninguém. É simplesmente dirigido, como deveria, a lidar com a verdade e expor o que parece ser um erro. Eu não estou tentando atacar alguém, não estou tentando julgar ninguém, eu certamente não estou tentando ferir ou atacar ou causar amargura dentro do corpo de Cristo. Mas,  ainda assim, eu tenho que lhes falar sobre esse assunto.

Você descobre que, quando você lida com a Palavra de Deus com sinceridade, algumas pessoas vão reconhecer que estão erradas no que acreditam e pensam acerca da Escritura. E assim, teremos que perceber isso, mas ao mesmo tempo o que eu digo a você que eu quero que você entenda é dito em um espírito de gentileza, num espírito de amor e num espírito de preocupação pelas pessoas que não entenderam a verdade sobre a área de cura.

Número três: por favor, não presuma que, pelo que vou lhes dizer, eu não acredite que Deus cure. Eu creio que Deus cura. Deus cura em resposta à oração, Deus cura milagrosamente em resposta à oração, a fim de revelar Sua glória. Eu não questiono a cura de Deus. Eu não questiono Sua cura milagrosa, se Ele assim escolher fazer, em resposta às orações dos santos.

O que eu quero que você entenda é a diferença entre Deus curar e o dom da cura. Há uma grande diferença entre Deus curando alguém imediatamente e Deus curando alguém através de um instrumento humano. E essa é a distinção que desejamos fazer.

 BREVE REVISÃO DOS SERMÕES ANTERIORES

Estudamos os dons e ministérios espirituais em três categorias. A primeira foi: homens dotados dados à igreja. Vimos que em I Coríntios Paulo mencionou certos homens talentosos. E em Efésios 4, é mencionado que Deus deu à igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores-mestres e mestres. Estes são os homens capacitados por Deus para liderar a igreja.

E assim, entre os membros da igreja, Deus deu uma segunda categoria de ministério, a qual chamamos de dons permanentes de edificação. Tais dons são as capacitações divinas que equipam os santos para ministrar uns aos outros, para edificar o corpo. E esses dons estarão presentes na igreja durante toda a duração da igreja na Terra. Vimos que existem dois tipos: dons de falar e dons de servir.

Agora chegamos à categoria três: dons temporários de operação de sinais. Esses são poderes concedidos a certos crentes com o propósito de autenticar ou confirmar a palavra quando estava sendo proclamada na igreja primitiva, antes que as Escrituras fossem escritas. Esses dons eram temporários, o seu propósito não era primariamente edificar, embora eles fizessem isso em um sentido secundário, seu propósito era primariamente autenticar a mensagem da comunidade apostólica.

O primeiro dom temporário de operação de sinais que consideramos foi o dom de operar milagres, que é mencionado no verso 10 de I Coríntios 12. E nós apontamos a vocês na semana passada que o dom de poder  é a capacidade de expulsar os demônios. Essa é a principal função do dom de poderes. Por exemplo, deixe-me ilustrar dizendo isto: nenhum apóstolo fez o que você chamaria de um milagre da natureza.

Por exemplo, nenhum apóstolo jamais alimentou 5 mil pessoas, multiplicando pão e peixe. Nenhum apóstolo jamais andou sobre a água, depois do nascimento da igreja. Pedro fez, mas isso foi um milagre de Cristo. Nenhum apóstolo jamais fez algum milagre relacionado com a natureza. Bem, então, qual teria sido a função do dom de operar milagres? O dom de operação de milagres estava relacionado com a expulsão de demônios. Esse era o dom de poder, que é o poder de Deus em Seu reino sobre o reino das trevas.

Agora chegamos ao segundo desses quatro dons temporários de sinais. Os próximos são as línguas e a interpretação das línguas, e lidaremos com esse assunto mais tarde, quando chegarmos aos Capítulos 13 e 14, mas, por enquanto, veremos o dom da cura. Queremos entendê-lo com cuidado e quero que você preste muita atenção agora. Isso é vital. Há tanta confusão nesta área, há muito nesta área que precisamos entender.

O DOM DE CURAR

Farei uma introdução bastante diferente hoje e nós não vamos estudar muito as Escrituras nesse início de abordagem, mas essa introdução é vital, porque vai ajudar você a entender o que está acontecendo ao seu redor hoje.

Penso que a doença é a realidade humana mais trágica. A doença é o problema humano número um. Ela nos atinge mais duramente e causa mais sofrimento, especialmente, quando culmina na morte. Desde a queda do homem no Jardim do Éden, a doença tem sido uma realidade. A morte tem sido uma realidade. E desde então, a busca por curas para aliviar a realidade da doença e do sofrimento que a acompanha tem sido perseguida pelos homens.

Você pode ir para a parte mais escura de uma sociedade aborígine, e você descobrirá que eles têm seus curandeiros e têm suas poções, seus remédios e abordagens para curar doenças. Você vai ao hospital mais sofisticado do mundo, e lá ocorre o mesmo. Você volta  na História até a época dos egípcios, e encontrará o nascimento do que conhecemos como remédio ocorrendo lá, e eles criaram os mais selvagens tratamentos de doenças que possamos imaginar. A calvície, por exemplo, era curada derramando uma garrafa de óleo de cascavel em sua cabeça.

E através da história da civilização ocidental, você tem a alquimia e todos os tipos de outras coisas, enquanto o homem procura continuamente a cura para a terrível constatação de doenças e enfermidades. Abrindo um parêntesis aqui, gostaria de dizer que  sei que há muitas pessoas que buscam certos dons do Espírito. Há pessoas que anseiam pelo dom das línguas, por exemplo. Porém, se eu pudesse escolher ter qualquer dom do Espírito, além do dom que o Espírito Santo me deu, se eu pudesse suplicar e implorar por qualquer dom específico e pudesse fazer algo para obtê-lo, você sabe qual dom seria? O dom da curar.

Eu gostaria de ter o dom da curar. Fiquei ao lado de uma mãe e de um pai em um hospital e observei seu filho morrer de leucemia e desejei ter o dom de curar. Eu orei com um amigo, enquanto o câncer estava comendo seu interior e o assisti morrer e  desejei ter o dom da cura. Eu tenho estado em unidades de terapia intensiva de novo e de novo, e vi pessoas esmagadas por acidentes, pessoas rasgadas por cirurgia, eu observei pessoas comidas por doenças e desejei que eu pudesse curá-las com uma palavra, com um toque, mas não posso.

Pense nisso. Pense em quão realmente emocionante seria ter o dom da cura. Pense em como seria ir a um hospital onde todos os doentes e moribundos estão, e simplesmente ir ao corredor, apenas tocá-los e curá-los. Fantástico! Pense em todo o esforço que as pessoas passam estudando medicina, em todos os anos pelos quais os médicos passam, e em toda a tecnologia envolvida na medicina moderna. Pense nos milhões de dólares envolvidos na busca pela cura das doenças. E o dom de curar resolveria todos esses problemas de graça.

A doença é de partir o coração. Está em todo o mundo. Imagine isso: que todas essas pessoas que  alegam ter o dom da cura, todas se uniram, embarcaram em um avião e acabamos de levá-las para os grandes bolsões de doenças do mundo, como África e grande parte da Ásia, e elas passariam pela multidão curando todo mundo. Fantástico! Nós atravessaríamos o mundo com o dom de curar e a doença seria banida do mundo!

Jesus, em três anos, baniu a doença nas terras de Israel. Por que não fazemos isso? Por que as pessoas que alegam ter o dom de curar nunca saem de suas tendas? Por que é que eles sempre têm que realizar suas curas em um ambiente controlado, encenado, administrado por seu pessoal de apoio, na hora marcada por eles? Por que eles não estão nos hospitais? Por que eles não estão nas áreas da nossa sociedade em nosso mundo onde as pessoas estão realmente sofrendo? Por que eles não estão na Índia e em outros lugares onde milhões  estão arrasados com doenças?

Isso não acontece. Isso simplesmente não acontece. Por quê? Eu vou lhes dizer: porque eles não têm o dom de curar, é por isso. Eles não têm o dom. Por quê? Porque o dom de curar foi um dom temporário de operações de sinais, cuja finalidade foi a autenticação das Escrituras como a palavra de Deus e, uma vez que isso ocorreu,  os dons miraculosos  cessaram.

Quando Jesus estava partindo, Ele não nos disse: “Vá a todo o mundo e extinga as doenças”. Ele disse: “Vá ao mundo inteiro e pregue o evangelho.” Ele está mais preocupado com a alma de um homem do que com o corpo de um homem. Ele não disse: “Vá banir a doença.” Ele disse: “Vá banir a condenação.” Algumas pessoas ingênuas pensam que se nós curássemos todo mundo como Jesus fez, todos eles creriam no evangelho. Você crê nisso? Se você crê, então você entendeu muito mal a vida de Cristo.

Jesus Cristo esteve na Terra por três anos, e Ele baniu a doença das terras de Israel. E quando Ele disse e fez tudo o que tinha para dizer e fazer, a população concordou que o que deveria ser feito com Ele era matá-Lo. Quando os discípulos de Jesus se reuniram no Cenáculo para esperar o nascimento da igreja,  quantos estavam lá? Apenas cento e vinte.

Ouça, não funciona assim, isto é, o dom de curar não é concedido a quem pede por ele. É um dom de Deus, e de acordo com a vontade soberana de Deus, é dado a quem Ele quiser. Em Romanos 10:17, é dito que: “A fé [salvadora] vem pelo ouvir.” Ouvir o que? A pregação sobre Jesus Cristo. Não pense que se pudéssemos curar as pessoas, todos seriam salvos. Eles não foram nos dias de Jesus. Eles não foram nos dias dos apóstolos.

Os apóstolos andavam por aí, fizeram milagres após o milagre de cura, e o que as pessoas fizeram com eles? Eles os jogaram na cadeia. No capítulo 8 de Atos uma perseguição irrompeu contra eles. O que nós temos hoje? Quais são as alegações que estão sendo feitas sobre a cura? Bem, as reivindicações históricas, as mais antigas de todas as reivindicações vêm da Igreja Católica Romana.

Historicamente,  a Igreja Católica Romana sempre reivindicou a ocorrência de curas milagrosas feitas através de certos santos dotados desse poder ou do uso de objetos tidos como sagrados. Eles alegam curar as pessoas com os ossos de João Batista, os ossos de Pedro, as relíquias da cruz, eles afirmam ser capazes de curar nos santuários onde Maria apareceu. Eles afirmam ser capazes de curar com frascos de leite materno de Maria, como vimos no domingo passado. E você já ouviu falar sobre lugares como Lourdes, onde supostas curas ocorrem o tempo todo. Esse assunto, envolvendo dons miraculosos, sempre esteve presente no catolicismo.

Há curandeiros psíquicos orientais também que relatam operar curas, como aqueles que fazem cirurgias sem sangue, usando apenas suas mãos como bisturis. E há mesmo quem afirme ter poder para ressuscitar os mortos. Há feiticeiros no meio dos índios que alegam ter o poder para curar. Há ocultistas que usam a magia negra, operando no poder de Satanás para fazer maravilhas mentirosas. como Paulo relata em II Tessalonicenses 2:9, quando fala acerca do anticristo: “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira.

Rafael Kasson, um ex-médium espírita convertido a Cristo, diz: “Há muitos espiritualistas hoje que são dotados desse dom extraordinário pelo poder de Satanás, e eu mesmo fui usado desta maneira, de modo que posso afirmar ter testemunhado curas milagrosas ocorridas nas reuniões espíritas”. Essa é uma citação é de seu livro “A Falsificação Desafiadora.”

Mary Baker Eddy curava através da telepatia. E hoje, existem pentecostais e carismáticos modernos que afirmam que todos os tipos de cura estão acontecendo em seu meio. Você pode se sentar,  ligar sua televisão, e eles vão te curar à distância, mesmo que o programa exibido não seja ao vivo. Eu estava conversando com uma pessoa esta semana que estava dizendo que seu pastor tinha o dom de curar e era maravilhoso, porque sua esposa teve câncer e ele a curou de câncer. E eu disse: “Bem, isso é interessante. Me conte mais. Como ela está indo agora?” Ele disse: “Oh, ela está morta”. Eu disse: “Ela morreu? Quanto tempo depois da ‘cura’?” Ele respondeu: “Um ano.”

Que tipo de cura é essa que você é curado de câncer e um ano depois você morre disso? A gente percebe que a pessoa queria acreditar que estava curada, mesmo sem estar.  Algumas das coisas mais loucas que eu já ouvi na minha vida foi num programa de rádio gospel, em que um homem disse: “Deus queria fazer um milagre especial em mim, então ele derramou sobre mim o cheiro do céu. E eu senti o cheiro do céu. E agora, quando eu quero voltar a desfrutar do dia de minha salvação, eu vou para o meu armário e pego a gravata que eu usava naquele dia e a cheiro.”

Esse pastor, que alega ter o dom de curar, disse: “É assim que funciona: pela manhã, no culto ao Senhor, Ele me informa quais curas estão disponíveis. O Senhor diz: ‘hoje temos três tipos de câncer, dois casos de dor de cabeça’, e eu anuncio isso à congregação e digo a eles que qualquer pessoa que venha naquela noite com fé suficiente pode reivindicar as curas que estão disponíveis para aquela noite.” E essa pessoa me disse: “Oh, é tão emocionante ver como Deus está trabalhando…”.

Você sabe que existem curas falsas, demoníacas, feitas por Satanás, mas que podem ser alegadas como vindas da parte de Deus? Kirk Trampler, um escritor e advogado de Munique,  que também  alega ter o dom de curar e que usa os nomes de Deus e Cristo quando vai tentar operar as curas, não crê em Deus ou em Cristo, mesmo usando Seus nomes nos rituais de cura.

E quanto a pessoas como Oral Roberts, a falecida Kathryn Kuhlman e Brant Baker? Elas operam as curas que alegam operar? Elas estão agindo, as coisas parecem acontecer, e coisas acontecem. Elas alegam ter curado muitas pessoas. Além desses curandeiros famosos,  há uma porção de outros menos conhecidos que operam em todo o lugar, cada um com sua própria técnica, cada um operando em um ambiente controlado e com uma estratégia definida.

Eu nunca vi nenhum deles passar por um corredor de um hospital e curar todo mundo. Porém,  ainda assim, todos eles afirmam Deus os usa como um instrumento de cura. Ora, todos os dons do Espírito, se eles operam verdadeiramente, operam apenas numa vida cheia do Espírito. Se a sua vida não é controlada pelo Espírito Santo, você irá operar no poder do Espírito Santo? Não, você opera na carne. Se alguém está andando na carne, vai operar pelo poder da carne; se alguém andar no Espírito, seu dom será ministrado no Espírito.

Agora, alguém vem e diz: “Eu tenho o dom espiritual de curar”. Tudo bem, mas se isso for verdade, então ouça isto: a pessoa demonstrará que anda no Espírito através de viver uma vida pura, de crer numa doutrina pura, de ser caracterizada pela humildade, ter uma vida de total submissão e obediência às Escrituras, uma vida preparada para exaltar completamente Jesus Cristo e manifestará todos os frutos do Espírito. Certo? Porque o dom do Espírito deve operar na energia do Espírito e isso só acontece quando o Espírito controla tudo, não apenas o dom. Mas, o que vemos por aí é pessoas alegando ter o dom e não têm essas características.

Mas você diz: “John, e quanto às pessoas que alegam ser curadas?”. Bem, coisas acontecem. As pessoas caem. Depois se levantam e dizem: “Estou curado!” e aí todos começam a pular. O que está acontecendo? Por que as pessoas acreditam nisso? Bem, a primeira resposta que você pode obter é porque há muitas evidências para apoiar as curas. Deixe-me dar algumas provas. Há um livro interessante intitulado “Cura, um Médico em busca de um Milagre”, escrito por William Noland, que é um médico e  não é um cristão. Ele escreveu a partir de um ponto de vista muito objetivo.

E quero compartilhar com você o que ele diz na parte de seu livro que trata sobre curadores do movimento carismático, sendo que ele faz uma referência especial a Kathryn Kuhlman, a quem já estudamos em detalhes. Agora, eu quero que você ouça isso, porque sinto que lhe dá algumas respostas realmente sólidas:

Finalmente havia terminado. Ainda havia longas filas de pessoas esperando para subir ao palco e tentar alcançar suas curas, mas às 5 horas, com um hino e uma bênção final, o show acabou. A senhorita Kuhlman deixou o palco e o público. Antes de voltar para falar com a senhorita Kuhlman, passei alguns minutos observando os pacientes em cadeira de rodas irem embora.

Todos os pacientes desesperadamente doentes que estavam em cadeiras de rodas ainda estavam em cadeiras de rodas. Na verdade, o homem com câncer de rim, que eu tinha ajudado no auditório e que até teve que emprestar a sua cadeira de rodas, subiu ao palco e falou para a platéia que estava curado. Mas, logo teve que voltar para a cadeira de rodas. Sua cura, mesmo que tenha sido um efeito placebo produzido pela emoção, foi algo passageiro, extremamente breve.

Enquanto eu estava no corredor observando os casos sem esperança, vendo lágrimas dos pais enquanto empurravam suas crianças aleijadas para os elevadores, eu queria que a senhorita Kuhlman estivesse comigo. Ela reclamou algumas vezes durante o culto sobre a enorme responsabilidade que trazia sobre si e sobre como seu coração doía por aqueles que não eram curados. Mas eu me perguntava com que frequência ela realmente olhou para eles.

Eu me perguntei se ela sinceramente achava que a alegria daqueles curados de uma simples bursite ou artrite compensava a tristeza daqueles que tinham suas pernas ressequidas, que tinham filhos com retardos mentais ou seus tumores no fígado. Eu me perguntei se ela realmente sabia o dano que estava fazendo. Eu não pude acreditar que ela soubesse.

Aqui estão alguns dos aspectos do processo de cura médica sobre o qual alguns de nós não sabem nada e nenhum de nós sabe o suficiente, como por exemplo, a capacidade do corpo de se curar. Kathryn Kuhlman frequentemente diz: “Eu não curo. O Espírito Santo cura através de mim”. Suspeito que haja duas razões pelas quais a senhorita Kuhlman repete continuamente essa afirmação. Primeiro, se o paciente não melhorar o Espírito Santo, não Kathryn Kuhlman, será o culpado.

Segundo, ela não tem a menor noção do que seja a cura e, uma vez que ela coloca a responsabilidade sobre os ombros do Espírito Santo, ela pode responder se for questionada sobre seus poderes de cura: “Eu não sei dizer… o Espírito Santo é quem faz tudo.”  Um curador do movimento carismático às vezes pode influenciar mentalmente um paciente e curar certos sintomas ou uma doença funcional por sugestão mental.

Agora,  eu quero interromper a citação para falar algo muito importante: você deve fazer uma distinção entre uma doença funcional e uma doença orgânica. Uma doença funcional ocorre quando um órgão perfeitamente bom não funciona adequadamente. Uma doença orgânica ocorre quando o órgão não está bom, está organicamente destruído, mutilado ou aleijado. A doença funcional tem apenas o sintoma, mas sem a realidade. Já na doença orgânica há tanto o sintoma quanto a realidade. E você descobrirá que, em todos os casos dos  assim chamados curandeiros, os únicos tipos de “cura” que eles realizam são funcionais, nunca orgânicas, pois eles lidam com o sintoma.

Continuando a citação:

Um curador pode às vezes influenciar um paciente e curar sintomas de uma doença funcional por sugestão, com ou sem imposição de mãos. Os médicos podem fazer a mesma coisa. As curas não são milagrosas. Resultam de correções feitas pelo paciente na função de seu sistema autonômico. Em outras palavras, é uma questão de mudar os processos de pensamento. Ainda não sabemos como controlar esse sistema, mas estamos aprendendo.

Todos os curandeiros usam a hipnose em suas apresentações. Por exemplo, eles dizem: “veja, a sua dor está indo embora! Não é maravilhoso? Jesus te curou!” Eles lançam uma tremenda sugestão mental que é amplificada com um ambiente preparado com sons, luzes, canto, que acabam por induzir a pessoa para acreditar que está sendo curada. Continuando a citação:

Os médicos usam hipnose com freqüência. Quando dou uma pílula a um paciente, faço questão de dizer: ‘Este remédio deve te fazer melhorar dentro de 24 ou 48 horas. Esse remédio sempre funciona muito bem’. Agora, sei que, em alguns casos, vou conseguir melhores resultados se sugerir ao paciente que o remédio vai funcionar, em vez de dizer: ‘Bem, eu não sei sobre esse remédio. Às vezes funciona muito bem, às vezes não é tão eficiente, mas vamos tentar e apenas esperar o melhor…

Há um tremendo poder no pensamento positivo, particularmente no que diz respeito aos distúrbios funcionais. O hipnotismo não é algo com o qual se deve brincar. Aliviar os sintomas pode ser perigoso. Lembre-se da pobre mulher cuja dor nas costas desapareceu por sugestão de Kathryn Kuhlman, deixando-a temporariamente livre para se movimentar, até que suas vértebras cancerosas desabaram.

Os sintomas, dor, náusea, tontura podem ser puramente psicológicos, mas também podem ser os sinais de alerta de doenças orgânicas perigosas, possivelmente fatais. Eliminar um sintoma sem chegar à causa desse sintoma pode causar atraso no tratamento, que pode ser grave ou até fatal.

Deixe-me acrescentar isso: as pessoas vão em busca desses curandeiros e o poder psicológico do que ocorre é tão grande, que elas são aliviadas da dor ou do sintoma e elas seguem em seu caminho sem jamais lidar com a realidade. Nunca esquecerei um garotinho cujas pernas estavam aleijadas. Ele foi ver A. A. Allen, que agora está morto, bebeu até morrer, havia mais álcool em suas veias do que sangue, e finalmente morreu. Mas A. A. Allen curou esse menino, tirou o aparelho ortopédico de suas perninhas e mandou o garoto tentar sair do palco. Eu nunca esquecerei isso.

O garoto tropeçou um pouco e o poder de sua mente o levou a andar, seus pais o ajudaram, e ele disse que nunca mais colocaria o aparelho de novo. Mas, não demorou muito até que a gangrena se fixasse em suas pernas. E aí constatou-se que ele teria que amputar aquelas pernas. É muito perigoso brincar com sintomas, quando você não está lidando com causas orgânicas reais.

Finalmente, em nossa tentativa de compreender a cura, devemos lidar com doenças orgânicas, doenças que são causadas não apenas pela disfunção de um órgão, mas por desorganização da estrutura de um órgão ou órgãos: infecções, ataques cardíacos, cálculos biliares, hérnias, discos fora do lugar , cânceres de todos os tipos, ossos quebrados, deformidades congênitas, lacerações e multidões de outras doenças e subdivisões das que mencionei que estão incluídas na classificação de doenças orgânicas.

Algumas doenças orgânicas são suprimidas, curadas pelo próprio corpo, como o resfriado comum e entorses menores. Mas, para curar muitas doenças orgânicas, o corpo precisa de ajuda. Essas são doenças que curandeiros, mesmo os mais pentecostais, não podem curar. Quando eles tentam fazê-lo, e todos eles caem nessa armadilha, já que eles sabem e não se importam com a diferença entre doenças funcionais e orgânicas, eles pisam em terreno muito perigoso.

Quando esses falsos curadores tratam doenças orgânicas graves, são responsáveis ​​por incalculável angústia e infelicidade. Isso acontece porque eles mantêm os pacientes longe da ajuda que deveriam estar recebendo, de modo que ao invés de curar as pessoas, acabam por contribuir para morte delas.

Depois do primeiro culto desta manhã, uma jovem senhora veio até mim e disse: “Você nunca saberá o que essa mensagem significou na minha vida”. Ela disse: “Eu havia caído de uma escada e, como resultado, machuquei minha cabeça e desenvolvi terríveis dores de cabeça”. E ela disse: “Algumas pessoas oraram por mim e me disseram que eu estava curada e minha dor de cabeça foi embora”. E ela disse: “Desde aquela época eu tenho tido dores de cabeça terríveis, mas me sentia culpada, como se não estivesse aceitando a cura de Deus e, por causa disso, sempre me recusei a ir ao médico”. E ela disse: “Esta manhã você me libertou para entender que devo ir ao médico”. Ela ficou emocionada. Noland continua dizendo em seu livro:

Pesquise a literatura, como eu tenho feito, e você não encontrará relatos documentados das curas feitas por estes curadores com relação a cálculos biliares, doenças cardíacas, câncer ou qualquer outra doença orgânica grave. Certamente você encontrará pacientes temporariamente aliviados de seus problemas estomacais, suas dores no peito, seus problemas respiratórios e você encontrará curandeiros e crentes que interpretarão essa interrupção dos sintomas como evidência de que a doença está curada, mas quando você pesquisa a vida desse  paciente, descobre que a cura foi puramente sintomática e transitória, e a doença subjacente permanece .

Para lhe dar uma ilustração, Noland avaliou 80 casos de supostas curas realizadas através do suposto dom de Kathryn Kuhlman. E todos esses 80 casos foram sugeridos por ela mesma, para que ele investigasse. Ele acompanhou todos os 80. Sua conclusão, no final de tudo, foi que nenhum dos 80 casos foi uma cura legítima, nenhum sequer. Continuo a citação:

Agora, considere Kathryn Kuhlman. Em uma carta enviada a mim por Marilyn March, a secretária de Kathryn Kuhlman, March diz que a srta. Kuhlman realiza aproximadamente 125 cultos de cura em um ano. O comparecimento a esses cultos varia. A Sra. March menciona que há sempre 7.000 participantes no Shrine Auditorium em Los Angeles, em Tulsa, Oklahoma; 18.000 pessoas no Mabee Center, que é a Universidade Oral Roberts;  3.000 mais em circuito fechado;  em Atlanta, 8.000; e em Ottawa, 16.000.

Vamos supor que a srta. Kuhlman tenha uma oportunidade de tratar uma média de 10.000 pacientes por culto ou 1.250.000 por ano. Podemos supor que seria razoável dizer que um terço desses pacientes são vítimas de câncer, o que dá cerca de 400 mil vítimas de câncer por ano. Portanto, a srta. Kuhlman pode tratar 4.000 vezes mais pacientes com câncer do que os que eu trato em um ano e, pelos padrões nacionais, realizo muitas cirurgias por ano.

Seria altamente provável que dentre as aproximadamente 400.000 vítimas de câncer que vão a ela todos os anos possa haver um paciente que se encaixe na categoria de regressão espontânea. Eu sei que entre os pacientes tratados por Kathryn Kuhlman, ou Norbuchin ou Tony Agpowwa, que são dois outros curandeiros, um oriental e outro filipino, nunca será encontrada uma cura espontânea de uma hérnia, cálculos biliares, doenças cardíacas, paralisia devido a lesão ou qualquer uma das centenas de outras doenças orgânicas para as quais os pacientes procuram ajuda.

O que eu acho mais incomum é que não há curas de câncer espontâneo bem documentadas relatadas em seus livros. Você pensaria que entre os milhões de pacientes de câncer que os curadores tratam, pelo menos um ou dois demonstrariam uma regressão espontânea. Meu argumento, no caso de eu não ter deixado claro, é que mesmo que fossem encontrados casos isolados de curas documentadas de câncer nos arquivos da Srta. Kuhlman ou de qualquer outro curador, isso não provaria nada. Curas espontâneas isoladas de câncer ocorrem com ou sem a atuação de curandeiros.

Ou seja, as chances de alguém se curar de câncer através da atuação de Kathryn Kuhlman ou de qualquer outro curandeiro são as mesmas de ser curado se a pessoa não fizer nada e não se meter com ninguém.

O câncer, como algumas vezes acontece, simplesmente entra em remissão por um período de tempo, a pessoa fica bem, aí a doença volta de uma forma agressiva e a pessoa morre. Isso é comum. Noland ainda diz o seguinte:

Para agir dentro da lógica, o paciente com câncer deve ir a um curandeiro apenas se esse tiver uma taxa de cura de 50% ou mais, porque essa é a taxa de cura que os médicos alcançam. Os pacientes com câncer que vão aos curandeiros estão emocionalmente perturbados e, por essa razão, não agem logicamente.

Agora, eu estou lendo tudo isso porque quero que você entenda que há outra maneira de ver o que está acontecendo. Você vê isso? outra maneira de olhar para isso, e quando alguém diz: “Você tem que acreditar. Olhe para todas as evidências.” A pergunta é: Onde está toda a evidência? Onde estão as curas orgânicas espontâneas? A próxima vez que você vir um curador, leve alguém com um braço quebrado até ele e diga: “Aqui, cure-o!” Você diz: “Bem, ok, eu não vou usar isso como prova. Eu acredito nessas pessoas que alegam ter o poder para curar porque elas são tão cheias do Espírito…”.

Eu não tenho certeza de que o tipo de produção,  o tipo de show que acontece, o tipo de coisas que acontecem em torno das vidas dessas pessoas realmente evidenciam os frutos do Espírito. E isso é algo que eu não quero julgar, mas como eu examinei as vidas das pessoas que estão envolvidas nisso, eu tenho ficado muito angustiado com o que eu tenho testemunhado.  Alguém mais diz: “Bem, a razão pela qual eu acredito é porque eles fazem isso biblicamente.” Oh, eles não fazem isso biblicamente. E veremos o porquê daqui a pouco.

Alguém mais diz: “Bem, a razão pela qual eu acredito que essas pessoas têm o poder de curar é porque isso está baseado no sólido ensinamento da Bíblia, que afirma que seremos curados pelas chagas de Jesus, logo esta cura vem junto com a expiação dos nossos pecados.” Essa é a interpretação mais grosseira de Isaías 53, das que você pode imaginar. Esse texto bíblico não está falando sobre cura física, está falando sobre cura espiritual, salvação. Você diz: “Por que, as pessoas buscam esses curadores, John?” Eu direi o porquê. Elas o fazem porque as pessoas que estão doentes estão desesperadas. Podemos entender isso.

Há um certo desespero que vem com a doença. Doença leva as pessoas a fazerem coisas que normalmente não fariam. Jó 2:4 é um bom versículo sobre isso: “Pele por pele, sim, tudo o que um homem tem ele dá por sua vida.” As pessoas farão qualquer coisa para viver. Basta alguém ouvir de um médico que tem uma doença terminal, e o pânico se instala, bem como o desejo de ser curado. Com isso, as pessoas vão em busca de um curandeiro, farão qualquer coisa.

Então, uma das razões pelas quais os curandeiros atraem tanta gente é que há um mercado fantástico de pessoas que estão realmente doentes e desesperadas, mas as realmente doentes nunca são curadas. Além disso, há outras pessoas que não estão realmente doentes, só têm distúrbios psicossomáticos. E então, há outras pessoas que vão em busca desses curadores, porque simplesmente não conseguem crer em Deus e são tão duvidosas que precisam correr por aí em busca de todos os tipos de “milagres” para dirimir sua incredulidade. Precisam ver sinais para crer.

Tudo o que você precisa para fazer uma comparação entre o que acontece hoje e o que a Bíblia ensina é voltar e olhar para Jesus. Deixe-me conduzi-lo nesse exame. Vamos olhar para Jesus. Como Ele curava, é muito importante, porque Ele estabeleceu o padrão para todos os dons espirituais. Nos dias de Jesus, o mundo era cheio de doenças. Quero dizer, era um mundo que estava precisando de cura. E não havia nenhuma ciência médica. As pessoas estavam realmente doentes. Não havia como serem curadas.

As doenças naquele tempo eram mais prevalentes do que hoje. Doenças eram destrutivas. Eram incuráveis. Pragas destruiriam cidades. E o maior problema do homem, em sua vida física, é a doença. Então, quando Jesus veio ao mundo, e porque Ele queria que o mundo soubesse que Ele era Deus, Ele percebeu que a melhor maneira de atrair a atenção para Si mesmo era atravessar o mundo aliviando a doença. E Ele fez. E então, Ele transmitiu essa habilidade para Seus apóstolos.

Como Jesus curava? Eu vou responder a esta pergunta em seis pontos absolutamente críticos:

■ Número um: Jesus curava com uma palavra ou um toque. Quando Jesus curava, as pessoas não caíam, como vemos hoje nos círculos pentecostais. Você diz: “Por que ocorrem essas quedas hoje em dia?” Ouça, essa é uma resposta à sugestão psicológica presente nesses ambientes místicos. A pessoa entende que a prova de que ela está tendo contato com o Espírito é ela cair. Então, ela acredita nisso e cai. É hipnótico. Há todo tipo de explicações psicológicas para isso.

Em Mateus 8, a partir do verso 5, há o relato de Jesus curando o servo do centurião. E o servo nem mesmo estava lá. Jesus apenas falou que ele estaria curado, e ele foi curado. O próprio centurião foi quem sugeriu que Jesus nem precisaria se deslocar para onde o servo doente se encontrava, mas que bastava que Ele falasse uma palavra, que o servo seria curado.  Você diz: “Como esse cara sabia disso?” Porque esse era o modo comum de Jesus curar.

Jesus curou milhares e milhares de pessoas durante sua vida na Terra. Você sabe, o dia em que Ele alimentou os 5.000 no jantar no final do dia, desde o amanhecer Ele tinha passado o dia inteiro curando toda aquela multidão de todas as suas doenças. Ele poderia ter feito até 10.000 curas naquele dia. Nós não sabemos quantas. Assim, aquelas pessoas ali conheciam como Ele realizava as curas. Por isso o centurião também sabia. E ele disse: “Tudo o que o Senhor tem que fazer é falar uma palavra”. Ele sabia que Jesus curava dizendo: “Seja curado”. Isso era tudo. Nenhuma teatralidade acontecia.

Além de usar a palavra, Jesus também curava com um toque. Há muitas ilustrações disso, porém vamos olhar para Marcos 5. Eu amo essa história da mulher que rastejou em direção a Jesus, verso 27, e ela tocou Sua vestimenta e disse, verso 28: “Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei.” Um toque. E Jesus não a empurrou para que ela caísse “cheia do Espírito”, como vemos por aí. Ela apenas estendeu a mão e tocou, ela pegou uma de suas borlas rabínicas penduradas em seu manto. O rabino tinha quatro borlas no roupão, ela pegou uma daquelas borlas rabínicas e instantaneamente  foi curada. Com uma palavra ou um toque Jesus curava a todos, sem dramas e sem teatralidade.

Número dois: Jesus curava instantaneamente. Marcos 5:29, o que diz? “E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.” Quando? Imediatamente. Ouvi pessoas dizerem: “Oh, o Senhor me curou e estou ficando progressivamente melhor”. Jesus nunca fez uma cura progressiva. Ele nunca fez algo assim: “a partir de agora, Eu quero que você restrinja certas coisas e descanse um pouco e você vai ser curado.”

Quando Jesus  despediu os leprosos, eles foram curados, mas isso foi instantâneo, na estrada. Quando Ele disse ao cego para ir se lavar no tanque, assim que ele lavou os olhos, instantaneamente passou a ver. Bem, e quanto ao homem que primeiro viu homens como árvores andando, em Marcos 8:22-26? Nesse caso a cura também foi instantânea.

O homem passou a enxergar imediatamente, porém o foco de sua visão precisava ser ajustado. Jesus não só curou sua cegueira imediatamente, como também ajustou o foco de sua visão instantaneamente. O homem não foi para casa enxergando mal e foi melhorando aos poucos. Não. Ele saiu dali vendo perfeitamente.

Cura instantânea. A Escritura não conhece outro tipo. Caso contrário, se Jesus curasse progressivamente, esse tipo de milagre seria inútil para demonstrar Sua divindade, porque alguém diria que foi apenas um processo natural de cura, certo? Tinha que ser instantaneamente. Veja Marcos 7:31-32: “E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galileia, pelos confins de Decápolis. E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele.

Agora, muito frequentemente, e nossos amigos surdos podem atestar isso, quando você é surdo, e sempre foi surdo, é difícil articular claramente o que você diz. Assim, as pessoas surdas falam com um certo impedimento, porque não podem ouvir o que estão falando. Nós entendemos isso. Este é um problema orgânico. Agora, observe o que aconteceu: “e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele“. Eles sabiam como Jesus curava. Sabiam que Ele usava um toque. Versos seguintes:

33 E, tirando-o à parte, de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua.
34 E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te.
35 E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente. 

Eu ouso dizer que nenhum daqueles que alegam ter o poder para curar hoje já tenha feito algo assim. Nunca. De repente, uma pessoa que tem uma surdez desde o nascimento e fala com muita dificuldade, que é característica de alguém que nunca ouviu sequer a própria voz, passa a falar com clareza e ouvir tudo instantaneamente. Esse era o tipo de cura que Jesus operava, e isso acontecia para provar que Deus estava intervindo, que não havia outra explicação possível para aquela cura, a não ser que tinha sido obra de Deus. Caso contrário, o milagre deixaria de ter seu significado e função.

Número três: Jesus curava totalmente. Olhe para Lucas 4:38, como uma ilustração dentre muitas: “Ora, levantando-se Jesus da sinagoga, entrou em casa de Simão; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ela.” Temos, novamente, uma doença. A sogra de Pedro está muito doente. Na verdade, a implicação aqui é que ela estava morrendo. A sogra de Pedro estava morrendo.

Agora, quero que você observe. Isto é tão lindo! A sogra de Pedro estava morrendo. Veja o que Jesus fez, versículo 39: “E, inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou. E ela, levantando-se logo, servia-os.” Ela se levantou e fez o jantar. Aqui estava a mulher deitada em seu leito de morte e quando Jesus a curou, Ele a curou totalmente. Ele não disse: “Agora que você foi curada, quero que você tome um pouco de mel e um chá quente e, em seguida, eu quero que você tenha certeza que você fique em casa e eu quero que você repouse…” . Não! Ela foi curada de uma doença mortal, levantou-se e fez o jantar. Cura instantânea e total.

Número quatro: Jesus curava a todos. Jesus não era como Kathryn Kuhlman, não havia pessoas com doenças orgânicas que saíam da mesma maneira que vieram. Ele não curava como Oral Roberts, Brant Baker ou qualquer outra pessoa. Escute, eu adoro isso, Lucas 4:40, que lindo e bonito verso: “Agora, quando o sol estava se pondo…“, eu posso ver a gravura, ver a cena, a cidade, o sol estava se pondo, “todos os que tinham enfermos de várias doenças lhos traziam; e, pondo as mãos sobre cada um deles, os curava.

O verso está dizendo que somente alguns deles melhoraram, aqueles que o Espírito Santo queria? É isso que o verso diz? Ele curava com uma palavra ou um toque, instantaneamente, totalmente e curava a todos. É por isso que Ele não tinha que realizar essas curas  em seu próprio ambiente controlado, como aqueles que alegam ter o poder para curar fazem. Ele poderia ir onde os doentes estavam.

Lucas 9:11 nos traz outra bela imagem de Jesus operando cura: “E, sabendo-o a multidão, o seguiu; e ele os recebeu, e falava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.” Qualquer um que precisasse ser curado era curado. Você conhece alguém que tenha essa habilidade hoje? Claro que não. Mas era assim que Jesus curava. E é assim que os apóstolos curavam. Vamos falar sobre isso adiante.

Número cinco: Jesus curava a doença orgânica. Pessoas aleijadas desde o nascimento podiam andar. As pessoas que eram cegas podiam ver. As pessoas que eram surdas e mudas podiam falar e ouvir. Todas essas doenças eram orgânicas. Jesus não saiu por aí curando dor lombar, palpitação do coração e problemas respiratórios. Há tantas ilustrações disso nas Escrituras, que nem temos tempo para começar a vê-las. Mas, você conhece a Bíblia e pode se lembrar delas.

Número seis: Jesus ressuscitou os mortos. Marcos 5:35: “Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?” O chefe da sinagoga estava pedindo a Jesus que ajudasse sua filha doente, mas alguém chega e diz que é tarde demais, ela está morta. Porém, Jesus ia cuidar disso. Verso 41: “E tomou a criança pela mão e disse-lhe: ‘Talita cumi’”, que significa “garotinha, eu digo que você se levante”, e imediatamente a criança se levantou e andou.

Ela tinha 12 anos de idade. O milagre não foi ela se levantar e andar. O milagre foi na ressurreição. “E eles ficaram surpresos com um grande espanto.” Ele ressuscitou os mortos. Lembro-me que quando eu estava em Belém, um dia, estávamos andando pela rua e lá vinha um cortejo fúnebre, e tinham um pequeno caixão com uma criancinha, típico cortejo fúnebre judeu. As pessoas cantavam e era tudo muito triste,  a família estava lá chorando e eu pensei nessa ocasião do que aconteceu em Lucas 7:11 a 15, veja:

11 E aconteceu que, no dia seguinte, ele foi à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão;
12 E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade.
13 E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores.
14 E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o que fora defunto assentou-se, e começou a falar.
15 E entregou-o à sua mãe.

Essa pobre viúva estava perdendo seu único filho e Jesus não precisava de alguém para descrever a situação. Ele conhecia, porque é onisciente e  sabia que ela iria ficar sem ninguém para ajudá-la. Ela era uma viúva pobre e destituída e isso era difícil. Por isso Ele foi compassivo. Aquele que estava morto sentou-se e começou a falar. E Ele o entregou à mãe. A narrativa é concluída assim: “E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo. E correu dele esta fama por toda a Judéia e por toda a terra circunvizinha.” (vv. 16-17).

Escute, eu gostaria de ver as pessoas de hoje que alegam ter o dom da cura passarem algum tempo em funerárias. Eles certamente poderiam fazer algumas coisas interessantes acontecerem.

Por que Jesus fazia esses milagres? Por que Ele curava com uma palavra ou um toque, instantaneamente, todos com doenças orgânicas e ressuscitava os mortos? Por quê? Era para impressionar as pessoas? Veja João 20 e eu te mostrarei, versículos 30 e 31 dizem isto: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Ouça-me, o dom de operar curas sempre foi um dom de autenticação. Serviu para confirmar a declaração de Jesus de que Ele é Deus. Você diz: “Bem, e quanto aos apóstolos, qual o propósito do dom de curar que a Escritura mostra que eles receberam?” Foi para confirmar a proclamação deles, e nós entraremos nesse ponto em detalhes e você verá quão claro isso se torna quando você estuda as Epístolas.

Dissipar demônios e doenças foi a maneira de Cristo confirmar que Ele era Deus em carne, o Messias, o Salvador. E quando Jesus chegou ao fim de Seu ministério, os milagres começaram a ficar cada vez menos frequentes, porque Ele já tinha entregado Sua mensagem. Os milagres não tinham outra razão para existir e, após não serem mais necessários, eles se desvaneceram.

Eu não estou dizendo que Deus não faça milagres. Eu não estou dizendo que Deus não cura. Ele os faz e pode fazer qualquer coisa que Ele queira fazer. Deus é quem soberanamente decide se quer operá-los ou não. Mas eu vou te dizer uma coisa: não há evidência bíblica e não há provas de que alguém hoje esteja operando o dom da cura, ou seja, não há qualquer evidência segura de que qualquer ser humano hoje tenha o poder de curar doenças.

Se Deus quiser curar, Ele pode fazê-lo, e Ele pode fazê-lo em resposta às orações de um indivíduo. De fato, Ele promete que a oração da fé fará o que? Curará os doentes. Mas, não confundamos a cura de Deus em resposta à oração com a capacidade de alguém ter o poder, como os apóstolos tinham, de curar a todos que eles quisessem curar. Jesus poderia fazer isso, e os apóstolos poderiam fazê-lo também. Veremos isso da próxima vez. Vamos orar.

Pai, sentimos que acabamos de realmente chegar ao cerne desse assunto, através de examinarmos o que a Escritura diz. Mas Senhor, sabemos que é importante para nós podermos entender a Escritura à luz do que está acontecendo ao nosso redor e, por isso, agradecemos pelo tempo que pudemos compartilhar Tua Palavra. Apenas oramos para que esse tipo de estudo possa abrir nosso entendimento, sem sermos indelicados com as pessoas, desamorosos, não sermos críticos, nem superiores, mas simplesmente sermos úteis, tentar ajudá-los a entender, porque há tantas pessoas de coração partido que não conseguem entender por que elas sempre vão a esses que alegam ter o dom de curar, em busca de cura e nunca são curadas… e há tantas pessoas que não podem crer em Ti, que não podem simplesmente aceitar Tua palavra, mas têm que correr de sensação para sensação para ter sua dúvida reforçada. Deus, amadureça a fé das pessoas. Ajude-as a crer que tudo o que precisam é da Tua palavra e do Teu Espírito, e não mais e mais sinais. E nos ajude a sermos justos com as Escrituras, para realmente avaliarmos tudo com base nas Escrituras  e não atribuir manifestações como vindas de Ti, que não são Tuas, mas vêm do esforço dos homens. Deus, faz-nos discernir, para que possamos verdadeiramente Te adorar como Tu deverias ser adorado. Em nome de Cristo. Amém.

Esta é uma série de sermões sobre os dons do Espírito Santo e homens especialmente dotados, conforme links abaixo:


Este texto é uma síntese do sermão “The Temporary Sign Gifts, Part 2”, de John MacArthur em 25/07/1976.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/1857

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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