O Falso Evangelho Social – 4

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Este é o quarto de uma série de 4 sermões de John MacArthur sobre o falso evangelho social, conforme links no final do texto.


4º SERMÃO: O FALSO EVANGELHO DA JUSTIÇA SOCIAL – Parte 4

1. INTRODUÇÃO:

Hoje queremos terminar este incrível décimo oitavo capítulo de Ezequiel. Estamos olhando para este capítulo com relação ao tema “O Falso Evangelho da Justiça Social”, tentando entender como devemos pensar sobre essa ênfase na justiça social, que está em alta na nossa cultura atualmente, e como isso se encaixa com a nossa compreensão do evangelho bíblico. E o que Ezequiel quer que saibamos é que os pecadores precisam se preocupar com a morte, porque este capítulo é um aviso de Deus a todo pecador da realidade iminente da morte eterna.

Podemos resumir a mensagem de Ezequiel em basicamente uma frase: “o homem que pecar morrerá“. Não apenas fisicamente, mas espiritualmente e eternamente. Isso é afirmado claramente no final do versículo 4 e no começo do versículo 20. Este capítulo trata da responsabilidade individual, do pecado individual, da responsabilidade individual perante Deus, do arrependimento individual, do perdão individual e do dom da vida eterna.

2. A RESISTÊNCIA DO PECADOR EM RECONHECER SUA PECAMINOSIDADE:

É difícil para a igreja evangélica nos dias de hoje lidar com o evangelho. Queremos influenciar as pessoas, alcançar as pessoas e  levá-las ao conhecimento de Cristo. Queremos que elas recebam a salvação, escapem do inferno e entrem no céu. Mas, ao mesmo tempo, há uma relutância na igreja dos nossos dias em reconhecer onde o evangelho começa. E ele começa  com uma acusação de que todo ser humano é um pecador destinado ao castigo eterno. É isso que as Escrituras dizem.

Todos nós estamos mortos em ofensas e pecados, Efésios 2 diz. E como tais, somos filhos da ira. Nós somos, na verdade, os mortos-vivos, caminhando para o julgamento. A Bíblia analisa profundamente a condição humana e nos diz que cada parte de nós é pecaminosa, perversa e corrupta. O coração é mau. Jeremias 17:9 diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”. Mesmo nossa autocompreensão é incapaz de entender quão miseráveis ​​são nossos próprios corações.

Não apenas o coração é mau, mas a mente é corrupta. Efésios 4 diz que a mente é fútil, vazia, está obscurecida em seu entendimento, é excluída da vida de Deus, é ignorante, obstinada e entregue ao pecado. Somos pecadores, como lemos em Romanos 3,  pecadores em todos os aspectos. Nosso coração é mau, nossa mente é corrupta. Como resultado disso, nossa vontade é perversa. O mesmo capítulo, Efésios 4, descreve a vontade como insensível, entregue à sensualidade para a prática de todo tipo de impureza. Em outras palavras, há uma ansiedade, uma avidez em mergulhar no pecado intencionalmente.

E então, claro, o corpo é mau. Nós estamos em nosso corpo, escravos do pecado, diz Paulo no livro de Romanos, e ele também diz que nosso corpo é o corpo da morte. O pensamento e a conduta de todo ser humano são pecaminosos. Esse é o ponto de partida necessário para o evangelho. É aqui que o evangelho deve começar: “O salário do pecado é a morte”.  A pessoa que pecar morrerá. Não apenas uma morte física, mas uma morte eterna.

A abordagem mundana, pragmática, moderna da igreja é muito relutante em pregar essa parte do evangelho, porque é muito ofensiva. Os pecadores lutarão para defender sua bondade. Se há algo que está no topo da lista de todos os pecados que caracterizam os seres humanos, esse seria o orgulho. O orgulho é o pecado primário, porque queremos sempre nos preservar. E assim, os pecadores tendem a pensar que são bons e não maus. Eles vêem algo ruim em sua maldade, mas não vêem maldade em sua bondade.

Desse modo, os pecadores são defensivos quanto à sua bondade. Sempre é assim. De fato, os pecadores são propensos a culpar alguém por seus erros. Essa é a posição padrão para todo pecador: “Se há algo errado comigo, é porque alguém fez algo errado comigo e, então, eu sou uma vítima do pecado de outra pessoa.” Foi assim no Éden, quando Deus confrontou Eva, e ela culpou a serpente e, então, Adão a culpou, ambos culparam Deus, porque foi Deus quem criou a serpente e foi Deus quem criou Eva.

Essa é a posição padrão de todos os pecadores. Eles não querem aceitar sua total responsabilidade por sua miséria. Não entendem completamente sua miséria. Certamente não querem acreditar que estão alienados da vida de Deus, ignorantes em sua compreensão e destinados para o inferno eterno. Não querem a verdade. Porém, é exatamente aí que o evangelho começa. Confrontar os pecadores sobre sua pecaminosidade é a doutrina mais distintamente cristã.

Todas as outras visões acerca do homem concedem-lhe alguma bondade. Todas as outras religiões acreditam que de alguma forma há bondade suficiente nos seres humanos para ganharem favor perante Deus. Assim, a corrupção ou depravação total do homem é a doutrina cristã mais contrária a todo pensamento humano normal. O homem fará de tudo para proteger seu senso de bondade e nobreza.

É também a doutrina mais paradoxal, porque as pessoas fazem coisas humanamente boas, filantrópicas,  atos de bondade, de sacrifício. Porém, nada disso é bom diante de Deus, porque se não for feito para a glória de Deus, é repleto de maldade. A corrupção do homem é a doutrina cristã mais minimizada, porque é a doutrina cristã mais ofensiva. E, como eu tenho dito nesta série, os pecadores rejeitam universalmente o diagnóstico bíblico de sua condição.

Sendo uma doutrina tão resistida, os cristãos vão colocá-la de lado, ignorá-la. Eles não querem ser ofensivos. A reação padrão dos pecadores orgulhosos é não aceitar esse diagnóstico bíblico acerca de si mesmos. Sempre foi assim. Eles irão culpar suas circunstâncias, as influências em torno deles, a família, as pessoas em sua cultura, as pessoas em culturas anteriores e, finalmente, eles vão culpar Deus: “Se existe um Deus e Ele é o Criador do mundo, o arquiteto da História e é aquele que gerencia cada questão em cada vida na História, como a Bíblia diz que Ele faz, então Deus deveria levar a culpa pelo que há de errado neste mundo e pelo que há de errado na minha vida.”

3. A VITIMIZAÇÃO DO PECADOR:

Agora, isso nos leva a esse frenesi atual de justiça social que temos em nossa cultura. É a tendência mais recente e popular os pecadores culpados se reunirem e culpar alguém pelo que está errado em suas vidas, e até culparem Deus. Eles se identificam alegremente como vítimas. Todos, como eu tenho dito, estão correndo para se encaixar numa categoria de vítima, porque se você não é uma vítima de algo, você realmente não tem nada a dizer no discurso de nossa sociedade. Você precisa ser vítima de alguma coisa. Alguém mais teve que fazer algo para ferir você de tal maneira que causou danos em sua vida.

E é isso que define o homem moderno. As pessoas estão se definindo pelo que foi feito a elas, e não pelo que elas são aos olhos de Deus. Como cristãos e pregadores fiéis do evangelho, não podemos deixar que os pecadores foquem no que lhes foi feito. Eles precisam ir além disso e olhar o que está acontecendo dentro deles.

4. O PAPEL DA IGREJA EM UM MUNDO MAL, QUE PRODUZ SUAS VÍTIMAS:

Agora olhe, eu quero que você entenda isso muito claramente. Há verdadeiras vítimas no mundo, com certeza. Ao longo de toda a história humana tem havido pessoas que foram tratadas injustamente, impiedosamente, brutalmente, indelicadamente. Há milhões de pessoas que morreram simplesmente porque alguém queria eliminar ou destruir uma tribo ou um grupo étnico. Há milhões de pessoas que morreram em batalhas e conflitos. Há pessoas que morreram em atividades criminosas. Outras que foram abusadas por certos grupos na sociedade. E essas coisas ainda estão acontecendo no mundo hoje.

Nós lemos quase todos os dias sobre mais pessoas sendo massacradas aqui ou ali no mundo. Há vítimas no mundo. De fato, todos nós somos, em um grau ou outro, vítimas. Somos todos vítimas do pecado de Adão, porque em Adão todos nós morremos. Todos nós sentimos o peso daquela queda que veio do seu pecado. E nós somos vítimas das gerações anteriores à nossa, pelo fato de que elas conduziram a cultura para onde ela está hoje. E não é onde ela deveria estar.

É um lugar perigoso este mundo, porque a cultura é tão corrupta, vil, má e tão onipresente, visível. Somos vítimas da presente cultura, da atual corrupção na mídia que incansavelmente derrama diante de nós uma série de imagens do mal. Portanto, não estou dizendo que não somos vítimas. Há pessoas que foram maltratadas e tratadas de maneira pouco amorosa e indelicada, e às vezes grupos de pessoas. Claro, existem vítimas neste mundo. É um mundo caído; nunca haverá um tipo certo de governo que será perfeito até que nosso Senhor estabeleça Seu reino.

Os cristãos, então, como cristãos, são chamados por Deus para fazer tudo o que puderem para trazer justiça às pessoas que foram tratadas injustamente, para levar amor compassivo às pessoas que foram tratadas sem misericórdia. Isto é o que significa ser um cristão. Estamos neste mundo para demonstrar o amor de Deus. Quando Deus enviou Seu Filho ao mundo e quis mostrar Seu poder, Ele não apresentou Jesus voando como um helicóptero humano, ou fazendo truques que poderiam ser explicados sem uma explicação sobrenatural. Não.

Para colocar Seu poder sobrenatural em exibição, Ele fez com que Jesus banisse a doença da terra de Israel, erradicasse-a. Por quê? Porque Ele estava demonstrando não apenas o poder divino, mas também a compaixão divina. Esse é o coração de Deus. Deus tem compaixão por todos os que sofrem no mundo. E como crentes, levamos essa compaixão ao mundo ao nosso redor. É nossa responsabilidade, já vimos isso.

Volte para o capítulo 18, versículo 5. Como aqueles que são justos, devemos praticar justiça e retidão. De modo que é nossa responsabilidade não contaminar a esposa de um vizinho e não oprimir alguém, versículo 7, não roubar, dar pão aos famintos e vestir o nu, não emprestar dinheiro com juros, não agir com usura.

É nossa responsabilidade manter as mãos longe da iniquidade e executar a verdadeira justiça diante dos homens. Isso faz parte de caminhar nos estatutos e ordenanças de Deus, agindo fielmente, com integridade, como pessoas justas que realmente vivem porque Deus nos deu vida. O que os cristãos fazem no mundo é trazer justiça.

5. A MENSAGEM DO EVANGELHO NUM MUNDO DE VÍTIMAS:

O Antigo Testamento nos ensina a agir justamente e amar com gentileza. É claro que queremos fazer tudo o que pudermos para aliviar o sofrimento das pessoas, seja qual for o tipo de sofrimento. Porém, nossa mensagem é o evangelho. E a mensagem do evangelho não permitirá que o pecador pense que, porque somos solidários com seus pecados, com seu sofrimento, com a injustiça que foi trazida a essa pessoa ou àquela, que Deus, portanto, é tão compreensivo que negligenciará seu pecado. Isso não é verdade.

Não é verdade para Deus e não pode ser verdade para nós. Assim como Deus, queremos ser solidários, queremos ser gentis, queremos ser compassivos, queremos ser amorosos para aliviar as pessoas do tratamento que é injusto, cruel e indelicado. Mas, ao mesmo tempo, devemos reconhecer que assim como Deus não será misericordioso para com eles em relação a seus pecados, devemos também confrontá-los com as consequências inevitáveis ​​de suas transgressões.

Então, eu não estou argumentando que as pessoas não são vítimas; elas são, todos nós somos, em um grau ou outro, porque estamos em um mundo caído. E eu não estou argumentando que não temos a responsabilidade de ser gentis, porque nós a temos. Devemos agir com misericórdia, justiça, amor e compaixão, até mesmo sacrificialmente, fazendo o bem a todos os homens.

O que eu estou dizendo é que, enquanto mostramos simpatia ao pecador não podemos pensar por um momento que essa simpatia com o sofrimento do pecador mudará o modo de como Deus lida com aquele que não se arrepende e não vem a Ele clamando pelo perdão. Nossa mensagem ao pecador deve ser:

Eu quero fazer o que puder para aliviar seu sofrimento, se isso for possível; mas estou muito mais preocupado com o sofrimento eterno que está esperando por você. E Deus não será misericordioso para com você, a menos que você venha a Ele para receber o perdão dos pecados. Isso só acontece através do evangelho, através do Senhor Jesus Cristo.

Assim, enquanto muitos evangélicos demonstram simpatia e bondade para com aqueles que se sentem vítimas – embora haja muitas vítimas reais e muitas vítimas artificiais – enquanto queremos mostrar-lhes a bondade, temos que nos lembrar que Deus não mostrará misericórdia para com qualquer pecador que O rejeite, rejeite o Seu evangelho e Seu Filho. E, mais cedo ou mais tarde, em nossos atos de misericórdia para com o pecador incrédulo, precisamos abordar a questão do pecado, da morte e do julgamento eterno no inferno.

Quaisquer que sejam suas circunstâncias, se você viveu em conflito, se você viveu em prosperidade e riqueza, ou se você viveu na pobreza e privação, a questão são os pecados que você comete. A alienação de todo o seu ser de Deus é que vai mandar você para o inferno para sempre, a menos que você creia no Senhor Jesus Cristo e seja perdoado pela fé Nele.

Há uma relutância por parte dos assim chamados crentes hoje para confrontar essa realidade, porque há uma tendência no sentido de correr para todos que dizem que são uma vítima e mostrar-lhes misericórdia e simpatia. Às vezes é a coisa certa a fazer, mas nunca a coisa principal a fazer.

6. A ABORDAGEM BÍBLICA DO ASSUNTO EM EZEQUIEL 18:

Então, é por isso que estamos olhando para Ezequiel 18, porque Ezequiel não vai deixar os pecadores pensarem que Deus vai lidar com eles de maneira leve ou injusta com relação ao pecado deles. A alma, a pessoa que pecar morrerá. É uma sentença: a morte eterna. Agora, Ezequiel é um pregador de juízo neste capítulo, como vimos. Vamos revisar alguns pontos brevemente.

Ezequiel está pregando aos cativos na Babilônia. As duas primeiras deportações para o cativeiro babilônico aconteceram. Ele está avisando sobre o pecado deles. E eles faziam o que todos os pecadores fazem. Eles estavam proclamando sua inocência, acreditavam que não eram pecadores culpados. Na verdade, eles haviam desenvolvido uma espécie de provérbio – um meme, como eu disse da última vez – que é apresentado no verso 2: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram.

Eis o que eles estavam dizendo, em outras palavras:

Estamos sofrendo. Nós fomos tirados da nossa terra, a terra de Israel. Estamos nesta terra pagã com esses gentios impuros. Estamos sofrendo como escravos em uma terra estrangeira. Mas estamos sofrendo por algo que nossos pais fizeram. Nossos pais comeram as uvas azedas e nossos dentes ficaram embotados. A geração deles pecou e ​​nós recebemos a punição.

Essa era a reivindicação deles. E isso é apenas uma ilustração de como os pecadores sempre farão tudo o que puderem para afastar o senso de responsabilidade que deveriam ter por seus próprios pecados, a fim de proteger seu senso de bondade e inocência próprias.

  • Como eu vivo…” – diz o Senhor no verso 3 – “nunca mais direis esta parábola em Israel”. Esse provérbio estava sendo usado em Israel também, por aqueles que ainda estavam na terra de Israel, como Jeremias observa e cita o mesmo provérbio. Mas, o Senhor estava dizendo, em outras palavras: “Parem de dizer isso! Ninguém sofre pelo pecado de outra pessoa, ninguém.” Você não pode vir diante de Deus e dizer: “Eu peco porque sou vítima de outra pessoa. Eu fui vítima do que alguém fez comigo.” Isso pode até ser verdade em um nível humano; mas isso não será verdade em um nível divino.
  • A Ilusão do Pecador – Verso 4: “Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.” Esse é o começo deste capítulo. Chamamos isso de ilusão do pecador, ou seja a ilusão no sentido de que ele pensa ser inocente e está sofrendo pelo que outra pessoa fez. Mas, diante de Deus, a alma que peca recebe o juízo.
  •  A Verdade de DeusVimos também a verdade de Deus, que é ilustrada nos versículos 5 a 20. Lembre-se que há três ilustrações: um justo, um filho injusto e um neto justo. E o justo, a primeira ilustração, praticou atos de justiça: não adorou ídolos, não cometeu adultério, não abusou dos pobres, vestiu os nus, deu bem aos famintos, fez todas as coisas certas, porque ele era justo. Porém seu filho é mau, vil e faz todas as coisas que seu pai justo não fez. Deus diz sobre esse filho injusto: “Não viverá. Todas estas abominações ele fez, certamente morrerá; o seu sangue será sobre ele.” Isso é o que diz o versículo 13. Ele sofrerá conseqüências por seu próprio pecado. Em outras palavras, a justiça de seu pai não será transferida para ele. E então, a terceira ilustração é a do neto, a próxima geração. Esse é um filho que não fez o que seu pai maligno fez, mas fez o que seu avô honesto fez. E o texto continua dizendo que ele viverá, versículo 17, enquanto seu pai maligno morrerá por sua iniquidade, versículo 18.

Então, aqui você tem essa sequência muito simples. Você tem um pai justo, um filho injusto e um neto justo. A justiça do pai não protegeu o filho malvado e o mal do filho não é passado para a próxima geração, ou seja, para o neto. Cada pessoa é vista individualmente. Os justos viverão e os injustos morrerão. Nenhum filho é protegido pela justiça de seu pai e nenhum filho é punido pelos pecados de seu pai ou de seus antepassados. Mas, acreditar no contrário disso é a ilusão do pecador e ele se apega a ela.

O Salmo 19:12 diz: “Quem pode discernir suas próprias falhas?”. As pessoas não podem ver como elas realmente são. E, assim, elas estão iludidas. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jr 17:9). Mas saiba disso: a justiça de seu pai não será creditada a você, assim como você não será punido por qualquer pecado de uma outra pessoa. Esse é o princípio ilustrado aqui.

Essa é a verdade de Deus: cada um dará contas de si mesmo. O pecador não aceita isso. O pecador se ilude acreditando que ele está sofrendo pelos pecados de outra pessoa. Vá até o versículo 19:  “Mas dizeis: Por que não levará o filho a iniquidade do pai? ” Isso é sarcasmo. Isso é zombaria de Deus. “Por que não deveria ser assim? Este é o tipo de Deus que você é: alguém peca e você pune outra pessoa. Você é caprichoso. Você tem algum tipo de prazer na vingança!”. É isso que eles estavam nutrindo contra Deus.

Eles não iriam reconhecer seu próprio pecado. Sim, seus antepassados ​​pecaram. Sim, os pecados de seus antepassados ​​levaram à situação de cativeiro na qual eles viviam. Mas eles não eram diferentes de seus antepassados, eles não eram melhores do que eles, e nenhum deles jamais seria levado perante Deus para ser julgado por outros pecados que não os seus.

E assim, chegamos à afirmação novamente:

Porque o filho procedeu com retidão e justiça, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso certamente viverá. A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.” (vv 19-20).

Todos são tratados individualmente.

Entenda: somos todos influenciados pelo mal que nos rodeia e isso afeta o mundo em que temos que viver. Mas, quando se trata de nosso julgamento, ele será baseado apenas em nossas próprias vidas. O texto de Ezequiel termina, começando no versículo 21, com a verdade de Deus sendo oferecida e a ilusão do pecador sendo retida por este.

Ezequiel tenta comunicar a mensagem de que eles não podem culpar as gerações anteriores ou outros por seus problemas. Deus trata com os homens individualmente. Os pecadores lutam arduamente para não aceitar o diagnóstico bíblico de sua pecaminosidade.

Versículo 21: “Mas se o ímpio se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e proceder com retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá.” Isso não quer dizer que somos salvos por obras, mas quer dizer que somos julgados por nossas obras. Ouça com atenção: somos salvos pela graça através da fé, mas somos julgados pelas obras.

Sabemos disso, porque isso é claro em toda a Escritura. Você será julgado por Deus por suas obras, porque suas obras são a evidência de sua natureza. E, se suas obras são injustas, então essa é a evidência de sua natureza injusta. E se suas obras são justas, essa é a evidência de sua natureza justa.

Então, novamente, somos salvos não pelas obras, somos salvos pela graça através da fé; porém, somos julgados pelas obras que manifestam a realidade dessa salvação. Quando as obras de uma pessoa são justas,  ela viverá. E é nisso que Deus se agrada, verso 23: “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” Este é o coração de Deus. Ele não tem satisfação na vingança. Deus não é um deísta insensível, não é como um deus de fabricação da mente deísta do homem, que é completamente indiferente.

Deus não tem prazer na morte do ímpio. Ele tem prazer na morte dos santos, Salmos 116:15. Mas o pecado será punido. É o desejo de Deus que você viva, que você se desvie dos seus caminhos e viva. Esta é a mensagem cristã. É verdade que a vida pode ser muito difícil, dura, para muitas pessoas, muito mais difícil do que para nós, que vivemos nessa cultura. Eu entendo isso, é um mundo difícil de se viver.

Mas, quando abordamos toda essa realidade triste do nosso mundo de uma maneira não bíblica, entramos no evangelho social e tudo o que queremos é aliviar o sofrimento das pessoas. E por que esse é um evangelho tão fácil de pregar e defender? Porque não há confronto sobre o pecado nele.

Pregue e defenda o evangelho da justiça social e os pecadores vão amar você de paixão. Mas, assim que você vai além disso e confronta o pecador com sua própria miséria interna e com a morte e o julgamento vindouros de Deus, você se torna seu inimigo.

A mensagem cristã será irremediavelmente perdida se a mensagem do evangelho se centrar em questões sociais. Precisamos falar sobre a justiça divina e precisamos falar sobre a reconciliação do pecador com Deus. E eu temo o evangelho da justiça social, porque tem sido historicamente provado que toda vez que a igreja começa a abraçar a ideia de que tudo o que ela tem para fazer aqui na Terra é aliviar o sofrimento das pessoas, ela perde a sua verdadeira missão de pregar o verdadeiro evangelho. O mundo incrédulo irá abraçar o evangelho social sem qualquer resistência.

Mas, se você disser ao pecador: “Você vai morrer e passar a eternidade no inferno, a menos que abandone seus pecados, confesse sua culpa, não culpe ninguém pela miséria de sua própria alma. Não culpe a Deus, que é absolutamente santo, busque a Sua justiça, busque conhecê-Lo, procure obedecer à Sua santa lei e Ele lhe dará a vida eterna; mas você deve se afastar de seus pecados… ”. Bem,  essa é a mensagem que o pecador não quer ouvir. E é fácil simplesmente não pregá-la. E pregar o evangelho da justiça social faz do pregador um herói para os pecadores.

  • As boas ações do pecador que não se arrepende não podem apagar seus pecados – Agora, Ezequiel está trabalhando duro com essas pessoas, então ele tem um pouco mais a dizer, versículo 24:

Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá.

Eis o ponto aqui: trata-se de uma pessoa com um tipo superficial de bondade, que se esforça para consertar a própria vida, tenta fazer o bem, ser uma boa pessoa, ter um bom padrão moral, sendo que tudo isso é um esforço humano de curto prazo, não vai durar .

Acontece que tudo isso uma hora pode começar a desmoronar sob o peso da própria pecaminosidade do indivíduo. E, então, ele começa a se comportar como um homem mau, fazendo as abominações que as pessoas más fazem. O texto diz: essa pessoa viverá? Não, porque o desfecho de sua experiência prova ser ela fruto não da graça salvadora de Deus, mas de uma justiça humana superficial. “De todas as justiças que tiver feito não se fará memória…”, verso 24.

As pessoas tendem a acreditar que se suas boas ações superarem suas más ações, as boas ações anularão as más ações e Deus as salvará com base nas suas boas obras. Não é isso o que a Bíblia diz. Se você vive em retidão por um tempo e depois vive pecaminosamente, os atos de justiça não serão lembrados. Eles não vão aparecer para cancelar suas maldades.

Suas boas ações não constroem mérito para você ser aceito por Deus, como a Igreja Católica Romana diz. Não. Se a sua justiça é baseada em suas próprias obras e mérito, é uma justiça superficial, porque nenhuma das suas boas obras cobrirão ou anularão seus pecados. E os pecados que você cometeu trarão a sua condenação.

Mas, a justiça real é aquela imputada por Deus a você. É uma justiça que dura, é permanente. Qualquer justiça temporária é humana e é superficial. Não pode durar, não salva, não acumula para você qualquer tipo de mérito que possa anular o seu pecado. Assim como os pecados cometidos não são imputados contra aqueles que realmente se arrependem, através da graça salvadora de Jesus, as boas ações produzidas por esforço humano não são imputadas para compensar os pecados cometidos.

A justiça que concede vida  tem que ser uma justiça permanente, não um esforço humano para ser bom, mas a justiça que vem de Deus. As boas ações do pecador impenitente são inúteis para cobrir seus pecados. Sua bondade não acumula qualquer tipo de mérito para ele. A mensagem é esta: você será julgado com base em uma vida de verdadeira retidão que continuou e permaneceu até o fim (e que só pode ser produzida pelo Espírito Santo), ou você será julgado por uma vida de pecado que manifestou-se até o fim. Você será julgado por essas duas evidências.

Novamente, somos salvos pela graça através da fé, mas seremos julgados por nossas obras de vida. A pessoa que é justa, Deus diz, viverá. A pessoa que foi feita justa por Deus viverá, porque fez boas obras, mas estas obras foram geradas em Deus. A pessoa que pecar, morrerá, porque esses pecados manifestam a miséria de sua própria natureza. O que Ezequiel está dizendo é que você precisa se arrepender. Você precisa se render. Você precisa observar a lei de Deus, praticar a lei de Deus. Ele está oferecendo salvação, perdão, misericórdia e graça.

E qual é a resposta do pecador diante de tudo isso? O pecador segue apegado em sua ilusão, que é acreditar em sua própria justiça. Veja o versículo 25. É assim que os pecadores respondem: “Dizeis, porém: O caminho do Senhor não é direito…‘”. Eles ainda se recusam a aceitar o fato de que Deus os julga pelo seu próprio pecado, e eles estão querendo manter a noção de que são boas pessoas sendo punidas por algo que seus antepassados ​​fizeram. Então, eles continuam a rejeitar a questão de sua própria pecaminosidade.

  • A esperança para o pecador começa quando ele assume sua condição de pecado – O que todo pecador precisa entender, e é o que a Bíblia afirma, é: o que quer que ele tenha sofrido nesta vida, seja o que for, é o que ele merece, pois ele ainda está vivo, quando merece a morte. Seja o que for que qualquer um de nós esteja sofrendo, é uma medida de misericórdia. É a misericórdia de Deus em ação, porque é por causa dela que não somos consumidos, diz a Escritura. Mas, o texto de Ezequiel nos mostra que os pecadores não querem aceitar sua pecaminosidade, e assim eles dizem: “O caminho do Senhor não está certo!”.

Essa é uma atitude típica do pecador. Você lhes prega o evangelho, você lhes diz a verdade sobre sua pecaminosidade, e sua reação é: “Isso não está certo! Eu não estou interessado em um Deus assim!” Um homem que foi regenerado por Deus, ouve acerca de sua pecaminosidade e concorda com o diagnóstico de que é um pecador indigno, merecedor do inferno. Mas, esse é um diagnóstico rejeitado por parte de um incrédulo, porque ele recusa ter que admitir que ele é, de fato, algo diferente do que ele se convenceu que é. E a sua resposta é avaliar o juízo de Deus como algo falho. “O caminho do Senhor não está certo!”.

Aqueles sofredores exilados, do tempo de Ezequiel, vêem o caminho de Deus como injusto: “Ele nos abandonou. Ele está nos punindo pelos pecados de nossos pais. Por que nós nos chegaríamos a esse Deus? Ele é injusto!” Essa é a blasfêmia teimosa do pecador. Jeremias, capítulo 5, versículo 3: “Ah Senhor, porventura não atentam os teus olhos para a verdade? Feriste-os, e não lhes doeu; consumiste-os, e não quiseram receber a correção; endureceram as suas faces mais do que uma rocha; não quiseram voltar.” E aqui Jeremias está se referindo aos judeus que ainda não tinham sido deportados para a Babilônia.

Não importa o que Deus faça ao pecador, não importa o que Deus traga, sua recusa em se arrepender será mantida. Essa é a atitude teimosa do pecador. É uma atitude de autoproteção. Por outro lado, o que Ezequiel está dizendo é: “clame a Deus, cujas misericórdias não falham, ó casa de Israel, clame a Deus! Você tem que reconhecer seu pecado. Deus está certo, você está errado. Deus é justo, você é pecador!“  Neemias 9:33 diz: “Porém tu és justo em tudo quanto tem vindo sobre nós; porque tu tens agido fielmente, e nós temos agido impiamente.” Essa é a atitude correta do pecador.

É onde o pecador tem que estar. O pecador tem que chegar ao ponto em que ele diz a Deus: “Meus caminhos estão errados e Teus caminhos estão certos.” Mas, o pecador odeia reconhecer essa realidade. Então, Ezequiel não desiste, e trata do assunto novamente, versículos 26 a 28:

26 Desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo iniquidade, morrerá por ela; na iniquidade, que cometeu, morrerá.
27 Mas, convertendo-se o ímpio da impiedade que cometeu, e procedendo com retidão e justiça, conservará este a sua alma em vida.
28 Pois que reconsidera, e se converte de todas as suas transgressões que cometeu; certamente viverá, não morrerá”

É isso. Você tem uma escolha: você pode se prender ao seu pecado e morrer, ou você pode deixar o seu pecado, vir a Deus e viver. Mesmo depois de uma palavra tão cuidadosa, atenciosa e apaixonada de Deus, os pecadores-vítimas obstinados e de coração endurecido rejeitam a verdade e defendem sua ilusão. Novamente, versículo 29: “Contudo, diz a casa de Israel: O caminho do Senhor não é direito…”’, e Deus responde: “Porventura não são direitos os meus caminhos, ó casa de Israel? E não são tortuosos os vossos caminhos?

Aqui está o próprio Deus, através do profeta Ezequiel, dizendo a essas pessoas que reconheçam que são pecadores, que não são Deus. Elas estão erradas. Deus está certo. Elas estão lidando com um deus injusto em suas mentes para proteger seu próprio senso de bondade. Ezequiel é muito paciente, muito, muito paciente com eles, repetindo o assunto várias vezes e obtendo exatamente a mesma resistência.

Isaías pregou e ninguém ouviu. Jeremias pregou, as pessoas não ouviram, e ainda o jogaram em um buraco. O fiel pregador é um verdadeiro vigia. O pregador fiel suplica ao pecador para que rejeite sua perspectiva natural e corrupta de acreditar em sua própria bondade e pare de blasfemar contra Deus. O fiel pregador clama às pessoas para que parem, arrependam-se, reconheçam a santidade de Deus, abandonem seus pecados, obedeçam à Sua lei e vivam eternamente.

Aqueles judeus no cativeiro não eram melhores que seus ancestrais. Estavam cheios de orgulho, cheios de  justiça própria. E acusar Deus de injustiça é blasfêmia. Para todas as pessoas, sejam elas privilegiadas ou desprivilegiadas, a mensagem é a mesma: “Arrependa-se e busque a justiça de Deus. Chore por perdão pelos seus pecados. Sim, a vida é difícil, mas é só por aqui e agora. A morte leva à eternidade, seja no inferno ou no céu.

Versículo 30: “Portanto, eu vos julgarei, cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor DEUS…”, em outras palavras, vocês não poderão culpar ninguém por seus pecados quando enfrentarem o julgamento de Deus. E o verso continua: “Tornai-vos, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniquidade não vos servirá de tropeço.” O capítulo 44, versículo 12, o Senhor declara:

Porque lhes ministraram diante dos seus ídolos, e fizeram a casa de Israel cair em iniquidade; por isso eu levantei a minha mão contra eles, diz o Senhor DEUS, e levarão sobre si a sua iniquidade.

A iniquidade foi uma pedra de tropeço para eles, e ela era alimentada por orgulho,  justiça própria  e falta de vontade para confessar e arrepender-se do pecado. Então, você tem essa barreira maciça, essa enorme barreira de seu próprio pecado miserável e corrupto. Seu coração é corrupto, sua mente é corrupta, sua vontade é corrupta, seu corpo é corrupto. Você vive na corrupção e não entende isso. Estou dizendo: arrependa-se e abandone todas as suas transgressões, para que a iniquidade não se torne essa barreira, essa pedra de tropeço. Não retenha o seu pecado. No topo da lista de seus pecados está a ilusão de que você é bom.

Versículo 31, outro convite, outra oferta: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel?” Essde é o coração de Deus clamando: “Arrependa-se, arrependa-se. Afaste-se de suas transgressões. Torne-se um novo coração e um novo espírito. Por que você vai querer morrer?” Verso 32: “Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor DEUS; convertei-vos, pois, e vivei.” Esse é um grande convite, não é? Vindo da própria boca de Deus: arrependa-se e viva.

Esse convite não é novo, ele é realmente um eco do capítulo 30 de Deuteronômio, quando os filhos de Israel estavam prestes a entrar na Terra Prometida. Ouça o que lhes foi dito, Deuteronômio 30:15 a 20:

15 Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal;
16 Porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir.
17 Porém se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires,
18 Então eu vos declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas;
19 Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,
20 Amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e achegando-te a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar.

Esse foi outro convite feito aos filhos de Israel quando estavam à beira de entrarem na Terra Prometida: escolha a vida, arrependa-se e viva, ame a Deus e obedeça a Deus.

  • Como um pecador pode se arrepender – E neste momento sei o que você está dizendo para si mesmo: “Como um pecador pode fazer isso? Como ele poderia conseguir fazer isso? Como ele poderia, de repente, arrepender-se? Como ele poderia, de repente, crer em Deus, crer no Senhor Jesus Cristo? Como o pecador pode se tornar um novo coração? Como ele pode criar um novo espírito?

Não é possível. Por conta própria, o pecador não pode crer. Por conta própria, ele não consegue se arrepender. Por conta própria, ele não consegue ver a verdade. Por conta própria, ele não pode fazer um novo coração e um novo espírito. E é exatamente aí que Deus quer colocar o pecador: na situação em que ele se veja desesperado, porque ele sabe do que precisa e não tem poder em si mesmo para fazer o que precisa fazer. Deus ordena que os pecadores parem de reclamar sobre suas situações de vida e comecem a se preocupar com seus pecados e sua eternidade. Arrepender-se.

Como você pode fazer isso sozinho? Você não pode. Como você poderia se tornar um novo coração e um novo espírito, como isso é possível? E a resposta é que você não pode fazer nada disso sozinho. Mas, o pecador que chega a este nível de desespero descobrirá que Deus está operando em seu coração, e Deus fará o que o pecador não pode fazer. Ouça Ezequiel 11:19 a 21:

19 E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne;
20 Para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus.
21 Mas, quanto àqueles cujo coração andar conforme o coração das suas coisas detestáveis, e as suas abominações, farei recair nas suas cabeças o seu caminho, diz o Senhor DEUS.

O pecador não pode fazer nada por si mesmo, então Deus diz: “Eu farei isso. Eu farei. Eu lhe darei um novo espírito; Eu lhe darei um novo coração.” Na bela linguagem de Ezequiel 36, escute os versículos 25 a 28:

25 Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.
26 E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
27 E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.
28 E habitareis na terra que eu dei a vossos pais e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.

O pecador não tem poder para fazer o que Deus lhe mandou fazer. E é nesse momento, quando o pecador compreende que nada pode, que em favor do pecador e no alívio do pecador Deus vem e faz o que o pecador nunca poderia fazer. Você não tem que implorar a Deus para Ele fazer isso, pois é o que Ele deseja fazer. “Ele não tem prazer…” – verso 23 – “na morte do ímpio”. Ele diz isso novamente no versículo 32: “Não tenho prazer na morte de quem morre”. O chamado de Deus é: “Venha a Mim, arrependa-se e viva.” Essa é a mensagem do evangelho que devemos pregar a todos.

No evangelho da justiça social não há cruz, não há túmulo vazio, não há perdão, Salvador e o céu. Mas, o verdadeiro evangelho apresenta tudo isso ao pecador. Esse é o evangelho. Vamos orar.

Pai, agradecemos novamente por nos ajudar. O Senhor nos ajudou muito com essa passagem. O Senhor nos ajudou a compreendê-la, abraçá-la. O Senhor nos ajudou a crer. Agora, ajuda-nos a proclamar Tuas verdades. Ezequiel não sabia sobre o Senhor Jesus, ele não sabia sobre a cruz; mas foi o Senhor Jesus, em Sua morte na cruz, que tornou possível que Deus fosse justo e o justificador daqueles que nEle creem. Foi o sacrifício de Cristo que o fez levar o castigo pelos nossos pecados. Ele levou em Seu corpo nossos pecados na cruz, Ele foi punido em nosso lugar.

Ele é aquele que faz com que Tu nos dê um novo coração, um novo espírito, Ele  nos imputa a justiça, para nos justificar, para nos renovar, dar uma nova vida, um novo nascimento, para que possamos praticar boas obras, pensar pensamentos retos. Eu oro, Senhor, para que os pecadores que aqui estão  possam desistir de si mesmos e, em desespero – sabendo que o que lhes foi ordenado fazer eles não podem fazer – venham clamar por misericórdia a Ti. Só o Senhor pode conceder arrependimento, entendimento, fé, um novo coração e um novo espírito, um novo nascimento, uma nova vida, a vida eterna. Faça isso, Senhor, naqueles que ouvem esta mensagem agora mesmo. Amém.


Esta é uma série de 4 sermões sobre a heresia do Evangelho Social, conforme textos listados abaixo.


Este texto é uma síntese do sermão “Social Justice and the Gospel, Part 4″, de John MacArthur em 23/09/2018.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/81-24

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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