Ateísmo (Parte 1)

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Ateísmo é a negação teórica ou prática da existência de divindades.

Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um. (Salmo 14:1-3)

Neste salmo, o ateísmo citado por Davi não se referia à posição daqueles que negam a existência de Deus, mas à crença daqueles que diziam acreditar em um Deus que não interferia na vida humana. As pessoas criam na existência de Deus assim, mas isto não fazia a menor diferença em suas vidas diárias. Era um ateísmo prático e não filosófico.

Desde a Antiguidade os filósofos questionavam a existência de uma divindade. O ateísmo também estava relacionado à negação ou questionamento de inexistência dos deuses. Por exemplo, os primeiros cristãos foram chamados de ateus por não crerem nos falsos deuses romanos. Mas, após o século XVII, o ateísmo ganhou ares de intelectualidade. No Ocidente, o ateísmo está profundamente relacionado com a negação do Deus da Bíblia.

O ateísmo nega a existência de Deus, mas possui algumas variantes compatíveis:

Agnosticismo: Não é possível determinar se Deus existe ou não. Se Deus existe, Ele é um ser desconhecido ou impossível de se conhecer (incognoscível). Para o agnóstico, são inacessíveis e incompreensíveis os problemas propostos pela metafísica ou religião, ou seja, tudo que existe além do mundo físico, como Deus e o sentido da vida e do universo, pois ultrapassam o método empírico de comprovação científica.

Panteísmo: É a crença de que deus é tudo e todo mundo e que todo mundo e tudo é deus. Uma árvore é deus, uma rocha é deus, um animal é deus, o céu é deus, o sol é deus, você é deus, etc. O Panteísmo é a suposição por trás de muitas seitas e religiões falsas como o hinduísmo, budismo e os adoradores da mãe natureza.

Politeísmo: Existência de muitos deuses. Rejeita o Deus único. O exemplo mais comum do politeísmo da Antiguidade é a mitologia greco-romana e seus múltiplos deuses. O exemplo moderno mais claro do politeísmo é o hinduísmo, que apesar de ser, em essência, panteísta, tem mais de 300 milhões de deuses.

Deísmo: Essencialmente a visão de que Deus existe, mas não está diretamente envolvido no mundo. O deísmo retrata esse deus como o grande “relojoeiro” que criou o relógio, deu corda nele e o abandonou. Um deísta acredita que esse seu deus existe e criou o mundo, mas não interfere em sua criação. Os deístas negam a Trindade, a inspiração da Bíblia, a divindade de Cristo, milagres e qualquer ato sobrenatural de redenção ou salvação. O deísmo retrata esse seu deus como indiferente e não envolvido com nada deste mundo, inclusive com o homem. Para o deísta, a razão da religião é o medo do desconhecido. Deus seria uma âncora psicológica.

Ateísmo prático: Diz crer em Deus, mas vive como se Ele não existisse. Deus não está no controle de nada. Deve-se viver como se Deus não existisse, não se deve depender de Deus. Faz uma falsa imagem do verdadeiro cristianismo, como se a Bíblia ensinasse orar, depender de Deus e não fazer mais nada.

Principais Ateus históricos

        • Karl Marx (1818-1883): A referência do comunismo e dos movimentos esquerdistas. Para ele, Deus é um produto das classes dominantes para aquietar as massas. A religião é ópio do povo.
        • Sigmund Freud (1856-1939): Ícone da Psicologia. Para ele, Deus é apenas um produto do medo.
        • Friedrich Nietzsche (1844-1900): Religião nasce na revolta dos escravos (ressentimento). Como não podiam vencer os senhores, eles imaginavam Deus para leva-los a vencer moralmente pelo amor, humildade, misericórdia perdão, paciência etc. Ele rejeitou as virtudes bíblicas, vendo-as como fraquezas e vícios. Para ele, virtudes são força e domínio.

Quatro Cavaleiros do Novo Ateísmo: 

Clinton Richard Dawkins (1941-); Daniel Dennett (1942-); Sam Harris (1967-); Christopher Hitchens (1949-2011).

O novo ateísmo é centrado no ataque fortíssimo às religiões monoteístas, mas centra mais fogo no cristianismo. São ativistas do ateísmo. O alvo deles é destruir a fé em Deus. Apresentam o ateísmo de forma popular e atraente. Eles usam a ciência para supostamente “provar” suas ideias, para torna-las intelectualmente aceitáveis.

Vamos analisar algo do pensamento de dois cavaleiros do novo ateísmo.

1. Clinton Richard Dawkins: Nasceu em 1941 e seu livro mais famoso é “Deus, um delírio”. Algumas de suas afirmações:

  • A ciência já refutou Deus.
  • A ciência explica o mundo.
  • O evolucionismo mostra como a vida surgiu.
  • A ciência explica os fenômenos naturais.
  • A genética já explica uma série de coisas.
  • A psicologia já mostrou que Deus é uma projeção da mente.
  • Citação: “A humanidade deve aceitar que a ciência já eliminou a justificativa num propósito cósmico e qualquer sobrevivência desse propósito inspira-se apenas no sentimento.” Ou seja, a ciência já responde tudo.
  • A religião é responsável pelos males do mundo, como guerras e traumas.
  • A religião é transmitida por uma espécie de “vírus da mente” ou “meme”, um gene religiosos, porque a evolução ainda não se completou. A evolução vai acabar com este gene, e, por fim, com a religião.
  • Deus é cruel, mau, machista, homofóbico, infanticida, filicida (mata o próprio filho), pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo.

O cientista John Lennox (1943-), escreveu um livro chamado “Porque a ciência não consegue enterrar Deus?”, onde refuta precisamente o livro de Clinton Richard Dawkins. Eis o resumo de algumas de suas afirmações:

● A verdadeira guerra não é entre ciência e fé, pois muitas pessoas de fé são cientistas, e muita ciência foi produzida por homens que tinham fé (Blaise Pascal, Isaac Newton, Frédéric Cuvier etc.). A briga é entre o naturalismo materialista (visão de mundo que acha que a matéria é eterna) e o teísmo (existe um Deus que deu origem a todas as coisas). Ciência não tem nada a ver com isto.

● A ciência tem limites, ela trata do mundo natural e das leis físicas. Ela não pode especular sobre metafísica (o que está além da física, do mundo físico, como o amor, mente, espírito, decisão, vontade, ideia, imaginação etc). O mundo é só físico? Só material? Se há alguma realidade fora do mundo material, a ciência não pode pronunciar nada sobre ela. Então a ciência não pode dizer: não há Deus, pois Deus não se sujeita aos cânones da ciência. Você não pode demonstrar a existência ou a inexistência de Deus num laboratório.

● O ateísmo é reducionista. Reduz a realidade ao materialismo. Se não há um mundo espiritual, a vida é só o que é visível, matéria. Até sentimentos são reações químicas. Destrói o significado da vida. E a alma humana clama por algo mais. Só a matéria não satisfaz os anseios do homem.

● Evidências de um design intencional. A descoberta do código genético, da linguagem do DNA, de que o código genético é cheio de informações, demonstra que existe um propósito inteligente no mundo. Essa descoberta está forçando a negação da teoria da evolução por milhares de cientistas (Leia: Cientistas proclamam ceticismo acerca da teoria de Darwin). É impossível a ideia do aleatório formando máquinas perfeitas. Tudo é muito calibrado e preciso. Tudo tem um alvo e uma finalidade. De onde vem isto?

● Sintonia fina do universo. A Terra derreteria um pouco mais próxima do Sol, e congelaria se estivesse um pouco mais longe. Os seres vivos seriam esmagados se a gravidade fosse um pouquinho mais intensa, mas flutuariam no espaço se a gravidade fosse um pouquinho menos intensa. As leis que governam o mundo são de tal maneira afinadas, que elas permitem a existência da vida. Não há outro lugar no Universo com essas condições. É por acaso? Surgiu do nada? Como a matéria, do nada, construiu isso?

● Insuficiência do evolucionismo. A teoria da evolução não consegue explicar as complexidades irredutíveis. Exemplo de uma complexidade irredutível é uma ratoeira. Ela tem todo um mecanismo mínimo e calibrado para ser uma ratoeira. A retirada de qualquer um deles faz a ratoeira não funcionar e não servir para nada. Isto se chama complexidade irredutível. Cada célula que forma nosso corpo tem estruturas irredutíveis. A evolução diz que se uma coisa funciona, evoluiu, se não funciona, é descartada. Então, como uma estrutura celular sobreviveu quando era incompleta e não servia para nada? Como chegou até aqui? O mundo orgânico biológico é constituído de complexidades irredutíveis, mas como elas surgiram já que pelo evolucionismo tais complexidades deveriam ter sido descartadas no processo evolutivo?

Alister McGrath (1953-) escreveu um livro chamado “O delírio de Dawkins”, onde também refuta suas ideias. Veja duas afirmações:

A ciência e ateísmo não são sinônimos. Muitos cientistas renomados são cristãos. Não há evidência científica que haja um gene religioso (o meme). Dawkins afirma e não prova, e ainda anuncia isto como uma verdade científica? Dawkins projetou um deus segundo o que ele mesmo é e não como Deus é.

Apontou também que os regimes ateus e socialistas mataram muito mais gente do que as guerras em que afirma ter havido motivos religiosos.

2. Christopher Hitchens (1949-2011): Com o câncer que lhe matou, disse que se à beira da morte ele viesse a crer em Deus, é porque o câncer havia destruído seu juízo.

Ele tinha um irmão chamado Peter. Juntos queimaram uma Bíblia para celebrar o ateísmo. Mas Peter se converteu e escreveu um livro chamado “Como o ateísmo me levou à fé”, onde combate os escritos do irmão. Peter se tornou jornalista, e foi cobrir regiões onde viu regimes ateus socialistas massacrarem as pessoas.

Há ateu que é à toa, ele só não quer que Deus exista. Há ateus que fazem do ateísmo uma crença. Só Deus pode iluminar a mente de um ateu.

Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. (I Coríntios 2:14)

Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. (Romanos 1:19-22)


Este texto uma síntese de uma palestra do Pr. Augustus Nicodemus. Alguns conceitos foram ampliados a partir do site GotQuetions

Link para o vídeo na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=99lLEJuGJwM&feature=youtu.be


No fim de sua vida, Mark Twain (1835-1910), famoso ateu, escritor e humorista norte-americano escreveu:

Milhares de homens nascem, trabalham, suam e lutam pelo pão. Eles disputam, reclamam e lutam. Eles lutam por vantagens pequenas uns sobre os outros. A idade rasteja sobre eles. Enfermidades os seguem. Vergonhas e humilhações derrubam seus orgulhos e as suas vaidades. Aqueles que eles amam, são tirados deles, e a alegria da vida se transforma em dor.

O fardo de dor, os cuidados e miséria crescem mais a cada ano. Por fim, a ambição é morta. O orgulho é morto. A vaidade é morta. Tudo é frustração. Ela vem finalmente – a morte, o único presente não envenenado que a terra já deu para eles. E eles desaparecem de um mundo cuja vida não tem sentido, onde eles não conseguiram nada, onde eles foram um erro, uma falha, uma tolice e onde eles não deixaram qualquer sinal de que jamais tenham existido.

Um mundo que irá lamentar sua morte um dia e esquecê-los para sempre. E depois outra infinidade de homens toma o seu lugar, e copiam tudo o que fizeram, e seguem ao longo da mesma estrada sem proveito. E desaparecem assim como os outros, para dar lugar a outro, e outro, e milhões de miríades, de seguirem o mesmo caminho árido através do mesmo deserto e alcançarem o que todos os outros homens que viveram antes alcançaram: Nada.

Que terrível conclusão ele teve da vida sem Deus!
E que diferença com a esperança dos apóstolos e dos Filhos de Deus!

Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda (II Timóteo 4:8).

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós (I Pedro 1:3-4)

E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna (I João 5:20).


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