A Natureza da Fé Salvadora

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Se o nosso objetivo é entendermos a verdadeira natureza da fé salvadora, nada melhor que olhar para o que disse Jesus Cristo, “o autor e consumador da fé” (Hebreus 12:2). Embora o Senhor, em Seu ministério público, tenha falado muito sobre a qualidade e as características da fé salvadora, o Sermão da Montanha é Sua declaração mais abrangente e definitiva.

As bem-aventuranças (Mateus 5: 3–12) revelam com muita intensidade o caráter da fé verdadeira. Ser pobre de espírito – em lugar da autossuficiência – ser manso, puro de coração, pacificador, ter fome e sede de retidão, chorar por seus pecados e se alegrar diante da perseguição por causa da justiça são traços inalcançáveis por meio de  um sistema legal. Essas são características comuns a todos aqueles que são verdadeiros crentes em Jesus Cristo.

E, na primeira das bem-aventuranças, o Senhor não deixa dúvidas sobre de quem Ele está falando: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3). Ele está descrevendo pessoas redimidas, aqueles que creem e fazem parte do Seu reino.

Sua característica fundamental é a humildade – uma pobreza de espírito, um quebrantamento que reconhece sua falência espiritual. Os crentes genuínos se veem como pecadores; eles sabem que não têm nada a oferecer a Deus  para com isso comprarem o seu favor. É por isso que eles choram (Mateus 5:4) com a tristeza que acompanha o verdadeiro arrependimento, esmagando o crente em direção à mansidão (Mateus 5:5).

Ele tem fome e sede de justiça (Mateus 5:6). Quando o Senhor satisfaz essa fome, Ele se torna o crente misericordioso (Mateus 5:7), puro de coração (Mateus 5:6) e um pacificador (Mateus 5:9). O crente é finalmente perseguido e insultado por causa da justiça (Mateus 5:10).

Essa é a descrição que Jesus nos fornece sobre o verdadeiro crente. Cada uma das características que Ele nomeia – começando com humildade e alcançando a obediência – é uma consequência da verdadeira fé. E note que a obediência da fé é mais que externa; sai do coração. Essa é uma razão pela qual a justiça do verdadeiro crente é maior do que a dos escribas e fariseus (Mateus 5:20).

Jesus continua a caracterizar a verdadeira justiça – a justiça que nasce da fé (Romanos 10:6) – como obediência não apenas à letra da lei, mas também ao espírito da lei (Mateus 5: 21– 48). Esse tipo de justiça não evita apenas atos de adultério; mas, vai tão longe a ponto de evitar pensamentos adúlteros (Mateus 5: 27-28). Evita o ódio, assim como o assassinato (Mateus 5: 21-22).

São características de uma vida sobrenatural. São impossíveis fora da fé. É impossível que alguém com uma verdadeira fé possa estar totalmente desprovido dessas características que são comuns a todos no reino (Mateus 5:3).

Quando Jesus quis ilustrar o caráter da fé salvadora, Ele tomou uma criancinha, colocou-a no meio dos discípulos e disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 18:3). Uma criança era a imagem perfeita da humildade obediente, que vive sob a autoridade de outra pessoa e é corrigida quando desobedece – uma lição objetiva sobre a fé salvadora.

Jesus usou essa ilustração para ensinar que se quisermos governar as nossas vidas não poderemos entrar no reino dos céus. Mas, se estivermos dispostos a vir com a fé de uma criança e recebermos a salvação com a humildade de uma criança, com a disposição de nos entregar à autoridade de Cristo, então estaremos com a atitude correta.

Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; e dou a vida eterna a elas e elas nunca perecerão” (João 10: 27–28).  Quem são as ovelhas verdadeiras? As que seguem a Cristo. Quem são os que seguem a Cristo? Aqueles que recebem a vida eterna.

A fé obedece. A incredulidade se rebela. A direção da vida de alguém deve revelar se essa pessoa é crente ou incrédula. Não há meio termo. Simplesmente conhecer e afirmar fatos à parte da obediência à verdade não é crer, no sentido bíblico. Aqueles que se apegam à memória de uma decisão única de “fé”, mas carecem de qualquer evidência do resultado da fé, devem prestar atenção à advertência clara e solene da Escritura: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.” (João 3:36).

Note o contraste aí: não é crença versus incredulidade, mas crença versus desobediência. A igreja de hoje está cheia de pessoas que afirmam crer em Cristo, mas você nunca as reconheceria como seguidoras de Cristo simplesmente olhando para as suas vidas. O povo de Deus precisa manter o padrão bíblico do que verdadeiramente constitui a fé salvadora para o mundo que assiste. Ademais, devemos igualmente exortar aqueles em nosso meio que mancham o testemunho da verdade de Deus, vivendo vidas que traem suas pretensões à fé.

Pela graça de Deus, fomos salvos e, por Seu soberano plano, fomos separados para viver uma vida de obediência que testifica Sua obra salvadora. Isso é fé salvadora.

Traduzido e sintetizado de um breve meditação de John MacArthur

 

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