O Falso Evangelho Social – 3

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Este é o terceiro de uma série de 4 sermões de John MacArthur sobre o falso evangelho social, conforme links no final do texto.


3º SERMÃO: O FALSO EVANGELHO DA JUSTIÇA SOCIAL – Parte 3

Vamos voltar ao capítulo 18 de Ezequiel, dando sequência à nossa série sobre “O Falso Evangelho da Justiça Social”. Quero lembrá-lo do que aprendemos neste capítulo. Eu gostaria de lembrar a vocês que a minha preocupação com a questão da justiça social e do evangelho, como venho dizendo nas duas últimas semanas, é que a igreja evangélica está se colocando em uma situação muito difícil para a pregação do evangelho quando abraça os conceitos ideológicos de justiça social, porque o movimento de justiça social é baseado no fato de que existem no mundo muitas vítimas.

Essas são vítimas de escolhas de outras pessoas, de pecados de outras pessoas, vítimas de outras pessoas. Essas pessoas que seriam os abusadores dessas vítimas podem estar em uma família. Podem estar na sociedade atual. Essas pessoas podem ter vivido duzentos anos atrás, por exemplo. No final das contas, somos todos vítimas de coisas que outras pessoas fizeram.

Essa é uma ilusão humana básica: a ilusão de que o homem é bom e, se há algum mal nesse indivíduo, é por causa do que alguém fez a ele. Essa mentalidade de vítima literalmente tomou conta de toda a nossa sociedade, e é triste ver a igreja evangélica aceitando o fato de que todas essas vítimas parecem merecer consideração legítima por sua vitimização.

A Bíblia não nos define como vítimas. Ela nos define como perpetradores de crimes contra Deus, como criminosos, como culpados, blasfemos, como inimigos de Deus. Basicamente, acumulamos uma vida inteira de pecado e transgressão, iniquidade contra Deus. Por causa disso, o julgamento foi pronunciado sobre nós. Esse julgamento é a morte física, a morte espiritual e a morte eterna, que é a punição no inferno fora da presença de Deus para sempre. Isso sempre foi, em toda a História da redenção e na História da igreja, a mensagem dos pregadores do evangelho, ou seja, que as pessoas não são vítimas. Elas são pecadoras.

Agora, lembre-se que o pecado humano dominante é o orgulho, o amor a si mesmo, a autopreservação, autoproteção. Então, o homem gasta muito da sua energia convencendo-se de que ele é bom e, se qualquer coisa está errada em sua vida, foi porque alguém fez algo que causou isso, não ele. Mas, a Bíblia descreve todos nós como seres humanos pecadores, e ela faz essa descrição em uma linguagem muito dura. Somos maus, não há nada de bom em nós, não temos capacidade para o bem. Até mesmo o bem que achamos que estamos fazendo não passa de trapos imundos aos olhos de Deus.

John Bunyan disse certa vez:

A melhor oração que já orei tinha pecado suficiente para afogar o mundo”. A humanidade minimiza a doutrina do pecado, a doutrina da depravação total. E, quando o homem faz isso, ele não tem como compreender quão desesperadamente precisa das boas novas do evangelho. É por isso que os pregadores fiéis sempre pregam sobre o pecado, a morte e o julgamento.

O Espírito Santo convence o homem do pecado, da justiça e julgamento. Somos chamados a advertir os pecadores acerca do julgamento vindouro e do inferno eterno. E aprendemos em Ezequiel e em Jeremias que, se não fizermos isso, o sangue dos pecadores que são julgados está em nossas mãos.

Quando Deus fala da condição da humanidade, Ele usa termos como morte, trevas, cegueira, dureza, escravidão, doença incurável, alienação, ignorância, condenação, julgamento. Mas, o mundo dos pecadores não quer ouvir essa linguagem. E é por isso que ela desapareceu do meio evangélico, que está tão ocupado tentando fazer o mundo gostar da igreja, que tirou tudo o que ofende o pecador da mensagem do evangelho.

Como vimos na vez passada, o homem como pecador tem uma posição padrão. Sua posição padrão, quando confrontado com seu pecado, sempre foi culpar alguém. O primeiro pecador foi Eva, e ela culpou a serpente. O próximo pecador foi Adão, e ele culpou não apenas a mulher, mas Deus que a criou. Essa é a posição padrão de todos os pecadores: eles encontram outra pessoa para culpar e, no final, culpam a Deus. Eles pensam: “Deus fez o mundo do jeito que é… Deus me fez do jeito que sou… Ele me colocou onde estou… Deus me submeteu a este curso de história que agora me transformou em uma vítima”.

E, enquanto pecadores pensarem que são boas pessoas que foram vitimadas, não haverá, de sua parte, interesse no evangelho, particularmente se eles acham que foram vitimados por Deus. Por que eles iriam para Deus para serem libertos de seus pecados, quando acham que Ele os transformou em vítimas? É típico do homem caído culpar os outros e até Deus por suas circunstâncias. Isso não é novidade. Começou no Éden. Isto é o que os pecadores fazem.

Assim, no início da pregação do evangelho, o que você deve fazer é libertar os pecadores da ilusão de que eles são vítimas dos pecados de qualquer outra pessoa. O que eles, na verdade, estão é no caminho de serem vítimas de seus próprios pecados, de suas próprias transgressões. E, quando a igreja abraça esta vitimização e a valida, ela está cortando as pessoas do caminho para o evangelho. O atual frenesi de justiça social tornou-se uma nova maneira pela qual os pecadores podem culpar gerações passadas, poderes presentes, pessoas que eles conhecem, pessoas que eles não conhecem. Todo mundo é uma vítima.

O status de vítima, então, permite que eles transfiram sua culpa, odeiem outras pessoas, ressintam-se de outros indivíduos, outros grupos, outras gerações. Eles se sentem vítimas de certas atitudes raciais, atitudes em relação a gênero, em relação à preferência sexual, em relação ao status econômico, à cultura, de modo que existe uma variedade de categorias de vítimas. Quase todo mundo agora está procurando se encaixar em alguma ou algumas destas categorias.

Os psicólogos dizem a essas pessoas que elas provavelmente foram vitimizadas quando crianças, mas não podem se lembrar disso, então eles buscam usar técnicas para supostamente ter acesso à memória reprimida dessas pessoas, com o único propósito de encaixá-las em alguma categoria de vítima. Se você não é vítima de algo, então você não tem autoridade moral e, portanto, não será ouvido no meio dessa cultura. Todo mundo precisa ter sofrido pelo menos uma micro agressão. Você precisa se encaixar em alguma categoria de vitimização para se livrar da responsabilidade pelo fato de que sua vida é o que é por causa do seu próprio pecado.

Toda essa transferência de culpa e falta de vontade de enfrentar o próprio pecado, rebelião, rejeição à Palavra de Deus, o próprio Deus e o evangelho, impedem as pessoas de virem para a salvação. Agora, não podemos permitir que isso aconteça. A igreja evangélica está tão envolvida em afirmar a vitimização de todos que está dificultando a oportunidade de trazê-los ao evangelho. O pecador deve ser confrontado com sua própria condição desesperada diante de Deus.

E essa é a mensagem de Ezequiel 18, ou seja, a responsabilidade é individual. Esse é o seu ponto. No versículo 4, vimos: “A alma que pecar morrerá”. Versículo 20: “A pessoa que pecar morrerá”. Esse é o tema aqui. As pessoas são pecadoras, elas morrem em seus próprios pecados. Isso é um truísmo que não pode ser negado, porque todo mundo morre.

A prova de que todos são pecadores é que todo mundo morre. O salário do pecado é a morte, todo mundo morre, portanto todo mundo é pecador. Assim, todos os pecadores estão em rebelião contra Deus e sob julgamento divino, encaminhados para o inferno eterno, a menos que creiam no evangelho, que se arrependam e sua vida seja marcada pela justiça.

É isso que Ezequiel quer que entendamos. Ele é um pregador do julgamento. Ele se recusa a permitir que as pessoas se vejam como vítimas. Ezequiel é um profeta, ele está na Babilônia. Ele está pregando para exilados judeus que foram levados para lá como escravos. Já falamos que em 605 a.C. os babilônios vieram e começaram a conquistar a terra de Israel. O que restava ainda era a parte sul de Israel, a área de Judá. Os babilônios chegaram em 605, levaram algumas pessoas embora, numa primeira deportação. Eles voltaram em 597, levaram mais judeus, dezenas de milhares de judeus para o cativeiro. Ezequiel estava com aquele grupo, em 597.

E, ainda houve outra deportação em 586 a.C.. Nesse tempo, Jerusalém foi destruída. Mas, quando Ezequiel está pregando essa mensagem registrada no capítulo 18, isso ainda não tinha ocorrido. Ezequiel estava na segunda deportação. Ele está na Babilônia, pregando para os exilados lá, avisando que mais juízo estava por vir, não apenas sobre os que estavam na terra de Judá, não somente em Jerusalém. Mas, o juízo viria sobre todos que não praticam a justiça, não vivem em retidão. Ezequiel está pregando o arrependimento e chamando as pessoas a se afastarem de seus pecados.

Este sermão no capítulo 18 é um extraordinário e notável sermão evangélico. Evangelho significa boas novas. Mas, para chegar às boas novas, o homem tem que aceitar a má notícia de que ele é um pecador debaixo da ira de Deus.

Na vez passada, dissemos que este sermão de Ezequiel está dividido em três partes:

A ILUSÃO DO PECADOR E A REALIDADE DE DEUS

Qual é a ilusão do pecador? É pensar que sofre por causa dos pecados de outras pessoas. Versos 2 e 3:

Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nunca mais direis esta parábola em Israel.

Essa mesma expressão exatamente, o mesmo provérbio – como eu disse da última vez, um “meme” – essa mesma declaração foi feita por Jeremias, que estava pregando na terra de Israel nesse mesmo tempo. Ou seja, tanto os que estavam na terra de Israel, como os exilados, diziam o mesmo: “Não merecemos isso, somos pessoas boas… o Senhor está nos punindo por algo que nossos ancestrais fizeram.” Mas, então vem a realidade de Deus contra a ilusão do pecador, versículo 3: “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nunca mais direis esta parábola em Israel.” Em outras palavras, “parem de dizer isso, não é verdade!”.

E aí vem o verso 4: “Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.” Ninguém é vítima do pecado de outra pessoa, todos têm uma conta individual perante Deus e a alma que pecar morrerá. Sua morte espiritual, sua morte física e sua morte eterna estão relacionadas ao seu próprio pecado. Na semana passada, eu lhes falei sobre Provérbios 19:3, que diz: “A loucura do homem perverterá o seu caminho, e o seu coração se irará contra o Senhor.” O homem arruína sua própria vida e culpa a Deus.

Sim, é verdade que nossas condições, as condições em que vivemos no mundo, são afetadas por outras pessoas. Estamos todos nessa condição pecaminosa por causa do pecado de Adão. Houve gerações passadas que bagunçaram este mundo significativamente e herdamos o mundo que eles nos deixaram. E existe uma cultura mundana no presente que está corrompendo este mundo a uma velocidade rápida, quase de tirar o fôlego. E, sim, essa cultura causa níveis de corrupção que temos que enfrentar e temos que suportar.

É verdade que a corrupção nos é transmitida das gerações passadas e difundida entre nós pelas gerações presentes. Mas, nenhuma pessoa será julgada pelo pecado de outra pessoa. Seja qual for a cultura em que você vive e seja qual for a corrupção dessa cultura, você será julgado pelo seu próprio pecado. Deus diz: “Não digam mais que estão sofrendo porque outras pessoas pecaram'”. Deus não opera juízo dessa maneira. Você está sofrendo por causa do seu próprio pecado.

 2. A ILUSTRAÇÃO DA VERDADE DE DEUS

A segunda parte do sermão de Ezequiel é a ilustração da verdade de Deus. Está nos versos 5 a 20. E já começamos a falar sobre isso da última vez. Esta é a realidade de Deus ilustrada. Vimos a realidade de Deus declarada, aqui a realidade de Deus é ilustrada. Vimos a ilusão do pecador declarada, e aqui está a ilusão do pecador é ilustrada.

Então, Deus diz: “Deixe-me ajudá-lo a entender…  o ponto é este: a alma que pecar morrerá”. A pessoa que cometeu o pecado morre pelo seu próprio pecado. Deus julga cada pessoa individualmente. E vimos que Deus traz uma ilustração usando a figura de um avô, depois de um pai e depois de um filho. Então, são três gerações de pecadores.

E nós vamos aprender o que de fato passa de uma geração para outra. O pecado passa de uma geração para outra? As crianças são responsáveis ​​pelo pecado dos pais? A justiça passa de uma geração para outra? Os pecadores são beneficiados pela retidão de seus antepassados? É isso que vamos ver neste texto.

Agora, quero chamar a atenção de que todo esse assunto se refere a obras.  É tudo sobre as obras que as pessoas fazem. Deus julga o comportamento. Nós não somos salvos pelas obras, somos salvos pela fé, somos salvos pela graça. Mas, seremos julgados por nossas obras, porque nossas obras são a evidência manifesta de nossa natureza.

Nós não somos salvos por obras, mas seremos julgados pelas nossas obras. É por isso que você vê em Romanos, capítulo 2, esse mesmo tipo de julgamento. O versículo 5 de Romanos 2 fala sobre o justo julgamento de Deus. O justo juízo de Deus, diz o versículo 6: “O qual recompensará cada um segundo as suas obras…”. Ele recompensará a cada pessoa de acordo com seus atos, verso 7: “vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção…”. Mas, para aqueles que são egoisticamente ambiciosos, não obedecem à verdade, obedecem à injustiça, Ele lhes dá ira e indignação (v.8).

O julgamento é baseado em obras. Os incrédulos serão julgados por suas obras. Deus está mantendo um registro de toda obra, todo ato, todo pensamento, toda ação de todo incrédulo; e no final, quando eles chegarem ao Grande Trono Branco para serem julgados, serão julgados com base no registro de suas ações.

O mesmo é verdade para os crentes. No dia em que virmos a Deus, seremos julgados por nossas obras e receberemos galardão de acordo com nossas obras. Elas são a manifestação da transformação de Deus em nossas vidas. Pessoas justas fazem obras justas, pessoas injustas fazem obras injustas e, portanto, os comportamentos evidenciam a natureza da pessoa.

Então, o julgamento é sempre baseado em obras, é por isso que Deus mantém um registro dessas obras. Agora, vamos conhecer o avô justo, no versículo 5: “Sendo, pois, o homem justo…“. Certo, ele é justo. Como ele se tornou justo? Sabemos a resposta para isso: “Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça.” Quando você crê em Deus – através de crer no evangelho, crer em Cristo – quando você crê no Senhor Jesus Cristo, Deus concede-lhe justiça. Sua justiça é imputada a você.

Paulo declarou que a justiça de Deus lhe foi imputada pela fé em Cristo. Esse é o grande presente que Deus dá a um crente: Ele lhe concede sua própria justiça, cobre-o com a Sua própria justiça. Então, aqui (v. 5) está um homem que é justo. Como resultado de ser justo pela fé, ele pratica justiça e retidão. Justiça e retidão são apresentadas juntas nove vezes neste texto. A vida desse justo é marcada pela justiça e retidão. A justiça significa que ele faz bem em relação a todos os outros e em sua própria vida.

E aqui estão as ilustrações: esse justo, como já vimos, não come sobre os montes (idolatria), não ergue os olhos para os ídolos da casa de Israel, não contamina a esposa do seu vizinho (adultério), ele não se aproxima de uma mulher durante o seu período menstrual (que era proibido, para mantê-la longe de doenças desnecessárias nos tempos antigos), não oprime ninguém e restaura ao devedor seu penhor (honestidade), não comete roubo, dá pão aos famintos, cobre os nus com roupas, não empresta dinheiro a juros ou recebe além do que deve (usura).

Verso 9: “andando nos meus estatutos, e guardando os meus juízos, e procedendo segundo a verdade, o tal justo certamente viverá, diz o Senhor DEUS.” Como sabemos que ele é justo? Por causa desse tipo de vida. Aquele homem “certamente viverá”, declara o Senhor Deus. Ele nunca conhecerá o castigo divino, nunca conhecerá a morte espiritual e a morte eterna. Agora observe, aquilo que manifesta uma vida justa está no campo das coisas práticas.

O justo que está sendo ilustrado nesses versos não adora ídolos, não comete adultério, cuida muito bem daqueles que estão sob sua responsabilidade – particularmente de sua esposa – não oprime ninguém, devolve o penhor, não rouba, alimenta os famintos, veste o nu, empresta dinheiro sem juros, mantém-se longe da iniquidade, executa a verdadeira justiça para com os outros e opera de acordo com as leis de Deus. Ele não vive assim porque entende o conceito de justiça social da ideologia socialista. Mas, vive assim porque ele age de acordo com as leis de Deus.

A propósito, essas leis as quais esse justo se submete estão expostas em Levítico. Algumas dessas leis se referem às relações entre os homens, como, por exemplo, no capítulo 19 de Levítico. Ele executa a verdadeira justiça. Ele vive com integridade e “certamente viverá” (v. 9). Há o primeiro ponto que o Senhor quer que entendamos aqui em Ezequiel: este homem vai viver porque é justo e essa sua justiça é visível em sua vida.

O próximo homem da ilustração está no versículo 10, que é o pai: “E se ele gerar um filho ladrão, derramador de sangue, que fizer a seu irmão qualquer destas coisas…”. O avô, na ilustração do verso 9, não fez nenhuma dessas coisas, mas gerou um filho violento que mata pessoas e faz tudo o que seu pai não fez. Versos 10 a 13:

10 E se ele gerar um filho ladrão, derramador de sangue, que fizer a seu irmão qualquer destas coisas;
11 E não cumprir todos aqueles deveres, mas antes comer sobre os montes, e contaminar a mulher de seu próximo,
12 Oprimir ao pobre e necessitado, praticar roubos, não tornar o penhor, e levantar os seus olhos para os ídolos, e cometer abominação,
13 E emprestar com usura, e receber demais, porventura viverá? Não viverá. Todas estas abominações ele fez, certamente morrerá; o seu sangue será sobre ele.

O argumento do texto é simplesmente este: ter um pai justo não fez nada por este homem. A justiça não se transmite geneticamente. Ter um pai justo não diminui em nada a responsabilidade desse homem. Quando o filho vive uma vida violenta, assassina, adúltera, opressora, corrupta e egoísta, seu sangue estará em sua própria cabeça.

Agora, quero falar para os pais. Se vocês avisaram seus filhos como bons atalaias, apresentaram-lhes o evangelho, falaram a eles sobre o julgamento que virá, confrontaram o seu pecado, vocês cumpriram seu dever. Isso vale também para os cônjuges que se casaram com pessoas que não vivem sob o comando de Deus, bem como para aqueles que têm familiares e amigos vivendo ainda em rebelião contra Deus. Se vocês já apresentaram o evangelho a eles, vocês já os alertaram.

Como vimos anteriormente em Ezequiel, você tem que ser um guarda fiel e advertir sobre o julgamento, ou o julgamento cai sobre eles e o sangue deles estará em suas mãos, se você não os alertou. Mas, mesmo como pai, se você fez isso e seu filho rejeita o evangelho e faz todas essas coisas que são exatamente o oposto do que você fez, não há sangue em suas mãos. Seu sangue está em sua própria cabeça. Ele, seu filho, é considerado responsável pelo que fez.

A justiça dos pais não é passada para a próxima geração, nem mesmo através de qualquer tipo de rito, sacramento, batismo ou qualquer outra coisa. A justiça de uma geração não é passada para a próxima. Essa próxima geração é julgada por sua própria vida e obras. Ter um pai piedoso não protege ninguém do julgamento de Deus, o crédito não é transmitido. O homem injusto ilustrado do verso 10 ao 13 vai morrer, porque ele cometeu todas aquelas abominações. Ele certamente morrerá, seu sangue estará em sua própria cabeça. Ele morrerá em julgamento, totalmente culpado, totalmente responsável.

Agora, a próxima ilustração trata do filho desse homem injusto dos versos 10 a 13.  Verso 14: “E eis que também, se ele gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez e, vendo-os, não cometer coisas semelhantes…”. Ele segue o padrão de seu avô, não de seu pai. Versos seguintes:

15 Não comer sobre os montes, e não levantar os seus olhos para os ídolos da casa de Israel, e não contaminar a mulher de seu próximo,
16 E não oprimir a ninguém, e não retiver o penhor, e não roubar, der o seu pão ao faminto, e cobrir ao nu com roupa,
17 Desviar do pobre a sua mão, não receber usura e juros, cumprir os meus juízos, e andar nos meus estatutos, o tal não morrerá pela iniquidade de seu pai; certamente viverá.

Esse é o ponto principal aqui: nenhuma pessoa está sendo punida pelos pecados de outra pessoa aqui ou pelos pecados de uma geração anterior, nem mesmo pelos de sua própria família, os pecados do seu próprio pai. Como diz o verso 17, “o tal não morrerá pela iniquidade de seu pai; certamente viverá“. Como eu disse, ninguém é vítima dos pecados dos outros. Todos nós somos responsáveis ​​por nossos próprios pecados, ​perante Deus, e o único critério pelo qual seremos julgados eternamente é o registro de nosso próprio comportamento.

Deus não puniria um filho pelos pecados de seu pai. Deus não impediria o castigo de um filho por causa da justiça de seu pai.

Então, aqui está a verdade de Deus expressa nos versos 1 a 4 e, então, a verdade de Deus é ilustrada. Como o pecador responde a esta verdade? Bem, o pecador defende e se apega à sua ilusão. Veja a resposta do pecador, verso 19: “por que não levará o filho a iniquidade do pai?”. Como já disse anteriormente, esta é a posição padrão dos pecadores e eles não desistem dessa posição com muita facilidade.

Aqueles eram os exilados que conheciam a lei de Deus, a qual havia sido regularmente pregada pelo profeta Ezequiel. Eles conheciam o Antigo Testamento e, no entanto, se apegaram ao seu próprio senso de inocência. E assim, esta é uma resposta notável. Apesar de tudo o que Deus havia dito, mesmo o Senhor garantindo que um filho nunca pagaria pelos pecados de seu pai, aquelas pessoas ainda estavam apegadas à ideia de que o filho estaria sofrendo o castigo por causa dos erros de seus pais. O verso 19 nos mostra que eles estavam sendo sarcásticos com relação a Deus.

Eles queriam explicar seus sofrimentos com base num fatalismo, acusando Deus de os estar punindo pelos pecados de outros, entendendo que não mereciam sofrer. Estavam culpando Deus, acusando-O de ser injusto por fazê-los sofrer pelos pecados de outros. Eles se viam como vítimas, como pessoas boas sofrendo injustamente.

Eles foram se tornando mais ousados, se você observar o versículo 25: “O caminho do Senhor não é direito…”. Então, no verso 29: “O caminho do Senhor não é direito…”. Observe o quadro aqui: eles estão blasfemando contra Deus. Estão dizendo, em outras palavras: “Deus não é justo… nós não merecemos isso…”. Eles se apegam firmemente à sua inocência e, com base nesse senso de inocência, acham-se injustiçados. A sua conclusão é de que não há outra explicação no Universo para a situação em que estavam, pois se viam como inocentes e, assim, a culpa era de Deus.

Eles avidamente declararam que o Senhor Deus era injusto, ao invés de admitirem sua própria maldade perversa. Você vê o quão forte é a resistência do pecador? É uma forte resistência. O pecador vai sempre duvidar da justiça de Deus, pois cultiva a ilusão de sua própria bondade. Agora, aqui novamente, somos levados a entender o ponto de partida básico do evangelho. Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. E o salário do pecado é o que? A morte.

Pare de culpar o mundo por causa de suas circunstâncias pessoais. Pare de se revoltar pelo fato de quem você é, onde você está, as circunstâncias em que você está e, assim, culpar a Deus. E, se você está sendo informado de que há apenas um Deus verdadeiro e esse é o Deus Soberano das Escrituras, então é o Deus Soberano das Escrituras quem colocou você nas circunstâncias nas quais você está. E, se você for acusá-Lo de injustiça e negar sua culpabilidade, Ele certamente não será aquele para quem você irá em busca de salvação.

Você não vai vê-lo como um Deus de amor e misericórdia, graça, ternura e compaixão. Na verdade, você vai pensar que Ele tem algum prazer no seu sofrimento. Essa é uma consequência lógica nessa mentalidade vitimista. É por isso que Deus mais adiante neste capítulo faz uma declaração muito clara e maravilhosa: “Eu não tenho prazer na morte dos ímpios”, verso 32.

Portanto, Deus responde, reiterando a verdade, versos 19 e 20:

19 Por que não levará o filho a iniquidade do pai? Porque o filho procedeu com retidão e justiça, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso certamente viverá.
20 A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.

Em outras palavras: você deve parar de se fazer de vítima. Você é o criminoso, você é o rebelde; você está enfrentando o julgamento por causa de seus próprios pecados. Vamos ao terceiro ponto. Já vimos a verdade de Deus declarada; a verdade de Deus ilustrada.

3. A VERDADE DE DEUS OFERECIDA

A terceira parte do sermão de Ezequiel é a verdade de Deus oferecida. Aqui está o convite. É um discurso cheio de súplicas. Observe, apenas olhando para o texto, quantos pontos de interrogação existem nele, quando Deus questiona a direção que os pecadores seguem. Então, a verdade de Deus foi declarada, ilustrada e agora é oferecida. Já vimos a ilusão do pecador declarada e a ilusão do pecador defendida, e aqui vemos a ilusão do pecador retida.

Os versículos 20 a 29 são simplesmente incríveis, porque mostram que, mesmo quando Deus expõe Sua verdade novamente, os pecadores se apegam firmemente às suas transgressões. Vejamos apenas os três primeiros versos, começando no verso 21:

21 Mas se o ímpio se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e proceder com retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá.
22 De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou viverá.
23 Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?

Deus está implorando aqui. Esta é a verdade de Deus oferecida a eles. Essa é a boa notícia, ou seja, quando o homem se afasta do seu pecado e segue o caminho da justiça e da obediência, seus pecados são completamente perdoados, e eles nunca serão lembrados contra ele. Você ouviu o Salmo 103:2 anteriormente: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.” Nunca podemos esquecer Seus benefícios e Ele nunca se lembra de nossos pecados. Esse é o evangelho.

E nós hoje sabemos o que Ezequiel não sabia, que tudo isso é possível porque Jesus Cristo levou em Seu corpo nossos pecados na cruz, suportando a ira de Deus em favor de todos os que creem. Seus pecados podem ser perdoados se você vier a Cristo, porque Ele pagou por eles na cruz. Esse é o evangelho. Nenhum benefício os pecadores recebem ao manipular seu senso de autoproteção, a sensação de ser vítima de outra pessoa. Deus está implorando agora à geração de Ezequiel e a todas as outras gerações, incluindo a nossa.

Esqueça o que você não gosta no mundo em que vive. Você pode não estar totalmente satisfeito com quem você é, o que você é, onde você está, quando você está. Mas, esse não é o problema. A questão é: abandone seus pecados e obedeça a Palavra de Deus e, assim, você viverá e nunca morrerá, Ele nunca mais se lembrará dos seus pecados, todos serão perdoados e você viverá para sempre. Isso é o que agrada a Deus.

A igreja está no processo, triste dizer, de se afastar rapidamente dessa mensagem, da mensagem que fala do pecado, da morte, do julgamento e do inferno, para concordar com o mundo no sentido de que as pessoas são apenas vítimas da iniquidade de outra pessoa. E, enquanto continuarmos afirmando isso, estaremos afastando os homens do evangelho. Você diz: “Ah, sim, mas as pessoas que estão pregando o evangelho da justiça social hoje não são contra o evangelho”. Elas serão. Elas serão, porque já decidiram que vão falar ao mundo o que o mundo quer ouvir.

E o mundo não ficará satisfeito em ouvir mesmo esse falso evangelho. E o próximo passo é que o mundo vai exigir que o evangelho seja ainda mais reduzido do que já está. E isso significa que o evangelho irá desaparecer da pregação de quem abraçar essa falsa doutrina.

A boa notícia é que você é um pecador em seu caminho para o inferno, mas não precisa permanecer nesse caminho. Dê meia volta, arrependa-se e venha para Deus através de Cristo. Ele te fará justo. Ele permitirá que você viva uma vida justa. Você será o possuidor da vida eterna. Quando O enfrentar no julgamento, Ele concederá a você a plenitude de alegria em Sua presença para sempre, e você realmente viverá para sempre. Continuaremos na próxima vez.

Vamos orar.

Senhor, obrigado novamente esta manhã por um tempo tão abençoado de comunhão e adoração. Obrigado pelo encorajamento do tempo em oração, bem como pela música, comunhão, tudo o que aconteceu nesta manhã. Estamos profundamente gratos porque o Senhor nos amou e enviou o Teu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas pelos pecados do mundo. Obrigado por providenciar um sacrifício que satisfaz a Tua justa exigência, alguém que poderia tomar nosso castigo para que o Senhor pudesse nos perdoar. Senhor, que haja muitos hoje em dia que reconheçam que são pecadores culpados, que precisam se arrepender, buscar a Tua justiça, buscar – como Ezequiel diz mais adiante no capítulo – um novo coração e um novo espírito, que só Tu podes dar. E clamamos a Ti por perdão, salvação e vida eterna através de Jesus Cristo. Essa é nossa oração. Faça esse trabalho nos corações, oramos em nome do Salvador. Amém.


Esta é uma série de 4 sermões sobre a heresia do Evangelho Social, conforme textos listados abaixo.


Este texto é uma síntese do sermão “Social Justice and the Gospel, Part 3″, de John MacArthur em 09/09/2018.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/81-23

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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