A Parábola da Vinha – 3

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Esta é a terceira de uma série de 3 breves reflexões de John MacArthur sobre a parábola dos trabalhadores na vinha, conforme links no final do texto.

Reflexão 3: Os princípios da Parábola dos Trabalhadores na Vinha

Não podemos limitar nossa compreensão das implicações de uma passagem bíblica e ignorar o trabalho do Espírito ao aplicar essas verdades às circunstâncias específicas de cada crente.

A parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20: 1–15) está cheia de verdades  transformacionais – explícita e implicitamente. E muitas delas são centrais para o evangelho e a salvação
Nesta parábola, não importa o quão tarde do dia um trabalhador começou a trabalhar, ele recebeu a mesma remuneração daqueles que trabalharam o dia todo. É uma imagem precisa da soberana graça salvadora de Deus.

A parábola ensina, em primeiro lugar, que a salvação não é conquistada. A vida eterna é um presente que Deus dá puramente pela graça, de acordo com a Sua vontade soberana.

A lição mais óbvia da parábola é que Deus dá a mesma graça abundante a todos que seguem a Cristo. Coletores de impostos, prostitutas,mendigos e pessoas cegas participarão da mesma vida eterna que aqueles que serviram a Deus por toda a vida, aqueles que pregaram o evangelho a milhares e aqueles que foram martirizados por Cristo gozarão. Felizmente, Deus nos dá tudo segundo a Sua graça e não segundo o que realmente merecemos.

Quando chegarmos ao céu, nós viveremos na casa do Pai (João14:2). Somos todos “herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo”, e todos seremos glorificados juntos (Romanos 8:17). Nós não receberemos uma parte do céu, mas cada um dos crentes receberá o todo!

Em outro lugar, as Escrituras indicam que, além da redenção completa do pecado e da vida eterna, haverá recompensas diferentes que o Senhor tem o prazer de dar a Seus filhos por sua fidelidade. I Coríntios 3,  sobre o tribunal de Cristo, diz:

14 Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão;

15 se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.

Assim, alguns sofrerão perdas e alguns serão recompensados,dependendo da qualidade duradoura de seu trabalho. Vemos isto na parábola das minas (Lucas 19:11-27), as recompensas foram proporcionais à diligência de cada servo.

Se você é fiel naquilo que Deus te pôs aqui, sob maior glória e galardão Ele te colocará no céu, e isto tem a ver com serviço que prestaremos lá. Recompensas para o crente são, basicamente, maiores oportunidades de serviço.

Mas, Temos uma verdade de que todos os verdadeiros crentes receberão a vida eterna e um corpo glorificado como o de Cristo. Isto será igual a todos.

Na parábola dos trabalhadores na vinha, o Senhor mostrou que aqueles que trabalharam apenas na última hora receberam o mesmo salário daqueles que trabalharam durante todo o dia.

Mas, enquanto isso é verdade, também é verdade que haverá diferentes níveis de serviço. E isto está relacionado ao que produzimos aqui com os privilégios e oportunidades que tivemos, conforme a parábola das minas.

Apocalipse 4 mostra o que acontece com essas recompensas:

10 os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante da queleque se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando:

11 Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.

Recompensa, no entanto, não é a questão tratada na parábola dos trabalhadores na vinha. Jesus está ensinando uma lição sobre a vida eterna e abundante que pertence a todos os redimidos, a todos que o têm como Senhor e Salvador. O céu em si não é uma recompensa a ser obtida pelo trabalho duro; é um presente gracioso, dado em abundância a todos os crentes igualmente. Não há distinção entre homens, mulheres, judeus, gentios e qualquer outro.

Alguns princípios secundários importantes também são ilustrados na parábola dos trabalhadores da vinha.

É Deus quem inicia a salvação. Na parábola, o dono da terra saiu para encontrar os trabalhadores no mercado (que representa o mundo) e os levou para a sua vinha. Deus faz a busca e a salvação. Nossa salvação é inteiramente Sua obra, e essa é a principal razão pela qual não temos o direito de fazer exigências ou estabelecer limites no que Ele dá a outra pessoa. É uma prerrogativa de Deus e só Ele mostra misericórdia a quem Ele quiser. Em João 6:44 Jesus diz: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer”.

Enquanto isso, Ele continua chamando trabalhadores para o Seu reino. Por toda a história humana e em todas as fases da vida humana, Deus está chamando as pessoas para o Seu reino. É um trabalho contínuo. Em João 9:4, Jesus disse:

É necessário que façamos as obras daquele que me enviou,enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

A parábola ilustra o que Ele quis dizer. A redenção continua até o julgamento chegar. E esse tempo está chegando.

Deus chama pecadores, não os autossuficientes. Ele traz para a sua vinha aqueles que conhecem suas próprias necessidades, não pessoas que estão cheias de si mesmas, que dizem: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”, mas Jesus diz: “bem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Apoc. 3:17).

Os homens reunidos no mercado à procura de trabalho estavam desesperados, plenamente conscientes de suas necessidades. Eles eram pobres, sem recursos, implorando por trabalho -representando os pobres de espírito. Muitos tinham chegado ao final do dia e ainda não tinham nada. Esse é exatamente o tipo de pessoa que Cristo veio para buscar e salvar. Ele veio chamar pecadores ao arrependimento (Marcos 2:17).

Deus é soberano no cumprimento da salvação. Por que Ele espera até a última hora para chamar alguns? Por que o proprietário de terras não contratou todos no mercado em sua primeira viagem? A parábola não revela os motivos. Nem sabemos por que Deus salva as pessoas em diferentes fases da vida.Ele soberanamente determina quando e quem Ele chamará. Mas todos aqueles que são chamados sabem que são carentes e estão dispostos a trabalhar. E sua disposição é um resultado, não a causa, da graça de Deus para eles.

Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade (Filipenses 2:13).

Deus mantém Sua promessa. O proprietário disse ao primeiro grupo que daria a cada um deles um denário, e ele fez assim. Ele manteve sua promessa para aqueles que ele contratou mais tarde também. Ele disse que daria o que havia combinado. E o que ele lhes deu foi mais do que generoso. Da mesma forma, Deus nunca dá menos do que promete.

Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós (Efésios 3:20).

Deus sempre nos dá o que não merecemos.

Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendodo Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança (Tiago1:17).

Tudo o que recebemos, além da condenação eterna, é muito mais do que merecemos. Portanto, não há lugar para os cristãos se ressentirem da graça de Deus para com os outros ou pensarem que Ele nos defraudou de alguma forma. Essa ideia é cheia de blasfêmia. De fato, esse era o espírito do irmão mais velho na parábola do filho pródigo. Ele se ressentia profundamente da graça de seu pai em relação ao filho pródigo.

Deus é gracioso e devemos sempre celebrar Sua graça. A parábola dos trabalhadores na vinha exalta maravilhosamente o princípio da graça. Minha própria resposta a essa parábola é profunda gratidão, pois há muitos que têm sido mais fiéis do que eu, trabalhado mais do que eu e sofrendo maiores provações.

Há talvez outros que trabalharam menos, por menos anos, com menos diligência. Mas a graça é abundante até mesmo para o chefe dos pecadores, e Deus salva todos nós de forma completa.

[Jesus] pode salvar totalmente os que por ele se chegam aDeus, vivendo sempre para interceder por eles (Hebreus 7:25).

Isso dá glória a Ele, e isso certamente é motivo para louvá-Lo  e nos alegrarmos junto a todos os que receberam essa graça.


Esta é uma série de 3 breves reflexões de John MacArthur sobre a Parábola dos Trabalhadores na Vinha, conforme links abaixo:

  1. O Ponto Central da Parábola dos Trabalhadores na Vinha
  2. O Propósito da Parábola dos Trabalhadores na Vinha
  3. Os Princípios da Parábola dos Trabalhadores na Vinha

Este texto é uma síntese de uma breve reflexão de John MacArthur: “The Principles of the Parable of the Vineyard” , em 07/12/2018.
Você pode ler a reflexão, integralmente (em inglês), no link abaixo:
https://www.gty.org/library/blog/B181207
Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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