A Parábola da Vinha – 2

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Esta é a segunda de uma série de 3 breves reflexões de John MacArthur sobre a parábola dos trabalhadores na vinha, conforme links no final do texto.


Reflexão 2: O Propósito da Parábola dos Trabalhadores na Vinha

As parábolas de Cristo nunca foram entregues no vácuo. Elas sempre foram provocadas pelas circunstâncias, discussões e debates que O rodeavam. Esse tipo de informação contextual é especialmente crítica em relação à parábola da vinha (Mateus 20: 1–15). Embora a história em si forneça uma lição profunda sobre a graça de Deus, é preciso conhecer o que estava acontecendo naquele momento para entender o peso das palavras de Cristo.

Em suma, nesta parábola, não importa o quão tarde do dia um trabalhador começou a trabalhar, ele recebeu a mesma remuneração daqueles que trabalharam o dia todo. Jesus finalizou dizendo: 

Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos. (Mateus 20:15-16)

A lição é bem simples: a parábola é uma imagem precisa da soberana graça salvadora de Deus. Como os pecadores são todos indignos, e as riquezas da graça de Deus são inesgotáveis, todos os crentes recebem uma parte infinita e eterna de Sua misericórdia e bondade, embora ninguém realmente mereça isso.

O céu não é uma recompensa por um longo serviço ou trabalho duro. Algumas pessoas servem a Cristo toda a sua vida e outras por um curto período de tempo. Mas, todos entram na mesma vida eterna. Todos os escolhidos receberão as mesmas bênçãos espirituais no céu. Se isso lhe parece injusto, lembre-se de que é muito mais do que qualquer um de nós merece. Não há mérito humano na salvação.

Por que Jesus criou essa parábola? Nosso Senhor criou essa analogia principalmente para ensinar seus doze discípulos, imediatamente após a conversa com o jovem rico (Mateus 19:16-22). Este jovem, rico e influente, veio a Jesus perguntando: “Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?” (v. 16). Ele parece ter ido buscar glorificação. Ele claramente pensava que cumpria todos os deveres espirituais e que sua vida estava bem em ordem. Ele certamente parecia ser uma promissora perspectiva evangelística.

Mas, ao invés de simplesmente dar-lhe as boas novas do evangelho, Jesus o desafiou em sua obediência à lei: “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (v.17). O jovem perguntou a Jesus: “Quais?” (v.18). Jesus lhe respondeu: “Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v. 18-19).

De forma convicta, o jovem diz a Jesus: “Tudo isso tenho observado; que me falta ainda?” (v.20). Jesus finaliza a conversa dizendo: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me” (v.21). Isso foi um sacrifício que o jovem não estava disposto a fazer.

Assim, Jesus expôs o fato de que aquele jovem amava suas posses mais do que amava a Deus ou ao próximo. Em outras palavras, embora ele alegasse ter guardado toda a lei de Deus, ele estava violando tanto o primeiro quanto o segundo grande mandamento, conforme Jesus disse em Mateus 22:

37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
38 Este é o grande e primeiro mandamento.
39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Mas aquele jovem não reconheceu isso. E, em Mateus 19:22, é dito que “o jovem ouvindo esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.”

Os discípulos ficaram claramente atordoados quando Jesus pareceu colocar obstáculos no caminho do jovem rico, ao invés de encorajá-lo. Eles ficaram confusos e perguntaram: “Então, quem poderá ser salvo?” (Mateus 19:25).

A resposta de Jesus enfatiza o fato de que a salvação é obra de Deus, e não algo que um pecador pode realizar por si mesmo: “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível” (Mateus 19:26).

Então, os discípulos estavam pensando na impossibilidade de merecer o favor de Deus. Eles estavam, sem dúvida, examinando seus próprios corações. Ao contrário do jovem rico, eles de fato deixaram tudo para seguir a Cristo (Mateus 19:27). E eles estavam procurando por alguma garantia do próprio Cristo de que o sacrifício deles não foi em vão. Foi esse o contexto que motivou a parábola dos trabalhadores na vinha.

Quando o jovem e rico líder judeu se afastou, foi Pedro quem falou em nome de todos os discípulos e disse: “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?” (Mateus 19:27). Os Doze eram como aqueles que chegaram primeiro para trabalhar na vinha. Eles foram os primeiros que Jesus chamou no início do Seu ministério.

Eles trabalhavam no calor do dia, por muito mais que doze horas. Já eram quase três anos. Eles haviam desistido de lares, empregos e relacionamentos para servir a Cristo. Com a única exceção de Judas, eles certamente amavam Jesus. Todos eles permaneceriam em dar suas vidas pelo amor do evangelho. Eles queriam saber o que receberiam pelo sacrifício.

Os discípulos, sem dúvida, pensaram que receberiam benefícios especiais por terem trabalhado tanto. Eles acreditavam que iriam herdar o reino muito em breve, e isso os excitou. Eles estavam bem conscientes de que Jesus era o Messias de Israel. Eles esperavam plenamente um reino político e terreno com toda a glória e riquezas que se poderia obter através do domínio do mundo. Eles foram os primeiros discípulos, por isso fazia todo o sentido para eles que um deles se sentasse à direita de Jesus, no mais alto lugar de honra.

Eles tinham uma visão ingênua e imatura da missão de Jesus, e eles continuaram com essa visão por algum tempo, mesmo após a ressurreição. Enquanto o Cristo ressuscitado se encontrou com eles preparando-os para o Pentecostes, eles perguntaram: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (Atos 1: 6). Agora que Cristo havia se mostrado triunfante mesmo sobre a morte, eles esperavam finalmente obter suas coroas, tronos e lugares de honra.

Então, no verso 27 de Mateus 19, Pedro perguntou a Jesus: “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?”. Jesus respondeu abordando sua sede de honra especial. Ele lhes assegurou que realmente teriam lugares de honra no reino. Mas, Ele continuou dizendo que todos no reino seriam honrados:

28 Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.
29 E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna.

É intrigante quão pouco efeito a lição dessa parábola teve sobre os doze discípulos. Eles estavam tão obcecados com a ideia de honra especial que, mesmo depois de ouvirem essa parábola, continuaram planejando e disputando o primeiro lugar. Na verdade, o próximo episódio, em Mateus 20, registra isso:

20 Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor.
21 Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.
24 Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.

Eles estavam aborrecidos, porque todos almejavam a mesma coisa. Mesmo no Cenáculo, na noite da traição, foi Jesus quem lavou os pés dos outros. A lavagem de pés era um dever do servo mais humilde, e todos eles queriam as mais altas posições. E, ao mesmo tempo em que eles se indagavam quem haveria de trair Jesus, Lucas 22:24 registra que eles “suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior”.

Assim, embora a parábola dos trabalhadores na vinha fosse dada para confrontar as percepções egoístas, invejosas e confusas dos discípulos, demorou um pouco para penetrar neles. Mas, posteriormente, a lição de Cristo acabou penetrando nos corações dos discípulos e permeando suas vidas, as quais seriam marcadas pela servidão desinteressada à igreja de Cristo.


Esta é uma série de 3 breves reflexões de John MacArthur sobre a Parábola dos Trabalhadores na Vinha, conforme links abaixo:

  1. O Ponto Central da Parábola dos Trabalhadores na Vinha
  2. O Propósito da Parábola dos Trabalhadores na Vinha
  3. Os Princípios da Parábola dos Trabalhadores na Vinha

Este texto é uma síntese de uma breve reflexão de John MacArthur:  “The Purpose of the Parable of the Vineyard ,  em 05/12/2018.

Você pode ler a reflexão, integralmente (em inglês), no link abaixo:

https://www.gty.org/library/blog/B181205

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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