A Parábola da Vinha – 1

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Esta é a primeira de uma série de 3 breves reflexões de John MacArthur sobre a parábola dos trabalhadores na vinha, conforme links no final do texto.


Reflexão 1: O Ponto Central da Parábola dos Trabalhadores na Vinha

Jesus costumava por em cheque as convenções sociais estabelecidas. O Senhor passou grande parte do Seu ministério terrestre ilustrando o nítido contraste entre o mundo e o Seu reino celestial. Um desses momentos-chave de ensino é encontrado no prefácio e no epílogo da parábola dos trabalhadores na vinha em Mateus 20.

1 Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha.
2 E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha.
3 Saindo pela terceira hora, viu, na praça, outros que estavam desocupados
4 e disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e vos darei o que for justo. Eles foram.
5 Tendo saído outra vez, perto da hora sexta e da nona, procedeu da mesma forma,
6 e, saindo por volta da hora undécima, encontrou outros que estavam desocupados e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo?
7 Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então, lhes disse ele: Ide também vós para a vinha.
8 Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até aos primeiros.
9 Vindo os da hora undécima, recebeu cada um deles um denário.
10 Ao chegarem os primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um.
11 Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa,
12 dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia.
13 Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário?
14 Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti.
15 Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?
16 Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.

A história de Cristo é emoldurada com um único e simples provérbio, escrito no último versículo de Mateus 19: “Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros”. O mesmo conceito é repetido no final da parábola: “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos” (Mateus 20:16).

Outro eco do provérbio também é encontrado na própria parábola, na frase-chave em Mateus 20:8, onde o proprietário da terra instrui o mordomo a pagar aos trabalhadores seus salários: “Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até aos primeiros”.

Jesus usou variações desse mesmo provérbio em outras ocasiões. Encontramos um exemplo delas em Lucas 13:30, onde Jesus diz: “há últimos que virão a ser primeiros, e primeiros que serão últimos”.  Também em Marcos 10:31, Jesus diz: “Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros”.

O provérbio também é uma espécie de enigma. O que isso significa? Não está dizendo exatamente a mesma coisa que Marcos 9:35, onde Jesus diz: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos”. Ou Marcos 10: 43–44, onde Jesus diz: “Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos”Esses versículos tratam de humildade e do auto-sacrifício. Esses são imperativos: comandos que nos instruem a sermos servos humildes, em vez de buscarmos proeminência e poder.

Mas não é sobre isto que Jesus estava falando quando disse: “os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos”. Aqui há uma declaração de fato. Em uma corrida, por exemplo, a única maneira do último ser o primeiro e do primeiro ser o último é se todos concluírem a prova ao mesmo tempo. Se todos cruzarem a linha de chegada exatamente no mesmo instante, os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros. Todo mundo terminaria empatado.

Esse, é claro, é precisamente o ponto que Jesus estava fazendo na parábola. Os contratados primeiro e os contratados por último recebem o mesmo pagamento. Todos eles, do primeiro ao último, conseguiram o benefício total da generosidade do proprietário, em partes iguais.

Que lição espiritual é tecida nessa parábola?

A lição é bem simples: a parábola é uma imagem precisa da soberana graça salvadora de Deus. Como os pecadores são todos indignos, e as riquezas da graça de Deus são inesgotáveis, todos os crentes recebem uma parte infinita e eterna de Sua misericórdia e bondade, embora ninguém realmente mereça isso.

Nele qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça (Efésios 1: 7).

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. (Efésios 2:4-7)

Isso fala de todos os que são redimidos. Jesus disse: “Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino” (Lucas 12:32). Ele concedeu o seu reino a todos os eleitos, e em abundância igual.

O ladrão moribundo que se arrependeu em seus momentos finais entrou no paraíso, onde está desfrutando da vida eterna e comunhão eterna com Cristo da mesma forma que Pedro, Tiago e João, que literalmente deram suas vidas a serviço do Salvador.

  • O proprietário da terra na parábola representa Deus.
  • A vinha é o reino, a esfera do governo de Deus.
  • Os trabalhadores são os crentes, pessoas que entram no serviço do rei.
  • O dia do trabalho é a sua vida.
  • A noite é a eternidade.
  • O mordomo, talvez, representa Jesus Cristo, a quem foi entregue todo o julgamento.
  • O denário representa a vida eterna.

Este pagamento não é algo que os trabalhadores ganharam. Não é dado a eles como um salário mínimo em uma troca proporcionalmente justa pela quantidade de trabalho realizado. Em vez disso, representa um presente gracioso que excede a melhor recompensa que qualquer trabalhador poderia merecer.

Se você é um crente genuíno, você recebe todos os benefícios da graça imensurável de Deus, assim como todos os outros no reino de Deus. Seu lugar no céu não é determinado pelo tempo que você passou fazendo o trabalho do Senhor. As bênçãos da redenção não são distribuídas em cotas baseadas em conquistas pessoais. O perdão não se mede pesando nossas boas ações contra nossos pecados, nem é parcialmente negado por nossos pecados.

Todo aquele que entra no reino recebe a abundância total da graça, misericórdia e perdão de Deus. Isso é verdade, não importa quanto tempo você tenha trabalhado no reino de Deus. É verdade, não importa quão difíceis ou quão fáceis sejam as suas circunstâncias. É verdade, não importando se o seu serviço foi mínimo ou máximo; se você morre como um mártir no auge da vida ou vive uma vida bastante pacífica e morre de velhice. É tão verdadeiro para aqueles que chegam a Cristo na adolescência quanto para aqueles que genuinamente se arrependem de seus pecados no final de uma vida perdulária.

Quando esta vida terrena terminar, se você for um crente, você estará com Cristo eternamente, exatamente como aquele ladrão na cruz (Lucas 23:43); assim como o apóstolo Paulo (2 Coríntios 5: 8); e assim como todos os outros santos que morreram ao longo dos séculos.

O céu não é uma recompensa por um longo serviço ou trabalho duro. Algumas pessoas servem a Cristo toda a sua vida e outras por um curto período de tempo. Todos nós entramos na mesma vida eterna. Todos nós receberemos as mesmas bênçãos espirituais no céu.

Se isso parece injusto, lembre-se de que é muito mais do que qualquer um de nós merece. Os benefícios do reino são os mesmos para todos, porque somos redimidos apenas pela graça de Deus e nada mais. Isso é realmente uma boa notícia para você e para mim: nós não temos que ganhar nosso caminho para o reino. O céu não é baseado no nosso mérito.


Esta é uma série de 3 breves reflexões de John MacArthur sobre a Parábola dos Trabalhadores na Vinha, conforme links abaixo:

  1. O Ponto Central da Parábola dos Trabalhadores na Vinha
  2. O Propósito da Parábola dos Trabalhadores na Vinha
  3. Os Princípios da Parábola dos Trabalhadores na Vinha

Este texto é uma síntese de uma breve reflexão de John MacArthur:  “The Point of the Parable of the Vineyard ,  em 03/12/2018.

Você pode ler a reflexão, integralmente (em inglês), no link abaixo:

https://www.gty.org/library/blog/B181203

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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