Heresias do Catolicismo – 2

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Esta é uma série de sermões sobre heresias do catolicismo romano, conforme links no final do texto.


O PAPA E O PAPADO

1. INTRODUÇÃO

Vamos falar sobre o papa e o papado. Quero dizer-lhe, de início, o que está em jogo, porque o que vou dizer certamente ofenderá aqueles que são devotos católicos. Certamente ofenderá aqueles que acreditam que os católicos são irmãos e irmãs em Cristo. Alguns  interpretarão a minha pregação como indelicada e desamorosa. Mas nada é mais amoroso que a verdade. Deixar alguém congregar em um sistema falso não é amoroso de forma alguma. Resgatar pessoas de uma maldita e falsa religião é a única coisa amorosa a se fazer. E há muito em jogo aqui.

Não muitos anos atrás, alguns protestantes evangélicos reuniram-se com alguns católicos romanos. Desse encontro foi produzido um documento chamado “Evangélicos e Católicos Juntos”. E nesse documento eles celebravam uma fé comum e uma missão comum. Eles disseram que precisamos nos abraçar e realizar essa missão de pregar o evangelho juntos. Isso foi chocante, para dizer o mínimo, para muitos, para todas aquelas pessoas que afirmam claramente um evangelho bíblico.

Houve imediatamente uma reação a isso e a todo tipo de coisas relacionadas aos signatários da ECJ [Evangélicos e Católicos Juntos]. Talvez o mais notável, pelo menos na minha experiência, tenha sido uma reunião privada especial convocada na Flórida, onde fui trancado com um grupo de pessoas formidáveis ​​por um período de sete horas, incluindo aquelas que defendiam a ECJ, como J.I. Packer, Charles Colson, Bill Bright.

Eu, juntamente com R.C. Sproul e Michael Horton, representamos o lado bíblico e a teologia reformada, e durante sete horas falamos sobre: O que é o evangelho? Os católicos são salvos ou não salvos? Isso é muito importante. Houve também uma discussão sobre os anglicanos serem salvos ou não salvos. Todos os que estão dentro da “Cristandade” são salvos automaticamente? Eles são salvos porque são batizados? Eles são salvos porque “acreditam em Jesus?” Foi uma discussão muito acalorada em muitos pontos.

O que estava em jogo? Eu vou te dizer o que estava em jogo: se nós deveríamos ou não evangelizar os católicos romanos. Isso é o que estava em jogo. Há um bilhão deles no mundo. Eles são um campo missionário ou eles são nossos colaboradores para  o reino de Cristo? Isso muda tudo. Tudo. Por outro lado, um dos líderes evangélicos disse: “Eu acho tão maravilhoso que agora podemos ver católicos como cristãos, porque isso significa que milhões e milhões de pessoas são cristãs!”. Como se de alguma forma só bastaria alguém decidir que tais pessoas são realmente cristãs e, assim, elas se tornariam cristãs…

Eu estava absolutamente incrédulo. Eu quase caí da cadeira. Seria uma reunião monumental caso eu  pudesse acreditar que poderíamos resgatar milhões de pessoas sem sair da sala de reunião.  E é isso que está em jogo. Os católicos romanos são campo missionário ou nós os abraçamos como crentes em Jesus Cristo?

A tendência do evangelicalismo hoje é abraçá-los como cristãos genuínos. É isso que esses que se dizem porta-vozes evangélicos continuam dizendo na mídia. Eles dizem que católicos são nossos irmãos e irmãs em Cristo, que na verdade o Papa é nosso irmão em Cristo,que o Papa é o maior líder espiritual e moral da Igreja. (!!!).

Se perguntarem a eles: “Os papas que morreram estão no céu?”,  eles dirão: “Claro que sim, pois eles eram bons, sofreram etc…”. Reclassificar o Papa, reclassificar os católicos romanos como verdadeiros crentes bíblicos não é tão simples assim. Tem implicações enormes. Tem implicações que literalmente derrubam séculos de esforço missionário. Tem implicações maciças que derrubam séculos, se não milênios, de martírio. Na longa guerra contra a verdade, o mais formidável, implacável e enganoso inimigo tem sido o catolicismo romano. É um cristianismo apóstata, corrupto, herético e falso. É uma frente a favor  do reino de Satanás.

A verdadeira igreja do Senhor Jesus Cristo sempre entendeu isso. E mesmo através da Idade das Trevas, de 400 a 1500 d.C., antes da Reforma, cristãos genuínos se separaram desse sistema e foram brutalmente punidos e executados por sua rejeição a esse sistema. Não é meu propósito esta noite entrar em tudo o que seja o catolicismo romano – e faremos isso no outono. Vamos dar uma olhada em muitos ângulos. Aqueles crentes, ao longo desses séculos, juntamente com crentes genuínos e com discernimento hoje, entenderam que o catolicismo é um sistema falso.

É falso porque tem um falso sacerdócio, uma falsa fonte de revelação. Tem o poder ilegítimo concedido por este magistério, a cúria papal. É falso porque é mergulhado na idolatria, através da adoração dos santos e da veneração dos anjos. É falso, porque  conduz uma horrível exultação de Maria acima de Cristo e até mesmo de Deus. Ele conduz um sacramento tortuoso da missa pelo qual Jesus é sacrificado repetidas vezes. Oferece falso perdão através do confessionário.

É falso por causa da sua doutrina do batismo infantil e de outros sacramentos. Motivado pelo dinheiro, o sistema católico inventou o purgatório. E, a propósito, o purgatório é o que faz todo o sistema funcionar. Tire o purgatório do sistema católico e fica difícil ser católico. As pessoas estão no catolicismo por causa do engano do purgatório. O purgatório é a rede de segurança. Segundo essa falsa doutrina, sem qualquer respaldo bíblico, quando você morre, você não vai para o inferno, você vai ao purgatório e lá resolve as coisas e finalmente vai para o céu, se você for um bom católico.

Tirar essa rede de segurança do purgatório é difícil, porque no sistema católico você nunca sabe se está salvo. Você nunca pode saber se vai para o céu. Você apenas continua tentando e tentando. Como um padre disse em um programa de televisão na outra noite, “estamos todos engajados em uma longa jornada em direção à perfeição”. Bem, se você está envolvido em uma longa jornada em direção à perfeição, isso é bastante desanimador. As pessoas nesse sistema estão cheias de culpa, medo, sem saber se vão ou não entrar no reino.

Sempre há a ameaça de um pecado mortal, que faz com que o católico perca a graça, de modo que a única coisa que faz o sistema funcionar é o purgatório. O purgatório é uma segunda chance de salvação. É outra chance após a morte. Como os católicos entenderam que eles não podiam comprar a salvação com suas boas obras, eles tiveram que inventar o purgatório.

2. O PAPA

Além de toda essa falsa doutrina, há outras, como as indulgências, a venda do perdão por dinheiro, o falso evangelho das obras – você adquire sua salvação através de suas boas obras – a abominação dos ídolos e relíquias, as orações pelos mortos, o celibato forçado, e assim vai. Mas, no topo da pilha de toda essa heresia está o surpreendente papado. O papa está no topo da Igreja Católica Romana que, em uma palavra, usurpou a liderança de Cristo sobre sua igreja.

Os reformadores sempre entenderam isso. Com ousadia, eles entenderam isso, declararam isso e enfrentaram a morte por isso. Martinho Lutero, 1483-1546, provou através das revelações de Daniel e João, das epístolas de Paulo, Pedro e Judas, diz o historiador D’Aubigné, que o reino do anticristo predito e descrito na Bíblia não era outro senão o papado. Ouça: “Um terror santo tomou suas almas. Foi o anticristo que eles viram sentado no trono pontifício”.

Essa nova idéia, que obteve maior força das descrições proféticas lançadas por Lutero no meio de seus contemporâneos, infligiram o golpe mais terrível em Roma. Baseado em seu estudo das Escrituras, Martinho Lutero finalmente declarou:

Nós temos a convicção de que o papado é a sede da semente do verdadeiro anticristo. Eu devo ao papa a mesma obediência que eu devo ao anticristo. Estou convencido de que se neste momento São Pedro em pessoa pregasse todos os artigos da Sagrada Escritura que negam a autoridade, poder e primazia do papa. e dissesse que o papa não é a cabeça de toda a cristandade, eles o enforcariam.

Se o próprio Cristo estivesse novamente na Terra e pregasse isso, sem dúvida o papa o crucificaria outra vez. João Calvino, 1509-1564, disse:

Algumas pessoas nos acham muito severos e censuradores quando chamamos o Romano Pontífice de anticristo. Mas aqueles que são desta opinião não consideram que trazem a mesma acusação de presunção contra o próprio Paulo, pelo qual nós falamos e cuja linguagem nós adotamos. Mostrarei brevemente que as palavras de Paulo em 2 Tessalonicenses 2 não são capazes de qualquer outra interpretação além daquelas que se aplicam ao papado.

Eles viram no papado o anticristo. Por quê? Por que eles tinham alguma percepção especial de que, de fato, o anticristo final será, na verdade, um papa? Não. Mas, porque o papa personificava tudo o que a Escritura descreve como sendo o anticristo. John Knox, 1505-1572, o grande presbiteriano escocês, procurou contestar a tirania que o papa exercia por tantas eras sobre a igreja. Ele mesmo disse que o papado é o próprio anticristo, sendo o papa o filho da perdição de quem Paulo fala.

Thomas Cranmer, um dos grandes mártires da Inglaterra, faleceu em 1556, disse: “Roma é o trono do anticristo e o papa é o próprio anticristo, e eu poderia provar o que digo através de vários trechos das Escrituras”. A Confissão de Westminster, a confissão dos reformadores, foi escrita em 1647. Ela diz:

Não há outra cabeça da igreja senão o Senhor Jesus Cristo. O papa de Roma também não pode, em nenhum sentido, ser chefe dela; mas é aquele Anticristo, aquele homem de pecado e filho de perdição, que se exalta na igreja contra Cristo e tudo o que é chamado Deus.

E, novamente, eu digo que não é que ele seja o anticristo final, mas ele é, nesta era, a própria personificação do anticristo. E existirão, diz João, muitos anticristos no mundo até chegarmos ao anticristo final. Cotton Mather, um puritano americano que morreu em 1728, disse:

Os oráculos de Deus predisseram o surgimento de um Anticristo na Igreja Cristã. E no Papa de Roma, todas as características daquele Anticristo são tão maravilhosamente identificadas, que se alguém ler as Escrituras e não as ver, há uma maravilhosa cegueira nessa pessoa.

E Spurgeon: “É o dever e obrigação de todo cristão orar contra esse anticristo, e quanto ao que o anticristo é, nenhum homem são deve levantar questão. Se não for o papado na Igreja de Roma, não há nada no mundo que possa ser chamado por esse nome”. Novamente, lembro que João disse que haveria muitos anticristos. Para esses grandes líderes reformados, o papa se enquadrava em todas as características do anticristo.

Spurgeon continuou dizendo:

O papado é contrário ao evangelho de Cristo. É o anticristo e nós devemos orar contra ele. Deve ser a oração diária de todo crente que o anticristo possa ser arremessado por Cristo como pedra lançada nas águas profundas, porque fere a Cristo, porque rouba de Cristo a sua glória, porque coloca a eficácia sacramental no lugar de Sua expiação, erige um pedaço de pão para tomar o lugar do Salvador e algumas gotas de água para tomar o lugar do Espírito Santo. E coloca um mero homem, falível como nós, como o Vigário de Cristo na Terra. Se orarmos contra isso, porque o papado é contra Cristo, amaremos as pessoas, apesar de odiarmos seus erros. Vamos amar suas almas, embora detestemos seus dogmas. E assim, a respiração de nossas orações será suavizada, porque voltaremos nossos rostos em direção a Cristo quando oramos.

Foi entre 1553-1558, terríveis cinco anos na Inglaterra, no reinado de Maria Sanguinária. E tudo começou sete anos após a morte de Lutero. A rainha Maria assumiu o trono da Inglaterra e restaurou a autoridade do papa por lá.  Imediatamente, todas as Bíblias foram removidas das igrejas. Toda a impressão da Bíblia cessou e foi proibida. Tornou-se um crime capital. Oitocentos pastores ingleses fugiram para Genebra. Trezentos protestantes foram queimados na fogueira.

O primeiro mártir de Maria Sanguinária foi John Rogers, um ministro de Londres que traduziu a maravilhosa Bíblia de Tyndale-Matthews. Tive a experiência de segurar uma dessas primeiras edições da Bíblia certa vez. Houve também Ridley e Latimer, os dois famosos mártires queimados na fogueira em Oxford. E William berserk, que foi martirizado pelo crime de traduzir a Bíblia para o inglês. Tudo isso sob a liderança e a satisfação do sistema romano e do papa. Lutero escreveu isto:

Todas as coisas que o Papa, através de um poder tão falso, pernicioso, blasfemo e arrogante tem feito e empreendido, foram e ainda são assuntos e transações puramente diabólicos que servem para a ruína de toda a Santa Igreja Cristã e para a destruição do primeiro e principal artigo sobre a redenção feita através de Jesus Cristo.

 Lutero não mediu as palavras. Ele disse ainda:

O Papa é o próprio anticristo que se exalta e se opõe a Cristo, porque não permitirá que os cristãos sejam salvos. Não é nada mais que o próprio diabo, porque acima e contra Deus exorta e divulga suas falsidades papais sobre missas, purgatório, vida monástica, obras próprias, adoração divina fictícia, que é o próprio papado, e condena, assassina e tortura todos os cristãos que não exaltam e honram essas abominações do Papa acima de todas as coisas. Portanto, tão pouco quanto podemos adorar o próprio diabo como Senhor e Deus, podemos suportar seu apóstolo, o Papa. Mentir, matar e destruir um corpo e uma alma eternamente, é nisso que o governo papal realmente consiste.

De volta a Spurgeon:

De todos os sonhos que já iludiram os homens, e provavelmente de todas as blasfêmias que já foram proferidas, nunca houve algo tão absurdo e que é mais frutífero em toda sorte de malícia do que a idéia de que o bispo de Roma pode ser o cabeça da igreja de Jesus Cristo.

Os papas morrem. E como a igreja poderia viver se sua cabeça estiver morta? A verdadeira Cabeça vive e a igreja vive Nele. E Spurgeon ainda disse:

Um homem que ilude outras pessoas gradualmente se ilude. O iludidor primeiro engana os outros e depois se torna um ingênuo para si mesmo. Eu me pergunto quanto tempo o Papa levou para realmente acreditar que ele é um ser infalível e que ele deveria ser saudado como ‘Sua Santidade’. Deve ter levado um bom tempo para chegar a essa eminência do auto-engano. Mas, é preciso dizer que todos os que beijam o dedo do pé desse homem apenas o confirmam nessa ideia insana. Quando todo mundo acredita em uma mentira lisonjeadora a seu respeito, você chega, finalmente, a acreditar em si mesmo ou, pelo menos, a pensar que pode ser assim.

Spurgeon continua:

Os fariseus, sendo continuamente chamados de pais, de santos escribas, devotos e piedosos doutores, de professores santificados, acabaram acreditando nesses elogios lisonjeiros. Eram utilizadas várias expressões do tipo em relação aos fariseus naqueles dias, mas ‘doutores da divindade’ era a mais usada. E a multidão de doutores e rabinos ajudava a manter o destaque uns dos outros repetindo reciprocamente os belos nomes uns dos outros, até que eles acreditassem que significavam alguma coisa. Caros Amigos, é muito difícil receber honra e esperar por ela, e ainda manter a sua visão, pois os olhos dos homens gradualmente ficam embotados pela fumaça do incenso que é queimado diante deles. E quando seus olhos se tornam obscuros com a auto-estima, seus próprios “eus” grandes escondem a cruz e os tornam incapazes de acreditar na verdade.

Spurgeon também disse:

Cristo não redimiu Sua igreja com Seu sangue para que o papa entrasse e roubasse a glória. Não foi o papa que veio do céu para a terra. Não foi ele quem derramou seu próprio coração para que pudesse comprar seu povo. Como é que um pobre pecador, um simples homem, pode ser elevado para ser admirado por todas as nações e para ser chamado de o representante de Deus na terra? Cristo sempre foi o cabeça de Sua igreja.

Spurgeon sabia o que os reformadores sabiam, o que o verdadeiro estudante das Escrituras sabe: o papa está no topo de um sistema ilegítimo. Particularmente e especificamente, no topo de um sacerdócio ilegítimo. E Spurgeon escreveu isso:

Quando alguém se apresenta com aquele tipo de roupas curiosas e diz que é um padre, o filho mais simples de Deus pode lhe dizer: ‘Afaste-se e não interfira na minha vida!’, e aquele homem pode reivindicar em resposta: ‘Eu sou padre’. O servo verdadeiro do Senhor pode responder: ‘Eu não sei o que você venha a ser. Você certamente deve ser um sacerdote de Baal!’. Pois a única menção da palavra ‘vestimentas’ nas Escrituras é em conexão com o templo de Baal. O sacerdócio pertence a todos os santos. Esses padres às vezes chamam vocês de leigos, mas o Espírito Santo diz de todos os santos: ‘vocês são os klros de Deus’. Vocês são o clero de Deus. Todo filho de Deus é um clérigo ou uma clériga. Não há distinções sacerdotais conhecidas nas Escrituras. Fora sacerdote católico! A própria palavra ‘padre’ tem o cheiro do enxofre de Roma sobre ela, e enquanto  permanece, a Igreja da Inglaterra dará luz a um salvo doente. Os sacerdotes católicos exigem serem chamados de ‘padres’ [pais]. Eu me pergunto, esses homens não têm vergonha de carregar tal título? Quando penso no que tais sacerdotes fizeram em todas as épocas, o que os sacerdotes ligados à Igreja de Roma fizeram, repito o que tenho dito com frequência: eu preferiria que um homem apontasse para mim na rua e me chamasse de demônio do que me chamar de padre, pois, assim como o diabo tem sido mau, ele dificilmente conseguiu se igualar aos crimes e crueldades e vilanias que foram transacionados sob o disfarce de um sacerdócio especial. Disso podemos ser libertos. Mas, o sacerdócio dos santos de Deus, o sacerdócio da santidade que oferece oração e louvor a Deus, isso nós temos porque Deus nos fez sacerdotes. É isso que os santos são.

O Império Romano então é, na visão desses homens de Deus através dos tempos, uma linha de frente a serviço de Satanás. E para Spurgeon, Roma é um inimigo mortal, antes de mais nada, mas é também um campo missionário. Spurgeon disse que não devemos ter nenhuma trégua e não fazer nenhum tratado com Roma. Ele disse isso:

Guerra. A paz não pode existir. Ela [a Igreja de Roma] não pode ter paz conosco, não podemos ter paz com ela. Ela odeia a verdadeira igreja e só podemos dizer que o ódio é recíproco. Nós não colocaríamos uma mão sobre seus sacerdotes. Nós não tocamos em um fio de cabelo de suas cabeças. Deixe-os livres, mas a doutrina deles destruiríamos da face da terra,  pois é doutrina dos demônios.

Você pode imaginar ouvi-lo pregando isso no tabernáculo em Londres. Ele prosseguiu, dizendo:

Devemos lutar as batalhas do Senhor contra esse erro gigante, qualquer que seja a forma que esse erro se apresente. E assim devemos fazer com cada erro que polui a igreja. Mate-o totalmente. Que nenhum erro escape. Lute as batalhas do Senhor, mesmo que seja um erro que está na igreja evangélica, ainda que tenhamos que golpeá-la.

Qual é a nossa resposta a esta questão atual? Uma trégua com Roma? Vamos trair os mártires? Vamos trair a história da nossa fé? Vamos trair aqueles que viveram e morreram para que nós obtivéssemos a verdade? Vamos trair os Tyndales, os Luteros e os Calvinos e todo o resto? Somos tão insensatos, somos tão cegos, somos tão ignorantes, somos tão infiéis, somos tão covardes que não lutaremos? A ignorância doutrinária da igreja evangélica é chocante e temo que essa ignorância seja tão grande quanto sua covardia.

É uma ilustração clássica da antiga estória “As Novas Roupas do Imperador” [do livro de Hans Christian Andersen, que conta a estória de um imperador, apaixonado por roupas e que gastava fortunas com elas, e que foi trapaceado por dois alfaiates que diziam ter feito uma roupa que só os inteligentes podiam enxergar. O rei pagou uma fortuna por essa roupa, que na verdade não existia. Assim, ele saía nu para toda a parte, acreditando estar vestindo algo que só pessoas brilhantes poderiam enxergar. E as pessoas, para não se passarem por burras, mentiam a ele dizendo enxergar a roupa. Mas, na verdade, ele estava nu o tempo todo]. O sistema católico espiritualmente está nu. Mas, todos fingem enxergar a sua glória.

E agora ouvimos as pessoas dizerem: “Bem, o catolicismo é apenas uma denominação diferente”. O catolicismo não é uma denominação diferente, é uma religião diferente. Eu não creio que todas as pessoas saibam a diferença entre uma denominação e uma religião. Roma mudou? Não. Roma se adapta. Roma é um camaleão. O que quer que seja necessário para que a Igreja Católica esteja em qualquer nação, a qualquer momento, será feito. O que for preciso. É assim que o diabo sempre opera. Ele se move, muda, para se transformar naquilo que conquiste as pessoas.

Mas, aqui está o evangelismo protestante abandonando a sã doutrina, envergonhando o nome de Cristo. E tudo isso em alto e bom som, para que o mundo inteiro possa ouvir. E o mundo assistiu aos eventos que se seguiram à morte do papa João Paulo II em um espetáculo inigualável de adoração dada a um homem.

A questão surgiu: o papa está no céu? E você ouve todas essas pessoas dizendo “sim, sim”. As pessoas me perguntaram: “O papa está no céu?” E minha resposta é: “O papa era católico?” Eu penso que ele era. Ele acreditava na teologia católica? Sim. Ele era o guardião da teologia católica, das doutrinas sobre conquistar a salvação através das obras, das doutrinas sobre  Maria, sobre penitência, batismo, confissão, rosário. Ora, este é outro evangelho! Este não é o verdadeiro evangelho!

Algumas semanas atrás, falamos sobre a natureza da fé salvadora e lembramos que a salvação é somente pela fé. Mas isso não é assim no catolicismo, em que a salvação é adquirida através de uma combinação de graça, fé e obras. Mas nós sabemos o que o Novo Testamento ensina. Romanos 3:20 diz: “Ninguém será declarado justo aos olhos de Deus observando a lei.” Romanos 3:26, que diz: “Deus justifica aqueles que têm fé em Jesus.” Fé apenas e somente em Cristo.

Romanos 3:28: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” Romanos 4:2-5:

 2 Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.
 3 Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
 4 Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida.
 5 Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.

Romanos 4:13-14, também diz que

Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada.”. Romanos 9: 30-32: “Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei; pois tropeçaram na pedra de tropeço.

Romanos 10: 4, diz: Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” Romanos 11: 5-6 diz: 

Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça. Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.

Gálatas 2:16:

Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.

Gálatas 3:10: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.“ Efésios 2: 8-9: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. Paulo, em Filipenses 3, dá seu testemunho. Ele diz: “não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé”, verso 9.

Tito 3:4-7, diz:

 4 Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens,
 5 Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,
 6 Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador;
 7 Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.

Você conhece todos esses versos. A salvação é somente pela fé, somente em Cristo, somente pela graça de Deus. Quando você coloca sua confiança em Jesus Cristo, Deus declara que você é justo. Não porque você seja, mas porque Ele imputa a justiça de Cristo a você, porque Deus imputa seu pecado a Cristo que, então, carrega seu pecado, você recebe a justiça Dele. Essa é a glória da grande doutrina da justificação. O catolicismo romano não acredita nisso. Do Concílio de Trento, 1545-1563, vieram algumas declarações. Ouça algumas delas:

Para aqueles que trabalham bem até o fim e confiam em Deus, a vida eterna deve ser oferecida.

Isso não combina com os trechos da Bíblia que acabei de ler. Ouça isso:

A vida eterna é concedida como uma recompensa prometida pelo próprio Deus para ser fielmente dada a eles por suas boas obras e méritos. Por essas mesmas obras, que foram feitas em Deus, eles satisfizeram plenamente a lei divina de acordo com o estado desta vida e verdadeiramente mereceram a vida eterna.

A vida eterna, no sistema católico, é algo que você ganha como recompensa por causa das suas obras. Você a merece e recebe por causa do seu mérito. Isso é uma contradição absoluta e total. Esse é outro evangelho. Existem centenas de cânones provenientes do Concílio de Trento. Compartilharei apenas mais alguns:

CANON IX: ‘Se alguém disse, que pela fé o ímpio é justificado; de tal modo como para dizer, que nada mais é obrigado a cooperar a fim de obter a graça da justificação, e que não é de forma alguma necessário, que ele esteja preparado e disposto pelo movimento de sua própria vontade; seja anátema.’

Essa é a condenação pronunciada sobre qualquer um que dissesse que a salvação é somente pela fé. Estes cânones foram dirigidos diretamente aos reformadores.

CANON XII: Se qualquer um disser que a fé justificadora é nada mais do que a confiança na divina misericórdia que perdoa pecados por amor de Cristo, ou que é a confiança por si só por que somos justificados, seja anátema.

E eles continuam dizendo isso novamente e novamente. Outro:

Canon XXIV: Se alguém disser que a justiça recebida não é preservada e também aumentada diante de Deus através de boas obras; mas que as referidas obras são meramente os frutos e sinais da justificação obtida, mas não a causa do aumento dos mesmos, seja anátema.

Os reformadores, como todos os crentes verdadeiros também, entenderam que a Bíblia declara que as boas obras são o resultado da justificação e não a sua causa. Mas, se você diz crer no que a Bíblia declara, você é considerado maldito pelo catolicismo romano e pelo Concílio de Trento. Aqui está o final:

Cânon XXXII – Se alguém disser que as boas ações do homem salvo são de tal modo dons de Deus, e que não são também bons méritos do próprio homem justo, ou que este salvo pelas boas obras que faz com a graça de Deus e méritos de Jesus Cristo, de quem é membro vivo, não merece na realidade aumento de graça, vida eterna e nem a obtenção da glória se morrer em graça, nem como o aumento da glória, seja excomungado.

Em outras palavras, a pessoa deve continuar fazendo mais obras, cada vez mais. Com isso, Deus aumenta a graça. A pessoa aumenta as obras e alcança uma taxa cada vez maior de santificação, que eles chamam de justificação, até que, finalmente, a pessoa obtém a vida eterna. E, se você não crê que conquista sua vida eterna através de suas obras, você é amaldiçoado.

O papa acredita nisso? Claro que sim! Por quê? Porque, na doutrina católica, a igreja é infalível. A teologia católica não pode ser alterada porque é infalível e o papa é o fiel guardião desse sistema. Nós devemos olhar com muita tristeza para a vida desse homem, porque ele ganha o mundo inteiro e perde sua alma. O homem mais amado e admirado pelos católicos no mundo não passa de um cego guiado pelo príncipe deste mundo. Nunca viu a luz do verdadeiro evangelho.

Eu sofro pelos muitos que são enganados pelo papa e sua religião. Dói meu coração ver tantas pessoas nesse sistema, que não conseguem discernir a verdade do erro, o cristianismo genuíno de sua falsificação. E meu coração realmente se rompe ao ouvir dos evangélicos protestantes que esse homem é um verdadeiro cristão, que conduz outros ao verdadeiro cristianismo.

A corrupção religiosa de Roma tem estado em exibição constante para todo o mundo ver. Literalmente, o seu esplendor é extraordinário. Muitas pessoas em longas filas, por horas, para virtualmente adorar o corpo do papa João Paulo II, um homem morto com um rosário na mão e um crucifixo torcido ao seu lado. Um homem disse na televisão, um bispo católico: “Nós oramos por ele antes e agora vamos orar a ele“. Uma repetição sem sentido de orações que são uma abominação a Deus. Vinte e seis anos o papa João Paulo II esteve nessa posição, mas nunca conheceu a verdade. E o clero de alto escalão, em suas vestes roxas e escarlates, está disfarçado de anjos de luz juntamente com ele.

A magnificência e grandeza desta religião corrupta, que se tornou tão rica à custa das pessoas, do empobrecimento das pessoas, enfeitiçou um mundo crédulo. Eles pregam outro evangelho. Como não podemos ver isso? E, como um homem pode ser chamado de “Santo Padre” e aceitar essa honra? Pois Jesus chamou Deus de “Santo Padre”, em João 17, em sua oração sacerdotal, quando disse para não chamarmos homem algum de nosso pai, nossa fonte de vida espiritual. Mas todos os membros do sacerdócio católico são chamados de pai [padre].

O papa é chamado de Santo Padre. Ele usurpou o título destinado a Deus. Ele é considerado como o chefe da igreja. Ele usurpou um título destinado a Cristo. Ele é chamado de “Vigário de Cristo”. Essa palavra “vigário” vem da  palavra “vicária”, ou seja “aquele que fica no lugar de Cristo”. O papa usurpou, assim, o lugar do Espírito Santo. Ele colocou-se no lugar de Deus, colocou-se no lugar de Cristo e colocou-se no lugar do Espírito Santo. Ou seja, ultrapassou todos os limites.

Eu me lembro de Lucas 16, onde há um homem rico vestido de púrpura e linho fino vivendo em esplendor todos os dias. Ele morre e ele se encontra no Hades, atormentado e implorando para as pessoas voltarem e avisar a seus parentes para terem cuidado de não pararem no mesmo lugar de tormento eterno. Eu penso que o papa esteja nessa situação. Mas, no que ele realmente acreditava? O que ele realmente disse, o papa João Paulo II? Sabemos que ele acreditava que a salvação não estava somente em Cristo.

Mas, deixe-me fazer a pergunta: o que ele cria a respeito de Maria? Após a morte de sua mãe, quando ele tinha oito anos de idade, Karol Józef Wojtyła – que é o nome de nascimento de João Paulo II – desenvolveu uma intensa devoção a Maria. Quando se tornou papa, em 1978, ele dedicou formalmente a si mesmo e todo o seu pontificado a Maria. Ele viajou fazendo visitas a numerosos santuários marianos ao redor do mundo para poder venerá-la da maneira que a teologia católica diz que deve ser, ou seja, uma veneração maior do que a que eles fazem aos anjos.

Um exemplo de sua preocupação e devoção a Maria foi ele ter motivado milhares, senão milhões, dos católicos romanos a fazerem de Maria o foco principal de suas vidas, o foco principal de suas orações. Ele tinha uma crista papal que foi desenvolvida e um simples brasão que no meio tinha um enorme “M” de Maria. Quando ele morreu, seu caixão foi decorado com um grande “M”. Seu slogan pessoal, que era bordado em todas as suas vestes papais em latim, era “Totus tuus ego sum”, que quer dizer: “Maria, eu sou totalmente seu”.

Aliás, essas são as palavras de abertura em seu testamento: “Eu coloco esse momento [o momento de sua morte] nas mãos da mãe do meu mestre, totus tuus. Nas mesmas mãos eternas deixo tudo e a todos a quem tenho estado ligado pela minha vida e vocação. Nestas mãos deixo, acima de tudo, a igreja e também a minha nação e toda a humanidade”. Ele colocou sua própria vida, a igreja e o mundo inteiro nas mãos de Maria. Isso é ridículo!

Ele também disse: “Cada um de nós tem que ter em mente a perspectiva da morte. Eu também levo isso em consideração constantemente e confio esse momento decisivo à mãe de Cristo e da igreja; à mãe da minha esperança”. Isso é paganismo! Isso daria nojo a Maria, se ela pudesse tomar conhecimento de tais declarações. E ela não pode. Ela nunca ouviu uma oração de ninguém. Nem ela, nem qualquer outro santo católico.

Em notas incluídas em seu testamento, João Paulo II citou as palavras de um ex-cardeal polonês: “A vitória, quando vier, será uma vitória através de Maria”. E se você examinar de perto a pregação deste homem, poderá ver essa intensa devoção a Maria em uma mensagem para a audiência geral em maio de 1997, em que João Paulo II disse, e cito: “A história da piedade cristã ensina que Maria é o caminho que leva a Cristo”.

Quando João Paulo II sofreu uma tentativa de assassinato frustrada, creio que em 1981, ele creditou a Maria o livramento de sua vida. Nos aniversários dessa tentativa de assassinato, em 1992 e 1994, ele fez uma peregrinação especial ao santuário de Nossa Senhora de Fátima para oferecer preces cerimoniais de agradecimento a Maria.

João Paulo II escreveu um livro, “A Virgem Maria”. O anúncio dentro do livro diz que ele foi escrito para pessoas “que buscam um relacionamento mais profundo com Jesus e sua mãe”. O livro lista todos os títulos que o papa João Paulo II atribuiu a Maria: Portão do Céu, Medianeira de todas as graças, Espelho Perfeição, Mãe da Igreja, Mãe da Misericórdia, Pilar das Fés, Semente da Sabedoria.

Deixe-me citar alguns trechos do livro: “Maria compartilha nossa condição humana, mas em total abertura à graça de Deus. Não tendo conhecido o pecado, ela é capaz de ter compaixão de todo tipo de fraqueza”. Não tendo conhecido o pecado? Por que, então, em seu cântico ela chamou Deus de “meu salvador”?. 

O livro também diz: “Ela compreende o homem pecador e o ama com o amor de uma mãe. Precisamente por essa razão, ela está do lado da verdade e compartilha o fardo da igreja ao lembrar sempre e a todos as exigências da moralidade”.

Ele ainda diz: “Em favor de todo cristão, de todo ser humano, Maria é quem primeiro creu em Cristo. Precisamente com sua fé, como esposa e mãe, ela deseja atuar sobre todos aqueles que se lançam em confiança nela como seus filhos. E é bem sabido que quanto mais seus filhos perseveram e progridem nesta atitude, essa proximidade de Maria os leva às insondáveis ​​riquezas de Cristo”.

Novamente, aqui está toda essa vida de esforço pessoal e o homem tentando chegar a Cristo, mas não consegue, porque segundo o catolicismo, é difícil chegar a Cristo, pois Ele é aquele sujeito durão, mas nem Ele pode resistir a sua mãe… então, você vai a Maria, ela intercede em seu favor, e só aí Jesus te salva… É isso aí.

O livro de João Paulo II diz ainda:

De acordo com a crença formulada nos documentos do salmo da igreja, a glória da graça referida em Efésios 1: 6 é manifestada na mãe de Deus, ao fato de que ela foi redimida de uma maneira mais sublime. À medida que os cristãos levantam seus olhos com fé para Maria no decorrer de sua peregrinação, eles se esforçam para aumentar a santidade. Maria, a exaltada filha de Sião, ajuda todos os seus filhos onde quer que eles estejam, e seja qual for sua condição, para encontrarem em Cristo o caminho para a casa do Pai.

Ou seja, para o papa, a casa do Pai é muito difícil de encontrar. Cristo conhece o caminho, mas você não consegue chamar a atenção de Cristo… então, você deve ir até à mãe dele e Ele não pode resistir a ela. E é assim que todo o negócio funciona. Dá para acreditar nisso?

Ele diz ainda: “Ninguém mais pode nos levar, como Maria, à dimensão divina e humana do mistério do evangelho”. Deixe-me parar aqui e dizer que Maria não tem nada a ver com a salvação de ninguém. Esse papa escreveu: “Podemos nos voltar para a virgem abençoada, implorando com confiança a sua ajuda na consciência do papel singular que lhe foi confiado por Deus, o papel de cooperadora na redenção, que ela exerceu ao longo de sua vida e de maneira especial no pé da cruz”.

Este novo papa, Bento XVI, Ratzinger é seu nome de nascimento, em sua primeira declaração como Papa disse: “Eu coloco a igreja e eu mesmo nas mãos de Maria”. Ambos fazem Maria responsável por tudo. Se você for a igrejas católicas ao redor do mundo – eu estive em muitas em vários lugares – você verá as pinturas ou a decoração e no topo está sempre Maria. Raramente Cristo, ou seja, a imagem que eles têm de Cristo. Mas, quase sempre, Maria.

E quanto à questão da salvação? Como o papa João Paulo II viu a salvação, sendo católico informado acerca da doutrina católica? Bem, ele era um universalista modificado. Ele parou de dizer claramente que acreditava que todos no mundo acabariam por estar no céu, mas ele usou a expressão salvação universal centenas de vezes em seus escritos. E ele muitas vezes expressou incerteza sobre se algum ser humano iria para o inferno.

Em uma mensagem, para a audiência geral em julho de 1999, João Paulo II disse: “Essas imagens do inferno que as Escrituras sagradas nos apresentam devem ser corretamente interpretadas. Elas mostram a completa frustração e o vazio da vida sem Deus”. Então, ele transporta o conceito de inferno para a realidade que a pessoa está vivendo agora e diz que o inferno é apenas uma maneira de descrever sua vida agora sem Deus.

Ele ainda acrescentou em seu discurso: “ao invés de um lugar, o inferno indica o estado daqueles que livremente e definitivamente se separam de Deus, que é a fonte de toda a vida e alegria”.  Então, para o catolicismo, o inferno é  a vida do homem agora, sem Deus.

Ele ainda disse em seu discurso: “A condenação eterna continua a ser uma possibilidade real. Mas não nos é concedido, sem revelação divina especial, o conhecimento de se ou quais seres humanos estão efetivamente envolvidos nela.” Ou seja, ele está dizendo que não temos ideia de quem vai para lá… é uma possibilidade, mas não temos ideia de quem vai parar no inferno. E então, ele disse: “O pensamento do inferno não deve criar ansiedade ou desespero.” Bem, que tipo de declaração é essa? E você sabe que o diabo está totalmente interessado em minimizar o inferno, não é?

Em sua encíclica intitulada Redemptoris Mater, o Papa João Paulo II disse: “O eterno desígnio de Deus o Pai, seu plano de salvação do homem em Cristo, é um plano universal. Assim como todos estão incluídos na obra criadora de Deus no começo, todos estão eternamente incluídos no plano divino de salvação”. Isso soa como universalismo.

Em uma mensagem de 1995, ele disse:

Cristo ganhou a salvação universal com o dom de sua própria vida. Para aqueles que não receberam a proclamação do evangelho [i.é., aqueles que nunca ouviram o evangelho], como escrevi na encíclica Repemptoris Missio, a salvação é acessível de maneira misteriosa, na medida em que a graça divina é concedida a eles em virtude do sacrifício redentor de Cristo, sem participação externa na igreja. É um relacionamento misterioso. É misterioso para aqueles que recebem a graça, porque eles não conhecem a igreja e às vezes até mesmo a rejeitam.

Ah, então alguém nunca ouviu o evangelho mas, de alguma maneira misteriosa, estaria salvo… o pior é que há evangélicos que escreveram livros e disseram exatamente a mesma coisa. O Papa escreveu: “Os seguidores de outras religiões podem receber a graça de Deus e ser salvos por Cristo sem os meios comuns que ele estabeleceu”. Do mesmo documento sobre a Redemptoris Missio, ele diz: “A redenção traz salvação a todos”. E ainda:

O Espírito Santo oferece a todos a possibilidade de compartilhar o mistério pascal de uma maneira conhecida apenas por Deus. A salvação sempre permanece um dom do Espírito Santo. Requer a cooperação do homem tanto para salvar a si mesmo como para salvar outros.

Então, em resumo, o catolicismo é isto: salvação pelas obras, em que você coopera com Deus, mas não necessariamente conhecendo o evangelho ou conhecendo a respeito de Cristo.

Por isso, o papa nega a exclusividade da salvação através de Cristo, afirmando um tipo universal de salvação pelo qual as pessoas podem chegar até ela fazendo o bem de qualquer maneira que saibam fazer o bem. E ele ainda diz – e é simplesmente inacreditável: “A universalidade da salvação significa que ela é concedida não apenas àqueles que explicitamente crêem em Cristo”.

O que o catolicismo ensina, então, é que já que a salvação é oferecida a todos, ela deve ser concretamente acessível a todos. Porém,  é claro que hoje, como no passado, muitas pessoas não têm a oportunidade de conhecer ou aceitar a revelação do evangelho. Segundo a doutrina católica, como Cristo morreu por todos e como o chamado de Deus é universal, somos compelidos a saber que o Espírito Santo oferece a todos a possibilidade de compartilhar este mistério pascal de uma maneira conhecida unicamente por Deus.

Um dos livros mais conhecidos de João Paulo II é ‘Cruzando o Limiar da Esperança’, um manifesto agressivo e ecumênico. Ele escreveu o seguinte: “Os muçulmanos adoram o único Deus verdadeiro. O hinduísmo é outro meio de se refugiar no único Deus verdadeiro. Os budistas têm a ajuda de Deus para alcançar a verdadeira iluminação”. Ele afirma que há muito do que é sagrado e verdadeiro em todas as falsas religiões e que até mesmo o animismo pode preparar o coração de uma pessoa para receber a verdade de Cristo.

Basicamente, João Paulo II pregava que Deus ajuda cada homem a criar sua própria salvação pessoal, fazendo o bem, e que o Espírito Santo, opera em todas as religiões. Esta é a mensagem que todos gostariam de ouvir, certo? Fique onde você está e faça o seu melhor! Você diz: como ele conseguiu fundamentar essas doutrinas nas Escrituras? Bem, suas doutrinas não vieram das Escrituras. Se você quer saber no que ele acreditava sobre as Escrituras, vou te mostrar um pouco disso.

João Paulo II, como todos os católicos romanos desde o Concílio de Trento, nega categoricamente que a Escritura é autoridade suprema em todos os assuntos de fé, conduta e doutrina. Nas palavras do Vaticano II, “a Igreja Católica Romana não tira sua certeza sobre toda a verdade revelada somente das Escrituras sagradas, mas tanto a Escritura como a tradição devem ser aceitas e honradas com sentimentos iguais de devoção e reverência”.

Ou seja, você nega o que a Escritura diz, você distorce e perverte o que a Escritura diz, e você inventa outra religião baseada na tradição. A Igreja Católica diz que tradição é igual a Escritura. E a Igreja Católica é quem determina o que seja tradição. São os papas que determinam o verdadeiro significado das Escrituras e somente eles sabem o verdadeiro significado das Escrituras e o significado que eles determinam como sendo o verdadeiro significado é infalível.

Então, você tem um homem que afirma ser o chefe da igreja, o ‘Vigário de Cristo’. Ele arroga para si uma autoridade que pertence somente a Deus. Ele se sente livre para interpretar as Escrituras da maneira que quiser e ele é considerado infalível. E, para que tudo isso funcione, é claro, ele abandona o sentido claro da Escritura que ensina que somente Cristo é o caminho para a salvação somente pela fé.

3. A HERESIA DO PAPADO

Bem, falamos o suficiente sobre o papa. Deixe-me concluir, olhando para o próprio papado, porque o papa é o representante disso. É certo que João Paulo II não foi imoral quanto alguns papas foram. Ele foi uma alma mais nobre, humanamente falando, do que muitos. Deixe-me apenas falar sobre o que o papado afirma por si mesmo. Eu tenho uma fonte para isso, Os Fundamentos do Dogma Católico, de Ludwig Ott, escrito em 1952 e traduzido para o inglês em 1955. Tem sido um ponto básico em minha própria compreensão da teologia católica por anos.

Aqui estão as afirmações do dogma católico: “O papa possui poder total e supremo de jurisdição sobre toda a igreja, não meramente em assuntos de fé e moral, mas também na disciplina da igreja e no governo da igreja”. O Concílio Vaticano declarou, interpretando esse dogma:

Se alguém disser que o pontífice romano tem o ofício meramente de inspeção e direção e não um poder pleno e supremo de jurisdição sobre a igreja universal, não somente nas coisas que pertencem à fé e moral, mas também naquelas que se relacionam com a disciplina e governo da igreja espalhada pelo mundo, ou afirma que ele possui apenas a parte principal e não a plenitude deste poder supremo, ou que este poder que ele desfruta não é comum e imediato, tanto sobre cada uma e todas as igrejas e sobre cada um e todos os bispos e fiéis, seja anátema.

Ou seja, você questiona a autoridade do papa em qualquer sentido e você é amaldiçoado, excomungado. É um pecado mortal. Ele é inatacável. A declaração prossegue dizendo que um verdadeiro poder, um poder universal, um poder supremo e um poder pleno são possuídos por qualquer papa capacitando-o a “governar independentemente sobre qualquer assunto sem o consentimento de ninguém, ele mesmo não é julgado por ninguém porque não há juiz mais elevado na terra do que ele”. Ou seja, o papa é o rei da terra.

É por isso que o Vaticano é sua própria nação, porque ele não pode se submeter a nenhum monarca. Ele é o rei do mundo. O dogma católico diz que o papa é infalível quando fala “ex cathedra”, ou seja, quando ele fala do seu lugar, quando ele fala como papa ele é infalível. O dogma católico diz: “Deus no céu confirmará o julgamento do papa em sua capacidade como supremo doutor da fé, ele é preservado do erro“. A propósito, a infalibilidade papal foi votada somente em 1870. Isso foi bem conveniente. A votação foi  dividida. Interessante… Eles tiveram que votar várias vezes para finalmente conseguir aprovar o dogma da infalibilidade papal e o resultado das votações nunca foi unânime.

João Paulo II pediu desculpas pelos fracassos históricos dos católicos, de uma forma muito vaga, porque quando ele foi confrontado com algumas das questões do passado, algumas das coisas embaraçosas, como a conversão forçada, o anti-semitismo e algumas das coisas horríveis que foram feitas pela igreja católica ao longo da História, ele se desculpou de uma maneira vaga. E você tem que entender isso. Como alguém pode se desculpar, se é considerado infalível? Como uma igreja infalível pode pedir desculpas?

A propósito, a doutrina católica não ensina que a igreja é composta pelos milhões de católicos espalhados pelo mundo. Os católicos são identificados como leigos. A igreja não consiste nos leigos. Os leigos são os filhos e filhas da igreja, mas a igreja católica é a cúria romana, a corte papal dos cardeais, bispos e padres. E quando João Paulo pede desculpas pelos fracassos dos católicos, ele não está se referindo à igreja infalível que consiste no papado e na cúria. “Eles não são culpados, pois devem sempre ser mantidos como imaculados”.

Os pecados, então,  foram cometidos pelos filhos e filhas da igreja que compõem os leigos. Isso é absolutamente ridículo, dada a conhecida perversão sexual do sacerdócio católico, que até mesmo Bento XVI tentou varrer para debaixo do tapete com um comentário tolo sobre a porcentagem de padres pervertidos – ele não usaria essa palavra -, mas sua declaração foi no sentido de que a porcentagem de padres pedófilos não é diferente do percentual de pedófilos na população normal. Tudo isso é varrido para baixo do tapete, tão rápido quanto possível, em um esforço para proteger a ilusão da santidade.

Realmente é difícil dizer se a alegação de infalibilidade é mais ridícula ou mais perversa, porque atribui ao homem o que pertence somente a Deus. Mas é ridícula, porque a História é testemunha de que os papas sempre erraram tanto, bem como todo o sistema católico. Pode-se concluir, então, que eles são infalíveis quando se trata de estar errado.

Deixe-me apenas concluir com três pensamentos:

3.1. O papado é antibíblico.

Não há um pequeno fragmento de evidência nas Escrituras para respaldar o papado, nem há evidências de cardeais, bispos, padres e freiras na Palavra. É tudo uma invenção de homens e demônios para criar uma ilusão de espiritualidade e uma ilusão de que existem pessoas transcendentes. Tudo foi desenvolvido por pessoas más que satanicamente criaram uma religião falsa que seria inimiga da verdade. Isso tudo é por causa do poder, do prestígio e do dinheiro.

Eles tentam encaixar o papado na Bíblia? Sim. Escute isso. Novamente, esta é a  teologia de Ludwig Ott, Os Fundamentos do Dogma Romano: “Cristo nomeou o apóstolo Pedro para ser o primeiro de todos os apóstolos e para ser a cabeça visível de toda a igreja, nomeando-o imediatamente e pessoalmente para o primado da jurisdição.” O que eles fazem é afirmar que Pedro foi o primeiro papa nomeado por Cristo.

Diz o Concílio Vaticano, e somente em 1823: “Se alguém disser que ele, o abençoado apóstolo Pedro, não foi constituído por Cristo, nosso Senhor, príncipe de todos os apóstolos e cabeça visível da igreja militante, ou que Pedro diretamente e imediatamente recebeu de nosso Senhor Jesus Cristo a primazia da honra somente e não da jurisdição verdadeira e apropriada, seja anátema”. Se você nega o papado de Pedro, você é amaldiçoado. Você está excomungado. Então, se você disser que o papa não é o sucessor de Pedro, você também é amaldiçoado, diz Ott.

Aqui está outro teste de fidelidade bíblica em que o sistema católico romano falha completamente. Nenhum estudante do Novo Testamento negaria que Pedro fosse importante. Ele é importante. Um importante apóstolo, líder, porta-voz dos Doze, aparece no topo de todas as quatro listas dos Doze no Novo Testamento. Mas, isso não me leva a chamá-lo de Santo Padre ou Santo de Nada. Ele foi um homem falível como os demais. Ele pode ter estado em Roma. Ele pode ter morrido em Roma, mas não há provas. Eles dizem que ele foi para Roma, foi o pastor de uma igreja em Roma, morreu em Roma, foi enterrado em Roma. A Igreja de São Pedro supõe-se ser construída onde ele foi enterrado. Não há provas disso.

Mas, uma coisa é certa: o apóstolo Pedro nunca pastoreou uma igreja em Roma, se é que ele esteve mesmo lá. Como eu sei disso? Bem, Paulo escreveu Romanos no ano 56 e não fez referência a Pedro. Se Pedro estava em Roma, já havia uma igreja lá. Se Pedro era o pastor da igreja em Roma, por que ele não se refere a Pedro? Paulo cumprimenta um monte de pessoas no capítulo 16 de Romanos. Seria um erro muito sério ele ignorar Pedro.

Quando Paulo mais tarde foi preso em Roma, nos anos 60-62, ele escreveu quatro cartas e incluiu nessas cartas todos os que vieram a ele. Nunca menciona Pedro. Em sua última carta, 2 Timóteo, escrita por volta do ano 64, ele faz saudação a dez pessoas em Roma. Mas, não menciona Pedro. Em Gálatas 2:7-8, assim disse Paulo: “Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios)”.

Pedro nunca foi chamado para pastorear uma congregação gentia, para levar o evangelho aos gentios. Nunca. Gálatas, capítulo 2, fala sobre isso, nos versículos 11 a 14, mostrando que quando Pedro veio a Antioquia, Paulo teve que se opor a ele em sua face, porque Pedro era repreensível por causa de seu terrível comportamento:

11 E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.
12 Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.
13 E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.
14 Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?.

Você pode pensar que pelo menos Pedro seria o chefe da igreja de Jerusalém, mas ele não foi. De acordo com Gálatas, capítulo 2, e Atos, capítulo 15, o chefe da igreja de Jerusalém era Tiago. Era Tiago, não Pedro. Não há qualquer indicação de que Pedro tenha algo a ver com a cidade de Roma.

Em 1 Coríntios 1, o apóstolo Paulo se dirige às facções da igreja de Corinto. Ele diz, verso 12: “Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.” Ele não destaca Pedro e nem a si mesmo. De fato, Paulo deixa bem claro que nenhuma dessas pessoas mencionadas no verso 12 é particularmente significativa. Eles não são os que merecem o crédito pela obra de Deus.

Vá para o capítulo 3, da mesma Carta, versos 5 e 6: “Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.” É uma maneira muito discreta de tratar os líderes que passaram por aquela igreja. Ele não dá nenhum destaque especial a ninguém.

Além disso, Paulo foi a Roma para pregar e, em Romanos 15:20, ele diz: “desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio”. Se Pedro estivesse lá e tivesse plantado uma igreja, então o que Paulo está declarando nesse verso não seria verdade. Ele não foi onde outra pessoa tinha estado. Se Pedro fosse o bispo de Roma, como alega a tradição católica, por que Paulo iria querer ir lá e fortalecer e estabelecer essa igreja?

Vamos ouvir o próprio Pedro. Em 1 Pedro 1, ele se apresenta dessa forma: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo”. Isso é tudo, um apóstolo de Jesus Cristo. Ele se apresenta como nada mais que isso, não o apóstolo, não o cabeça da igreja. Em 1 Pedro 5:1, Pedro diz “Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar”. Ele não se apresenta como um líder sobre aqueles homens. Ele está dizendo: “Eu sou apenas um de vocês. Eu sou apenas um participante da glória a ser revelada”.

E continua, no verso 2: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto”. Ele está ensinando como um pastor deve tratar o rebanho de Deus. Deve exercer o seu ministério não como tendo sido  arrastado à força para isso, mas voluntariamente, de acordo com a vontade de Deus. Não por dinheiro, mas com entusiasmo. E aqui vem, versículo 3:  “Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”.

Gente, isso é um golpe direto no papado. Pedro está dizendo, em outras palavras, “Somos apenas colegas; anciãos. Nunca dominem a igreja!”. O próprio Pedro, na verdade, ensinou contra o sacerdócio, que, claro, o papado é o nível mais alto. Em 1 Pedro 2: 5, ele diz: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” Isso é o que conhecemos como o sacerdócio dos crentes.

No versículo 9, Pedro diz:  “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Não existe um  sacerdócio especial, mas o sacerdócio dos crentes. A propósito, Pedro desaparece completamente da narrativa neo-testamentária  após Atos 15. Completamente. Mas, apesar de tudo isso, a Igreja Católica Romana afirma que Pedro foi o primeiro papa, o líder de toda a igreja e o autor da sucessão papal.

De onde eles tiram isso? De três passagens completamente deturpadas. A primeira é Mateus 16:18, e esta você conhece bem. Jesus disse: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Aqui se trata de um jogo de palavras, no idioma original. Ele não está dizendo que “você é Pedro e sobre você construirei a minha igreja”. Jesus está dizendo:  “Você é petros”, que significa “pequena pedra”. Mas, “sobre esta petra”, que significa “leito rochoso, uma fundação”, eu construirei minha igreja.

De que leito rochoso ou fundamento o Senhor está falando? O próprio Cristo. Simão Pedro disse, no versículo 16: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo”. E Jesus responde, trazendo em miúdos o jogo de palavras: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque a carne e o sangue não revelaram isto a ti. Meu pai que está no céu te revelou. E eu digo que você é uma pequena pedra (petrus), mas é sobre esse leito rochoso (petra), que é a revelação de quem Eu sou, é sobre essa revelação que eu vou construir minha igreja”. Como isso pode ser pervertido? A linguagem é clara!

Verso 19 – e o catolicismo gosta muito deste – “E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Uau! Isso dá autoridade. Pedro começaria a abrir e fechar. Ora, quem controla a porta está no comando. Você decide quem entra e quem sai. Jesus está dizendo isso para Pedro? Sim, porque foi verdade quanto a Pedro, mas Jesus não limitou essa autoridade apenas a Pedro. Se você olhar para o capítulo 18, onde o Senhor trata da disciplina, Ele diz nos versículos 15 a 18:

15 Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão;
16 Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada.
17 E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.
18 Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

Pedro não recebeu qualquer autoridade que todo crente não tenha recebido também. Então, o que  essa autoridade significa? É a autoridade para dizer a alguém que seus pecados são perdoados ou seus pecados não são perdoados. Com base no que? Baseado em se a pessoa creu ou não no evangelho, se ela se arrependeu. Você tem o direito de dizer a alguém que pode entrar no reino pela forma como esse alguém responde ao evangelho.

Você pode dizer a alguém que ele está livre de seus pecados, porque depositou sua confiança em Cristo. Você pode dizer a alguém que ele continua preso ao seu pecado, porque recusa a Cristo. Você pode dizer isso tão bem quanto eu posso dizer, Pedro pode dizer, qualquer um pode dizer isso. Nós temos essa autoridade baseada em como as pessoas respondem.

O papa está errado em dizer que não sabemos o mistério de quem vai estar no céu e quem vai estar no inferno. Sim, nós sabemos. Nós temos a autoridade para dizer que você está dentro do reino e você está do lado de fora. Você está perdoado ou que você não está. Tudo isso baseado na reação do pecador quanto a Cristo.

Eles também usam uma segunda passagem, Lucas 22:31-32, em que Jesus diz: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos.” Eles dizem que isso é uma espécie de declaração da primazia papal de Pedro. Mas, o texto está tratando de outro assunto completamente diferente. Jesus aí está entregando Pedro a Satanás e dizendo a ele que embora sua fé não vai falhar totalmente, Pedro irá negá-lo “antes que o galo cante“, ele diz no verso 34.

Mas, o Senhor garante a Pedro que ele será restaurado. E que após isso ele deve fortalecer seus irmãos. Então, a igreja católica pega esse texto e  diz que ele está tratando da grande comissão de Pedro para ser o supremo fortalecedor, o papa. É ridícula essa interpretação desse texto.

Outro trecho das Escrituras que eles usam é João 21.  A propósito, sempre tenha em mente que a doutrina católica não precisa necessariamente se basear nas Escrituras. O sistema católico até pode usar as Escrituras para respaldar seu ensino, mas não precisa usar, porque pode simplesmente inventar doutrinas sem qualquer respaldo bíblico. No versículo 15, de João 21, Jesus termina o café da manhã e diz a Pedro: “Você me ama?”. Ao que Pedro responde: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” E aí Jesus diz a Pedro: “Cuide das minhas ovelhas.” E Jesus repete essas palavras por três vezes.

Aí vem a igreja católica e diz que foi exatamente nessa ocasião que Pedro foi feito o supremo pastor. Mas, não foi. Em 1 Pedro 5, que lemos agora a pouco, o próprio Pedro disse que não era nada além de um companheiro mais velho dos outros pastores, debaixo da autoridade de Cristo, o Sumo Pastor. Mas, os católicos dizem que de Pedro há uma cadeia ininterrupta de sucessão papal. Isso é um absurdo.

A primeira vez que uma pessoa foi realmente reconhecida como Papa católico foi somente no século VI. Mas, para a igreja católica manter sua falsa doutrina de que Pedro foi o primeiro papa e que depois dele houve uma cadeia sucessória de papas, ela teve que voltar no tempo e escolher pessoas que pudessem preencher as lacunas entre Pedro até o primeiro papa de fato nomeado somente no século VI. Ou seja, por seis séculos a igreja não teve papas nomeados.

Eu gostaria de ter tempo para lhes falar sobre a história do papado. É uma história feia. Basta lembrar que ninguém era realmente um papa oficial até séc VI. Antes disso, havia na igreja institucional elementos poderosos em Roma e Constantinopla e outros lugares. Esses homens travaram uma batalha pelo poder. O bispo de Roma, porque Roma era significativa, queria ser o cabeça de tudo e finalmente conseguiu seu desejo depois de uma longa e infeliz história.

Mas, houve períodos de tempo em que não havia nenhum bispo em Roma, como nos anos 304-348, 638-640, 1085-1086, 1241-1243, 1267-1271, 1292-1294, 1314-1316 e 1415-1417. O argumento que estou defendendo com essas informações é que não há como se falar em sucessão papal aqui. Certamente não houve também uma sucessão papal por determinação divina. O papado foi comprado, vendido e trocado ao longo da História. Foi inventado, foi reinventado. Em alguns momentos, houve até três homens que se chamavam papas ao mesmo tempo, lutando pelo poder.

Por exemplo, Alexandre VI comprou o seu papado. Ele comprou os votos suficientes e conseguiu a maioria votando em si mesmo. Em seus dias, o Vaticano era o cenário, dizem historiadores, de orgias frequentes, como o banquete de castanhas frequentado por cinquenta ou mais prostitutas que se contorciam e rastejavam nuas em meio a velas acesas para apanhar castanhas espalhadas pelo chão e depois entretinham os convidados em sua indulgência carnal. Um historiador diz: “Com Alexandre VI, o papado se manifestou com toda a força de sua emancipação da moralidade”.

A corrupção na história do papado é impressionante, absolutamente surpreendente. O papado foi comprado e vendido, disputado. Assassinatos ocorreram nessa disputa pelo poder. Sem contar que a igreja católica apresenta listas conflitantes de papas com nomes diferentes e números diferentes. Se não fosse um assunto tão lamentável, seria uma piada. Até Gregório, o Grande, que exerceu o papado entre 590-604, nunca havia sido nomeado um papa. A igreja católica criou a estória de que supostamente houve uma sucessão de papas a partir de Pedro. Documentos falsificados foram produzidos com a intenção de provar isso.

A verdade é que nunca houve essa sucessão apostólica a partir de Pedro. A alegação que a igreja católica faz sobre isso é ridícula, absolutamente ridícula. O que houve foi uma grande batalha pelo poder. Uma vez que esse poder se centralizou no bispo de Roma e ele se tornou o papa, ele queria afirmar e ampliar seu poder criando a ideia de sucessão papal. Daí, a igreja católica teve que criar uma lista de papas até chegar em Pedro, já que o primeiro papa católico só veio surgir no século VI.  O papado é antibíblico. 

3.2. O papado é profano.

Basta você ler a história do papado. É horrível mesmo. Terrivelmente pecaminoso. Mas, a despeito da história, a Nova Enciclopédia Católica, afirma que tanto o papa como aqueles que o elegem devem ser caracterizados pela “excepcional e habitual vida de bondade, especialmente a perfeita castidade”. Ou seja, o papa é perfeito e deve ser escolhido por homens perfeitos. Isso é impossível, obviamente.

O papado é o maior engodo produzido no mundo. A maior farsa de todas. Papas que foram fornicadores, subornados e assassinos, além de alguns que foram bons homens no sentido humano, pontuam a paisagem desta história e tornam impossível ver nela a obra de Deus ou qualquer sucessão apostólica.

3.3. O papado é idólatra.

O papa tem o direito de pronunciar sentença de deposição contra qualquer soberano do planeta, dizem as regras do papado. Isso significa que o papa é o rei do mundo. Ele pode depor qualquer rei. A Enciclopédia Católica diz: “Nós declaramos, nós dizemos, definimos, nós prometemos que todo ser deveria estar sujeito ao Romano Pontífice”. O papa é o juiz supremo, mas ao mesmo tempo não pode estar debaixo de qualquer obrigação verdadeira.

Ele está acima de toda lei, ele está acima de todos os reis. Na consagração dos bispos católicos romanos, há um juramento de fidelidade ao papa. Sempre que um bispo é consagrado, é pronunciado um juramento de lealdade. Aqui está o que diz o juramento: “Com todo o meu poder eu vou perseguir e fazer guerra contra todos os hereges, cismáticos e aqueles que se rebelam contra o nosso Senhor Papa e todos os seus sucessores, então me ajude Deus e esses santos evangelhos de Deus.

Fazer guerra a quem se rebele contra o papa… onde está a humildade nisso? O romanismo é um sistema gigantesco de adoração à igreja, adoração sacramental, adoração à Maria, adoração aos santos, a imagens, a relíquias, adoração a sacerdotes e adoração a papas. J.C. Ryle estava certo quando disse que é uma idolatria enorme e organizada. Um homem usando uma coroa de ouro triplo enfeitada com jóias no valor de milhões? Um traje de cardeal que custa dezenas de milhares de dólares?

Pedro disse: “Tenho prata e ouro?”. Não, nenhum desses. Paulo disse: “Eu não cobicei ouro de ninguém, prata de homem algum, roupas de homem nenhum”. O papa está cercado por uma exibição deslumbrante de excesso de indulgência arrogante. Seu papel nada mais é do que um ator num teatro para dar a ilusão de que Deus faz parte desse sistema, a ilusão da transcendência, a ilusão da espiritualidade. É uma exibição pomposa de riqueza. É uma indulgência luxuosa em prédios ridículos com vestes ridículas, coroas e tronos para cobrir e mascarar um sistema pecaminoso, como os túmulos caiados a que Jesus se referiu.

Nunca houve uma coroação papal antes do século X e agora o mundo ficou frenético em torno disso, como se essa fosse uma religião verdadeira [John MacArthur está se referindo ao frenesi em torno da escolha do novo papa após a morte de João Paulo II]. Eu disse isso há algumas semanas atrás. O papa está em violação direta de tudo nas Escrituras e se coloca como a maior pessoa da Terra.

Mas, então amigos, seria possível imaginar que o anticristo final possa ser um papa. Colossenses 1:18 fala acerca de Jesus Cristo: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência”. Quem ocupa o primeiro lugar em tudo? Cristo. Ah, mas o catolicismo tem um sistema inteligente para preservar o erro, perpetuar o erro, tornar a heresia infalível e o arqui-herege inatacável, irreformável e absolutamente cheio de autoridade.

É possível que o anticristo final possa ser um papa, porque o anticristo final será um líder mundial dominante [John MacArthur diz que “é possível”, ele não está afirmando que o anticristo será um papa]. Ele não estará sujeito a nenhum outro líder mundial. Ele fará uma imitação de Cristo, um anticristo, um pseudo cristo. Ele terá poder internacional. Ele será um gentio. E seu sistema parece, no capítulo 17 do livro de Apocalipse, ser encabeçado em Roma. Se o papa pode enganar os evangélicos, parece-me que o anticristo não terá muita dificuldade em fazer o mesmo com o mundo.


Esta é  uma série de sermões de John MacArthur sobre Heresias do Catolicismo Romano, conforme links abaixo.


Este texto é uma síntese do sermão “The Scandal of the Catholic Priesthood”, de John MacArthur em 01/05/2005.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-291

Tradução e síntese feitos pelo Site Rei Eterno


 

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