Como Vencer a Hipocrisia

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A integridade de um homem somente é possível quando ele está consciente dos perigos da hipocrisia. Há muitas aparentes manifestações de humildade que apenas denunciam a ausência da humildade. A hipocrisia é algo que aborrece profundamente a Deus.

Uma moralidade ou uma ética corrompida pela hipocrisia é nada mais que uma farsa, um tipo de jogo sinistro em que muitas pessoas têm se tornado mestres. Infelizmente é também uma realidade no meio da igreja.

Um hipócrita era um tipo de ator nas peças gregas antigas. Eles usavam máscaras e durante as apresentações fingiam ser outras pessoas. E o que eles faziam no palco era uma “hipocrisia”, termo que vem de uma palavra grega que significa “fingimento”. A palavra hipócrita incluía qualquer um que pretendesse ser o que não era.

Jesus censurou os escribas e fariseus com duras palavras. Eles eram hipócritas, e a falsificação e perversão da verdade de Deus por eles geraram algumas das denúncias mais contundentes da parte do Senhor. Em Mateus 23:27 Ele disse:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.

Mas eles não foram os primeiros hipócritas e nem os últimos. A própria Bíblia relata a presença deles do começo ao fim. I Timóteo 4:1-2 fala sobre a intensificação da hipocrisia nos tempos do fim. A Escritura sempre é contundente na condenação da hipocrisia.

O Senhor sempre rejeitou o culto e a devoção dos hipócritas, aqueles que estão mais preocupados em agradar e glorificar a si mesmos do que a Deus. Em Isaías 1:15, tal era a indignação de Deus contra a hipocrisia do seu povo, que Ele diz: Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei…”.

Em certa ocasião Jesus repreendeu os escribas e fariseus dizendo: “Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim” (Marcos 7:6).

No Sermão da Montanha, Jesus alertou contra a prática hipócrita de exibição de justiça, com a finalidade de impressionar os homens. Ele disse: Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste” (Mateus 6:1).

Tal estilo de vida não revela a verdadeira realidade que está no coração e na mente do homem. Por isso, diante de tantas manifestações de hipocrisia, Jesus disse que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mateus 5:20).

Agostinho, um dos pais da igreja primitiva, disse:

O amor às honrarias é um veneno mortal para a verdadeira piedade. Outros vícios produzem obras malignas, mas este produz boas obras de maneira maligna.

A hipocrisia é perigosa porque é muito enganadora. Ela, frequentemente, usa boas coisas com propósitos maus e, assim, torna-se um dos instrumentos mais eficazes de Satanás para minar os alicerces do cristianismo. A ameaça da hipocrisia deveria nos levar a uma forte decisão por uma vida de plena integridade, de maneira que honre e glorifique a Deus.

E como devemos vencer a hipocrisia? Filipenses 2:12-13 é uma refutação ao pensamento que sugere uma passividade do homem no crescimento e santificação (quietismo) e também ao pensamento que sugere o crescimento e santificação como resultado inteiramente dos nossos próprios esforços (pietismo).

12 Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
13 porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.

Paulo não traz nenhuma nova doutrina aqui. Em I Reis 8:56-61, na bendição do rei Salomão na dedicação do templo, ele pede a Deus que não desamparasse Israel e que inclinasse o coração do povo ao Senhor. E logo depois ele diz ao povo: seja o vosso coração inteiro para com o Senhor nosso Deus”.

Quando Paulo fala sobre “desenvolver vossa salvação”, ele não está falando de salvação pelas obras. A expressão grega fala a respeito de que os crentes devem cavar, explorar e extrair da sua vida as riquezas da salvação que Deus tão graciosamente depositou neles. Com esforço e diligência, devemos desenvolver e aperfeiçoar, na conduta diária, as virtudes que Deus implantou em nós.

Se havemos de ser obedientes ao Senhor em santificação, Ele nos mostrará a direção. Ao mesmo tempo, porém, devemos dispor o nosso coração e querer intensamente o que Deus quer. Devemos buscar a piedade a cada dia com “temor e tremor”, tendo um medo saudável de pecar contra Deus e ofendê-lo. Deve estar em nosso coração uma saudável ansiedade quanto a um viver santo. Deus procura e aprova aqueles que tremem e agitam-se diante da Sua Palavra (Isaías 66:1-2).

A possibilidade de falhar nos acompanha todos os dias. Uma das formas de escapar dela é o temor saudável, o assombro e o respeito por Deus. Não é um medo do inferno, um desespero diante das circunstâncias ou um pânico que nos torna paralisados. Não é isto. É uma reverência que nos motiva e nos coloca em vigilância para não tropeçarmos e perdermos nossa alegria. Para que não ofendamos ao Senhor e comprometamos nosso testemunho e integridade

O desenvolvimento de nossa salvação seria inútil se não fosse equilibrado pela verdade de que é Deus quem efetua em nós o querer e o realizar. Deus nos chama para obediência e efetua a obediência em nós. Nosso progresso na santificação requer tudo o que Deus é em nós.

Jesus disse: Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5). Permanecer é ficar por perto de Cristo. É uma evidência de um redimido. O fruto ou evidência da salvação é a permanência em Cristo. A alegria de Jesus estava no fato de obedecer em tudo ao Pai, essa também é a base de nossa alegria.

Quando produzimos qualquer fruto espiritual, temos a certeza de que é Deus quem está operando em nós. Não há glória humana nisto. É Ele quem opera tudo em todos (I Coríntios 12:6). O duplo trabalho de Deus em nós é causar nosso querer e nosso realizar. Ele quer energizar nossos desejos e ações.

O poder de Deus age em nós para que queiramos uma vida piedosa e andemos em integridade. Ele nos dá uma aspiração santa. Ansiamos mais pureza, santidade, justiça e autenticidade em nosso andar com Cristo, fugindo de toda hipocrisia e fingimento.

Deus opera em nós a fim de nos habilitar para a produção de atos de justiça. E estamos certos de que aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Efésios 3:20).

Um coração autêntico, sem hipocrisia, é tomado por um forte desejo de viver mais perto de Cristo. Uma chama ardente dentro de nós eleva nosso querer em direção à vontade do Altíssimo. Deus pode e faz, por meio de nós, tudo muito mais além que nossas habilidades e sonhos. E, conforme Filipenses 2:13, Ele faz isto por causa de sua vontade, ou seja, para seu prazer.

Em meio a essas gloriosas verdades, nossa diligência em buscar ao Senhor e Sua Palavra deve estar presente em nós de forma disciplinada. Devemos subordinar interesses pessoais e egoístas aos interesses eternos de Deus. Ninguém, senão o cristão disciplinado, pode verdadeiramente avaliar e desafiar a cultura do mundo e seu sistema de valores à luz da Escritura Sagrada.


Sintetizado do texto “Temor e Tremor: O antídoto da hipocrisia”.
Incluso no livro “O Poder da Integridade”, John MacArthur. Edt. Cultura Cristã


 

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