A Palavra da Cruz (2)

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Este é o segundo sermão de uma série de 3 sermões de John MacArthur sobre I Coríntios 1:18 a 2:8, conforme links no final deste texto.


Hoje continuaremos nosso estudo sobre as “loucuras” de Deus. Para você entender o que vamos tratar hoje, é necessário que você tenha desfrutado do sermão anterior dessa série . Estamos chamando essa seção específica de “loucura” de Deus. O mundo vê como loucura o que Deus revelou na Bíblia e o que Ele fez na obra de Cristo na cruz.

O apóstolo Paulo, em I Coríntios 1 a 3, trata desse assunto específico de contrastar a “loucura” de Deus com a chamada “sabedoria” do mundo. Você se lembra que Paulo está lidando com problemas na igreja em Corinto. O primeiro grande problema com o qual ele lida é o da desunião na igreja. Na igreja de Corinto havia fortes divisões.

Um razão para divisões era o engrandecimento de líderes, fato que estava levando a igreja a contendas e disputas. A nenhum líder humano deve ser dada a fidelidade que pertence somente ao Senhor. Eles estavam dizendo: “Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo” (I Coríntios 1:12). Aqui vemos a criação de facções. No verso 13, Paulo diz: “Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?”.

Havia uma segunda causa de divisão, e era consequência de convertidos oriundos de uma sociedade entorpecida com filosofias múltiplas, sendo que essas pessoas vinham para a igreja mantendo as disputas filosóficas mundanas. Muitos mantiveram identidades filosóficas conflitantes e levaram esses conflitos para dentro da igreja. E assim, do verso 18 até o final do capítulo 1 de I Coríntios, Paulo trata desse grave problema.

Ele está mostrando a eles que nunca pode haver divisão na igreja baseada na filosofia. Eles nunca poderiam ter divisões baseadas em assuntos como economia, pontos de vista sociais, perspectivas que são propostas pela sabedoria dos homens. Porque tudo isso é nulo e vazio. Eles deveriam estar unidos em torno da sabedoria de Deus, que é comum aos crentes verdadeiros. Portanto, não há motivo para divergências filosóficas na igreja.

E Paulo mostra o contraste e oposição entre a sabedoria de Deus e a sabedoria dos homens. Como eu disse a você na última vez, a filosofia é absolutamente desnecessária. Por quê? Quando ela estiver certa, vai concordar com as Escrituras. Quando ela diverge da Escritura, ela está errada. Então, você não precisa da filosofia. Precisamos apenas da Palavra de Deus.

E é isso que Paulo diz em essência. A filosofia do mundo é oposta à sabedoria de Deus. As doutrinas da sabedoria humana são opostas à verdade de Deus, são opostas ao evangelho. O evangelho, a revelação de Deus, é tudo o que é necessário. Toda a verdade que Deus pretende que você tenha está no evangelho. Então, não misture filosofia com o evangelho e traga para a realidade da igreja. A igreja não não precisa disso.

Tiago 3:17 fala sobre a manifestação da verdadeira sabedoria:

Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.

Essa é a sabedoria de Deus. Agora, em contraste com isso, você tem a sabedoria do homem nos versículos 14-15:

Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, sensual e diabólica.

A sabedoria do mundo é terrena, porque não procede de Deus; sensual, porque se baseia no desejo humano; e demoníaca, porque sua fonte é Satanás.

Agora você vê aqui dois tipos de sabedoria, a mundana e a divina. Você notará que a sabedoria de Deus não precisa da adição da sabedoria do homem. Por que você acrescentaria à sabedoria sobrenatural algo terrestre, sensual e demoníaco? Se você fizer isso, apenas corromperá a verdadeira sabedoria. A Filosofia sempre foi uma ameaça à revelação de Deus, ela nunca contribuiu em favor dela. Não precisamos adicionar a opinião humana à Palavra divina. Você entende isso? A Palavra de Deus é suficiente. Sempre que a Filosofia for misturada com a revelação divina, perderemos a revelação divina.

Não à toa, em Colossenses 2:8, a Palavra de Deus alerta:

Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.

Esse é engano baseado na vaidade humana. Ele é construído segundo a tradição dos homens e os rudimentos do sistema do mundo e não segundo Cristo. E isto tem corrompido muitos jovens que entram nas faculdades. A adição da filosofia humana é desnecessária. Não precisamos de nada fora da Palavra de Deus. Não precisamos da filosofia humana.

Bem, esse é o ponto de vista então que Paulo está apresentando aos coríntios. Você não precisa arrastar para a assembléia dos crentes a sabedoria dos homens. Tudo o que vai fazer é corromper e dividir e isso é, na verdade, precisamente o que aconteceu em Corinto. E, incidentalmente, também contribuiu, como veremos, para a maioria dos problemas da assembléia coríntia, corrompida com filosofia mundana, moralidade mundana, conceitos mundanos.

O Antigo Testamento tem algumas coisas interessantes a dizer sobre isso e não temos tempo para investigar tudo, mas eu gostaria de chamar sua atenção para o capítulo 1 de Eclesiastes. O livro de Eclesiastes foi escrito por Salomão e narra a sabedoria humana. Na verdade, diz o que é a sabedoria humana. E é um livro muito interessante. E o Senhor colocou aqui com um propósito muito especial para nos mostrar as frustrações e as incapacidades da sabedoria humana.

Em Eclesiastes 1, Salomão relata que buscou se encher da sabedoria do mundo. E ele se encheu mesmo. Ele relata os resultados para sua vida: aflição de espírito, enfado e dor. E no capítulo 2 ele tenta experimentar todas as alegrias que o prazer poderia lhe proporcionar. Mas nada sobrou senão o desespero de um espírito perturbado.

No verso 8 do capítulo 2, ele diz que “provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie”. E não é a música uma forma de dopagem em nossos dias? As pessoas não podem ir a lugar nenhum sem ouvir música. Elas não podem existir sem isso. Não querem viver com seus próprios pensamentos, elas precisam de alguém colocando outros pensamentos em suas mentes.

Mais adiante, nos versos 10-11, ele diz:

E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho. E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.

Que conclusão trágica ele chegou, não?

No verso 12, ele diz: “Então passei a contemplar a sabedoria, e a loucura e a estultícia”. E no verso 16, ele conclui: “E como morre o sábio, assim morre o tolo!”. E no verso 17, ele desabafa: “Por isso odiei esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de espírito”. Essa é a sabedoria humana.

O mundo inteiro está ocupado construindo a sabedoria humana. Mas, em Mateus 7:24-25, Jesus disse o que um sábio faz:

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.

O sábio constrói sua casa sobre a rocha. E quem é a rocha? Deus. A casa foi combatida por forças terríveis, mas permaneceu firme. Nos versos 26-27, Jesus disse o que o insensato faz:

E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

A casa edificada sobre a sabedoria humana ruiu e foi grande a sua queda. Temos aqui um claro contraste entre a sabedoria de Deus e a sabedoria dos homens. A sabedoria humana luta contra a verdade de Deus.

Vamos retornar a I Coríntios 1:18. Esta passagem compara a sabedoria de Deus com a sabedoria dos homens. E nos dá cinco razões pelas quais a sabedoria de Deus é superior à sabedoria do homem.

Vimos a primeira razão na vez passada. Nos versículos 19 e 20 Paulo diz que a sabedoria de Deus é superior à sabedoria do homem, porque a sabedoria de Deus é permanente.

Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? (I Coríntios 1:18-20)

Paulo diz que a sabedoria humana será destruída, será levada a nada. É evidente que ele esta fazendo o contraste com a permanência da sabedoria divina. Ele cita as figuras do sábio, do escriba e do inquiridor.

Ele usou Isaías 19:12 para falar do sábio, referindo-se aos homens sábios do Egito, os quais prometeram mas nunca produziram sabedoria. É provável que ele usou Isaías 33:18 para falar do escriba, que retrata os homens assírios que registravam os despojos das guerras, mas Deus providenciou para que nada houvesse para ser registrado. E inquiridor era uma palavra grega sem equivalente no Antigo Testamento, que identificava aqueles que eram versados em filosofia.

Todas as filosofias do passado levaram ao nada. Toda a sabedoria dos homens não resultou em mudanças essenciais no mundo. Os mesmos problemas existem em um sentido múltiplo. Onde estão as pessoas sábias? Onde estão os escritores? Onde estão as pessoas que falam com grande gênio oratório? Onde estão todos esses homens de resposta? Deus tornou tola a sabedoria deste mundo. O que os homens precisam? Os homens precisam de vida eterna. Os homens precisam do perdão dos pecados. Os homens precisam conhecer Deus.

A sabedoria humana não pode perdoar os pecados, dar vida eterna e trazer homens para Deus. A filosofia tentou apenas deixar o homem confortável em seus pecados. Deus permitiu que os homens seguissem sua própria sabedoria. Mas tudo resultou em frustração. E Deus mostrou sua sabedoria suprema aos crentes através daquilo que é loucura e tolice para o mundo. Ele fez o que os homens em toda a sua sabedoria não podiam fazer. E Ele fez isso com a cruz de Jesus Cristo. Isso não é um conceito filosófico complexo. É um fato histórico simples, mas inalcançável à mente natural humana.

Agora avançaremos para o segundo motivo pelo qual a sabedoria de Deus é superior à sabedoria do homem. Vimos que a primeira é por causa de sua permanência. Falaremos agora sobre o seu poder.

Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação (I Coríntios 1:21).

A sabedoria humana é especialista em ver o problema, falar e debater sobre ele, mas não pode fazer nada. Você já notou isso? As pessoas não mudam vidas a partir da sabedoria humana. Ela não transforma pessoas. Não perdoa o pecado. Não faz novas criaturas. Isso não leva as pessoas à presença de Deus. Não faz nada disso. Dá apenas às pessoas uma satisfação intelectual para que elas possam refinar alguma coisa em suas vidas, mas sem mudar nada.

Certa vez eu estava em um campus universitário com um sujeito. Ele disse a mim que a minha filosofia era Jesus. Eu lhe disse: “Não é uma filosofia, é a verdade”. Ele respondeu: “Isso é discutível”. Ele começou a dizer que sua filosofia era Yin Yang, a filosofia dos opostos (Yin Yang é um princípio da filosofia chinesa, onde yin e yang são duas energias opostas). Ele explicou tudo minunciosamente para mim. Eu lhe perguntei: “Sim, e daí? O que Yin Yang fez por você?”. Ele não teve respostas. Descobri que Yin Yang lhe deu apenas um pequeno jogo intelectual que ele poderia jogar e um pequeno pedaço de ego que ele poderia usar para mostrar a alguém o que sabia. Isso é tudo. Não mudou nem um pouco a sua vida.

Mas, apesar disso, o mundo olha para o evangelho e diz quão insensato ele é. Mas, a Palavra de Deus diz: “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação”. O que todos os compostos de filosofias humanas reunidos não fizeram, Deus o fez pela “loucura” da cruz. Ele salvou homens de seus pecados, da falta de sentido de sua existência, de Satanás. Perdoou seus pecados e deu-lhes a vida eterna. Foi o que Deus fez.

Há uma resposta humana necessária e isso é fé. Romanos 1:16 diz: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê…”. E a fé é um dom de Deus. E Paulo continua falando sobre isso nos versos 22 a 25 de I Coríntios 1:

22 Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
23 Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
24 Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.
25 Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

Ele ainda está falando sobre poder aqui. Ele diz aqui que estamos no mundo e estamos pregando esta simples mensagem da cruz. Deus tornou-se carne humana, veio ao mundo, viveu, fez milagres, provou ser Deus, morreu na cruz, derramou seu sangue, carregou o castigo por nossos pecados, ressuscitou dos mortos. Continuamos pregando esta mensagem. E continuamos dizendo às pessoas que esse é o ápice da História. Esse é o tema do Universo. Esta é a salvação dos homens. Esta é a sabedoria de Deus. E eles dizem: “Oh! Que estupidez ridícula!”

Por que eles rejeitaram isso? Bem, Paulo diz no versículo 22: “Os judeus exigem um sinal”. Agora aqui estava o problema com os judeus. Eles tinham que ter uma prova sobrenatural para tudo. Sua exigência constante era essa: “Que sinal você pode me mostrar?” E Jesus operou sinais e milagres, mas eles só solidificaram a fé das pessoas que criam. As pessoas que não creem buscarão uma maneira de explicá-los.

Você se lembra da cura do cego de nascença, em João 9? Os líderes religiosos haviam decidido que Jesus não era o Filho de Deus e que Ele não passava de uma farsa. Que ele não poderia ter feito aquele milagre. Então, eles negaram o testemunho do homem cego e continuavam o assediando. Em seguida, seus pais foram questionados. Em seguida, ele foi interrogado novamente. E eles se recusaram a acreditar que Jesus tinha feito isso, porque os fariseus já haviam concluído que Jesus era um pecador.

Quanto mais eles assediaram aquele homem, mais forte o seu testemunho se tornou. E o ex-cego falou: “Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer” e “responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no” (João 9:33-34). Eles não podiam tolerar seu testemunho de Cristo. Se alguém dissesse que Jesus era o Messias, eles o expulsavam da religião e do convívio social. E eles fizeram isso com aquele cego que foi curado por Jesus.

O milagre resultou em maior ódio para com Cristo e banimento da nação daquele que recebeu a cura. O homem natural não pode compreender as coisas do Espírito de Deus, são loucura para ele. E ele correrá em busca de explicações e negações. É por isso que hoje não precisamos de milagres o tempo todo para convencer as pessoas que não creem. Os milagres serviram apenas para fortalecer a fé daqueles que criam.

Mas, eles sempre quiseram um sinal. Mateus 16, os fariseus e saduceus vieram e disseram: “queremos um sinal”. E Jesus disse, no versículo 4, “nenhum sinal será dado a esta geração iníqua e adúltera, exceto o sinal de Jonas”. O que significava que Jesus estaria morto por três dias no túmulo e se levantaria. E quando Ele ressuscitou dos mortos, você sabe o que eles fizeram? Eles subornaram os soldados para dizer que os seguidores de Jesus haviam roubado Seu corpo e que Ele realmente não se levantou dos mortos. Isso mostra como eles eram cegos.

Então, os judeus exigiram um sinal. Agora, os gregos, você vê que eles eram diferentes. Eles procuravam sabedoria. O grego não dizia: “oh! faça algo sobrenatural”. Então, eles tentaram entender como Deus se tornou homem, mas isto era filosoficamente incompreensível para eles. A cruz como redenção da humanidade era um pensamento louco para eles. Assim, temos aqueles querendo sinais e esses racionalistas negando tudo por meio de suas filosofias. 

Eu creio que um cristão tem os dois lados. Ele crê no sobrenatural, em tudo que a Palavra revela sobre Deus e suas obras. Ao mesmo tempo ele não joga seu cérebro fora. Há um equilíbrio. E é por isso que o verso 23 de I Coríntios 1 diz: “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”.

Cristo crucificado era o único sinal verdadeiro e a única sabedoria verdadeira. E esta é a mensagem do evangelho. Por meio da cruz é que o homem seria salvo. Os judeus recusaram o maior de todos os sinais, ou seja, a concessão da salvação por meio de um Messias nascido de uma virgem, crucificado e ressuscitado. Recusaram tudo isso, mesmo diante das profecias se cumprindo diante de seus olhos. Esse sinal se tornou pedra de tropeço para eles (Romanos 9:31-33). Os gregos queriam provas mediante a razão humana, por meio de ideias que pudessem apresentar, discutir e debater. Eles não tinham interesse na verdade divina, queriam apenas discutir novidades intelectuais.

E os judeus até hoje não acreditam em Jesus como o Messias. O maior obstáculo para que eles cressem foi o fato da crucificação. Para eles, o Messias viria estabelecer um reino na Terra (fato que ocorrerá na sua Segunda Vinda). E assim, os judeus evitam os textos de Isaías 53 e o Salmo 22. Eles não podem compreender o fato do Messias pendurado num madeiro, pois Deuteronômio 21:23 diz que o “pendurado no madeiro é maldito de Deus”.

E então, eles tropeçam nisso. Para eles a cruz prova que Jesus não é o Messias. Eles não entendem porque Jesus não subjugou Roma e estabeleceu seu reino há 2.000 anos atrás. E agora, muitos judeus abandonaram toda a ideia de um Messias, apenas falam sobre uma era messiânica, que seria como uma grande sociedade, um momento feliz, um tempo de paz no mundo. E nem haverá um Messias pessoal.

Eles desistiram, porque estão esperando há muito tempo. Bem, eles nunca vão ver outro Messias. Ele já esteve aqui. E eles buscam sinais. Eles esperavam que Jesus fizesse todos os tipos de maravilhas sobrenaturais, subjugasse os inimigos de Israel e estabelecesse um reino mundial. Mas, Jesus entrou em Jerusalém cavalgando manso e humilde em um jumento.

Em João 12, vemos que, por um dia ou mais, uma multidão em Jerusalém o recebeu como um rei e proclamava: “Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor” (v.13). Seus discípulos não entenderam nada. Primeiro, Jesus falou que sua morte era iminente, e agora ele estava sendo aclamado como um rei. As notícias da ressurreição de Lázaro correram rápidas. O próprio fato de que Ele está montando no filho de jumenta, em vez de em um cavalo branco, era uma maneira de Jesus demonstrar que Ele era um rei (Zacarias 9:9), mas não do tipo que eles esperavam.

E quando Jesus entrou na cidade sob aclamação, ele chorou e lamentou (Lucas 19:41-42). Nada disso fazia sentido para os discípulos. Se Jesus estava para ser morto, por que aquela aclamação? E diante das “Hosanas”, por que ele estava chorando? E depois que ele foi morto, eles não sabiam o que havia acontecido. No caminho de Emaús (Lucas 24: 13-33) eles estavam num caos completo – não tinham ideia do que estava acontecendo – não acreditavam na ressurreição até que Jesus se revelou a eles e lhes explicou as Escrituras.

Para a filosofia grega Deus era definido pelo termo “apatheia”, do qual obtemos a palavra “apática”. Para os gregos, então, Deus era totalmente indiferente aos homens. Ele não estava preocupado com as pessoas. Ele era incapaz de sentir. Para os gregos, Deus está tão além dos homens que Ele nunca poderia ser tocado por nada humano. Isso era o oposto de Cristo, que podia ser tocado.

Eles diziam que Deus não poderia ser tocado por nenhum sentimento humano. Então, a ideia de que Deus encarnou e levou os pecados dos homens, a dor e a angústia, morreu na cruz, era absolutamente ridícula para eles. Para eles, Deus era distante, desapegado e indiferente. Celso, que construiu sua carreira na vida atacando o cristianismo no primeiro século da era cristã, disse:

Deus é bom, bonito e feliz e está naquilo que é mais belo e melhor. Se então Ele desce ao homem, isso traz mudanças para Ele e uma mudança do bem para o mal, do belo para o feio, da felicidade para a infelicidade, do que é melhor para o que é pior e Deus nunca aceitaria tal mudança.

Os gregos não podiam entender que Deus deixasse sua glória para se sujeitar a todas as aflições humanas e morrer numa cruz. Era algo totalmente inconcebível para sua filosofia. E a despeito de tudo isso, Paulo disse: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (I Coríntios 2:2). Logo, isto era algo tolo, inculto e desprezível para eles.

Nada era mais absurdo para o racionalista do que o sangue de um Deus crucificado para remover o pecado humano, garantir a salvação, promover a santidade e dar a vida eterna. Eles riam sarcasticamente.

Você deve estar pensando: “Há aqui uma falha no plano de Deus? Se a cruz é uma pedra de tropeço para os judeus e uma tolice para os gregos, então para quem ela foi?”. E aqui você tem que entender as doutrinas da graça, especificamente o chamado eficaz de Deus ou o chamado irresistível da salvação. Romanos 8:30 diz:

E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

Por isso, em I Coríntios 1:24 Paulo diz: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus”. O chamado da salvação chegou efetivamente a alguns judeus e a alguns gentios. E eles creram e imediatamente Cristo se tornou para eles não uma pedra de tropeço, mas o poder de Deus. Não tolice, mas a sabedoria de Deus. [Clique aqui e leia mais sobre o Chamado Eficaz de Deus].

Você vê como Paulo contrasta essas duas sabedorias com as duas reações? Os judeus diziam que Jesus não poderia ser o Messias, pois ele era manso, humilde e foi morto. Isso não mostrava poder algum. Mas, para aqueles que creram em Cristo, ele se tornou para eles o poder de Deus. Em Colossenses em 1:29, Paulo disse: “E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente”. Do mesmo modo, os gentios diziam que Cristo crucificado era uma loucura, mas para os gentios que creram, Jesus se tornou o quê? Sabedoria.

Você percebe que nos sentamos muito para ouvir os grandes homens do nosso mundo, e há muitas pessoas excelentes do ponto de vista humano. Muito mais inteligentes do que nós. Eles estudaram coisas que eu não estudei. Eu li alguns livros dos quais desisti nas primeiras páginas, porque eu nem sequer entendia o que eles estavam falando. Mas, quão frágil é a sabedoria deles. Porém, o Senhor dota seus filhos com a suprema sabedoria celestial, que os capacita a entenderem as coisas essenciais, invisíveis à sabedoria humana. O incrédulo inteligente pode ler e conhecer profundamente a Bíblia através de seu intelecto, mas não receberá nada além de mero conhecimento. O verdadeiro cristão, por ter o Intérprete residindo em si mesmo, o Espírito Santo, receberá tudo que diz respeito às realidades celestiais. Veja o que diz os versos 7 a 10 de I Coríntios 2:

7 Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória;
8 A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória.
9 Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.
10 Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.

Não sou mais inteligente do que os filósofos incrédulos. Mas sei que, com toda a inteligência deles, nunca conhecerão a sabedoria de Deus. E eles estão lutando com todos os seus recursos para tentarem descobrir o que está acontecendo no mundo. Eu poderia dizer a eles, mas eles nunca me darão uma chance. Todo o aparato tecnológico criado pela sabedoria humana não pôde melhorar em nada o caráter do homem. Todo o conhecimento filosófico e científico não pôde transformar vidas. Mas Cristo transforma vidas de forma incompreensível pela mente natural.

E assim, a sabedoria de Deus é muito superior à sabedoria dos homens, porque tem o poder de salvar, de transformar vidas e conceder sabedoria divina. Então, aos chamados, quando Cristo crucificado é anunciado, ele se torna para eles o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Para os judeus, um tropeço e para os gentios é tolice, mas para os chamados, tanto judeus como gentios, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.

O verso 25 de I Coríntios 1 diz: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”. Deus é tolo? Deus tem fraquezas? Essas palavras aqui têm a função de pura ironia. Você diz: “O que Paulo quis dizer então?”

Há muitas coisas que Deus sabe que não sabemos. Quanto mais você estuda a Bíblia, mais você está certo que não sabe nada. As riquezas das Escrituras são inesgotáveis, pois elas tratam de um Deus infinitamente poderoso e sábio. E sempre somos levados a ver que Deus está muito além do que podemos imaginar. Há complexidades na mente de Deus que são absolutamente e infinitamente muito além do alcance de nosso entendimento. Até mesmo a exposição mais elementar do poder e da sabedoria de Deus estão muito além da nossa compreensão. É disso que Paulo está falando.

Um terceiro ponto: Paulo mostra que a sabedoria de Deus é superior à dos homens não apenas por sua permanência e poder, mas porque ela é paradoxal ou ilógica.

Você sabe, o mundo deseja o saber tanto quanto deseja o sexo. Há muita vaidade e autoestima no conhecimento. O conhecimento produz arrogância e orgulho. Existem benefícios na ignorância. É bom não ter a resposta para que você possa simplesmente sentar humildemente e aprender.

Mas, as pessoas almejam ter todas as respostas. E Deus poderia ter feito um evangelho muito complexo que somente pessoas muito inteligentes pudessem compreender. Mas, no lugar disso, Ele fez algo muito simples, que confunde os sábios e está claro aos humildes. Em Mateus 11:25-26, Jesus disse:

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.

O mais inteligente dos homens não alcança a posição do mais simples cristão. Os versos 26-27 de I Coríntios 1 dizem:

26 Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.
27 Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.

A maioria das mentes mais brilhantes, influentes e poderosas do mundo está longe do Evangelho. Em sua grande parte, a igreja é composta de pessoas simples e humildes. Isto não quer dizer que no meio do cristianismo não haja nobres, intelectuais, pessoas influentes etc. Há exemplos da existência deles no Novo Testamento. Mas não são muitos.

Celso, um filósofo grego neoplatonista e opositor ao Cristianismo, escreveu no ano 178 da era cristã uma carta atacando o cristianismo. Sua principal tese foi demonstrar que Jesus não é Deus. Ele descreveu os cristãos como pessoas desprezíveis e ignorantes. Ele disse:

Os cristãos são como um enxame de morcegos, ou formigas arrastando seus ninhos, ou sapos segurando um simpósio ao redor de um pântano, ou minhocas se reunindo na lama.

Bem, você sabe, ele olhou em volta e foi o que ele viu. Ele viu na simplicidade da igreja uma afronta à complexidade da sabedoria do mundo. A igreja não precisa da sabedoria do mundo. O paradoxo prova isso. Os cristãos são os mais simples e os mais tolos, e são os mais sábios. No Império Romano havia 60 milhões de escravos e você pode imaginar o impacto que o evangelho causou neles, porque a maioria da igreja era composta de escravos. Os escravos tinham todas as respostas. Ah, isso era uma má notícia para o orgulho dos poderosos.

E assim, os cristãos permanecem para sempre como uma repreensão viva contra os chamados sábios .Efésios 3:10 diz: “Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus”. Deus não precisa da sabedoria dos homens. Não muitos poderosos, inteligentes, nobres e influentes alcançam o conhecimento de Deus. Há um paradoxo evidente: a sabedoria humana não alcança a verdadeira sabedoria, esta lhe pareça louca e tola.

O que é um grande homem para o mundo? Alguém muito inteligente, com uma tremenda influência através do dinheiro ou de algum poder e que ocupa uma alta posição na sociedade. Mas, você gostaria de conhecer o maior homem que já viveu, de acordo com Deus? João Batista. Ele não teve nascimento real. Nasceu em uma família muito simples e comum. Veio de um lugar descrito apenas como uma cidade nas montanhas de Judá (Lucas 1:39). Não tinha bens materiais. Não era um intelectual. Não fazia parte de qualquer liderança religiosa. Não teve uma educação formal. Viveu em isolamento.

Em Lucas 1:80, temos o relato de sua formação:: “E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel”. Então, ele cresceu longe dos centros sociais e de interação com a sociedade em geral. Seus hábitos? “E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre” (Mateus 3:4). Ele não teve nenhum envolvimento com qualquer instituição formal. Ele não foi associado com o sacerdócio, embora tenha vindo de uma linhagem sacerdotal.

Sua grandeza não estava em seus atributos pessoais, mas na missão que lhe estava confiada: ser o precursor do Messias, do Cristo, do Filho de Deus, do Rei. Sua grandeza não foi medida por nenhum método humano. Ele foi grande aos olhos divinos e não dos homens. Em Mateus 11:11, Jesus diz: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista”. E assim, I Coríntios 1:27-29, Paulo diz:

27 Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;
28 E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;
29 Para que nenhuma carne se glorie perante ele.

Você vê o contraste? Deus escolheu as coisas desprezíveis para confundir as coisas estimadas pela sabedoria humana. Ele escolheu as coisas loucas para a sabedoria humana para confundir as fortes. Ninguém poderá se gloriar diante do Senhor.

Deus não escolheu o sábio segundo o mundo, mas o que parece tolo aos olhos do mundo. Ele não escolheu os poderosos e dominadores, mas os fracos. Ele escolheu coisas que, aos olhos do mundo, não são nada. Você vê que a filosofia humana não significa nada. Você consegue enxergar que a permanência da sabedoria de Deus, o poder da sabedoria de Deus e o paradoxo da sabedoria de Deus ao escolher a igreja mostram que Deus não precisa da sabedoria humana? Continuaremos na próxima vez. Vamos orar.

Obrigado Pai por nos dar a tua verdade, a tua sabedoria. Ajude-nos a nos apoiar nisto, não em nosso próprio entendimento, mas a saber que em Cristo temos poder de Deus e a sabedoria de Deus. Se há alguns reunidos em nosso meio nesta manhã que ainda estão se apoiando na sabedoria humana, oramos para que o Senhor se mova em suas vidas, chame-os para ti mesmo e que eles possam exercer fé e crer na obra de Cristo tão simples, humilde, desprezada pelo mundo, mas que é realmente o pináculo de toda a História e do ato redentor de Deus para com os homens.

Pai, que eles possam vir a Cristo hoje. Ajude-nos Senhor, que somos cristãos, a não nos misturmos com a sabedoria do mundo, mas a nos tornarmos aprendizes da sabedoria de Deus, que é nossa em Cristo. Nós oramos em teu nome abençoado. Amém.


Esta é o segundo de uma série de 3 sermões sobre I Coríntios 1:18 a 2:8, conforme links abaixo:


Este texto é uma síntese do sermão “The Foolishness of God, Part 2”, de John MacArthur em 18/05/1975.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/1814/the-foolishness-of-god-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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