A Parábola da Ovelha Perdida

Imprimir
1. INTRODUÇÃO

Vamos nos voltar hoje para Lucas 15, para a Parábola da Ovelha Perdida.

1 Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
2 E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.
3 Então, lhes propôs Jesus esta parábola:
4 Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?
5 Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.
6 E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
7 Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

Nosso Deus, o único e verdadeiro, o Deus vivo, o Deus que não é somente o Pai de Abraão, Isaque e Jacó, mas o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Deus da Escritura, o verdadeiro Deus, Ele, junto com todos do céu, regozija-Se com um grande acontecimento que ocorre nesta Terra dominada pelo pecado: a salvação de um pecador perdido. Essa revelação que lemos no versículo 7 é realmente o tema de todo este capítulo. É sobre a alegria do céu recuperando os perdidos. No verso 10, no final da segunda parábola, Jesus diz: “Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” E no verso 32, no final da terceira parábola, “Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”.

Os personagens mudam. Um pastor encontra uma ovelha perdida, uma mulher encontra uma moeda perdida e um pai restaura um filho perdido. O tema é o mesmo, e a alegria nos céus por um pecador arrependido é o ponto principal. É uma celebração na presença de Deus. Podemos dizer, então, que qualquer um que não se regozija com um pecador vindo ao arrependimento, está totalmente desconectado de Deus. E esse era exatamente o caso dos líderes religiosos orgulhosos e hipócritas de Israel, identificados aqui como escribas e fariseus. Os escribas eram os estudiosos que forneciam todos os dados necessários para sustentar a religião farisaica.

O que desencadeia todo esse capítulo é o desprezo dos fariseus e dos escribas pelo fato de Jesus receber e comer com coletores de impostos e pecadores. Eles se orgulhavam de estar separados de pessoas tão ruins, na visão deles. Assim, eles se manifestaram totalmente desconectados do coração de Cristo e de Deus. Pelos pecadores, Jesus “pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta” (Hebreus 12:2). Ele suportou o cálice da ira de Deus pela alegria que viria na recuperação dos pecadores perdidos. Isaías 53:11 diz que “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si”.

Isso nos coloca em contato com um dos meus assuntos favoritos. Um dos elementos mais resplandecentes da glória de Deus, do caráter de Deus, é que Deus, por natureza, é um Salvador. Ele é, por natureza, compassivo, terno, paciente, tolerante, misericordioso, gracioso, amoroso, perdoador. Ele é, por natureza, um Salvador. Esta é uma verdadeira expressão de Deus e Seu caráter. Por isso Lucas 15:10 diz que “há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”.

Quando Jesus foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, o anjo apareceu a José e diz que ela “dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21). Em João 3:16, é dito que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

O nome “Jesus” vem do hebraico “Yeshua”, que significa “O Senhor é Salvação”. “Cristo” vem de “Christos”, que significa “Ungido”, e é o equivalente exato da palavra hebraica para “Messias”.

Deus não é um Salvador relutante. Ele chora sobre os perdidos. Ele chora através dos olhos dos profetas do Antigo Testamento. Ele chora através dos olhos de Seu próprio Filho. Ele não tem prazer na morte dos ímpios, mas se regozija na salvação dos pecadores. Esta é a alegria do céu. Em I Timóteo 4:10 há uma visão muito importante sobre este aspecto da natureza de Deus:

Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis.

Paulo não está ensinado o universalismo, uma heresia que diz que todos os homens serão salvos no sentido espiritual e eterno, uma vez que o restante da Escritura ensina claramente que Deus não salvará a todos. A maioria irá rejeitá-Lo e passará a eternidade no inferno. A palavra grega traduzida como “especialmente” tem o sentido que todos os homens desfrutam, de algum modo, da salvação de Deus, assim como os crentes. Mas há uma diferença bíblica da salvação temporal (extensiva a todos) e eterna (exclusiva dos crentes).

Apesar de Deus, por sua graça, livrar apenas os verdadeiros cristãos da condenação, pelo sacrifício do Cordeiro santo, todos os seres humanos têm benefícios da bondade de Deus. E podemos citar:

a) A graça comum: Um termo que descreve a bondade que Deus mostra a toda a humanidade, universalmente (sl. 145:9) ao refrear o pecado (Rm. 2:15) e o juízo (Rm. 2:3-6); ao manter a ordem na sociedade por meio do governo (Rm. 13:1-5); ao capacitar o homem a apreciar a beleza e bondade (Sl. 50:2); ao derramar bênçãos temporais sobre a humanidade (Mt. 5:45; At. 14:15-17 e 17:25).

b) Compaixão: O amor imerecido que Deus dispensa a todos os pecadores não regenerados (Ex. 34:6-7; Sl. 86:5; Dn. 9:9; Mt. 23:37; Lc. 19: 41-44; Is. 16:11-13; Jr. 48:35-37).

c) Admoestação a se arrepender: Deus revela ao ímpio o destino que o espera. O Criador compassivo não tem prazer na morte dos ímpios (Ez. 18:30-32 e 33:11).

d) O convite do Evangelho: A salvação é oferecida a todos (Mt. 11:28-29; 22:2-14; João 6:35-40).

Seu caráter salvador se manifesta até no modo que Deus lida com aqueles que nunca crerão. Mas isto se limita a esses quatro pontos temporais. O aspecto substitutivo da morte de Cristo aplica-se apenas aos eleitos, segundo o propósito eterno de Deus. A morte de Cristo é ilimitada em sua eficiência, mas limitada em sua aplicação.

Algumas pessoas, que olham para o registro das Escrituras e até olham para a história humana, questionam se Deus é, de fato, um Salvador. Foi-me perguntado esta semana por um incrédulo: ‘Se Deus é um Deus de amor e Ele pode parar os desastres do mundo, a morte de crianças e as coisas horríveis, por que Ele não faz isso?’. Que tipo de Deus, as pessoas perguntam, clama pelo completo extermínio dos cananeus? Que tipo de Deus traz a morte, abrindo o chão e engolindo as pessoas? Que tipo de Deus permite desastres, furacões, tsunamis, terremotos, guerras, crime, doenças?

Mas, essa não é realmente a questão. A morte é inevitável em um mundo caído. A questão é: que tipo de Deus permite que os pecadores tão perversos vivam? Que tipo de Deus permite ao pecador pecar deliberadamente sabendo que o salário do pecado é a morte e “a alma que pecar morrerá?”. Deus tem o direito de, a qualquer momento, entrar e tirar a vida de cada pecador no primeiro momento em que ele nasce, pois ele traz para este mundo sua queda herdada de Adão.

A questão é: que tipo de Deus permite que os pecadores vivam? Que tipo de Deus deixa a chuva cair sobre o justo e o injusto? Que tipo de Deus permite ao pecador apreciar a beleza e a maravilha da Sua criação? Que tipo de Deus é tão paciente e tolerante a ponto de demonstrar que Ele é, por natureza, um Salvador de todos os homens, em um sentido que lhes permite viverem O afrontando, sem receberem imediato e merecido castigo? A única resposta para isso é um Deus que é, por natureza, um Salvador.

Que tipo de Deus diz a Adão: “No dia em que você comer, morrerá”, e Adão viveu mais de 900 anos?! Um Deus de paciência e compaixão. Esse é Deus que é nosso Salvador. Ele é o Salvador de todos os homens em um sentido amplo, temporal e fisicamente, mas, especialmente, é Ele um Salvador daqueles que creem, espiritual e eternamente.

E por que Ele salva? Por que Ele quer levar os pecadores ao arrependimento e à salvação? Pois esta é a Sua alegria. Por que Ele daria Seu Filho para nos redimir com a Sua morte? Paulo disse aos anciãos de Éfeso: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (Atos 20:28). Pedro diz:

Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós (I Pedro 1:18-21).

Por que Deus suporta nosso pecado? Por que Deus espera pacientemente? Por que Deus proclama a mensagem da salvação em todo o mundo? Por que Deus recupera os pecadores perdidos? Deus encontra em pecadores arrependidos a Sua alegria.

Isso não só impôs um forte questionamento aos fariseus, que eram totalmente indiferentes e desinteressados em relação aos perdidos, mas nos faz questionar qual é a fonte da nossa alegria. Onde encontramos nossa alegria? Qual é a nossa maior alegria? O que nos traz a satisfação mais profunda e maior realização? Algum dia, quando todos nos reunirmos ao redor do trono no céu, será muito claro. Nós vamos cantar uma nova canção:

Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação. E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra… Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças… Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre. (Apocalipse 5:9-10; 12-13).

E é assim que o Céu vai celebrar a eterna restauração dos perdidos. Precisamos entender a alegria do céu. Deve ser a nossa alegria também. Assim, Jesus está acusando os falsos líderes de absoluta indiferença aos pecadores que estavam chegando a Ele. Aqueles líderes diziam não querer se contaminar, e assim fugiam deles, mas, nosso Senhor se cercou deles porque estava aqui em uma missão de reconciliação para trazer alegria a Deus.

2. O ENREDO DA PARÁBOLA

A primeira parábola de Lucas 15 é simples. É sobre um pastor que perdeu uma ovelha, a encontrou, a trouxe para casa e a celebrou.

1 Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
2 E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.
4 Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?
5 Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.
6 E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

Tão simples e tão profundo. Essa parábola, assim como as outras, divide-se em quatro categorias simples. Existe uma estória e um componente ético. Tem uma aplicação teológica e até cristológica. Essa estória era sobre algo muito familiar para os judeus naquela época. Eles entenderam a questão ética, mas o que eles precisavam entender era o significado teológico e cristológico. Como vimos da última vez, os fariseus e os escribas não queriam nada com pecadores, mas Jesus veio buscar pecadores.

Nos versículos 1 e 2 eles estavam resmungando, reclamando e criticando Jesus pelo fato de Ele receber pecadores e comer com eles. Os pecadores vieram a Jesus porque Ele veio para buscar e salvar os pecadores. Eles vieram e Jesus os recebeu, abraçou-os, amou-os, perdoou-os e deu-lhes a vida eterna. E isso indignou os líderes religiosos. Eles ficam muito claramente expostos na primeira parábola.

Vamos analisar quatro pequenos pontos sobre essa parábola, usando as seguintes palavras-chave: perdido, procurado, encontrado, celebrado.

A) PRIMEIRA PALAVRA-CHAVE: PERDIDO – A ovelha traz a questão dos perdidos, enquanto o homem é uma figura de um pastor. Os pastores eram desprezados e considerados as pessoas de nível mais baixo entre os judeus. Foi isso que fez a aparição dos anjos aos pastores em Belém, anunciando a chegada do Messias (Lucas 2: 8-18), ser algo tão assombroso. Pensava-se que isto deveria ter sido feito à elite religiosa.

Jesus estava sempre fazendo o que precisava para Se humilhar, porque Deus dá graça aos humildes. E Ele estava sempre atacando o orgulho hipócrita dos falsos líderes de Israel. E então, o que Ele diz para eles é muito interessante: “Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas…”. Isso era ofensivo para eles, porque Jesus os tratou como sendo eles o “pastor” da estória. Pastores eram mal vistos, eram impuros para eles, eles queriam distância deles. Essa estória foi ofensiva para eles.

Nenhum judeu cumpridor da lei, nenhum judeu de alguma respeitabilidade, que fosse fariseu ou escriba, jamais se tornaria um pastor, nem fariseus ou escribas sequer gostariam de pensar em si mesmos, hipoteticamente, como se fossem pastores. Isso seria humilhante e impuro em suas mentes. Claro, eles sabiam que Deus foi descrito várias vezes no Antigo Testamento como “pastor”. Um exemplo clássico é o Salmo 23: “O Senhor é meu pastor.” Além disso, Moisés foi um pastor por um tempo para seu sogro, quando ele estava em Midiã (Êxodo 3:1)..

Mas, apesar disso, eles desprezavam pastores, porque eles viviam com ovelhas, o mais sujo de todos os animais. E eles haviam estabelecido na sociedade judaica que qualquer um que fosse pastor seria impuro. Havia um pensamento, segundo alguns historiadores, que os pastores eram desonestos, ladrões e que invadiam terras que não eram deles para alimentar suas ovelhas. A reputação de um pastor era terrivelmente baixa. Mas, Jesus cria uma estória, e diz: “se você fosse um pastor e perdesse uma de suas cem ovelhas…”.

Agora, deixe-me falar um pouco sobre isso. A maioria das famílias tinha talvez até quinze ovelhas. Eram pessoas camponesas e pobres que viviam na vida da aldeia, não eram beduínos. No verso 6, de Lucas 15, é dito que o pastor chega em casa, ou seja, uma vida tipicamente camponesa em Israel. Dificilmente alguém tinha cem ovelhas. As ovelhas de uma aldeia formavam um grande rebanho (cem ou mais ovelhas), e os pastores se revezavam para cuidar delas. Eles não gostavam de contratar pessoas de fora, pois elas não teriam cuidado das ovelhas, tal qual Jesus falou em João 10 sobre o “mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge” (João 10:12).

B) SEGUNDA PALAVRA-CHAVE: PROCURADO – E assim, aqui está um bando hipotético de cem ovelhas sendo cuidadas por dois ou três pastores. Com cem ovelhas, você teria que ter dois ou três pastores. Uma das ovelhas está perdida. E havia uma regra dominante: nenhum pastor abandonava a ovelha perdida. Eles a procuravam e a traziam, nem que fosse um pedaço dela arrancado da boca de um predador. Todo mundo sabia disso. Os fariseus sabiam disso. Era assim o pastoreio. Quando um pastor tomava conta das ovelhas de outros pastores, eles agiam assim.

Então, quando Jesus cria uma estória e coloca os escribas e fariseus como pastores, Ele os irritou profundamente. E Jesus diz: “Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?” (Lucas 15:4). Nenhum pastor diria: “bem, ainda temos noventa e nove ovelhas, deixa isto para lá”.

Durante a noite, a ovelha teria que estar na aldeia, após o dia no pasto. Mas, quando um pastor perdia uma ovelha num pasto aberto, era chamado para uma responsabilidade imediata. Não seria uma tarefa para o dia seguinte. Ele deixaria as noventa e nove ovelhas no pasto com outros pastores e iria em busca da ovelha perdida. E Jesus lhes pergunta: “qual homem entre vocês faria algo diferente disso?”. Este seria dever de qualquer pastor. E ele vai, final do versículo 4, “até que a encontre”. Você a traria de volta viva, morta ou algum pedaço dela tirado da boca de um predador.

Quando Jesus falou que o pastor iria buscar a ovelha perdida, isso pareceu óbvio para eles, afinal de contas, era um comportamento normal e conhecido. Eles devem ter pensado: “Se fôssemos pastores, é exatamente o que faríamos, porque é isso que os pastores fazem”. As ovelhas perdidas estão em grave perigo. Ovelhas não são inteligentes, não possuem qualquer forma de autodefesa e são totalmente vulneráveis. A ovelha que se afasta do pastor está em perigo de predadores, de queda, de exaustão e de desidratação.

E aquela região que Jesus estava é acidentada, exigente, com rochas por toda parte. Ou seja, cheia de potenciais perigos que poderiam causar danos à ovelha perdida. Somos informados por pessoas que trabalham com ovelhas no Oriente Médio, que quando as ovelhas estão com medo, elas ficam muito nervosas, se deitam e morrem. Elas não podem se levantar sozinhas. Os fariseus sabiam de tudo isso. E eles sabiam que o pastor tinha que ir e fazer o que fosse necessário. Não seria fácil. Ovelhas se parecem muito com pedras. Uma ovelha suja é aproximadamente da mesma cor que as pedras na terra de Israel. Então, os fariseus e os escribas entenderam a necessidade da ação que o pastor deveria tomar para tentar salvar a vida da ovelha.

C) TERCEIRA PALAVRA-CHAVE: ENCONTRADO – Isso nos leva ao terceiro elemento, que é “encontrado”, versículo 5: “Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo”. Ele a coloca em seus ombros, regozijando-se. Este pastor não é preguiçoso e não é indiferente. Assim é um pastor de verdade. Ele não tem medo, conhece o perigoso deserto e também conhece sua ovelha. Ele deixou tudo e foi em busca da sua ovelha perdida. E quando ele a encontra, coloca-a em seus ombros, carregando um animal que, em média, pesa mais de 70 quilos.

Ele não lamenta ter que carregar a ovelha, mas o faz com alegria, mesmo sabendo que a parte difícil está à frente. Uma coisa é procurar pela ovelha. Mas outra coisa é depois de ter encontrado a ovelha, voltar pelo mesmo caminho, carregando-a. Mas ele está se alegrando quando começa a parte difícil, voltando para casa, onde o restante do bando já foi levado, o que significa que é noite. E ele tem que voltar, por assim dizer, na escuridão.

D) QUARTA PALAVRA-CHAVE: CELEBRADO – Ele tem uma grande alegria no caminho de volta. O versículo 6 diz: “indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida”. Depois de uma jornada árdua e exigente no deserto acidentado, ele finalmente está em casa. Os fariseus e escribas certamente conheciam bem esta cena. Era algo comum por lá. Eles também podiam entender a alegria do pastor na estória que Jesus estava contando.

Neste ponto, Jesus os tem completamente absorvidos por essa estória muito familiar para eles, muito mais do que para nós. Era um fato corriqueiro. Mas, o que os surpreendeu foi a aplicação que Jesus fez dessa parábola. Foi algo devastador para eles.

3. APLICAÇÃO DA PARÁBOLA

Jesus disse: “Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”. A estória toda é sobre a alegria de Deus quando um pecador perdido é procurado, encontrado e recuperado. E o ponto é: Como Deus pode estar tão desejoso e preocupado em buscar e salvar os perdidos, e você não? O desprezo pelos perdidos mostra o quão você está distante do coração de Deus.

Você não quer se aproximar dos perdidos e Deus vai busca-los, encontra-os e os carrega de volta. Você está longe do coração de Deus e está preso à superficialidade e à trivialidade, enquanto as almas ao seu redor estão perdidas?

Mateus 9:36 diz que Jesus “vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor”. Ninguém para encontrá-las, resgatá-las, buscá-las em sua condição desesperada, desamparada, ferida, quase sem vida e levá-las de volta. Que hipócritas os escribas e fariseus eram! Eles não conheciam nada de Deus, nada sobre pastoreio.

Esta parábola expôs profundamente a triste realidade daqueles líderes religiosos. As multidões estavam vagando sem rumo, não havia pastores, não havia líderes religiosos segundo o coração de Deus. De fato, eles estavam tão distantes de Deus, que quando Deus enviou Seu próprio Grande Pastor, eles O mataram.

Deus encarnado em Cristo é o Pastor que busca os perdidos. Em Lucas 19:10, Jesus disse: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”. É Deus em Cristo que não apenas busca, mas encontra. Pedro declarou: “Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas” (I Pedro 2:25). É Deus em Cristo quem suporta todo o fardo da restauração.

Aquela imagem do Deus encarnado em Cristo, buscando e resgatando as ovelhas das trevas, colocando-as em Suas costas e carregando-as de volta para casa é o centro cristológico da parábola. Certamente, está se referindo à expiação. É Cristo quem procura os perdidos. É Cristo quem encontra quem Ele busca, porque conhece as suas ovelhas. E é Cristo quem suporta todo o fardo de sua restauração. De fato, naquele mesmo ato, o pastor estava fazendo um tremendo sacrifício, sentindo dor e sofrimento, suportando todo o peso da ovelha, levando-a de volta para casa. E assim, Jesus Cristo carrega todo o peso da nossa restauração.

Ele nos encontrou quando estávamos perdidos, solitários, sem esperança, indefesos e desesperados e Ele foi até nós, apanhou-nos e nos colocou em Suas costas. Não havia nada que a ovelha pudesse fazer para melhorar nossa trágica situação. Nada. Jesus disse:

Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. (João 10:14-15).

Isaías 53:5-6,11 diz que:

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.

Ele carregou tudo. Tudo vem da graça, de Cristo. Tudo o que podemos fazer é reconhecer nossa perdição, desespero e desamparo. O homem perdido está morto em delitos e pecados, ele não pode fazer nada por si mesmo. Por isso, Jesus disse: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer…” (João 6:44). No verso 37, Jesus havia dito: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. É tudo obra do Sumo Pastor. Ele faz tudo. Somente Ele tem poder para resgatar as ovelhas perdidas e sem forças para saírem das trevas do deserto.

Quando você pensa em um símbolo sobre o cristianismo, você pode pensar em uma cruz, certo? Mas, nem sempre foi assim na história cristã. No cristianismo primitivo, os crentes não usavam uma cruz. De vez em quando, eles usavam um sinal de um peixe, mas isso era mais no mundo gentio.

Os primeiros cristãos usavam a imagem de um pastor com uma ovelha no pescoço. Esse foi o primeiro símbolo, porque a igreja primitiva entendeu o significado de ser levado por Cristo de volta à presença do Pai. A figura de um pastor com uma ovelha no pescoço diz que quando eu estava morto em pecados, perdido e distante de Deus, Jesus me buscou e me encontrou e me levou para o Pai.

E eu costumava me perguntar por que eles faziam uma figura com uma ovelha quase tão grande quanto um homem? O tamanho exagerado da ovelha espelhava a dificuldade, esforço e sacrifício do Bom Pastor em nos trazer de volta para casa. Bem, isso é muito magnífico e mais tremendo por que ainda não é o ponto principal da história. O mais tremendo é a alegria que há nos céus por causa de uma ovelha que Deus entregou a Cristo para trazer de volta ao aprisco, para casa. Nossa alegria deve vir da alegria de Deus. É por isso que devemos evangelizar com tremendo prazer. Podemos ser instrumentos da alegria de Deus.

Há um pensamento muito esmagador para mim: penso em quanto tempo passamos em tristeza por desapontarmos a Deus. E quanto mais você envelhece, mais longo é o seu histórico desse tipo de tristeza. Mas posso participar da alegria de Deus e posso não apenas fazer com que Deus se regozije, mas todo o Céu se alegre se eu me permito ser um instrumento através do qual o Grande Pastor recupera os perdidos. Que maneira gloriosa de ver sua vida! Esta é a grande comissão.

Jesus encerra a parábola dizendo: “haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”. Essa última linha é um golpe naqueles escribas e fariseus, pois eles estavam muito longe de serem pessoas arrependidas. Jesus deixou isto muito claro a eles em todo momento. O pecador que se arrepende é como a ovelha: é ciente de suas fraquezas, incapacidade, desespero e necessidade. Sabe que está em perigo e desamparo, e que nada pode fazer para sair dessa situação terrível.

A ovelha perdida e que experimentou arrependimento, vê apenas uma esperança de vida e uma esperança de salvação, de modo que confia a si mesma nos braços do Grande Pastor e nele descansa plenamente, até que Ele a leve para casa. Isso está em contraste com as noventa e nove pessoas justas que não precisam se arrepender.

Que privilégio é para nós participarmos dessa obra grandiosa de nosso Sumo Pastor! Os fariseus e os escribas nada tinham a ver com os propósitos de Deus, com a obra de Deus. Eles se iludiram ao pensar que não precisavam de arrependimento. Eles formavam um bando de legalistas que criam em seus esforços para agradarem a Deus. A oração deles era assim:

Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo (Lucas 18:11-12).

Por outro lado, há aqueles que estão perdidos e sabem que estão perdidos. Eles dizem: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lucas 18:13). Eles estão desesperados. Eles são levados para casa. E então, uma coisa surpreendente: eles se tornam as ferramentas e os instrumentos pelos quais o Grande Pastor continua a resgatar outras ovelhas perdidas. Este é o nosso alto chamado e a grande alegria do céu. Vamos orar.

Senhor, sentimos, em certo sentido, como se tivéssemos tocado apenas a superfície do que está aqui nesta rica e maravilhosa seção das Escrituras e, ainda assim, sentimos como se estivéssemos dentro da parábola, porque a entendemos. Ajude-nos, Senhor, a responder como Tu queres que respondamos.

Enquanto suas cabeças estão curvadas por apenas um momento, se você é uma daquelas ovelhas perdidas, é hora de você clamar ao Bom Pastor, o Grande Pastor. Clame a Ele, peça a Ele que seja misericordioso e busque você e leve você para o Pai. Se você é um cristão, mas suas prioridades estão todas confusas, é hora de você pedir a Deus que lhe dê alegria, proporcional à alegria do céu, em gastar sua vida com o propósito de encontrar os perdidos. Alguns de vocês não foram batizados. Alguns de vocês ainda não se juntaram a esta igreja. Alguns de vocês têm outros problemas em sua vida com os quais precisam lidar. O que quer que o Senhor esteja lhes dizendo, queremos ajudá-los.

E depois do último verso de um hino, a sala de oração na frente à minha direita está aberta. Se você quiser alcançar o Grande Pastor, Ele ouvirá seu choro. Se você quer estar comprometido com este trabalho de recuperar os perdidos e ser uma ferramenta que o Grande Pastor pode usar, se você quiser alguma ajuda e alguma oração, se você quer se juntar a nós como uma igreja e servir conosco neste grande empreendimento evangelístico, o que quer que esteja em seu coração, estamos aqui para servi-lo e aconselhar e orar com você. Venha para a frente depois do hino.

Pai, oramos agora, ao cantarmos um hino final, para que selemos em nossos corações um novo compromisso de sermos fiéis a Ti e agradecermos ao nosso Grande Pastor que nos levou para casa. Em Seu nome, oramos, amém.


Este texto é uma síntese do sermão “Recovering the Lost Sheep”, de John MacArthur em 13/11/2005.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/42-198/recovering-the-lost-sheep

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *