Sobre Dons Espirituais (3)

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Esta é uma série de sermões de John MacArthur sobre dons espirituais e homens especialmente dotados. Veja os links no final deste texto.


1. INTRODUÇÃO

Estamos estudando 1 Coríntios, capítulo 12. E eu me sinto numa corrida de cem metros na areia… parece que nem comecei a corrida ainda. Normalmente, eu costumo pregar enfatizando mais a aplicação do texto do que as informações sobre o texto bíblico. Mas, nesta série encontro-me pressionado a ensinar explicitamente o que a Escritura diz.

Esse é um assunto muito importante. É um assunto que envolve muitas experiências, muita emoção e vários ensinos a respeito. Porém, meu compromisso é nos voltarmos para a Palavra de Deus e olharmos atentamente para ela, verso-por-verso, palavra-por-palavra, para definir toda essa dimensão quanto aos dons espirituais. Isso é de vital importância. Vamos olhar, nesta manhã, os versos de 4 a 7 e, em seguida, saltar para o versículo 11. Estaremos abordando o segundo ponto em nosso esboço: A fonte dos dons espirituais.

4 Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo.
5 E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo.
6 E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos.
7 A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.
11 Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.

2. O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO SANTO

Nós, como cristãos cremos em Deus. Cremos que Deus manifesta a Sua personalidade em três pessoas: Deus o Pai, Deus, o Filho, e Deus, o Espírito Santo. Essas três pessoas trabalham em total acordo. Deus é um e, ainda, três. Agora, vamos nos concentrar no ministério do Espírito Santo, uma das pessoas da Trindade.

2.1. A OBRA DO ESPÍRITO NOS NÃO SALVOS

O que o Espírito Santo faz? Bem, basicamente, a partir do que diz o Novo Testamento, o Espírito Santo ministra para duas categorias de pessoas, que são as únicas categorias que existem: as pessoas que conhecem a Deus e as pessoas que não O conhecem. Quanto a estas últimas, o Espírito de Deus está envolvido em convencê-las. Em João 16, é dito que o Espírito de Deus nos convence do pecado, da Justiça e juízo. Seu Ministério é trazer tais pessoas a Deus.

2.2. A OBRA DO ESPÍRITO NOS SALVOS

Quanto aos crentes, Seu Ministério é muito mais complexo. Uma vez que conheçamos Jesus Cristo, recebendo-O como Salvador, tendo nascido na família de Deus, o Espírito de Deus, em seguida, começa a trabalhar em nossas vidas. O Espírito de Deus ministra aos crentes em duas dimensões: individualmente e coletivamente.

2.2.1 A OBRA INDIVIDUAL

 O que o Espírito de Deus faz por você individualmente? Muitas coisas. Mas, vamos citar algumas delas.

REGENERAÇÃOEm primeiro lugar, o Espírito Santo regenera. Foi o Espírito de Deus que fez você ser salvo ou que te trouxe para a família de Deus. Jesus disse em João 3, você deve nascer do Espírito…”. É o Espírito de Deus que opera a salvação e é o Espírito de Deus que, em seguida, continua a transformar o indivíduo visando a obter, como é dito em 2 Coríntios 3:18, a imagem de Jesus Cristo. Essa é a obra de regeneração que o Espírito faz.

GARANTIA DA SALVAÇÃO: O que mais Ele faz? Ele garante nossa salvação. 1 João 4:13 diz que conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito. O Espírito de Deus testemunha com o nosso Espírito – Romanos 8 – que somos filhos de Deus. Assim, o Espírito de Deus assegura a nossa salvação. Quando você vê alguém que não sabe se conhece a Deus, que não tem a confiança de foi salva, que não tem segurança sobre o seu futuro, pode ser que essa pessoa, na verdade, não seja um cristão e é por isso que ela não tem testemunho do Espírito Santo no seu coração.

ADOÇÃOEm terceiro lugar, o Espírito de Deus nos adota como filhos. Ele nos não só a realidade da filiação, mas um senso de tê-la. Em Gálatas, capítulo 4, verso 6, Paulo diz: porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai, que é uma palavra para se referir a um pai com ternura. Assim, o Espírito de Deus individualmente me dá uma sensação de ser um filho de Deus.

SELOEm quarto lugar, o Espírito de Deus nos sela. Quando um Rei enviava uma carta ou um decreto nos tempos antigos, ele derramava um pouco de cera sobre ele e sobre ela colocava seu selo, tornando aquele documento oficial. A você e a mim foi dado um selo por Deus. E este é o Espírito Santo. Assim, o Espírito coloca Seu selo de autenticação em nós que diz: “oficialmente esse filho pertence a Mim.”

HABITAÇÃOEm quinto lugar, o Espírito de Deus habita em nós. 1 Coríntios 12:13 diz que todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Romanos 8:9 diz: se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Assim, o Espírito habita em nós.

LIBERTAÇÃOOutro ponto: o Espírito nos liberta. Em 2 Coríntios 3:17 é dito que “onde estiver o Espírito de Deus, aí há liberdade.” Liberdade da lei,  liberdade de ter que agradar a Deus por auto esforço, liberdade das obras de justiça própria, liberdade do pecado, da carne, de Satanás, além de outras coisas.

CAPACITAÇÃOEm sétimo lugar: o Espírito Santo nos capacita. Atos 1: 8 fala que ao receber o Espírito, você recebe poder.

SANTIFICAÇÃOO Espírito também nos faz santos. Em 1 Tessalonicenses 4, Paulo nos diz que Deus nos quer santos e nos deu o Espírito para este fim.

 REVELAÇÃO DA VERDADE: O Espírito Santo também nos revela a verdade. Observe 1 Coríntios 2:9:  “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,e não subiram ao coração do homem,são as que Deus preparou para os que o amam.” Nem a experiência empírica nem a filosofia podem nos revelar as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam. Em outras palavras, o homem, por empirismo ou pela filosofia, não pode descobrir Deus. Porém o próximo verso diz, “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito. De modo que o Espírito de Deus em nós nos ensina, revela a verdade para nós.

DIREÇÃOOutrossim, o Espírito de Deus nos guia: “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus. romanos 8:14 diz. Este é o ministério múltiplo do Espírito. E não para por aí.

INTERCESSÃO: Em Romanos 8 nos é dito que o Espírito de Deus intercede por nós com súplicas que não podem ser pronunciadas, humanamente falando.

Tudo isso é o que o Espírito de Deus faz para você como um indivíduo. Você percebe quão importante é Ele? Quero dizer, seria impossível vivermos sem o Espírito Santo. Mas Deus nos deu a plenitude do Espírito.

2.2.2 A OBRA COLETIVA

Agora, o que acontece com a segunda categoria? O que o Espírito Santo está fazendo para a Igreja,  coletivamente?

Bem, Ele habita em Sua igreja. Efésios 2:22 diz: No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.

Então, Ele está se movendo em Sua igreja. Mas, fazendo o que? Eu vou te dar vários pensamentos rapidamente.

 Ele cria comunhão. O Espírito de Deus é um catalisador que estimula a interação e a comunhão. 2 Coríntios 13 fala sobre a comunhão do Espírito. O Espírito de Deus gera comunhão. Por exemplo, em Atos 2, o Espírito de Deus desceu, certo? Pessoas começaram a falar em línguas incríveis. Pedro pregou e 3.000 pessoas foram salvas. A primeira  coisa que o texto diz após a narrativa de todas esses acontecimentos é: E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão…”. O Espírito de Deus veio e criou comunhão.  Apreciamos isto e desfrutamos desse amor.

O Espírito nos ajuda na adoração. Creio que o Espírito gera em nós uma expressão coletiva de culto. Por exemplo, quando João vai adorar em Apocalipse 1 e 4, ele diz eu estava em Espírito. Quando os crentes vêm juntos diante de Deus, o Espírito de alguma forma nos chama à adoração a Deus.

Ele inspira a Escritura. Sempre que eu abro a Bíblia para ensiná-la, lembro que jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens santos falaram da parte de Deus, orientados pelo Espírito Santo.

Ele também guia a igreja. O Espírito Santo, em atos 13:2, disse em Antioquia: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. E assim, o Espírito de Deus dirige a  vida corporativa da igreja.

 Ele gera unidade na igreja. Efésios 4:3, diz: Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. O Espírito de Deus gera unidade, Ele trabalha para a unidade.

Agora, deixe-me dizer algo importante: não precisamos criar unidade na igreja. Você não precisa criar unidade, você só precisa parar de criar a divisão. A unidade já está na vida comum. Tomemos nosso lar como um exemplo. Temos uma unidade corporativa básica em nossa casa. Minha esposa, eu e nossos quatro filhos somos um. Somos um geneticamente. Nós compartilhamos juntos uma vida comum. Minha esposa e eu nos tornamos um em nossos filhos. Nossos filhos são um conosco. E, portanto, há uma unidade genética.

Mas, há mais do que isso. Na nossa família, por exemplo, há uma unidade intelectual. Isso não significa que possuímos todos a mesma inteligência. Simplesmente significa que todos nós falamos sobre as mesmas coisas, então todos nós podemos compartilhar o mesmo plano intelectual. E você descobrirá que meus filhos vão fazer juízos de valor sobre coisas com base no que eu penso. É fantástico. E é assim também com os filhos de vocês.

Mas, você vê, também há um aspecto emocional. Posso observar que tanto na minha família, como nas outras, respondemos emocionalmente da mesma maneira, porque aprendemos a funcionar assim. Existe uma unidade voluntária, ou seja, fazemos escolhas semelhantes. Agora, isso é tanto verdade na igreja, como o é na família. Estávamos no acampamento da família e o Pastor Swendall, que ensina sobre  família, esteve observando a minha família e fez um comentário interessante: “Você sabe, de todas as famílias que conheci, acho que a sua é a cujos membros são os mais parecidos uns com os outros…”.

De fato, nós nos parecemos. Bem, você sabe, dizem que quando pessoas vivem juntas começam a se parecer umas com as outras. E o Espírito de Deus criou essa comunhão na igreja. Não cabe a nós criá-la. Cabe a nós parar de atrapalhá-la. Então você não precisa correr e criar unidade, você só precisa parar de criar a divisão. Você entende? E a unidade cuidará de si mesma. Isso é muito mais fácil.

O Espírito nos concede dons. Agora, como o Espírito Santo consegue gerar unidade? Bem, a maneira como o Espírito Santo estimula essa unidade, a forma como Ele gera essa unidade, é dando a todos um ministério, para que possamos falar, pensar, sentir, escolher, saber juntos, de modo que estejamos nos relacionando. Todas essas dimensões de interação, você vê, criam uma unidade básica gerada a partir de nossa vida eterna comum.

3. A MINISTRAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

Agora, é importantíssimo, amado, e eu quero que você preste atenção e pense nisso enquanto eu falo com você: é fundamental que ministremos uns aos outros, porque isto mantém a unidade. Assim que alguém se fecha, não interage, compartilha ou ministra, então ele se torna um ponto de isolamento e há uma lacuna. Mas, quando o fluxo da comunhão está seguindo seu curso, haverá essa unidade. Haverá a manutenção dessa unidade do Espírito.

3.1. O QUE É UM DOM ESPIRITUAL?

Agora ouça: ministramos uns aos outros  através dos nossos dons espirituais. Você diz: “O que é um dom espiritual?”. Um dom espiritual é a capacidade dada por Deus através da qual o Espírito Santo sobrenaturalmente ministra ao corpo. Por exemplo, tenho o dom espiritual de ensinar ou pregar. Eu me levanto e ministro para você, enquanto o Espírito de Deus me energiza.

Ministrar a Palavra de Deus à igreja é é algo que não posso fazer de mim mesmo. Isso é algo que o Espírito de Deus deve fazer através de mim. Seu dom espiritual não é, por exemplo, cozinhar. É fantástico se você sabe cozinhar, mas há bons cozinheiros que sequer conhecem Deus. Cozinhar é uma habilidade humana. O dom espiritual não é uma habilidade humana. 

É fantástico saber tocar um instrumento, mas isso não é um dom espiritual. Isso não é algo energizado pelo Espírito Santo. Isso é algo que as pessoas podem saber fazer independentemente de terem o Espírito Santo ou não. Seu dom espiritual é uma capacidade única para ministrar ao corpo de Cristo através de um veículo ou canal, pelo qual o Espírito de Deus toca sobrenaturalmente a vida de outras pessoas. Agora, isso é crítico.

O Espírito de Deus cria a unidade corporativa. Para manter essa unidade, devemos ministrar mutuamente. Deve haver no corpo o intercâmbio de pensamentos, sentimentos e escolhas, e todas essas dimensões da vida. Isso é necessário. Agora é por isso que Paulo está tão chateado em 1 Coríntios 12. E, no versículo 1, ele diz: Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.  Por quê? Porque se os dons não operam, não haverá aquela linda unidade que é necessária, como vimos há algumas semanas, para que a igreja seja uma manifestação corporativa de Cristo.

Deve acontecer. Tem que haver a ministração dos dons espirituais. Tem que haver uma reciprocidade. Olhe para os versos 8 a 10, ele diz:

Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.

E você passa para o versículo 28:

E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Você pode ir para Romanos 12 e você encontrará outra lista como esta. Os dons são dados ao crente individual como capacidades através das quais o Espírito de Deus pode ministrar à Sua igreja. Eles são muito, muito importantes. Agora, eu não quero perguntar quantos de vocês sabem quais são seus dons espirituais. Quero que você pense nisso. E eu não quero pedir publicamente que você responda se está usando ou não o seu dom. Eu só quero que você pense nisso. Porque isso não é algo entre você e eu, isso é algo entre você e quem? E Deus.

Você é um mordomo. Você sabe o que é um mordomo? Você não é proprietário de seu dom espiritual, você o administra para Ele. E pode ser um caso de boa administração ou má administração. Mas, para haver a manutenção da unidade, deve haver  ministração dos de dons. Isso é absolutamente necessário.

3.2. OS CORÍNTIOS E A PERVERSÃO DOS DONS 

Mas, em Corinto, o que aprendemos até aqui? Que eles corromperam todo o sistema. Eles não estavam contentes com os dons que Deus lhes havia dado. Eles queriam dons diferentes e estavam pervertendo os dons que tinham.

Os dons foram transformados em motivos de orgulho. “Bem, que dom você tem?… Bem, eu só tenho o dom de ajuda… Que pena, isso é muito ruim… Eu tenho o dom da profecia”. O olho estava dominando o pé e o pé estava dizendo: “Eu quero ser um olho!!”. Você vê? Tudo isso se tornou um grande problema naquela igreja. Ali estava uma igreja ricamente dotada, mas eles haviam pervertido tudo.

Já vimos que os coríntios viveram em uma sociedade contaminada com as religiões de mistério. Lembram? E a expressão dessas religiões era o êxtase. Em outras palavras, quanto mais frenesi ocorresse, maior seria o contato com os deuses. Os coríntios criam que a pessoa se conectava com Deus quando ficava histérica. Infelizmente, isso entrou na igreja. E assim, eles pegaram o dom das línguas – que é a capacidade de falar uma língua que a pessoa desconhece, que nunca aprendeu – e o transformaram no dom superior.

Na cultura grega, esse tipo de confusão histérica era um sinal de sua religião. Quando se juntavam em seus festivais, eles entravam em um frenesi que resultava em orgias e comportamentos selvagens, bizarros, bem como possessão demoníaca. Mas tome, por exemplo, um grande intelectual como Platão. Agora, Platão é conhecido como intelectual. Ouça o que ele disse na sua obra Fedro: “É através da insanidade, que é o êxtase devido à possessão divina, que as maiores bênçãos chegam até nós”. Isso é incrível. A ideia é de que quanto mais histérico você for, mais benção espiritual você vai conseguir.

Agora, se você acha que essa foi uma declaração isolada, eu vou te mostrar outra. Em Timeu, Platão também disse: “Ninguém em posse de sua mente racional alcança a divina e verdadeira exaltação. Você nunca pode tocar a divindade até ficar fora de sua mente”. Isso é Platão. Quanto mais não racional, maior seria o sinal de inspiração divina. Você pode colocar assim: quanto mais pneuma, menos nous. Quanto mais você estivesse fora de si, fora do controle de sua mente, mais você estaria tocando Deus.

Michael Green diz, e isso é útil saber, que os coríntios tinham a seguinte ordem ascendente de valor: o mestre, o profeta e o homem que falava em línguas. Por quê? Eles colocaram o mestre no nível inferior, porque ele fala confiando no racional. O próximo na escala ascendente teria sido o profeta, porque ele fala por inspiração divina de forma inteligível. Mas o nível mais alto teria sido aquele com discurso cheio de êxtase, porque a pessoa falava de modo ininteligível e, portanto, estaria se conectando com a mente divina. Bem, isso é exatamente o que estava acontecendo em Corinto.

Deixe-me ler uma nova declaração de Michael Green que o ajudará a ver isso:

Supor que quanto mais um homem perde a posse de si mesmo, mais inspirado por Deus deve ser, é negar a Deus o seu lugar no racional. Supor que as explosões de espírito não pessoais são as marca da inspiração, é esquecer que é com o Espírito de Jesus que estamos lidando. Qualquer despersonalização do Espírito também é menosprezo do ético, como se não importasse como você se comporta, desde que você tenha essa marca de inspiração divina em você.

Por isso é que alguém poderia se levantar no meio da reunião daquela igreja e declarar “Jesus é maldito!” e eles atribuírem tal coisa ao Espírito Santo. Por quê? Porque eles consideravam mais  a experiência do que a essência. E isso é o que Paulo corrige nos versículos 2 e 3, como vimos na semana passada. Michael Green ainda diz:

Além disso, se certo dom em particular é estabelecido como superior aos outros dons, isso facilmente leva a um culto de experiência, ao individualismo excessivo, ciúmes naqueles que não têm o dom, orgulho naqueles que o têm e, no meio de tudo isso, o amor cristão pode desaparecer, assim como a unidade cristã.

Então eles corromperam os dons. Paulo teve que escrever os capítulos 12 a 14 desta carta para corrigi-los através de informação adequada e uso dos dons.

4. A FONTE DOS DONS ESPIRITUAIS

Agora vamos ao nosso segundo ponto no esboço.  Lembremos que olhamos a última vez o primeiro ponto, a importância dos dons espirituais. Vimos que eles são de vital importância. E não devem ser confundidos com o trabalho dos demônios, nem com a obra de Satanás, nem com o trabalho de alguns pagãos frenéticos. Mas, eles são marcas divinas do Espírito Santo.

Lucian, nos Diálogos dos Mortos, descrevendo o êxtase, relata: uma espécie de deus ou demônio nos conduz aonde e sempre que quiser, e é impossível resistir a ele.. Agora, esse era o tipo de religião pagã coríntia. Mas,  Paulo diz no versículo 2: Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. Mas, agora não é mais assim. Vocês devem saber a diferença entre o que é verdadeiro e o que é falso.

4.1. A DIVERSIDADE DOS DONS

Agora, tendo falado sobre a importância dos dons,  em segundo lugar, Paulo se move para a sua fonte. Vejamos os versículos 4 a 7, a fonte dos dons espirituais, e isso é muito, muito importante. Eu só quero que você entenda a passagem. Versos 4 e 5: Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Pare aqui.

Agora, você verá um contraste. O mesmo Espírito, o mesmo Senhor, o mesmo Deus. Mas, por outro lado, existem variedades de dons e ministérios. Um Deus, um Cristo, um Espírito, o que significa que Ele tem uma vontade. Ele construiu a unidade da Igreja. Mas essa unidade só acontecerá, só será mantida, quando houver uma diversidade de ministérios. Você entende agora?

Uso esta ilustração no meu livro sobre o assunto. Se um repórter entrevista um quarterback [lançador, no futebol americano] e ele lhe pergunta: “Você tem um grande jogo amanhã. Você está pronto para isso?”. O jogador diz: “Oh, sim, estou realmente pronto”. O repórter diz: “Você realmente sente que há unidade no time?”. O jogador diz: “Oh, nunca tivemos tanta unidade… Essa é a unidade mais incrível. Nós não podemos nem acreditar nisso!”. O repórter questiona: “Bem, o que você quer dizer?”. O jogador revela: “Estamos tão unidos, que todos os 44 jogadores decidiram jogar na posição de quarterback”.

Nesse exemplo, você não tem unidade. Você vê, a única maneira pela qual a unidade funciona no trabalho em equipe é através da diversidade. E é por isso que a unidade da igreja se baseia no fato de que nós ministramos uns aos outros com nossas habilidades fortes, para torná-las mais fortes. Então, existe um único Espírito, um mesmo Espírito, mesmo Senhor, mesmo Deus, trabalhando em todos nós, mas através de diversidades de maneiras.

A palavra traduzida como diversidade’ é interessante. É uma palavra muito ampla. Significa distribuição, no grego. Deus tem distribuído variedades de operações dentro de Sua igreja. Existem variedades de dons. Alguns podem ter o dom de ensinar, alguns podem ter o dom de dar, outros o dom de socorrer, alguns podem ter o dom da administração, o dom do governo, dentre outros. Há multiplicidades de dons e a maioria de nós, tenho certeza, tem mais de um. Talvez um seja mais forte em manifestação do que outro.

Esta lista, em 1 Coríntios 12, não é exaustiva. Há uma outra em Romanos 12, há uma sugestão de outra lista em 1 Pedro 4. Não há motivos para presumirmos que essa lista de dons contenha tudo. Eu li um livro que dizia haver apenas quatro dons. Li outro afirmando que há nove, outro dizendo que há 11, outro 14, outro 17, outro além disso – 19. Quantos dons existem, então? Eu não creio que esse seja o ponto. Eu não penso que precisamos listar todos os dons.

Há tantas variedades de maneiras em que eles operam, não tenho certeza de que possamos sempre catalogá-los de forma tão isolada. Alguns deles se sobrepõem tanto que você pode ter uma mistura deles. Existem combinações, existem categorias diferentes. Pode haver 30 de nós nesta sala que têm o dom de ensinar, e todos os 30 de nós podemos manifestá-lo de uma maneira totalmente diferente, através de um estilo completamente diferente, para um grupo de pessoas inteiramente diferente, com objetivos inteiramente diferentes.

Mas, essa é a beleza da diversidade. A palavra variedade está nos versículos 4, 5 e 6, no original grego. Concluímos, então, que existem variedades. Não precisamos definir cada dom e limitá-los a um conceito.

4.2. A DIVERSIDADE DE OPERAÇÕES

Existem, até mesmo, variedades de poder. Veja o verso 6, que diz: há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A palavra operações aqui significa energização. Existem diferentes manifestações do poder divino.

Alguns dons, manifestados de certa forma, exigem um grau de poder diferente do que outros. Se você ler o capítulo 12 de Romanos, versículo 4, você lerá sobre a medida da fé. E então, se você ler o versículo 6, lerá novamente sobre a medida da fé. Deus lhe dá dons e mede a quantidade exata de fé para fazer esse dom funcionar. Você pode imaginar, por exemplo, se Deus me deu o dom espiritual, a capacidade espiritual para ministrar a esta igreja, esta é uma grande igreja, há muita responsabilidade.

Eu posso entender como uma pessoa poderia entrar em colapso em uma situação como essa. Porque há muita coisa que pode gerar ansiedade, há muitas pessoas diferentes, muitos problemas diferentes. É necessário um certo tipo de energização do Espírito Santo para colocar alguém em uma situação como essa. Agora, o que acontece se Deus me deu a capacidade de ensinar, de pregar para você e de guiá-lo, mas não a fé para crer que é possível? Eu vou sucumbir. Eu vou tentar fazer algo que não acredito que eu possa fazer.

Então, quando Deus me dá a capacidade espiritual, ele mede a fé e dá a capacidade proporcionalmente à medida da fé, de modo que eu não fique frustrado. Você vê? E isso significa que a energização é equivalente ao dom. De modo que, assim como o Espírito de Deus traz o dom, ele o energiza nessa medida da fé, então há uma sensação de realização. Agora, isso é realmente importante. Em todas essas variedades e todas essas manifestações diferentes, existem diferentes manifestações de poder.

4.3. CINCO PALAVRAS QUE NOS EXPLICAM OS DONS

Agora vejamos os termos usados nos versículos 4, 5 e 6, muito rapidamente. Eles contêm cinco palavras, dizendo-nos cinco aspectos diferentes,cinco diferentes facetas de um diamante, sobre essa idéia de enobrecimento espiritual no ministério da igreja. Essas cinco palavras que iremos examinar se relacionam com os dons espirituais e nos fornecem uma compreensão maior do conceito e da operação dos dons.

O ESPÍRITO SANTO É A FONTE DOS DONS: –A primeira palavra é espiritual, pneumatika,  no versículo 1. E já dissemos que  isso significa que a fonte dos dons é o Espírito Santo.

OS DONS SÃO FRUTOS DA GRAÇA: A segunda palavra está no versículo 4: diversidades de dons. A palavra grega traduzida como ‘dons’ aí é charis’.  Agora, você conhece a palavra carismático? Quando dizemos que alguém é carismático, o que queremos dizer com isso é que ele é uma espécie de pessoa eletrizante, cativante e encantadora. A palavra carismático é de uma palavra grega, charis”, que significa graça.

Graça significa um presente imerecido. Quando você olha sua capacidade espiritual, lembre-se disso, é um carisma. É um dom da graça de Deus. Você não mereceu isso. Você não pode dizer: “Bem, a razão pela qual eu cheguei onde estou hoje é por causa de mim”. Não. Se a razão pela qual você chegou onde está hoje na igreja é por sua causa, então você está num lugar onde você não deveria estar e todos os outros estão sofrendo as consequências disso. O que você tem é um presente, puramente um presente da graça.

Essa palavra, “charis”,  é usada 17 vezes no Novo Testamento. Onze vezes se refere a dons espirituais e as outras vezes se refere à salvação. A salvação não é um presente gratuito? Você mereceu isso? Você a conquistou? Não. E, portanto, os dons espirituais são presentes imerecidos e não conquistados, concedidos pela bondade maravilhosa, amorosa e graciosa de Deus.

Então, a primeira coisa que você aprende sobre sua capacidade é que ela é energizada pelo Espírito Santo, verso 1. Em segundo lugar, é um presente, você não conquistou, você não mereceu, é puramente pela graça soberana de Deus. E eu vou lhe dizer que isso me dá uma sensação de responsabilidade. A você também? Alguém me dá um presente e diz: “Você cuidaria bem disso?”. Eu vou cuidar. Quero dizer, eu quero ser um mordomo fiel.

E, portanto, existe um Espírito que dá graciosamente esses dons a todos os crentes, para que cada um de nós diga, como Paulo diz em 1 Coríntios 15: O que eu sou é pela graça de Deus. Sua graça foi superabundante para mim”. Além de Deus ter me salvado, Ele me chamou para o ministério. Por quê? Porque essa é a escolha Dele e eu O Agradeço por isso.

O PROPÓSITO DOS DONS:  O versículo 5 traz outro termo: há diversidade de ministérios. A palavra ministérios aí é diakoneon. Você sabe o que isso significa? Que palavra temos parecida com esta em nossa língua? Diácono. O que a palavra diácono significa? Servo. O que isso significa? Existem diferentes dons da graça e existem diferentes serviços. Paulo aí não está adicionando um conceito diferente. É apenas uma maneira diferente de dizer o mesmo.

Mas, isso me diz sobre o propósito de meus dons. Para que propósito são meus dons? Serviço. A mesma palavra, a palavra diakanas, aparece, por exemplo, neste versículo, traduzida como servir: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas servir” (Mc 10:45). O que isso significa? Significa servir, ser servo. Agora ouça-me: os dons espirituais, amados, não são projetados como privilégios especiais para quem os tem. Meu dom espiritual não é para a minha edificação.

Agora, eu poderia perverter o objetivo do meu dom. Eu poderia apenas ficar no meu escritório, estudar e aprender todas as coisas que eu aprendo, escrever todas as coisas e poderia até gravar um sermão e lhe dizer: “ouça-o!”. E eu poderia me isolar num lugar e ficar só orando, sozinho. Mas isso perverteria meu dom, certo? Quando alguém vem e diz: “Bem, eu tenho esse dom, mas eu o exercito apenas no privado, para  auto-edificação”. Eu digo: “Bem, seja lá o que for, não é o dom que o Novo Testamento ensina, porque os dons são chamados de serviços e isso implica que o dom seja ministrado em favor de outra pessoa”.

Em 1 Pedro você tem o mesmo. No capítulo 4, versículo 10: Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Seja qual for o seu dom, por favor, sirva outra pessoa com ele. Versículo 11: “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém.”

Todos os dons são para servirmos outras pessoas. Sirva uns aos outros em energia divina. Isso gera a edificação. Efésios 4:12 diz: Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo…. Ouça, Amados, seus dons espirituais, seja lá quais forem, não são para você. Alguém me disse outro dia: “Bem, eu acredito que alguns dos dons foram dados para auto-edificação…”. Você não pode sustentar isso na Palavra.

Mais tarde, vamos ver no capítulo 14, que os coríntios perverteram o dom das línguas para a auto-edificação. Isso seria como eu entrar no meu escritório e me ensinar. Não é a finalidade dos dons a auto-edificação. E é por isso que Paulo diz no capítulo 14, verso 12: Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja.. Essa é sua finalidade.

DIVERSIDADE DE OPERAÇÕESVoltando ao capítulo 12 de 1 Coríntios, verso 6: há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A palavra grega traduzida como operações aí é energe”, ou seja, energização, estímulo. Deus capacita de formas diferentes cada crente para o exercício de suas funções no corpo de Cristo. Agora, não confunda isso com talento natural. Trata-se de estímulo ou energização divinos. O Pai está envolvido em nos energizar e há diversidade de energizações, estímulos, empoderamentos.

É incrível! Quando passamos a ministrar os dons que Deus nos deu, há um fluxo de energia divina que é emocionante. E esse fluxo flui do crente quando ele está ministrando seus dons. De vez em quando, eu ouço uma gravação sobre algo que ensinei anos atrás, porque não consigo me lembrar do que pensei sobre o assunto e quero atualizar minha mente, e digo: “Nossa, eu disse isso? Isso é realmente fantástico!”. E fico vendo a capacitação do Espírito fluindo das palavras.

Um amigo veio até mim alguns anos atrás e ele disse: “Quero que você saiba que quero ajudá-lo e tenho uma observação a fazer”. E eu disse: “Ok, do que se trata?”. Ele disse: “Eu só quero que você saiba que você não tem o dom de aconselhamento. Tendo sido aconselhado por você em várias ocasiões, cheguei a essa conclusão”. [Risos]. E, você sabe, no início eu pensei: “Será?”. Essa é a reação humana natural. Mas, então eu me sentei e pensei: “Sabe, provavelmente isso seja verdade e aconselhar não é o que Deus me chamou para fazer.

Então, eu sei a diferença entre quando eu estou fazendo o que o Espírito de Deus me deu e me energizou a fazer, e quando estou fazendo outra coisa que eu preciso fazer às vezes, mas não tenho o mesmo senso de energia espiritual. Entende? É simplesmente diferente. E há diversidades de energizações do Espírito.

Então, você vê, o Espírito de Deus tem essa variedade fantástica. E, escute, você é um floco de neve, não há dois de você, Deus não pode substituí-lo por ninguém. Se eu olhasse para os meus filhos e dissesse: “Oh, eu tenho quatro filhos legais, mas não me importaria com uma mudança. Talvez eu deva dar um dos meus filhos e pegar outra pessoa”. Não! Nenhuma criança no mundo substituiria qualquer filho meu. Deus olha para você e diz: “Ei, se você não fizer isso, não há mais ninguém que faça. Você é um floco de neve”.

Os dons espirituais, suas energizações e serviços que Deus deu a você, Ele não deu a ninguém mais. Se você não fizer aquilo que foi equipado e capacitado a fazer, você sabe o que acontece? Não será feito e você estará dividindo, então, enquanto o objetivo do Espírito é a unidade.

A MANIFESTAÇÃO DOS DONSVeja o versículo 7. Deixe-me dar-lhe mais um pensamento: Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o bem comum. Agora, aqui está outra palavra relacionada aos dons espirituais: manifestação.

Agora, essa é uma palavra simples. E esse é um ponto sólido. Quero que você ouça agora. A palavra manifestação significa deixar claro, tornar visível, dar a conhecer. Isso significa o oposto de esconder ou ser privado. Significa ser público. Para que são os dons espirituais, então? Eles são para a manifestação. Eles devem ser visíveis, claros, manifestos, exibidos publicamente. Essa é a ideia. E, novamente, eu digo, quando alguém diz que tem um dom privado, surge a pergunta: como pode existir um dom privado, quando todos os dons são para a manifestação da obra do Espírito de Deus?

E se você pensar: “Sim, mas talvez o dom seja só para se manifestar à pessoa que o possui”. Veja o verso 7: A manifestação do Espírito é dada a todos os cristãos para o bem comum. A palavra grega usada no final do verso é soomfero“. Significa reunir-se. Para que é o seu dom espiritual? É para manifestar o trabalho do Espírito a todos que foram reunidos. Talvez haja apenas uma outra pessoa, talvez haja duas, três, talvez haja, como em nossa manhã de domingo, vários milhares, seja lá o que for.

Veja, esse é o ponto: meus dons não são destinados a fins pessoais, privados. Meus dons são para o bem comum. Seja qual for o dom, é para beneficiar todos. Você diz: “Mas e o dom das línguas?”. Você sabe de uma coisa, no capítulo 14, Paulo diz que o dom das línguas nunca deveria ser usado, a menos que fosse o quê? Interpretado. Porque, apesar de ser um sinal para o Israel incrédulo, tinha que ser interpretado, porque isso geraria edificação para a igreja. E nenhum dom deve ter qualquer outro objetivo, além de edificar as pessoas que estão reunidas. Isso é presumido em todos os dons.

Então, quando alguém diz que tem um dom privado, não procede. O dom é para beneficiar, literalmente, o bem comum, todos aqueles que foram reunidos. E veremos mais sobre isso à medida que avançarmos.

A UNIVERSALIDADE E A INDIVIDUALIDADE DOS DONS:Por último, verso 11: Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. O Espírito está por trás de todos os dons. E observe isso: repartindo a quem? A cada pessoa, cada crente.

Quantos cristãos têm dons? Todos. Não existe uma elite espiritual. Você não pode dizer: “Oh, sim, os talentosos subam no pódio e recebam seus dons como prêmios!”. Não, não, você recebe presentes, não prêmios. Os dons são diferentes. Mas todos os recebemos. O meu é diferente do seu. Você pode fazer o que eu não posso fazer.

Agora, veja, repartindo particularmente a cada um…”. O Espírito dá os dons a todos os crentes – isso é universalidade – mas, Ele dá cada dom particularmente ou peculiarmente a cada um – isso é individualidade. Ninguém tem o dom como o seu. Você é único. Não se trata de uma produção em massa do Espírito. Todo mundo é diferente, e a singularidade de todos se manifesta de uma maneira única. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

Lembre-se: você não pode procurar receber um dom. Isso é um presente de Deus, em primeiro lugar, e em segundo lugar, Ele é aquele quem decide a quem Ele quer dar cada dom, certo? Bem, você aprendeu um pouco sobre isso agora? Este é apenas o começo … apenas o começo. É rico. Vamos orar.

Pai, nós realmente agradecemos esta manhã pela comunhão que desfrutamos. Obrigado por nossos amigos que vieram estar conosco hoje  para compartilhar a verdade de Teu livro. Quão ricos somos por causa das coisas que o Espírito Santo fez por nós. Quão ricos somos por causa das coisas que Tu nos deste, esse enobrecimento divino. E, Senhor, queremos cumprir o ministério do Espírito, para mantermos a unidade do Espírito na igreja. E nós sabemos que temos que ministrar os dons e, enquanto ministramos, a igreja será uma, e como somos um, representaremos Cristo no mundo e as pessoas saberão Dele e serão trazidas para Ele, para Tua glória. Ajude-nos a sermos obedientes, Pai, a dedicarmos tempo para a oração e estudo da Palavra, a fim de Te conhecer e responder em obediência. Agradecemos o que Tu farás quando ministrarmos os nossos dons. Em nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre os dons do Espírito Santo e homens especialmente dotados, conforme links abaixo:


Este texto é uma síntese do sermão “Concerning Spiritual Gifts, Part 3”, de John MacArthur em 06/06/1976.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/1850

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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