Cristo e a Lei (2)

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Este é o segundo de uma série de 4 sermões de John MacArthur sobre Mateus 5:17-20, com o tema “Cristo e a Lei”. Veja os links no final deste texto.


1. REVISÃO DO SERMÃO ANTERIOR

Continuaremos hoje em Mateus 5: 17-20. Estou muito feliz em ver tanta gente unida para estudar a Palavra de Deus. Nosso Senhor diz:

17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.
18 Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.
19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.
20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.

Esta passagem estabelece uma base absoluta para a verdade, que é a Palavra de Deus. A lei de Deus, como se afirma no versículo 17, não passará e não pode ser quebrada mesmo em seu menor mandamento. A base absoluta para a verdade no mundo é a Palavra de Deus. É a Escritura, a fonte estática, permanente e objetiva de toda a verdade.

Obviamente, essa passagem torna-se primária ao estabelecer um dos dogmas básicos da fé cristã, e é assim porque a Bíblia é a Palavra de Deus. É fácil perceber que a Bíblia tornou-se um campo de batalha. A teologia liberal tem argumentado durante anos que a Bíblia não é inspirada por Deus, que não podemos confiar que é Deus nos falando, que é apenas obra de homens. Esse é um ataque frontal, aberto e flagrante contra a Bíblia.

Há outro tipo de ataque, igualmente danoso e maligno, vindo daqueles que definem a verdade pela experiência. Eles interpretam a Bíblia por sua experiência e dizem: “A Bíblia não é suficiente, precisamos adicionar filosofia, psicologia, sabedoria humana”. E assim, a Bíblia está sob constante fogo cerrado e tal fato ensurdeceu a muitos ouvidos. Aqueles que professam crer na perfeição da Palavra Deus tornam-se alvos de chacotas e zombarias.

Mas a Escritura traz o fundamento da verdade e nela Jesus reafirmou toda a sua autoridade como a absoluta Palavra de Deus. Jesus disse que nada será tirado ou omitido dela sem que tudo seja cumprido. Não há nada similar à Bíblia, sua autoridade é plena, pois ela procedeu de Deus.

Então, aqui, no início do ministério de Jesus, no início de Seu Sermão da Montanha, Ele dá Sua visão do Antigo Testamento, a lei de Deus, a Escritura. E isto se estende ao Novo Testamento. É uma declaração poderosa. Deixe-me dar uma pequena revisão do que olhamos na semana passada.

1.1. CENÁRIO HISTÓRICO

O cenário histórico é interessante e você precisa saber porque Jesus proferiu essas palavras. Ele era diferente dos outros mestres em Israel. Jesus não pregou e ensinou como os orgulhosos escribas e os fariseus, pois Ele era manso e humilde. Jesus rompeu com as tradições rabínicas. Ele não se identificou com nenhuma das seitas de seu tempo, nem a dos fariseus, nem dos saduceus, dos escribas, zelotes, nem dos essênios, ou seja, com ninguém.

Ele falou com autoridade absoluta e não precisava citar fontes rabínicas. Ele foi amigo dos publicanos e pecadores, em vez de virar as costas para eles, como faziam os líderes religiosos. Ele não estava preocupado com o homem exterior, mas como o homem interior.

Por causa dessas diferenças, as pessoas se perguntavam: “Ele é um profeta do Antigo Testamento? Ele acredita no Antigo Testamento? Ele está derrubando os padrões antigos para estabelecer um novo padrão? Ele é um radical que quer derrubar o Antigo Testamento?”. Esse é o contexto de Mateus 5:17-20. Suas palavras levantaram muitas perguntas relacionadas à lei. E isto se repetiu por todo Seu ministério.

Assim, resumindo, neste momento, as pessoas estavam se perguntando: “Este mestre acredita na Sagrada Escritura? Ele crê no Antigo Testamento? Ele crê na lei de Deus?”. E a resposta é sim. Mas, Ele combateu as distorções da tradição religiosa que transformaram a lei espiritual para algo no nível humano. Ele não só manteve o Antigo Testamento, como o elevou a um ponto inimaginável para a liderança religiosa. Então, esse é o cenário histórico: Ele mostrou que não veio destruir a lei, mas cumprir.

1.2. CONTEXTO BÍBLICO

Há também um contexto bíblico aqui no capítulo que você precisa ver. Jesus está pregando sobre Seu Reino aqui, Ele está anunciando que Ele é um Rei, e esse é o propósito de Mateus em todo o Evangelho de Mateus. Ele nos contou sobre o nascimento do rei, a homenagem ao rei, a linhagem do rei, o precursor do rei, as profecias cumpridas pelo rei e o a vitória do rei sobre o usurpador, Satanás, em Sua tentação no deserto. Todo o cenário foi estabelecido, e no capítulo 5 de Mateus vem o manifesto do Rei. Ele declara o caráter de Seu Reino, e começa nos versículos 3-12 (as bem-aventuranças).

Nelas, Jesus diz: “Aqui estão as características que devem ser verdadeiras nas pessoas em Meu Reino. É uma questão de vida interior e não de aparência exterior, não é um legalismo, mas uma realidade no coração”. E nos versos 13-16 de Mateus 5, Jesus diz que essas características se manifestam externamente no mundo.

E então, nos versos 17 a 20 de Mateus 5, Ele ensina que tudo isto conduz a uma obediência verdadeira às leis de Deus. Em João 14:21, Ele diz isto de outra forma: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai”. Em outras palavras, Jesus sempre afirmou que o verdadeiro caráter do Reino e o verdadeiro testemunho do Reino dependerão de um compromisso com a obediência à lei de Deus.

Não é diferente hoje. Não podemos sobreviver com um cristianismo que não é bíblico ou com um cristianismo quase bíblico. Não podemos manifestar a verdadeira virtude dos filhos do Reino, a menos que estejamos comprometidos com a autoridade absoluta da Palavra de Deus. Essa é a mensagem que precisa ser pregada.

As pessoas no Reino de Cristo têm uma visão alta e exaltada da Escritura. Elas mantêm as Escrituras acima de tudo, Elas desejam a obediência. Mesmo o apóstolo Paulo, lutando com a sua carne, disse: “segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Romanos 7:22) e que “a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12). O salmista diz: “Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia” (Salmo 119:97) e “A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma”.

Isso é verdade para qualquer um no Reino de Deus, que tenha realmente o caráter do Reino e queira manifestar testemunho do Reino. Haverá um compromisso com a autoridade absoluta e inviolável da Palavra de Deus.

A Bíblia está sendo atacada de todas as formas, sutis ou não. É muito comum o argumento de que tudo é uma questão de interpretação, e com isso mandamentos são excluídos das mensagens. Mas, a Palavra é a chave para a nossa justiça. Não podemos manifestar a justiça a menos que conheçamos a lei de Deus. Uma vida justa implica obediência à Palavra de Deus. Este é o único caminho para um testemunho efetivo no mundo.

Como já disse antes, o problema não é que a igreja não se articule muito bem no mundo, mas o problema é que ela tem se misturado com o sistema mundano. Não temos um testemunho crível e isto se dá porque não respeitamos os padrões justos que Deus estabeleceu. Se fôssemos pessoas como aquelas faladas nas bem-aventuranças, seríamos o sal e a luz do mundo. Esse tipo de justiça brota apenas de um compromisso com a Palavra de Deus. Isto é o que II Timóteo 3:16-17 diz:

16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para instruir em justiça,
17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

A justiça, a perfeição, a maturidade, a capacidade de fazer boas obras baseiam-se na Escritura e no compromisso com a autoridade da Palavra de Deus. Portanto, nosso Senhor, em Mateus 5:17-20, estabelece um princípio básico: A vida em Seu Reino é resultado de um compromisso absoluto com a autoridade da Palavra de Deus. Temos que ser obedientes, acima de tudo, à Palavra de Deus, não importa o que nos custe.

Há quatro coisas nestes quatro versos que dividimos em um esboço. Há quatro aspectos da visão do Senhor da lei de Deus: Ele vê a preeminência da lei, a permanência da lei, a pertinência da lei e o propósito da lei.

1.3. A VISÃO DE JESUS SOBRE A LEI

1.3.1. A PREEMINÊNCIA DA LEI

Na vez anterior, olhamos para a preeminência da lei de Deus. A palavra “preeminência” significa “singularidade”, é o fato de ser o mais alto, o mais nobre possível. É preeminente. Como vimos na última vez, Jesus dá três razões pelas quais a lei é preeminente.

Primeira razão: Ela é de autoria de Deus. “Não pense que eu venha destruir a lei”. Ele nem precisa explicar de qual lei está falando. Ele usa apenas um artigo definido, ‘a lei’, porque a lei, todos sabiam, era a lei de Deus, e isso a fazia preeminente. Tudo que Deus escreve ou diz é preeminente. Esse é o testemunho do Senhor Jesus Cristo, implícito no que Ele disse, como vimos na última vez. Em Sua fala, Ele realmente tem em mente a lei e os profetas, todo o Antigo Testamento, com seus elementos morais, judiciais e cerimoniais. Então, a lei é preeminente porque é de autoria de Deus.

Segunda razão: Porque é afirmada pelos profetas. “Não pense que eu venha destruir a lei ou os profetas”. Vocês se lembram de como os profetas tomaram a lei original de Deus, repetiram-na e exortaram o povo a cumpri-la. Eles a aplicaram em suas vidas e a pregaram, aplicando na vida das pessoas.

Terceira razão: Foi cumprida por Jesus Cristo. E este é o motivo mais maravilhoso. No final do versículo 17, Jesus diz: “Eu não vim destruir, mas cumprir”, e entramos na incrível realidade do que significa essa declaração na semana passada. Cristo disse: “Eu não vim anular a lei, nem ab-rogar a lei, nem diminuir o padrão. Eu vim cumprir a lei de Deus”. Vimos na última vez que isso abrangia todos os elementos da lei de Deus.

Você lembrará que em João 5:39, o Senhor disse: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”. Em outras palavras, Ele diz: “Eu sou o cumprimento de todo o Antigo Testamento”. Ele era o cumprimento de tudo, de uma forma ou de outra.

Em Hebreus 10:7, Cristo diz: “Então disse: Eis aqui venho (no princípio do livro está escrito de mim), para fazer, ó Deus, a tua vontade”. Todo o Antigo Testamento aponta para Cristo. Ele cumpriu a lei moral, cerimonial e judicial. Ele também era o cumprimento de todos os profetas. Ele é o cumprimento de tudo, e é por isso que a lei é preeminente.

A lei e os profetas não foram anulados, foram cumpridos. Todo o sistema judicial só era bom enquanto Israel fosse o povo de Deus. Quando isso acabou, o sistema acabou. O sistema cerimonial foi bom até o sacrifício final, e quando este chegou, o sistema foi eliminado. Isso só deixa um elemento da lei de Deus em vigor, e qual é? A lei moral. Todas as coisas identificadas com a lei judicial e cerimonial chegaram ao fim quando Jesus morreu na cruz e formou Sua igreja.

Ele cumpriu a lei do sacrifício morrendo na cruz. O véu no templo foi rasgado de cima para baixo, e todo o sistema sacrificial e cerimonial chegou ao fim. Por causa do que Ele fez, Ele nos permitiu cumprir a lei através do Seu poder. Romanos 8:4 diz: “Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”.

Não há nada de errado com a lei de Deus. A Bíblia diz que ela é “santa, justa e boa”. O salmista estava certo em dizer: “Oh, como eu amo a tua lei“. Mas, ela tinha que ser cumprida. Todas essas imagens precisavam de uma realização. Todas as profecias precisavam de um Messias para cumpri-las. Todas as imagens tiveram que ter uma realidade; alguém tinha que ser a pessoa perfeita e cumprir a lei moral de Deus. Alguém tinha que vir e ser o sacrifício perfeito. Alguém tinha que vir como juiz e enxertar um novo ramo na videira verdadeira. Cristo fez tudo e cumpriu tudo.

1.3.1.2 A RELAÇÃO ENTRE A LEI MORAL, JUDICIAL E CERIMONIAL

A lei moral estava por trás de tudo, por trás da lei judicial e da lei cerimonial. Eu não sei como posso dizer isso simplesmente para que você entenda isso, mas vou tentar. A lei moral não é senão a expressão do caráter e da natureza de Deus. Para ajudar as pessoas a entenderem a lei moral, Deus desenvolveu, em Israel, a lei cerimonial e a judicial, para ajudá-los a se concentrarem em Seu caráter. Mas, por trás de tudo isso, estava a lei moral de Deus, e de modo algum Deus jamais mudou Seus padrões morais.

Os judeus haviam baixado, através de interpretações humanas, o padrão da lei moral de Deus, mas Jesus ensinou todo o verdadeiro sentido e evidenciou o padrão elevado. Temos isto de maneira farta no sermão do monte. Se os judeus achavam suficiente não matar alguém, Jesus ensinou que odiar alguém é também um assassinato. O adultério não se resumia ao ato, mas ao próprio pensamento.

As cerimônias desapareceram, a identificação judicial de Israel como uma nação separada, o povo de Deus, desapareceu durante esse tempo em que Ele trabalha através da igreja. Mas, a lei moral permanece, ela está por trás de tudo.

1.3.1.3 O SÁBADO FAZ PARTE DA LEI MORAL. DEVEMOS GUARDÁ-LO AINDA HOJE?

À medida que as pessoas aprendem sobre isso, elas dizem: “Qual é a base da lei moral?”. Os Dez Mandamentos. Então, as pessoas dizem: “E o sábado? O Sábado é uma questão moral?”. Deixe-me ajudá-lo com isso. O sábado era parte da lei moral, não há dúvida sobre isso. Então, as pessoas dizem: “Se é uma parte dessa lei moral original, e o caráter de Deus é revelado em Sua lei moral, o sábado ainda permanece?”.

Bem, deixe-me dizer-lhe algo interessante. Existem elementos em todas as categorias da lei que ainda existem, sejam tais elementos de caráter cerimonial, judicial ou moral. Mas, há alguns elementos que foram cumpridos, que já não são observados. Por exemplo, não aceitamos hoje as leis judiciais de Israel, como uso de certas roupas e proibição de certos alimentos. Em Atos 10, você vê Pedro tendo dificuldades em abandonar esses preceitos. As leis judiciais serviam para distinguir Israel, como povo de Deus, das outras nações. Mas, após a rejeição do Messias e o advento da igreja, elas perderam seu valor.

No entanto, existem partes dessa lei judicial que permaneceram. Por exemplo, o alto padrão de Deus para com o casamento em Israel não mudou. Deus ainda deseja honestidade, pureza, integridade, monogamia etc. Deus tem o mesmo sentimento em relação ao casamento, o novo casamento, o divórcio e essas coisas. Em outras palavras, quando algum fator da lei judicial de Israel tocou um princípio atemporal, essa parte da lei ainda continua, até hoje. Quando o Antigo Testamento fala sobre o casamento e o divórcio em Israel, ele toca nos padrões de Deus e nós os encontramos repetidos no Novo Testamento. Então, partes da lei judicial foram estendidas a todos os crentes.

Pegue a lei cerimonial: não matamos carneiros, cabras, cordeiros e rolas. Mas você sabe que fazemos algumas cerimônias hoje que Israel fazia? Israel costumava louvar a Deus, e nós fazemos isso. Israel costumava orar a Deus, e nós fazemos. Israel costumava cantar músicas, e nós fazemos isso. Israel teve um coro e uma orquestra, e nós temos aqui tudo isso. Você vê, ainda existem elementos da expressão cerimonial de Israel que ainda estão por perto. Então não devemos ficar chocados ao ver essas coisas. É por isso que você não pode entrar na Bíblia e simplesmente dividir tudo; você tem que ser muito cuidadoso. Existem elementos da lei que foram cumpridos e elementos que se estendem além da identidade de Israel.

Agora, espere e eu vou te dizer o que estou tentando alcançar. Assim como há elementos da lei judicial que ainda estão por aí e elementos do culto cerimonial de Israel que ainda estão por aí, por que devemos ficar tão chocados se houvesse um elemento que fazia parte da lei moral que não está por aí? Se Deus pode deixar parte de alguns, Ele também pode cancelar partes de outros. O que eu quero dizer? O sábado passou. Por quê? É o único dos Dez Mandamentos não repetidos no Novo Testamento. Sabemos que a igreja primitiva se reunia no primeiro dia da semana. Eles começaram a se encontrar todos os dias, mas finalmente chegaram a uma reunião no primeiro dia da semana. Por que isso aconteceu? Porque o sábado foi cumprido.

Lembre-se, o mandamento dizia: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” (Êxodo 20:8). Mas as pessoas pegam isso e fazem uma confusão. A ideia não era não trabalhar, mas ser santo. Você vê isso? Na lei do sábado, Deus não estava dizendo: “Por favor, não trabalhe”. A concentração na santidade era auxiliada pelo não envolvimento em atividades terrenas e lucrativas. Mas a ideia era ser santo.

Então, o ponto é o seguinte: Deus queria que as pessoas fossem santas. Deixe-me dizer-lhe algo maravilhoso: quando você creu em Cristo você foi feito santo. O Espírito de Deus se estabeleceu em você e a justiça imputada de Cristo lhe foi dada. Assim, você se tornou santo diante de Deus. Então, em um sentido real, o conceito de sábado, a imagem do sábado do Antigo Testamento é cumprida na justiça e santidade que lhe é concedida em Cristo. Olhe comigo em Hebreus 3:8-9 e eu vou mostrar-lhe como isso funciona:

Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto. Onde vossos pais me tentaram, me provaram, E viram por quarenta anos as minhas obras.

Ele está falando sobre Israel viajando pelo deserto, incapaz de entrar na Terra Prometida por causa da incredulidade. Eles endureceram seus corações e colocaram Deus à prova, então Ele diz nos versos seguintes:

10 Por isso me indignei contra esta geração, E disse: Estes sempre erram em seu coração, E não conheceram os meus caminhos.
11 Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso [sábado].

Lembre-se que os espiões entraram na terra e voltaram dizendo: “Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós” (Números 13:30). Mas Josué e Calebe proclamaram: “Se o Senhor se agradar de nós, então nos porá nesta terra, e no-la dará, terra que mana leite e mel… O Senhor é conosco; não os temais” (Números 14:8-9). No mesmo capítulo 14 de Números, vemos que a congregação rejeitou suas palavras, queria apedrejá-los, rebelou-se contra Moisés e quiseram constituir um líder para retornarem ao Egito. E Hebreus 3:19-20 diz:

18 E a quem jurou que não entrariam no seu repouso [sábado], senão aos que foram desobedientes?
19 E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade.

No que eles não poderiam entrar? No cumprimento do descanso [sábado]. Veja Hebreus 4:1, que diz: “Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso [sábado] de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado”. Este é o termo “sábado”, a ideia do sábado.

Nos Dez Mandamentos, o sábado começa como um dia. Durante o passeio no deserto, o sábado se torna uma terra. No livro de Hebreus, o sábado se torna um relacionamento. Já em Hebreus 4:1, entrar no sábado é entrar em Cristo.

Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso [sábado]… (Hebreus 4:2-3)

Agora, você vê o ponto? O sábado era uma imagem; tornou-se uma terra e, finalmente, tornou-se um relacionamento. Quando você vem a Jesus Cristo, você entra no sábado (descanso). A partir de então, 24 horas por dia, em toda a sua vida, você está cumprindo a lei do sábado; você é santo. É por isso que o Novo Testamento nunca repete a imagem original de Êxodo 20, porque a realidade é cumprida em Cristo. Veja Hebreus 4:8-10, que diz:

8 Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia.
9 Portanto, resta um repouso para o povo de Deus.
10 Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas.

Em outras palavras, existe a aplicação espiritual. Para o povo de Deus que entrou em repouso, cessou o sábado. Cumprimos o sábado e seu significado espiritual, como Deus fez quando descansou. Então, Hebreus 3-4 indica que entramos no descanso pela fé, e que o sábado é cumprido.

Alguns dizem que devemos adorar no sábado. Olha, devemos adorar todos os dias. Não preciso de um dia para me lembrar de ser santo. Eu posso ser santo todos os dias, por causa da justiça imputada a mim por Jesus Cristo. Entrei no descanso, já não há necessidade do símbolo, porque tenho a realidade. Por que nos encontramos no domingo? Porque celebramos a ressurreição – o Senhor ressuscitou no primeiro dia da semana, e era assim que a igreja primitiva fazia, e é assim que estamos fazendo. Mas, francamente, não faria diferença se nos encontrássemos na terça-feira ou qualquer outro dia. E se continuarmos recebendo as mesmas multidões que estamos recebendo, podemos estar nos reunindo todos os dias da semana.

Alguns dizem: “Oh, mas não é domingo!”. Não se preocupe com isso. Ouça, você entrou no seu descanso, então todos os dias são santos para o Senhor. Todo dia. É maravilhoso nos reunirmos no domingo, porque cada vez que o fazemos, podemos comemorar a ressurreição de Jesus Cristo.

Então, Jesus disse que a lei é preeminente porque Deus é seu autor, porque é afirmada pelos profetas, porque foi cumprida por ele. Ele cumpriu o sábado. Assim, os fatores na lei moral, judicial e cerimonial mudaram por causa de Cristo. Ele cumpriu alguns, mas alguns ainda estão por serem cumpridos. Algumas das profecias ainda não foram cumpridas, ainda são futuras.

CONTINUAÇÃO DO SERMÃO ANTERIOR

1.4 A PERMANÊNCIA DA LEI

Em Mateus 5:18, Jesus diz: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra”. Isso nos leva ao segundo ponto, que é a permanência da lei. Os judeus procuravam um sistema mais flexível. Eles não podiam acompanhar os escribas e os fariseus, eles esperavam que alguém viesse e baixasse os padrões um pouco. Porém, Jesus faz exatamente o oposto. Ao condenar a abordagem hipócrita dos fariseus e escribas à lei de Deus, Jesus trouxe o sentido original, elevando o padrão. Em Mateus 5:18 Jesus diz:

Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.

Quando Ele diz “em verdade vos digo”, significa que Ele irá fazer uma forte afirmação, uma declaração muito forte e absoluta, uma verdade solene. Ele acrescenta: “Até o céu e a terra passem”. Esse é outro absoluto. Essa é uma forte frase introdutória. Ele está dizendo: “A palavra de Deus estará aqui até que o Universo saia da presente existência”. Algum dia o Universo vai passar de sua existência presente, a Bíblia é clara sobre isso. Naquele momento, entraremos no novo Céu e na nova Terra, e não precisaremos de uma Bíblia mais, porque viveremos em plena justiça, seremos como Jesus Cristo. Mas até esse momento, nada muda. Salmos, 102: 25 diz:

Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.

Aqui o salmista está comparando o Deus eterno com o Universo passageiro. Ele está dizendo que o Universo chegará ao fim. II Pedro 3:13 diz: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça”. Apocalipse 21:1 diz: “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”. Isaías 34:4 diz: “E todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um livro; e todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e como cai o figo da figueira”. Isaias 51:6 diz:

Levantai os vossos olhos para os céus, e olhai para a terra em baixo, porque os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra se envelhecerá como roupa, e os seus moradores morrerão semelhantemente; porém a minha salvação durará para sempre, e a minha justiça não será abolida.

Em Mateus 24:35, Jesus diz: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”. II Pedro 3:7 diz: “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo”. Em outras palavras, haverá um fim para o Universo, mas até que o ele termine e nós entremos em um estado eterno, essa Palavra deve permanecer. Que grandes declarações!

É um livro acima do tempo. Muitos dizem: O que a Bíblia tem a dizer hoje? Eu respondo: Tudo! É de autoria do Deus eterno e vivo. É a Sua palavra eterna e viva. Essas palavras são vivas, poderosas e penetrantes. Hebreus 4:12 diz:

A palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

Jesus não poderia ser mais específico do que foi na próxima declaração: “nem um jota ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra”. Um jota” refere-se a menor letra hebraica, que é um pequeno traço da pena, como um acento ou apóstrofo. O “til” é uma pequena extensão numa letra hebraica. O que ele está dizendo é: “A menor letra hebraica ou traço dessa lei jamais passará até que seja cumprida”. Ou seja, cada pequena parte da Escritura é inspirada por Deus, é imutável, inerrante e se cumprirá. “Eu não vim anular a lei, mas cumprir”.

Jesus cumpriu parte dela, mas a lei moral de Deus nunca foi deixada de lado, e tudo estará lá até que ela seja cumprida e o Céu e a Terra passem. Por outro lado, o Céu e a Terra não passarão até que todos os elementos deste Livro sejam cumpridos.

É excitante conhecer a história do mundo, não é? Sabemos para onde ele está indo e como vai acabar. Algumas partes do Antigo Testamento já haviam sido cumpridas, como a encarnação e nascimento de Cristo. Outras partes estavam sendo cumpridas, como Seu ministério profético. Algumas partes ainda estavam para ser cumpridas, como Sua morte, ressurreição e retorno final na glória. Mas nada mudaria nesse livro e seu caráter vinculativo no coração do homem, até que tudo fosse cumprido, desde um pequeno jota ou til. Por sinal, ‘cumprido’ aqui é uma palavra diferente do que no versículo 17. Aqui significa ‘vir a passar’. Tudo vai acontecer. O Dr. Arthur Pink escreve:

Tudo na lei deve ser cumprido, não apenas suas prefigurações e profecias, mas seus preceitos e penalidades. Cumprido, em primeiro lugar, pessoalmente e indiretamente pelo Garantidor. Cumprido, em segundo lugar, por Seu povo. Cumprido, em terceiro lugar, na condenação dos ímpios, que experimentarão a horrível maldição para todo o sempre. Em vez de Cristo se opor à lei de Deus, Ele veio aqui para ampliá-la, torná-la honrada e, ao invés de seus ensinamentos diminuírem a lei, eles a confirmaram e aplicaram.

Isso traz um assunto vital com o qual eu vou fechar esta noite, e essa é a visão de Cristo sobre as Escrituras. Para mim, esse é o único argumento sobre a Bíblia: Eu acredito na Escritura porque Jesus a confirmou. Eu creio naquilo Ele cria. Ele é Deus, a única autoridade do Universo. Tudo o que Ele fala é a verdade absoluta. E eu quero estar sempre alinhado com o que Ele pensa. É por isso que é tão importante conhecer a visão de Cristo acerca das Escrituras. E Ele disse que nem um jota ou til passarão da lei até que tudo se cumpra.

Ao estudar a Bíblia, você vê como Jesus cria na Escritura. Por sessenta e quatro vezes, Ele se referiu ao Antigo Testamento na perspectiva de plena autoridade. Ele disse: “A Escritura não pode ser anulada” (João 10:35).

Olhe para Mateus 22:23-32. Os saduceus, que não criam na ressurreição, vieram a Ele com uma pergunta, para tentar deixa-Lo sem resposta. Esta pergunta procurava opor a Escritura ao Evangelho. Mas Jesus respondeu-lhes: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (v.29). Eis aqui a introdução e fundamento de sua resposta. Sobre casamento após a ressurreição, Jesus lhes disse: “na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu” (v.30), e sobre a ressurreição: “e, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos” (v.31-32).

O que ele está dizendo é: “Você deve acreditar na ressurreição, porque Deus disse que EU SOU o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, muito depois que Abraão, Isaque e Jacó morreram”. Ele ainda era seu Deus. Era um relacionamento “Eu Sou”, não um “Eu Fui”. Assim, Jesus diz que eles ainda estão vivos. “Eu sou seu Deus e eles ainda estão vivos!”. Essa é razão suficiente para acreditar na ressurreição.

Você sabe, Jesus é divino, Ele é Deus. Ele colocou Suas palavras e o Antigo Testamento como iguais. Em Mateus 5:17, Ele disse: “até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra”. Mateus 24:35 Ele disse: “O céu e a Terra passarão, mas minhas palavras não passarão”. Em outras palavras, Ele equiparou Suas palavras com a Palavra de Deus como sendo absolutamente dotadas de autoridade e divinas.

A teologia incrédula diz que o Antigo Testamente está cheio de mitos. Diz que Jonas no ventre de um peixe é um mito, mas Jesus disse: “Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra” (Mateus 12:40). Diz que Adão e Eva são um mito, mas Jesus disse: “Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez” (Mateus 19:4). Dizem que Noé e o dilúvio são um mito, mas Jesus disse:

E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem (Mateus 19:37-39).

Jesus confirmou o relato da Criação e o padrão do casamento como Deus o projetou no Jardim em Mateus 19. Ele confirmou o assassinato de Abel em Lucas 11. Ele confirmou Abraão e sua fé em João 8 . Ele confirmou Sodoma e Ló em Lucas 17. Ele confirmou o chamado e a lei de Moisés em Marcos 12. Ele confirmou o maná do céu em João 6. Ele confirmou a serpente de bronze em João 3 e etc. etc.

Ele reafirmou a autoridade e precisão do Antigo Testamento. Então, acreditamos no Antigo Testamento porque, nas Suas próprias palavras, Jesus o confirmou. Ele colocou Suas próprias palavras como palavras divinas, um equivalente da Escritura, confirmando assim a Sua divindade também. Em todo tempo Jesus confirmou os acontecimentos do Antigo Testamento.

Ele estabeleceu que a Escritura era suficiente para salvar. Quando falava sobre Lázaro e o homem rico, em que o homem rico, no inferno, pede que alguém seja enviado de volta para alertar aos seus irmãos (Lucas 16), Deus diz que, se eles não acreditam em Moisés e os profetas, eles não vão acreditar em alguém ressuscitado dos mortos. Em outras palavras, o Velho Testamento era suficiente para salvar alguém do tormento eterno. Jesus cria na suficiência do Antigo Testamento. Ele cria que as Escrituras libertavam o homem do erro: “Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?” (Marcos 12:24).

Ao longo do caminho, em Mateus 4, Ele até usou a Escritura em Sua própria defesa. Quando Satanás veio a Ele três vezes e O tentou em três áreas, cada vez, Jesus respondeu dizendo: “Está escrito”. Ele citou Deuteronômio 8:3, 6:16 e 6:3. Ele não precisava citar a Bíblia, Ele poderia ter feito com suas próprias palavras, que teriam sido divinas, mas o que ele estava fazendo? Ele estava nos deixando um padrão de como lidar com a tentação e com Satanás: pela Escritura, a palavra poderosa de Deus. E é assim que um pastor deve conduzir a igreja: pela Escritura e não por palavras impotentes vinda da persuasão humana.

Após a Sua tentação, nosso Senhor foi a Nazaré. Quando Ele chegou e começou Seu ministério formal, Ele foi à sinagoga. A primeira coisa que Ele fez quando chegou lá foi abrir uma Bíblia, um texto do Antigo Testamento, e é o que Ele leu: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração, a pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lucas 4:18-19). Então, Ele fechou o Livro, entregou-o ao ministro e sentou-se.

Este foi o primeiro sermão que Ele deu em Sua própria cidade. E o que Ele fez foi ler Isaías 61:1-2. Todos ficaram olhando para Ele, e então Jesus disse: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lucas 4:21). Quando os discípulos de João Batista lhe perguntaram: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?”, Jesus respondeu citando novamente Isaías: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:3-5).

Na purificação do templo, Ele citou o Antigo Testamento (Lucas 19:46). No caminho de Emaus, após Sua ressurreição, ele mostrou a dois discípulos que Sua vida e morte estavam registradas no Antigo Testamento (Lucas 24:13-27). Quando Ele foi para a cruz, sabia que era cumprimento do Antigo Testamento.

O cidadão do Reino obedece ao manifesto do Rei. Deus não deixou de lado Seus padrões. Nosso querido Senhor é o tema de toda a Escritura. Sua autoridade é absoluta. Quando a multidão O abandonou, Jesus perguntou aos doze: “Quereis vós também retirar-vos?”. Pedro respondeu-lhe: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:67-68).

Tudo o que Jesus disse é dotado de plena autoridade. Se Ele disse que esta Escritura é vinculativa e verdadeira, isso é suficiente para mim. Ele é a autoridade absoluta. Se alguém ousa apontar erros na Escritura, está afirmando que Jesus não sabia desses supostos erros, ou seja, Ele era ignorante, ou Ele sabia e os escondeu, tendo sido apenas alguém desonesto e hipócrita. Nas duas hipóteses você tem que concluir que Ele não era Deus. Mas sabemos que Ele era Deus e perfeito em todos Seus caminhos, e que a Escritura é totalmente inerrante.

CONCLUSÃO

Então, podemos ter cinco conclusões:

Em primeiro lugar: já que nem um jota ou til foram omitidos, então você deve recebê-la como a Palavra de Deus. Se é a Palavra de Deus, receba por causa da majestade infinita do Autor, por causa das declarações de Cristo sobre ela, por causa da obra que Deus fez para que ela chegasse a você e porque é o único padrão de verdade, alegria, salvação e benção.

Em segundo lugar: honre-a. O salmista diz: “engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome” (Salmo 138:2). O Salmo 119:103 diz: “Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca”. A perfeição da Palavra de Deus é tremenda. Deus nos livre de querer alterá-la.

Em terceiro lugar: estude-a. II Timóteo 2:15 diz: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Colossenses 3:16 diz: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente”. O Salmo 1 diz que feliz é o homem que “tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite”.

Em quarto lugar: defenda-a. Pregue-a a tempo e fora de tempo, combatendo as falsificações por aqueles que não a suportam (II Timóteo 4:1-3). Gaste seu tempo defendendo a fé, lutando pela integridade e pureza da Palavra de Deus e contra as investidas dos falsificadores. Spurgeon disse:

Da loucura da pregação irradia o brilho da sabedoria de Deus. A glória do Deus eterno é manifesta em todo o Evangelho que pregamos com temor e tremor. Essa obra não é para nossa honra, mas para a glória de Deus. O poder de vivificar os mortos não está na sabedoria das palavras, mas no Espírito do Deus vivo. A voz é a de Cristo, e o conteúdo, a Palavra daquele que é a ressurreição e a vida; ou seja, por meio dela, os homens hão de viver.

Em quinto lugar: proclame-a. Jesus disse: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:8). O que vamos proclamar ao mundo? A Palavra genuína de Deus.

Como é agradável ter a Palavra genuína como nosso guia e não as fábulas criadas pelos homens! Vamos orar.

Pai, obrigado novamente por Tua Palavra nesta noite. Ajuda-nos a estarmos dispostos a recebê-la, honrá-la, estudá-la, defendê-la, proclamá-la, por Aquele que é tão digno. Em nome de Jesus, Amém.


Esta é uma série de sermões sobre Cristo e a Lei, conforme links abaixo:


Este texto é uma síntese do sermão “Christ and the Law, Part 2”, de John MacArthur em 25/02/1979.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/2210/christ-and-the-law-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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