O Evangelho de Cristo

Imprimir
Em continuação a nosso caminho na Carta aos Romanos, vamos ver hoje os versículos 16 e 17 do capítulo 1:

16 Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
17 visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

O Evangelho é a verdade mais transformadora. Não há nada semelhante. Se realmente entendemos e respondemos a essa verdade, o tempo e a eternidade são totalmente alterados. Esses dois versos formam o tema de toda esta carta. É uma declaração do evangelho de Cristo. Toda a epístola é realmente uma expansão do que vemos nesses dois versos. Portanto, é essencial que tenhamos uma perspectiva adequada sobre eles. O tema é “O Evangelho de Cristo”.

Paulo não tinha vergonha do evangelho de Cristo. Os mestres religiosos e todos os filósofos de seu tempo não o intimidaram. Não o intimidaram em Atenas, Corinto, Éfeso e nem em Jerusalém. Ele estava convicto e feliz com o privilégio da proclamação do evangelho. E apesar de o evangelho ser um escândalo para o judeu e loucura para os gentios, ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Paulo não hesita em pregar. Por onde ele passou, sofreu terríveis perseguições, mas continuou animado em pregar o evangelho, inclusive em Roma.

Eu penso que todos nós gostaríamos de poder nos identificar com Paulo da mesma maneira. Mas o fato é muitos de nós, por vezes, ficamos envergonhados do evangelho de Cristo e não gostamos de admitir isso. Muitas vezes deixamos de proclamar o Evangelho em oportunidades claras. Muitas vezes nos falta a ousadia de cumprir a ordem do Senhor.

Nós enfrentamos a hostilidade do mundo. O Evangelho fala sobre pecado, sangue e morte. E isso parece tolo para os homens. Temos medo do que os homens podem pensar, por isso tendemos a ficar em silêncio quando deveríamos falar. Paulo viu o desdém, o desprezo e a zombaria vindos dos incrédulos, daqueles que rejeitaram Cristo. Ele enfrentou a própria morte pelo evangelho, mas nunca se envergonhou de Cristo. Ele enfrentava qualquer coisa pelo evangelho.

O medo dos homens era uma armadilha que Paulo superava pelo poder de Deus. Mas, muitos de nós, infelizmente, somos tomados pelo medo da oposição e do desprezo do mundo, ficamos em silêncio ou corrompemos a mensagem do evangelho para tentar acomodá-lo ao homem. Isso é muito triste.

Há muitos que estão prometendo saúde, riqueza e conforto através de uma falsa mensagem do evangelho. Jesus se deparou com muitos buscando isso, e os rejeitou. Em Mateus 8:19, um escriba o procurou dizendo: “Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei”. Mas, conhecendo seu coração, Jesus lhe disse: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (v.20). Em outras palavras: “Eu não aceito você, porque está procurando coisas para tornar sua vida confortável, e não estou oferecendo isso”.

Em Mateus 8:21, um segundo possível seguidor veio e disse: “Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai”. O pai dele não havia morrido. Essa era apenas uma expressão antiga que corresponde a esperar até receber a herança. Ou seja, ele propôs que Jesus o esperasse até que ele recebesse dinheiro de uma futura herança. Jesus também o rejeitou, dizendo: “Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos” (v.22), em outras palavras: “deixe os espiritualmente mortos cuidarem das coisas mundanas”.

A mensagem que liga o Evangelho ao conforto material do homem é uma mentira de Satanás. Falsos mestres oferecem isto para atrair homens para si mesmos. Eles falsificam a mensagem do evangelho e pregam mentiras. Devemos confrontar as pessoas com o evangelho, não podemos subtrair nada do que diz o Evangelho.

Por que Paulo era ousado na proclamação da mensagem do evangelho? Porque ele estava certo de que o evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. Ele conhecia o poder do evangelho. Isto estava no coração do apóstolo e é o coração da carta aos Romanos. Ele sabia que “a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (I Coríntios 1:18). Sua alegria era ver homens libertos pelo poder do Evangelho.

Ele, em Romanos 9:3, diz que poderia desejar ser maldito por causa da salvação de seu povo. Ele não se preocupava com seu conforto pessoal, reputação, popularidade e até mesmo com sua vida. Ele tinha firme o propósito de pregar o evangelho de Cristo de qualquer forma.

Em Romanos 1:16-17, há quatro palavras-chave: poder, salvação, crer e justiça. Se você entende o significado, a conexão e transição desses quatro termos, você entende o evangelho.

Em primeiro lugar, a primeira palavra-chave no vocabulário divino do evangelho de Cristo é que ele é o poder de Deus. A boa notícia sobre Jesus Cristo tem poder. A palavra é “dunamis”, de onde vem “dinamite”. Paulo tem em mente o fato de que o evangelho de Cristo traz consigo a onipotência de Deus. O Deus todo poderoso está por trás disso, operando na regeneração de uma pessoa.

Os homens gostariam de mudar, você sabe disso? Realmente, todas as propagandas que se seguem no mundo baseiam-se em um pressuposto, que é o de que as pessoas desejam ser diferentes do que são. Elas querem se parecer melhor, se sentir melhor, pensarem melhor, ter melhores experiências. Querem mudar sua vida. Basicamente, as pessoas querem mudar suas vidas. Há um apelo a isso. Elas realmente querem que as coisas sejam diferentes, mas são absolutamente impotentes para mudar as coisas.

Jeremias 13:23 diz: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal”. Os homens são impotentes. Eles não podem fazer nada sobre o que são. Eles não podem mudar nada. Eles podem até fazer algumas reformas aqui e ali, e fazer alterações superficiais, porém mudanças reais nunca acontecem.

Em Mateus 22:29, Jesus disse: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”. Em outras palavras, Ele disse aos religiosos do Seu tempo: “Vocês nem conhecem o poder de Deus”. O evangelho de Jesus Cristo tem o poder de mudar os homens, de tirá-los do pecado, de Satanás, do juízo, da morte e do inferno.

Os homens tentam outras coisas para mudá-los. A Bíblia diz que alguns homens acreditam que podem mudar fazendo boas obras e atos da lei. Mas, a Bíblia diz que as ações da lei não podem salvar, a carne não pode salvar, a igreja não pode salvar, a religião não pode salvar. Em Atos 4, Pedro, cheio do Espírito Santo, proclamou aos mestres religiosos o nome de Jesus, e disse: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).

Romanos 5:6 diz: “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios”. Em outras palavras, o homem é impotente, não pode mudar a si mesmo. Ele está completamente preso e incapaz de fazer alguma coisa sobre isso.

Romanos 8:3 diz: “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho”. Em outras palavras, se você pegar alguém e lhe ensinar bons padrões, boas regras e bons princípios, ele não será alterado em sua essência. Não pode ser feito. Essa é a frustração do homem.

Tiago 1:18 diz: “Segundo a sua vontade, Ele nos gerou pela palavra da verdade”. Em outras palavras, o que o homem não pode fazer por si mesmo, Deus pode fazer pelo homem. Pedro declarou:

Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado (I Pedro 1:15-19).

A Palavra de Deus pode fazer o que não podemos fazer por nós mesmos. Esse é o princípio básico do evangelho. O homem é pecador e totalmente incapaz de remediar sua condição. O Evangelho é poder ilimitado, cuja fonte é a onipotência de Deus, que transforma vidas.

Voltando a I Coríntios 1:18, Paulo diz: “a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”. Você percebe? Esse é o ponto chave. O evangelho pode ser uma loucura para os homens, mas para nós que somos salvos, é o poder de Deus. Ele continua dizendo “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (v.23). A mesma ênfase.

Os gentios costumavam rir dos cristãos. Os pagãos em Roma e Corinto zombavam deles. Eles tinham seus deuses, seus ídolos. A ideia da encarnação de Deus era totalmente ridícula para eles. E ainda por cima, um Deus crucificado na cruz, era para eles uma idiotice. Eles achavam a fé cristã absolutamente ridícula, uma total loucura. O filósofo grego Celso, um grande opositor do cristianismo, escreveu essas palavras:

Que nenhuma pessoa culta, sensata ou sábia se aproxime de um cristão. Mas, se algum homem é ignorante e tolo, que vá para o cristianismo, uma ideia de tolos. Nós vemos os cristãos em suas próprias casas: aparadores de lã, sapateiros e ferreiros. São as pessoas mais indescritíveis e vulgares. Eles são como um enxame de morcegos, como formigas rastejando de seus ninhos, como sapos que realizam um simpósio em torno de um pântano, como vermes encolhendo na sujeira. Os cristãos adoram um homem morto.

É realmente uma insensatez e loucura para o incrédulo. Mas a nós, que somos salvos, é o que? O poder de Deus. O mundo ri da fé cristã. O que Paulo fazia? “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (I Coríntios 2:2). A mensagem que ele tinha era a mesma que era ridicularizada e desprezada. E ele escreveu: “Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (I Coríntios 2:5).

Diante da oposição e do desprezo, Paulo reafirmava a solidez e firmeza do evangelho. Em I Coríntios 4:20, ele declara: “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder”. Nós somos vasos frágeis e incapazes de fazer qualquer coisa para resgatar alguém das trevas, mas a mensagem do evangelho que transmitimos tem esse poder. Isso é incrível. Esse é o poder de Deus.

Então, por trás do evangelho está o poder. E o poder é daquele de que o Salmo 89:13 fala: “O teu braço é armado de poder, forte é a tua mão, e elevada, a tua destra”. De quem Isaías 26:4 diz: “O Senhor Deus é uma rocha eterna”. Em Isaías 43:13, Ele diz: “Agindo Eu, quem o impedirá?”. Jeremias 10:12 diz: “Ele fez a terra com o seu poder; ele estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com a sua inteligência estendeu os céus”. O Salmo 33:8-11 diz:

Tema toda a terra ao Senhor; temam-no todos os moradores do mundo. Porque falou, e foi feito; mandou, e logo aparece. O Senhor desfaz o conselho dos gentios, quebranta os intentos dos povos. O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.

O Senhor, por sua Palavra, criou e mantém o universo. Atrás de cada milagre na Bíblia, existe o poder de Deus. Deus pode abrir o mar e trazer à existência o que bem entender. A maior expressão de Seu poder é encontrada em Seu poder de salvar, transformar as pessoas, mudar sua natureza, seu tempo e sua eternidade.

No escape de Israel pelo Mar Vermelho, a Palavra diz: “Ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder” (Salmo 106:8). E não é diferente no Novo Testamento. Em Mateus 28:18, Jesus declara que todo o poder foi Lhe concedido. Em Seu ministério, Ele exerceu plena autoridade sobre os demônios, as doenças, a morte, a natureza, sobre tudo. Ele tinha poder para perdoar e salvar. Não é a toa que Paulo declara que o evangelho de Cristo “é o poder de Deus para salvação”. Nunca se envergonhe dessa verdade grandiosa.

Segunda palavra: “salvação”. O evangelho “é o poder de Deus para a salvação”. O poder é visto na salvação porque os homens estão mortos, e o ato de salvação de Deus os vivifica (Efésios 2), purificando do pecado e os tornando aptos para o reino de Deus. Salvação significa “libertação”.

Certa vez, fui abordado por uma senhora, ela dizia que eu deveria atualizar a palavra “salvação”, pois não era compreensível às crianças. Disse que eu deveria usar alguma palavra mais atual. Não consegui pensar em uma palavra melhor. Essa é a palavra de Deus. O homem precisa ser salvo do pecado, de Satanás, do juízo, da morte e do inferno, e somente o Evangelho de Cristo tem o poder de fazer isso. Isto inclui a vida no Espírito, a ressurreição para a vida, a eternidade.

O homem pensa que precisa de salvação econômica, política ou social. Ele pensa que só precisa atualizar sua vida e a sociedade. Mas ele está procurando a salvação. Houve um momento, no tempo de Paulo, que a filosofia grega estava se voltando mais para o que era interno. E estava olhando para o homem e dizendo: “As coisas não estão corretas com o homem. Precisamos de algo para mudar o homem”. Foram desenvolvidos vários pensamentos para tentar resgatar o homem de seu estado degradado.

Os homens estão sempre buscando algo para se salvarem, pois há uma agonia no interior do homem. Mas a mensagem do evangelho, que é poder de Deus para a salvação, parece-lhe bem estúpida.

Os apóstolos proclamavam: “Salvai-vos desta geração perversa” (Atos 2:40). A salvação tem vários aspectos, e um deles é ser um tipo de antisséptico divino contra a infecção de uma geração perversa. Jesus disse que “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10), ou seja, o Evangelho é o poder de Deus para resgatar o homem em um caminho errado e de perdição. Isto significa a salvação do pecado. O homem é escravo do pecado até que Cristo o liberte, poupa-o do juízo e lhe dá uma eternidade triunfante.

À medida que avançarmos na carta aos Romanos, veremos os diversos aspectos da salvação. Por enquanto, ficaremos aqui: o Evangelho é o poder divino para realizar a salvação do homem miseravelmente perdido, infectado por uma geração perversa, morto em delitos e pecados e condenado ao inferno eterno. O homem não tem como por si mesmo, livrar-se desse estado tenebroso.

A Bíblia caracteriza o estado do homem como algo terrível. O homem perdido é filho de Satanás, vive para satisfazer o diabo, professa a falsa religião, confia em suas obras imundas e caminhos enganosos, adora as coisas passageiras do mundo, odeia a verdade, é presunçoso, orgulhoso, buscador do prazer, culpado etc. E, como tal, ele não tem o direito de entrar no reino de Deus, então ele deve ser liberto de tudo isso. E somente o poder de Deus pode fazer esse milagre.

Então, Paulo introduz a segunda palavra-chave: Fé. “É o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. O poder de salvação opera somente através da fé. Onde há verdadeira fé, existe o poder de Deus operante na salvação.

Você diz: “O que é fé?” A fé é confiança. Todos vocês vivem com um tipo de fé diária. Tudo que você faz tem um elemento de fé, em coisas bem simples. Se você viaja de avião, vai para uma rodovia, come num restaurante, bebe algo fora de casa, se submete a uma cirurgia etc., indica que você acredita que nenhum mal lhe acontecerá, possivelmente porque você sabe que muitos fazem as mesmas coisas todos os dias e nenhum mal lhes acontece.

Deus colocou no coração do homem que ele entenda viver pela fé. E a fé na dimensão espiritual é muito diferente do que esse tipo de fé, mas é, no entanto, a mesma ideia. O poder de Deus pode salvar apenas aqueles que creem. Crer no que? Em tudo que diz respeito ao evangelho. No Cristo eterno encarnado, que morreu em sacrifício por nossos pecados, ressuscitou e foi glorificado. Esta fé não procede do homem, mas de Deus. Efésios 2:8-9 diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

A terceira palavra chave é salvação. A salvação não é professar o cristianismo. Não é isso. A salvação não é o batismo. A salvação não é uma reforma moral. A salvação não é frequentar uma igreja. Não é autodisciplina e restrição. Não é moral. Muitas pessoas creem que podem ser salvas através dessas coisas.

Certa vez, no avião, sentei-me ao lado de uma senhora de 78 anos indo para Chicago. E ela me perguntou: “Você é um reverendo?” Eu disse: “Bem, eu não sei sobre ser reverendo, mas eu sou pastor”. Ela disse: “Eu sou católica”. Eu lhe perguntei: “Você conhece Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida?”. Ela disse: “Oh, eu fui para a Igreja Católica toda a minha vida. Eu gostava da Igreja Católica antiga, mas agora mudou tudo”. Eu disse: “Bem, o que você quer dizer com isso?” Ela disse: “Você sabe o que estão fazendo agora? Eles estão fazendo as missas na nossa língua!”. Eu disse: “E Isso é um problema?” Ela disse: “Eu gostava quando não entendia o que eles estavam dizendo…”.

Bem, foi exatamente o que ela disse. Perguntei-lhe se ela não achava importante conhecer a Palavra de Deus. Ela respondeu que algumas coisas eram importantes. A conversa não foi tão frutífera quanto eu gostaria. Era evidente que sua segurança estava no fato de que ela foi a uma igreja, mesmo que não entendesse nada do que ouvia. Apenas lhe disse que ao deixar essa vida, o único valor real que podemos levar é ter conhecido o Senhor Jesus Cristo, crido Nele e O ter tido como Senhor de nossas vidas, e que a simples frequência a uma igreja não quer dizer nada. Espero que essas palavras tenham produzido algo na vida dela.

A salvação não vem pela igreja. A salvação vem porque um homem ou uma mulher reconhece sua miséria, perdição, imundície e deformidade gerados pelo pecado. Percebe a podridão de seu coração e é atraído para Cristo. E ele vê um que morreu por seu pecado, que conquistou seu pecado, pagou o preço e quer dar-lhe nova vida. E ele diz: “Eu creio!”. E só Deus torna o homem capaz desta atitude.

Romanos 1:16 diz que a salvação foi “primeiro do judeu, e também do grego”. A primazia da salvação foi dada aos judeus. A salvação tem uma relevância primordial para os judeus, uma vez que eles eram o povo especialmente escolhido de Deus. É para o judeu primeiro que o Messias veio e disse: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 15:24). Aos apóstolos, Ele ordenou: “ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 10:6). Foi uma preparação para a revelação completa do evangelho. Em João 10:16, Jesus porém fala da extensão do evangelho que viria aos gentios: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor”. E em Mateus 28:19, em suas últimas instruções aos apóstolos, Jesus disse: “ide, fazei discípulos de todas as nações”.

Agora, acompanhe-me com muito cuidado. O evangelho de Cristo tem poder. Tem poder para salvar. Tem poder para salvar aquele que crê. Mas, como ele transforma uma pessoa? Romanos 1:17 diz: “a justiça de Deus se revela no evangelho”. A razão é esta: a justiça de Deus é revelada a você. Em outras palavras, torna-se sua. É assim que ele opera, mesmo diante de nossa impiedade.

E isso nos leva à quarta palavra: “justiça”. A propósito, esta palavra é usada mais de 60 vezes na carta aos Romanos. A razão pela qual os poderes do evangelho são liberados para salvação pela fé é porque a fé ativa a revelação da justiça de Deus. Se eu fui justificado, não tenho nenhuma justiça própria. Deus deve me dar a Sua justiça. E Ele faz isso.

Jesus tomou sobre si nosso pecado e, em troca, Deus nos deu Sua justiça. II Coríntios 5:21 diz que “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Quando Paulo diz que “a justiça de Deus é revelada”, não significa que seja apenas revelada às mentes humanas e na história humana, mas na ação e na operação da regeneração. É por isso que o Evangelho “é o poder de Deus para a salvação para todos os que creem”. A fé ativa a justiça de Deus.

E, a propósito, a melhor tradução é “justiça de Deus”. “A justiça de Deus é revelada”. Não importa o que eu cri, eu não poderia ser justo em mim mesmo. Então, Deus diz: “Se você apenas crer, eu lhe darei a Minha justiça”. Como Deus faz isso? Porque Jesus pagou o preço, o castigo da impiedade que estava sobre seus escolhidos.

Deus exige do homem o que o homem nunca poderia pagar. Ele exige a absoluta santidade perfeita. E ninguém poderia se qualificar. Então, ninguém poderá se vangloriar na Sua presença. Efésios 2:9 diz que a salvação “não vem das obras, para que ninguém se glorie”. O poder do evangelho pode resgatar o mais terrível pecador. Gálatas 3:22 diz que a “Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes”. Romanos 3:21-24 diz:

Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.

Filipenses 3: 8-9 diz:

E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;

Entende? Essa é a mensagem. Esta é a glória do Evangelho, que é o poder de Deus para a salvação, que é ativado pela fé, porque a fé libera a manifestação da justiça de Deus em nosso favor.

Então, ele diz no versículo 17: “a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”. O que significa “de fé em fé”? Eu penso que tem a mesma ideia que “todos os que creem”. Dos que creram durante toda a História, desde o Antigo Testamento. Romanos 4:3 diz: “Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça”. Habacuque 2:4 diz: “O justo viverá pela fé”. Nada de novo. Nunca homem algum foi justificado a não ser pela fé. Gálatas 3:11 diz que “é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé”.

Então, Paulo apresenta o tema do evangelho: poder, salvação, fé e justiça. Espero que você conheça Cristo. Espero que você coloque sua fé nEle.

Oremos.

Obrigado, Pai, pelo nosso tempo compartilhado esta noite. Que boa noite. Não consigo pensar em um lugar melhor para estar, a menos que seja em Tua presença, do que estar aqui. Sinto muito por aqueles que não estão aqui, que perderam de ouvur os testemunhos, a alegria, a verdade da Palavra. Mas, agradeço-Te por estes que estão aqui, por Tua divina vontade.

Se houver alguém em nosso meio que ainda não tenha experimentado as maravilhas da salvação, que eles entendam que vida deles está nas Tuas mãos. Que eles, pela fé, recebam o poder de Deus para a salvação e sejam receptores da Tua justiça.

Obrigado, Pai, por esse bom dia. Abençoe cada alma preciosa aqui esta noite. E que esta verdade que nos foi dada seja algo que possamos dar aos outros para que possam conhecer-Te, pois Te conhecer é a vida eterna. Pelo amor de Deus, oramos. Amém.

Leia Também: A Doutrina da Graça


Este texto é uma síntese do sermão “The Gospel of Christ”, de John MacArthur em 31/03/1981.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/45-08/the-gospel-of-christ

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *