A Maior Criança que Nasceu

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Que criança foi tão especificamente e precisamente descrita antes de ser concebida? Bem, humanamente falando, nenhuma. Que criança já teve todos os detalhes de sua natureza, caráter, vida, realizações e seus efeitos claramente definidos antes de ela nascer? Bem, humanamente falando, nenhuma.

Mas, por vezes, Deus escolhe revelar a história de uma vida antes que esta nasça, em alguns casos, antes que uma criança seja concebida. E isso é precisamente o que encontramos no primeiro capítulo de Lucas. A história do Evangelho caminha com a intervenção do céu em grande escala. Um cenário simples, mas claramente sobrenatural. Depois de 800 anos, uma série de milagres começa a acontecer. Depois de 500 anos, ocorre um milagre. Depois de 400 anos, anjos aparecem. Pela primeira vez em 400 anos, Deus fala.

Quando o Novo Testamento começa, há uma enxurrada de atividade sobrenatural. E uma das demonstrações é Deus fazendo profecias sobre pessoas ainda não nascidas e nem mesmo concebidas. Deus nos diz coisas que só Deus poderia saber.

O anjo Gabriel chegou a um homem chamado Zacarias e disse-lhe que sua esposa Isabel, já idosa, teria um filho. Ela era estéril e jamais havia gerado um filho em toda sua vida. Mas, Gabriel disse que eles iriam ter um filho, cujo nome seria João. Em Lucas 1:15-17, Gabriel diz:

Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto.

Uma criança que nem havia sido concebida já estava designada para um cumprimento profético tão especial. O anjo Gabriel aparece novamente no versículo 26, no sexto mês da gravidez de Isabel, e anuncia outra tremenda profecia. Ele vai para a Galileia, para a pequena cidade de Nazaré, a um lar em que há uma virgem comprometida com um homem chamado José. O nome dela: Maria. E o anjo lhe diz que ela foi agraciada por Deus:

E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim (Lucas 1:31-33).

Aqui, novamente, uma revelação notável de Deus sobre uma criança ainda a nascer. Estas são palavras surpreendentes e chocantes: uma virgem terá um filho. Maria teria cerca de 13 anos de idade e José, talvez 14. E esse filho seria grande.

Qual a diferença entre ser “grande”, como Gabriel disse a respeito de Jesus, e “ser grande diante do Senhor”, como ele disse no verso 15 sobre João Batista? Bem, em relação a João Batista seria uma grandeza imputada por Deus, mas em relação a Jesus, a grandeza está em Sua própria natureza, faz parte de sua essência. A grandeza de Jesus era visível em sua caminhada. Nunca houve um homem que se assemelhasse a Seu poder, sabedoria, palavras, conhecimento, verdade, pensamentos, santidade e autoridade.

Quando Jesus terminou o sermão do monte, a multidão “se admirou da sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo autoridade” (Mateus 7:28-29). Os guardas do templo, com ordens de prender Jesus, voltaram perplexos dizendo: “Nunca homem algum falou assim como este homem”. O cego curado disse: “Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença” (João 7:32). Seus discípulos exclamaram: “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mateus 8:27). O maior de todos os milagres que atesta Sua grandeza foi que Ele ressuscitou dentre os mortos. Ele, com Seu próprio poder, quebrou os laços da morte e do túmulo, e saiu vivo. Este é o maior homem que nasceu neste mundo.

José e Maria eram humildes e viviam na Galileia, longe do centro religioso. E Maria recebe a palavra de Deus por meio de um anjo. Depois de centenas de anos, Deus fala e anuncia a sua maior intervenção na história do homem. A partir dali, anjos, milagres, revelações e profecias se sucedem.

Quais são os componentes da grandeza dessa criança que nasceria de Maria? O que define a grandeza dela?

Em primeiro lugar, Ele é Deus. Aquela criança era Deus.

Lucas 1: 32 diz: “Ele será grande e será chamado o Filho do Altíssimo“. No versículo 35, é dito no final do versículo: “Ele será chamado Filho de Deus“. Lucas se refere a Deus como o Altíssimo, porque esse era um título judeu muito familiar dado a Deus. Ele é o Supremo, o Altíssimo, enfatizando a Sua soberania majestosa. Esse título foi usado pela primeira vez em Gênesis 14:18, El Elyon, Deus Altíssimo, Deus Supremo, Deus Soberano, Deus que é acima de tudo. E a partir desse primeiro uso de El Elyon, ele é usado em todo o Antigo Testamento. Ninguém é superior a Deus. Deuteronômio 32: 8 diz: “O Altíssimo distribuía as heranças às nações”. O salmo 47:2 diz: “O Senhor Altíssimo é tremendo, e Rei grande sobre toda a terra“. Em 2 Samuel 22:14 diz: “Trovejou desde os céus o Senhor; e o Altíssimo fez soar a sua voz.” Entre tantos outros textos.

Então, é um título de majestade soberana sobre tudo, sobre todas as pessoas, toda a criação, tudo o que é bom, tudo o que é mal, tudo o que existe. Ele é soberano sobre tudo isso. E este pequeno bebê é o Filho do Deus soberano, o Altíssimo. O que este título tem a nos dizer? Nada menos do que o óbvio: Jesus tem a mesma essência que Deus. Hebreus 1:3 diz: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa”. Ele é o resplendor da glória de Deus e a reprodução exata da natureza de Deus. Nenhum escritor falou mais sobre isto que João. Ele escreveu seu Evangelho mostrando, a todo tempo, a natureza divina de Jesus. Ele escreveu:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por ele ( João 1:1-3).

[Jesus disse] Eu e o Pai somos um (João 10:30).

[Jesus disse} Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai. (João 14:7).

E um anjo do Senhor anunciou a José: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus conosco” (Mateus 1:23).

Filipenses 2:6-7 diz que Jesus “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”. E I Timóteo 3:16 diz que “Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória”. Esse é o coração da fé cristã. Este filho gerado pelo Espirito Santo, e que nasceu de Maria, é Deus.

Em segundo lugar, Ele é Deus e Ele é homem. 100% Deus e 100% homem.

Lucas 1:31 diz:E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus”. Maria conceberia milagrosamente no seu útero. Esta mulher era virgem (v.27). Ela diz ao anjo: “Como se fará isto, visto que não conheço homem algum?” (v.34). Lucas 2:7 diz: “E deu à luz a seu filho primogênito”. A concepção foi sobrenatural. O resto seguiu o curso normal.

O milagre foi na concepção, uma mulher engravidaria sem um homem. Esse é o milagre. O Espírito Santo faria o milagre de fertilizar um óvulo no ventre de uma mulher sem um homem. Foi um fato único em toda a história. Mas, depois disso, houve um desenvolvimento normal do bebê, de nove meses, até seu nascimento normal, assim como qualquer outra criança nasceu. Este era realmente um homem, um humano. Maria teve outros filhos depois de Jesus, só que gerados com José. A Bíblia fala que Jesus foi seu primogênito.

O anjo informou aos pastores: “Na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura” (Lucas 2:11-12). Não foi o anúncio da chegada de um extraterrestre, mas de um menino, fisicamente como qualquer outro menino. Lucas 2:21 diz que “quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido”. Ou seja, Jesus era, fisicamente, um menino como qualquer outro, e como judeu, foi circuncidado, conforme a lei. Gálatas 4:4 diz que “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Lucas 2:40 e 52 diz que Jesus crescia fisicamente como qualquer criança, e em sabedoria e graça. Assim como todas as outras crianças crescem, seu crescimento humano era normal. Ele sabe o que é ser humano. Ele nasceu exatamente como todos os outros nasceram. Hebreus 2:14 diz que “como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas” e Hebreus 4:15 diz que “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”. Hebreus 2:17-18 diz:

Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

Se haveria um substituto para os homens, tinha que ser um homem, um homem para morrer pelos homens, um homem para sofrer os sofrimentos que os humanos sofrem. Ele se tornou nosso simpatizante, um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel. Ele teve fome, sede, fadiga, sono, foi ensinado, cresceu, amou, ficou perplexo, feliz, irado, indignado, irônico, triste, preocupado, exerceu fé, leu as Escrituras, orou, teve compaixão, chorou. Ele sentiu o que sentimos. Ele sentiu dores físicas, sofreu, sangrou e morreu. Ele sentiu a tentação, mas Sua natureza perfeita não tinha concupiscências. Ele foi totalmente santo, sem pecado. Por isso I Timóteo 2:5 diz: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”. Ele não era uma aparição, uma entidade espiritual ou alguém de outra dimensão, Ele era como um de nós.

Seus pais realmente ficaram surpresos, assim como todos os outros, que um filho poderia nascer sem um pai humano, concebido pelo Espírito Santo e ainda ser humano. Ao perguntar como seria possível isto, o anjo respondeu:

Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; Porque para Deus nada é impossível (Lucas 1:35-37).

Em terceiro lugar, este maravilhoso anúncio de Gabriel a Maria nos diz que Ele não era apenas Deus e Homem, mas Ele era sem pecado, santo.

Olhe para o final do versículo 35: “o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”. De Maria sairia uma descendência santa, Jesus, o Filho de Deus.

Tudo o que podemos fazer é produzir uma descendência profana. Mas o filho gerado sobrenaturalmente no ventre de Maria era santo. Os outros filhos de Maria, gerados como quaisquer outras crianças, faziam parte de uma descendência profana. João Batista foi cheio do Espírito Santo, mas ele também não fez parte de uma descendência santa, somente Jesus.

O que é uma descendência santa? Um filho que nunca cometeu um pecado. Tão frequentemente nós olhamos para nossos filhos e temos a prova dolorosa de que eles não nasceram como aquela criança que saiu do ventre de Maria. E eu até acho que Deus faz os bebês serem tão fofinhos para que exista alguma atratividade por eles (risos). A depravação vem embrulhada em um pacote mais doce. Mas, a medida que eles crescem, a depravação se apresenta, e somente a ação soberana de Deus pode mudar suas histórias.

Mas, aquela era uma prole sagrada. Nenhuma outra criança jamais viveu ou viverá sem ter a necessidade de disciplina, correção, perdão, restauração e salvação. Mas Jesus disse aos Seus acusadores: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (João 8:46). Ele foi duramente investigado pelos fariseus e saduceus, os quais tiveram que produzir mentiras para acusá-Lo.

Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (II Coríntios 5:21).

[Jesus] sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus (Hebreus 7:26).

[Jesus] não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano (I Pedro 2:22).

Jesus estava dizendo, em outras palavras: ‘Olhe para o registro, examine minha vida, você não encontrará nenhum pecado’. 2 Coríntios 5:21 O chama de “aquele que não conheceu pecado”. E Hebreus 7:26 diz: “Ele foi santo, inofensivo, imaculado e separado dos pecadores“. Ainda, Hebreus 4:15 diz: “Ele estava sem pecado”.

Desde Caim e Abel, todas as crianças pertencem a uma descendência ímpia. O Espírito Santo tomou a substância física de Maria, purificou de todo pecado, criando um filho santo. Nenhum dos apóstolos e nenhum homem jamais foram assim constituídos. Um dia os servos do Senhor serão glorificados com um corpo santo, mas Jesus começou onde terminaremos um dia. Ele entrou santo no mundo. Não conheceremos a santidade até sairmos deste mundo. Ele foi santo desde o dia de Seu nascimento.

Desde o Seu nascimento, Ele entrou no mundo em santidade completa. Em nosso nascimento, entramos carregando a herança do pecado. Ele começou onde vamos terminar. Este não é um conhecimento recente sobre Cristo. Isto é o que o povo Dele sempre creu: que Jesus é Deus, homem e santo.

Em quarto lugar, o anjo Gabriel apresenta a Maria que a criança será soberana.

Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”(Lucas 1:32-33). A casa de Jacó significa Israel. Ele não só governará Israel, mas Ele terá um reino eterno sobre todos. Um reino sem fim. Ele será o rei. Ele nasceu rei.

Em Mateus 1, vemos a genealogia de Seu pai, José, que mostra que Ele descendeu de Davi. Se você olha a genealogia de Lucas 3, vemos a genealogia de Sua mãe, Maria, e ela também descendeu de Davi. Ele nasceu de sangue real. Israel estava ocupado por Roma, governado por um estranho, um rei edomita chamado Herodes. Se o trono de Davi estivesse em vigência, Jesus teria sido um que estaria na linha de sucessão para o trono. Ele recebeu o sangue real de Sua mãe e o direito de governar por Seu pai, que carregava o direito de transmitir tal posição até mesmo a uma criança adotada. Ele nasceu rei em todos os sentidos.

Os magos do oriente, em Mateus 2, reconheceram isso e vieram adorá-Lo. Eles estavam à procura de um grande rei que pudesse vir e governar aquela parte do mundo. E eles vieram a Cristo, conduzidos por Deus por meio de um notável fenômeno no céu, a grande estrela que os trouxe ao Rei. Ele era um rei. Ele receberia um reino eterno, não só sobre Israel, mas sobre o mundo. Veja a palavra que Deus deu ao profeta Natã para entregar a Davi:

Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre… A tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre. (II Samuel 2:12-13,16).

Davi não poderia construir o templo de Deus, porque suas mãos eram sujas do sangue derramado em muitas guerras. Mas, Deus levantaria dos lombos de Davi um filho, Salomão, que edificaria a Deus um templo. E Salomão construiu um grande templo, mas, além disso, haveria um maior que Davi e Salomão, que construiria a casa davídica para sempre, e essa é uma profecia messiânica. Jesus veio cumprir essa profecia. Ele é o Messias. Ele é aquele que receberia o trono de seu pai Davi, e teria um reino espiritual, um reino terrestre e um reino eterno.

A criança no ventre de Maria era o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, o grande Monarca de todos os monarcas. A palavra “Cristo” significa “ungido”, e faz referência primária à Sua realeza. Seus pais eram da linhagem de Davi. Portanto, Ele tinha o direito de governar. Ele tinha sangue real. Ele tinha autoridade de Deus para governar e, no tempo apropriado, Ele será o Rei de um Universo renovado. Agora ele é um Rei no reino espiritual, governando os corações e as vidas daqueles que são Dele. Algum dia, Ele tomará Sua autoridade no mundo e estabelecerá um reino eterno.

Ele era um Rei, mas nasceu nas condições extremamente humildes. A um casal humilde e pobre foi dado o maior Rei que o mundo jamais conhecerá. Pilatos, confuso, perguntou-lhe: “Tu és rei?” (João 18:37). Jesus havia lhe dito algo que ele não poderia entender: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos… O meu reino não é daqui” (João 18:36). Jesus foi tratado como um criminoso, mas Ele era um rei. O mundo não poderia entender, pois “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Coríntios 4:4). Ele não era uma criança comum, era Deus, homem, santo e soberano.

Finalmente, Ele é o Salvador.

Em Lucas 1:31, o anjo diz a Maria: “E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus”. Quando o anjo procurou José, ele estava confuso e buscando uma forma de se divorciar secretamente de Maria, pois o adultério, que ele supôs ter acontecido, resultaria em morte. O anjo diz:

José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados (Mateus 1:20-21).

Jesus é um grande nome, significa “Jeová salva”. É o nome do Antigo Testamento Yeshua. Você ouve as pessoas falarem sobre o Messias como Yeshua. Yeshua, Jeová salva, o Salvador veio. Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, este último no capítulo 2 e no versículo 11, usam essa palavra. “Hoje na cidade de Davi vos nasceu um Salvador”.

Posso admirar o Deus em carne humana, o homem perfeito Jesus, sem pecado, santo, soberano. Mas a única maneira de conhecê-Lo é se Ele perdoar meus pecados. E Ele veio fazer exatamente isso.

Havia no templo um idoso chamado Simeão. E foi-lhe revelado que ele veria o salvador antes de sua morte. E quando ele tomou Jesus em seus braços, proclamou:

Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação, A qual tu preparaste perante a face de todos os povos; Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel (Lucas 2:29-32).

A paz de Simeão, o Salvador, chegou. Paulo declarou: “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (I Timóteo 1:15). E Jesus disse: “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10). Ele é o Salvador e isso significava que Ele tinha que ir à cruz e fornecer um resgate pelo pecado. Ele tinha que ser o nosso substituto e morrer em uma cruz em nosso lugar para que Deus, tendo convencido de que nossos pecados foram pagos, pudesse nos dar perdão. Nunca teria sido suficiente se Ele não morresse e ressuscitasse.

Mas Jesus, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus… Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé… (Hebreus 10:12,14,21-22).

O anúncio do anjo foi de uma completude tremenda. Nasceria uma criança de uma virgem, gerada pelo Espírito Santo, Deus, homem, sem pecado, soberano, Salvador. Essa é a criança. Por causa da grandeza desta criança, somos convidados a adorá-La. E por tudo que Ele foi, é e sempre será; por tudo que Ele fez e fará; por Sua tremenda vitória sobre a morte, sobre o pecado e Satanás; pelo Seu bendito sacrifício remidor, a Escritura diz que:

Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai (Filipenses 2:9-11).

Quem era aquela criança no ventre de Maria? A criança mais surpreendente e única que existiu em toda a História. Maria ficou espantada com o que ouviu. Imagine tudo que passou em sua mente durante a gestação, nascimento e quando Jesus crescia? O que ela deve ter pensado sobre o Deus-homem deitado numa manjedoura numa estrebaria? E quando viu os pastores e os sábios adorando a criança?

E o menino crescia em santidade perfeita e sabedoria. Ela sabia quem Ele era. E O viu na cruz e O viu ressurreto. Estava junto aos apóstolos quando desceu o Espírito Santo. É certo que Lucas esteve com Maria para escrever seu Evangelho. E dela ouviu todas essas coisas tremendas.

Depois que o anjo lhe anunciou tudo, ela proclamou: “A minha alma engrandece ao Senhor, E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador. Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lucas 1:46-48). Ela recebeu, em primeira mão, o anúncio da chegada do Salvador.

José também deve ter ficado espantado desde que o anjo veio até ele, depois de 400 anos de silencio de Deus, e anunciou todas essas coisas, e que Jesus seria como um filho adotivo, o que, pela lei, respaldava a transmissão da linhagem real. E o Deus-homem foi seu auxiliar na carpintaria. Imagine como José ficou espantado por todo o comportamento de Cristo diante das pessoas e de situações da vida!

Zacarias e Isabel igualmente ficaram espantados por gerar o precursor do Messias e ver a criança que era o Messias, o Salvador do mundo. Eles sabiam muito sobre o que iria acontecer através da criança que nasceu de Maria. E hoje nós sabemos tudo. Eles apenas sabiam que Ele seria um Salvador, mas não entendiam tudo o que aquilo significava. Eles ainda não entendiam o que significava ir à cruz e ressuscitar dos mortos.

Eles não entendiam o que significava estender o evangelho até os confins da Terra. Eles sabiam que Ele era o Rei, mas não entendiam o que seria Seu reino. Eles não tinham lido o livro do Apocalipse. Eles não sabiam como seria a plenitude de Seu reino. Eles não sabiam que um dia Ele governará nesta Terra por 1.000 anos e, em seguida, que Ele irá destruir o mundo e criar um novo céu e uma nova Terra em que Ele será o soberano para sempre.

Hoje nós temos a plenitude da revelação da grandeza daquela criança. Por meio da fé, adoramos o Deus-homem, o Salvador sem pecado, o Rei Eterno. E todos aqueles que, por sua misericórdia e graça, foram perdoados, e o conhecem como o Salvador.

Pai, conhecemos tão bem esta ótima história. É tão familiar para nós e, no entanto, nunca deixamos de contá-la novamente com admiração. Obrigado, obrigado por esta grande revelação que nos ajuda a compreender claramente, inequivocamente, quem é Jesus Cristo. É absolutamente incompreensível que Ele venha ao Seu próprio povo, à nação judaica, e mesmo com toda essa informação, eles O rejeitaram e executaram. Ele também foi conhecido pelo mundo dos Gentios, os romanos, que participariam da execução.

É impensável que, com essa clareza da Escritura, surjam heresias – negando que exista uma Trindade, negando que o segundo membro da Trindade tenha entrado no mundo como o Homem Divino, negando que Ele tenha providenciado uma salvação gratuita para quem vai crer -, pois a Palavra é tão clara. E ao reunir em nossa memória todas essas canções de natal, hinos de todos os séculos, lembramos de quão clara é a mensagem, quão bem contada através dos anos e anos de música provenientes de todas as partes do mundo e de todas as línguas. A história é muito clara. Este menino incrível, Deus, Homem, sem pecado, soberano, Salvador. Que O adoremos como nosso Salvador e nosso Rei. Amém.


Esta é uma série de diversos sermões sobre a encarnação de Cristo. Segue links dos que já foram publicados.


Este texto é uma síntese do sermão “The Greatest Child Ever Born”, de John MacArthur em 20/12/1998.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/42-7/the-greatest-child-ever-born

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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