Dilúvio: A Inundação Global (1)

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Este é o 5° de uma série de 8 sermões de John MacArthur sobre o Dilúvio (veja links no fim deste texto).  A teologia de incrédulos no meio da igreja tem posto em dúvida o relato de Gênesis, transformando-o em relato simbólico. Essa falsa teologia tem tentado mitigar a verdade das Escrituras com o uso de falsos argumentos ditos “científicos”,  na tentativa de adaptar os dois grandes cataclismos da Criação e do Dilúvio às concepções infundadas de que o Universo tem bilhões de anos e que Deus teria criado coisas imperfeitas para que se transformassem e evoluíssem. Em oposição à incredulidade, John MacArthur mergulha nos relatos bíblicos e mostra toda a perfeição e exatidão da Palavra de Deus. 


Uma das heresias mais agressivas e populares que está encontrando espaço no evangelicalismo de hoje é conhecida como inclusividade. É a heresia de que a salvação não se limita aos cristãos. Não se limita àqueles que creem na Bíblia. Não se limita a quem conhece o evangelho e crê no Senhor Jesus Cristo.  A heresia do inclusivismo diz que Deus salvará pessoas que não creram em Cristo.  Hoje, dizer que Deus só salva aqueles creram no Evangelho, em Cristo, é classificado como radicalismo. Ele dizem que Deus nunca condenaria tantas pessoas para o inferno, dizendo que Sua misericórdia e amor não faria isto.

Na verdade, como eu lhes falei há algumas semanas, o inclusivismo até mesmo é chamado de visão de misericórdia por alguns. E, de fato, essas pessoas nos dirão que é praticamente mortal para o evangelismo dar aos incrédulos a ideia de que Deus é um juiz que aborrece a todos que não creem em Jesus Cristo. Isto tem se espalhado em todo o mundo evangélico.

Suponho que haja muitas respostas bíblicas que podemos dar a esses tipos de heresias, mas nenhuma delas seria tão dramática quanto o Dilúvio, porque nele você tem Deus olhando para o mundo, salvando oito pessoas e afogando o resto, lançando-as para a perdição. Se você acredita na heresia do inclusivismo, negando o que diz o Evangelho, e dizendo que o homem tem outro caminho para se salvar, então você precisa explicar como sua doutrina funciona em relação ao Dilúvio. 

Como você explica que Deus os afogou, considerando-os injustos, identificando apenas oito indivíduos da raça humana que eram justos? Essas mesmas pessoas parecem querer melhorar a imagem e a reputação de Deus, para que Ele não pareça ser mau, não pareça ser aquele que causou todo esse estrago no mundo, todo esse julgamento no mundo. Mas, no entanto, o próprio Deus assume a total responsabilidade pelo Dilúvio.

Deus nunca quis que o homem o livrasse da responsabilidade de Seus atos de julgamento soberano. O Dilúvio de Gênesis tem implicações maciças no que diz respeito à compreensão do radicalismo do Evangelho, da exclusividade da salvação.

Suponho que também possamos aplicar o Dilúvio a outro movimento hoje denominado “Teologia da Abertura de Deus” [conhecido também por “Teísmo Aberto” e “Teologia Relacional”]. Segundo essa heresia, Deus não conhece o futuro, Ele não controla o futuro, Ele não determina o futuro, Ele não pré-escreve o futuro, já que Ele nem mesmo o conhece. Você deve fazer a pergunta, então, como Ele disse a Noé: “Eu vou afogar o mundo inteiro dentro de 120 anos”, e depois fazê-lo, se Ele não conhecesse o futuro e não o controlasse?

Poderíamos continuar com outros assuntos teológicos, alguns dos quais já abordei em mensagens anteriores no capítulo 6. Mas, como eu disse na semana passada, o relato do Dilúvio é profundo em suas implicações sobre a natureza de Deus, sobre a natureza do julgamento e a natureza da justiça na perspectiva de Deus. No planeta, Ele só encontrou oito pessoas que eram justas. O relato do Dilúvio é dado em detalhes muito simples, muito precisos e muito repetidos.

No relato sobre o Dilúvio há muitas repetições, isto é para ter certeza de que temos aqui um registro histórico inequívoco de julgamento. E ninguém precisa se enganar, pois é repetido. É preciso. É simples e é projetado para nos mostrar como Deus lida com o pecado. E, como eu tenho dito para você, é uma visão prévia do próximo julgamento. É o exemplo perfeito do que Deus fará no final dessa era, quando Ele destruir o mundo da próxima vez. Não pela água, como Pedro diz em 2 Pedro, mas pelo fogo.

Ele destruiu o mundo uma vez, cerca de 1650 anos depois da sua criação, Ele irá destruí-lo novamente. Já se passaram 4500 anos ou mais desde o Dilúvio. Deus tem sido muito mais gracioso conosco do que foi com a civilização antediluviana. Voltemos, então, para a narrativa.

O Senhor disse a Noé: “Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração” (Gênesis 7:1). Houve outros justos nos tempos anteriores, como Enoque e certamente outros, como Adão, o qual teve seu pecado coberto, e também acreditamos que foi o que aconteceu com Eva. Sete também é contado como justo.

Porém, no tempo de Noé, havia apenas oito pessoas. Os 120 anos que Deus mencionou em Gênesis 6:3 estão agora completos. Cento e vinte anos para construir aquela caixa retangular que flutuará acima das águas do juízo. 120 anos de Noé sendo um pregador da justiça e tendo que se explicar: “Por que você está construindo uma arca em um lugar onde não há água? “. Noé pregou sobre o julgamento que viria.

E, se você pregar sobre o julgamento, você tem que pregar sobre o pecado. Noé disse às pessoas que Deus era um Deus perdoador e os convidou para se arrependerem, chegarem-se a Deus e serem perdoados. E ninguém o ouviu, exceto sua própria família. Chegou a hora de entrar na arca, os 120 anos terminaram. Assim, em Gênesis 7:2,  Deus diz: “De todos os animais limpos tomarás para ti sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea.”

Eu lhe disse na última vez que, aparentemente, os animais limpos eram aqueles usados para sacrifícios e havia mais deles porque eles seriam sacrificados. Se Noé não tivesse levado esse excedente, quando fosse sacrificar ao Senhor em adoração, teria levado alguma espécie à extinção. Eles eram chamados de limpos não em um sentido mosaico, que é mais adiante definido na Lei Mosaica, mas no sentido de que eles foram separados para o sacrifício.

E Deus declarou: “Vocês são os únicos justos”. Sabemos que eles eram justos, porque Deus diz que eles eram. Conhecemos que eles eram justos, porque Deus os declarou justos. Eles eram justos, não por seus próprios méritos, mas porque eles se arrependeram, creram e Deus os cobriu com a Sua própria justiça em virtude da provisão que Cristo iria fazer, muito tempo depois, na cruz. Mas, sabemos que eles eram justos não só porque Deus diz isso, mas por causa dos 120 anos do que eu chamo de longa obediência.

Toda vez que há um comentário sobre Noé, até você entrar no capítulo 9 e seu pecado, sempre é um bom comentário. Ele era um homem justo, de acordo com o capítulo 6, versículo 9. Ele era irrepreensível em seu tempo. Ele andou com Deus. E, repetidamente, a Bíblia diz isso: “Noé fez de acordo a tudo o que Deus lhe ordenara” (Gênesis 6:22). Versículo 5 do capítulo 7: “Noé fez conforme tudo o que o Senhor lhe ordenara”. E isso continua sendo repetido, repetido e repetido. Sua obediência evidenciou sua transformação. Foi uma longa obediência numa mesma direção.

Gênesis 7:3 diz: “Também das aves dos céus sete e sete, macho e fêmea, para conservar em vida sua espécie sobre a face de toda a terra”. Fala das aves que também seriam designadas para os sacrifícios. Depois isso passou a constar na Lei Mosaica. Todos aqueles animais foram levados a bordo em ordem. E aqui está a razão, no final do versículo 3: “para conservar em vida sua espécie sobre a face de toda a terra”, o que novamente é uma indicação de que o Dilúvio foi uma inundação mundial, universal, caso contrário, o texto não falaria em “conservar em vida sua espécie sobre a face de toda a terra”.

Então, você tem todo o futuro da humanidade e todo o futuro da criação animal sob um mesmo teto, todos esses animais e aquelas oito almas na arca. E, como eu lhe falei na última vez, nesses pares de animais e na família de Noé estavam contidos todos os dados genéticos para todas as variações da vida que se desenvolveram aos poucos, a partir desses seres preservados na arca.

As maiores estimativas afirmam que não precisaria de mais de 30 a 40 mil espécies de animais para dar origem a todas as variações das espécies, como conhecemos hoje, incluindo as que já foram extintas. E você lembra que eu mostrei que a capacidade da arca foi grande o suficiente para conter 125 mil ovelhas. Sendo que o tamanho de uma ovelha ainda é maior do que a média dos animais que foram colocados na arca. Havia muita capacidade na arca, não só capacidade de espaço para conter todos esses animais, mas capacidade genética para a reprodução desses animais.

E, se você não acredita que daquelas espécies vieram a existir todas as variações posteriores, é só você lembrar que de Noé e sua esposa veio todo o material genético para produzir toda a humanidade em todas as suas variações. Todos nós originalmente viemos de Adão. Você lembra que eu mencionei que a diferença na genética entre duas pessoas é 0.2. Mas, isso realmente não inclui a proporção do que chamamos de relação ou características físicas. A diferença nas características físicas é de 6% de 0.2 ou 0.012. É por isso que no livro de Atos há uma palavra muito importante do apóstolo Paulo, no capítulo 16, falando com os filósofos, no versículo 26, ele disse: “De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra”. O material genético nos mostra a genialidade de Deus como Criador.

Eu conversava com um ateísta humanista esta semana, tive uma conversa interessante com ele, durou muito tempo. E ele estava me contando como não acreditava em Deus e estava me dizendo como tudo evoluiu.E eu estava tentando fazê-lo entender é que tipo de genialidade é capaz de produzir, em qualquer ser que esteja ‘evoluindo’, todo o material genético para tudo o que nem existe ainda e que irá ‘evoluir’ a partir desse material genético? Bem, é um pensamento incompreensível. É algo que eles não podem mesmo responder. E eu disse que a Bíblia ensina claramente que havia um casal, Adão e Eva, de onde veio toda a humanidade.

Depois, toda a humanidade foi destruída, exceto um casal e seus três filhos e suas esposas, de onde vieram todas as raças do planeta. Então, se pode acontecer no reino humano, com toda essa incrível diversidade, também pode acontecer no reino animal da mesma maneira. Portanto, não temos problema em entender isso.

Agora, o motivo pelo qual Noé deve juntar tudo isso e entrar na arca está em Gênesis 7:4, que diz : “Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a substância que fiz”.  Isso é interessante. Chuva, o que é isso? Volte para Gênesis 2: 5 e 6 e diz: “ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma planta havia germinado, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e também não havia homem para cultivar o solo. Todavia brotava água da terra e irrigava toda a superfície do solo.”

Na criação original não havia chuva. Não chovia na Terra. Havia apenas uma névoa subindo do chão molhando a superfície. Havia água no subsolo. A água brotava e alimentava as plantas, num sistema de rega subterrâneo. Essa água subterrânea brotava e criava os rios que são descritos, é claro, na descrição do Jardim do Éden. A terra, assim, era regada por baixo, não por cima. O padrão hidrológico era muito diferente do padrão hidrológico de hoje, onde a água é evaporada dos oceanos para as nuvens, despejada na terra, corre para córregos, rios e depois volta ao oceano, dando continuidade ao ciclo.

O ciclo hidrológico foi dramaticamente alterado a partir do  Dilúvio. E Deus usou a chuva, na primeira vez que choveu, para destruir toda a raça humana. E, desde então, Ele a usou predominantemente para abençoar a raça humana. E assim, no versículo 4, Ele diz: “Vou enviar chuva”. A palavra chuva, como eu mencionei na última vez em nossa conclusão, no hebraico significa chuva normal, como talvez caia agora. Não significa um aguaceiro torrencial, é apenas a palavra normal para a chuva.

Mas, se você tiver chuva por 40 dias e 40 noites em todo o planeta, então, ela se torna algo muito maior do que a chuva normal. E é por isso que no em Gênesis 7:12 é dito: “E a chuva…”, usando uma palavra completamente diferente, “geshem”, que significa um aguaceiro torrencial. Assim, quando começou, era apenas a chuva. Mas, vinte ou trinta dias depois, tornou-se um aguaceiro torrencial, uma palavra usada para uma poderosa torrente apressada, em outras partes do Antigo Testamento.

Quarenta dias e quarenta noites de chuva em toda a Terra é completamente impossível nas condições atuais. A água disponível acima da Terra hoje nunca poderia criar o tipo de chuva que criou nos dias de Noé. É por isso que sabemos que a hidrologia dos dias de Noé era muito diferente da atual. Antes do Dilúvio, as condições eram muito diferentes. Volte para o capítulo 1 de Gênesis por um momento, deixe-me ver se posso mostrar-lhe tas condições.

Depois disse Deus: ‘Haja entre as águas um firmamento que separe águas de águas’. Então Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam embaixo do firmamento das que estavam por cima. E assim foi. Ao firmamento Deus chamou céu. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o segundo dia. (Gênesis 1: 6-8).

Assim, no segundo dia da Criação, Deus tomou a água e separou-a. Algumas das águas estavam abaixo do céu que vemos acima de nós, o firmamento, o espaço acima de nós, e algumas deles estavam acima disso. Esta foi a separação das águas.

Na criação original, havia umidade acima, no que chamamos de céu, bem como água na terra. Eu não sei que terminologia usar, e certamente não estou aqui para explicar a realidade científica do que isso era, porque tudo o que sei é o que é dito em Gênesis. Tudo o que eu realmente quero fazer é explicar a passagem e não tentar fabricar algum cenário científico.

O melhor que posso dizer é que a água estava acima do firmamento, que está acima da atmosfera. Havia um vasta camada de água envolvendo a Terra. E ela tinha que ser grande, para chover por 40 dias e 40 noites. Tinha que haver muito mais água lá do que existe agora. Se toda a água atualmente em todas as nuvens que cercam a Terra fosse despejada em forma de chuva, no máximo ela poderia apenas cobrir a Terra com menos de uma polegada de profundidade [2,54 cm].

Então, a água que caiu em forma de chuva no Dilúvio literalmente cobriu as montanhas. Lembre-se de que a inundação cobriu o monte Ararat, por exemplo, onde a arca finalmente se instalou, o qual tem cerca de 5.000 metros. Assim, era uma quantidade maior de água do que qualquer coisa que vemos nos nossos céus hoje. Muitos creem que se tratava de uma cobertura de umidade envolvendo a Terra.

Porém, essa imensa quantidade de umidade envolvendo a Terra levanta algumas questões científicas no que diz respeito à pressão atmosférica. Nesse caso, o calor ficaria retido e essa cobertura de umidade funcionaria como uma panela de pressão represando o calor. Eu não sei como argumentar todas essas coisas. Tudo o que posso dizer é que havia água acima e o que quer que fosse essa água, Deus criou isso para fazer o que Ele queria fazer para criar um ambiente perfeito.

Nós também sabemos que qualquer água que estivesse formando essa cobertura em volta da Terra não obscureceu a luz do sol, a lua e as estrelas. Deveria ser transparente e, assim, deve ter sido possível ver através dela a luz. E, claro, entendemos que a água é transparente. Há todos os tipos de artigos longos sobre esse assunto, os quais você pode ler. Mas, creio que Deus providenciou na época as condições exatas para ser possível a vida na Terra envolvida com aquela camada imensa de umidade.

É muito razoável supor que uma coisa que esse vapor de água fez ao redor do globo foi que filtrou alguns dos efeitos nocivos dos raios ultravioletas do Sol, porque as pessoas viviam muito tempo naquela época, chegavam a quase mil anos. Os animais viviam muito tempo também . Além disso, se esse vapor causava um efeito estufa na Terra, não havia, então, variação de temperatura. Sendo assim, não havia vento, de modo que o movimento do ar era mínimo e as tempestades de vento não existiam.

Não havia circulação global de ar. Era um tipo de ambiente muito diferente. Pode-se presumir que a temperatura na Terra era perfeita, quente, tropical, com umidade adequada em todos os lugares, propiciando vegetação exuberante, sendo regada com a água do subsolo. E então, tudo isso foi alterado. Volte para o capítulo sétimo. Deus diz: “Vou enviar chuva”. O que isso significa é que Deus havia mantido essa água lá para ser usada num momento como este.

Na segunda epístola de Pedro, capítulo 3, Pedro nos diz que Deus vai destruir a Terra da próxima vez, os elementos se derreterão com o que? Com calor fervoroso. E você sabe de que são feitos todos os elementos da Terra? Eles são feitos de energia atômica. Você já viu energia atômica ser usada tanto para o bem – como na criação de energia que liga nossas luzes em casa -, bem como para o mal, com bombas que podem destruir de forma devastadora.

Assim como no mundo antediluviano, o mundo pré-inundação, o instrumento de destruição foi incorporado à estrutura dessa criação, também o instrumento da nossa próxima destruição está incorporado à estrutura atômica deste Universo. E Deus disse: “farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, e farei desaparecer da face da terra todos os seres vivos que fiz”. A palavra hebraica traduzida como “desaparecer” aí é “kol yequm”, referindo-se a tudo o que existe, tudo que tem vida, tudo que cresce.

A Terra seria despojada de todos os animais, vegetação, plantas, árvores, florestas inteiras seriam desarraigadas nas inundações cataclísmicas que viriam. Florestas inteiras literalmente seriam desarraigadas, levadas pelas inundações e enterradas profundamente em sedimentos para se transformarem em camadas de carvão, ou deixadas na superfície para se decompor e virar pó. Este julgamento marcará o final da primeira criação. O maior julgamento da História. Como eu disse, uma prévia do maior julgamento que ainda está por vir.

Então, Deus disse: “Noé, o tempo chegou. Mais sete dias e vai chover”. E, como sempre, Gênesis 7:5 diz: “Noé fez conforme tudo o que o Senhor lhe ordenara”. Essa é sempre a maneira como ele é descrito, sete vezes Deus falou com Noé e este sempre obedeceu. É por isso que Hebreus 11: 7 diz: “Pela fé Noé …”. Ele cria em Deus. Ele cria no que Deus dizia ser verdade e ele obedeceu.

Ele virou as costas para o que podia ver, virou as costas à sua vida, virou as costas para os amigos, virou as costas para a carreira e os bens dele. Noé trocou o mundo que ele tinha por um mundo que não podia ver. Não é ele como nós nisso? Nós não amamos o mundo ou as coisas que estão no mundo. Nós alegremente deixamos este mundo para irmos a um mundo que nunca vimos.

Noé era um homem que cria em Deus. Ele era um homem que foi declarado justo. Ele era um homem que trocou o mundo ao qual podia ver por um mundo ao qual não podia ver. Ele tinha 600 anos quando finalmente o julgamento chegou e nessa fase da vida ele devia ter muitas posses. Os versículos 6 a 9 detalham sua obediência. Ele tinha 601 anos de vida quando saiu da arca, de acordo com os versículos 14 a 16 do capítulo 8, ele esteve na arca por um ano e dez dias. Choveu por 40 dias e 40 noites, mas demorou muito mais do que isso para que a água retrocedesse e a arca pudesse pousar para eles saírem.

Gênesis 7:6 diz: “E era Noé da idade de seiscentos anos, quando o dilúvio das águas veio sobre a terra”. Você diz: “Por que todos esses detalhes? É algo importante saber que Noé tinha 600 anos?”. Sim, importa. Se você é um historiador, importa. E Moisés, que é o escritor inspirado do Pentateuco, incluindo o Gênesis, narra o evento no tempo e na História. Fico sempre consternado e profundamente triste quando leio algum comentarista que diz: “Esta inundação mítica é uma metáfora do julgamento. É simbólica do julgamento”. Não é simbólico do julgamento, é julgamento e é História.

E o escritor nos faz saber a História, dizendo que aconteceu no ano 600 da vida de um homem, não quando ele tinha 580 ou 620, mas quando ele tinha 600 anos, um homem de verdade que viveu uma vida real em um ano real. E seu filho mais velho tinha 100 anos na época, porque no capítulo 5, versículo 32, Noé tinha quinhentos anos quando se tornou pai. Ter um bebê aos 500 anos… imagine isso. Ele viveu até os 900, então, quando ele saiu da arca, ele tinha mais 300 anos de vida para viver. Os versículos 28 e 29 do capítulo 9 nos dizem isso.

Então, tudo isso está estabelecido na História. Isso não é mito. Não é lenda. Isso não é simbólico. Agora, essa descrição do tempo é normal em qualquer registro histórico. Os registros históricos antigos são geralmente datados por algum ponto na vida de uma pessoa significativa, em particular um rei ou um governante. Por exemplo, Ezequiel capítulo 40:1, Isaías 6:1, trazem como referência a vida de Uzias ou morte de Uzias. Em Amós 1: 1, Amós estabelece a datação de sua profecia no momento do terremoto.

E essa é a segunda maneira pela qual os historiadores antigos datam os eventos. Uma é estabelecendo como referência um momento da vida de uma pessoa significativa, e a outra é estabelecendo como marco algum evento significativo. Isso é verdade para os escritos antigos, bem como para os modernos. E é verdade também quanto à Escritura. A História é marcada por pessoas notáveis e eventos notáveis, que se tornam os marcos temporais da História.

E, no momento em que o Dilúvio estava acontecendo, havia apenas um rei no mundo, e era Noé, ele era o rei da nova humanidade. Ele tinha apenas sete pessoas em seu reino, mas isso era tudo o que havia. Ele era realmente o governante do mundo. Então, Noé tomou seu pequeno reino de sete pessoas e fez o que Deus disse. Gênesis 7:7 diz: “Então, Noé e seus filhos, sua esposa e as mulheres de seus filhos, com ele, entraram na arca por causa da água do dilúvio”.  Noé entrou na arca e esperou.

Gênesis 7:8 e 9 diz: “Dos animais limpos e dos animais que não são limpos, e das aves, e de todo o réptil sobre a terra, entraram de dois em dois para junto de Noé na arca, macho e fêmea, como Deus ordenara a Noé.” Noé era o comitê de boas vindas. Os animais simplesmente foram até ele.  Ainda há alguns comentaristas que disseram:

Não pode ser uma enchente universal, porque a ideia de que todos esses animais, dois por dois, venham subindo uma rampa em direção a algumas pessoas sentadas lá recebendo-os e colocando-os em seus pequenos boxes nos três andares da arca, é ridícula. Não podemos aceitar o fato de que os animais poderiam ser levados para a arca dessa maneira.

Eu respondo: se é assim, então você vai ter que responder a outra pergunta para mim, porque anteriormente no livro de Gênesis, no segundo capítulo, fomos informados de que Deus trouxe para Adão todos os animais para ele nomear. E se Deus pôde ter conduzido todos eles para Adão, Ele pôde certamente conduzir todos eles para a arca. Este é um dos grandes milagres do Antigo Testamento, sem dúvida. Em termos de volume, é o maior. Mas, é ignorado.

Tudo parece tão fácil para nós, porque vemos todos aqueles livros infantis com girafas sorridentes, hipopótamos e todos estão apenas andando, a música está tocando e Noé está ali acenando, como você sabe. Mas, este foi um milagre notável, uma expressão do poder de Deus. Não sei porque as pessoas que creem que Deus tem poder para criar todos os animais não conseguem crer que Ele tem poder para levar os animais a agirem conforme Sua vontade.

Agora, eu imagino que algumas das coisas que Noé esteve dizendo começaram a ser analisadas pelas pessoas que estavam assistindo ao desfile de animais, porque Noé lhes havia dito que isso aconteceria. E estava acontecendo. O que eles pensaram quando o desfile de animais estava acontecendo durante aqueles sete dias? Deus trouxe todos os animais até Noé, versículo 9, assim como Deus havia dito. Havia muito espaço para todos eles. E o Senhor os trouxe exatamente no momento em que precisavam ser trazidos.

Todos entraram. Todos foram colocados em seu compartimento especial, sem dúvida, pois havia milhares deles nos três andares. E as pessoas argumentam: “Bem, isso é ridículo. Como os cangurus vieram da Austrália? Eles não podem nadar!!”. Mas, lembre-se agora, temos uma Terra antes do Dilúvio que não era configurada como a Terra que agora existe está configurada. Não havia as grandes bacias oceânicas e as montanhas altas, como falaremos depois.

E também é verdade que quando originalmente todos os animais foram criados eles estavam todos no Jardim, não estavam? Porque todos vieram para serem nomeados por Adão. Eles deveriam estar todos prontamente disponíveis nessa área e, como o clima da Terra era uniforme, eles não estavam em climas variados, mas todas as espécies estavam em todos os lugares e certamente estavam todos lá.

E algumas pessoas fazem outro questionamento: “Bem, mas depois do Dilúvio, quando os animais saíram da arca no Monte Ararat, como os cangurus chegaram à Austrália?”. Essa é uma pergunta justa. E eu não sei a resposta. Só sei que eles chegaram lá, nós sabemos disso. Dois deles chegaram lá, é tudo o que seria necessário. Eles são coelhos, você sabe, grandes coelhos. Você sabia disso? Eles estão na família dos coelhos. Apenas dois deles povoariam toda a Austrália, como você sabe, durante um período de tempo. Mas alguns deles chegaram lá.

Você diz: “Como eles chegaram lá?” Bem, uma das coisas que sabemos que aconteceu após o tempo do Dilúvio, e a geologia atesta, é que o gelo se acumulou nos pólos e houve o desenvolvimento das calotas polares, a grande Era do gelo, e com a água concentrada ali antes de tudo derreter, os continentes não estavam tão completamente submersos como se encontram hoje, de modo que existiam algumas ‘pontes’ de terra interessantes. Fiz um pouco de pesquisa sobre isso. Havia pontes terrestres que se estendiam do Oriente Médio e, sendo a água muito rasa, podendo levá-lo muito perto da Austrália.

Mas, eu não preciso explicar tudo isso. Aconteceu. Basta saber que Deus pode fazer o que Ele quer fazer. Os níveis do mar eram muito mais baixos do que hoje, por causa da acumulação dessas calotas polares, onde a maior parte da água estava antes da Idade do Gelo. O movimento das geleiras, o seu derretimento contínuo fez encher os oceanos do mundo.

Voltando à arca, todos os animais precisavam estar lá. E a pergunta de sempre … Eu não sei por que as pessoas perguntam isso: “Mas, e os dinossauros? Eles estavam lá?”. Bem, os dinossauros são répteis e já te disse antes, os répteis são as as únicas criaturas que não param de crescer enquanto vivem. A maioria de todos os animais para de crescer em um certo ponto no tempo. Mas, os répteis crescem enquanto vivem.

Sendo assim, no ambiente anterior ao Dilúvio as condições favoreciam que a vida fosse muito longa. Sabemos que as pessoas viviam por centenas de anos e não só eles viviam muito naquele ambiente. De modo que os répteis continuavam crescendo durante muito tempo e assim se tornavam enormes, gigantes. Agora, você pode ter certeza de que os répteis estavam na arca.

Hoje nenhuma dessas criaturas vive o tempo suficiente para tornar-se tão grande quanto antes do Dilúvio. Os dinossauros são apenas um tipo de lagarto e, como répteis, crescem durante toda a vida. Hoje eles não crescem tanto quanto cresciam antes do Dilúvio, porque não vivem tanto tempo. Outra questão interessante que foi abordada e está sendo abordada um pouco hoje é a descoberta de mamutes. Você já viu algo sobre isso?

Os mamutes são um exemplo de grandes animais que foram, literalmente, dizimados no Dilúvio. Estima-se que cinco milhões de mamutes, cujos restos estão enterrados em todo o litoral do norte da Sibéria e do Alasca, estão enterrados e congelados lá. E os cientistas dizem que foram enterrados há não muitos milhares de anos. Eles não sabem como explicar isso. Um artigo diz:

Os depósitos siberianos foram formados há séculos e o depósito de ossos de mamutes parece ser tão inesgotável quanto uma reserva de carvão. Alguns acreditam que pode chegar o dia em que a propagação da civilização pode causar o desaparecimento total do elefante na África e esses depósitos de ossos de mamutes poderão vir a ser única fonte de marfim animal que teremos.(Enciclopédia Britânica).

Deve ter havido elefantes na arca, porque eles ainda estão conosco. Vou falar uma informação inútil, mas é interessante: cem anos atrás, a National Geographic relatou que os dragões de komodo de 6 metros eram comuns. Agora, o maior encontrado é de quase 4 metros. Ou seja, hoje eles não vivem muito tempo, por isso crescem menos. Há quinhentos anos atrás, de acordo com o artigo da National Geographic, há um registro de um pássaro dinossauro de 3 metros de altura, pesando uma tonelada, vivendo em Madagascar.

E, à medida que a Terra se deteriora, a segunda lei da termodinâmica, a lei da entropia, a questão da degradação, faz com que a vida seja cada vez mais curta para os animais. Não é assim conosco,porque os avanços da medicina nos últimos séculos têm aumentado nossa expectativa de vida. Não vemos esses animais atingirem mais aqueles tamanhos, como no passado.

Assim, eles estavam todos lá na arca. E então, veio o dilúvio. Gênesis 7:10: “Ocorreu depois de sete dias que a água do dilúvio veio sobre a terra”. Você sabe, isso para mim é muito óbvio. Deus disse que iria fazer isso em 120 anos. E, 120 depois, Ele fez. Como as pessoas podem acreditar nesta ridícula Teologia Aberta ou Teísmo Aberto, nessa verdadeira inundação que veio sobre o mundo evangélico que diz que Deus não sabe o que está acontecendo, Ele não tem ideia do que está acontecendo, de que Ele não pode conhecer o futuro, porque não sabe o que vai acontecer??

Como podem crer que Deus está, literalmente, na mesma situação que estamos, olhando para frente e nos perguntando o que vai acontecer? Essas pessoas creem que Deus não tem controle sobre o futuro, que Ele não tem ideia do que vai acontecer! Esta é a Teologia Aberta, que está sendo ferozmente defendida hoje, mesmo no meio evangélico. Como alguém pode acreditar numa teologia dessas mesmo quando a Bíblia mostra Deus dizendo que algo vai acontecer, que acontecerá em 120 anos e acontece exatamente como Ele disse que isso aconteceria? E essa é apenas uma ilustração. Deus disse: “Eu vou destruir toda a raça humana “, e Ele fez isso.

E, novamente, no versículo 10, é estabelecida uma cronologia. São cento e vinte anos, sete dias, após Deus ter falado a Noé. Isso não é um mito. Isso não é alegoria. Este é um relato histórico. Gênesis 7:11 traz detalhes exatos do momento em que o Dilúvio começou: “No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram”. Por que isso? Nem sabemos como era o calendário nessa época. O que foi isso? Moisés colocando o relato na perspectiva do calendário judaico ou de qualquer outro calendário usado na época?

Nós não sabemos. Então, para nós, não sabemos o que é o segundo mês. Se você tomar como base o calendário judaico dos dias de Moisés, seria o nosso mês de maio. Mas não sabemos qual era o primeiro mês e o segundo mês nos dias de Noé. Nós não sabemos qual calendário eles usavam. Embora seja bastante provável que fosse um calendário dividido em meses de 30 dias.  O ponto aqui é deixar claro que isso é história e que realmente aconteceu em um momento que pode ser identificado.

O Dilúvio durou uma quantidade de tempo registrado. Choveu 40 dias, 40 noites, mas a água inundou a Terra por 150 dias, ou cinco meses de trinta dias. Veremos essa cronologia à medida que avançarmos. Mais tarde, veremos que a arca repousou sobre o Ararat no ano seiscentos de Noé, no sétimo mês do décimo sétimo dia. E continua. Quarenta dias depois, no ano 601 de Noé, ele sai, espera um mês, 26 dias, antes de desembarcar no segundo mês do vigésimo sétimo dia. Quero dizer, tudo o que está registrado aqui indica a historicidade desse evento.

Agora, vamos ver o evento em si. Gêensis 7:11, “No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram”. “Naquele mesmo dia”  é uma frase que você verá várias vezes no Antigo Testamento: “Naquele dia, Israel entrou no Sinai … Naquele mesmo dia Abraão foi circuncidado … Naquele mesmo dia a Páscoa, o Êxodo ocorreu … Naquele dia Moisés morreu “. Você verá essa frase anexada a esses eventos monumentais.

Bem, neste dia, muito específico na História, o mundo começou a se afogar. E o julgamento incrível é descrito em duas facetas. Verso 11, a primeira coisa que aconteceu foi a seguinte: “romperam todas as fontes do grande abismo”. Agora, o que exatamente isso significa? Eu disse anteriormente que Gênesis 1 nos diz que havia água embaixo do solo e água acima do solo. A água embaixo aqui é descrita como as nascentes em uma grande caverna, ou fontes em uma grande profundidade, que brota no grande abismo.

Tratavam-se de reservatórios subterrâneos onde a água estava contida e a partir dos quais ela brotava para regar as raízes das plantas, irrigando a terra. Este era o grande abismo. Era uma série complexa de canais interligados, a partir dos quais esta enorme quantidade de água subterrânea fluía para a terra. E explodiu. A palavra no original hebraico é “bagais”. É usada 51 vezes no Antigo Testamento. Significa literalmente dividir ou, numa melhor tradução, explodir.

O que aconteceu foi que a Terra possuía uma tremenda quantidade de água contida nela. Mas, ela também tem fogo internamente, não é? Vemos esse fogo sair nas erupções vulcânicas, em forma de lava. E o que aconteceu foi que as erupções vulcânicas aparentemente começaram a acontecer em todo o planeta no mesmo dia, de modo que o fogo no meio da Terra começou a aquecer a água e, pelo design de Deus, aquela água que anteriormente irrigava todo o planeta, foi aquecida. E, ao se aquecer e ficar mais quente e mais quente, houve pressão acumulada fazendo com que, literalmente, a superfície da Terra explodisse, criando os continentes, movendo a crosta, empurrando as montanhas para cima e fazendo com que os leitos marinhos desabassem nos abismos onde a água estava anteriormente.

A palavra “bagais” é usada 51 vezes no Antigo Testamento com mais freqüência relacionada com a água. Então, no núcleo da terra, há este maravilhoso motor térmico e Deus, no tempo certo, fez esse calor aquecer a água, criando pressão interna, de modo que todos os reservatórios e canais condutores de água se aqueceram e começaram a explodir em erupções vulcânicas que rasgaram a superfície da Terra à medida que as massas de água oceânicas subterrâneas eram expelidas.

Houve explosões do magma subterrâneo e de vapor, como um milhão de vulcões, acompanhado de montanhas sendo erguidas e continentes sendo afundados, o que mudou a face da Terra. Esta explosão é mencionada primeiro no verso 11, porque é o que desencadeia o próximo evento. Essa rápida acumulação de calor envia esta água aquecida juntamente com poeira e partículas de magma até o céu. E a melhor compreensão é que, à medida que explosões e erupções vulcânicas entraram em contato com a atmosfera, geraram o aquecimento que fez com que toda aquela camada de água suspensa no firmamento desde a Criação despencassem sobre a Terra.

E assim, diz o verso 11, que no mesmo dia em que todas as fontes do grande abismo se abriram,”as janelas dos céus se abriram”. Tudo aconteceu em um dia. Você pode imaginar o que foi esse dia? Segundo mês, décimo sétimo dia, tudo aconteceu em um dia, as comportas do céu foram abertas. No original, significa, literalmente, as janelas. É uma palavra usada para comportas. As comportas da barragem celestial estavam abertas e toda a água foi despejada sobre a Terra.

Levaram seis semanas para que toda aquela água fosse despejada sobre a Terra. Então, toda as águas subterrâneas sendo expelidas forçaram a formação dos continentes como os conhecemos agora. A densa camada de água presente na atmosfera desde a Criação é desfeita, desaparecendo a grande estufa em que a Terra existia. Por 40 dias e 40 noites, caiu a água que estava em cima e a água que estava embaixo subiu, enchendo os lugares afundados que conhecemos agora como oceanos, subindo o suficiente para cobrir o monte Ararat e outras montanhas de grande altitude.

As montanhas se ergueram, vales se aprofundaram, as calotas polares foram criadas congelando animais rapidamente. Muitos, quando olham para o Grand Canyon, por exemplo, acreditam que a formação daqueles estratos de rochas se deu pelo depósito lento, paulatino e contínuo de material rochoso e outros materiais carregados por fluxos contínuos de um rio.

Porém, a ciência provou que há apenas uma maneira de se produzir estratificação, e é através uma enorme torrente atravessando a superfície terrestre. Isso é o que cria os estratos. A forte torrente de água vai simplesmente carregando tudo que se encontra no seu caminho e vai empilhando esses materiais. Essa é a única maneira de criar estratos. Não é através de um curso simples de um rio, mas de uma torrente maciça que atravessa a superfície da Terra.

Recapitulando, a camada super densa de vapor que circulava a Terra foi destruída pelo efeito de inúmeras erupções vulcânicas, mudando o planeta para a forma que conhecemos agora, criando as montanhas, as bacias oceânicas e os continentes. Para mostrar-lhe isso, vá ao Salmo 104, e vamos terminar em um minuto aqui. Começaremos com o versículo 5: “Lançou os fundamentos da terra; ela não vacilará em tempo algum.” Não vai ficar fora de sincronia em sua rotação. “Tu a cobriste com o abismo, como com um vestido; as águas estavam sobre os montes.” (verso 6). Agora, siga esse raciocínio: onde estavam as águas? Acima das montanhas.

Continuando: “À tua repreensão fugiram; à voz do teu trovão se apressaram. Subiram aos montes, desceram aos vales, até ao lugar que para elas fundaste. Termo lhes puseste, que não ultrapassarão, para que não tornem mais a cobrir a terra.” (vv 7-9). O texto está dizendo que Deus criou as montanhas e os oceanos e estabeleceu um limite onde as águas podiam ir, e não além desse limite. Então, quando Noé entrou no barco, ele deixou para trás um tipo de planeta. Quando ele saiu do barco, o planeta era completamente diferente.

Não sei se algum de vocês teria visto o Monte Sta. Helena antes de o vulcão entrar em erupção e depois. É totalmente diferente. [John MacArthur refere-se à erupção do vulcão Monte Sta Helena (em 1980), localizado no estado de Washington, nos EUA, quando houve formação de fósseis, contrariando a ideia de que eles se formam ao longo de milhões anos. Os cientistas criacionistas, inclusive os que não creem em Deus, consideram que a geologia da terra foi definida por cataclismos  (A Bíblia diz: Criação e Dilúvio). Apontam várias consequências da erupção daquele vulcão, como provas de que os fósseis não são formados no curso de milhões de anos, mas em certas condições de pressão e temperatura provocados por violentos cataclismos. Bem como de que os estratos não são formados através de depósitos lentos e paulatinos de materiais, mas ambos são formados pela ação de forças brutais da natureza, em um curto espaço de tempo, como ocorreu no Dilúvio e como ocorreu na erupção do Monte Sta Helena, em 1980. A grande quantidade de fósseis existentes na Terra teve sua origem no cataclismo do Dilúvio].

Este julgamento divino sem igual tornou-se a figura padrão, a propósito, na linguagem profética, para o futuro julgamento divino. E não foi apenas Pedro quem usou essa figura. Deixe-me compartilhar com você Isaías 24:1: “Eis que o SENHOR esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua superfície, e dispersa os seus moradores.”. Isaías está se referindo ao Dilúvio, quando a superfície da Terra foi distorcida. No verso 18, ele diz: “E será que aquele que fugir da voz de temor cairá na cova, e o que subir da cova o laço o prenderá; porque as janelas do alto estão abertas, e os fundamentos da terra tremem.”. Aqui ele está falando sobre o julgamento do Dilúvio: “as janelas acima são abertas e os fundamentos da terra tremem”. A terra foi quebrada, dividida, abalada violentamente,

De todo está quebrantada a terra, de todo está rompida a terra, e de todo é movida a terra. De todo cambaleará a terra como o ébrio, e será movida e removida como a choça de noite ; e a sua transgressão se agravará sobre ela, e cairá, e nunca mais se levantará. E será que naquele dia o Senhor castigará os exércitos do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra. E serão ajuntados como presos numa masmorra, e serão encerrados num cárcere; e outra vez serão castigados depois de muitos dias. (vv 19-22).

Ele está falando também acerca do julgamento final do qual a Terra não se recuperará (v. 20). A Terra, como a conhecemos, e o Universo, serão completamente destruídos. O texto mostra que o que uma vez Deus fez no Dilúvio, Ele novamente fará no futuro. Jeremias também usa o Dilúvio em sua profecia nos versículos 23 a 25, capítulo 4: “Observei a terra, e eis que era sem forma e vazia; também os céus, e não tinham a sua luz. Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam.Observei, e eis que não havia homem algum; e todas as aves do céu tinham fugido.” Deus estava sacudindo a Terra e não havia mais pessoas nela.

Esta é uma desolação e uma destruição, ele diz no versículo 27: “Porque assim diz o Senhor: Toda esta terra será assolada; de todo, porém, não a consumirei.”. Está se referindo a Gênesis, ao Dilúvio. Deus trouxe a destruição prometida. E a destruição, lembrem-se, veio por causa da iniquidade: “A maldade do homem era grande na terra e toda intenção do pensamento de seu coração era o mal continuamente” (Gênesis 6:5). Isso é o que é preciso para que haja juízo de Deus sobre a Terra.

De volta ao capítulo 7 de Gênesis, Verso 12: “Então a chuva caiu por 40 dias e 40 noites“. A Terra havia recebido sua nova forma nos eventos cataclísmicos do primeiro dia do Dilúvio, mas a chuva continuou caindo. No Salmo 36, a partir do versículo 5, lemos:

5 A tua misericórdia, Senhor, está nos céus, e a tua fidelidade chega até às mais excelsas nuvens.
6 A tua justiça é como as grandes montanhas; os teus juízos são um grande abismo. Senhor, tu conservas os homens e os animais.
7 Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam à sombra das tuas asas.
8 Eles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás beber da corrente das tuas delícias;
9 Porque em ti está o manancial da vida; na tua luz veremos a luz.

Isso não é maravilhoso? O mesmo Deus que traz a destruição, traz o conforto. E, para não nos esquecermos disso, os versículos 13 a 15 de Gênesis 7 nos lembram:

13 E no mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cão e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
14 Eles, e todo o animal conforme a sua espécie, e todo o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil que se arrasta sobre a terra conforme a sua espécie, e toda a ave conforme a sua espécie, pássaros de toda qualidade.
15 E de toda a carne, em que havia espírito de vida, entraram de dois em dois para junto de Noé na arca. 

Todos os animais terrestres que não respiravam na água tiveram seus representantes na arca. A maioria dos peixes foi destruída pelo Dilúvio. Sabemos disso porque existem grandes camadas de fósseis de peixe. Você sabia que um dos maiores depósitos de fósseis de peixe da América do Norte está na cidade de Los Angeles? E isso só foi descoberto há alguns anos, na construção do metrô. Você pode ler sobre isso no L.A. Times.

Após todos os animais e a família de Noé terem entrado na arca, o Senhor fechou a porta. Uau! O Senhor trouxe os animais e fechou a porta. Lembre-se: havia apenas uma porta ao lado, na arca. E o Senhor a fechou e selou.

Abrindo um parêntese, esse texto também serve para mostrar o casamento monogâmico, não é mesmo? Porque só estavam ali Noé e seus filhos com suas respectivas esposas. E lembre-se que eles eram pessoas justas. Você diz: “Sim, mas por que Gênesis não registrou os nomes das esposas? Quero dizer, as mulheres não merecem um nome?” Bem, ainda temos esse costume até hoje. Quando você se refere a um casal formalmente, você geralmente se refere à esposa usando o nome do marido, não é mesmo? [Essa prática é mais comum nos EUA do que no Brasil]. A Bíblia, nesse relato, está se referindo ao Sr. e Sra. Noé, e assim por diante. Não se trata de diminuir a mulher casada, mas a identificá-la da maneira habitual. Fecho o parêntese.

Eu amo o fato de que o Senhor os trancou. Deus fechou a porta e a selou por fora milagrosamente, sem mãos humanas. Eles estavam trancados na arca. O mundo inteiro estava lá fora e nunca mais eles o veriam como o conheciam. O mundo logo estaria por baixo deles e eles estavam embarcando na mais incrível jornada da fé. Ninguém nunca antes tinha feito uma jornada tão incrível como esta. Foi uma grande aventura. A maior estrutura flutuante já construída até então, chuva que eles nunca haviam visto, destruição de todo o planeta.

Eles estavam flutuando em um zoológico, guiados apenas por Deus e vivendo na esperança de um mundo melhor e uma nova vida. E todo o futuro do mundo está amontoado sob aquele teto naquela arca. Pedro, em 1 Pedro 3:20 e 21, vê a arca como uma imagem de Jesus, não é? Porque quando entramos em Cristo nos elevamos acima das águas de julgamento, não é mesmo? Ele é a nossa arca de segurança.

Como aquelas oito pessoas passaram com segurança através das águas do juízo, sendo selados na arca, assim também os crentes passarão com segurança através do julgamento, sendo selados pelo Espírito na arca que é Jesus Cristo. Pecador, entre na arca da segurança e se eleve acima do julgamento. Que graça!! Amém?

Continuaremos a ver como foi o Dilúvio na próxima vez. Vamos orar.

Pai, obrigado pelo nosso tempo na Palavra esta noite. E agradecemos a Ti pela clareza com que a Palavra nos fala. Bendizemos o Teu santo nome. Nós Te louvamos pela nossa salvação. Ficamos impressionados cada vez mais, à medida que avançamos na fé em Ti e conhecemos Tua imensa misericórdia para conosco. Como nós Te louvamos!! Como nós Te agradecemos!! Agradecemos a Ti pela arca, que é Jesus Cristo, em quem encontramos nossa segurança. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre o Dilúvio.  Por similaridade do assunto, o sermão referente a Gênesis 6:1-4 pode ser substituído pelo sermão pregado por John MacArthur sobre I Pedro 3:17-22 (Clique aqui e leia). Veja abaixo os links dos sermões já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “The Flood of Judgment”, de John MacArthur em 04/03/2001.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-259/the-flood-of-judgment

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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