O Dilúvio: A Arca da Fé de Noé

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Esta é o terceiro de uma série de 8 sermões de John MacArthur sobre o Dilúvio (veja links no fim deste texto). A teologia de incrédulos no meio da igreja tem posto em dúvida o relato de Gênesis, transformando-o em relatos simbólicos. Ela vem sucumbindo diante de falsos argumentos ditos “científicos” e tentam adaptar os dois grande cataclismos da Criação e do Dilúvio às concepções infundadas de que o Universo tem bilhões de anos e que Deus teria criado coisas imperfeitas para que se transformassem e evoluíssem. Em oposição à incredulidade, John MacArthur mergulha nos relatos bíblicos e mostra toda a perfeição e exatidão da Palavra de Deus. 


Tenho estado muito feliz com tudo que tenho aprendido de Gênesis e transmitido a vocês. Paramos no versículo 13 de Gênesis 6, onde Deus disse a Noé: “O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra”. Aqui Deus disse que traria um destrutivo juízo sobre a Terra. Vamos hoje percorrer até o verso 22, onde Ele anuncia que fará isto através de uma grande inundação. E temos, então, aqueles que escapariam do julgamento divino.

Os versículos 13-22 de Gênesis 6 revelam para nós este escape do juízo divino. Aprendemos algumas lições muito profundas e importantes. Repetidamente, a Bíblia diz que Deus, o eterno santo criador e sustentador do Universo, atua na História de duas maneiras: julgando pecadores e resgatando pecadores do juízo. Essencialmente, essa é a história da Escritura; essa é a história da redenção. E esse é o pano de fundo da História. Os pecadores são julgados ou são libertados do julgamento. Esse é o duplo tema da Bíblia, da história bíblica, da criação do homem no Gênesis até a destruição do homem, em Apocalipse.

Há apenas dois tipos de pessoas no mundo: aqueles que serão julgados por Deus e há aqueles que serão resgatados do julgamento por Deus. O Novo Testamento é cheio de promessas e avisos, assim como o Antigo Testamento. Ambos falam sobre o julgamento final e sobre o fato de que Deus salvará almas do julgamento. A História do homem está se movendo para o julgamento final. E, ao longo do caminho, os pecadores, pela graça e propósito de Deus, estão sendo resgatados desse julgamento.

O julgamento contido entre os capítulos 6 e 9 de Gênesis é essencialmente a prévia do julgamento final da História. De fato, no Novo Testamento, nas palavras de Jesus registradas em Mateus 24: 37-39 e Lucas 17: 26-30, o futuro julgamento, na vinda do Filho do Homem, será como o julgamento dos dias de Noé. E o apóstolo Pedro, em 2 Pedro 2 e 3, também descreve o futuro julgamento como um holocausto que destruirá a criação, como sendo o julgamento de Deus nos dias de Noé. Cerca de 1.650 anos após a Criação, Deus destruiu a raça humana através da água, mas a o julgamento final virá pelo fogo.

Muitos professos cristãos põem em xeque o livro de Gênesis. Cedendo aos argumentos dos céticos, duvidam da Criação em 6 dias, negam o Dilúvio como um fenômeno mundial, consideram que Deus criou coisas imperfeitas para que evoluíssem e que o Universo tem muitos bilhões de anos, e nesse período sofreu transformações lentas e constantes. Assim, rejeitam os dois grandes cataclismos que formaram o mundo em que vivemos: a Criação, há cerca de 6 mil anos, e o Dilúvio, há cerca de 4.500 anos. É uma coisa triste que professos cristãos rejeitem partes da Palavra de Deus.

No entanto, quanto mais você estudar o livro de Gênesis, mais claro fica como os céticos estão errados. E para entender este julgamento global, você precisa ouvir as palavras de Jesus que descrevem o julgamento em Seu retorno como o do Dilúvio. Ou as palavras inspiradas de Pedro, que descrevem a vinda do Filho do Homem e aquele grande julgamento em que o Universo se dissolve, como sendo aquele observado no julgamento do Dilúvio. O Dilúvio que atingiu todo o planeta e ceifou a humanidade, exceto Noé e sua família, também serve como uma perfeita ilustração do julgamento final de Deus, que destruirá o mundo inteiro. Mas, nessa destruição, Ele salvará aqueles que confiam Nele, mesmo que sejam apenas oito.

Há uma nova onda da teologia que basicamente diz que pessoas que não creem no evangelho serão salvos, porque Deus é bom e misericordioso, e assim, Ele jamais exerceria juízo. Se você acredita nisso, então você vai ter muita dificuldade em harmonizar sua crença com o que a Bíblia fala acerca do Dilúvio, pois nesse evento Deus salvou apenas oito pessoas. Deus sempre escolheu aqueles a quem iria salvar, você vê isso em toda a Bíblia. Deus sabe quem são os salvos, tem seus nomes escritos em um livro e deles nunca se esquecerá. Em João 5:29, Jesus fala daqueles que tomarão parte na ressurreição da vida e dos que tomarão parte na ressurreição da condenação. Há uma distinção muito clara.

Este é o padrão através da Escritura. Deus julga os ímpios, mas, no meio do julgamento, Ele resgata os Seus. A História envolve o juízo e a salvação; a ira e a graça de Deus; a destruição e a preservação eterna; o julgamento e a misericórdia de Deus. Esta é a história humana, esta é a história bíblica. Aqueles que são do Senhor podem dizer: “És o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, em Ti confiarei” (Salmo 91:7). A respeito dos seus, Jesus disse:

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que me deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai (João 10:27-29).

Nos dia de Noé, a humanidade havia caído em total perversão. E tal era essa perversão, que Deus decidiu destruí-la. Ele informou a Noé que iria destruir o mundo inteiro, exceto Noé e sua família, preservando a raça humana, o propósito da criação homem, a promessa original a Adão para encher a terra e desfrutar de tudo o que Deus havia criado.

Deus guardou Noé e sua família do holocausto do Dilúvio. Noé apenas reconheceu a soberania de Deus, obedeceu a tudo que ouviu e não fez qualquer questionamento. Hebreus 11:7 diz que “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé”. Ele apenas creu e obedeceu. Ele é um grande testemunho da fé salvadora.

Com a Terra cheia de violência, perversidade e rebelião, Deus chama Noé e comunica uma decisão soberana: “O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra” (Gênesis 6:13). Temos aqui uma sequência da soberania de Deus na salvação: Ele anuncia o juízo e diz a Noé: “Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo”. No verso 7:1, Ele diz a Noé: “Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração”. Nos versos 8:16, Deus diz a Noé: “Sai da arca, tu com tua mulher, e teus filhos e as mulheres de teus filhos”. E no verso 9:1, diz: “E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra”. Tudo parte de Deus. É tudo sobre a Sua soberania, tudo sobre o divino realizando Seu grande propósito.

Já havia se passado 1.650 anos da criação. Calcula-se que a população da Terra poderia estar em 7 bilhões de pessoas. Lembre-se que as pessoas viviam mais de 900 anos antes do Dilúvio, tal como Matusalém, que viveu 969 anos (Gênesis 5:27). O crescimento da população foi exponencial. Para uma comparação, em 1800 o mundo tinha 1 bilhão de habitantes; em 1930, 2 bilhões; em 1950, 3 bilhões; em 2000, 6 bilhões [Nota do Site: Este sermão foi pregado em 2001. A população mundial estimada em 2017 é de 7,2 bilhões]. Todo este avanço populacional atual acontece em meio a controle de natalidade e expectativa de vida de 70 a 80 anos de idade.

Deus decidiu soberanamente trazer juízo. Gênesis 6:5 diz que “viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” e então, Ele diz: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus” (Gênesis 6:7).

À medida que avançarmos nesse assunto, você aprenderá que não só as pessoas que se afogaram, mas toda a estrutura da Terra foi dramaticamente alterada. Para citar um exemplo do que veremos na próxima vez, os continentes, como os conhecemos agora, não eram assim antes do Dilúvio. Quando você ouve falar de um violento terremoto destruidor nos dias de hoje, imagine-o como sendo nada diante dos terríveis cataclismos ocorridos durante o Dilúvio. Veremos hoje o resgate. Olhe os  versos 14 a 16 de Genesis 6.

14 Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora.
15 Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinqüenta, a largura; e a altura, de trinta.
16 Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro.

Deus conhecia o coração de Noé e o instrui a fazer um enorme arca em terra seca. Nunca havia chovido na Terra, portanto nunca havia tido qualquer inundação. Deus não disse nada sobre água. E Noé construiu um barco no meio da terra. Nem sequer Deus chama de barco. A palavra “arca” é do hebraico “tebahin”, que significa “caixa”. Ou seja, Deus manda Noé fazer uma caixa grande, e não um barco, com lados inclinados e um fundo curvo, como sempre se constroem barcos. Deus manda Noé fazer uma caixa retangular, algo como um baú. Não havia como direcionar a arca para ir a algum lugar. Sua função era apenas flutuar, não haveria destino algum para ir. A arca era apenas uma grande caixa.

A palavra “arca” é somente usada aqui e em Êxodo 2, quando Joquebede fez uma “arca de juncos” para colocar Moisés dentro e salvá-lo do decreto de morte de Faraó. Ali foi uma pequena arca para flutuar no rio Nilo. Tal como a arca de Noé, a de Moisés foi um refúgio da morte por afogamento, refugio estes fornecidos a dois homens bem destacados, como Noé, que viria a ser o pai de uma nova humanidade e Moisés, que deveria ser pai de uma nova nação. Ambos levariam seu povo a um mundo novo. Dois crentes, dois pregadores, dois líderes de um novo povo. Cada um deles foi preservado do afogamento através de uma arca. Noé foi o instrumento de Deus para salvar a humanidade e Moisés foi o instrumento de Deus para salvar Israel. Você provavelmente está pensando: E quanto à arca da aliança? Nesse caso, a Bíblia usa uma palavra hebraica diferente: “Aronnot tebah”.

O verso 14 diz que Deus mandou Noé construir a arca com madeira de gofer. Não sabemos bem o que é isto, há suposições que seja algum tipo de cipreste ou cedro. Construir um navio é uma tarefa muito complexa, devido à necessária precisão de curvas e ângulos. Noé não era um construtor de navios e nem a arca era um navio, mas apenas uma grande caixa para flutuar. O plano de Deus era bastante simples: 300 côvados (ou 133 metros) de comprimento, 50 côvados (ou 22 metros) de largura e 30 côvados (ou 13 metros de altura). E é isso. Não há ângulos e nem curvas, apenas um caixão projetado para flutuar.

O gigante caixão com estas proporções seria bastante estável para flutuar na água, impossível de virar. O volume de espaço na arca era de aproximadamente 38.000 metros cúbicos, igual à capacidade de 522 vagões comuns de trem, em que caberiam 125.000 ovelhas. A arca tinha 3 andares, sendo cada um com altura de cerca de 4 metros, cada pavimento era dividido em muitos compartimentos. A construção de milhares de compartimentos proporcionava pequenos lugares para que todos os animais ali permanecessem. O betume era uma substância resinosa usada para vedar fendas e rachaduras na madeira.

Não temos ideia se Noé ou seus filhos eram carpinteiros. É possível que ele tenha empregado outras pessoas nessa construção. Somente após o século XIX, com o aperfeiçoamento de técnicas e o uso do aço e ferro, é que o homem conseguiu construir navios com dimensões gigantescas como as da arca. Porém, as proporções de medidas utilizadas até hoje obedecem aos padrões semelhantes usados na arca de Noé. A relação entre comprimento e largura usada em todos os tempos é de 6:1 a 8:1, garantindo estabilidade.

Como um retângulo, a arca tinha mais estabilidade do que qualquer outra embarcação. Um navio tem um fundo arredondado para movê-lo através da água, mas isso o torna vulnerável. Um fundo quadrado afundado é quase impossível de virar, não importa o quão forte sejam as ondas. E mais, essa configuração lhe permitia grande capacidade de carga. De acordo com cálculos realizados, a arca tinha capacidade de transportar 125.000 animais do tamanho de uma ovelha, o suficiente para dois de cada animal do planeta que viviam fora da água, além da família de Noé e cinco pares adicionais de animais para o sacrifício. Somente Deus para projetar uma caixa flutuadora tão grande e suficiente para a sua finalidade.

A arca é mais uma evidência maravilhosa da integridade do caráter inspirado da Escritura. Se Moisés tivesse inventado a história do Dilúvio, ele nunca teria imaginado aquela embarcação, seria algo impossível no mundo antigo. Há uma história de inundação na Babilônia, e nessa lenda, o navio era um pequeno cubo, algo que seria um desastre em qualquer água agitada. A arca não poderia ser pilotada, mesmo porque não haveria destino. Deus seria o leme.

O versículo 16 Deus diz: “Farás na arca uma janela de um côvado (0,5 metro) de altura”. Na parte de cima da arca, Deus manda Noé fazer uma abertura (janela) de 1 côvado de altura (cerca de meio metro). Você diz: A arca tinha apenas esta pequena janela para ventilação? Os estudos convergem que seria uma parede baixa ao redor de todo o teto plano, um tipo de claraboia fornecendo luz e ventilação. E poderia ser coberto com algum material durante a chuva. E esse material poderia então ser removido quando a chuva parasse.

No meio do verso 16, Deus diz: “a porta da arca colocarás lateralmente”. Essa porta deveria ser grande o suficiente para a entrada dos animais. Muitas pessoas viram isso como um análogo ao Senhor Jesus Cristo, que disse de Si mesmo: “Eu Sou porta” (João 10:9). Mas a analogia real não é com a porta, mas sim com a própria arca. Em I Pedro 3:20-21, Pedro ensina que o fato de oito pessoas estarem numa arca e passarem por todo o juízo sem sofrer dano algum, é análogo à experiência do cristão na salvação ao estar em Cristo. Então, Cristo é a arca da salvação do crente. E no mesmo verso Deus diz para fazer três pavimentos, ou andares, para adequada colocação de todos os animais e a família de Noé.

Noé sabia que Deus enviaria um juízo sobre a Terra, mas não havia ainda sido informado sobre o Dilúvio e nem sobre o que levaria na arca, apenas recebeu as orientações de como construir a arca. Então, em Gênesis 6:17, Deus diz:

Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá.

E aqui, fica claro para Noé o motivo pelo qual ele construiria uma enorme caixa no meio da terra seca. Toda a vida será destruída, aqueles que estiverem expostos à água. Foi uma inundação global e não apenas local. O termo usado para descrever aquela inundação global é “mabule”. Fora de Gênesis 6 a 9, este termo só aparece novamente em todo o Antigo Testamento nos Salmos 29:10, que diz: “O Senhor se assentou sobre o dilúvio; o Senhor se assenta como Rei, perpetuamente”. Então, esta é uma palavra única, uma palavra isolada, usada apenas para essa grande inundação. Esta é a inundação de todas as inundações, como uma inundação que a palavra não pode ser aplicada a qualquer outro tipo de desastre com água. Gênesis 7:23-24 descreve os resultados do Dilúvio:

Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu. Assim, foram exterminados todos os seres que havia sobre a face da terra; o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus foram extintos da terra; ficaram somente Noé e os que com ele estavam na arca.

Essa foi a morte da humanidade. Outra razão que demonstra que essa inundação foi global é por causa da profundidade das águas. A inundação estava pelo menos acima do monte Ararate, que tem mais de 5 quilômetros de altura. Não é possível uma inundação local com águas que cheguem a mais de 5.000 metros de altura. A inundação durou 371 dias. As marcas do dilúvio estão na geologia da Terra. Pedro disse que a Terra em que vivemos não é a mesma Terra anterior ao Dilúvio (II Pedro 3:6-7). Aquela Terra pereceu nas águas do Dilúvio. Em Lucas 17:26-27, Jesus compara sua volta como a chegada do Dilúvio.

E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos.

Então, olhando de todos os ângulos, seja pela morte de todos os seres vivente que viviam fora da água, seja pela profundidade e duração da inundação, a geologia da inundação e a teologia da inundação, o Dilúvio foi uma inundação mundial.

Temos o motivo, o salvamento, os meios, em quarto lugar, a promessa. E esta é a boa notícia no dilúvio. O Senhor diz no versículo 18 de Gênesis 6:

Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos.

Deus sabia exatamente quem deveria ser julgado e quem não. O verso 8 diz que “Noé achou graça diante do Senhor”. O verso 9 diz que “Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus”. No capítulo 7, verso 1, Deus diz a Noé: “Reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração”. E aqui, no verso 18 do capítulo 6, Deus diz que faria uma aliança com Noé e sua família. E aqui está o tipo de pessoa que escapa do julgamento.

E quais são as marcas desse homem? Ele foi escolhido pela graça. De volta ao versículo 8, “Noé achou graça aos olhos do Senhor”. O Senhor olhou a Terra e determinou ser misericordioso com Noé. Ele foi escolhido por Deus. Ele foi justificado, porque diz no versículo 9: “Ele era justo”. Ninguém tem justiça própria. Ele recebeu a justiça pela fé. Ele foi santificado, ele era um homem irrepreensível e andou com Deus. Você tem aqui eleição, justificação, santificação e preservação para o futuro, como uma imagem da glorificação. No versículo 18, quando Deus diz que estabeleceria uma aliança com Noé, Ele lhe assegurou um futuro em meio à destruição futura dos ímpios.

Essa é a primeira vez que foi usada a palavra aliança na Bíblia. Vinte e sete vezes a palavra aliança aparece em Gênesis 8, em torno do Dilúvio, e 16 vezes nas narrativas acerca de Abraão. Deus está fazendo promessas e aqui está uma promessa maravilhosa de que Deus diz que faria com Noé. E vamos ver isso quando chegarmos ao nono capítulo. Mas, o que Deus está dizendo a ele é que lhe daria um futuro. Uma promessa que poderia ser levada às gerações vindouras. Através de Noé, Deus cumpriria Sua promessa original, Seu plano original, quando abençoou Adão e Eva e disse: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a.. (Gênesis 1:28).

Agora, eu quero que você saiba algo sobre essa aliança. Ela não é bilateral. Ninguém nunca diz uma palavra. Ninguém faz nada. Noé não assina nada e não promete nada. Esta é uma promessa unilateral que Deus faz: “Mas contigo estabelecerei a minha aliança” (6:18), ou seja, “minha promessa, a promessa do futuro e uma esperança através de você”. Minha aliança. Deus, soberanamente, independentemente, obriga-se unilateralmente a salvar a família de Noé e a prometer nunca mais destruir o mundo pelas águas (Gênesis 9:9-10). Essa é a promessa Dele; não faz nenhuma exigência a Noé para fazer qualquer coisa para validar ou anular essa promessa.

Aqui está o tipo de homem com quem Deus faz promessas, aqui está um homem escolhido, justificado, santificado e a quem é dada a promessa de um futuro. Esse é o tipo de pessoa que Deus irá poupar do julgamento. Aqueles sobre quem Ele olha com graça e favor, aqueles a quem Ele concede justiça, aqueles que são santificados e aqueles que estão vivendo na esperança de um futuro glorioso. Em outras palavras, crentes como Noé.

Então, nos versículos 19 a 21 de Gênesis 6, Deus diz:

De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo. Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da Terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida. Leva contigo de tudo o que se come, ajunta-o contigo; ser-te-á para alimento, a ti e a eles.

Todos os animais foram criados originalmente no Éden. Todos estavam por lá, inclusive porque Adão nomeou a todos. O clima na Terra era moderado e essencialmente o mesmo em todo o planeta, antes do dilúvio, de modo que os animais não se agrupavam em função de climas variados. Todos estavam na mesma área. Eles se espalharam pela Terra, mas muitos viviam em proximidade suficiente para estarem disponíveis.

No verso 20, Deus diz que “dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida”. Assim como Deus trouxe os animais para Adão nomeá-los, Ele trouxe todos os pares para Noé, para que ele os colocasse na arca. Toda a futura esperança da Terra estava sob um único teto naquela caixa. O objetivo é mantê-los vivos. E no capítulo 7: 2-3, diz:

De todo animal limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fêmea. Também das aves dos céus, sete pares: macho e fêmea; para se conservar a semente sobre a face da terra.

“Animais limpos”, provavelmente se refere aos que foram usados para o sacrifício e, portanto, Noé deveria levar cinco pares extras deles. No verso 21 de Gênesis 6, Deus diz: “Leva contigo de tudo o que se come, ajunta-o contigo; ser-te-á para alimento, a ti e a eles”. Deus projetou para que todos até ali fossem vegetarianos. Somente após o Dilúvio é que Deus diz a Noé: “Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde” (Gênesis 9:3). Veremos isto com detalhes nas próximas vezes.

Então, o motivo do Dilúvio é dado a Noé: por causa do pecado. A libertação é fornecida por uma arca de resgate. Os meios de julgamento é revelado: uma inundação global. A promessa, em meio ao julgamento, é que Deus faria uma aliança com Noé, uma promessa de preservação, uma promessa que um futuro certo. Este foi o homem Noé, escolhido por Deus, justificado por Deus, santificado por Deus e que, através da aliança que Deus fez com ele, foi-lhe dada uma promessa para o futuro. Este é o tipo do homem que escapa do julgamento.

O verso 22, do capítulo 6, diz: “Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara”. Ele fez a arca conforme Deus o instruiu, abriu a porta e deixou entrar os animais que vieram e coletou todos os alimentos necessários. Ele fez tudo conforme o Senhor lhe disse. O verso 5, do capítulo 7, também diz: “E tudo fez Noé, segundo o Senhor lhe ordenara”. O verso 9 diz: “entraram para Noé, na arca, de dois em dois, macho e fêmea, como Deus lhe ordenara”. Assim, vemos no verso 16. Ele apenas faz o que Deus lhe disse para fazer. Essa é sua resposta a tudo. E essa é uma confirmação maravilhosa de um verdadeiro crente. Um verdadeiro crente é marcado por uma vida de obediência.

Hebreus 11:7 diz sobre Noé: “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé”. Ele cria em Deus e fez exatamente o que lhe disse. A obediência é a marca do verdadeiro homem de Deus. Muitas vezes Deus ordenou na Escritura e Seu povo não fez o que Ele ordenou que fizessem. Mas, aqueles que realmente que pertencem a Ele são marcados pela obediência.

Então, quem é salvo do julgamento? Aqueles como Noé. Em Gênesis 7:1 Deus diz: “Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração”. Sabemos que Deus não vê um homem sequer como justo, mas aquele a quem Ele escolheu, pela fé, é regenerado, declarado justo, justificado, coberto de justiça e capacitado a andar com Deus em obediência.

E isto não é diferente para nós. Esse é o tipo de pessoa que você deve ser para escapar do julgamento. Não precisamos entrar em uma arca de madeira como Noé entrou. Nossa arca de segurança é Jesus Cristo. Fomos resgatados da tempestade do juízo por Cristo, assim como Noé o foi da tempestade do Dilúvio. Em I Pedro 3:20-21, o apóstolo fala de nosso batismo (imersão) em Cristo. A salvação se dá através da imersão do homem em Cristo, tal como a família de Noé foi imersa na arca. Observe que não foram as águas que salvaram Noé e sua família, mas a arca que os guardou do juízo de Deus, uma tipificação da obra de Cristo na cruz. Não é o batismo que opera a salvação, como afirmam algumas doutrinas heréticas, tais como o catolicismo romano e o mormonismo.

Noé entrou em uma arca. Nós entramos em Cristo e nos elevamos acima do julgamento. Jesus sozinho pode levantar Seu povo acima das águas da destruição e trazê-los com segurança ao Seu reino eterno. Vamos orar.

Pai, agradecemos novamente por esta ótima passagem e por tudo o que nos transmite acerca do evangelho e da nossa gloriosa esperança. Agradecemos porque o Senhor é para nós graça, justificação e santificação, e por isso nos tornamos pessoas da promessa, as pessoas com esperança. Temos um futuro. Quando o julgamento acabar, entraremos na glória de um mundo novo, porque o Senhor fez uma aliança conosco. Por Tua graça, porque o Senhor nos colocou em Jesus Cristo, nossa arca de segurança. Obrigado por isso. Nós bendizemos Teu nome. Amém.


Esta é uma série de diversos sermões sobre o Dilúvio.  Por similaridade do assunto, o sermão referente a Gênesis 6:1-4 pode ser substituído pelo sermão pregado por John MacArthur sobre I Pedro 3:17-22 (Clique aqui e leia). Veja abaixo os links dos sermões já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “Noah’s Ark of Faith “, de John MacArthur em 29/01/2001.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-257/noahs-ark-of-faith

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

 

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