Dilúvio: O Anúncio do Juízo (2)

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Esta é o segundo de uma série de 8 sermões de John MacArthur sobre o Dilúvio (veja links no fim deste texto). A teologia de incrédulos no meio da igreja tem posto em dúvida o relato de Gênesis, transformando-o em relatos simbólicos. Ela vem sucumbindo diante de falsos argumentos ditos “científicos” e tentam adaptar os dois grande cataclismos da Criação e do Dilúvio às concepções infundadas de que o Universo tem bilhões de anos e que Deus teria criado coisas imperfeitas para que se transformassem e evoluíssem. Em oposição à incredulidade, John MacArthur mergulha nos relatos bíblicos e mostra toda a perfeição e exatidão da Palavra de Deus. 


Voltamos hoje a Gênesis 6. É notório que a maioria das pessoas não está interessada na Bíblia como História. Eles não veem a Bíblia como a única fonte da verdade divina, como a verdade sobre a condição do homem e do Universo. Na melhor das hipóteses, a maioria das pessoas considera a Bíblia como parte da literatura religiosa e da curiosidade antiga, irrelevante para a vida do homem num mundo moderno. Particularmente o Antigo Testamento e, mais particularmente, o livro de Gênesis.

Mas, independente do que a maioria acredite ou não, a Bíblia é, de fato, o livro mais relevante e a única fonte precisa para entendermos porque o mundo é como é e porque a vida humana é como é. Na verdade, é impossível entender o mundo moderno sem entendê-lo através Bíblia. Se não entendermos Gênesis, não entendemos as origens. E se não entendermos as origens, então, não entendemos porque somos da maneira como somos, porque o mundo é como é e a vida humana é como é. E é por causa do pecado.

Tempestades, terremotos, furacões, tornados, erupções vulcânicas, guerras, crimes, divórcios, imoralidades, todo sofrimento humano em todos os níveis, sejam cataclísmicos em escala global ou em escala nacional, problemas ambientais, desastres naturais, conflitos, dores, sofrimentos, desapontamentos, insatisfação etc., tudo é devido ao pecado. A queda do homem trouxe a maldição sobre o Universo e afetou tudo. E tudo o que está errado no Universo que afeta a todos que vivem neste reino material é resultado do pecado.

Diminuir a importância do Antigo Testamento é opor-se à verdade. Se você não crê no livro de Gênesis, não pode entender porque as coisas são como elas são. A realidade essencial existente no Universo é o pecado. A desobediência e a rebelião estão no próprio tecido da vida. No Éden, o homem voluntariamente se colocou sob o domínio do diabo e permanece nessa servidão. E não importa o quanto tenha tentado, você não pode mudar sua natureza com seu próprio poder de vontade, pois sem Cristo você está sob a esfera do domínio satânico.

O homem não pode parar a tragédia instalada no mundo, nem a nível global e nem a nível individual. Ele não pode mitigar suas consequências trágicas e mortíferas. O trabalho de todos os ambientalistas, organizações de paz, conselhos, organizações e quaisquer outros não pode produzir nada concreto. O avanço do homem foi eficiente apenas em desenvolver formas mais eficazes de se matar.

Em primeiro lugar, a história humana é toda sobre o pecado. E a Bíblia é o registro do pecado que entra no mundo, seu efeito e seu impacto. Na verdade, a Bíblia é, francamente, a história do pecado. É isso que é. Começa em Gênesis e culmina em Apocalipse. E o que você tem é o registro do pecado. A Bíblia vai da entrada do pecado no mundo até seu julgamento final. O pecado entra no mundo em Gênesis e, no final, em Apocalipse, Deus cria um novo céu e uma terra nova onde o pecado não mais existirá para sempre. A Bíblia é a história do pecado.

A Bíblia ensina que toda calamidade é devida ao pecado. Tudo o que está errado é errado por causa do pecado, porque somos pessoas pecadoras que vivem em um mundo maldito pelo pecado. Gênesis 6:5 diz que “viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”. O versículo 11 diz: “A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência”. Versículo 12, “Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra”. E todas as calamidades que vieram ao mundo após isso foram resultados do pecado. Se você não entende o papel que o pecado desempenha, então você não consegue entender porque as coisas são como elas são.

Mas, há um segundo princípio. Deus às vezes traz calamidades especiais ao homem como julgamento divino. De um lado, há problemas, calamidades e desastres no mundo, há doenças, sofrimentos, dor, tristeza e morte, tudo isso é resultado de uma criatura caída em um ambiente caído. Mas, Deus às vezes traz uma calamidade especial, porque Ele intervém com julgamento. Gênesis 6:5 diz que o Senhor viu a maldade do homem, e no verso 7 o Senhor diz: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei”. No verso 13, Deus diz a Noé: “O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra”. Aqui temos algo além de uma calamidade consequente de um mundo caído, mas uma calamidade sobrenatural de juízo.

O terceiro princípio a acrescentar, e isto é o que aprendemos na história do pecado e a vemos aqui em Gênesis 6, é que Deus sempre avisa antes que Ele faça isso. No verso 3 de Gênesis, o Senhor diz: “O meu Espírito contenderá para sempre com o homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos”. E o que Deus fez durante esses 120 anos? Ele fez de Noé um pregoeiro da justiça e o fez passar 120 anos advertindo a humanidade. Uma calamidade diferente estava por vir, e era de juízo. Podemos citar a pregação de Jonas em Nínive (Jonas 1:2 etc.) e os alertas de Jesus contra Jerusalém (Mateus 23:37-38), Corazim, Betsaida e Cafarnaum (Mateus 11:21-24).

Em quarto lugar, Deus é paciente antes que Ele traga esse julgamento. E tão paciente, que parece não importar-se com a nossa pecaminosidade.

Um quinto princípio é que Deus traz esse juízo por Sua própria iniciativa, quando em Sua mente a iniquidade chega a um limite. Podemos ver isto em Sua fala a Abraão: “E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia” (Gênesis 15:16). Há uma medida em que Ele executa Seu juízo, tal como no Dilúvio e em Sodoma e Gomorra. Isso sempre se repete na História, especialmente sobre Israel, a exemplo de como Deus usou a Assíria e a Babilônica para executar juízo.

Em sexto lugar, vemos que Deus trouxe muitas calamidades de juízo, e todas elas são prévias da calamidade final, Jesus voltará para por um fim na História, destruir o Universo que conhecemos e destruir os ímpios.

A primeira grande mensagem da Bíblia não é “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”. Não. A primeira grande mensagem da Bíblia é que Deus punirá o pecado. Sua natureza sagrada exige isso. E Ele fara isto através de uma calamidade sobrenatural. Deus e o pecado são eternamente incompatíveis.

Mas, Gênesis 6 traz o registro divino do julgamento mais severo que já caiu no mundo, uma calamidade como nenhuma outra. Muitas catástrofes já assolaram o mundo, mas nada comparável ao Dilúvio. A paciência de Deus estava exausta, Suas advertências foram ignoradas e, então, aquela enorme devastação caiu sobre o mundo. E, como falei, isso aconteceu cerca de 1.650 anos após a Criação. Dele só escaparam Noé e sua esposa, seus três filhos e suas esposas. Deus julgou a humanidade indiferente a Ele, que se estruturou em um sistema de rebeldia e iniquidade, onde o mal atingiu níveis absurdos.

Já se passaram quarenta e cinco séculos ou mais desde o Dilúvio. A próxima grande calamidade é descrita para nós no livro de Apocalipse, e também em uma passagem muito importante em 2 Pedro, capítulo 3, onde nos diz, como aprendemos na última vez, que como o Senhor destruiu o mundo pela água, Ele o destruirá pelo fogo, na vinda de Jesus Cristo. Os elementos derreterão com o intenso calor e toda a criação, como a conhecemos, será desintegrada.

A principal primeira mensagem da Bíblia é que o homem é pecador, incuravelmente pecaminoso, e por causa do pecado é que ele vive de um desastre para outro, de uma calamidade para outra, efeito natural do pecado. E para agravar seus problemas, há o julgamento sobrenatural de Deus que pode cair em qualquer momento no mundo, nas nações, nas cidades, nas comunidades, nas famílias ou nos indivíduos. Essa é a primeira grande mensagem da Bíblia.

Mas, há uma segunda mensagem. Enquanto Deus está pacientemente avisando, Ele está chamando os pecadores ao arrependimento. Gênesis 6:8 diz que “Porém Noé achou graça diante do Senhor”. E a graça de Deus se manifestou perdoando os pecados de Noé e lhe imputando justiça. O Verso 9 diz: “Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus”.

Em Gênesis 3:15, quando Deus estava pronunciando uma maldição sobre os participantes da queda no Éden, Ele diz: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. O que é isso? Isso é Deus dizendo à serpente que viria uma semente de uma mulher que esmagaria a cabeça da serpente. Deus estava pronunciado uma maldição sobre o homem e a mulher, mas também anuncia o Salvador, o libertador, que nasceria de uma mulher e esmagaria Satanás.

Ele estava falando de Cristo, que destruiria a obra de Satanás e o poder do pecado e da morte. Logo em seguida, no verso 21, “fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu”. Aqui temos um animal sendo sacrificado para fazer roupas para Adão e Eva, uma imagem de morte substitutiva, expiação e cobertura. Então, aqui no meio da maldição, Deus está dizendo: “Mas vou esmagar a cabeça de Satanás, conquistarei Satanás e cobrirei a vergonha do pecador”.

Essas duas verdades são realmente a história da Bíblia. É a história do pecado e a história da graça. Duas verdades fluem através da história da Bíblia, do pecado e da salvação, da benção e da maldição, do julgamento e da misericórdia. Esta é a única maneira de entender a Bíblia e é a única maneira de entender a história humana. As coisas dão errado por causa de um universo pecaminoso, é o funcionamento natural do caos.

Mas, você deve acrescentar a isso que as coisas dão errado também porque Deus determina sobrenaturalmente, em determinados intervalos, juízo sobre os pecadores. Você nem sempre pode dizer qual é o curso natural do pecado e qual é o julgamento divino. Mas, ao mesmo tempo, Deus sempre adverte através da Sua Palavra, através daqueles que falam por Ele, que é paciente até a iniquidade ter chegado a um limite. Essa é a Bíblia. E vemos esses dois temas, desde o Gênesis, no julgamento e na graça, na bênção e na maldição, no pecado e na salvação.

E enquanto estudamos a Bíblia, queremos obter algo muito fundacional estabelecido. O que a Bíblia nos diz é um fato histórico. A Criação é um fato. A Queda é um fato. O Dilúvio é um fato. É exatamente assim que a Bíblia diz que aconteceu. Este é o histórico. Há muitas razões pelas quais eu creio nos relatos de Gênesis. E uma delas vem das palavras de Cristo:

Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do Homem: comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e destruiu a todos. O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar (Lucas 17:26-30).

Jesus confirmou a exatidão dos relatos de Gênesis. Noé, a arca e o dilúvio são elementos históricos e reais de um cenário de juízo de Deus sobre a humanidade. Se você não crê na exatidão de Gênesis você coloca em descrédito toda a Escritura Sagrada. O Novo Testamento faz várias referências diretas e indiretas ao livro de Gênesis, incluindo a Criação e o Dilúvio.

Tudo o que sabemos sobre Deus vem através das Escrituras Sagradas. O que sabemos sobre o juízo, a graça, a salvação procede das Escrituras Sagradas. A revelação natural o levará a um falso deus desconhecido, mas a Bíblia o fará conhecer o verdadeiro Deus. Os atenienses falavam de um deus que eles chamavam de “deus desconhecido” (Atos 17:22-23). É aí que a revelação natural o levará. Somente a Bíblia faz Deus conhecido.

Eu quero enfatizar que ao estudarmos o livro de Gênesis estamos estudando a História real e precisa. Isso vai contra as ideias liberais que querem transformá-lo em estórias de fantasias e alegorias, recusando-se a aceitar o que Gênesis diz. Agora vamos voltar ao texto. Era necessário falar essas coisas antes.

Na vez anterior começamos a ver o capítulo 6 de Gênesis. E o versículo 5 diz que “viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”. E nós dissemos que o primeiro ponto é que tudo começou com o que o Senhor viu. Ele viu que a perversidade do homem era grande na terra, que cada intenção, imaginação, ideia, projeto, plano, e pensamento eram continuamente perversos. E o verso 11-12 dizem:

A Terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra.

A humanidade atingiu a total degradação. A depravação do homem é sempre progressiva. Podemos ver isto em nossos dias. Nossa sociedade é pior do que há cem anos, pior do que há 75 anos, pior do que há 50 anos, pior do que era há 25 anos e assim prossegue. A Literatura, a música e as artes manifestam a perversão crescente. O homem depravado concede licença coletiva para intensificar sua depravação. Nos versos 1 a 4 de Gênesis 6, vimos que a sedução de demônios obteve êxito, tal como no Éden. A humanidade se envolveu com anjos caídos em tamanha perversão, de modo que a corrupção se tornou generalizada.

Em segundo lugar, observamos o que o Senhor sentiu. Versículo 6: “então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração”. Foi um lamento profundo sobre o que o homem se tornou. E o Senhor expressou essa tristeza em termos humanos. Era como se estivesse arrependido de tê-lo criado. Obviamente, Deus não se arrepende no sentido de que Ele estava recebendo informações que não esperava. Sua tristeza não está ligada a alguma surpresa, mas ao fato de que Sua santidade exige o juízo. É necessário, é inevitável, é consistente com quem Ele é. Sua natureza sagrada não tem escolha senão punir o pecador, e isso lhe traz tristeza. Então, vimos o que o Senhor viu e lemos o que o Senhor sentiu.

Em terceiro lugar, chegamos ao que o Senhor disse. E isso nos leva ao versículo 7: “Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito”. Deus não tinha escolha. Sua natureza santa exigiu que Ele tivesse uma reação justa ao pecado. Por 120 anos foi anunciado o juízo. Em Gênesis 6:3, Deus diz: “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos”.

Gênesis 5:28-29 diz que “Lameque viveu cento e oitenta e dois anos e gerou um filho; pôs-lhe o nome de Noé”. Ele diz: “Este nos consolará dos nossos trabalhos e das fadigas de nossas mãos, nesta terra que o Senhor amaldiçoou”. Ele cria que geraria um filho que traria paz para o mundo, que traria o descanso do trabalho. O descanso que Noé trouxe não era o que Lameque estava pensando. Ele trouxe o descanso da criação em relação a iniquidade por um tempo, afogando toda a civilização.

Em Gênesis 6:7, Deus diz que “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei”. A palavra “desaparecer” usada aqui é a mesma usada em Números 5:23, traduzida como “apagará” e também é a mesma usada em Êxodo 32:32, traduzida como “riscar” ou “apagar” o nome de um livro, entre outras várias referências como o mesmo sentido. Então, a ideia é que Deus literalmente vai “riscar” ou “apagar” o homem da Terra. O Dilúvio não foi uma inundação local, como alguns sugeriram, como tendo sido um pouco de chuva ao redor do vale da Mesopotâmia. Ele foi um holocausto mundial. Em 2 Pedro 3:16 diz: “O mundo pereceu”. Em Gênesis 7, versículo 23, “apagou todo ser vivo que estava sobre a face da terra”. Foi um cataclismo universal e que exterminou a humanidade, à exceção de 8 pessoas.

Agora vamos voltar. O Senhor diz: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus” (Gênesis 6:7). Vou falar um pouco sobre isto. Calcula-se que existia algo em torno de 7 bilhões de pessoas na época do dilúvio. Então, não deveria haver bilhões de ossos descobertos pelos paleontólogos?

Bem, antes de tudo, você precisa entender que quando eles olham para os estratos, eles dizem: “Esta peça é de tal era; esta outra peça é de outra era”. E assim vai, é estabelecida uma linha de tempo. E isso não é verdade. Aquele estrato foi colocado através da ação de força, não através de depósitos lentos através do tempo. E, através de uma força como esta, certas coisas estão esmagadas naquele sedimento. A geologia dos estratos é um grande argumento que comprova o Dilúvio, pois essa é a única maneira de obter esse estrato, ou seja, por uma força como essa, não uma camada após outra colocada sobre trilhões de anos.

E, se o argumento de que esses estratos se formaram através de depósitos lentos de sedimentos estivesse correto, não haveria essa enorme quantidade de ossos que existem entre esses sedimentos, fato que só pode ser explicado pelo rápido depósito desses sedimentos, que foi o que aconteceu no Dilúvio, quando as fontes do abismo se abriram. Mas, falaremos mais sobre isso depois.

Eu acredito que a Terra tinha fissuras por onde a água saiu. Os continentes, como os conhecemos hoje, e as montanhas, como as conhecemos em todo o mundo, também foram formadas pelo cataclismo do Dilúvio. A Terra não era a mesma que a Terra de agora. É dito por Pedro a Terra pereceu. Nós estamos em uma Terra diferente. Não deveríamos investigar o registro fóssil e encontrar nele ossos humanos e de mamíferos e assim por diante?

II Pedro 3: 6 diz que “pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio”. Essa Terra, literalmente, foi destruída. A própria Terra foi mudada, as montanhas foram mudadas, os continentes foram alterados. Naquela destruição, houve uma turbulência de água, a formação de montanhas e a formação de continentes, os organismos foram presos e enterrados naquela lâmina profunda que se endureceu na rocha sedimentar, fossilizando rapidamente os restos orgânicos que estavam presos lá.

Eu estava lendo um pequeno artigo no jornal LA Times que dizia: “Los Angeles e o Vale de San Fernando já estiveram debaixo de água. As escavações para o metrô renderam dois mil e duzentos fósseis de peixes, alguns ossos e alguns dentes”. Eles encontraram um punhado de restos de mamíferos que realmente poderiam ser um produto de uma Era Glacial que se seguiu após o Dilúvio, mas eles encontraram um monte de peixes também. Deixe-me dizer a você o porquê.

Eles não encontram muitos ossos de mamíferos entre os fósseis. Você pode se surpreender ao saber que existem cerca de 1.200 restos de esqueletos de dinossauro no mundo. Isso não é muito, porque mesmo os dinossauros têm um baixo potencial de fossilização. Todas as criaturas da Terra têm um potencial de fossilização muito baixo. Quando os animais da terra se afogam, eles incham e flutuam. Então, a água do mar, bactérias, decompositores , destroem tudo. Tudo o que resta de animais terrestres e pássaros afogados se desintegra rapidamente. Se seus ossos foram presos em montanhas em ascensão e no movimento massivo que levou à formação dos continentes, bem como grandes fluxos de lama, esses ossos foram moídos como quando uma imensa avalanche despenca sobre seres vivos e transforma seus ossos em pó.

Então, os cientistas nos dizem que não temos fósseis de animais terrestres e homens em grande quantidade, particularmente fósseis humanos. Por quê? Porque o homem é mais inteligente. O que ele faz quando começa uma inundação? Ele pega um bote ou jangada, ele se move para as partes mais altas e quando não consegue ir mais alto, ele vai tentar descobrir um jeito de flutuar. Com certeza, antes do Dilúvio havia embarcações, pois já havia água. Então, aquelas pessoas conheciam uma embarcação, um bote. E assim, diante do Dilúvio, os seres humanos agiram como tipicamente fazem numa situação como esta, buscando lugares mais elevados, de modo que quando finalmente sucumbiram, seus cadáveres boiaram e flutuaram na superfície. E o resto, que foi pego nos massivos deslizamentos de terra, viraram pó, foram desintegrados. Assim, é por isso que você não vai encontrar muitos ossos fossilizados nos sedimentos profundos. Marvin Lubenow escreveu um livro chamado “Bones of Contention” [Ossos de Contenção]. Estou citando-o:

Um mito muito comum nos dias de hoje é que não foram descobertos muitos fósseis hominoides. A realidade é que em 1975 ou 76, aproximadamente quatro mil indivíduos fósseis hominoides foram descobertos”. Não é muito. Desde então, tem havido uma pesquisa mais intensa e bem sucedida sobre os fósseis hominoides. Ninguém sabe quantos foram encontrados até esta data. No entanto, por minha conta, uma estimativa conservadora é que um total de indivíduos fósseis hominoides descobertos poderia exceder os seis mil.

Isso reforça nosso argumento anterior, não é mesmo? Não há muitos fósseis humanos. Há alguns. Mas, não muitos.

Agora, você diz: “Bem, você tem certeza que este é um entendimento preciso?” Bem, deixe-me apoiá-lo um pouco, ok? Agora, siga esta pequena análise científica aqui, pois isso veio de fontes científicas.

95% de todos os fósseis que foram descobertos são fósseis marinhos, invertebrados, especialmente animais com conchas, corais e trilobitas, porque eles têm uma casca dura que lhes ajuda sobreviver. 95% de todos os fósseis são marinhos. Eles estavam na água e, assim, eles foram enterrados pelo sedimento, presos nele. Ouça isso: Dos 5% restantes de todos os fósseis, 95% são algas e fósseis de plantas. E agora estamos em 99,75% de todos os fósseis. Temos 0,25%, dos quais 95% são outros invertebrados. Agora temos 0,0125 por cento e nisso estão incluídos todos os vertebrados, sendo que a maioria deles é peixe. Isso faz sentido, não é? E a pequena quantidade de fósseis de mamíferos consiste fragmento de ossos ou alguns ossos, a partir dos quais esses animais são reconstituídos nas figuras apresentadas nos livros.

Então, o que o Dilúvio fez é muito claro. Se você tivesse uma inundação, se você tivesse uma inundação mundial, você esperaria encontrar no sedimento aquelas criaturas que viviam na água, aquelas plantas que se afundavam na água, aquelas algas. E você esperaria que o princípio da flutuação e do inchaço encaminhasse os animais para o topo. Você esperaria encontrar a menor quantidade de fósseis humanos, porque eles teriam inteligência suficiente para subir o mais alto possível. Quando Deus disse que iria eliminar toda aquela gente do planeta, Ele o fez. Quando buscamos os fósseis, encontramos que 0.0125 são vertebrados e a maioria deles é peixe. E sabe de uma coisa? Deus realmente não deixou vestígio daquelas pessoas na Terra. Ele as eliminou.

Já falamos sobre o que o Senhor viu, o que o Senhor sentiu e o que o Senhor disse. Veremos mais sobre o Dilúvio. Agora, olhemos finalmente para o que o Senhor deu, porque isso se repete por toda a Bíblia, o que o Senhor deu. Verso 8: “Mas”, você pode querer sublinhar isso, essa é realmente uma palavra importante, não é? Realmente importante, “Mas Noé”, eu gosto da tradução antiga, “Noé encontrou graça aos olhos do Senhor”. Você conhece a música, não é? Essa era uma música antiga, corretamente cantada. O que o Senhor deu? Ele deu graça. Ele deu o favor. O Senhor olhou para Noé e lhe deu graça.

Você pode dizer: “Bem, Noé provavelmente não foi afetado pelo pecado”. Não, ele era um homem pecador. Nós vamos descobrir como ele era pecaminoso no final do capítulo 9. Ele era um pecador. Ele continuou sendo um pecador após o Dilúvio. Ele era um pecador antes do Dilúvio, mas ele escapou da ira e ele escapou do julgamento. Por quê? Volte-se para Hebreus 11. Quando você vem ao Novo Testamento, você tem no capítulo 11 de Hebreus os heróis da fé.

Hebreus 11: 7, não diz “pelas obras”, não é? Diz “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam…”. O que não era visto? Um dilúvio, a divisão dos continentes, a chuva. Deus disse que iria chover, mas o que era isso? Nunca havia chovido antes do dilúvio! Mas Noé foi avisado por Deus sobre coisas que ainda não eram vistas e, eu amo isso: “…temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca…”. Ele estava morando no meio do deserto, não havia um oceano lá. E nunca tinha havido chuva. Deus disse que iria chover, que Noé teria que ter um barco para flutuar sobre a água ou se afogaria. E ele acreditou em Deus, reconheceu o aviso. E você pode ter certeza de que Deus lhe disse que iria afogar o mundo inteiro por causa de que? Do pecado.

Noé creu em Deus em reverência, “temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.” Sua fé foi uma condenação para todos os demais. Enquanto eles zombavam, riam e ridicularizaram este estúpido por passar 120 anos construindo um barco, mas por causa de sua fé, porque ele estava contra um mundo condenado e pecador, ele se tornou herdeiro da justiça que está de acordo com o que? Com a fé.

Muitos sempre perguntam como as pessoas eram salvas no Antigo Testamento. Resposta: pela fé. Noé acreditou no que Deus havia dito. Ele ainda não sabia sobre o Messias, a cruz e a ressurreição. Mas ele creu no que Deus disse. E Deus contou sua fé como suficiente e deu-lhe graça e justiça. Então, Deus disse a Noé sobre o pecado. Ele disse que viu a maldade do homem na Terra e tudo sobre o homem era mal continuamente. Ele disse que iria punir o homem por sua corrupção e violência. Deus disse, no versículo 13: “O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra.”

Noé creu, Deus perdoou seus pecados e lhe concedeu a justiça que é segundo a fé. Deus literalmente o vestiu com a Sua própria justiça por causa de sua fé. Noé é uma ilustração clara da salvação. Ele entrou em uma aliança com Deus. Veja o versículo 18: “Mas contigo estabelecerei a minha aliança…”. Ele entrou em um relacionamento com Deus pela fé. Ele foi salvo. Ele creu em Deus. Você sabe o que? Noé demonstrou sua fé fazendo o que Deus lhe disse para fazer, construindo uma arca. E porque ele recebeu graça através da fé, o versículo 9 diz: “Noé era um homem justo”.

A palavra aqui para o “justo” no hebraico é “tsaddiq”. Significa toda justiça, totalmente. Não pode se referir a uma justiça ocasional. Não significa que de vez em quando ele era justo. Ele era completamente justo. Isso significa que Deus o viu como justo e o único jeito pelo qual Deus poderia vê-lo como justo é se Ele cobrisse Noé com a Sua justiça, certo? Se Deus concedesse Sua justiça. Deus concedeu a Noé as vestes da salvação ou, tomando emprestado as palavras de Isaías, as vestes de justiça.

E Deus cobriu aquele homem para que ele fosse visto por Deus como justo. Por quê? Porque Deus colocou todos os pecados de Noé em Cristo, que um dia no Calvário os carregou e tomou o castigo total por Noé. Ele estava justificado. A Bíblia diz que Noé era irrepreensível em seu tempo. Isso era algo importante. Todo mundo era culpado. Mas Deus não o culpou. “Em seu tempo”, o que isso significa? Isso significa que, no tempo de sua vida, no tempo em que todo mundo era perverso, ele era irrepreensível. Como você é irrepreensível e justo? Somente de um jeito: Deus tem que imputar essa justiça a você.

Então, aqui estava um homem que acreditava em Deus quando ninguém mais cria. Com ele estavam sua esposa e seus filhos e as esposas deles também. E Deus contou a sua fé como suficiente e graciosamente perdoou seu pecado, cobriu-o com justiça e colocou seus pecados em Cristo, já que na mente de Deus, é claro, o Cordeiro foi morto antes da fundação do mundo. Capítulo 7, versículo 1: “Depois disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração.” Sua família era justa. Eles foram agraciados com justiça.

Durante 120 anos, 2 Pedro 2: 5 diz: “Ele foi um pregador da justiça”. Ele tinha sido feito justo. Ele pregou que Deus lhes concederia justiça, a Sua própria justiça, se eles colocassem sua fé Nele, confessassem seus pecados e se arrependessem. É triste dizer que ele não conseguiu convencer ninguém, além de sua esposa e família. Então, Noé foi justificado.

Você quer saber algo sobre pessoas justificadas? Você nunca se justifica sem se santificar. E veja o que diz, fim do versículo 9, Noé fez o que? O que ele fez? Ele andou com Deus”. Não há justificação sem santificação. Ele andou com Deus. Isso lembra Enoque, no capítulo 5, versículo 22. Fala de conduta, fala de santificação. Ele era um homem justificado, ele era um homem santificado.

Você sabe o que é encorajador? Deus conhecia o coração de Noé, conhecia o coração de sua esposa e o coração de seus filhos e o coração de suas esposas. E Deus sempre sabe quem pertence a Ele no meio de qualquer julgamento. No final do Antigo Testamento, Malaquias fala sobre o Dia do Senhor. E Malaquias diz: “Aqueles que pertencem a Deus falavam uns com os outros…”. Eles tinham medo do julgamento. Deus revelou a Malaquias: “O Senhor conhece aqueles que são Seus”. Deus conhecia aqueles oito no mundo que eram Dele.

Então, verso 9: “Estas são as gerações de Noé”. Esta é a história de Noé. De volta ao capítulo 2, versículo 4, “Estas são as origens dos céus e da terra”. Capítulo 5, versículo 1, “Este é o livro das gerações de Adão”. Capítulo 10 versículo 1: “Estas, pois, são as gerações dos filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé”. Capítulo 11 versículo 10, “Estas são as gerações de Sem”. No versículo 27, “E estas são as gerações de Terá“. E você pode fluir através do livro de Gênesis, que se desloca de um registro de família para o próximo registro de família. Primeiro é o registro da criação dos céus e da terra, depois de Adão, e progride. Esta é a geração de Noé. E vai do versículo 9 do capítulo 6 para o versículo 29 do capítulo 9 e, em seguida, o capítulo 10, versículo 1, cobre a geração ou “toledothof” dos filhos de Noé.

O verso 10 diz: “Ele tornou-se pai de três filhos, Sem, Cam e Jafé”, e depois falaremos mais sobre eles. Todos os três crentes com suas esposas e sua mãe. Eles fizeram parte das oito almas que foram salvas. O ponto desta passagem, como escreve Alan Ross, é que a maldade da idolatria pagã e a fornicação trazem dor a Deus e julgamento ao mundo, um julgamento do qual só se pode escapar pela graça de Deus. Esse é o ponto. Mas, não é esse o assunto da Bíblia inteira? Não é disso que a Bíblia inteira trata, que idolatria e pecado trazem dor a Deus e Ele avisa e Ele espera e então Ele age?

Agora, começamos a olhar para esta parte considerando 2 Pedro 3:4 e os escarnecedores que dizem: “Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.” Os homens estão dizendo que Ele não vai vir, Ele nunca virá. Não acreditamos nisso. Tudo sempre foi o mesmo. E você se lembra de que Pedro diz, em outras palavras: “Você esqueceu o dilúvio? Você vai ser voluntariamente ignorante sobre o fato de que Deus destruiu o mundo inteiro?” Você vê, o Dilúvio é a prova mais poderosa da história da destruição final desta Terra.

E por que aconteceu? Preocupação com apetites físicos, atitudes e interesses materialistas, devoção ao prazer, rebelião contra Deus e incredulidade, corrupção, violência, todas essas coisas, comunhão com Satanás, até a blasfêmia, enquanto eles zombavam de Deus diante da pregação de Noé… enfim, todas essas coisas. Deus julgou a humanidade uma vez, depois de 1650 anos da Criação. E aqui estamos, mais de 4500 anos depois. Por que pensamos que vamos escapar? Os padrões não mudaram.

Quero concluir com Mateus 24. Esta é uma passagem importante para concluirmos. Mateus 24 é o grande sermão de Jesus sobre Sua Segunda Vinda. Versículo 37: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.” Veja, este é um paralelo muito importante. A vinda do Filho do Homem será exatamente como os dias de Noé. Enquanto naqueles dias que antecederam o Dilúvio, as pessoas estavam comendo e bebendo, casando-se, vivendo a vida como de costume, “até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem”. (vv. 38-39).

Você vê, aqui está o grande testemunho histórico do julgamento da Segunda Vinda. Aconteceu uma vez nos dias de Noé. E acontecerá de novo. O verso 44 acrescenta: “Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.” Noé estava apercebido, bem como sua família. Esteja você também. Não temos um barco para entrar, mas Cristo é a Arca, não é? Cristo é a Arca. E em Cristo escaparemos desse julgamento final.

Continuaremos na próxima vez. Vamos orar.

Senhor, obrigado novamente pela riqueza do tesouro da Tua verdade. Nós Te bendizemos por nos colocar naquela arca da segurança, para nos elevar acima não apenas das inundações da vida, que seguem seu curso natural neste mundo, mas para nos elevar acima desse julgamento sobrenatural. Agradecemos-Te que seremos levados acima da devastação que vem, não por qualquer virtude nossa, mas pela fé na Arca, o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Obrigado por nos conceder a graça para crer, por nos justificar, cobrindo-nos com a Tua justiça e santificando-nos para que possamos caminhar com o Senhor. Amém.


Esta é uma série de diversos sermões sobre o Dilúvio.  Por similaridade do assunto, o sermão referente a Gênesis 6:1-4 pode ser substituído pelo sermão pregado por John MacArthur sobre I Pedro 3:17-22 (Clique aqui e leia). Veja abaixo os links dos sermões já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “The Destruction of Mankind, Part 2”, de John MacArthur em 22/01/2001.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-256/the-destruction-of-mankind-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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