Dilúvio: O Anúncio do Juízo (1)

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Esta é o primeiro de uma série de 8 sermões de John MacArthur sobre o Dilúvio (veja links no fim deste texto). A teologia de incrédulos no meio da igreja tem posto em dúvida o relato de Gênesis, transformando-o em relatos simbólicos. Ela vem sucumbindo diante de falsos argumentos ditos “científicos” e tentam adaptar os dois grande cataclismos da Criação e do Dilúvio às concepções infundadas de que o Universo tem bilhões de anos e que Deus teria criado coisas imperfeitas para que se transformassem e evoluíssem. Em oposição à incredulidade, John MacArthur mergulha nos relatos bíblicos e mostra toda a perfeição e exatidão da Palavra de Deus. 


Abra sua Bíblia em Gênesis 6. Vamos falar sobre o Dilúvio. Mas, antes de qualquer coisa, vamos ver as razões que levaram a esse julgamento mundial por parte de Deus, o Dilúvio que afogou toda a população da Terra. Nós estaremos olhando o Dilúvio, em si mesmo, nas próximas vezes. Hoje vamos analisar as razões para que ele tenha ocorrido. Mas, para começar, quero traçar algumas coisas que eu acho importantes que nós entendamos, pois o Dilúvio, embora seja um evento antigo, tem implicações modernas muito importantes.

Temos uma sociedade que trabalha ardorosamente para preservar seu futuro, o planeta, o meio ambiente, certas instituições humanas, a raça humana, os animais e espécies ameaçadas. Temos pessoas que estão tentando vencer a doença, através de estudos cada vez mais sofisticados, tentando descobrir a genética e corrigi-la para prolongar a vida humana. São gastos de bilhões de dólares em busca de novos tratamentos para diversas doenças. Mas todo esse esforço é vão. Não há nenhum poder ao alcance do homem que o possibilite impedir a inevitável destruição da raça humana, da Terra e do Universo.

A Bíblia nos diz como a História vai acabar. Terá fim quando o Senhor Jesus voltar, destruir todos os ímpios, estabelecer o Seu Reino. Todo o universo como conhecemos será destruído e substituído pelo estado eterno. Naquele tempo, toda a raça humana será destruída. Somente aqueles que pertencem a Deus escaparão dessa destruição. Tudo neste mundo físico não vai continuar como é. O mundo não tem bilhões de anos e muito menos vai continuar por bilhões de anos. Não existe um universo que está se sustentando uniformemente e perpetuamente, sem cataclismo e interrupção.

A verdade é que, pela experiência, o mundo, como o conhecemos, pós dilúvio, tem cerca de 4.500 anos. Foi há cerca de 4.500 anos que ocorreu o Dilúvio, um evento que mudou a Terra e a atmosfera dramaticamente. Ele também destruiu toda a raça humana, à exceção de oito pessoas. E essa destruição ocorreu cerca de 1.650 anos após a Criação. A Terra que agora habitamos não tem bilhões de anos, mas apenas 4.500 anos ou um pouco mais. E aqui estamos, 4.500 anos depois, próximos a outro grande holocausto que transformará novamente este planeta e o Universo ao redor dele. E neste holocausto, todos os ímpios serão mortos.

A grande mentira do humanismo e da evolução é o uniformitarianismo, uma teoria que nega os cataclismos como explicação da formação dos diferentes acidentes de relevo. Diz que o processo geológico e as leis naturais sempre atuaram de forma regular e com a mesma intensidade do presente. Então, segundo o uniformitarianismo, tudo ocorreu por bilhões de anos do mesmo jeito e velocidade. Está acontecendo hoje e continuará da mesma forma no futuro. Essa é a mentira penetrante da filosofia humana e que é desmentida pela Bíblia. Essa filosofia mentirosa construiu um negócio gigantesco, onde muitos faturam bilhões vendendo ilusões que o desespero faz as pessoas acreditarem.

O apóstolo Pedro apresenta o verdadeiro futuro para o homem, a humanidade e o planeta, na sua segunda Carta, capítulo 3. Ele começa dizendo:

1 Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida,
2 para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos.

Ele não diz nada novo, apenas leva os irmãos de volta à verdade pura, para que a igreja escapasse da sedução de ideias humanas. Ele nos leva de volta aos profetas e aos apóstolos, de volta à revelação divina. E sabemos bem que, no Antigo Testamento, os profetas falaram do julgamento final, assim como os apóstolos no Novo Testamento. Em resumo, Pedro nos leva de volta às Escrituras Sagradas. Ele diz:

3 tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões
4 e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.

De quem esses escarnecedores zombariam? De Deus, das Escrituras Sagradas, da segunda vinda de Cristo, da promessa de julgamento dos ímpios e da glorificação dos santos. Eles farão isto andando impregnados em suas concupiscências. E usarão como argumento o uniformitarianismo, dizendo que “todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”.

Não havia evolucionistas nos tempos bíblicos. Havia um entendimento comum de que o Universo havia sido criado. Mas aqui está uma declaração de que a vida é estável, sempre continuou de forma uniforme, sob padrões ininterruptos. E assim continuará sem fim. Este era o argumento do uniformitarianismo daquela época: tudo sempre foi do mesmo jeito desde a criação. Ou seja, Deus está ausente nas questões terrenas. Mas Pedro continua:

5 Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus.
6 pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água.

Em busca de evitar a doutrina do juízo, os falsos mestres ignoram de forma deliberada os dois principais acontecimentos cataclísmicos que ocorreram antes, pelas mãos de Deus: a Criação e o Dilúvio. A Criação foi a maneira pela qual Deus entrou no vazio e levou o Universo a existir, não por meio do uniformitarianismo, mas por uma criação instantânea e explosiva que durou 6 dias de 24 horas.

A Terra foi formada entre duas massas de água. Durante a primeira parte da semana da Criação, Deus agrupou as águas superiores num dossel de vapor de água que tornava a Terra semelhante a uma estufa, ao providenciar temperatura uniforme, inibir os movimentos de massas de ar, provocar a queda de névoas e filtrar os raios ultravioletas, desse modo prolongando a vida. E as águas inferiores, em reservas subterrâneas (o que resta hoje é uma pequena fração do original), rios, lagos e mares. É algo que eles deliberadamente esquecem. E o que é que eles esquecem? Que após a criação do mundo, após a Criação, houve uma enxurrada mundial maciça que inundou completamente a Terra. Pedro diz:

7 Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.

Note o que Pedro diz: “Mas os céus e a terra que agora existem…”. Desde o Dilúvio, a humanidade vive na segunda ordem do mundo. Uma diferença básica é que as pessoas vivem agora muito menos que antes do Dilúvio. E Pedro ainda diz que há uma terceira forma dos céus e da terra, que ainda está por vir em um futuro cataclismo. O atual sistema do mundo está reservado para o castigo futuro, que virá pela Palavra de Deus. Deus destruirá os céus e a terra pelo fogo.

Havia um mundo até o versículo 6, o mundo pré-diluviano, o mundo de Adão a Noé. Esse mundo pereceu, esse mundo foi julgado e destruído pelas águas. Esta história está registrada na Bíblia. Curiosamente, há registros de uma grande inundação nos escritos de muitas culturas antigas. Também há evidências dessa inundação mundial na geologia da Terra e na estratificação da terra e nos fósseis que são encontrados. O Grand Canyon (um desfiladeiro íngreme, no estado do Arizona, Estados Unidos) é uma ótima evidência do Dilúvio universal que cobriu a Terra.

Mas o homem pecador, convenientemente, ignora o que a Bíblia diz e o que as evidências indicam. O céu e a terra atuais têm o potencial de um holocausto de fogo absolutamente inconcebível. O que Deus fez no passado é essencialmente o que Ele vai fazer no futuro. A única diferença é que o meio não será pela água, mas pelo fogo. O que trouxe o julgamento no dilúvio será o mesmo motivo que trará julgamento no futuro. Por isso devemos entender bem sobre isso.

Gênesis 6

5 Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração;
6 então, se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.
7 Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito.
8 Porém Noé achou graça diante do Senhor.
9 Eis a história de Noé. Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.
10 Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11 A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência.
12 Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra.

O ponto nesta passagem é muito claro, é inconfundível. O julgamento de Deus cairia sobre a humanidade pecaminosa devido à sua terrível degeneração. Tão grave que Deus disse: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei”. Deus, literalmente, planejava acabar com a raça humana, por causa de sua perversidade. Como vimos nos versos 1 a 4, as pessoas naquela época eram tão perversas que se comprometeram em uniões perversas com anjos caídos, chamado de “filhos de Deus” em Gênesis 6:2, uma designação para anjos (Jó 1:6;2:1;38:7). Foi uma união sobrenatural que violava a ordem dada por Deus a respeito do casamento e procriação. Certamente as pessoas creram nas mesmas mentiras de Satanás no Éden. Ele levantou uma rebeldia generalizada contra Deus, trazendo consigo uma humanidade que pensava ter nele segurança e glória, escapando do juízo anunciado de Deus.

Eles podem ter pensado que escapariam do julgamento de Deus, mas não escaparam. Eles podem ter pensado que se tornariam deuses, mas isto não aconteceu. Muitos se tornaram poderosos (Gênesis 6:4), mas no final eram simples homens mortais e não escaparam do juízo de Deus. O ser humano havia comungado com anjos caídos e tentado escapar das limitações de sua humanidade, mas eles continuavam sendo apenas carne (Gênesis 6:3).

As mesmas velhas mentiras satânicas que o homem ouviu no Éden foram ditas novamente, ou seja, que ele não morreria e que seria como Deus. Essencialmente a mesma tentação que Satanás apresentou a Jesus no deserto. Satanás sempre oferece as concupiscências da carne, dos olhos e a soberba da vida. E ele diz que este é um lugar seguro e de glória. Essa é a sua falsa religião. A mesma velha mentira. É o mundo de fantasia que Satanás produz, o mesmo usado para criar personagens do cinema e da TV. Mas tudo não passa de engano. Satanás não pode entregar nem a vida eterna e nem a divindade. Tudo o que ele pode fazer é agravar o pecado e rebeldia do homem contra Deus, colocando-o sob um juízo mais grave.

Gênesis, no entanto, não diz nada sobre o julgamento acerca dos anjos caídos que se comunicaram com essas pessoas, porque Gênesis, como eu lhe disse na última vez, é a história do homem. Podemos ver o julgamento daqueles anjos caídos em I Pedro 2:18-22; II Pedro 2:4-5 e Judas 6-7.

Nota do site: John MacArthur está se referindo ao que Pedro escreveu, que Jesus também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas almas se salvaram pela água” (I Pedro 3:19-20). Clique aqui e leia um sermão de John MacArthur que trata deste assunto.

Então, o homem é tão ruim que ele em vez de buscar a Deus, busca os demônios. Ao invés de querer comunhão com Deus, prefere comunhão com os demônios. Gênesis 6:5 diz que “viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”. Aqui temos o quadro sintético da humanidade. Aqui está a depravação humana. Esta é a primeira descrição importante da doutrina da depravação humana. Esta é a introdução do que significa ser depravado.

E eu posso dizer, também, porque é importante manter isso em mente, que, embora a passagem acuse a humanidade, ela também exalta Deus. Torna-se claro que Deus não pode tolerar o pecado. E a razão pela qual Ele não pode tolerar o pecado é porque Ele é absolutamente santo, consistentemente puro e imutável. Ele não age por capricho, aleatoriamente ou arbitrariamente. Ele não é amoral. Ele atuará em consonância com Sua santa natureza.

Então, aqui em Gênesis 6:5-12, Deus olha para a Terra, Seu foco está na humanidade corrompida. O mal havia ultrapassado um limite e Deus decidiu afogar o mundo. Observe que Gênesis não trata do juízo sobre os anjos caídos, pois seu foco é a humanidade totalmente pervertida. Esses versos dizem que o Senhor viu, sentiu, disse e deu. Temos aqui uma janela do coração incomodado do Criador.

Antes de tudo, veja o que o Senhor viu. Verso 5, “Viu o Senhor …” e o que Ele viu? “Que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”.

Deus é onisciente. Nada escapa de Seu conhecimento. Ele conhece tudo completamente, nos mínimos detalhes. Quando diz que o Senhor viu, tem a ideia do fato de que Ele estava ciente o tempo todo sobre tudo. Não foi algo que Ele viu em certo momento. Ele é onisciente. Hebreus 4:13 diz: “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”. Não há nada que escape de Seu olhar ou de Seu conhecimento, seja por qualquer fração de segundos. “Viu” aqui tem a perspectiva de pleno conhecimento anterior, tal como a Palavra diz que Raquel “viu” que não deu filhos a Jacó (Gênesis 30:1).

O Senhor conhecia profundamente a dimensão da maldade do homem. No final do último dia da Criação, Gênesis 1:31 diz: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom”. Seis capítulos depois, em Gênesis 6:5, é dito: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”. Deus não viu apenas o comportamento da humanidade, mas o que estava no coração do homem.

E a perversidade do coração do homem não é algo resolvível pela educação ou qualquer outro recurso humano. O homem pode até refinar seu comportamento, mas não sua natureza. Deus viu uma humanidade continuamente e progressivamente má. A natureza do homem foi totalmente corrompida. Em Gênesis 8:21, o Senhor diz: “A imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice”. Isaías 64:6 diz: “Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia”. É assim que Deus vê a humanidade.

Deus viu a perversidade do coração do homem. Quando falamos em coração, pensamos em emoção. Mas para o hebraico, o termo “coração” se referia à sede do pensamento, à própria raiz de todos os comportamentos. E era este lugar que estava totalmente corrompido aos olhos de Deus. Por isso, I Samuel 16:7 diz: “O Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”.

Olhe a palavra “desígnio” (ou intenção ou imaginação), no verso 5, por um momento. É uma palavra relacionada a um verbo grego encontrado em Gênesis 2:7, que diz: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra”. Esta é a palavra “formou”. Deus olhou para o coração do homem e viu que tudo se formou ali, tudo se desenvolveu lá, cada ideia, ideologia, padrão de pensamento, filosofia, visão religiosa etc., tudo, tudo que se formou no homem era apenas o mal continuamente. Tudo. Esta foi depravação geral da humanidade. Toda ação do homem tornou-se perversa, até mesmo quando ele faz algo exteriormente bom. Os motivos do homem foram totalmente corrompidos.

Em Marcos 7:14, Jesus diz: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina”. Seu problema não é o que está fora de você, não é o seu ambiente, não são as outras pessoas, não é porque você foi incompreendido, não é que você não tenha sido amado, não é que você foi privado, não é a sociedade que está batendo em você com todas as suas tentações vigorosas, não há nada fora de você que o possa contaminar. O que procede de dentro de você é o que te contamina. Isso novamente é outra definição de depravação humana dada pelo próprio Jesus. É o que sai do homem que contamina o homem. E nos versos 20 a 23 de Marcos 7 Jesus diz:

O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.

Isso é realmente apenas uma extensão do que Deus disse em Gênesis 6, confirmando o que a Palavra nos ensina sobre a depravação total do ser humano.

Tiago 1:14-15 diz: “Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”. A luxúria trabalha no coração perverso de cada ser humano concebendo apenas o que é pecaminoso. Portanto, a ideia de “desígnio” (ou imaginação) é formar, moldar, elaborar ou projetar. Tudo o que o homem concebe, tudo o que o homem projeta, Deus disse, tudo era apenas mal continuamente.

E você diz: “Mas por quê? Isso é verdade para todos?” Sim, exceto os justos, cujos corações foram transformados. É por isso que, quando Deus afogou o mundo, Ele só poupou oito pessoas. O resto não tinha capacidade para alterar sua própria natureza perversa e eles recusaram-se a ouvir a Palavra de Deus, a mensagem de Deus. Eles ficaram, então, em sua condição depravada. Francamente, não consigo imaginar uma declaração mais poderosa sobre a depravação humana. É crônica.

Este é o problema com o homem. Em Gênesis 8:21, após o Dilúvio, Deus diz: “Porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice”. O Dilúvio não alterou isso. Deus sempre soube o que está no coração do homem. Jeremias 17:9-10 diz:

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.

Romanos 3:10 diz que “não há um justo, nem um sequer”. Por que Deus destruiu o mundo inteiro? Por que Deus afogou toda a raça humana? Por causa da sua depravação. Eles eram miseráveis e perversos no mais profundo de seu ser. João 2:25 diz que Jesus “não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem”.

Nos versos 11 e 12 de Gênesis 6 é dito que “a terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra”. Toda a imaginação do homem estava corrompida, os homens se odiavam, os conflitos eram generalizados, a ganância, o ódio e a violência tomaram conta da Terra. Um mundo cheio de pessoas que não fizeram nada senão formar o mal em seus corações, comportarem-se de maneira maligna e em conflitos intermináveis. Esse quadro não se limitava ao comportamento, mas estava no coração do homem.

O verso 6 de Gênesis 6 diz que “se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração”. Deus não é indiferente para com o pecado do homem. Ezequiel disse que Deus não tem prazer na morte dos ímpios. Jeremias chorou as lágrimas de Deus no julgamento por vir. Jesus chorou as lágrimas de Deus no julgamento que viria sobre Jerusalém e Israel. O Senhor se “arrependeu” quer dizer que Ele se entristeceu.

Habacuque 1:13 diz: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar”. Há algo parecido em I Samuel 15:11, quando Deus disse que se arrependeu de por Saul como rei. Por que ele se arrependeu (se entristeceu)? Porque Ele teria que agir com justiça santa contra Saul e isso era um sofrimento para Deus. Deus não fica indiferente diante do pecado.

Deus não exerce o juízo com alegria. Ele chorou sobre a cidade de Jerusalém, porque sabia o que aconteceria com as pessoas quando o julgamento viesse. Ele chorou no túmulo de Lázaro porque sabia o que a morte agiria repetidamente ao longo da História humana. Deus se entristeceu por jugar Saul. E parte dessa tristeza não é apenas sobre a condição do homem, mas ouça isso, é sobre o fato de que Deus deve fazer o que Ele deve fazer. Não há indecisão. Não há alternativa. Veja o que diz os versos 28 e 29 de I Samuel 15:

Então Samuel lhe disse: O Senhor tem rasgado de ti hoje o reino de Israel, e o tem dado ao teu próximo, melhor do que tu. E também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa.

Deus não comete equívocos. Se a vida do homem desconsidera Deus, não há alternativas para o Senhor a não ser o juízo. E essa realidade é uma tristeza para Deus.

E precisamente porque Deus não muda de ideia é que Ele está triste. Tão triste, que Ele expressa isso nos termos mais extremos. E o que eles são? Ele lamentava ter feito o homem na Terra. Isso é bastante extremo. Isso é antropomórfico, no sentido de que Deus está falando em termos humanos e que seria o último grau da tristeza humana dizer: “Desejo que a pessoa nunca existisse”. E naqueles termos extremos, Deus fala como se Ele fosse um homem, para que pudéssemos entender, e diz que é como se desejasse nunca ter feito o homem.

Deus estava realmente triste pelo pecado e verdadeiramente afligido pelas consequências imutáveis que os pecadores trouxeram sobre si mesmos. Sim, Deus é soberano. Sim, o homem é responsável. Deus não o fez pecar. Deus não queria que ele pecasse. Deus não aceita desculpas para o seu pecado, nem Ele culpa as circunstâncias, o ambiente. Se o homem rejeitar Deus, então o inferno é a única opção de Deus. Por isso Deus se entristeceu, pois o coração do homem estava maquinando apenas o mal. E Deus exerceria seu juízo.

Deus olha para o nosso mundo, e o que Ele vê? Depravação em todos os lugares. O que Ele sente? Tristeza. Quando Deus se fez um homem, em Cristo, Ele chorou. Ele não encontra prazer na morte dos ímpios. Mas ele não tem escolha. No mundo de Noé, a humanidade rebelde recusou 120 anos pregação. Ninguém ouviu, exceto sua esposa, três filhos e suas três esposas. Durante 120 anos eles rejeitaram a Deus, e Deus teve que fazer o que Ele tinha que fazer.

O mundo físico atual não é igual ao mundo de antes do Dilúvio. Mas o coração do homem é o mesmo. São mais de 4.500 anos de paciência de Deus com a maldade do coração do homem. O homem atual é como o homem anterior ao Diluvio, só que se tornou mais inteligente em elaborar, formar e moldar a intenção e a imaginação de seu coração no mal.

O coração de Deus ainda está triste. Mas Ele deve fazer o que deve fazer. É por isso que alguém é um tolo ao pensar que ambientalistas, engenheiros genéticos ou reconstrucionistas sociais vão garantir um futuro para a humanidade. Isto não vai acontecer. Não há futuro para a humanidade. O mundo caminha para o juízo e destruição. E a única fuga hoje é vir a Deus como o Deus verdadeiro e vivo, através do Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, a quem designou para ser juiz e Salvador de todos os que se arrependeram.

Bem, da próxima vez veremos o que Deus disse e o que Ele deu. Vamos orar.

Pai, é algo maravilhoso mergulhar na Tua Palavra, nesse material tão antigo, que são os cinco livros de Moisés, a Torá, o Pentateuco. Esse livro tão antigo é tão atual, fala diretamente ao nosso tempo, ao nosso mundo e da responsabilidade que temos de vivermos na luz do julgamento e fazermos o que Noé fez por 120 anos, sermos pregadores da justiça e chamar pecadores ao arrependimento, a fim de escaparem do holocausto iminente. Este é um planeta descartável, pois está tão manchado pelo pecado que deve ser destruído, e que será, e com ele perecerão todos aqueles que em sua depravação rejeitam a única esperança, o Senhor Jesus.
Mas, o Senhor tem sido muito paciente. Pai, pedimos-Te que o Senhor nos faça fiéis em todo tempo que nos é dado para proclamar a verdade, para que os pecadores possam ouvi-la, arrependerem-se e serem salvos, livres do julgamento. Ó Pai, como nós te agradecemos, que antes deste julgamento vir nós seremos levados à Tua presença, salvos da ira que virá. Esta é nossa esperança e alegria, pelo que nós Te agradecemos. Amém


Esta é uma série de diversos sermões sobre o Dilúvio.  Por similaridade do assunto, o sermão referente a Gênesis 6:1-4 pode ser substituído pelo sermão pregado por John MacArthur sobre I Pedro 3:17-22 (Clique aqui e leia). 


Este texto é uma síntese do sermão “The Destruction of Mankind, Part 1”, de John MacArthur em 14/01/2001.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/li brary/sermons-library/90-255/the-destruction-of-mankind-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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