A Alegria da Certeza Cristã

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No início da carta aos Filipenses, após a sua saudação de abertura nos versos 1 e 2, em que ele se identificou e aqueles a quem ele escreveu, o apóstolo Paulo fala sobre sua alegria.

Filipenses 1

3 Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós,
4 fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações,
5 pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora.
6 Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.
7 Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois participantes da graça comigo.
8 Pois minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus.

Esta foi chamada de epístola da alegria, porque a expressão de alegria enche os quatro capítulos. O apóstolo Paulo conhecia a plenitude do Espírito Santo – alegria dada, algo que todo crente deveria conhecer e experimentar; mas nem todos experimentam. Antes de penetrar nesta passagem, deixe-me levá-lo de volta no tempo, ao Salmo 42. Quero mostrar-lhe um homem em perigo, em depressão. Um homem que sabia que deveria ter alegria, mas que parece não poder alcançá-la.

Alguns sugerem que o escritor dos Salmos 42 e 43 foi Davi, que teria escrito durante o seu exílio, quando ele teve que sair de Jerusalém para salvar sua própria vida, porque seu filho Absalão levantou uma rebelião contra ele para usurpar seu trono. Pode ser que realmente tenha sido ele, mas não podemos ter certeza. Apenas sabemos que quem os escreveu era uma pessoa deprimida, um tanto desesperada. Ao mesmo tempo, sabendo que esse não era o jeito certo de ser, ele não conseguia se arrastar para fora do poço em que estava. Ele nos apresenta a sua depressão nos primeiros quatro versos do Salmo 42.

1 Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!
2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
3 As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?
4 Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava.

Há uma imagem de tristeza, solidão, separação. Tudo se resume a um estado depressivo, um estado de desespero. E quais são os fatores? Bem, antes de tudo, havia um anseio por Deus que não foi saciado. O salmista de alguma forma se sente separado de Deus. Sua alma estava com sede de Deus. E ele diz: “quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” Ele tem um desejo intenso de Deus vir e livrá-lo de seu estado atual se sequidão e solidão. Ele sente como se Deus o tivesse abandonado e não estivesse por perto.

É uma maneira bastante universal de definir a tristeza e a depressão das pessoas. Elas se sentem separadas de Deus, como se Deus não se importasse com elas e não estivesse por perto. E algo nelas tem sede desesperada pela presença e intimidade com Deus. As lágrimas de tristeza são abundantes, e seus inimigos dizem: “Onde está o teu Deus?” Uma forma de dizer que Deus era indiferente e impotente, ou que ele não era digno da atenção de Deus. Deus o abandonou. E ele tende a se sentir dessa maneira, porque ele não pode ver qualquer perspectiva de libertação divina no horizonte. Então, ele está lidando com seu frustrado anseio por Deus, uma sensação de solidão, agravada pela censura de seus inimigos.

E a terceira coisa que desencadeia a sua tristeza é que ele se lembra de seus privilégios perdidos, no verso 4. Ele se lembra de como ele ia com a multidão para a casa de Deus, em alegria e louvor. Ele agora estava longe de Jerusalém, sua tristeza vinha das circunstâncias. Ele está sozinho. Ele está sendo censurado por seus inimigos. E ele está despojado do seu povo e da sua terra, e nessa situação ele está triste. Ele está deprimido. Veja os versos 5 e 6:

Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte.

Perceba como ele reage a sua depressão com uma pergunta a si mesmo. Ele interroga sua alma o porquê de seu desespero e sua perturbação. Então, ele diz a sua alma: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face”. Como se dissesse a sua alma: “Não há motivo para isso! Você sabe que Deus não a deixou sozinha! Seus inimigos estão errados! Deus vai lhe restaurar! Você o adorará novamente!”.

Você já passou por isso alguma vez? Você já interrogou sua própria alma quando estava em algum tipo de angústia e circunstância negativa, e você começou a se queixar, sentir-se abandonado por Deus e sob ataque de outras pessoas ao seu redor? E perguntando a si mesmo: “Por que estás assim? Confie em Deus!”.

Dito isto, ele volta para a depressão e diz: “Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida!” (verso 6). Ele sabe a resposta, ele simplesmente não pode aplicá-la. Ele se recorda de todas as obras de Deus na terra da promessa. Ele se lembra do Deus da aliança, da promessa e do poder. Veja o verso 7:

Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.

Esse é um verso muito fascinante. Não é um verso fácil de interpretar. Eu sinto que a melhor interpretação é simplesmente entender isso como refletindo o fato de que o problema continua chegando. “Um abismo chama outro abismo” significa que um golpe é seguido por outro golpe. Quando você tenta se levantar, outro golpe lhe derruba. É como uma maré contínua, da qual ele não pode sair. Ele afirma que Deus é o grande responsável pelo oceano de dificuldades no qual parece estar se afogando. Então, ele diz nos verso 8 a 11:

8 Contudo o Senhor mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida.
9 Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo?
10 Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?
11 Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.

Uma declaração de confiança interrompe seus lamentos. Mas ele volta à depressão e pergunta a razão de sua alma estar abatida. Teria sido suficiente se ele terminasse aqui, mas ele continua no Salmo 43. Ele invoca o Senhor e clama para que Ele seja seu juiz e advogado. Ele declara que Deus é sua fortaleza. Mas questiona o porquê de seu sofrimento e da opressão do inimigo. Ele se deprime e diz: “Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face e Deus meu”.

Aqui está um homem em depressão. Aqui está um homem que sabe que ele está se concentrando erroneamente nas suas circunstâncias. Aqui está um homem que sabe que sua alegria é encontrada em seu Deus, mas as circunstâncias parecem sufocá-lo.

Paulo era um homem em terríveis circunstâncias quando escreveu a carta aos Filipenses. Provavelmente estava preso em Roma, quando escreveu as cartas aos Filipenses, Efésios, Colossenses e a Filemom. Ele estava em uma situação bastante semelhante à do salmista. Ele estava sozinho. Timóteo, que era um em pensamento, sentimento e espírito como Paulo, seria enviado àquela igreja (Filipenses 2:19). Também Epafrodito, fiel e companheiro de Paulo, portador de provisões da igreja em Filipos para Paulo, seria enviado de volta (Filipenses 2:25).

Então, ele sabia o que era ser solitário. Além das restrições terríveis da prisão, ele era impiedosamente criticado por seus inimigos. Não só seus inimigos mundanos, mas dentro da própria igreja. Muitos diziam que Deus estava lhe punindo por falhas miseráveis no seu ministério. Suas condições eram como a do salmista, mas, a diferença era que o salmista estava lutando com suas circunstâncias e Paulo estava se alegrando com seu Deus. E essa é a obra do Espírito Santo.

Gálata 5:22 e Romanos 14:7 falam do amor, paz, gozo, justiça, paz e alegria no Espírito Santo como fruto do Espírito e do reino de Deus. A verdadeira alegria espiritual não está relacionada às circunstâncias. É um presente de Deus para aqueles que creem no evangelho de Cristo, sendo produzido neles pelo Espírito Santo, porque recebem e obedecem a Palavra de Deus misturada com provações, e mantêm o foco na glória eterna. Essa é a teologia da alegria.

Um homem que está olhando para o eterno pode estar sob as mesmas circunstâncias de outro que está naufragando em um mar de lamentos, mas ele desfruta de uma profunda alegria, porque perdeu de vista suas circunstâncias e está imerso na maravilha de seu relacionamento vivo com o Deus verdadeiro, através de Cristo. Esta é a epístola da alegria. E à medida que Paulo escreve, a alegria brota de todo lugar.

Observamos, na última vez, cinco espécies da alegria que transborda. A primeira é a alegria da lembrança. Filipenses 1:3 diz: “Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós”.

É como se quisesse dizer que a alegria produzida pelo Espírito Santo possui boas lembranças. Geralmente pode-se dizer que uma pessoa é cheia do Espírito por sua alegria, e sua alegria se manifestará no fato de que, de alguma forma, as coisas negativas foram apagadas de sua memória. Elas se lembram do melhor em relação às pessoas. Isso é o que a alegria produz: a alegria da lembrança.

O coração em que o Espírito Santo produz alegria é um coração que pensa na bondade, amor, cuidado, sacrifício, compaixão e esquece o resto. A alegria tem uma maneira de esquecer feridas. É como o amor cobrindo uma multidão de pecados, como disse Pedro. E a alegria tem uma maneira de se aproximar e de juntar as memórias que são deliciosas. E uma vez que as memórias controlam as atitudes, é crucial que deixemos o Espírito de Deus produzir essa alegria em nós, a alegria da lembrança, o coração que cultiva boas lembranças do povo de Deus.

Em segundo lugar, a alegria da intercessão. Filipenses 1:4 diz: “Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas”.

Duas vezes ele usa a palavra “oração”, (δέησις: deēsis), que significa petição. Seu gozo foi expresso na alegria da intercessão. A alegria gerada pelo Espírito Santo encontra a sua expressão mais elevada no deleite que recebe de orar pelas necessidades dos outros. Uma pessoa assim é consumida em oração em favor dos outros. Não se preocupa com as suas próprias coisas, felicidade, conforto, realização e satisfação. O privilégio de pedir em nome dos outros, isso é alegria. A alegria gasta suas energias para os outros, e não para si mesma – a alegria da intercessão.

E, em terceiro lugar, Paulo fala sobre a alegria “pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora” (Filipenses 1:5).

Ele usa a palavra “koinōnia”, sua irmandade. Ele conhecia a alegria da comunhão. Ele apenas exultou na realidade de que essas pessoas tinham vindo ao lado dele para amá-lo, compartilhar vida com ele, facilitar o ministério com ele. Uma pessoa alegre está encantada de fazer parte da irmandade, encantada em estar entre os fiéis.

E conversamos sobre isso na última vez. Perguntamos se éramos fiéis o suficiente para fazer um pequeno inventário em nossas próprias vidas, para descobrir se temos alegria verdadeira. Você pode olhar para o seu próprio coração e saber se você desfruta de uma verdadeira alegria, trazendo consigo apenas boas lembranças a respeito das pessoas, intercedendo por elas e entusiasmado com o privilégio de estar no povo de Deus. Paulo tinha um coração feliz por lembrar, orar e ter comunhão.

Isso nos leva a um quarto ponto. E vamos falar sobre ele nesta manhã. A alegria por antecipação; e este é um grande verso; a alegria por antecipação.

Você conhece uma das grandes alegrias do ministério? É a alegria no coração por saber o que a igreja se tornará no final. Se você olhar para a situação da igreja, você pode ficar muito desanimado. Mas, se antevir o que será a igreja, você ficará muito animado. Essa é a perspectiva que Paulo tem, sua alegria o leva para o futuro: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6). Que tremendo pensamento!

“Estou confiante” ou “Tenho por certo”. O verbo “peithō”, que significa estar absolutamente convencido. Ele estava convicto que o Deus que começou a boa obra a completará. “Começou” é o verbo “enarchomai”, usado apenas aqui e em Gálatas 3:3. Em ambos os casos, tem referência à salvação. Deus começou o bom trabalho quando Ele o salvou, e completará cabalmente. Ele diz que Deus começou uma boa obra, uma verdade fundamental. A salvação é uma obra de Deus. Foi assim que começou a igreja de Filipos, quando o Senhor abriu o coração de Lídia:

E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa… (Atos 16:14-15).

E assim também Deus concedeu fé ao carcereiro de Paulo e Silas (Atos 16:25-31). Paulo estava convencido de que Deus salvou essas pessoas de forma soberana. A salvação é uma obra de Deus. É essencial que você entenda isso. Aquele que começou um bom trabalho foi Deus. No verso 29 de Filipenses 1 Paulo diz: “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele”. Você é o destinatário passivo de um presente de Deus. Deus lhe deu fé e Deus lhe deu sofrimento. Foi-lhe concedido por Deus que você creia e sofra por Ele.

Em Filipenses 2:13 Paulo diz que “Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”. É Deus quem salva soberanamente. João 1:12-13 diz: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

A salvação é obra de Deus. Em Atos 11:18, diante da conversão dos gentios, a igreja regozijou-se e proclamou: “Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida”. Deus lhes deu o arrependimento, a fé e a salvação. Veja esses textos:

E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna (Atos 13:48).

Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade (II Tessalonicenses 2:13).

Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo… (I Pedro 1:2).

Não pode ser mais claro que isto. A salvação é uma ação da soberania de Deus. Deus escolheu você, chamou-te, deu-te arrependimento e fé. Deus salvou você. O trabalho é todo Dele. A salvação é um ato de bondade e misericórdia de Deus e nada tem a ver com qualquer obra humana. Paulo escreveu: “quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia” (Tito 3:4-5). Foi Sua vontade, Sua obra. Ele fez isso, Ele nos salvou, Ele nos redimiu.

Agora, vamos voltar para Filipenses 1. Paulo está dizendo no verso 6 é “que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”. Ele está confiante, absolutamente convencido de que o Deus que começou uma obra nobre, ou seja, a salvação, que inicia o processo de santificação até a glorificação final na volta de Cristo, Ele mesmo aperfeiçoará. O termo usado aqui é “epiteleō”, que quer dizer “realmente perfeito”, “completo”. Paulo não diz: “Espero que isso funcione.” Ele diz: “Estou confiante, tenho certeza, estou absolutamente convencido disso”. A obra será completa. Essa é uma afirmação tremenda. Deus, que iniciou o trabalho de salvação e santificação, o completará cabalmente. F.B. Meyer escreveu:

Nós entramos no estúdio de um artista e descobrimos obras incompletas que sugeriam ser futuras grandes obras, mas que foram deixadas inacabadas. Ou porque o gênio não era competente para completar o trabalho que começou ou porque a paralisia ceifou a capacidade de suas mãos. Mas, à medida que entramos na grande oficina de Deus, não encontramos nada que tenha a marca da insuficiência de poder para terminar uma obra iniciada. Temos certeza de que a obra que Sua graça começou, Ele a completará cabalmente pelo seu poder.

É verdade. É verdade. O que Deus começa, Ele completa. Esta é a perseverança, ou a preservação dos santos, isto é o que chamamos de segurança eterna, que o Deus que o salvou pelo Seu poder o manterá por Seu poder. Romanos 5:10 diz que “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida”. Ou seja, quando você era um inimigo de Deus, foi salvo pela morte de Cristo, muito mais agora que você é filho de Deus será mantido por Sua vida. Pensamento tremendo. Se a morte de Cristo te salvou, então a vida de Cristo vai mantê-lo. E Ele sempre vive para interceder por nós (Hebreus 7:25).

Então, Paulo diz: Olha, tenho a alegria por antecipação. Você pode ter problemas, angustias, dificuldades e falhas na igreja, mas o Senhor que salva, Ele mesmo glorifica. Isso não será alterado, que o Deus que salva é o Deus que glorifica. Em Romanos 8:29-30 diz:

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

E Paulo pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Romanos 8:35). Ele mesmo responde que nada tem esta capacidade. Ele diz que em tudo “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8:37). Estamos seguros pelo poder de Deus. Jesus disse: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37). É por isso que Paulo declarou aos filipenses: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (1:6).

“Até ao dia de Cristo Jesus”, o que isso significa? Ouça com atenção, isso é uma coisa interessante. “O dia do Senhor aparece cerca de 20 vezes no Antigo Testamento. Sempre se refere ao julgamento divino sobre os pecadores, ao derramamento de ira. A expressão máxima do dia do Senhor será no retorno de Jesus Cristo, quando Deus derramar Sua ira sobre os ímpios de todas as eras.

Mas no Antigo Testamento havia outros dias do Senhor; qualquer dia em que Deus se movia em severo julgamento sobre pecadores poderia ser chamado de um dia do Senhor. O último dia do Senhor é o dia em que Ele vem julgar os ímpios na segunda vinda de Cristo. Também é chamado em 1 Tessalonicenses 5:4 de “aquele dia”. Em 2 Tessalonicenses 1:10 de “naquele dia”. E em ambos os casos se referem ao dia do juízo: o dia da ira, o dia de vingança, o dia da punição dos pecadores.

Mas isso é diferente. Filipenses 1:6 não diz “o dia do Senhor”, diz “o dia de Cristo Jesus“. Como isso difere? Bem, é interessante. Se você fizer um estudo sobre isso, descobrirá algumas coisas fascinantes. Neste versículo, “o dia de Cristo Jesus” refere-se a um tempo em que os fiéis serão glorificados. Fala de um dia em que os fiéis se tornarão perfeitos, quando a salvação se tornará completa, quando a justificação e a santificação tornar-se-ão glorificação.

Você nota também que Filipenses 1:10 diz que os crentes serão sinceros e irrepreensíveis até o dia de Cristo. E novamente está falando sobre os crentes. No versículo 6, foi o dia de Cristo Jesus, no versículo 10, é o dia de Cristo. E isso também é um momento em que os crentes serão apresentados a Deus como irrepreensíveis. No capítulo 2, versículo 16, Paulo diz: “preservando a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente”. Aqui, o dia de Cristo tem que ver com um evento positivo em que o crente se alegrará.

Assim, em Filipenses, “dia de Cristo”, “dia de Cristo Jesus” tem uma referência positiva à glorificação de um crente. Em 1 Coríntios 1:8 diz: “o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo”. Também se refere aos crentes que são irrepreensíveis, obviamente se referindo à sua glória, um tempo de recompensa e bênção para eles.

Em 2 Coríntios 1:14 diz: “como também já em parte nos compreendestes, que somos a vossa glória, como igualmente sois a nossa no Dia de Jesus, nosso Senhor”. Novamente está se referindo a um tempo de alegria, da glorificação. Em 1 Corinthians 5:5 temos uma situação de disciplina. Um crente pecador é “entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus”.

Em todos esses versos há uma referência ao momento da glorificação dos santos. Então, sempre que você vê “o dia do Senhor”, você sabe que está falando de julgamento sobre os pecadores. Sempre que você vê “o dia de Cristo” (ou do Senhor Jesus Cristo, de Cristo Jesus) está falando sobre a glorificação dos santos. E o Senhor faz uma característica distintiva clara ao introduzir os nomes pessoais de Jesus Cristo, celebrando a intimidade e a relação única que temos com Deus através de Cristo.

Agora, com isso em mente, volte para Filipenses 1:6. “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”. Ele nos leva até o momento em que nos encontraremos com Cristo. Pensamento tremendo. Deus terminará Sua obra da graça. Amados, essa é uma grande verdade. William Hendriksen disse: “Deus não é como homens. Os homens conduzem experiências, mas Deus realiza um plano”. Nós somos divinamente preservados, não é tão maravilhoso? Isso é tão emocionante – somos divinamente preservados. Veja esses textos:

Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna (João 4:14).

Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos
aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia (João 6:37,39).

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que me deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai (João 10:27-29).

E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou (Romanos 8:29).

Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29).

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, inalterável, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo (I Pedro 1:3-5)

E o que Paulo está dizendo em Filipenses 1:6 é isto: “Aqui está a minha alegria, pessoal! Minha alegria é que, não importa o que aconteça na sua igreja, o trabalho que Deus iniciou, Ele irá completar!” E então ele tem a alegria da antecipação. É muito parecido com as palavras maravilhosas de Judas:

Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém (Judas 24,25).

Ouça isso, por favor: Se você se concentrar no que há de errado com a igreja agora, você pode ficar deprimido. Mas se você se concentrar no que a igreja vai se tornar, você pode ficar entusiasmado. Deus começou uma obra, Ele vai terminar essa obra cabalmente sobre Seu verdadeiro povo. Nenhum daqueles a quem o Pai chamou se perderá.

Na faculdade, quando eu jogava futebol (americano), o técnico de meu time, por vezes, me culpava pela derrota do time, demonstrando erros táticos de posicionamento. Isso nunca vai acontecer comigo no céu. O Senhor não me dirá: “Olhe, por causa de seus erros, muitos não vieram para cá”. Não. É o Senhor quem elege, chama, salva e sustenta. Seus planos não são frustrados por nada e por ninguém. Podemos ficar realmente angustiados com os erros da igreja, eles são preocupantes. Muitos de nós não somos o que deveríamos ser e não fazemos o que deveríamos fazer. Mas devemos nos alegrar no que a igreja de Cristo será, conforme o plano eterno de Deus. E Ele é poderoso para que todo Seu plano se cumpra.

Se, de fato, temos a experiência do novo nascimento, vamos experimentar a glorificação no dia de Cristo. É uma verdade bíblica absoluta. Paulo tem essa sensação de alegria triunfante, ele tem certeza que, no final, a igreja será exatamente o que Deus quer que ela seja. Isso tira muita pressão. Não há sentido em gastar toda a sua vida em estado de depressão sobre o que a igreja não é, quando você pode passar a vida inteira em um estado de alegria sobre o que a igreja será. Você será tudo o que você deveria ser no plano de Deus. Então, se você, pela fé, olhar para o que a igreja de Cristo será, não haverá maior alegria e esperança que essa verdade. Essa é a alegria da antecipação que Paulo trata quando diz: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

Eu não sei por que é que algumas pessoas resmungam o tempo todo, inconformadas de ver como as coisas estão, sem conseguir olhar para o futuro e contemplar como elas serão, segundo o plano eterno de Deus. Eu direi a você que isso gera muita pressão. Se eu pensasse que eu tenho a responsabilidade de salvar pessoas e, uma vez que elas forem salvas, eu teria agora a responsabilidade de mantê-las salvas, como suportaria essa responsabilidade? Você quer essa responsabilidade?? O Senhor vai levar Sua igreja ao lugar onde Ele planejou. Maravilhoso, não é? Então, alegre-se nisso. Claro, não somos tudo o que devemos ser, mas aqui não é um lugar para pessoas perfeitas. Temos que fazer tudo o que o Senhor nos ordenou a fazer. E confiar plenamente nele o tempo todo. Ele vai salvar os Seus e os aperfeiçoará até aquele dia.

As pessoas dizem: “Ah, eu não quero estar na igreja, há muitos hipócritas”. Entre, você se sentirá em casa! Ele ainda não terminou a obra nem nos outros e nem em você. Seja paciente. Quando Ele terminar, seremos perfeitos. Isso tira toda a pressão, para que você possa desfrutar seu ministério, sua igreja e amar o que você faz.

Você diz: “Bem, então, por que você está aqui pregando? Se Deus os salva, os guarda e os leva ao céu, por que você se gasta no ministério?” Porque eu sou fascinado pelo pensamento de que Ele está me usando como parte de todo o processo. E posso servi-Lo com alegria e gratidão. Ele me chamou, e eu O amo e O obedeço, e não vivo em sonolência. Tudo o que Ele quer que eu faça é compartilhar a alegria. Se minha alegria for roubada, eu me tornarei incapaz de me concentrar no que a igreja se tornará. Paulo teve a alegria da antecipação. Eu entendi isso. Eu entendi isso.

Olho os meus filhos às vezes, quando percebo que são muito parecidos com os pais deles, mas que não são tudo o que deveriam ser. Eu poderia perder minha alegria e paz, mas eu sei que todos eles amam a Cristo e sei que o Senhor completará sua obra na vida deles. Eles serão finalmente como Cristo. Você percebe o quão gratificante isso é?

Assim é em relação à igreja. Quero derramar meu coração no serviço por pura alegria, gratidão, obediência e amor por Cristo. Fico extasiado por ser parte do processo de Deus, mas eu não posso me sobrecarregar com aquilo que não posso fazer. Não assumi a responsabilidade de carregar ninguém, você também não deveria assumir tal responsabilidade.

Então, aproveite, desfrute da igreja. Ela nunca será tudo o que deveria ser, nunca será tudo o que você quer que seja, até chegar à glória. Algumas vezes eu penso que o único desapontamento que haverá no céu é que as pessoas não vão encontrar nada negativo lá. Isso seria uma boa frustração. Mas, veja, você deve se emocionar com o fato de que as imperfeições que vemos na igreja agora são temporárias e você deve buscar ter a alegria por antecipação.

Há um outro tipo de alegria: a alegria da afeição, versos 7 e 8, mas não temos mais tempo para vê-lo agora. Vamos orar.

Nós Te amamos, Senhor e nós temos o grande privilégio de Te servir. Nós trabalhamos duro. Paulo disse que ele trabalhou ao ponto de suor e exaustão. Paulo disse que ele trabalhou poderosamente, mas foi realmente o Seu Espírito trabalhando nele. Ele disse que considerava tudo nesta vida como esterco, na busca do cumprimento de seus dons, seu ministério e seu chamado. Ele deu tudo o que tinha, toda sua energia, todo seu coração, toda a sua alma, e todo o tempo e era motivado por amor. Ele Te amava tanto que queria Te obedecer. É esta perfeita paz e alegria que diz: “Eu darei tudo de mim, mas sei que os resultados vão ser alcançados porque Tu és o Deus que Tu és”. Que alegria, que alegria poder dar todo nosso coração para um esforço e sabermos que não podemos perder nada. Quão emocionante!

Obrigado pela alegria por antecipação. Ajude-nos a viver essa alegria à medida que vivemos a alegria da participação, enquanto nos divertimos, enquanto vivemos a alegria da intercessão enquanto oramos uns pelos outros, e a alegria da lembrança ao lembrarmos do que é bom. Ó Deus, produza em nós a alegria do Espírito para nos alegrarmos, para que possamos deleitar-nos, para que sejamos satisfeitos em qualquer circunstância e com a Tua obra em nossas vidas. E agradecemos a Ti, em nome de Cristo. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “Elements of Joy, Part 2”, de John MacArthur em 02/04/1988.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/50-3/elements-of-joy-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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