Melquisedeque: Tipo de Cristo

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Continuamos hoje nossa trilha pela Epístola aos Hebreus. Chegamos ao capítulo 7. Vamos ver os versos de 1 a 10. Estudaremos Melquisedeque, um tipo de Cristo no Antigo Testamento. Tenho certeza de que seu coração se enriquecerá à medida que estudarmos o sacerdócio de Cristo nos capítulos 7, 8 e 9 de Hebreus. Hoje, particularmente, veremos esses 10 versos fundamentais, onde conheceremos o caráter de Melquisedeque.

O Salmo 110:4, falando sobre Jesus, diz: “Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque”, o mesmo diz Hebreus 5:6. 7:17 etc. Hebreus 5:10, acerca de Jesus, diz: “Chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”. Então vamos ao nosso texto de hoje em Hebreus 7:

1 Esse Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, encontrou-se com Abraão quando este voltava, depois de derrotar os reis, e o abençoou;
2 e Abraão lhe deu o dízimo de tudo. Em primeiro lugar, seu nome significa “rei de justiça”; depois, “rei de Salém”, que quer dizer “rei de paz”.
3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao Filho de Deus, ele permanece sacerdote para sempre.
4 Considerem a grandeza desse homem: até mesmo o patriarca Abraão lhe deu o dízimo dos despojos!
5 A Lei requer dos sacerdotes entre os descendentes de Levi que recebam o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos, embora estes sejam descendentes de Abraão.
6 Este homem, porém, que não pertencia à linhagem de Levi, recebeu os dízimos de Abraão e abençoou aquele que tinha as promessas.
7 Sem dúvida alguma, o inferior é abençoado pelo superior.
8 No primeiro caso, quem recebe o dízimo são homens mortais; no outro caso, é aquele de quem se declara que vive.
9 Pode-se até dizer que Levi, que recebe os dízimos, entregou-os por meio de Abraão,
10 pois, quando Melquisedeque se encontrou com Abraão, Levi ainda não havia sido gerado.

Há muita coisa na Escritura que se enquadra na categoria de tipologia. Sempre que falamos sobre um tipo, queremos dizer uma imagem do Velho Testamento da pessoa e da obra de Jesus Cristo. Por exemplo, em Número 21:8 Deus diz a Moisés: “Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela”. Em João 3:14-15 Jesus diz: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Nós lemos no Antigo Testamento sobre os cordeiros sendo sacrificados, lembramo-nos imediatamente das palavras de João Batista ao ver Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Há muitas outras imagens de Cristo no Antigo Testamento, conforme temos estudado ultimamente.

E o capítulo 7 de Hebreus mostra mais um tipo de Cristo no Antigo Testamento. Mas, tenha em mente que os tipos são sempre ilustrações frágeis, na melhor das hipóteses. Um cordeiro não comporta nenhuma comparação com o Cordeiro de Deus de forma realista. Nem uma serpente de metal traz alguma realidade com Cristo. São apenas simples imagens destinadas a nos dar uma visão ilustrativa. Assim, Melquisedeque não merece ser comparado com Jesus Cristo, mas ele serve como uma imagem muito interessante de Cristo.

O capítulo 7 é o capítulo principal da epístola aos hebreus, porque aborda a questão-chave que diz respeito aos judeus: a questão do sacerdócio. Hoje, quando falamos sobre um sacerdote, muitos pensam em diversas coisas diferentes. Alguns imaginam um homem pequeno que tem uma túnica engraçada, que abençoa pessoas. No caso de um sacerdote judeu, além das roupas, tem um chapéu engraçado, e assim por diante. E há tipos diferentes conforme cada religião, e todos eles apresentam coisas incomuns para a maioria.

Para o judeu, o sacerdote era uma figura importante, algo intrínseco ao judaísmo. Os sacerdotes eram os que ligavam os homens com Deus. A palavra latina para sacerdote é “pontifex”, que significa “construtor de pontes”. O sacerdote era aquele que construía a ponte do homem até Deus. Para o judeu, a religião judaica era o acesso a Deus, e como não podiam ir diretamente a Deus, eles tinham que passar por um mediador; e os sacerdotes foram projetados para serem mediadores.

Por exemplo, no Dia da Expiação, eles não podiam entrar no Santo dos Santos e colocar o sangue no propiciatório. O sumo sacerdote tinha que fazer isso. Em outras palavras, ele era um mediador entre Deus e os homens. Ele construía a ponte. Foi assim que Deus projetou, que alguns homens fossem chamados, separados, da tribo de Levi e linhagem de Arão, para ministrar como sacerdotes; e eles construiriam pontes entre os homens e Deus, de acordo com as especificações divinas.

Mais tarde, em Hebreus 9:22, é dito: “sem derramamento de sangue não há remissão dos pecados”. Os sacerdotes não podiam ter acesso direto a Deus, exceto através de um sacrifício, porque Deus havia projetado que o pecado seria pago por um sacrifício de sangue. Os sacerdotes faziam todos seus serviços no santuário, mas, depois do segundo véu, estava o santo dos santos, em “que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas da aliança; E sobre a arca os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório… só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo” (9:4-5,7).

A comunhão do homem com Deus havia sido quebrada pelo pecado. O homem precisava ser reconciliado e o sacrifício pelo pecado era uma autenticidade do arrependimento do homem. Esse sacrifício era oferecido pelo sacerdote, que se tornava uma ponte entre Deus e o homem. Mas os sacerdotes humanos eram frágeis e pecadores. Antes que eles pudessem oferecer sacrifícios por qualquer outra pessoa, eles tinham que oferecer sacrifícios por causa de suas próprias fragilidades.

Assim, no Livro de Hebreus, o escritor quer nos mostrar que existe um sacerdote maior do que qualquer sacerdote hebreu, aquele que não precisa fazer expiação pelos seus próprios pecados. O sacerdote hebreu era inadequado, a expiação que ele fazia pelos seus próprios pecados não valia para o dia seguinte, eles tinham que repetir a expiação constantemente, pois nunca houve satisfação final. Os sacrifícios se repetiam de forma infinita.

Assim, o Espírito Santo, no Livro de Hebreus, mostra que o que precisamos é de um novo e melhor sacerdócio, um novo e melhor sacrifício e aponta que ambos são realizados em Jesus Cristo, que Ele mesmo é um sacrifício melhor e um sacerdote melhor. O Livro de Hebreus é uma apresentação da preeminência de Cristo, de sua exaltação, mostra o fato de que Ele é o mediador de uma aliança melhor; com uma esperança melhor. Ele é o portador de uma promessa melhor e um melhor sacrifício; melhor substância; um país melhor; uma ressurreição melhor; uma aliança não terrena, mas celestial. Um Cristo celestial, um chamado celestial, um presente celestial, um país celestial, uma Jerusalém celestial. Em Hebreus 8:1-2 diz:

Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.

Em outras palavras, temos um Sumo Sacerdote nos lugares celestiais, não como um sumo sacerdote terreno. Os homens precisavam de um sumo sacerdote, porque precisavam de alguém para construir uma ponte para Deus. Mas esses homens eram inadequados, por causa de seu próprio pecado. E, finalmente, um excelente sacerdote glorioso veio.

Agora, você vê, para o judeu, isso é muito importante, porque ele não conhecia nenhuma maneira de se conectar com Deus que não seja através de um sacerdote. E assim, o Espírito Santo diz: “Cristo é aquele sacerdote perfeito”. Não só Ele se encaixa nas qualificações de um sacerdote, mas substitui todas as qualificações de qualquer sacerdote que você já viu. Ele está muito, muito além de qualquer outro.

Assim, o Espírito Santo escreve tudo sobre o sacerdócio de Jesus Cristo, porque este é o próprio coração do judaísmo. Ele falou sobre o fato de que Jesus é superior aos profetas, aos anjos, a Moisés, a Arão, a Josué e a qualquer outro. Cristo estabeleceu uma Nova Aliança, e Ele é superior a tudo que havia na Antiga Aliança. Hebreus 9:11 diz: “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação”. Os versos 14 a 16 de Hebreus 4 dizem:

Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

Agora, aqui, o Espírito Santo introduz o sacerdócio de Cristo e diz, em outra palavras:

Temos um grande sumo sacerdote. Você não precisa mais dos sacerdotes do judaísmo. Você não precisa do sistema antigo. Há um grande Sumo Sacerdote. Há um construtor de ponte permanente, e uma vez que você cruza essa ponte, você permanece eternamente na comunhão de Deus. Esse construtor é Jesus Cristo.

Assim, no capítulo 4 versículos 14 a 16, o escritor aos Hebreus apresentou Jesus como sacerdote. No capítulo 5, versos 1 a 10, ele mostrou que Jesus era melhor do que Arão. E então ele continua e compara com Melquisedeque, indo pelo capítulo 6. E ele diz:

Tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido… (Hebreus 5: 10-12)

Então, ele os exorta a deixar o judaísmo e entender como Jesus se relaciona com Melquisedeque. No final do capítulo 6 diz que Jesus foi “tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. E então, imediatamente no capítulo 7 versículo 1, ele se lança nesta comparação.

Agora, é interessante o que ele diz: “A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir”. Se ele estivesse conversando com cristãos que precisavam crescer, ele teria que esperar muito tempo antes de começar o capítulo 7. Porém, uma vez que a maturidade de que ele está falando é a maturidade que vem na salvação e é uma maturidade momentânea, ele pode então dizer: “Agora vou direto para aqueles de vocês que conhecem Cristo“. E então, ele apresenta Melquisedeque, e ele diz no final do capítulo 6: “Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”.

Há todo tipo de conjecturas sobre quem seja Melquisedeque. Alguns insistem em que ele é um anjo, e esse é um pensamento comum. No entanto, em Hebreus 5:1 diz que “todo o sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus”. Portanto, ele não poderia ser um anjo. Outros sugerem que ele é Jesus Cristo, e a razão pela qual eles dizem isso é porque há tanto mistério ao seu redor. No entanto, Hebreus 7:3 diz que ele “sendo feito semelhante ao Filho de Deus”. Não diz: “Ele era o Filho de Deus”. Há uma diferença entre ser como algo e ser essa coisa.

Melquisedeque não foi um anjo e nem Jesus Cristo, mas ele é um tipo de Cristo, um homem a quem Deus projetou para usar como uma imagem de Jesus Cristo. Mas, não é para lidarmos com isso de qualquer maneira. As coisas secretas pertencem ao Senhor, então não queremos gastar muito tempo com isso.

Tudo o que sabemos sobre Melquisedeque aparece em três versos no Antigo Testamento, e vamos vê-los em um minuto. Mas, o lugar que Melquisedeque ocupa na história sagrada é uma das provas de inspiração divina das Escrituras das mais notáveis, e da unidade das Escrituras, sendo escrita pelo Espírito Divino. Todo o conceito de Melquisedeque é uma visão incrível do fato de que Deus escreveu a Bíblia.

Por exemplo, no Livro do Gênesis, temos três pequenos versos sobre Melquisedeque. Mil anos depois, o Salmo 110:4 diz: “tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque”. O próprio Deus jura ao Seu Filho que Ele será um Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Passam-se outros mil anos, após a chegada do Messias, temos esses versos apontando-o como uma imagem perfeita de Jesus Cristo.

Melquisedeque e Abraão não tinham ideia do que aconteceria 2 mil anos depois do episódio relatado em Gênesis 14, quando Melquisedeque abençoou Abraão e este lhe deu dízimo de tudo. O salmista não tinha nenhuma ideia, no entanto, Deus sabia exatamente o que estava dizendo ao se referir a pessoa de Melquisedeque. Você sabe o que isso me diz? Isso me diz que o mesmo Deus que escreveu o Livro de Hebreus também escreveu o Livro do Gênesis. É disso que se trata a inspiração das Escrituras.

Melquisedeque era rei de Salém (a antiga tradição judaica identifica Salém com Jerusalém, e a evidência bíblica apoia isso), sacerdote do Deus Altíssimo, soube que Abraão retornava da matança dos reis e abençoou Abraão. Agora, isso vem diretamente de Gênesis 14:17-20, que diz:

Após voltar Abrão de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma no vale de Savé, que é o vale do Rei. Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo; abençoou ele a Abrão e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe deu Abrão o dízimo.

Abraão deu a Melquisedeque o dízimo de tudo. Esse é o começo e o fim de tudo o que você já ouviu sobre Melquisedeque. Você diz: “como isto poderia significar algo?”. Significa muito. Ouça o que aconteceu no registro de Gênesis. Naquela época havia pequenos bolsões de terra que eram governados por caciques tribais, muitas vezes eram realmente reis. Abraão era um homem muito importante, que governava sua tribo. Todos esses indivíduos tinham seus pequenos domínios, todos naquela área da Jordânia.

Se você vir a partir do verso 1 de Gênesis 14, Quedorlaomer era o rei de Elão, e ele se juntou com três reis aliados e invadiu as terras que hoje são conhecidas como o deserto do Negev e Transjordânia. Ele derrotou todas as pequenas cidades-estados em torno da Jordânia, incluindo Sodoma, e levou um grande número de cativos, bem como a Ló, o sobrinho de Abraão. A notícia chegou a Abraão, que vivia perto de Hebron. Abraão decidiu juntar forças e perseguir Quedorlaomer e os reis que estavam aliados com ele. E ele os alcançou em Damasco, lançou um ataque surpresa. Eles fugiram, libertando todos os cativos e todo o despojo; e você realmente não consegue um acordo melhor do que isso.

Então, Abraão reuniu todos os cativos e todo o despojo, e ele partiu para casa. Bem, no caminho, ele encontrou o rei de Sodoma, que se alegrou com o que aconteceu; e ele disse a Abraão, com efeito: “Você deve guardar todo o despojo pelo que fez”, mas Abraão disse que não, porque Abraão prometeu ao Senhor que ele não faria tal coisa, então ele não fez.

Agora, imediatamente antes de Abraão se encontrar com o rei de Sodoma, ele encontrou Melquisedeque, que era o rei de outra área chamada Salém. E este homem não era apenas o rei, mas ele era o sacerdote do Deus Altíssimo. Quando ele conheceu Abraão, ele o abençoou, e então Abraão tomou o despojo e pagou a Melquisedeque, e aí ele desaparece, e isso é tudo que temos sobre ele.

Você diz: “Bem, eu não entendo o que é tão significativo sobre esse homem”. Bem, é isso que vamos ver. Temos o sacerdócio de Arão e de Melquisedeque. O sacerdócio de Arão era estritamente judaico. Os sacerdotes que estavam sob Arão eram sacerdotes de Israel, estavam sujeitos a um reino e não ofereciam justiça permanente em paz. Somente aquele contínuo, contínuo e contínuo sacrifício, nada permanente. Nunca estabeleceu uma justiça permanente e nem uma paz permanente com Deus. Essa paz e essa justiça eram destruídas toda vez que pecavam.

Também o sacerdócio de Arão era hereditário. Não importava o quão espiritual você poderia ter sido, se você não tivesse nascido na família certa, não poderia ser sacerdote. Também era um sacerdócio limitado no tempo, entre os 25 e 50 anos de idade. Assim, o sacerdócio de Arão era de homens sujeito aos reis, sem justiça permanente, hereditário e limitado pelo tempo. Agora, isso é muito importante para você entender porque o sacerdócio de Melquisedeque substitui o de Arão em todos os pontos. “Portanto…”, diz o Espírito Santo, “…Cristo é um sacerdote melhor do que Arão”.

Para o judeu, isso significa muito, porque se Cristo é um sacerdote maior do que Arão, então eles precisam se voltar para Cristo. Então, a Nova Aliança é melhor que a Antiga Aliança, e esse é o ponto. Deus está tentando chegar a Israel, tentando fazer com que Israel se afaste do judaísmo para Cristo. Portanto, é importante que entendam que o cristianismo é superior em seu sacerdócio. Agora, vamos tratar destes pontos um por um. Estas cinco áreas nos são fornecidas aqui nos versos 1 a 3, e vemos a comparação com Melquisedeque.

Primeiro: O sacerdócio de Melquisedeque era universal. Não era nacional. Hebreus 7:1 diz: “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo”. Este é um conceito rico. O nome de Deus é “Eu Sou o Que Sou”, Javé (Yahweh) no hebraico, mas nenhum judeu diria o nome de Deus. Da combinação das letras JHVH com as vogais de Adonai (Senhor), eles formaram “Yehowah”, que é Jeová. Portanto, Jeová não é o nome de Deus, é apenas o nome que Israel criou em um esforço para não dizer “Yahweh”. Jeová é um nome estritamente de Deus relacionado a Israel, e veja isso, os sacerdotes de Arão eram sacerdotes de Jeová. [Nota do site: Nas traduções bíblicas para o português não é possível fazer esta distinção].

Você lembra que os levitas vinham da linhagem de Arão. Um sacerdote tinha que ser um filho de Arão. Mas, todos aqueles que vieram de Arão eram sacerdotes somente de Jeová. Ou seja, eles estavam relacionados apenas com Deus em conexão com Israel. Eles não podiam correr pelo mundo e ministrar em outro lugar, eles estavam ligados à economia de Israel. Mas, observe isso, o texto de Hebreus não diz que Melquisedeque era sacerdote de Jeová. Diz que ele era sacerdote do Deus Altíssimo. Agora, esse é um nome universal para Deus, “El Elyon”, e alcança todos os lugares, no céu e na terra. É o nome universal de Deus, que inclui judeus e gentios, muito mais amplo do que o termo judaico Jeová.

Então, enquanto o sacerdócio de Aarão se relacionava apenas com Israel, o de Melquisedeque era mais amplo do que isso e relacionado a todos os homens. Agora, quando o Espírito Santo diz que Jesus é um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, você vê o significado? A importância é essa: Jesus não é apenas o Messias de Israel, mas do mundo. Por isso é muito importante estabelecer o sacerdócio de Melquisedeque como universal, se você disser que Jesus é um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

Na mente do judeu tinha que haver uma razão histórica para tudo ou um fundamento histórico. Então, Deus escolhe Melquisedeque como fundamento para ensinar essa verdade. Houve sacerdotes que já foram mais amplos do que Israel. Não há motivos para acreditar que não pode haver mais um, e há um, Jesus Cristo. Então, transcende Israel.

Abraão compreendeu esse conceito, em Gênesis 14:22, ele diz: “Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra”. Veja que ele entendeu Jeová no relacionamento da aliança. Ele também entendeu Jeová no sentido de que Ele era Deus de tudo. Em Deuteronômio 32: 8, lemos isso: “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações…”. Entende? O Deus Altíssimo lida com as nações, mas a parte de Jeová é Israel. Entende? Jeová é um nome da aliança para Deus lidar com Israel. O sacerdócio de Arão tratou da aliança com Israel. Melquisedeque era mais amplo do que isso, pois Israel ainda não havia sido gerado pelos lombos de Abraão. E assim, seu sacerdócio era amplo.

Em Daniel, por exemplo, onde o primeiro grande rei dos gentios, Nabucodonosor, é trazido a sete anos de humilhação até que finalmente reconheça os fatos de Deus, Daniel 4:34 diz:

Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.

E aqui estava um gentio reconhecendo o Altíssimo. Esse é um termo amplo para Deus; e você lembrará que, mesmo os demônios, quando nosso Senhor os expulsou, clamaram: “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?” (Marcos 5:7). E eles, novamente, usaram o termo universal para Deus.

Jesus diz que os redimidos serão chamados “filhos do Altíssimo”. O termo “Altíssimo” é, então, um nome universal para Deus, no sentido de Seu domínio e caráter universal, pois envolve todos os homens. Isso significa que o sacerdócio de Melquisedeque não está limitado a uma nação. Ele não é apenas sacerdote de Jeová. Ele é sacerdote do Deus Altíssimo, El Elyon, possuidor do céu e da terra, acima de qualquer distinção.

Isso é muito importante, porque o judaísmo era um sistema fechado. Eles realmente não procuravam conversos. Lembre-se de Jonas? A coisa mais horrível que já aconteceu com ele foi o fato de que Nínive se arrependeu. Isto “desagradou extremamente a Jonas, e ele ficou irado” (Jonas 4:1), e ele disse a Deus: “tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver” (4:3). Era um sistema muito fechado e não tinha espaço para os gentios. Hoje, há 14 milhões de judeus no mundo, e ouvi um rabino dizer: “Nós também não queremos nada. Não nos interessamos em buscar ninguém”. Eles estão trancados em seu sistema, não pela vontade de Deus, mas por sua própria falha em ser o testemunho que Deus pretendia que fossem. E assim, seu próprio Messias não é seu próprio, mas um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

Penso que foi sobre isto que I João 2:2 diz: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”. O mesmo João registrou assim as palavras de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Também registrou o que disse alguns samaritanos a respeito de Cristo, como “o Salvador do mundo” (João 4:42). Então, vemos que Jesus Cristo não se limita apenas a Israel, mas Ele é o redentor de todos os homens que O invocam. Então, todos os sacerdotes de Israel ministraram em um sentido nacional, mas Jesus é superior a eles, porque Ele ministra em um sentido universal a todos os homens. Isto é ilustrado em Melquisedeque.

Em segundo lugar, o sacerdócio de Aarão estava sujeito à realeza. Melquisedeque era a realeza. Em Hebreus 7:1 diz que ele era “rei de Salém”. No versículo 2, diz que ele era “rei de justiça”, “rei de Salém” e “rei de paz”. Nos dois versos, por quatro vezes diz que ele era rei. Sacerdócio real. Melquisedeque era da realeza. Isso era algo totalmente estranho aos sacerdotes aarônicos e levíticos em Israel. Nunca houve essa combinação. Os sacerdotes de Israel nunca foram reis. Isso era desconhecido em Israel. Que mistura absolutamente perfeita, que o verdadeiro sacerdote, o grande sacerdote, o glorioso sacerdote, Jesus Cristo, seja aquele mistério do sacerdote e de rei, para que não apenas leve homens a Deus, mas governe os homens para Deus.

Ouça o que Zacarias 6:13 diz: “Ele mesmo edificará o templo do Senhor e será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono, e dominará, e será sacerdote no seu trono; e reinará perfeita união entre ambos os ofícios”. Agora, esse é um conceito inédito e é profetizado em Zacarias muito claramente. Jesus deveria ser um sacerdote, mas um sacerdote em um trono, um sacerdócio real. Hebreus 7:26 diz que Cristo é “sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus”. Realeza Suprema. Rei dos reis, o Senhor dos senhores.

Agora, você notará que ele diz que Melquisedeque é rei de Salém. Você diz: “Onde está?” Bem, provavelmente esse é um nome antigo para Jerusalém. Jerusalém também tinha o nome de “Jebus”. Os jebuseus ocuparam Jerusalém inicialmente. Mas também poderia ter, no tempo de Melquisedeque, o nome de Salém. E, assim, Melquisedeque deve ter sido um antigo rei de Jerusalém. O Salmo 132:13-14 diz: “Porque o Senhor escolheu a Sião; desejou-a para a sua habitação, dizendo: Este é o meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois o desejei”. Sião é Jerusalém. Então, Jerusalém teve um rei antes de Abraão e muito antes de Davi. E um rei e sacerdote designado por Deus muito antes de Arão. E este rei e sacerdote era Melquisedeque.

Agora, isso é importante. Os judeus imaginavam um Deus exclusivo deles e que nunca haveria outro sacerdócio, outra aliança. E assim foi que a maior parte da nação rejeitou Cristo. Eles não concebiam algo assim. O mundo não começou com o judaísmo. Havia algo acontecendo antes que Deus trabalhasse dessa maneira. Ele não precisava trabalhar através da nação Israel antes de Abraão. Por que Ele não pode trabalhar de outra forma, se Ele quiser assim? Essa é a questão. Se Deus já teve um sacerdote real uma vez, por que Ele não poderia ter outro? E Ele o faz, e quem é? Jesus Cristo, algo que nenhum sacerdote judeu jamais concebeu.

Há uma terceira coisa. Não havia justiça permanente, e não havia paz permanente no sacerdócio de Arão. Mas o sacerdócio de Melquisedeque era sacerdócio de justiça e paz. Observe o versículo 2: “por interpretação rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz”. O nome dele significa rei de justiça, também rei de Salém, que é “rei da paz”. Salém vem de “Shalom”, que significa paz. Seu nome é justiça. Sua cidade é paz. Ele é uma combinação perfeita de justiça e paz.

Agora, você não sabe que é exatamente isso que todos os sacerdotes tentam realizar? O que é justiça? A justiça é a santidade. E a justiça é exigida antes que você possa estar em paz com Deus. Deus odeia o pecado. Portanto, se você é um pecador, você e Deus não estão em paz. Deus luta contra os seus inimigos. Você sabia disso? Deus luta contra os seus inimigos; e se um homem não é justo, então ele não está em paz com Deus; mas se um homem é justo aos olhos de Deus, então ele não está em guerra com Deus. Ele está em paz com Deus.

Romanos 3:22 fala da “justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem” e Romanos 5:1 diz que “justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. Quando a justiça de Cristo lhe é dada pela fé Nele, a justiça de Cristo se torna sua. Você está imediatamente em paz com Deus. Ele o vê coberto pelo sangue de Cristo. Todo sacerdote queria fazer um homem justo para estar em paz com Deus, mas eles não podiam fazê-lo. Hebreus 10:11 diz que “todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados”. Mas Melquisedeque era rei de justiça, e sua cidade era paz, enfatizando que seu sacerdócio era de justiça e paz.

Isso é típico de Jesus Cristo? Jesus Cristo fornece uma justiça permanente? Exatamente. Quando o pecador vem a Jesus Cristo, e tem seus pecados perdoados, foi estabelecida uma paz perene entre ele e Deus. Quando ele peca, não necessita de um novo sacrifício, pois a justiça de Cristo o cobre para sempre. Um pecador perdoado e em paz com Deus não volta à condição de inimigo de Deus. Jesus Cristo assegura a justiça e a paz de forma permanente.

O Melquisedeque histórico era provavelmente um homem muito justo e um rei muito pacífico, mas o Espírito Santo não está aqui lidando com as características pessoais de Melquisedeque. Ele apenas lida com Melquisedeque como um tipo de Cristo, e diz que ele era primeiro a justiça e depois a paz. E posso dizer que elas sempre vêm nessa ordem. Não há paz com Deus, a menos que haja justiça. Por isso Romanos 5:1 diz: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. A justiça vem em primeiro lugar, depois a paz.

O salmo 85:10 diz: “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram”. E se beijaram em quem? Em Jesus, no Messias. Essa foi a promessa. As duas coisas que os homens queriam eram uma sensação de justiça diante de Deus e estar em paz com Deus, e elas se beijaram e se tornaram realidade no Messias. Cristo veio para nos dar a Sua justiça, para que estivéssemos em paz com Deus. Os sacerdotes de Israel não podiam fazer isso.

Hebreus 7:27 diz que o sacerdócio de Cristo “não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu”. E Hebreus 10:14 diz que Cristo, “com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados”. Essa é a diferença entre a Antiga e Nova Aliança. Primeiro vem a justiça, e depois vem a paz com Deus. Isaías 32:17 diz que “o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre”. O sacerdócio de Melquisedeque é uma imagem de Cristo, um sacerdócio universal, um sacerdócio real e um sacerdócio de justiça e paz.

Agora, em quarto lugar, o sacerdócio de Arão era hereditário. O de Cristo era pessoal. Oh, isso é tão importante, pois há coisas tremendas a aprender com esta verdade. Desde o início do trato de Deus com Israel, o estabelecimento do sacerdócio aarônico, hereditariedade e genealogia eram a chave de tudo. Deus projetou que da tribo de Levi viriam os sacerdotes; e, mais especificamente, aqueles que descenderiam da linhagem direta de Arão. Então, esses homens foram chamados ao sacerdócio. Não tinha nada a ver com qualificação pessoal. Você poderia ser uma migalha e, se você estivesse na linhagem certa, você estava dentro do sacerdócio. Só tinha que ver com a hereditariedade.

Em Esdras 2:61-62, temos a exclusão do sacerdócio de pessoas que não foram reconhecidas por genealogia. Em outras palavras, se não pudesse ser comprovada sua genealogia e de sua esposa, você seria lançado fora do sacerdócio. Não tinha nada a ver com as qualificações. Só tinha que ver com a hereditariedade. Mas o sacerdócio de Melquisedeque não teve nada a ver com a hereditariedade, mas com qualificações pessoais, portanto, é superior.

Hebreus 7:3 diz que Melquisedeque era “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida”. Isso significa que ele veio do nada? Que Deus o criou no céu e soltou na terra? Não, isso significa que no registro de Gênesis não há nenhuma indicação de sua genealogia. Sua parentela e origem são desconhecidas, porque eram irrelevantes para o exercício de seu sacerdócio. Ao contrário do que alguns dizem, ele teve pai e mãe. A antiga Peshita Siríaca fornece uma tradução mais precisa do que a expressão grega queria dizer: “cujo pai e mãe não estão escritos em genealogias”. Isso é totalmente estranho a qualquer rei ou sacerdote judaico, que baseavam seus direitos em suas genealogias.

Agora tenha em mente e acho importante: esta não é uma comparação entre Melquisedeque e Cristo. Veja isso. É uma comparação entre a revelação sobre Melquisedeque em Gênesis 14 e Cristo. Melquisedeque tinha um pai e uma mãe, nasceu e morreu como qualquer outro homem. Mas o texto diz que isto não tinha importância alguma, porque ele foi escolhido por Deus com base na qualidade pessoal e não por “pedigree”. Essa é a questão. A Escritura está em silêncio sobre sua genealogia e ele aparece, assim, como um tipo perfeito de Jesus Cristo. Se você olhar para Jesus Cristo, em termos de Seu sacerdócio, Ele não pertencia à tribo de Levi, mas a de Judá. E Judá não tinha direito ao sacerdócio. E assim, Jesus é sacerdote, não da ordem de Arão, mas de Melquisedeque, que foi escolhido, não por causa de sua hereditariedade, mas de suas qualidades.

Agora, veja o versículo 3 novamente: “sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida”. Isso significa simplesmente que o livro de Gênesis não registra nada sobre a vida dele. Ele apenas surge na cena, sem que fosse dada qualquer importância a sua genealogia ou tempo de vida. Agora, o sacerdote judeu começava aos 25 anos e por cinco anos o novo sacerdote servia a outros sacerdotes. Então, quando ele chegava aos 30 anos, poderia operar sozinho. Ele ministraria até aos 50 anos de idade e, “desde a idade de cinquenta anos sairão do serviço deste ministério, e nunca mais servirão” (Números 8:25).

Mas nenhuma restrição é feita a Melquisedeque. Não há registro de sua morte, quando em Números 20:22-29 temos um registro muito detalhado da morte de Arão. Então, Melquisedeque aparece como alguém que não precisa seguir os padrões do sacerdócio aarônico. Ele se distingue e é escolhido por Deus puramente com base em sua qualidade. O mesmo é verdade em relação a Jesus Cristo, que não foi escolhido como sacerdote por Sua genealogia, mas por Sua qualidade. Hebreus 7:15-17 diz:

E isto é ainda muito mais evidente, quando, à semelhança de Melquisedeque, se levanta outro sacerdote, constituído não conforme a lei de mandamento carnal, mas segundo o poder de vida indissolúvel. Porquanto se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

Em outras palavras, o sacerdócio de Cristo é baseado, não apenas na Sua eternidade, mas em Sua qualidade pessoal, não em qualquer legalismo ou conjunto de leis. Então, Jesus é como Melquisedeque, porque o seu sacerdócio é pessoal.

Agora, observe isso, por fim, o sacerdócio de Arão foi temporal e o sacerdócio de Melquisedeque eterno. Você diz: “Bem, você quer dizer que Melquisedeque viveu para sempre?” Não, quero dizer que não aparece no texto nenhum começo e nem fim. Portanto, tipicamente, ele fala de Jesus. Em vista do fato de que não há registro da morte de Melquisedeque, ele aparece como sempre vivo no texto; e, portanto, uma imagem de Jesus Cristo. Hebreus 7:22-25 diz:

Jesus se tem tornado fiador de superior aliança. Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

Você diz: “Bem, você sabe, mas Melquisedeque é tão inferior. Como pode servir como um tipo de Cristo?” Deus sempre usa um inferior para servir como um tipo. As pessoas dizem: “Você tem certeza de que Melquisedeque não é realmente eterno?” Sim, porque se Melquisedeque fosse realmente eterno, ele não seria o tipo. Ele seria a realidade. Ele é a imagem. A imagem da paisagem não é a paisagem. É um pobre substituto.

Então, o Espírito Santo, ao desejar mostrar Cristo como um sacerdote maior que Arão, mostra um sacerdócio maior do que o sacerdócio aarônico, o de Melquisedeque, e diz que Jesus é um sacerdote como Melquisedeque. Não é um sacerdote nacional, mas universal. Não sujeito a reis, mas um próprio rei. Capaz de trazer justiça e paz. Não por hereditariedade, mas por qualidade pessoal. Não cronometrado ou limitado pelo tempo, mas eterno e, portanto, Jesus Cristo é um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

Agora, eu quero que você tome nota de apenas um pensamento, e fecharemos esse ponto específico. Diz no versículo 3 que Melquisedeque “sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre”. Não diz que o Filho de Deus foi feito como Melquisedeque. Quem veio primeiro? O Filho de Deus. Melquisedeque foi feito como o Filho de Deus. Ele não era o Filho de Deus. Ele foi feito como o Filho de Deus. Jesus Cristo foi o original. Melquisedeque era apenas a cópia; e as superioridades são apresentadas.

Em segundo lugar, e apenas brevemente, as superioridades são comprovadas. E neste argumento, que corre dos versos 4 a 10, são muitas palavras, mas basicamente é um argumento simples. Temos a prova de que, de fato, Melquisedeque era superior a Arão e Levi. Agora isso é tremendo. Eu quero que você entenda isso. Você diz: “Bem, você está de pé dizendo que ele é melhor do que Arão e por isso, por isso, por causa disso. Não tenho muita certeza de que devemos reconhecer isso. Como sabemos disso? Prove!”. Então, vamos provar isso.

Abraão deu dízimo a Melquisedeque. Você diz: “O que você quer dizer com isso?” Bem, olhe para o versículo 4: “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos”. Esse é um ponto bastante pesado, pois os judeus se orgulhavam de mencionar Abraão como seu pai. Um argumento bastante forte para mostrar a superioridade de Melquisedeque.

No verso 2 diz: “a quem também Abraão deu o dízimo de tudo”. O Espírito Santo mostra que Melquisedeque era maior do que Abraão. E Abraão era maior que Arão e Levi. Portanto, se Jesus é apresentado como sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, o escritor está dizendo: Vá para Cristo e saia do judaísmo. Cristo é superior a tudo.

Agora fique comigo por um minuto. Eu sei que isso é pesado, e sua mente está a mil por hora, mas é a Palavra de Deus, e não posso deixar de declarar a você todo o conselho de Deus. Eu digo isto a você, confiando no Espírito de Deus. Agora observe isso. Diz que Abraão deu a Melquisedeque um décimo dos despojos. No original, a expressão quer dizer que ele deu as coisas mais importantes, as melhores. Era assim o dízimo no Antigo Testamento. Deus nunca aceitou as sobras, as coisas inferiores. O fato de Abraão ter dado o melhor magnifica a grandeza de Melquisedeque. Abraão foi o grande patriarca, considere o quão grande Melquisedeque deve ter sido.

Agora, este seria um lugar maravilhoso para pregar o dízimo, exceto pelo fato de que eu não creio no dízimo na realidade do Novo Testamento, em termos de ser algo travado no sistema do dízimo. Mas, se você quiser adotar a regra do dízimo da Antiga Aliança, sinta-se livre para fazer isso. Havia o dízimo (10%) geral dado aos levitas, conforme Números 18:21-32. Porém junto com essa oferta, havia outros dois dízimos, totalizando 23% ao ano, conforme o segundo dízimo em Deuteronômio 14:22 e o terceiro dízimo a cada três anos em Deuteronômio 14:28-29 e 26:12.

Você compreende os princípios de dar a Deus? Você entende o que significa dar a ele o melhor? Você diz: “Bem, eu às vezes sinto que devo dar ao Senhor”. Isso é muito ruim. Durante todos os séculos da vida de Israel, Deus estabeleceu o padrão. Na graça, estamos livres da lei, mas a graça exige muito mais do que a lei, porque o nosso Sumo Sacerdote é muito, muito superior. Você entende isso?

Se Abraão deu o melhor a Melquisedeque, o que devemos dar a Jesus Cristo? Alguns não conseguem nem mesmo um décimo, quanto mais o melhor. Muitos dão as sobras, o resto. Na lei não poderia ser oferecido em sacrifício a Deus o animal com qualquer defeito (Deuteronômio 15:21). Não estamos dando a Deus por causa de um desejo em nosso coração de ser generoso. Nós estamos dando a Deus por causa da Sua glória, de quem Ele é e de nosso Messias, porque ele é grande, e Ele merece tudo o que temos. No verso 5 ele continua com esse argumento:

Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham estes descendido de Abraão.

Isto é interessante. Nem todos os filhos de Levi receberam o sacerdócio, apenas os que estavam na linha de Arão. A Eles foi permitido, por lei e mandamento, tomar os dízimos. Mas, no caso de Abraão, não havia nem um mandamento para entregar o dízimo a Melquisedeque. Ele simplesmente deu em tributo à grandeza de Melquisedeque.

Se tivesse sido resultado de Melquisedeque dizer: “Você me dá o melhor de todas as coisas”, você veria Melquisedeque como um egoísta. Mas ele não diz nada. Abraão simplesmente reconhece sua grandeza e dá-lhe o melhor. Os levitas exigiram das pessoas por lei, mas este homem recebeu apenas pela qualidade pessoal de sua vida, não dizendo nada, mas por ser quem ele era; e Abraão sabia que ele era um sacerdote do Deus Altíssimo e lhe deu o respeito que ele merecia, como o sacerdote de Deus. Então, a grandeza de Melquisedeque é mostrada porque Abraão pagou os dízimos quando ele não precisava, antes que houvesse alguma lei sobre isso.

Melquisedeque abençoou Abraão. Os versos 6 e 7 dizem: “entretanto, aquele cuja genealogia não se inclui entre eles recebeu dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas. Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior”. Melquisedeque foi escolhido para abençoar a Abraão. Se este homem foi maior do que Abraão, ele também era maior do que qualquer coisa que veio de Abraão.

E este é um princípio. Hoje, Deus trabalha com base nas qualificações pessoais de um homem. Na igreja há pastores, evangelistas, anciãos. Tiago 3:1 diz: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo”. Em Hebreus 13:17 diz: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”.

Deus estabeleceu certas pessoas na igreja para ministério da Palavra. Hoje tem sido comum um socialismo eclesiástico, onde qualquer um se levanta e diz o que quer. Recentemente ouvi de um jovem que iniciou uma congregação, que não deve haver nenhum pregador da Palavra. De fato, há muitas igrejas como essa hoje. Então a igreja se transforma em um bando, onde cada qual toma uma direção. Não há governo. I Timóteo 5:16-17 diz: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina”. Na escolha de diáconos, os apóstolos disseram: “Nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (Atos 6:4).

Então Deus estabeleceu determinadas pessoas nesta economia da graça com base em qualificações pessoais especiais. O Senhor diz ao servo fiel: “Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei”. Deus leva um homem ao ministério por suas qualificações. E assim foi com Melquisedeque. Ele estava qualificado para ser o que ele era pessoalmente, não por causa de sua hereditariedade. Ele era superior e, portanto, abençoou Abraão.

Há um terceiro argumento. O verso 8 diz: “Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive“. Os advérbios “aqui” e “ali” fazem referência à lei levítica (aqui) e à Genesis 14 (ali). O sacerdócio levítico mudava cada vez que um sacerdote morria, até que se extinguiu de vez. Enquanto o sacerdócio de Melquisedeque é perpétuo, visto que o registro sobre o seu sacerdócio não relata sua morte (cf. v.3). Jesus Cristo é o sacerdote que está vivo para sempre. “Ele os recebe de quem é testemunhado que ele vive”. E nos versos 9 e 10 ele diz:

E, por assim dizer, também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão. Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai, quando Melquisedeque saiu ao encontro deste.

Ele começa dizendo “e, por assim dizer”, meio que se desculpando pela estranheza do argumento válido. Num argumento baseado na autoridade original, o escritor observa que é possível dizer que Levi pagava dízimos a Melquisedeque. É o mesmo argumento que Paulo usou para demonstrar que quando Adão pecou, todos nós pecamos.

Este é um argumento interessante, e você deve entender a mente judaica. Os judeus consideravam a hereditariedade de maneira realista. Levi vinha dos lombos de Abraão. Quando Abraão pagou os dízimos a Melquisedeque, era como se todo o sacerdócio levítico tivesse reconhecido sua superioridade. Então responde a última objeção. Melquisedeque então é melhor do que Arão. Este é um ponto sensível para a mente judaica, por isso o escritor meio que se desculpa quando começa a falar sobre isto.

Jesus veio segundo a ordem de Melquisedeque. Deus fez o encontro de Melquisedeque com Abraão naquele momento, para que Abraão reconhecesse a Melquisedeque como alguém maior, para que este fato servisse de testemunho a Israel. Cristo é sacerdote de um melhor sacerdócio. E assim:

Temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus… Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno (Hebreus 4: 14,16).

Vamos orar juntos.

Senhor! Agradecemos-te por nosso estudo esta noite. Oh, Senhor, sabemos que isso tem sido difícil para tantos entenderem. Várias vezes a Tua Palavra registra que essas verdades se tornaram difíceis de entender e suportar. E aqui, o Espírito Santo, ao inspirar o escritor da carta aos Hebreus, diz essencialmente o mesmo. Mas à medida que nos banqueteamos com a Tua Palavra, oramos que essas verdades penetrem em nossos corações e que possamos contemplar de mais perto toda a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que tudo isto possa nos impulsionar a sermos Tuas testemunhas vivas a todos os povos, inclusive aos judeus.

Há um melhor sacerdote. Há um melhor sacrifício. Existe uma aliança melhor do que o judaísmo, e é tudo através de Jesus Cristo. Obrigado por nos ensinar, Senhor. Obrigado por Tu és o nosso grande Sumo Sacerdote, Senhor Jesus. Em Ti encontramos graça e misericórdia, como nos foi prometido. Obrigado por nos unir esta noite para aprendermos essas verdades. Continue a nos ensinar. Dê-nos uma fome para conhecer Tua Palavra. Oramos em nome de Jesus. Amem.


Este texto é uma síntese do sermão “Melchizedek: A Type of Christ”, de John MacArthur em 02/07/1972.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/1616/melchizedek-a-type-of-christ

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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