A Total Suficiência de Cristo

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Esse é o quinto sermão de John MacArthur de uma série sobre a carta aos  Efésios, conforme links no final deste texto. 


Colossenses 3:11 diz que “Cristo é tudo e em todos”. Cristo é tudo. Essa é uma verdade monumental que afirma a suficiência total de Jesus Cristo para cada questão espiritual na vida de todo crente. Ele é tudo o que é necessário para a salvação e a vida espiritual. Penso que a igreja atual não admite isto, uma consequência do relacionamento superficial com o Cristo vivo. Parece que a maioria da igreja hoje não está consciente dos recursos que estão disponíveis em Cristo.

Então, em Efésios 1:15-23, Paulo ora para que possamos compreender isso:

15 Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos,
16 Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:
17 Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele;
18 Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos;
19 E qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder,
20 Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus.
21 Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;
22 E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja,
23 Que é o seu corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos.

No meio do versículo 18 há uma pequena frase: “para saberdes qual é a esperança”. Paulo diz que estava orando para que você possa compreender o que é seu em Cristo. Agora, o que acabamos de ler é uma afirmação imensa sobre os recursos que são nossos em Cristo e, certamente, isso precisa ser acoplado aos versículos de 3 a 14. Eles falam sobre o fato de que somos abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, que fomos escolhidos Nele antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis.

Somos amados e, portanto, predestinados a sermos adotados como filhos para o louvor da glória de Sua graça que nos foi concedida no amado. Temos a redenção através do Seu sangue. Temos o perdão de nossas ofensas. Recebemos as riquezas da Sua graça derramada sobre nós. Temos o mistério de Sua vontade. E ele continua falando sobre nossa herança, o que está por vir para nós no futuro. Nós temos o Espírito Santo que nos selou. Temos a promessa de nossa herança com a visão da redenção da própria possessão de Deus para o louvor de Sua glória e, então, no versículo 15, Paulo ora para que você compreenda tudo isso.

Um dos assuntos recorrentes no Novo Testamento é essa ênfase em nossos recursos em Cristo. O Evangelho de João diz que “vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”, e que “todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça” (1:14,16). Que declaração incrível!

Cristo é a plenitude da graça e da verdade de Deus, e nós temos recebido da Sua plenitude. Em João 7:37, Jesus Cristo se revela como a água espiritual que sacia toda alma sedenta. E, em João 15:5, Ele diz; “sem mim nada podeis fazer”. Em Filipenses 4:13, Paulo diz que “posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”. Em Romanos 13:14, somos instados a nos “revestir do Senhor Jesus Cristo” para termos uma vida vitoriosa sobre o pecado.

I Corinthians 1:24 diz que Jesus Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. E o versículo 30 acrescenta que Ele é para nós justiça, santificação e redenção. Em 3:21-23, é dito que tudo pertence aos filhos de Deus, porque somos de Cristo e Cristo de Deus. 2 Coríntios 12: 9 diz que a graça de Deus nos basta, que em nós habita o poder de Cristo. Em Filipenses 1:11, Paulo diz que somos “cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus”. Filipenses 3: 8 diz que diante da excelência do conhecimento de Jesus Cristo, as demais coisas assemelham-se a esterco. Em Cristo, temos justiça, relação, poder, aceitação, vida eterna e glória, diz Paulo no restante do capítulo. Colossenses 2:6-8 diz:

Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Tendo cuidado para que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.

Tudo está em Cristo, nenhum tesouro ou recurso temos além Dele. Ele é a provisão de Deus para nós. Em Hebreus 2:18 é dito que Ele nos socorre nas tentações. Em II Pedro 1:3, que Nele temos tudo o que pertence à vida e à piedade.

Quando falamos sobre um Cristo suficiente, estamos apenas fazendo eco do que a Escritura diz. E se isso é verdade, e é, então, por que a igreja e cada cristão não perseguem o conhecimento de Cristo e a confiança nos recursos que estão Nele? Tudo é nosso em Cristo. Cristo é tudo e em todos. Por que, então, Ele não é o foco de nossas vidas? Por que Ele não é o objeto principal de nossas afeições? Por que Ele não nos atrai para uma intensa busca? Por que Ele não é o coração da nossa vida? Por que Ele não é a própria alma do nosso ministério?

Poucos livros se concentram apenas em Jesus Cristo. A maioria dos livros evangélicos vendidos é sobre autoestima, finanças, etc. E são projetados assim porque as pessoas estão desesperadas para se sentirem bem com elas mesmas. Nada pode fornecer a verdadeira satisfação que vem apenas da busca de um relacionamento profundo e amoroso com o Cristo vivo. É uma coisa triste dizer, mas é verdade. A moderna igreja realmente está mais preocupada com o amor próprio do que com o amor de Cristo. E não é novo, novamente é a mesma doença antiga que atormentou a própria igreja a que esta carta foi escrita, a igreja em Éfeso, contra a qual veio a acusação no livro do Apocalipse: você deixou seu primeiro amor!

Esta é a minha preocupação. Não importa quanto tempo ministramos juntos, devemos sempre voltar ao ponto em que dizemos: “Olhe, a vida cristã se resume a amar a Cristo, conhecê-Lo profundamente e aproveitar os recursos dados por Ele”. E quando você conhecer tudo o que Ele fez para você, seu amor por Ele se intensificará. Não é um amor sentimental, mas uma profunda devoção, que resulta em uma intensa fé, comprometimento e dedicação a Cristo. Um desejo profundo de honra-Lo com sua vida, atos e atitudes, e prosseguir firme diante do labirinto das circunstâncias confusas da vida.

Todo objetivo da vida cristã é uma busca intensa por Cristo. É por isso que Paulo diz: “tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor… prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus” (Filipenses 3: 8,12). No verso 14, ele completa: “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

Isto simplesmente significa ser como Cristo. Esse é o prêmio e esse é o objetivo. E buscar intensamente ser como Cristo significa olhar para Sua glória até que você seja transformado daquilo que você é naquilo que Ele é. II Coríntios 3:18 diz: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”. É isso aí.

Um nobre pastor puritano, Thomas Vicent (Sec. XVII), certamente teve isso em seu coração. Ele escreveu um livro maravilhoso que eu li esta semana pela segunda vez. O título é: “O Amor do Verdadeiro Cristão ao Cristo Invisível”. Que pensamento magnífico! O amor do verdadeiro cristão ao Cristo invisível… Ele foi inspirado em I Pedro 1:8, que diz: “a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória”. Ouça algumas das coisas que ele disse.

A vida cristã consiste no amor dos cristãos a Cristo. Sem amor a Cristo eles são tão sem vida espiritual como um corpo morto, uma carcaça, quando a alma sai dela. A fé sem amor a Cristo é uma fé morta. Sem amor a Cristo, todos serão apenas mortos, mortos em pecados e transgressões. Sem amor a Cristo, podem até ter o nome de cristão, mas sem essência alguma. Eles podem ter a forma de piedade, mas serão desprovidos de qualquer poder.

Se Cristo tiver o amor deles, seus desejos serão direcionados segundo Cristo. Seus deleites estarão principalmente Nele. Suas esperanças e expectativas estarão Nele, acima de tudo. Seu ódio, temor, tristeza, ira serão direcionados contra o pecado, pois o pecado é ofensivo a Ele. E Ele conhece o amor que gera empenho e aperfeiçoamento de toda capacidade e faculdades das almas por Ele. Seus pensamentos serão trazidos cativos em obediência a Ele. A compreensão deles será aperfeiçoada através da busca pelas verdades Dele. As memórias deles serão receptáculos para reterem essas verdades.

Suas consciências funcionarão como agentes fiéis Dele, acusando-os ou os escusando. Suas vontades irão fazer escolhas de acordo com as direções Dele e daquilo que O agrada. Todos os sentidos e membros de seus corpos serão servos Dele. Seus olhos verão para Ele. Seus ouvidos ouvirão para Ele. Suas línguas falarão para Ele. Suas mãos trabalharão para Ele. Seus pés andarão para Ele. Todos os seus dons e talentos serão usados em devoção e culto a Ele. Se Ele tiver o amor deles, eles estarão prontos para fazerem aquilo que Ele lhes requerer. Sofrerão por Ele seja lá o que for que Ele lhes chame a sofrer. Se eles O amarem muito, não se importarão em negarem-se a si mesmos, tomarem sua cruz e O seguirem por onde Ele os conduzir.

Amar e conhecer a Cristo: a vida cristã reside nisto. É tudo sobre esse relacionamento. Isto é o que Paulo quis ensinar aos crentes efésios e a todos aqueles que leram esta epístola. Ele quer que compreendamos a grandeza e a nobreza da graça de Deus em Cristo, e que nesta enorme riqueza temos tudo o que precisamos. E aproveitar é simplesmente cultivar profundamente uma relação com Jesus Cristo.

Em II 2 Coríntios 12, Paulo buscou ao Senhor três vezes sobre um espinho na sua carne. Ele sabia exatamente para quem ir, onde estava o recurso. E quando Ele procurou o Senhor, recebeu excelsa graça. O Senhor disse a ele: “A minha graça te basta” (v.9). Paulo está orando (em Efésios 1) para que busquemos o sublime recurso que nos foi dado: Cristo.

Vejamos como ele apresenta esta seção pela própria oração, enquanto faz a introdução a partir do versículo 15 e 16 de Efésios 1:

Por isso, também eu, tendo ouvido a fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações.

Ele diz que conhecia a verdadeira fé deles e louvava a Deus por isto. Mas, ao mesmo tempo, ele diz que orava “para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele” (v.17). O que ele está dizendo?

Oro para que Deus lhe conceda uma atitude que lhes permita compreender o que vocês têm em Cristo. Quero que o Pai mostre o que está em Cristo à sua disposição. Eu quero que vocês tenham uma disposição.

Quando ele fala sobre “espírito de revelação”, não se trata do Espírito Santo, mas sobre uma atitude ou uma disposição, um estado de espírito, um espírito ligado à sabedoria e revelação divinas, para que Deus lhes concedesse todo o conhecimento do que está em Cristo.

Mas, em nossos dias, quando alguém proclama que Cristo é suficiente, é tudo que precisamos para a vida e piedade, que não temos recursos fora Dele, muitos o atacam dizendo que essa pessoa tem uma mente estreita, que não leva em consideração o avanço cultural. Eles dizem que temos muitas coisas em Cristo, mas que também há muitas outras coisas fora Dele [E muitos não se atrevem a expressar isto com palavras, mas sua vidas dizem isto].

Bem, é claro, a evidência das Escrituras está do lado daqueles que acham sua suficiência em Cristo, não importa o que alguém diga. Bem, é uma coisa triste quando tantas pessoas que se intitulam cristãs parecem ser incapazes de lidar com as realidades da vida e buscam respostas fora de Cristo. Mas Cristo é tudo, e Paulo ora para que “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele”.

Se você é um bom estudante de engenharia, e tem acesso a um engenheiro talentoso e capaz, você iria desejar extrair o máximo possível de conhecimento e experiências daquele homem.
Uma mulher piedosa, que deseja ser uma esposa e mãe piedosa, naturalmente vai se entusiasmar em se relacionar com mães piedosas e cheias de frutos.
Se em Cristo repousam todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, como seria possível alguém alcançado pela Sua graça não desejar profundamente extrair o máximo que pudesse Dele? Com a ressalva de que tudo em Cristo é perfeito e inesgotável, logo, nunca haverá uma decepção.

A busca de nossa vida deve ser a busca desse conhecimento de Cristo, que nos renderá uma compreensão do que está disponível nEle. Isso vem, é claro, pela Palavra de Deus, mas também vem pelo conhecimento de Cristo que é revelado através da experiência, quando Ele derrama Seus recursos sobre nós e aprendemos a confiar Nele nos tempos difíceis.

Então, Paulo diz que ora para que eles pudessem compreender o que é realmente seu em Cristo. É imenso, absolutamente imenso! Ele se concentra em três grandes realidades disponíveis em Cristo, três grandes realidades que nos pertencem porque pertencemos a Cristo. A primeira é a grandeza de Seu plano, a segunda é a grandeza de Seu poder, e a terceira é a grandeza de Sua pessoa.

Uma vez que você entende isso, comunga com essa riqueza indescritível e experimenta em seu relacionamento com Cristo, isso resultará em tal amor em relação a Cristo, tal devoção, tal submissão, tal confiança e segurança, que você viverá sua vida no plano que Deus quer que você a viva.

Primeiro lugar: A grandeza do Plano de Deus

Paulo ora para haja compreensão da grandeza do plano de Deus. Verso 18: “iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos”. Agora, pare por um momento. A palavra “coração” aqui realmente tem a ver com a mente. O coração, na cultura hebraica, era o assento do pensamento. Provérbios 23:7 diz que “como um homem imaginou no seu coração, assim é ele”. Nós falamos sobre o coração como a sede do amor, ou dos sentimentos e emoções. Mas, na cultura hebraica, o coração tem a ver com a mente, onde a vontade age em resposta à verdade. Paulo está dizendo:

Quero que sua mente seja esclarecida, que você veja o que realmente é seu em Cristo, o plano Dele para você. Quero que sua mente compreenda esse imenso plano divino. Olhe para lá. Para que você possa saber qual é a esperança de Sua vocação. Pare por um momento.

Ao longo dos anos temos estudado isso de todos os ângulos diferentes, agora vou apenas lembrar-lhe brevemente. O que ele está dizendo aqui é que você deveria entender o chamado de Deus para você. Em outras palavras, que você tenha compreensão desse grande plano de Deus revelado de eternidade a eternidade. Que você deve compreender como você se encaixa nesse plano.

Há pouco tempo vimos isto em Tito 1:1-2, que diz: “Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade, em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos”. Deus prometeu na eternidade passada nos redimir. É a aliança eterna, de acordo com o escritor de Hebreus. E foi feita entre o Pai e o Filho. O Pai prometeu ao Filho Lhe dar homens redimidos. Isto é o que Ele prometeu ou propôs em Jesus Cristo antes do início do mundo.

Deus amou o Filho e quis Lhe dar um presente de amor, dando-Lhe homens redimidos. E Ele os elegeu na eternidade passada. E então, Ele requereu que o Filho executasse Sua parte no plano, vindo ao mundo para realizar o ato redentor para congregar aqueles homens. Mas foi o presente de amor do Pai ao Filho redimir a humanidade, os eleitos, dar-lhes a Cristo, de modo que, por toda a eternidade, eles O louvem e O glorifiquem. Somos parte disso.

Na eternidade, o Pai escolheu os eleitos. Com o tempo, Ele os redime através da provisão de Jesus Cristo na cruz. Na eternidade, Ele os reúne como aquela humanidade redimida e os dá ao Filho, como aqueles que O glorificam para sempre. Então o Filho, tendo recebido este presente, o dá ao Pai, para que Deus seja tudo em todos, diz Paulo em 1 Coríntios 15:27-28.

Estamos todos capturados nesta relação insondável e eterna entre o Pai e o Filho, na medida em que expressam Seu amor um ao outro. E somos simplesmente parte desse cenário, pela misericórdia e graça de Deus, para que o Pai possa expressar Seu amor ao Filho e o Filho ao Pai.

Você entende que é por isso que você é chamado para a eternidade, para que você possa ser parte de uma humanidade eleita e redimida para glorificar o Filho a partir do amor do Pai? Você precisa entender o alcance completo da esperança de seu chamado. Você não entrou nisso por causa de sua própria inteligência. Você não se tornou um cristão porque você decidiu que era o certo a se fazer. Não foi uma escolha sua em meio à sua caminhada, foi muito além disso.

Isso foi algo planejado desde a eternidade, no passado, para fruir para a eternidade futura. Você precisa obter uma compreensão sobre o que é todo esse assunto e precisa entender que Deus tem um propósito e um processo que acontece o tempo todo, que Sua soberania trabalha para a Sua própria glória no final. E todas as circunstâncias da vida se enquadram no objetivo final de Deus para te levar ao Seu eterno chamado. Em Romanos 8: 19 Paulo diz:

Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.

O Pai não podia pensar em um presente maior para dar ao Filho do que conformar toda a humanidade redimida com a Sua própria imagem. E esse foi Seu plano, de acordo com Romanos 8:29. I João 3:2 diz que seremos feitos como Ele quando haveremos de ve-Lo como Ele é. A melhor maneira pela qual o Pai pode expressar Seu amor ao Filho foi criando uma humanidade inteiramente redimida que levaria a própria imagem do Filho. Essa é a maior glória. O Pai disse ao Filho: “Você é tão perfeito que vou fazer uma humanidade totalmente redimida, como você”. E esse foi o seu presente e nós somos parte disso. Meu irmão, você não tropeçou e caiu dentro disso simplesmente e não pode tropeçar e sair.

Você compreende isso? Você compreende que, desde a eternidade, você esteve na mente e no coração de Deus? Tudo isto antes de você ter nascido? Que tudo já estava definido na mente de Deus? E o que quer que possa vir à sua vida por meio da alegria, Deus usará. Tudo o que vier em sua vida por meio de dor, Ele usará. I Pedro 5:10 diz:

E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.

Tudo em nossa vida está no plano eterno. Não há espaço para o pânico. Tudo aqui passará, tudo aqui é muito breve. A eternidade é tudo. Paulo diz que ora para que tenhamos essa perspectiva eterna. Isso vai fazer você amar a Cristo. É insondável que Ele tenha nos escolhido, que Cristo levou nossos pecados na cruz e que um dia Ele nos levará para Si mesmo e nos fará como Ele e faremos parte da plenitude do que Ele é. Essas são verdades gloriosas.

Quando essa compreensão resplandece em sua mente, você encontrará nesses ricos recursos respostas para todas as questões da vida. E quando as coisas na vida se tornam insuportáveis e você não sabe exatamente o que está por vir, o que esperar, o seu alicerce é que você não tem medo porque está seguro na eterna esperança de sua vocação.

Então, ele acrescenta a isso, o versículo 18, um segundo tipo de componente, realmente parte do mesmo, quando ele diz: “… para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos”. Ele está dizendo:

Eu não só quero que você saiba sobre a herança, mas eu quero que você saiba sobre quão rica é a herança. Quero que você conheça as coisas específicas dessa herança. Eu quero que você saiba o que pertence a Cristo, mas está sendo compartilhado com você … as riquezas envolvidas nisso. Sua magnitude está além da nossa capacidade de conceber. Não importa quão profundamente você mergulhe nos recursos disponíveis em Cristo, você nunca bateu no fundo. Eu quero que você saiba como Sua riqueza é grandiosa. Eu quero que você saiba o quão amplos e extensos Seus recursos são.

Isso dá segurança, confiança, esperança e alegria. E nos chama a amar a Cristo. Aqui somos pecadores indignos, mortos em pecados, mas fomos chamados a partir de um grande plano soberano, por um Deus amoroso e gracioso. Foi um alto chamado, um chamado sagrado e celestial, do qual somos totalmente indignos. É uma riqueza além da nossa compreensão humana e imaginação. Então, o que quer que possamos sofrer nesta vida, quaisquer que sejam as flechas, dardos e dificuldades, o que importa diante da esperança que temos?

Eu continuamente estou impressionado, francamente, com a forma como as pessoas ficam tão chateadas com um monte de coisas humanas triviais. Isso me espanta. Por que você se incomoda com toda essa trivialidade passageira? Você é tão imensamente rico! Qualquer coisa que possa falhar nas relações humanas nunca irá falhar em um relacionamento com Cristo. Então, persiga esse relacionamento glorioso.

Em segundo lugar: Paulo quer que entendamos não só a grandeza de Seu plano, mas a grandeza de Seu poder.

Olhe para o versículo 19: “e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder”. Ele quer que os olhos de nosso coração sejam esclarecidos para que possamos saber também qual é a grandeza de Seu poder para nós que cremos. O poder, diz Paulo, de acordo com o eficaz funcionamento da força de Seu poder.

A propósito, Paulo usa quatro palavras significando ‘poder’ nesse verso, e esse é um verso bastante curto. Os tradutores queriam nos informar que havia quatro palavras diferentes usadas aqui, então eles usaram sinônimos para nos ajudar com isso. Foi usada a palavra ‘poder’, que no original é ‘dunamis’, refere-se ao ‘poder inerente’. Foi usada também a palavra ‘energia’, que se refere ao ‘poder operante’. Também foi usada a palavra ‘kratos’, que se refere ao ‘mais elevado nível de poder’. E também foi usada a palavra ‘ischus’, que segundo alguns traz a ideia de ‘dotado de poder’. Mas, todas elas são sinônimas, falando do poder de Deus fornecido a nós. De fato, em 2 Coríntios 12, Paulo diz que o poder de Deus é aperfeiçoado em quê? Em nossas fraquezas.

Nota: Na Bíblia em português não conseguimos perceber esta diferença contida em Efésios 1:19. Mas na tradução inglesa são usadas quatro palavras diferentes para corresponder às palavras gregas quanto ao “poder”: “Power”, “working”, “mighty”, “strength”.

Os cristãos estão dizendo: “Bem, eu não sei se eu sou capaz, não sei se posso triunfar sobre o pecado, não sei se posso vencer a tentação, não sei se eu posso ser eficaz no ministério, não sei se posso ser útil para o Senhor, não sei se posso testemunhar de forma crível, eu não sei se eu posso invocar Deus no meio das minhas provações e saber que Ele responderá…”.

Ouça, há muito poder para você. O apóstolo Paulo está expressando isto de forma insistente, para que possamos ter a compreensão do poder. Ele insiste: “e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder”.

Poder para quê? Poder para evangelizar: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (Atos 1:8). Poder para sofrer vitoriosamente: “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia” (II Coríntios 4:16). Poder para nos guardar de tropeçar: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” (Judas 1:24). Poder para mudar nossas vidas, superar a tentação, fazer a vontade de Deus, servir, falar, para o trabalho etc. Um poder tão grande e que excede a tudo que pensamos:

Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera (Efésios 3:20).

E o fim do versículos 19 e o versículo 20 de Efésios 1 diz:

… Segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu Ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais

É o poder de ressurreição e ascensão. É o mesmo poder que levantou Cristo do túmulo e O levou ao céu. Isso está além de qualquer fonte humana. O pecado não podia reter Jesus no túmulo. A morte não podia mantê-Lo lá. O inferno não podia segurá-Lo. Satanás não podia segurá-Lo. Os demônios não podiam segurá-Lo. Ele entrou no túmulo e saiu triunfante. E não parou por aí. Depois de 40 dias, lembre-se, Ele ascendeu à direita do Pai, foi coroado e ali vive intercedendo por nós. O mesmo poder, diz Paulo, que ressuscitou Jesus e lhe deu todo o poder à direita do Pai está trabalhando em nosso favor.

E, a propósito, amado, algum dia esse poder fará por nós o que fez por Cristo. Esse mesmo poder causará a nossa ressurreição e exaltação à direita do trono de Deus, onde nos sentaremos no próprio trono de Cristo, enquanto Ele se senta no trono do Pai, diz Apocalipse. Para nós, as cadeias da morte serão destruídas, os laços de Satanás serão destruídos, os grilhões do pecado serão quebrados e seremos libertados de todo inimigo. Não há nada neste mundo que possa impedir ou deter o plano eterno de Deus. Nada pode frustrar o que Deus planejou na eternidade.

Esse mesmo poder opera em nosso nome. E não apenas em relação às coisas futuras, como nossa ressurreição e glorificação, mas no dia de hoje também, no agora. Nós temos esse poder. É um poder extraordinariamente grande para os verdadeiros crentes. Mas não usamos isso. Vivemos nas águas rasas e nunca chegamos às profundezas. Seguimos fórmulas fáceis e nunca seguindo o profundo conhecimento de Jesus Cristo que vem pelo tempo gasto com Ele e através da Palavra.

E então, há um terceiro e último elemento que Paulo quer que entendamos: a grandeza de Sua pessoa.

Nos versículos 21-23 de Efésios 1, é dito:

Acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

A última parte desta oração maravilhosa é que as pessoas entenderiam o quão grande é Cristo. Quero dizer, você não tem que temer nada. Não há nenhum governo, autoridade, poder, domínio e não há nenhum nome no universo que não esteja aos pés de Jesus Cristo. Portanto, o que quer que Ele considere fazer por você, não pode ser frustrado. Seu poder em seu favor não pode ser negado.

Jesus não está apenas acima, Ele está muito acima de tudo, inclusive de todas as hostes malignas. Não há qualquer força, seja humana ou espiritual, que possa prevalecer sobre Cristo. Porém, como nós gostamos de ir aos homens buscando algo! Que tolice! Por que fazemos isto? Por que não vamos a Cristo, cujo poder é infinito em nosso favor?

Quando um irmão vem a mim, por imaginar que tenho algo a mais que não esteja disponível a esse irmão, eu rejeito a ideia. Cristo, que é meu Salvador, é o seu também. E não há nenhum privilégio secreto em qualquer homem. Muitas vezes eu escuto pessoas que imaginam que posso desembaraçar suas vidas. O melhor que eu posso fazer é enviá-las para quem pode: o Senhor Jesus. Fico apenas na oração e me coloco à disposição.

Não há nenhum ser humano que possa lhe oferecer os recursos que Cristo possui. Você diz: “Bem, para o que você serve, então?” Essa é uma pergunta justa. Estou aqui para afastá-lo de mim e apontá-lo para Ele. É por isso que estou aqui. É por isso que todos nós estamos aqui. É por isso que todos os que ministram e ensinam fazem o que fazem. Não para atrair as pessoas para nós, mas para atraí-las para Jesus Cristo, dirigi-las para o Senhor.

A maior lição que podemos ensinar é que você não vai encontrar em nós o recurso, mas você vai encontrá-lo em Cristo. Seu poder é proporcional à Sua majestade. Ele é superior a cada governante, autoridade, ser humano ou angélico, agora e para sempre. Por que você não iria para Ele? Não há substitutos para Ele!

Cristo é tudo. Se você entender a grandeza de Seu plano, a grandeza de Seu poder e a grandeza de Sua pessoa, certamente você iria para Ele. Ele é “a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Efésios 1:23). Ele é isso. Ele é a plenitude. Ele é tudo. Ele é a fonte de tudo. É somente nEle que encontramos nossas necessidades atendidas.

Precisamos entender isso, particularmente em nossos dias. O cristianismo criou sua própria cultura, que é uma cultura não centrada em Cristo. A igreja está cheia de trapos que, além de não fornecerem qualquer benefício, emperram seu avanço e a torna decadente. Como podemos tirar todos esses trapos acumulados e crermos que “Cristo é tudo em todos” (Colossenses 3:11)? A igreja precisa voltar para esta posição.

Se conhecermos a grandeza de Seu plano, de Seu poder e de Sua pessoa, certamente O buscaremos e cultivaremos uma relação de amor com Ele. Ele é tudo. Nele encontramos toda a segurança, confiança, satisfação, alegria e paz.

Vamos orar.

Pai, agradecemos a Ti nesta manhã que nos deu para pensarmos sobre o Senhor Jesus Cristo. Nós lembramos que Escritura diz: “Se alguém não ama o Senhor Jesus, que seja amaldiçoado”, e nós chegamos a Ti e expressamos nosso amor por Cristo. Ele é nosso Salvador. Mas, no entanto, nosso amor não é o que deveria ser… é tão fácil cair nesse pecado da igreja de Éfeso e deixar o primeiro amor, aquele amor ardente e caloroso, amor apaixonante, emocionante que nos levou a ansiar por buscar Cristo para tudo.
Perdoe a Tua igreja pelos pecados do egocentrismo e um foco centrado no homem e nos devolva a centralidade de Jesus Cristo. Deus, que estas pessoas queridas, o Teu povo chamado pelo Teu nome, redimido pelo Teu sangue, que tenham o espírito, a atitude, a disposição da sabedoria e a revelação no verdadeiro e pleno conhecimento de Teu Filho. Que eles compreendam a grandeza do plano que se desenrola, a grandeza do poder que está disponível para eles, a grandeza da pessoa que é seu amigo, seu recurso.
E nesse entendimento, que eles prossigam no conhecimento de Cristo, a fim de que eles cultivem uma relação de amor que os leve a uma devoção profunda, cujo fruto é de viva confiança e força, segurança e alegria, paz e esperança. Dê-nos de volta em Tua igreja o amor pelo Cristo invisível. Poderemos dizer com Pedro: “A quem não vimos, mas amamos”. Que Ele seja a aspiração de nossos corações. Confessamos que Cristo é tudo. Nele há tudo o que precisamos. Dá-nos um coração para perseguir o conhecimento Dele. E isso nós pedimos para Tua glória. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre Efésios. Links dos sermões já publicados:


Este texto é uma síntese do sermão “Christ Is Everything”, de John MacArthur em 29/08/1993.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/80-120/christ-is-everything

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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