A Gloriosa Obra da Redenção

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Esse é o terceiro sermão de John MacArthur de uma série sobre a carta aos Efésios,  conforme links no final deste texto. 


Estamos em meio a um abençoador estudo de uma maravilhosa porção da palavra de Deus, a carta aos Efésios. E estaremos olhando o capítulo 1 esta manhã, versículos 6 a 10, vendo como Paulo fala de nossa redenção. A grande massa da humanidade não entende a implicação teológica da redenção, uma parte muito, muito vital do núcleo do cristianismo. É uma palavra familiar em nossa sociedade, mas com um significado desconhecido até que nos voltemos para a Palavra de Deus.

Antes de entrar em uma discussão sobre a redenção, deixe-me apenas lembrá-lo onde estamos no livro de Efésios, porque tudo deve ser ensinado na Bíblia em termos de seu contexto, isto é, só tem o seu melhor significado quando é visto à luz do que está ao seu redor no texto [i.é., a Bíblia interpreta a Bíblia].

Paulo está escrevendo aos Efésios. E não só para eles, mas essa é uma carta que foi muito além da igreja de Efésios. Sem dúvida, circulou entre todas as igrejas da época. Seu grande impulso e ênfase nesta carta é falar da igreja em sua terminologia mais ampla, como o corpo de Cristo, é Cristo encarnado no mundo. É habitada pelo próprio Senhor vivo. Não é uma organização, é um organismo. É Jesus no mundo. Esse é o seu impulso.

E ao falar nesses termos amplos e grandiosos da igreja, ele não usa referências locais aqui. Ele não fala sobre indivíduos em uma determinada cidade ou uma congregação específica, mas fala da teologia da igreja como o corpo de Cristo. Não somos apenas um rebanho com um Pastor, apenas ramos em uma videira ou apenas um Reino com um Rei. Nós somos um corpo com uma cabeça, que é Cristo. E naquele belo simbolismo, ele nos apresenta o caráter do organismo vivo da igreja de Jesus Cristo, que somos Jesus no mundo.

A igreja hoje não deveria ser nada mais do que Jesus Cristo caminhando pelo mundo fazendo o que Jesus fez quando Ele caminhou neste mundo, quando Ele estava aqui. Essa é a igreja. Não é um conceito muito complexo, é apenas Jesus no mundo. E é do que o livro de Efésios trata: a igreja como o corpo de Cristo e como funciona.

Nesta carta, Paulo está maravilhado com todas as características deste mistério do corpo, que estava oculto em Deus, mas agora foi revelado. Ele fala desta verdade formada na mente de Deus na eternidade passada, antes da fundação do mundo. A primeira verdade surpreendente sobre o corpo é que ele foi planejado antes da fundação do mundo. Isso fica muito claro no versículo 4: “Ele nos escolheu nele antes da fundação do mundo”. E assim, podemos dizer que os versículos 3 a 14 são um vislumbre do plano eterno de Deus na formação do corpo.

Quando chegarmos ao capítulo 2, veremos mais detalhes sobre como Deus trabalhou na história, mas aqui estamos na eternidade vendo o plano principal. A primeira seção que analisamos foram os versículos 4, 5 e a primeira parte do versículo 6. Discutimos a palavra-chave no aspecto passado deste plano e dissemos que a palavra-chave é a eleição. Em outras palavras, todo o projeto foi baseado na eleição de Deus. Ele nos escolheu Nele, Ele nos predestinou, diz o versículo 5.

E depois, dissemos que o aspecto presente deste plano eterno é a redenção. Ele tomou esse propósito eletivo e o trabalhou na história através da redenção. O terceiro elemento é a herança. Ele fez isso para que possamos herdar todas as coisas. Então, você tem neste plano eterno do corpo da igreja, que deve ser Cristo no mundo, um propósito eletivo, um plano redentor e uma herança definitiva. Esses são os três elementos.

Nas últimas semanas, falamos da eleição e como nós fomos escolhidos por Deus em Sua própria vontade soberana. Ele nos escolheu antes da fundação do mundo para nos planejar no Seu corpo. Essa é a razão pela qual temos valor, porque fomos escolhidos por Deus nos tempos eternos para sermos parte de Seu corpo.

Como Deus planejou resolver isso? Qual seria o seu método para levar aqueles eleitos a essa realidade para que essa relação realmente aconteça? É aí que entra a palavra redenção. Ele teve que nos redimir, porque éramos prisioneiros do pecado e Deus nos comprou para Si. Portanto, a redenção é a palavra-chave. Vejamos Efésios 1:6-10, que diz:

6 Para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado,
7 No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça,
8 Que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, 9 Desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo,
10 De fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra

Agora, eu não sei se há uma parte comparável a esta na Bíblia que trate da delineação da redenção… talvez Romanos 3. Mas, esta é uma declaração fantástica do significado da redenção. Para que Deus traga seus eleitos para a herança futura Ele tem que resgatá-los. E então, olhamos para o conceito de redenção.

Em primeiro lugar, o que é a redenção? Aqui está uma definição teológica. A redenção é um ato de Deus pelo qual Ele mesmo paga como resgate o preço do pecado que indignou a Sua santidade. Isso é a redenção. Basicamente, é a libertação pelo pagamento de um preço.

Duas palavras no Novo Testamento são usadas na língua grega para a palavra redenção. A primeira é “agorazo”, que significa “comprar algo para se tornar seu”. Mas, há outra palavra e talvez até uma palavra mais forte, e essa é a palavra que é usada aqui, é a palavra “lutroo”, e também temos a palavra “apolutrose” que traduzimos como redenção. Isso significa pagar um preço para libertar alguém da escravidão.

Agora, você pode olhar para essa palavra dessa maneira: naqueles dias, nesta parte do mundo, havia 6 milhões de escravos no Império Romano. Comprar e vender escravos era algo muito comum, tal como compravam e vendiam animais. Mas, de vez em quando, alguém comprava um escravo pelo desejo de libertá-lo. Isso é “lutroo”. E essa é a palavra usada aqui nesse trecho de Efésios: “em quem temos ‘apolutrose’…”, ou seja, “em quem temos a compra que nos liberta”. A redenção é, então, a libertação através do pagamento de um preço.

Todo aquele que vem ao mundo é um cativo, diz a Bíblia. Somos escravos. Nenhum homem é livre. E de quem os homens são escravos? Quem é o aprisionador? Quem é o aprisionador de cada homem? Ouça isto, João 8:34, Jesus diz: “Todo o que comete pecado é escravo do pecado”. Romanos 8:21 fala do “cativeiro da corrupção”. Romanos 7:14 fala de “vendido à escravidão do pecado”. Romanos 6:17 fala de “escravos do pecado”. O grande aprisionador é o pecado.

Então, o pecado é o aprisionador que segura os homens. O pecado exige um preço a ser pago para liberar sua vítima. Qual é esse preço? O preço ou o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23). Assim, para comprar os pecadores das garras do pecado, deve haver morte. Hebreus 9:22 diz que “sem derramamento de sangue, não há remissão”. Ezequiel 18:4 e 20 diz: “a alma que pecar, essa morrerá”. O salário ou o preço do pecado é a morte. Mas, Jesus nos redimiu. O que isso significa? Ele pagou o preço do pecado para libertar o escravo, para lhe dar a liberdade. Esse é o cerne da redenção. Isso é exatamente o que Ele fez. Ele pagou o preço para nos libertar.

Gálatas 5:1 diz: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. Para a liberdade, Cristo nos libertou. Gálatas 1:4 diz: “[Jesus] se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai”. Em outras palavras, Cristo nos libertou do mal. Livrou-nos do jugo da escravidão.

Colossenses 1:13-14 diz que “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados”. Se você olha Romanos 6:18, vê essencialmente o mesmo pensamento: “e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”. Livres deste presente século perverso, livres da corrupção, do jugo da escravidão e do pecado. Por meio de quê? Por ter sido pago o preço que o pecado exigiu. Essa é a redenção. Gálatas 3:13 diz que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar”. Hebreus 2:14-15 diz:

Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.

A escravidão do pecado e da morte mantém os homens cativos. E Cristo veio nos comprar pagando o preço. Essa é a redenção. É o que o termo significa.

Agora, para ajudá-lo a entender isto com mais profundidade, permita-me compará-lo com algumas outras coisas. E, em comparação, você verá sua distinção. Há cinco palavras gregas no Novo Testamento que possuem um sentido legal, jurídico. Elas se referem a procedimentos legais do Império Romano da época. Deixe-me compartilhá-las com vocês e, após, vou lhes mostrar no que elas diferem.

A primeira dessas palavras é “dikaiose”, que significa absolvição no tribunal, ou seja, quando alguém era absolvido da acusação de um crime. Essa palavra é traduzida na Bíblia como ‘justificação’. Algumas vezes é traduzida como ‘justiça’, mas geralmente como ‘justificação’. Alguém que foi ‘justificado’.

Há uma segunda palavra: “afasia”. Essa palavra significa cancelar uma dívida. Às vezes, havia uma ação judicial ou uma disputa no tribunal e ocorria um julgamento que concluía que o acusado de ser devedor não devia qualquer coisa. Assim, a dívida era cancelada, pois o preço havia sido pago. No seu sentido legal, significa cancelar uma dívida. Traduzimos essa palavra na Bíblia como ‘perdão’.

A terceira palavra é “huiothesia”. E essa é uma palavra que significa “adoção”. Uma família se dirigia ao tribunal para adotar um filho. Agora, a Bíblia realmente a usa para falar de filiação, tornar-se um filho de Deus.

A quarta palavra “katallasso”, que legalmente significa ‘reconciliação’. Às vezes, as pessoas iam ao tribunal para se divorciar, mas então eram reconciliadas. Ou às vezes duas partes oponentes se apresentavam em juízo e lá havia uma reconciliação que encerrava a demanda. É exatamente assim que a traduzimos na Bíblia. Paulo diz: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” (II Coríntios 5:19).

A quinta palavra é “apolutrose”, significa “redimir”, comprar um escravo com a finalidade de o libertar. É traduzida como “redenção”.

Agora, ouça e vou mostrar a você a distinção dessas palavras.

Na justificação, o pecador está diante de Deus sendo acusado, mas ele é declarado justo.
No perdão, a segunda palavra, o pecador está diante de Deus como devedor e recebe um cancelamento de sua dívida.
Na adoção, o pecador está diante de Deus como um estranho, mas ele é feito … o que? … filho.
Na reconciliação, o pecador está diante de Deus como um inimigo, mas ele é feito amigo.
Na redenção, o pecador está diante de Deus como um escravo e ele está recebendo sua liberdade.

Todos esses termos falam do maravilhoso milagre da salvação: justificação, perdão, adoção, reconciliação e redenção nos são dados porque Jesus pagou o preço. Você entende isso? Somos acusados, mas Ele suportou nossa punição para que possamos ser liberados. Somos devedores, mas Ele pagou nossa dívida. Nós somos estranhos, mas Ele é um Filho e nós fomos feitos filhos Nele. Somos inimigos, mas Ele é o amigo e nós fomos feitos amigos de Deus Nele. Nós somos escravos, mas Ele comprou nossa liberdade.

Todos esses termos são diferentes facetas do magnífico diamante da doutrina da salvação. E, portanto, a redenção é apenas uma maneira de ver o significado da salvação. A redenção significa que Ele nos comprou da escravidão do pecado.

Agora, vejamos isso à medida o texto se desenrola. Vemos cinco aspectos da redenção, como Paulo fala. Em primeiro lugar, o Redentor.

Olhemos juntos para o versículo 6: “… sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”. Quem, então, é o nosso redentor? Em quem temos a redenção? Nós fomos aceitos no Amado. Você vê, porque estamos em Cristo, porque pela fé somos feitos um com Jesus, porque somos o Seu corpo, porque somos Cristo no mundo, nós somos aceitáveis para Deus Nele. E é Nele que temos a redenção. Há apenas um Redentor.

E a razão pela qual podemos ser chamados de amados de Deus é porque estamos no Amado. Ele é aquele em quem temos a redenção. Você sabe, o termo amado era o nome especial de Deus para Seu Filho. Não é difícil saber quem é o Amado aqui no texto, pois é óbvio. Quem é o bem-amado? Ouça o próprio Deus falar e dizer-lhe em Marcos 1:11, no batismo de Jesus: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo” e em Marcos 9:7 na transfiguração: “Este é o meu filho amado; a ele ouvi”.

E, como amado de Deus, Cristo é o destinatário de tudo o que Deus deve dar do Seu amor. E a única maneira de nós podermos receber isso é através de estarmos no Amado.
Então, Cristo é o amado do Pai. É por Ele, porque é Nele que somos redimidos. Somos um com Ele. O Filho é aceito pelo Pai e, se o Filho é aceito pelo Pai e nós estamos no Filho, somos aceitos pelo Pai. Pensamento incrível!

Cristo quer que tenhamos todas as boas coisas. E o Pai ama o Filho. E como o Pai ama o Filho, o Pai concederá ao Filho do Seu amor as coisas que o Filho deseja. E o que o Filho deseja é que tenhamos tudo o que é bom. E assim, essas coisas são nossas Nele. E é por isso que o versículo 3 diz: “Bendito seja o Deus e o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais“. Estamos Nele, somos aceitos. Porque estamos Nele, somos abençoados. Deus nos abençoa por amor a Cristo. Você entende isto. Alguém já escreveu uma vez:

Perto, tão perto de Deus, mais perto não poderia estar, pois na pessoa de Seu Filho estou tão perto quanto Ele. Tão querido por Deus, mais querido não poderia ser, pois na pessoa de Seu Filho sou tão querido quanto Ele.

Ele tem razão. Não há diferença. Nós, Nele, somos aceitos. Olhe para a palavra “aceitos”, literalmente é a palavra grega que diz: “Por graça, fomos agraciados”. Ele nos agraciou, é o que o grego diz. É como nos dar toneladas de graça. Nós temos sido agraciados. Essa é a ideia. Graça através da qual Ele nos agraciou.

Nota do Site: A palavra grega para “graça” é “charis”. Essa palavra significa “algo que delicia ou traz alegria, um favor, algo dado não por merecimento”.

Então, ouça isso, Deus pode dizer de todo cristão: “Este é meu filho amado em quem me alegro”. Não é tremendo isto? Cristo pagou o preço, Ele nos comprou e nos fez um com Ele mesmo. Ele é o Redentor. E não existe outro redentor, apenas Ele.

Em segundo lugar, não só vemos o Redentor mas os redimidos. Quem são os redimidos? Todos os crentes. “…Graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção” (Efésios 1:6-7).

Veja Efésios 2:1, que diz: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”. Essa é a primeira verdade a ser dita sobre nós: pecadores apodrecidos. E diz mais no verso 2: “andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”. Então nós estávamos mortos em ofensas e pecados, andando de acordo com o curso do mundo, de acordo com Satanás. O verso 3 acrescenta que andávamos “segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira”. Esse era o nosso tenebroso quadro.

O versículo 11 diz que éramos pagãos (gentios na carne). O verso 12 diz que estávamos “sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo”. Bem, isso é onde eu e você estávamos. Efésios 4:17-19 ainda diz que andávamos “na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza”.

Isto tudo diz respeito de onde saímos. Éramos enlouquecidos, gananciosos, cegos, ignorantes, alienados, obscuros, vaidosos, estranhos, sem esperança, sem Deus, vagando de um lado para o outro, buscando o mal, seguindo Satanás. Mas Deus quis nos redimir.

Tito 2 14-15 diz que Jesus “a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”. Jesus disse: “não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento” (Marcos 2:17). Tudo isto se refere a nós, os pecadores. Incrível!

Deus não enviou Jesus para vir buscar pessoas boas. A Bíblia declara: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). Não havia nenhum justo. Então, Ele redimiu os pecadores. Nós somos os escolhidos de Deus, os que responderam, pela fé que nos foi dada, a esse propósito eletivo de Deus feito antes dos tempos dos séculos. Se isto não lhe dá uma plena satisfação e autoestima, nada mais poderá produzi-las.

E em terceiro lugar, o preço redentor. Isso está no versículo 7: “no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. Esse foi o preço. “O salário do pecado é a morte”. O preço era a morte, alguém tinha que morrer. E Jesus fez. Foi uma morte substitutiva. Ele derramou a Sua vida por nós. Foi uma morte sacrificial, substitutiva e violenta pelo pecado. Sua vida foi derramada por nós. Isso implica substituição.

O Novo Testamento diz, por exemplo, que Ele deu o Seu sangue, Sua alma, Sua vida e diz que Ele se entregou. Tudo significa a mesma coisa. Ele morreu por nós, Ele foi um substituto na cruz por nós. Deveríamos ter estado lá e morrer. Mas a justiça de Deus é misturada com a Sua misericórdia. Então, Deus providenciou um substituto.

E o substituto foi Jesus. E o seu sangue e a Sua morte fizeram a redenção. Hebreus 10:8 diz que Deus não se agradou dos sacrifícios pelos pecados que se ofereciam segundo a lei. Mas, no verso 10 diz que “temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez”. Através de seu sangue no calvário, Jesus nos resgatou da condição de escravos do pecado e nos comprou para Deus. I Pedro 1:18-21 diz de forma maravilhosa:

Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus;

Entendo por que todo esse canto celestial está acontecendo no capítulo 5 de Apocalipse, versos 9 e 10:

E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.

E de forma maravilhosa, os versos 12 e 13 declaram:

Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.

Todas essas declarações dizem respeito à grandiosa obra da redenção. Jesus pagou o preço. O sangue de Jesus Cristo pagou o preço pelo pecado, libertou escravos do cativeiro do pecado. Além disso, eles se tornaram filhos de Deus, unidos com Jesus Cristo, para que se tornem um em Cristo e que todo bem que o Pai dá ao Filho se torne seu no Filho.

Em quarto lugar, Paulo fala sobre os resultados da redenção. O que significa ser redimido? Quais são os resultados?

Ele apresenta duas áreas de resultados. Em primeiro lugar, no versículo 7: o perdão dos pecados de acordo com as riquezas de Sua graça. Em quem temos a redenção através do Seu sangue, o que significa o perdão dos pecados de acordo com as riquezas da Sua graça, o perdão. Essa é uma palavra absolutamente emocionante, com tanto significado e tanta riqueza que não há como descrever em um sermão. Ao ensinar sobre a ceia, Jesus disse: “porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mateus 26:28). Esse é o resultado redentor, o perdão. Eu não sei sobre você, mas é bom ser perdoado. Oh, que herança temos, o perdão!

Israel no Antigo Testamento entendeu isso. Sabe, quando tiveram o Dia da Expiação [Yom Kipur ou Ioum Quipúr é o Dia do Perdão em Israel], dia da expiação nacional pelo pecado, havia dois bodes usados pelo sumo sacerdote. O sangue de um bode era salpicado no altar. O outro bode, o sacerdote o pegava e colocava as mãos sobre a cabeça dele e, por assim dizer, depositava todos os pecados do povo na cabeça daquele bode. Ele confessava os pecados do povo na cabeça daquele bode.

E aquele animal era, então, retirado e enviado para o deserto, onde nunca poderia encontrar o caminho de volta. Isso simbolizava a tomada do pecado e o envio do mesmo para onde nunca mais seria visto novamente. Amado, essa é exatamente a palavra usada aqui para o perdão. É a palavra grega “aphiemi”, que significa “enviar, nunca mais retornar”. Nossos pecados, então, foram enviados para nunca mais voltarem. Não é incrível?

Agora, ouça isto com atenção, lembre-se onde estamos no capítulo 1: tudo isso aconteceu na mente de Deus na eternidade passada, antes do início do mundo. Seus pecados e os meus já estavam na mente de Deus totalmente perdoados, antes que o mundo fosse criado. Que pensamento!

E alguns cristãos parecem tão deprimidos, porque pensam que Deus mantém seus pecados contra eles. Não, o bode foi enviado, assim como seus pecados. Deus olhou pelos corredores do tempo – colocando isso em termos antropomórficos – Ele olhou para o corredor do tempo, Ele viu você e seus pecados, Ele viu que Jesus morreria por seu pecado, Ele escolheu você para chamar a Si mesmo e nesse ponto, em Sua mente, Ele descartou seu pecado de Seus pensamentos para sempre. Tudo isto na eternidade passada, antes de você ter nascido.

O Salmo 103:12 diz para quão longe foi esse bode: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões”. Percebe aqui a distância? Ou seja, é o infinito. Isaías 44:22 diz: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi”. Na redenção nossos pecados foram esquecidos, removidos. Miqueias 7:18-19 é tremendo:

Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.

Nossos pecados foram enviados para uma distância infinita, para nunca mais voltarem. Tudo isso na mente de Deus, antes que o mundo começasse. Em Ricardo III, obra de Shakespeare, é dito: “Minha consciência tem milhares de línguas e cada língua traz seus vários relatos e todo relato me condena”. Isto não é verdade para o cristão.

Quando Jesus entra em nossas vidas, Ele nos diz o que Ele disse àquela mulher terrivelmente assustada, que foi pega no ato de adultério: “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” (João 8:11). Romanos 8:1 diz que “agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.

Você diz: “Mas eu não mereço isso!”. Essa não é a questão. Claro, você não merece isso, nem eu. É através do Seu sangue. Muitos se levantam para dizer que não somos culpados por nossos pecados, dizendo que somos vítimas das circunstâncias e de nossa própria constituição. Mas, há algo profundo na consciência humana que não acredita nesta mentira. Por mais que o homem tente levar esta ideia à frente, ele sabe que aquilo não é a verdade.

Então, o que o evangelho faz? Ele vem e diz: ‘Ei, você é culpado! Não é culpa de sua mãe, nem de seu pai, nem de ninguém. É você! Não são seus genes, não são suas circunstâncias. Você é um pecador!’. O Evangelho é simples e claro. Você diz: “Oh! Não sei se posso lidar com isso”. Você pode lidar com isso, porque tem uma provisão para você. Há Aquele que pagou o preço para perdoar todo pecado e remover a culpa totalmente. Cristo nos libertou. E, a propósito, o perdão está completo.

I João 2:12 diz: “Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados”. Efésios 4:32 diz: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”.

As pessoas pensam: “Bem, você sabe, só quando fui salvo, todos meus pecados foram perdoados, mas desde então, eu tenho que lutar para manter a ficha limpa…”.

Não. Seus pecados foram perdoados antes de você ter nascido. Quando Jesus morreu na cruz, eles estavam todos lá. Deus tinha isso em Sua mente antes que o mundo começasse. Estava tudo lá, tudo era cuidado, estava tudo acabado. E é exatamente o que Jesus disse a Pedro: “Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais tudo está limpo” (João 13:10). E enquanto você atravessa o mundo e no dia a dia você peca, o Espírito Santo faz um pouco de trabalho de limpeza, apenas para mantê-lo limpo. E é isso que I João 1:9 diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. É constante esta limpeza.

Você diz: “Isso significa que Deus me aceita?”. Sim, é verdade, Deus aceita você. Ele aceita você no Amado, não com base em sua boa aparência ou sua mente ou suas obras, mas com base em Seu plano antes da fundação do mundo. Não há cristãos de segunda classe. Nós somos todos em Cristo, como Cristo, filhos amados, totalmente perdoados. E se você não pode se perdoar, você está querendo ser mais do que Deus.

Você não pode imaginar que Deus não saiba algo sobre você ou que você possa ter um padrão mais elevado que Deus. Se isto passa em sua mente, você tem um problema real. Você pensa que é Deus. Mas a verdade bíblica é que Ele nos perdoou desde a eternidade passada, isso é tremendo. E é por isso que você é aceito. E se Ele aceita você, então, aceite-se.

Sou um amigo íntimo do Deus Todo-Poderoso do universo. Agora mesmo Ele está lá preparando um lugar para mim, para que, quando eu sair daqui, eu vá morar com Ele para sempre. Além disso, Ele dispensou sobre mim “toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). Bendito seja o Senhor! Deus conhece toda minha realidade, mas Ele me recebeu porque estou em Cristo, Aquele que o satisfaz plenamente. E tudo isto aconteceu antes da fundação do mundo, antes do meu nascimento. Isto é glorioso!

Você diz: “Mas quanto perdão! Eu não sei se há suficiente para todos”. Efésios 1:7 diz: “a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. A graça é um favor imerecido. Toda a graça é baseada em Seu amor. Mas, Ele sempre nos dá de acordo com Suas riquezas. Quão rico é Ele? Uma riqueza indescritível, não há palavras, então não há sentido em tentar descrevê-la. Ele tem graça infinita. Então, Ele sempre nos dá perdão de acordo com a riqueza de Sua graça.

Assim, o primeiro resultado da redenção é o perdão. O segundo é sabedoria e prudência. Efésios 1:8 diz: “que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência”. Sempre que Deus faz algo, Ele abunda. Quero dizer, ele não apenas entrega coisas em pequenos incrementos. Ele está com você. Ele abunda, é superabundante em sabedoria e prudência.

Ele nos perdoou e agora Ele nos dá Seu plano. Deixe-me distinguir estas palavras. Ele fez transbordar. O verbo significa transbordar, superabundar. A primeira palavra, a sabedoria, é “sophia”, tem a ver com a sabedoria em coisas eternas, como a vida e a morte, Deus e o homem, o pecado, a eternidade e o tempo. É teológico. Mas, a segunda palavra é prudência e é “phronesis” no grego, e isso significa uma visão das coisas terrenas, do dia a dia da vida.

Deus nos dá os recursos para compreendê-Lo e caminhar pelo mundo no dia a dia. Somos equipados para a vida espiritual em meio a um mundo como o nosso. Ele nos dá discernimento espiritual, somos os mais sábios. Ele nos deu os segredos do universo e nos elevou à Sua intimidade.

Andre Maurois, o filósofo francês, disse:

O universo é indiferente. Quem o criou? Por que estamos nesse amontoado de lama, girando no espaço infinito? Não tenho a menor ideia e estou convencido de que ninguém tem.

Bem, talvez eu não tenha a inteligência como ele tinha, mas vou lhe contar uma coisa: eu sei a verdade. Jesus disse: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Lucas 10:21). Tiago 1:5 diz que Deus é quem dá sabedoria. Deus nos revelou o conceito de Sua verdade e como o viver no mundo. Esse é o resultado da redenção. Essa é a verdadeira liberdade.

Por fim, o motivo redentor. Por que Ele fez tudo? Qual é a intenção disso? Qual é o propósito?

“Desvendando-nos o mistério da sua vontade” (Efésios 1:9). Ele nos contou esse mistério da igreja, do corpo e de todas essas coisas fantásticas, “segundo o seu beneplácito (bom prazer) que propusera em Cristo”. Ele fez isso sozinho, com os próprios desejos em mente, para Ele. Mas por que Ele fez isso? Por que essa incrível revelação? Por que essa incrível realidade de salvação e redenção?

Para fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra (Efésios 1:10)

No final da história deste mundo, Deus reunirá os cristãos no reino milenar, chamado aqui de “dispensação da plenitude dos tempos”, que significa o final da história (Apocalipse 20:1-6). Depois disso, Deus reunirá todas as coisas com Ele mesmo na eternidade e o novo céu e a nova terra serão criados (Apocalipse 21:1). O novo universo será unificado em Cristo (I Coríntios 15:27-28; Efésios 2:10-11).

Ouça, Deus está redimindo para que Ele possa reunir tudo para Ele. Esse será o dia em que “ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:10-11). Cristo reunirá o universo em unidade.

Agora o universo está estilhaçado, espalhado, dividido. Satanás governa, os demônios dominam e lutam contra Deus e os santos anjos. Mas, naquele momento, os demônios e Satanás serão aprisionados no abismo, depois liberados por um pouco de tempo para sua aventura final e depois serão enviados para o lago de fogo para sempre. E Deus chamará todas as coisas para uma só em Cristo e haverá uma unidade incrível e eterna Nele. Todas as coisas redimidas.

Por que Ele está nos redimindo? Para nos fazer parte do objetivo final da história, para trazer todas as coisas para Si. E os rebeldes serão lançados fora, rejeitados de Sua presença para sempre. Esse é o propósito.

Macbeth disse isso: “A história é um conto contado por um idiota cheio de barulho e fúria, que não significa nada”. Errado, está errado. Deus tem um propósito absolutamente claro, maravilhoso. Na conclusão da história, tudo se junta, você começa a vê-lo em Seu reino milenar, em última análise, nos novos céus e na nova Terra, todas as coisas unidas em Cristo.

Você é redimido? Se você é, espero que você esteja grato. Tudo o que Deus poderia dar, Ele deu a você. Ele planejou no passado. Ele operou isso no presente para que você possa experimentar a plenitude disso no futuro. E é tudo seu através da fé em Jesus Cristo.

Qualquer um que vem a Jesus Cristo recebe este dom da redenção. Esse é o presente que apresentamos a você nesta manhã. Vamos orar.

Enquanto suas cabeças estão curvadas por um momento, Jesus Cristo quer libertá-lo. E Ele quer mantê-lo livre e fazer você parte deste maravilhoso plano. Depende de você deixar que Ele faça isso. Ele lhe oferece um presente e um presente é algo que você apenas recebe, você não o conquista, você simplesmente aceita, simplesmente, em seu próprio coração, dizendo Cristo, eu quero tomar o presente, aceito o fato de que o Senhor morreu por mim, pagou o preço para me libertar. Você pode entrar na vida eterna, aquela existência incrível, esse plano que Ele preparou.

Pai, obrigado pela nossa comunhão nesta manhã, por essas pessoas, que são boas porque estão em Cristo, que é bom. Abençoadas, porque estão no Abençoado. Amadas, porque estão no Bem-Amado. Pai, multiplique sua fecundidade. Multiplique sua alegria e use-os poderosamente nos próximos dias. Faz-nos um esta noite, pois compartilhamos sobre Tua mesa e lembramos da cruz onde o preço foi pago. Obrigado por estar conosco esta manhã, oramos em nome de Cristo. Amém.



Este texto é uma síntese do sermão “Redemption Through His Blood”, de John MacArthur em 29/01/1978.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/1904/redemption-through-his-blood

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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