A fé que moveu Abel

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Vamos continuar hoje nosso estudo sobre a carta aos Hebreus, capítulo 11. Este capítulo foi escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, para ajudar algumas pessoas que talvez não compreendessem completamente a salvação pela fé. Foi escrito para alguns judeus que constituíram uma congregação em algum lugar de Israel. Eles chegaram à fé em Cristo, mas talvez não entendessem completamente a realidade da fé e o papel que a fé sempre desempenhou na salvação.

O povo judeu viveu, por séculos, em uma perversão do judaísmo do Antigo Testamento, num sistema de religião que lhes ensinou que a salvação era resultado de algum mérito por obras. Mas, a salvação é apenas pela fé e não pelas obras (Efésios 2:8-9). Ninguém vai comparecer perante Deus alegando ter méritos de algo que tenha feito. O capítulo 10 de Hebreus termina dizendo que “o justo viverá da fé” (v.38). A mesma afirmação que está em Romanos 1:17 e Gálatas 3:11. Esta frase é uma citação de Habacuque 2:4.

Tão claramente, o escritor de Hebreus nos diz que a Nova Aliança apresenta a salvação pela fé e não pelas obras. E neste capítulo 11, ele mostra que esta era também uma verdade no Antigo Testamento. Ele começa por Abel.

Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala (v.4).

Aqui encontramos Abel, o primeiro homem que veio a Deus pela fé. O objetivo deste capítulo 11 é deixar bem claro aos judeus que a salvação pela fé não é algo novo, é algo muito, muito antigo. Na verdade, o escritor volta no tempo até Abel, pois ele foi o primeiro que exerceu a fé desta maneira.

Você diz: “E quanto a Adão e Eva?” Bem, Adão e Eva não são exemplos de fé, porque tiveram o privilégio antes da Queda de verem. II Coríntios 5:7 diz que “andamos por fé, e não por vista”. Mas, o fato é que Adão e Eva caminharam pela vista. Eles caminharam e conversaram com Deus. Eles tiveram a presença de Deus, a glória Shekinah de Deus com eles no jardim.

Abel foi concebido e nasceu fora do Éden, após a queda do homem. Sua família tinha sido expulsa da presença de Deus, ele nunca viu uma manifestação do Deus invisível. Adão e Eva tinham visto e creram e eu creio que foram salvos. Mas, Abel não tinha visto e cria, e é por isso que ele é o primeiro na lista de exemplos de fé, o primeiro homem de fé.

Agora, olhamos para este único versículo, e aqui estão três identificações progressivas ligadas a Abel. Em primeiro lugar, ele ofereceu um sacrifício mais excelente do que Caim. Em segundo lugar, ele obteve testemunho de Deus que ele era justo, pela aceitação de sua oferta. Em terceiro lugar, através da fé, embora esteja morto, ele ainda fala. Então, ele é um modelo de fé no sacrifício que trouxe. Ele é um modelo de fé na justiça que recebeu e ele é um modelo de fé como um pregador da fé, mesmo que esteja morto, ele ainda fala. Você pode chamar isso de sermão de um homem morto.

Porque ele cria, ele ofereceu um sacrifício melhor. Porque ele ofereceu um sacrifício melhor, Deus testificou que isso era uma prova de que ele tinha sido feito justo. Por ter sido feito justo, declarado justo, ele é, para todas as eras, uma voz viva, afirmando a grande verdade exposta no Novo e Velho Testamento: “O justo viverá pela fé”.

Ele ofereceu um sacrifício melhor

Ele foi declarado justo por Deus. Essa é uma declaração melhor do que dizer que ele foi feito justo. Ele foi declarado justo. Havia evidências de que havia mais do que apenas uma declaração, mas a declaração foi completa, pois a justiça foi creditada em sua conta. E então, ele se torna um modelo de fé, um pregador de fé para todos os que conhecem o seu testemunho.

Agora, para ver os elementos que compõem este modelo de fé, devemos voltar para Gênesis 4. Vamos cavar um pouco mais fundo na história que é contada lá e depois voltaremos para Hebreus, conforme necessário. Você já conhece bem a história de Abel, irei apenas fazer alguns comentários. O verso 1 diz:

Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do Senhor.

Então, aqui somos apresentados ao primeiro filho nascido cujo nome é Caim, que significa “obter” ou “conseguir”. Um nome muito simples, indicando que ela tinha conseguido um filho.

Adão e Eva receberam uma promessa de Deus antes da expulsão do Éden: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Esta é a promessa de que a mulher teria uma semente que feriria a cabeça da serpente. A promessa é essencialmente que a semente da mulher viria, venceria o inimigo que interrompeu a comunhão deles com Deus, implicando recuperação da comunhão do homem com Deus. A semente da mulher seria usada para reconciliação, restauração e recuperação.

Assim, antes de Deus ter agido no julgamento, mostrou misericórdia, antes mesmo de expulsar os pecadores do Éden. Ele lhes deu essa promessa abençoada de que uma mulher teria um filho que esmagaria a cabeça da serpente e levaria a reconciliação, a própria restauração da comunhão que havia sido perdida através da ação de Satanás. Satanás trouxe a Queda do Homem e Deus prometeu que viria alguém que esmagaria Satanás.

Por uma mulher entrou o pecado, por uma mulher viria o Salvador. Por uma mulher o paraíso foi perdido e por uma mulher o paraíso seria reencontrado. Viria a descendência (semente) da mulher. Esta é uma profecia sobre Jesus Cristo. A semente está no homem, mas a semente de uma mulher é uma promessa muito, muito singular, de que haveria uma mulher que teria nela uma semente. Nós sabemos que seria Maria e a semente seria nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. Penso que Eva não entendeu a dimensão daquela promessa. E é muito possível que, quando ela focou grávida, pensou ser o cumprimento daquela profecia.

A razão pela qual pensamos que isso pode ser verdade é porque quando o filho nasceu, ela deu-lhe o nome de Caim, que quer dizer “eu consegui”. Ou outra maneira de traduzir isso é “ele está aqui”, sugerem alguns comentaristas. Então, ela pode ter pensado que ele era a semente prometida. Longe de ser uma verdade este pensamento de Eva, Caim acabou por ser o primeiro criminoso. Adão e Eva jamais poderiam ter produzido o libertador, que seria o Filho de Deus, nascido de uma virgem e concebido pelo Espírito Santo.

O versículo 2 diz: “Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador”. Abel significa algo como “fôlego”, “respiração” ou “sopro”. Metaforicamente, seria “breve”, “fraco”. A vida deste homem foi como Tiago disse: “Um vapor que aparece por um pouco de tempo e desaparece” (Tiago 4:14). Era apenas um vapor. O Salmo 144:4 diz que “O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa”. E Abel é um modelo disso. Sua vida era apenas uma respiração muito breve.

Gênesis 4:2 diz que Abel foi pastor de rebanhos, e Caim, lavrador. Um se ocupava na criação de animais, o outro estava na agricultura. Ambos eram pecadores, ambos foram concebidos por pais caídos. Ambos nasceram após a queda e fora do Jardim.

Diferentemente do que dizem os evolucionistas e mesmo alguns que se dizem cristãos, Adão, Eva, Caim e Abel foram pessoas reais, plenamente humanas e não mitos. Sou convencido de que eles eram muito mais inteligentes do que nós, pois os efeitos acumulados da queda eram menores naquele tempo. O ser humano foi definhando pelos estragos do pecado. Eles viveram longos anos, muitas vezes mais que o homem atual. Eles acumularam muitas experiências e conhecimentos.

Esses dois filhos tinham conhecimento de ferramentas, dominavam a agricultura e pecuária. Quando Adão e Eva chegaram ao mundo, eles sabiam o que precisavam saber, eram seres humanos plenamente desenvolvidos com todas as suas faculdades, à imagem de Deus.

Eles não eram ferozes habitantes de cavernas, como a ciência pensa dos primeiros seres humanos. O evolucionismo discorda, mas precisa encontrar pelo menos 3 milhões de elos perdidos para provar a veracidade aceitável de vidas intermediárias que sua teoria propaga. Vivo ou morto, nenhum cientista jamais encontrou sequer um. Então, temos nos versos 3 e 4 de Gênesis 4:

Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta.

O testemunho de Hebreus 11:4 é que Abel foi um modelo de fé e, pela fé, ofereceu um sacrifício melhor. E agora, estamos chegando onde aquele ato de fé obediente ocorreu.

No que diz respeito ao ato de adoração que é descrito aqui, existem alguns componentes que penso serem muito interessantes. Primeiro, havia um lugar onde Deus devia ser adorado. Eles levaram suas ofertas a um determinado lugar estabelecido por Deus. Pode ter sido o local onde a espada flamejante do Senhor guardava o caminho da Árvore da Vida (Gênesis 3:24), talvez a espada fosse o símbolo da presença do Senhor.

É interessante que também havia um tempo determinado para a adoração. O versículo 3 diz “fim de uns tempos”. Talvez fosse o fim de uma determinada semana ou mês, um determinado dia para a expiação ser feita. Deus é um Deus de ordem. E, aparentemente, Deus havia prescrito um período específico de tempo para eles comparecerem diante Dele e oferecer sacrifícios.

Então, havia um lugar, um tempo e uma maneira de adorar. Abel entendeu o caminho e obedeceu. Por sua parte, no versículo 4, ele trouxe os primogênitos de seu rebanho e de suas porções gordas e o Senhor considerou Abel e sua oferta. Por outro lado, o versículos 3 diz que Caim trouxe uma oferta ao Senhor do fruto do terra, e o Senhor não atentou para ela (v.5).

Estes dois filhos de Adão e Eva tinham sido instruídos de forma direta sobre que havia um lugar, um tempo e uma maneira para adoração. Deus havia revelado. E quando Hebreus 11:4 diz que “pela fé Abel ofereceu um sacrifício aceitável”, fé em que? Fé na revelação de Deus. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus.

Este não é um tipo de fé nebulosa. Esta é a fé que diz: “Ouvi Deus, creio no que Ele disse e vou obedecer”. Não foi um capricho. Ele creu e evidenciou sua fé ao obedecer a vontade revelada de Deus. E é por isso que ele é um modelo de fé. Ele ouviu a verdade, creu na verdade e ele obedeceu a verdade. Ele adorava na forma como Deus havia ordenado que a adoração fosse feita.

Houve uma pequena prévia disso que talvez tenha chegado ao conhecimento de Caim e Abel. Após a queda, quando Adão e Eva estavam nus no Éden, “o Senhor Deus fez vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu”. Esta foi a primeira morte da história, a morte de um animal para fazer vestimentas de pele para dois pecadores.

Então, aqui está o modelo de sacrifício, o modelo de cobertura. Certamente teria sido bem conhecido de Caim e Abel. Talvez a história de Deus os cobrindo tenha sido dita pelos pais em muitas ocasiões.

Agora, isso não quer dizer que Deus rejeite todas as ofertas de frutos, oferendas de cereais e ofertas de vegetais. Você tem no livro de Levítico alguns desses tipos de ofertas. Levítico 19:23-25 fala de momentos em que frutos e cereais deveriam ser trazidos ao Senhor. Mas, a primeira e primária oferta, a única que poderia expiar o pecado, era o sacrifício de sangue.

Então vemos que Abel fez o que Deus exigiu. Essa é a primeira característica sobre seu ato de fé, ele trouxe o sacrifício certo que era requerido por Deus. Este é um ato de fé obediente. Pela fé, ele trouxe um sacrifício mais excelente do que Caim. Foi melhor, porque era sangue e era melhor porque era necessário como um sacrifício pelo pecado.

Em um sentido real, era uma imagem do sacrifício maior que seria oferecido por Cristo. Hebreus 12:24 diz: “E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel”. O sangue que Abel ofereceu era o sacrifício certo na época. O sangue de Cristo é muito superior ao sacrifício de sangue oferecido por Abel.

Eu quero que você perceba que não era simplesmente por Abel ter trazido sangue, mas ele trouxe, de acordo com o versículo 4, os primogênitos de seu rebanho e suas porções gordas. Isso é muito antes da Lei, que exigia o melhor para o sacrifício (Levítico 1:3,10; 3:1,6; 4:3,23,28, 32 etc. etc.). Mas do coração, Abel, agindo em fé obediente, fez o que Deus lhe disse para fazer, e trouxe o melhor que tinha em seu rebanho.

Abel cria em Deus e aproximou-se Dele nos termos que Deus havia divinamente designado. Por outro lado, Caim não fez isso. Ele não creu que precisava trazer um sacrifício como Deus havia estabelecido como necessário. Ele pensou que poderia se aproximar de Deus por seus próprios termos, seu próprio sacrifício e habilidades. Ao contrário de Abel, Caim não reconheceu a necessidade de expiação. Está claro que Caim e Abel sabiam que, para Deus, a morte, a expiação e a cobertura eram necessárias.

Caim não reconheceu seu pecado, não reconheceu a necessidade de sacrifício de sangue e expiação. Pensou que poderia se aproximar de Deus sem sacrifício e sem expiação. Ele criou sua própria religião. Judas 11 diz: “Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim…”. O caminho de Caim é o caminho da falsa religião. Caim criou a primeira falsa religião. Ele é o pai de toda religião falsa, onde formas e esquemas criados por homens são usadas para tentar agradar a Deus. Todos esses esquemas e formas fracassam. A religião falsa é um fracasso.

É interessante pensar que não há um comentário aqui no texto de Hebreus sobre o caráter de Caim e de Abel, se eles eram bons ou maus. Por quê? Não importa quem e como você seja, ninguém pode ser salvo por qualquer de seus próprios esforços, justiças e trabalho. Alguém só pode chegar à salvação se reconhecer que é um pecador e necessita desesperadamente do sacrifício de sangue e da expiação. Não importa como era Caim ou Abel, eles precisavam da mesma coisa.

Então, Caim é o pai da falsa religião. Abel é o pai, assim por dizer, da verdadeira religião, aquela que reconhece o pecado, a necessidade de sacrifício e vem a Deus desejando expiação, uma referência ao sacrifício de Cristo. Caim não reconheceu seu pecado e, portanto, a necessidade de sacrifício pelo pecado. Ele desobedeceu e foi rejeitado (v.5).

O verso 16 diz que “Caim retirou-se da presença do Senhor”. É aí que todas as pessoas de falsas religiões terminam: fora da presença do Senhor. E ele construiu uma cidade (v.17), a primeira cidade do homem, o início do sistema mundano. A falsa religião está em sintonia com o sistema mundano. Ele escolheu seguir seu próprio caminho e não o de Deus.

O versículo 5 diz que Caim irou-se por ter sua oferta rejeitada. O Senhor lhe perguntou: “Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante?”. O Senhor não está procurando informações, Ele apenas quer ouvir do próprio Caim e tocar seu coração. O Senhor diz: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito?” (v.7).
Ou seja: “Por que você não faz o que é certo? Por que você não traz um sacrifício de animais? Vá para o seu irmão, negocie com ele, compre um animal, ele pode lhe dar um, traga esse animal”. Deus concede a Caim o convite para obedecer. É um convite ao perdão, é um convite para a vida.

Em outras palavras, o Senhor diz a Caim, no verso 7 : “Se tivesse feito o que é certo, sua oferta seria aceita; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, à sua espera. Ele quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo”. É cristalino neste versículo que Caim e Abel sabiam o que Deus exigia. Deus não precisou explicar o que Caim deveria fazer. Não há ignorância aqui.

O sacrifício que Abel ofereceu não foi algo do acaso. Ele sabia o que Deus queria. Abel agiu de maneira correta, porque agiu obedientemente à Palavra de Deus pela fé, acreditando na Palavra de Deus e crendo que se ele veio com um coração penitente, reconhecendo seu pecado e sabendo que precisava de um sacrifício de sangue por seu pecado, assim ele seria aceito.

Caim, por outro lado, era maligno e não admitia, não pensava que precisava de um sacrifício por seu pecado, não acreditava que a Palavra de Deus era importante, não obedeceu à Palavra de Deus e foi rejeitado. Mas, mesmo nesse ponto, é incrível que Deus o tenha convidado a pensar e a fazer o que era certo.

Caim era de Satanás. A vida de Caim era má. Suas ações eram malignas. E isso é um reflexo do mal do seu coração. I João 3:12 diz: “Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas”.

Ao dizer que Abel era justo, João não está dizendo que de si mesmo Abel poderia agradar a Deus. Sua justiça procedia do reconhecimento de seu pecado e do sacrifício de sangue como expiação. Os pecadores precisam ser cobertos, eles não podem se cobrir por si mesmos. Deus deve fornecer a cobertura e a cobertura é fornecida pela morte do Cordeiro Santo de Deus, tipificado no tempo de Abel pela morte de um animal.

Neste ponto da Bíblia, a estrada até a cruz começou a ser construída. A estrada até a cruz começou a ser construída aqui. Seria um cordeiro para um homem. Mais tarde, na Páscoa, seria um cordeiro para uma família. Então, no Dia da Expiação, seria um cordeiro para a nação. E então, no Calvário, seria um cordeiro para o mundo. É aí que a vida da fé realmente começa. Começa com o reconhecimento do pecado e a necessidade de um sacrifício expiatório.

Abel se inclina para a verdade. A verdade é que ele é um pecador e está sob a sentença de morte. A verdade é que Deus criou um substituto para o lugar dele. A verdade é trazer essa oferta e Deus proporcionará o perdão. E é exatamente isso que ele fez.

Caim, por outro lado, é o primeiro hipócrita, o primeiro falso religioso que se recusa a obedecer a vontade revelada de Deus, protege sua rebelião, no entanto, em uma atividade religiosa, aparece na presença de Deus com uma oferta. Este é o caminho de Caim em Judas 11, o caminho da falsa religião. Este é o caminho dos fariseus e de todos os falsos religiosos. Então, a primeira coisa que aprendemos sobre Abel é que ele trouxe um sacrifício mais excelente porque era o que Deus exigia.

Ele obteve testemunho de Deus que era justo

A segunda coisa que aprendemos sobre o versículo 4 de Hebreus 11 é que Deus testificou que Abel era justo. E isso é tão fundamental no evangelho, porque é quando nós chegamos a Cristo, que é nosso sacrifício, reconhecemos que somos pecadores e que Jesus pagou totalmente nosso pecado. Nós abraçamos isso pela fé, cremos e agimos sobre isso e, por assim dizer, chegamos ao altar e abraçamos o sacrifício de Cristo como nosso próprio sacrifício, sendo oferecidos a Deus. É nesse momento que Deus dá testemunho de que somos declarados justos. E é exatamente isso que aconteceu.

O sacrifício tinha que ser repetido durante toda a vida, mas, no Novo Testamento, “Cristo, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus… porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hebreus 10:12,14). O sacrifício de Cristo satisfez Deus plenamente.

Deus não aceitou Abel pelo que estava em Abel, por algo nele que O impressionasse. Não. Deus respeitou Abel por causa da sua oferta, porque ele creu na revelação de Deus sobre a necessidade do sacrifício de sangue. Abel foi tão pecador quanto Caim. Ele era tão sujeito ao julgamento eterno quanto Caim. Mas ele cria e obedecia a Deus, e aquela fé o justificou.

E aqui você tem a primeira vez que temos um registro na Escritura de justiça sendo creditada na conta de um pecador que obedeceu. Esta é uma declaração monumental. É creditado em sua conta. Deus dá testemunho de que este homem, Abel, alcançou a justiça. Seu ato, um ato de fé, foi um ato que trouxe a justiça de Deus para cobri-lo. É impressionante entender a doutrina da justificação. Abel honrou a Deus, trouxe o sacrifício certo. Deus honrou Abel, imputou justiça a ele. Imagine ter Deus testemunhando que você é justo!

Somos encorajados por sabermos que não confiamos em sacrifícios de animais, mas no sacrifício perfeito de Jesus Cristo. É Cristo que nos justifica. Que tremenda verdade! Ele imputa justiça aos seus eleitos. II Coríntios 5:21 diz que “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

Então, antes de tudo, Abel ofereceu o sacrifício certo. Em segundo lugar, a justiça foi creditada em sua conta. I Samuel 2:30 diz: “aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados”. E que maior honra Deus poderia conceder a qualquer pessoa a não ser atribuir a alguém a justiça? Paulo diz: “E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Filipenses 3:9).

‘Abel recebeu testemunho’, é outra maneira de traduzir isso em Hebreus 11:4. Afirmação de Deus, mais do que afirmação, uma declaração de Deus, uma proclamação de Deus. Deus afirma abertamente diante de todas as hostes do céu que a justiça já foi concedida a este pecador penitente.

Bem, o outro lado da história, é claro, é Caim. Ele teve uma oportunidade, como mostrei nos versículos 6 e 7, para fazer o que é certo. Ele realmente não teve interesse em fazer isso. Deus está lhe oferecendo misericórdia. Deus está dizendo: “Caim, volte para o Meu altar. Ofereça o sacrifício certo em fé obediente e você será aceito. O pecado está como uma fera perto de você, pronto para devorá-lo”.

O verso 8 de Gênesis 4 diz: “Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão e o matou”. Esta foi a escolha de Caim. Ele levou seu irmão para longe do lugar de sacrifício para matá-lo. Foi o primeiro assassinato, a primeira morte de um ser humano. Ele sabia exatamente o que estava fazendo, ele sabia que um ferimento produziria a morte, pois isto era claro na oferta de sacrifícios. Caim cedeu a Satanás. Ele é do maligno, como diz I João 3:12. Satanás foi seu pai, como podemos ver em João 8:44, que diz:

Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.

Em Gênesis 4:9, o Senhor pergunta a Caim: “Onde está Abel, teu irmão?”. E então, Caim agrava seu pecado, adicionando a mentira ao responder: “Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?”. No verso 10 o Senhor responde: “Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim”. E Caim, que era tão orgulhoso com seu domínio sobre a terra, recebe uma maldição:

És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra (Gênesis 4:11-12)

Nos versos 13 a 15, Caim queixa-se a Deus relatando a terrível situação de vida que o esperava. A triste realidade aqui é que não há arrependimento, ele apenas lamentou o duro castigo. Não demonstrou qualquer tristeza pelo pecado. Ele quis evitar as consequências. Houve remorso, mas não houve arrependimento. O Senhor lhe deu um sinal para que ninguém o matasse.

Ele foi o primeiro apóstata, o primeiro a criar a falsa religião. Ele reconhecia a existência de Deus? Sim. Ele reconhecia o poder de Deus? Sim. Ele reconhecia a soberania de Deus? Sim. Ele reconhecia que Deus deveria ser adorado? Sim. Ele reconhecia o Deus da colheita? Sim. Mas ele não reconheceu o Deus que exigiu um sacrifício de sangue, porque não queria reconhecer seu próprio pecado. E assim, o verso 16 diz que “retirou-se Caim da presença do Senhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden”. Ele nunca mais voltou à presença do Senhor. Trágico destino.

Qual lição nos ensina Hebreus 11? A salvação, a justificação, é pela fé e não pelas obras. Isso é tudo que precisamos, é o suficiente. Se você não reconhecer o seu próprio pecado e a dependência do sacrifício que Deus estabeleceu em Cristo, como o único meio de salvação, você está sem esperança. Você não pode fazê-lo pelo seu próprio esforço.

Assim, pela fé, Abel ofereceu um sacrifício mais excelente. Por fé, Deus creditou a justiça na conta de Abel. Por outro lado, pelas obras, Caim ofereceu um sacrifício inaceitável e foi condenado juntamente com sua falsa religião.

Através da fé, embora Abel esteja morto, ele ainda fala.

Há um último comentário a fazer sobre Abel e está lá em Hebreus 11:4. E é simplesmente que ele é um pregador do valor da fé, da necessidade da fé, da excelência da fé. Através da fé, embora ele esteja morto, ele ainda fala. Em que sentido ele fala? Ele nos fala sobre a necessidade da fé, crer em Deus.

Caim pensou que silenciou seu irmão, mas não foi isto que aconteceu. O sangue de seu irmão estava falando e falava com Deus. Então, há um sentido em que Abel é mesmo um pregador do juízo. O sangue de Abel está chorando a Deus por vingança. Abel nos adverte que há um vingador.

E então, o sangue de Abel fala com todos os homens o seguinte: se você quer vir a Deus, você tem que vir pela fé em Sua Palavra e pela obediência ao que Ele pede, e não pelas suas próprias obras. Esse é o primeiro ponto. Você não pode ignorar o que Deus disse, você tem que crer e agir sobre isso. Esse é o segundo ponto. Em terceiro lugar, você deve reconhecer a necessidade de sacrifício para cobrir seu pecado.

Embora morto, Abel é um pregador. Como eu disse, é um sermão de um homem morto. Pregador de um sermão que fala: os justos viverão pela fé e aqueles que tentam chegar a Deus por qualquer outra forma serão destruídos.

Vamos orar.

Senhor, obrigado por esta maravilhosa noite juntos em Tua Palavra. Realmente fascinante olhar esses dois irmãos e especialmente o modelo de Abel. Este é apenas o primeiro de muitos, muitos neste capítulo. Ajuda-nos a entender que a salvação vem somente pela fé, confissão de pecado, arrependimento e aceitação de um sacrifício aceitável que é agora Jesus Cristo, o Mediador de uma Aliança melhor, Aquele cujo sangue, como lemos, é melhor que o sacrifício oferecido por Abel, Aquele que com uma oferenda aperfeiçoou para sempre os que são santificados. Por uma oferta purgou nossos pecados e sentou-se à direita da Majestade no alto. Que lições aprendemos sobre a fé deste homem, o primeiro modelo de fé!

Oro, Senhor, se houver alguém aqui esta noite que ainda conta com suas próprias obras, seus próprios esforços, que ainda não reconheceu seu pecado e a necessidade de, pela fé, receber Cristo como o único sacrifício pelo pecado, obedecê-Lo e proclamá-Lo como Senhor, que possa fazê-lo esta noite. Faça esse poderoso trabalho em seus corações. Oramos em nome de Cristo. Amém.

Leia também: Os discípulos de Caim. Balaão e Corá


Esta é uma série de sermões sobre Hebreus 11. Abaixo os links dos que já foram publicados.

  1. O que é a fé?
  2. A fé que moveu Enoque
  3. A fé que moveu Abraão
  4. A fé que moveu Moisés
  5. A fé que moveu Noé
  6. A fé que moveu Abel

Este texto é uma síntese do sermão “Abel: A Primitive Faith”, de John MacArthur em 25/10/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-382/abel-a-primitive-faith

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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