A Marca da Real Grandeza – 2

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Voltemos ao nosso estudo da Palavra de Deus, ao capítulo 9 do Evangelho de Lucas. Nós começamos no domingo passado a olhar para os versículos 46 a 50 e completaremos isso esta manhã. Deixe-me ler novamente, para colocar isso em mente, capítulo 9 de Lucas, versículos 46-50

E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si, E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo será grande. E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco. E Jesus lhe disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.

Agora, como eu disse na última vez, esta é uma lição sobre a humildade, realmente uma lição completa de humildade. E, embora existam apenas breves versos na lição, há uma grande quantidade de verdade muito importante aqui.

Como cristãos, somos chamados a viver vidas de humildade em um mundo de autopromoção. Isso vai contra a base de tudo o que o homem caído proclama e afirma. Como eu disse na semana passada, nada é mais característico de um coração caído pecador do que o orgulho e o egoísmo, auto-promoção e auto-centralização. Também é verdade que o coração da verdade cristã, a marca da regeneração, da santificação é a humildade.

Então, o cristão está em desacordo com o que é natural para ele e para o mundo que o rodeia. Em toda a Escritura, o povo de Deus é comandado e chamado a ser humilde. E você pode encontrar essas passagens por si mesmo. Você pode procurar uma concordância, encontrar a palavra “humilde” ou a palavra “humildade”, ou algum tipo de dicionário, e você verá uma lista quase infinita de passagens onde a humildade é ordenada a nós, bem como descrita e definida para nós.

Nós somos chamados, como filhos de Deus, para sermos humildes. Você se lembra do nosso estudo de Lucas 9, onde Jesus disse: “Se alguém vier após de Mim, negue-se a si mesmo“. Esse é o elemento essencial para a fé salvadora: abnegação. Você está literalmente confiando em Cristo para sua salvação, reconhecendo que não há nada em você que seja louvável, digno, nada que tenha valor, nada em você em termos de realização, nada para recomendá-lo a Deus.

É nessa atitude de falência espiritual, pobreza espiritual, nessa atitude de suicídio do ego que Jesus mesmo te chamou, para que você odeie a si mesmo. Nessa atitude de negar-se a si mesmo é que ocorre a verdadeira salvação. Você entra humilde no reino de Deus.

Agora, isso não significa que você alcançará a humildade por si mesmo. E eu quero esclarecer isso, porque ao longo dos anos alguns disseram que se você chamar as pessoas para auto-humilhação, se você chamar pessoas ao arrependimento, você estará pedindo que a pessoa não regenerada faça algum trabalho para preparar seu próprio coração para, então, Deus salvá-la. E nada poderia estar mais longe da verdade.

Para dizer de modo simples, você não pode se humilhar, assim como não pode se levantar dos mortos por sua própria ação. Você não pode se humilhar, assim como não pode dar visão ao seu coração cego. Você não pode se humilhar, assim como não pode entender as coisas de Deus, que são tolices para você. Você não pode fazer nada disso. Você não pode se arrepender. Você não pode se submeter à humildade. Você não pode se entregar à vida espiritual. Você não pode se conduzir à fé salvadora.

Tudo é trabalho de Deus. É Deus que, pelo poder de convencimento do Espírito Santo, quebra o orgulho. É Deus que usa a Palavra, penetra o coração teimoso e orgulhoso, esmaga-o, humilha-o, quebra-o e faz com que seja contrito e penitente. Isso faz parte da obra de Deus, não da vontade humana, mas através dos meios da vontade humana. Isto é, a vontade humana, sem ajuda, não pode dar vida a si mesma, visão ou compreensão, nem se tornar humilde e penitente. Tudo é  trabalho de Deus.

Então, pelo menos naquele momento na vida de toda pessoa que é justificada, há aquele grande momento, aquela grande realidade de humildade forjada pelo Espírito de Deus, no ponto em que entramos no reino como uma criança pequena, isto é, sem realização, sem mérito, em absoluta fraqueza e dependência, sem ter realizado nada. Nós somos salvos nesse sentido de vazio pessoal e espiritual. E naquele momento, a regeneração tem lugar, justificação, conversão, redenção, adoção, todas as realidades gloriosas de nossa salvação.

Essa é uma obra poderosa, é a obra poderosa do Espírito de Deus esmagando o orgulho natural. Naquela poderosa obra de nos levar pela convicção até o fim de nós mesmos, o Espírito de Deus expôs o Seu poder para nos salvar. Mas, depois desse momento, o orgulho continua em nossa carne. Ainda está lá. É uma parte do nosso ser caído. É uma parte do nosso ser humano. É o pecado residual que está em nós, porque ainda estamos em nossa forma humana.

Então, embora o nosso orgulho tenha sido esmagado no momento da nossa verdadeira salvação, ele não morreu. Não desapareceu. Não foi dado um golpe fatal. Esse golpe ocorrerá em nossa glorificação, quando deixaremos essa carne e entraremos em uma nova humanidade glorificada, como a ressurreição da humanidade de Jesus Cristo. Mas até esse tempo, enquanto estivermos nesta vida, o orgulho remanescente está presente e então, a batalha continua e continua para trazer nossa vontade própria, nosso orgulho e nosso egoísmo de volta ao ponto em que estávamos no momento em que fomos redimidos.

O Espírito de Deus continua a trabalhar para esse fim, mas nossa vontade nem sempre coopera, como cooperou no momento do grande milagre de nossa redenção. E então, continua na vida do crente uma batalha para continuar lembrando que não somos nada, que somos apenas crianças, que não temos nenhuma conquista, nenhum mérito. Somos fracos, incapazes, inúteis e tudo o mais que é descrito sobre nós nas páginas do Novo Testamento.

E assim, Jesus entende que, enquanto Seus discípulos, Seus apóstolos tiveram seu orgulho esmagado no momento da sua salvação, a batalha ainda continua e isso é muito aparente, porque é por ocasião desta exposição de seu orgulho remanescente que Jesus nos ensina lições de humildade. Estas são lições críticas, porque a Bíblia diz que Deus dá graça aos humildes. As Escrituras indicam que Deus abençoa os humildes, que Deus honra os humildes, que eleva os humildes, que Ele exalta os humildes, que Ele usa os humildes, que Ele instrui o humilde. E você pode continuar essa lista…

Assim, a humildade é o terreno em que todo o resto da virtude cristã cresce. A humildade é o solo que recebe a chuva, a chuva refrescante da mais rica bênção de Deus. Devemos envolver todo nosso ser e dependência do Espírito Santo para ganhar a humildade que o Senhor tem para nós, a fim de que possamos realmente nos apresentarmos como filhos de Deus e que possamos estar em posição de sermos abençoados e produzir o máximo de frutos virtuosos. Não é uma batalha fácil, porque ainda somos humanos e o orgulho faz parte de ser humano.

Há três áreas nas quais somos assaltados pecaminosamente, de acordo com 1 João 2:15 a 17. Uma delas são os desejos da carne, a outra são os desejos dos olhos, e a terceira é o orgulho ou soberba da vida. Ainda temos desejos da carne, desejos dos olhos e ainda lutamos contra o orgulho da vida. Nosso Senhor, então, precisa nos ensinar. E isso não é maravilhoso?

Estamos realmente iniciando a próxima grande parte do Evangelho de Lucas no treinamento de Jesus com os doze. Temos o melhor professor. Alguém pode questionar se Jesus é um professor adequado de humildade, desde que Ele é Deus e deve ser terrivelmente difícil para Deus ser humilde. Mas, o contrário é que é verdade. Não há professor maior de humildade do que aquele que se humilhou mais. Ninguém nunca foi mais elevado e ninguém nunca se rebaixou mais que Jesus.

Ninguém poderia estar mais elevado do que estar encarando a própria presença de Deus, porque Ele é um com Deus na essência trinitária. Você não pode subir mais alto do que isso, e ninguém poderia ir mais baixo, do que suportar a ira total de Deus pelo peso de todas as pessoas, de todas as eras, que jamais sequer creriam. Ninguém mais elevado poderia descer mais baixo e ninguém em posição mais baixa poderia ir mais alto, por ter ido ao fundo para receber a ira de Deus por nossos pecados.

Ele foi exaltado à direita de Deus para reinar para sempre e sempre, e Deus Lhe deu um nome, o nome “Senhor”, diante do qual todo joelho deve se curvar. Esta é a melhor imagem de humildade possível. Não há nada sequer próximo a isso. E assim, Jesus ensina a humildade não só do ponto de vista do preceito, mas Ele ensina a partir do ponto de vista do exemplo. Ele é aquele que foi humilhado além de toda a compreensão, além da experiência de qualquer outra pessoa.

Para ver isso, eu quero que você veja o capítulo 2 de Filipenses. E esta é uma passagem importante para ser relacionada com o nosso olhar para Lucas 9. No capítulo 2 de Filipenses, o apóstolo Paulo aborda este assunto de humildade, usando Jesus como o exemplo supremo. Mas, a maneira como ele começa é muito útil. Ele começa com a motivação.

Devemos fazer tudo “por humildade“, como está no meio do verso 3. Você pode classificar isso como a premissa. Significa ter humildade mental. É o que o texto significa. Deus quer que sejamos humildes. Agora, Paulo quer nos motivar a essa humildade e, então, quer nos ensinar os elementos dessa humildade e  quer nos dar um exemplo dessa humildade.

Mas, observe como ele nos motiva a isso no versículo 1: “Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor…“. Deixe-me dizer que essas duas frases dizem respeito à pessoa de Cristo e à obra de Cristo. E podemos resumir dizendo: se o encorajamento que você recebeu de Cristo, se a salvação e a bondade, a graça e a misericórdia e o perdão que são seus em Cristo, se o amor que Ele proporcionou para você, se esta verdade significa alguma coisa, essa é a sua motivação.

Se Cristo e todos os seus encorajamentos e consolação de amor têm algum valor para você, se você quer agradar a Ele por ter te concedido tudo isso, então seja humilde. Em outras palavras,se eu escolher não ser humilde, estarei então desprezando a Cristo e toda a Sua bondade, encorajamento, consolo e amor derramados em minha direção, pois, apesar disso, escolho ser desobediente ao que Ele me pede.

Então, Paulo se move para o segundo ponto. Ele diz: “Se há alguma comunhão do Espírito“, ou seja, se houver alguma afeição e compaixão por isso, se a presença interior do Espírito Santo na sua vida tem algum valor, se houver parceria, uma união viva com o Espírito de Deus cujo templo é você, se tudo isso significa qualquer coisa, se tiver recebido as afeições, as simpatias e as compaixões do Espírito de Deus em sua vida e elas têm algum valor, seja humilde.

E então, no versículo 2, ele ainda diz: “Faça a minha alegria completa“. Se a minha alegria significa qualquer coisa para você – Paulo está dizendo – se você se preocupa comigo, como sendo aquele que te trouxe a mensagem do evangelho, se minha alegria significar qualquer coisa para você, se o Espírito Santo significa qualquer coisa para você, se Cristo significa qualquer coisa para você, então, seja humilde.

Se você não se humilhar, então a obra de Cristo em seu favor e o trabalho do Espírito Santo e o esforço daqueles que te trouxeram o evangelho, que foram os instrumentos humanos que Deus usou, são de pouca importância para você.

Se você se importa com Cristo, se você se preocupa com o Espírito Santo, se você se preocupa comigo, Paulo diz, seja humilde. E ele define essa humildade dizendo que devemos ser de uma mesma mente. Isso é, pensar nas mesmas coisas, mantendo o mesmo amor, amando a todos. Em outras palavras, sem hierarquias, sendo unidos em espírito, com a mesma intenção e propósito.

Ele está falando sobre a unidade. É tudo sobre unidade, porque a humildade produz unidade. Como vimos na última vez, o orgulho destrói a unidade. Se Cristo, que quer que Sua igreja seja uma, significa qualquer coisa para vocês, se o Espírito Santo, que quer que Sua igreja seja uma, significa qualquer coisa para vocês, se isso significar qualquer coisa para vocês, então, sejam um. Pensem o mesmo. Amem uns aos outros. Busquem a unidade. Concentrem-se em um propósito.

Como se faz isso? Bem, como você faz isso é descrito nos versículos 3 e 4. Aqui estão os princípios: “Nada façais por egoísmo ou vanglória“. Esse é o primeiro princípio, isto é, não seja egoísta. Não seja pessoalmente ambicioso. Você deve se livrar de si mesmo. E aqui estamos de volta no mesmo ponto que dissemos sobre a salvação: você precisa se livrar de si mesmo para entrar no reino. Agora que você está no reino, você tem uma batalha para continuar a suprimir seu orgulho remanescente.

E esta palavra egoísmo [contenda, rivalidade, em outras versões] aqui tem a ver com ambição interna e pessoal. Livre-se da ambição pessoal de querer ser superior a outra pessoa, de querer ser mais bem sucedido do que alguém, de querer conseguir mais do que outra pessoa.

Em segundo lugar, ele diz: “Nada façais com vanglória”. A primeira palavra, o egoísmo, é a atitude interna. A segunda, vanglória [vaidade ou presunção, em outras versões] é o interesse em saber como os outros nos veem. Não busque a glória externa, a auto-glória vazia, a ‘kenodoxia’, a glória inútil, os elogios dos outros!

Para haver unidade, tem que haver humildade, de modo que você terá que lidar com o egoísmo em seu coração, com o desejo de conquista pessoal, ambição. Você também deve se livrar desse desejo de receber glória daqueles ao seu redor, porque isso simplesmente não pertence ao reino.

Além disso, versículo 3: “…cada um considere os outros superiores a si mesmo.” Considere todos os outros mais importantes do que você. Considere-se como o mínimo do mínimo. E o versículo 4, diz: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.

Isto é realmente tudo o que vimos no início da nossa salvação. A abnegação não é apenas a maneira para ser salvo. É a maneira de viver como cristão. E no versículo 5, ele se volta para o exemplo: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus“. Jesus, ele diz, é a ilustração perfeita desse tipo de atitude. E qual é a atitude? A humildade de mente é a atitude. Pense humildemente sobre você, porque é isso que Jesus fez.

E Paulo descreve isso nos versículos 6 e seguintes, dizendo: “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus…“, ou ‘não se agarrou a isso’, pois Ele estava disposto a desistir de Si mesmo pelo objetivo da redenção, de modo que “Ele se esvaziou“. Ele se despojou de todas as suas prerrogativas divinas e se tornou submisso à vontade do Pai e à obra do Espírito Santo. Veio ao mundo, tomou a forma de um servo.

Jesus não desceu à Terra como rei para reinar em Sua primeira vinda. Ele desceu como um humilde servo. Ele se tornou à semelhança dos homens. Ele foi encontrado na aparência, ou na forma de um homem. Ele se humilhou, não apenas ao se tornar um homem e um servo, mas ao percorrer todo o caminho de obediência até o ponto da morte, e não apenas morte, mas a morte ignominiosa e vergonhosa em uma cruz.

Como eu disse, ninguém foi mais elevado e ninguém nunca desceu mais baixo. Então, quando você ouve Jesus ensinar sobre humildade, Ele sabe do que está falando. Ele teve que deixar de lado qualquer consideração consigo mesmo em nome da consideração para com os outros. Ele tinha que estar atento aos interesses dos outros.

E é exatamente isso que Ele fez. E foi recompensado, como diz o versículo 9, porque, quando tudo foi feito, Deus O exaltou e Lhe atribuiu o nome que está acima de todo nome, que é o nome “Senhor”. Ele é o Exemplo supremo de humildade.

Voltemos ao capítulo 9 de Lucas e escutem dos lábios do Exemplo Supremo a lição da humildade. Não era algo que Ele não conhecia, era algo sobre o que sabia muito bem. Agora, você se lembra do pano de fundo. Os discípulos estavam na estrada com Jesus. Eles estavam voltando para Cafarnaum, a cidade na ponta norte do Mar da Galileia, que era a sede do ministério galileu de Jesus. Quando chegaram lá, uma discussão aparentemente estava acontecendo ao longo do caminho.

Quando chegaram em Cafarnaum, a coisa toda emergiu. O versículo 46 diz: “Uma disputa começou entre eles”. Estava acontecendo, na verdade, ao longo da estrada. Quando eles finalmente chegaram à casa, em Cafarnaum, então, a coisa toda surgiu. Agora, nós entramos nos detalhes, na semana passada, acerca do cenário, então, não vamos fazê-lo novamente.

Começamos a olhar para a destruição do orgulho. Jesus ensina as lições sobre a humildade a partir do pano de fundo do orgulho. A primeira coisa que eu disse sobre o orgulho é que ele arruína a unidade. E isso é essencialmente o que estávamos aprendendo com os filipenses. O orgulho destrói a unidade.

Versículo 46, de Lucas 9: “Uma discussão começou entre Eles…”. Não era suficiente que tivessem inimigos na estrutura política da terra, os líderes religiosos de Israel, não era suficiente que eles tivessem inimigos no reino sobrenatural, demônios, eles tinham que se transformar em inimigos uns dos outros. Como isso é autodestrutivo, não? É o que o orgulho faz. Todos nós lembramos sobre o que eles discutiram, certo? Eles estavam discutindo sobre a ordem hierárquica de importância, as recompensas, a glória que cada um deles sentia que eram dignos de receber.

O orgulho sempre cria uma disputa. Ele sempre cria separação. Este ainda é o destruidor mais comum do ministério espiritual. O orgulho arruina a unidade, ele gera disputas à medida que as pessoas se colocam umas contra as outras.

Em segundo lugar, vimos que o orgulho exalta a relatividade, e isso é realmente crítico porque os discípulos estavam discutindo sobre qual deles seria o maior, qual deles seria o mais elevado no reino quando o Messias estabelecesse Seu reino. Seria um dos três, Pedro, Tiago e João, porque eles eram o círculo íntimo, eles haviam estado na transfiguração… Seria Pedro? Quem seria? Os outros podem ter pensado na hipótese de poderem ser equiparados  a Pedro, Tiago e João, por conta dos milagres que realizaram, quando Jesus os enviou de dois em dois, embora eles não tivessem testemunhado a transfiguração…

Talvez eles estivessem acostumados a fazer algumas ressurreições… e isso poderia classificá-los numa posição mais elevada. Quem sabe o que estava ocorrendo em suas mentes? E eles estavam debatendo sobre todas essas coisas tolas. Isto é o que o orgulho faz. Ele gera a relatividade, classifica as pessoas umas contra as outras, coloca as pessoas umas contra as outras e fratura o corpo de Cristo em níveis imaginários.

Tudo isso é contrário ao reino de Deus. Não existem tais coisas no reino de Deus, absolutamente não. Não há classificação, não há nenhuma ordem hierárquica de importância. As pessoas dizem: “Bem, e quanto às recompensas no céu?” Quando você chegar ao céu, o Senhor lhe dará a recompensa, mas cada um de nós receberá a recompensa da vida eterna com toda a sua plenitude e suas riquezas.

Haverá certas coisas em que você tem sido fiel a fazer nessa vida que não o tornará mais honrado no céu, mas definirá, de certa forma, os deveres e responsabilidades que você terá lá. Mas, as recompensas, em si mesmas, serão absolutas. E, se eu ler minha Bíblia direito, vou ler que quando você receber sua coroa, você vai virar e lançá-la aos pés de Jesus e todos estaremos igualmente  recebendo a mesma vida eterna gloriosa. Não há classificação de pessoas.

É por isso que eu simplesmente resisto a isso em qualquer estrutura dentro do corpo de Cristo. Eu entendo que isso exista no mundo e é por isso que é contra-intuitivo existir na igreja. Agora, você diz: “Bem, espere um minuto, você não está no comando aqui?” Não. Eu sou o professor e o pregador, mas sou um homem sob a autoridade da Palavra de Deus, sob a autoridade de Cristo. E sou membro mútuo de uma comunidade de homens que receberam a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus e pastorear o rebanho e que não são mais importantes do que ninguém no rebanho. Apenas o nosso dever é diferente, talvez, do seu e nossas responsabilidades são diferentes das suas e devemos ser obedientes a essa responsabilidade e a esse talento que Deus nos deu. Não pertencemos a uma ordem classificatória mais elevada.

É por isso que eu não gosto de títulos. As pessoas dizem: “Como devo chamar você?” E eu digo: “Meu nome é John. Isso funciona”. Ninguém chamou Jesus de “Dr. Jesus”. E ninguém chamou Paulo de “Dr. Paulo”. Não me importo com isso em um campo acadêmico. Não me importo com isso em um domínio médico. Eu não me importo com isso quanto a um Ph.D. do mundo. Mas, isso simplesmente não tem nada a ver com o corpo de Cristo.

Não temos nenhuma ordem classificatória no corpo de Cristo. Não temos fileiras. O menor do reino, disse Jesus, é maior que o maior no passado. João Batista é o maior homem que já viveu, disse Jesus, e ainda assim o menor no reino é maior do que João. Não há classificação relativa no reino. É por isso que eu não gosto de prêmios e honras e coisas semelhantes que têm acontecido no âmbito do reino de Deus.

Terceira verdade que aprendemos: o orgulho revela a depravação. Nós aprendemos isso no versículo 47: “Jesus sabendo o que eles estavam pensando em seu coração…“. Esse era o problema. O problema, sempre que você entra nesse tipo de disputa, esse tipo de debate, sempre que você começa a discutir e discutir sobre quem é superior a quem e quem deveria estar no centro das atenções e quem deveria conseguir o que quer,  tudo o que você está fazendo é manifestar a corrupção do seu coração. Isso é tudo o que você está fazendo.

Lembro-me de uma vez, há muitos anos, eu era bastante novo na Grace Church e havia algumas coisas pelas quais eu queria ser paciente, embora nunca tenha sido uma pessoa particularmente paciente, como minha esposa pode confirmar… Espero ter aprendido um pouco ao longo dos anos… Mas, há algumas coisas com as quais não sou muito paciente, e isso é um erro. E havia uma classe aqui na igreja, e alguém estava ensinando algo que não era um ensinamento de acordo com as Escrituras.  Então, retirei tal professor da classe da escola dominical. Porém alguma pessoas não gostaram e começaram a se amotinar.

Então, eu disse ao líder do movimento: “Quero me encontrar com você e eu sinto que é importante que nos encontremos”. Ele disse: “ok”. Lembro-me que entrei na sala onde ele me aguardava e eu disse: “Obrigado por se encontrar comigo. Eu quero ler algo para você”. E isso é o que eu li: “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?” (1Co. 3:1-3). Eu disse a ele: “Agora, você está disposto a se arrepender?”

Ele ficou muito quieto. Esta era uma questão de arrependimento. Eu não estava pedindo que aquelas pessoas se submetessem a mim. Eu estava pedindo que se submetessem à verdade, independentemente dos relacionamentos. Bem, essa classe mudou de postura maravilhosamente bem e continuou a florescer sob outra liderança. E essa foi uma espécie de abordagem rígida, eu era, como eu disse, jovem, mas estava certo.

O conflito na igreja evidencia a depravação do coração. É como abrir a janela e dizer: “Você quer ver o que está no meu coração? Veja, aqui está!!”. O orgulho revela a depravação. E Jesus sabia o que aqueles homens estavam pensando em seu coração. O coração é o problema. Agora vem a lição, no versículo 47: “Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si“. Aqui está Jesus, dando uma lição para afastá-los da sabedoria convencional que ainda permeava suas mentes e o orgulho restante que ainda vivia na carne caída.

Ele pega uma criança. Agora, por quê? Vou lembrá-lo do que eu disse na última vez. Esta, aliás, era uma criança muito pequena, uma criança que permaneceu junto a Ele, provavelmente uma criança pequena que Ele levantou e a segurou em Seus braços, de acordo com Marcos 9:36. E aí, Ele disse, em outras palavras:

É assim que todos vocês são, pessoal, vocês são como essa criança. Vocês não são como um estudante de pós-graduação, ou como uma pessoa realizada, nem como um adulto… Sequer são como adolescentes, ou mesmo como aquela criança que aprendeu a tocar apenas a escala básica no piano. Vocês não realizaram ou alcançaram nada. Vocês entraram no Reino com nada em seus currículos que os recomendasse.

E esse é um ensinamento que Jesus repetiu consistentemente. Você o vê em Mateus 18, também em Marcos 9. Jesus disse a eles: “Olha, todo mundo entra no reino quebrado, humilde, altruísta, sem realização, sem mérito”. Em Mateus 18:4, que é paralelo a isso, Ele leva a criança em Seus braços, e diz: “aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.” Em outras palavras:

Nenhum de vocês trouxe credenciais para o reino. Você só entrou no reino por causa da misericórdia de Deus. Você não tinha nada. Você atravessou os estreitos portões, despojado e nu, subjugado com o seu pecado, quebrado, esmagado, por assim dizer. Seu egoísmo, seu orgulho foi esmagado naquele momento pelo poderoso trabalho do Espírito Santo e você veio vazio e falido. Foi assim que você entrou. E ainda assim é como você é. Você ainda não tem nada do que se gabar. Olha, no Meu reino, todos são crianças. Ninguém tem posição de destaque no meu reino.

Uma criança é a melhor ilustração humana de um crente no reino, porque não temos classificação. Nós estamos lá pela graça e pela bondade de Deus. Nenhuma grandeza pertence às crianças, pois elas são dependentes. Não conseguiram nada. Elas não fazem nenhuma contribuição significativa numa conversa. Elas apenas interrompem as conversas. Não estou dizendo que não as amamos. Nós as amamos. Nós as apreciamos. Mas, elas não possuem qualquer realização, qualquer mérito.

No capítulo 18 de Lucas, lembramos novamente que no verso 15 os pais traziam bebês para Jesus e Ele os tocava. Os discípulos viram, começaram a repreendê-los. Por quê? Porque esta era a sabedoria convencional. Os rabinos judeus não prestavam atenção às crianças. Muitas delas nunca viveriam para ser adultos. As crianças não conseguiriam se envolver em uma conversa significativa, portanto, elas não podiam ser ensinadas. Esse era o pensamento dos rabinos.

E assim, os discípulos apenas seguiram a sabedoria convencional e disseram: “Tirem as crianças daqui!!”. Jesus disse: “Deixem que as crianças venham a Mim. Não as impeçais, porque o reino de Deus pertence a tais como estes. Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele.Elas são uma ilustração perfeita do tipo de pessoa que você precisa ser, se você quer entrar no reino. Deus não está interessado em suas realizações e seus feitos. Você entra como um pecador falido, como o resto de nós. E Jesus está dizendo a esses discípulos, e para nós:

Você se esqueceu? Nunca se tratou de seu mérito. Nunca foi sobre sua realização e sua conquista. Você entrou como uma criança. Você ainda é criança. Você precisa se comportar como uma criança e se submeter. Não há rankings relativos no reino, tudo é absoluto. Você é uma criança e, no entanto, você é grande. Se você está no reino, você é grande. Qualquer um que venha para o reino é igualmente grande a qualquer outro que venha ao reino. Não existe o maior e o melhor. Qualquer pessoa no reino, na esfera da salvação, é grande.

Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.” (Mateus 18:4). Quando você se humilhou como uma criança e entrou no reino, você se tornou o maior, e nós somos todos igualmente grandes, porque não há fileiras. É uma grandeza absoluta, todos recebemos a mesma justiça de Cristo imputada à nossa conta, a mesma grandeza. Não se esqueça disso, você é criança. E, como criança, você se submete, você não tem ambição egoísta e não procura nenhuma glória externa.

Deixe-me dar-lhe três outros pontos, apenas rapidamente. Isso demorou mais do que deveria… Número quatro: o orgulho rejeita a deidade. esse é um ponto importante. O orgulho rejeita a deidade. Não só arruina a unidade, aumenta a relatividade e revela a depravação, mas rejeita a deidade. Versículo 48, de Lucas 9: “E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou…“. Agora, colocando isso ao inverso, temos: o orgulho rejeita Cristo e se você rejeitar a Cristo, você rejeita Deus.

Você diz: “Espere um minuto, nunca rejeitaria Cristo, nunca rejeitaria Deus!”. Bem, pergunte-se: Como você recebe o irmão? Você está em luta com outro cristão? Você se classifica acima ou além de outro cristão? Então, em certo sentido, você se classifica acima de Cristo. Quem é de Cristo é um com Cristo. O que está unido ao Senhor é um espírito, certo? Primeiro Coríntios 6. Tanto você é um espírito com Cristo, que Paulo diz que se você se juntar a uma prostituta, você junta Cristo a uma prostituta. Que pensamento horrível é esse…

Jesus disse:

Olha, se você fizer o bem para alguém que crê em Mim, você o fez a Mim”, certo? “Se você lhes der um copo de água fria em Meu nome, você deu a Mim. Se você foi visitá-los na prisão, você fez isso a Mim.

O Senhor não está separado do Seu povo. Ele é um com o Seu povo. Então, como você trata os outros crentes é como você trata a Cristo. E o apropriado é não ser egoísta, não ser ambicioso, não ser cheio de presunção vazia sobre sua própria necessidade de glória. O importante é não ser consumido com seus próprios interesses, mas sim olhar para cada pessoa como Cristo e dizer: “Eu amo você. Eu amo você”.

Volte-se para Mateus 18, porque precisamos olhar para lá a este respeito, visto que o ensino é realmente único e memorável. Em Mateus, capítulo 18, versículo 5, temos a mesma afirmação: “E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe“. Ele não está falando sobre as crianças aqui, embora, como mostrei na semana passada, creio que Jesus é especialmente preocupado e mantém um cuidado único com os pequeninos. Ele está falando aqui sobre os crentes, que são como crianças.

Eu acredito, como você sabe, e ensinei isso, que as criancinhas antes da idade em que possam entender a verdade e recebê-la ou rejeitá-la são cuidados especiais do Senhor e, se elas morrerem, vão para Seu reino. E eu acho que Jesus deixa isso claro. Mas as crianças são uma ilustração da ênfase aqui neste texto. “Quem recebe uma dessas crianças“. Que tipo de criança? ‘A criança que crê em Mim, a criança que entrou no reino dos céus. Quando você recebe uma dessas crianças, quando você abre seus braços e as abraça, você está Me abraçando’.

Ele disse em Lucas 9: “qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou“. Então, quando você se submete, quando ama e quando procura o bem-estar e o benefício de outro crente, você está abraçando Cristo e você está abraçando o Pai por causa de Cristo que está no crente, e o Pai está no Filho. Essa é uma profunda verdade. E, para torná-la ainda mais séria, o versículo 6 dá um aviso: “Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.

Isso nos diz claramente que não estamos falando de crianças no sentido literal, porque as crianças novas não podem crer ou descrer. Jesus está dizendo aqui que se alguém fizer o outro irmão pecar, seria melhor, menos grave, que pendurasse uma pedra ao pescoço e se afogasse. Essa é a colocação mais forte que Jesus já fez em relação à vida em Sua igreja. Isso é absolutamente poderoso. Eu não sei como você poderia dizer algo mais assustador do que isso. Seria melhor morrer uma morte horrível do que levar um irmão a pecar.

Os rabinos costumavam falar sobre o fato de que Deus iria afogar os gentios, os pagãos. Os judeus, que estavam ouvindo Jesus falar, com certeza odiaram a ideia de ser levado para o mar e o pensamento de ter uma moinha maciça, uma pedra de moagem, que era puxada por um animal, colocada ao redor do pescoço. Ter aquela pedra descendo para o fundo rapidamente era um pensamento horrível. E Jesus usa o mais extremo e assustador tipo de morte para que essas pessoas saibam quão sério é fazer algum outro crente tropeçar ou fazer alguma coisa para ofender outro crente.

Seria melhor morrer uma morte horrível nas profundezas do mar, caindo para o fundo com uma pedra de moinho ao redor do pescoço. Você estaria muito melhor do que começando uma disputa que leva outro crente ao pecado, ou iniciando um conflito que leva outro crente ao pecado, ou fazendo qualquer coisa por ambição egoísta, qualquer coisa por orgulho pessoal, buscando glória pessoal, ou discutindo sobre as fileiras que fazem com que as pessoas se envolvam em debates e discussões, conflitos, ciúmes e discórdias. Você estaria melhor morto. Eu não sei como isto poderia ter sido dito de maneira mais séria.

Podemos fazer com que outros tropecem através de uma tentação direta, ou seja, você literalmente os solicita para fazer o mal. Mas, também podemos fazê-lo por tentação indireta, quando você os irrita e eles ficam irritados. Você conhece seus pontos fracos e eles reagem, porque é isso que você tentou extrair deles. Você pode gerar isso de forma direta e indireta. Você pode fazer com que as pessoas tropecem no pecado por causa de um exemplo pecaminoso que você lhes deu. Eles veem e seguem.

Você pode fazer com que as pessoas tropecem no pecado ao não conduzi-las a caminhos de justiça. E isso acontece. O verso 7 diz “ai do mundo por causa dos escândalos!”. Quero dizer, vivemos em um mundo onde isso vai acontecer. Esperamos que o mundo faça isso e o que Jesus está dizendo é ai do mundo por causa disso! E é inevitável. São pedras de tropeço, mas ai do homem por quem vem a pedra de tropeço!

Entendemos que o mundo tentará nos levar ao pecado de forma direta e indireta. O mundo vai dar um mau exemplo. O mundo não nos guiará no caminho da justiça. Mas Jesus traz a questão retórica, pois você não espera que a pedra de tropeço venha da família de Deus.

Pais,  tenham cuidado com o tipo de exemplo que vocês definiram para seus filhos. Vocês não desejam que eles tropecem. Vocês estariam melhor estando mortos, disse Jesus. E os versos 8 e 9 são uma espécie de provérbio que Jesus disse em várias ocasiões:

Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno.

Não creio que Jesus teve a intenção de que interpretemos todos os elementos disso. Ele estava apenas dizendo que você precisa tomar uma ação drástica, se aquilo que você faz leva alguém a tropeçar. Não é literalmente dizer que arranque seus olhos para fora. Ele está dizendo: aja drasticamente com relação a qualquer coisa em sua vida que possa ser causa de tropeço de outro crente, porque você estaria melhor morto, neste caso.

E o verso 10 resume tudo: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.” A palavra desprezar aí é kataphroneo, que significa olhar para baixo, depreciar, ‘pensar pouco de um desses pequeninos que creem em Mim’. Nunca pense que alguém é inferior a você, alguém na família de Deus, porque seus anjos no céu estão muito preocupados com essa pessoa que você julga inferior.

Os anjos estão tão preocupados com eles, que é dito no versículo 10 que eles estão sempre diante do Pai. O Pai cuida de todos os Seus filhos e Seus santos anjos, Hebreus 1:14 diz, são espíritos ministradores aos Seus filhos, que estão observando o rosto do Pai para que possam ouvir imediatamente sobre os cuidados que o Pai tem sobre os Seus filhos e serem enviados para ajudar-lhes.

Se o Pai se preocupa com os Seus filhos, se os santos anjos se importam com os filhos de Deus, se todo o céu está preparado para o cuidar deles, é melhor você ter cuidado com a maneira como os trata. Humilhe-se, porque é o orgulho que nos leva a levar os outros a tropeçar, que provoca discórdia e desunião. Portanto, não há ordem classificatória no reino. Todo o orgulho significa rejeitar a deidade. Ele rejeita Cristo ao rejeitar outros que são de Cristo.

Número cinco, na nossa pequena lista: o orgulho inverte a realidade. Observe a afirmação em Lucas, capítulo 9, versículo 48, o fim do versículo: “… porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo será grande.” Enquanto você está tentando elevar a si mesmo, elevar sua notoriedade, sua fama, tentando alcançar sua própria ambição e obter glória de todos à sua volta, você está indo no caminho inverso da realidade espiritual. O que você deveria fazer é se submeter, procurar a parte de trás, o lugar mais baixo, porque aquele que é o menor é aquele que é grande. A grandeza é equiparada à humildade. É o contrário ao que o mundo pensa. É contra-intuitivo.

É o oposto da forma como as pessoas pensam. Jesus vira a sabedoria convencional de cabeça para baixo. Em vez de lutar por seus direitos, você deve se render e se render e se render… Você está cultivando a humildade em seu coração, coisa que Deus agracia, honra, abençoa, exalta e usa.

Bem, finalmente, um último ponto: o orgulho reage com exclusividade. João respondeu, no versículo 49, e disse: “Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco.” Agora, por que João fala isso nesse momento? Eu vou te dizer o porquê. Ele está sentindo convicção. Ele está pensando consigo mesmo: “Oh, acho que ‘pisamos na bola’…”.

Ele, então, se lembra de uma ocasião, provavelmente não muito antes disso, quando ele repreendeu, e provavelmente o resto dos apóstolos também, porque viram alguém e tentaram impedi-lo, porque ele não seguia junto com eles. Todos reagiram mal com esse pobre rapaz… E João agora sente o desejo de ser repreendido, porque ele praticamente foi lá e disse: “Ei, amigo, você não está classificado junto com a gente, em nossa ordem classificatória… O que você está fazendo?!”.

Havia esse sujeito – e não sabemos nada sobre ele – era alguém expulsando demônios em nome de Jesus. Ele estava lá e cria em Jesus, podemos presumir isso. Ele estava agindo em nome de Jesus. Em outras palavras, ele não estava usando o nome de Jesus de forma leviana. Há pessoas, você sabe, que falam em nome de Jesus, mas não O representam verdadeiramente. É como está ilustrado em Jeremias. Quantas vezes o profeta Jeremias diz que havia profetas que falavam em nome de Deus, mas, na verdade, eles não estavam transmitindo a mensagem de Deus?

E nós vemos gente assim por todo o lugar hoje, não é mesmo? Na televisão, em todos as seitas, formas de ‘cristianismos’ e todo o resto das coisas que se fazem em nome do cristianismo. Nós temos todas essas pessoas que dizem que representam Deus e falam em nome de Jesus, mas não é verdade. Porém, aquele homem, aparentemente, realmente estava agindo em nome de Jesus.

Vale a pena ler Marcos, capítulo 9, porque é importante saber exatamente como o Senhor descreveu esse homem. Versículo 39: “Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.”  Minha suposição é de que aquele homem realmente conseguiu fazer o que estava tentando fazer em nome de Jesus Cristo. O Senhor realmente o permitiu fazer.

Esta é uma espécie de anomalia, porque eram apenas os doze, de acordo com o versículo 1 do capítulo 9, que tinham recebido o poder para expulsar demônios e curar doenças. Mas, aqui está um sujeito que não está entre os doze, embora seja bem possível que ele poderia ter estado mais tarde entre os setenta que foram comissionados com essa habilidade, capítulo 10, versículo 1. O Senhor enviou setenta, de dois em dois, para fazer esses tipos de milagres. E talvez, esta fosse apenas uma prévia do que aconteceria no envio dos dos setenta.

Era certamente importante para o Senhor deixar esse homem fazer o que estava fazendo, para ensinar a lição que os discípulos precisavam aprender. E essa é a lição de que o orgulho tende a nos levar à exclusividade. Se este homem tivesse sido um falso profeta, se este homem tivesse representado mal o nome de Jesus, Jesus nunca teria respondido como respondeu no versículo 50: “E Jesus lhe disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.” Em outras palavras: ‘esse sujeito está conosco!’.

Eu penso que João estava sentindo a convicção de seu pecado naquele momento, quando faz essa confissão. Ele está sendo realmente honesto. Ele simplesmente explode:

Senhor, creio que nós fizemos algo terrível com base em nossas discussões sobre que lugar cada um de nós ocuparia numa suposta ordem classificatória no reino e, assim, acabamos por chegar à conclusão de que coletivamente somos maiores do que qualquer outra pessoa e ninguém mais pode fazer o que podemos fazer.

E assim, o Senhor apenas permitiu que um homem fora do grupo estivesse vagando por aí, sendo que ao tal foi concedido o mesmo poder que os apóstolos tinham, a fim de mostrar a eles que não ocupavam um nível de classificação mais alto. O Senhor poderia dar essa habilidade a qualquer um que Ele quisesse, mesmo a um estranho que não estava em Seu grupo.

O orgulho tende a nos levar à exclusividade, não é? Não aceito aqueles que citam o nome de Cristo, mas não pregam a verdade de Cristo. Mas, eu devo abraçar todos aqueles que têm ambos, ou seja, agem em nome Dele e pregam a verdade Dele, seja quais forem as organizações às quais façam parte. Você sabe, a ideia de classificar, no corpo de Cristo, está presente não apenas em indivíduos contra indivíduos, mas também em grupos contra grupos, igrejas contra igrejas, organizações contra organizações. Isso é tão pecaminoso!

Isso não significa que não devamos avaliar o que as pessoas ensinam e se discernem a verdade corretamente. Mas, uma vez que conhecemos alguém que seja fiel à verdade, então devemos recebê-lo como irmão. O apóstolo Paulo disse, em outras palavras:

Mesmo que eles preguem a Cristo por discórdia, mesmo que eles preguem a Cristo para adicionar aflição às minhas cadeias, mesmo que sejam anti-Paulo, mesmo que sejam incorretos para comigo, mesmo que falem mal e mintam sobre mim, eu me alegro no fato de que Cristo seja pregado e me regozijarei.

Paulo nunca se inclinou para os conflitos de personalidade que são tão desenfreados na igreja.

Jesus respondeu a João : ‘Você não deveria ter feito isso. Você está certo em confessar o seu erro. Estou feliz que você tenha se sentido condenado o suficiente para dizer isso. Saiba que  você não deveria ter feito o que fez com aquele rapaz’. E então, Jesus novamente traz esse axioma, no final do versículo 50: “… quem não é contra nós é por nós.

Muito mais poderia ser dito, mas eu quero terminar com esse pensamento contido nessa pequena afirmação: “… quem não é contra nós é por nós.” É realmente uma afirmação poderosa. Jesus disse algo semelhante: “Aquele que não está conosco está contra nós”. É outra maneira de ser dito. Aparece em várias outras partes da Escritura. Mas, o que eu quero extrair é apenas isso. Tenha isso em mente com muito cuidado: Não há meio termo. Você está com Cristo ou contra Ele. Você está certo ou está errado. Não existe um meio termo entre a verdade e o erro.

Não há uma zona intermediária entre a doutrina sadia e a heresia. Não há nada no meio, ok? É verdade ou não é. Esse entendimento foi perdido no nosso mundo hoje, mesmo o mundo evangélico. Foi perdido entre os teólogos evangélicos. Criaram uma espécie de uma área cinzenta onde algo não é certo e nem é errado. Mas, não é assim que Deus avalia. Para Ele, não há meio termo. Há a adoração a Deus através do reconhecimento da verdade, ou é a blasfêmia a Deus através do fracasso em reconhecer a verdade. Algo está certo ou errado, verdadeiro ou falso, sã doutrina ou heresia. Não há uma zona intermediária. Não há nada no meio.

As pessoas dizem: “Bem, você é tão apegado à doutrina …”.  Esta é a razão pela qual sou apegado à doutrina: você está com Jesus ou contra Ele, e não há meio termo nisso. Jesus disse isso, como eu citei para você, em vários lugares diferentes de várias maneiras diferentes. Veja o versículo 23, do capítulo 11 de Lucas: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” Não há meio termo. E se você não está na verdade, você está fora dela. E se o seu evangelho não está certo, está errado e não há nenhuma zona intermediária entre o certo e o errado. Esta verdade precisa ser afirmada, precisa ser afirmada.

Então, escute: enquanto estamos afirmando a diversidade, também estamos afirmando que as únicas pessoas que reconhecemos como verdadeiros cristãos naquela diversidade de ministérios são aquelas que são fiéis a Cristo, certo? Não podemos simplesmente abraçar a todos na diversidade, apenas porque eles reivindicam pertencer a  Cristo. Eles têm que estar com Cristo,  unidos a Cristo ou são contra Cristo e possuem apenas alguma aparência de piedade externa. Não há meio termo.

E, quando você encontrar pessoas fiéis a Cristo, louve a Deus por isso. Ele sempre tem o Seu povo fiel em todas as gerações. Queremos amá-los, queremos abraçá-los, queremos envolver nossos braços em torno deles, porque aquele que não está contra nós, disse Jesus, é por nós. E mesmo que possamos não concordar com os métodos deles, ou com seu estilo, se eles são de Cristo, estamos com eles, mas com a ressalva de que eles sejam realmente de Cristo, que estejam comprometidos com a verdade.

O orgulho é algo terrível. É tão penetrante em nosso mundo e tão penetrante em nossos corações caídos que precisamos dessas lições repetidamente ensinadas. E que Deus nos ajude, pela graça do Espírito Santo que opera em nossas vidas, na compreensão dessas verdades, para buscarmos a humildade, para Sua glória e honra.

Oremos.

Pai, obrigado pela Palavra nesta manhã. E um tanto frustrados estamos, porque existem tantas outras formas pelas quais podemos enriquecer este ensino, mas confiamos que teremos outra oportunidade de fazê-lo. Sabemos que nas Escrituras esta lição foi ensinada várias vezes na vida dos apóstolos e, assim,  voltaremos  a examiná-la, porque também precisamos dela. Obrigado por Tua graça para conosco. Obrigado por nos humilhar em nossa justificação. Agora nos humilhe em nossa santificação, pedimos, para que possamos receber a plenitude da graça que o Senhor dá aos humildes e sermos úteis para Ti. Para a Tua glória, oramos. Amém.

 


Esta é uma série de 2 sermões ,  conforme links abaixo.

01. Marca da real grandeza – Parte 1
02. Marca da real grandeza – Parte 2


Este texto é uma síntese do sermão “The Mark of True Greatness, Part 2″, de John MacArthur em 30/03/1983.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/42-130/the-mark-of-true-greatness-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno

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