A Fé que Moveu Noé

Imprimir
Voltamos para Hebreus, capítulo 11, e vamos olhar para Noé e a obra da fé. A grande história de Noé é resumida em um versículo: “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (v.7).

Este versículo bíblico condensa Gênesis 6, 7, 8 e 9. Ele supõe que você conhece a história de Noé. A epístola aos Hebreus foi escrita para os hebreus, e eles conheciam bem a história de Noé. Aliás, este capítulo resume a história dos heróis da fé de forma bem sintética, pois o autor da carta sabia que seus leitores conheciam a história de cada um deles.

Assim como os demais, Noé foi marcado pela fé. Lembro a vocês o que Tiago disse: “Fé sem obras é morta”. O que ele quis dizer com isso? É que a verdadeira fé resulta em obras. E Noé é certamente a ilustração clássica dessa verdade no Velho Testamento. Sua ação pela fé é, em alguns aspectos, mais notável do que em qualquer outra pessoa.

A Bíblia sempre ensina que os homens vêm a Deus pela fé somente e depois continuam a viver na fé, que simplesmente significa tomar Deus em Sua Palavra e confiar nessa Palavra como verdadeira. Nunca através de obras, auto esforço, cerimônias ou realização moral você pode chegar a Deus. Você só pode vir a Deus pela fé. Sempre foi assim, nunca foi diferente, seja no Novo ou no Antigo Testamento.

Mas quando o Evangelho da graça e da fé vieram, sendo pregados por Cristo e pelos apóstolos, pareceu aos judeus daqueles dias como uma mensagem nova, porque o judaísmo que foi originalmente uma mensagem de salvação pela graça através da fé, tinha sido corrompido em um sistema de obras.

Os hebreus tinham sido expostos, por toda a sua vida, a uma espécie de judaísmo corrompido, que ensinava a salvação por esforços morais e religiosos. E apesar de haver ainda alguns judeus que criam piedosamente, eles eram apenas um remanescente, pois os judeus em geral tinham sido ensinados que a salvação vinha pelas obras.

Deus rejeitava isso, mas os judeus haviam depositado suas esperanças na nacionalidade, na circuncisão, na posse da Lei, na conformidade com a Lei, na observância de rituais, ou seja, em obras externas. O modelo mais conhecido seria o Apóstolo Paulo, que era um judeu extremante zeloso com a religião. Ele declarou:

Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo (Filipenses 3: 5-7).

Paulo pensava que sua fé nas obras tinha algum valor, mas quando encontrou o verdadeiro Evangelho da fé e graça, através de Cristo, ele disse que tudo aquilo não passava de lixo.

O tema da salvação sempre foi a graça. E esse é o ponto principal do capítulo, para dizer a esses hebreus: “Isto não é novo, isto é velho”. E a indicação no capítulo 11 vem, como você observou, onde o escritor de Hebreus cita Habacuque 2: 4, “O justo viverá pela fé”. A fé sempre foi o caminho de Deus. Nunca foi diferente.

Portanto, o evangelho da graça e da fé não é novo. O capítulo 11 torna a mensagem cristalina, dando-nos uma lista de todos aqueles que podem ser classificados como homens e mulheres de fé. Tanto na Nova Aliança quanto na Antiga Aliança, o fundamento da justiça era e é a fé.

O único detalhe no versículo 7 é que Noé preparou uma arca. Refere-se a coisas ainda não vistas. Que coisas ainda não vistas? E como condenou o mundo? E como ele se tornou herdeiro da justiça? Assim, para que possamos obter o relato completo da fé de Noé, temos que voltar para a grande história em Gênesis.

Agora, o início do versículo é o nosso ponto de partida:“Pela fé, Noé sendo advertido por Deus”. Ele não tinha nada para prosseguir, senão no que Deus havia dito. Ele não tinha nada a fazer, senão cumprir a Palavra de Deus. E Deus lhe disse que algo ia acontecer e que nunca tinha acontecido na história do mundo.

Então, disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra (Gênesis 6:13).

Deus vem a Noé e lhe diz que Ele vai destruir toda a terra. Cerca de 1.500 anos ou mais haviam se passado desde a criação. O homem estava degradado, o pecado desenfreado e a rejeição a Deus era crescente. Assim, Deus entrega um decreto que revela que Ele vai destruir toda a Terra pela água, poupando apenas Noé e sua família. Como é dito no versículo 18: “Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo”.

Ora, este é o mais notável acontecimento de julgamento no Antigo Testamento, a destruição de toda a raça humana, com exceção de oito pessoas. A história nos diz que Deus julgará os pecadores, que aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo (Hebreus 9:27). Cada pecador enfrentará, individualmente, o juízo de Deus.

Mas, periodicamente, há esses julgamentos maciços. Por longos períodos de tempo, Deus deixa os pecadores viverem do jeito que querem e realizarem seus próprios desejos, e então, de repente, e devastadoramente, Deus intervém na história humana de forma cataclísmica. O Dilúvio, na história humana, é o maior de todos os julgamentos cataclísmicos. É o segundo evento mais assombroso do Velho Testamento, depois da Criação..

Agora, não temos tempo para ver todos os detalhes. Já fizemos diversos estudos profundos de Gênesis, e eles estão disponíveis aos irmãos em áudio, vídeo e texto. Mas para nós, neste momento, vamos apenas ver o que Deus disse que Ele ia fazer, o que Ele pediu a Noé para fazer e como Noé demonstrou sua fé. O que provocou o juízo de Deus?

E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito (Gênesis 6:5-7).

Essa foi a causa. Deus viu a intensa iniquidade e a maldade do homem e entristeceu-se profundamente. Os versos 11 e 12 dizem:

A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.

A palavra hebraica para violência é “chamas”, que significa ‘abuso de pessoas’ ou ‘rebelião geral’. A Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, traduz isso como “adikia”, que quer dizer “injustiça”.

Versículo 12: “Deus olhou para a terra, e eis que estava corrompida, porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra”. Provavelmente você já notou a palavra ‘toda‘, significando que há uma condenação geral de julgamento.

O versículo 6 nos diz que o Senhor estava arrependido de ter feito o homem sobre a Terra e que Ele se entristeceu em Seu coração. Este é um tipo de declaração antropomórfica*. Deus não se arrepende de nada, mas esta palavra é para expressar um lamento profundo de Deus.

* Antropomórfica: Forma de pensamento que atribui características ou aspectos humanos a animais, deuses, elementos da natureza e constituintes da realidade em geral

É uma palavra semelhante à afirmação que Nosso Senhor faz sobre Judas: “Teria sido melhor para aquele homem se ele nunca tivesse nascido”. Essa é uma maneira hebraica de expressar o sofrimento consumado.

Assim, verso 7, o Senhor diz: “Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito”. A palavra traduzida com “destruirei” é uma palavra hebraica muito forte, “machah”, que expressa a ideia de apagar algo. Ou seja, removê-los todos juntos. ‘Eu apagarei o homem do planeta’: uma promessa de morte por atacado e destruição.

Agora, isso nos leva de volta ao versículo 13. Deus, então, fala a Noé: “O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra”.

Há um incidente no começo deste capítulo. Os quatro versículos dizem a que ponto o mal chegou, com as pessoas literalmente acolhendo os demônios para entrar nelas, coabitar com as mulheres e o fruto disso eram alianças satânicas, filhos horrendos que levaram a maldade a seus níveis extremos.

Então, aqui Deus fala, no versículo 13, pela primeira vez pessoalmente a Noé. Ele falará com ele mais três vezes, em 7:1, 8:15 e 9:1. E a mensagem que Ele dá a Noé é de um enorme e maciço julgamento.

Sabe, deve ter sido tão assombroso para Noé ouvir isso. Havia milhões de pessoas no mundo nessa época. Nós não podemos saber o número exato, mas eu ouvi cálculos de oito milhões a cem milhões de pessoas. O mundo era densamente povoado. As pessoas viviam por novecentos anos ou mais, e assim, podiam gerar muitos filhos. Apenas crer que o julgamento viria é certamente um ato de fé.

Deve ter havido algo nele que pareça um paralelo com os céticos que Pedro nos diz que, quando ouvirem falar sobre a Segunda Vinda, dirão: “Isso nunca vai acontecer, todas as coisas continuam como eram desde o início”. O ceticismo pode ter existido na mente de Noé, pelo menos em um ponto quando ele falou consigo mesmo: “mas tudo está tão normal, nada está acontecendo de diferente. Como isso pode ser?” O verso 14 era ainda mais intrigante para Noé: fazer uma arca para esperar por um dilúvio, quando nunca havia chovido na Terra, desde a Criação.

Agora, Deus não disse a Noé como Ele iria destruir o mundo ainda, certo? Ele apenas diz no versículo 13, “O fim está chegando. Eu vou destruir toda a raça humana”. Noé não sabe como. Então, Deus diz: “Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra morrerá”.

Esta arca seria uma grande caixa e não algo em forma de barco ou navio. Não tinha velas, leme, navegador etc. Era simplesmente uma grande caixa. Deus usou uma caixa para salvar a vida de Moisés (Êxodo 2:3-5), para que ele pudesse libertar os hebreus do Egito, e naquele momento, Ele estava salvando Noé, para preservação da raça humana.

Noé não era um construtor de navios, e a arca era uma caixa. Deus lhe deu todos os detalhes de como construí-la. De acordo com Gênesis 6:15, a arca deveria ter 150 metros de comprimento, 25 metros de altura e 15 metros de largura. Não foi algo construído para navegação e velocidade, mas para estabilidade. A construção de navios modernos obedece as mesmas proporções da arca. A arca estava muito à frente de seu tempo.

Alguns calcularam que a capacidade da arca era igual a 522 vagões. Como cada vagão pode transportar 240 ovelhas, então, a arca poderia transportar até 125 mil ovelhas. Havia muitos compartimentos na arca. Só a revelação sobrenatural poderia projetar um navio daquele tamanho, capaz de transportar tantos animais.

Quando Deus dá a Noé a ordem para construí-la, ainda haveria 120 anos até o dilúvio. Foi um projeto de longo prazo. Não sabemos quanto tempo levou para construí-la, mas a suposição poderia ser que ele provavelmente começou muito cedo. Deus disse a Noé para fazer um barco sem leme em que ele passaria um longo templo flutuando em um planeta inundado.

O verso 17 de Gênesis 6 fala de uma inundação. O uso da palavra “mabbul” é exclusivo nos capítulos 6 e 9 de Gênesis e no Salmo 29:10. Esta não foi uma inundação local, mas mundial. Não tenho como falar sobre isto hoje, mas há evidências contundentes daquele dilúvio, provas incríveis.

A Bíblia é clara quanto ao Dilúvio, que foi uma inundação universal, porque ela o compara com a próxima destruição. Segunda Pedro 3, nos diz que, no modo como Deus destruiu o mundo pela água, Ele destruirá o mundo pelo fogo. E isso é destruição universal, em ambos os casos.

No verso 18, Deus revela sua promessa a Noé: “Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo”. Agora, ele está começando a fazer a arca. E Deus diz que “de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão” (v.18).

Deus fala de uma inundação provocada por uma grande chuva, algo que Noé desconhecia, pois não havia ocorrido chuva na Terra antes do dilúvio, e de reunir um casal de cada animal na arca. Noé não poderia entender como seria tudo aquilo. Mas, sabia que ele havia achado graça aos do Senhor (v.8) e “assim fez Noé; conforme a tudo o que Deus lhe mandou” (v.22).

Por que Noé achou graça aos olhos do Senhor? “Porque era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus” (v.9). Este é um homem que vivia num mundo pervertido e condenado, mas creu no que Deus disse, sabia que era um pecador e precisava de sacrifício para receber graça e perdão de Deus, e procedia como Abel. Ele fez como Enoque, caminhando com Deus. Ele estava em verdadeira comunhão com Deus. Ele era um homem justo e Deus fez uma promessa. Ele creu e obedeceu.

Agora, tudo isto nos leva ao ponto do capítulo 11 de Hebreus. “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (v.7).

O que ainda não se viam? Julgamento cataclísmico do mundo, por meio de uma inundação global. Noé sabia que o mundo estava corrompido e que Deus é santo, justo e um Deus de juízo. Deus revelou-se e ele, e então, ele conhece o Senhor, caminha com Ele e confia Nele.

Podemos destacar três características na fé de Noé. Primeiro, ele obedeceu à Palavra de Deus quando estava muito além de qualquer coisa que ele pudesse experimentar ou compreender. Com reverência, ele preparou uma arca para a salvação de sua casa por 120 anos. Durante esse período, ele construiu um navio maciço de 15 mil toneladas no meio do deserto, por uma razão: porque Deus lhe disse que o fizesse e Deus lhe disse que o dilúvio viria e o julgamento era inevitável. E ele obedeceu.

Esta é a essência da fé. A fé não precisa entender, não precisa compreender. A fé alcança algo que está além da experiência, além da compreensão. Eu acho que nós entendemos um pouco isso, pois caminhamos pela fé e não pela visão (II Coríntios 5:7). Confiamos a nossa eternidade a Deus. Vivemos com fé, confiamos em Cristo por um céu que nunca vimos, para escapar de um julgamento que nunca vimos.

A Bíblia diz que todos os ímpios irão para o inferno. A Bíblia diz que haverá um holocausto de juízo divino na Terra no futuro, pelo fogo. Acreditamos nisso, mas não vimos isso. Mas, nós vivemos na fé e pela fé obedecemos ao evangelho que é a arca da segurança para nós. Deus nos providenciou uma arca para nos resgatar do juízo futuro e nós entramos naquela arca, a arca é Cristo. Portanto, a fé de Noé é, antes de tudo, demonstrada em sua obediência à Palavra de Deus em uma questão que ele não poderia experimentar, nem mesmo entender.

Em segundo lugar, sua fé não só apareceu em sua obediência, mas também em sua pregação. Ele creu e obedeceu à Palavra de Deus e anunciou o julgamento de Deus. Ele “preparou a arca, pela qual condenou o mundo”. Esse mesmo ato foi uma declaração constante por 120 anos, até que o julgamento inevitável chegasse. Pedro cita Noé como pregoeiro da justiça (II Pedro 2:5). Ele pregou sobre o juízo por 120 anos.

Nós vimos, em Gênesis 5, que Enoque havia gerado Matusalém, que viveu ainda por cerca de 600 anos após Deus tomar para si a seu pai Enoque. Matusalém significa, no hebraico “quando este morrer, isto virá” (após a morte de Matusalém, veio o dilúvio). Foi um nome dado por Deus para uma profecia. O que Deus estava dizendo no nome dado a Matusalém era que ele não morreria até que o julgamento fosse enviado. É o que esse nome indicava. Matusalém viveria até que chegasse o juízo.

Matusalém viveu 969 anos. Mais tempo do que qualquer outra pessoa. Desde seu nascimento, seu próprio nome era uma profecia de juízo. Os ímpios foram avisados de um julgamento vindouro. Eles também foram avisados por Enoque de um julgamento vindouro (Judas 1:14). É interessante para mim que no nome de Matusalém havia uma profecia de que o julgamento estava chegando.

Adão viveu por 930 anos, e certamente passou sua vida proclamando o sacrifício de Abel. Enoque também foi um pregoeiro do juízo (Judas 14-15). Deus o tomou para Si, mas seu filho Matusalém pregou até que o dilúvio viesse. E o ano em que Matusalém morreu é o ano em que veio o dilúvio. A graça de Deus é exibida aqui, Matusalém viveu mais do que qualquer homem, 969 anos. A graça, a misericórdia e a paciência de Deus.

Assim, a geração do dia de Noé desprezou sacrifícios e expiação, rejeitou as advertências e mensagens de julgamento e justiça. A revelação divina foi desprezada e rejeitada neste ataque louco de corrupção. E, no entanto, Deus esperou e esperou 969 anos, no caso de Matusalém e 120 anos no caso de Noé.

Mas, a fé de Noé é marcada por sua obediência ao fazer exatamente o que Deus lhe disse para fazer e sua vontade de ser um pregador da justiça e dar a mensagem que acompanhou o trabalho que ele fez, proclamando o iminente e devastador julgamento. Ele passou 120 anos pregando que a única fuga era a justiça, mas ninguém lhe deu ouvidos.

Noé obedeceu à Palavra de Deus, pregou o juízo de Deus e, em terceiro lugar, recebeu a justiça de Deus. Ele tornou-se um herdeiro da justiça que é segundo a fé (Hebreus 11:7).

Isso parece um conceito de Paulo, não é? Isso parece tanto com o Novo Testamento. Ele tornou-se um herdeiro da justiça pela fé. Ele cria em Deus e porque ele cria na Palavra de Deus, Deus lhe concedeu justiça, imputou justiça a ele. Isso explica o que significa Gênesis 6:8, onde diz que “Noé achou favor ou graça aos olhos do Senhor”. Ele era um homem justo, irrepreensível em seu tempo, Noé andava com Deus.

Em Gênesis 7:1, Deus diz a Noé: “Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração”. Ele é uma ilustração do Antigo Testamento de justificação pela fé. No relacionamento da aliança com Deus, ele cria em Deus e Deus se agradou de sua fé e lhe concedeu justiça. Ele é um homem justo. Ele era irrepreensível diante de Deus.

Ele era perfeito? Não. Quando você entra no capítulo 9, descobre que ele foi culpado de um pecado humilhante. Noé não era um homem perfeito diante dos homens, mas ele era um homem perfeito diante de Deus, porque, pela fé, a justiça foi creditada em sua conta.

Entendemos isso como uma verdade do Novo Testamento, mas este texto está nos dizendo que é uma verdade do Antigo Testamento. Se você lê a Carta aos Romanos, no capítulo 3, vê que pelas obras da Lei nenhuma carne será justificada. Em Filipenses 3:9, Paulo diz: “E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé”.

Essa é a grande e ampla doutrina da justificação pela fé. Cremos em tudo o que Deus revelou e isso significa que cremos na mensagem completa, todo o caminho através de Seu Filho, Jesus Cristo. E quando você crê nessa mensagem de coração, Deus concederá a justiça e o cobrirá com Sua própria justiça e o considerará irrepreensível. E você, tendo sido salvo na arca da segurança, que é Cristo, é libertado de todo futuro julgamento.

Pedro entendeu que Cristo é a nossa arca da segurança. Cristo é aquele que nos salva do julgamento. Pedro escreveu sobre isso em suas epístolas. No capítulo 3 de sua segunda epístola, ele declara sobre o juízo e a arca de segurança que Deus fez provisão a seus filhos:

Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça (v. 5-6, 13).

Pai, novamente, Tua Palavra nos falou com sua clareza e seu poder. Agradecemos a Ti por sua consistência, como está em todas as provas de escrutínio, exame e comparação. Nós nos alegramos em sua verdade enquanto, por um lado, como João, é gostoso ao nosso paladar, mas é amargo para o estômago. Deve ter sido assim para Noé. Deve ter sido, em muitos aspectos, uma alegria saber que ele deveria ser salvo e resgatado do julgamento. E um horror saber que todo mundo ao seu redor pereceria e, portanto, havia uma espécie de paixão certamente em seu coração ao proclamar Julgamento e chamar as pessoas para a fé e justiça. Então, para nós, quando pensamos sobre o futuro, por um lado, somos gratos por termos encontrado o nosso caminho na arca da segurança, que é Jesus Cristo, e nos alegramos com isso e, no entanto, nos afligimos por aqueles que irão perecer na devastação desse julgamento final.

Agradecemos a Ti que, quando Cristo vier em julgamento, não será como era nos dias de Noé, no sentido completo. Sim, a comparação é feita assim: como foi nos dias de Noé, será na vinda do Filho do Homem, ou seja, as pessoas cuidando de seus negócios, se casando, fazendo todas as suas tarefas diárias e elas vão ser varridas por um julgamento ardente, como aqueles foram varridos em um dilúvio de julgamento. Mas, a diferença será, e agradecemos por isso, que não haverá apenas oito almas salvas, mas haverá muitos, haverá milhares, haverá milhões. E agradecemos a Ti por essa promessa esperançosa e verdadeira. Que possamos ser fiéis como Noé, ser pregadores da justiça para esta geração, advertindo-os do julgamento que está por vir e chamá-los para o evangelho da graça e a justiça que é imputada aos que têm fé.

Obrigado, Pai, pela grandeza de Tua salvação, dada a nós, embora sejamos absolutamente indignos. Nós Te louvamos pelo nome do Teu Filho. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre Hebreus 11. Abaixo os links dos que já foram publicados

  1. O que é a fé?
  2. A fé que moveu Enoque
  3. A fé que moveu Abraão
  4. A fé que moveu Moisés
  5. A fé que moveu Noé
  6. A fé que moveu Abel
  7. A fé que moveu Isaque, Jacó e José

Este texto é uma síntese do sermão “Noah: A Preacher of Faith”, de John MacArthur em 08/11/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-384/noah-a-preacher-of-faith

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *