A Fé que Moveu Moisés

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Em Hebreus 11:23-29 temos uma rápida síntese da história de Moisés, onde podemos aprender muito sobre a . A epístola aos Hebreus foi escrita para um grupo de crentes judeus e para alguns judeus que estavam ouvindo o Evangelho.

E uma das perguntas que o povo judeu teria sobre o Evangelho de Jesus Cristo seria a respeito da salvação pela fé. Eles estavam habituados com uma forma corrompida de judaísmo, que ensinava que a salvação vinha das obras, cerimônias, rituais, manutenção de uma aparência externa, de obedecer a lei e a tudo que os rabinos haviam acrescentado a ela. Tudo era uma questão de seu próprio esforço e de suas próprias obras para agradar a Deus. Esse era o judaísmo corrompido.

Quando o Evangelho enfatizou a fé sobre todas as coisas, os judeus pensavam ser uma nova mensagem, algo diferente do Antigo Testamento. E assim, no capítulo 11, o escritor da epístola aos Hebreus está mostrando que a salvação sempre foi pela fé. Já aprendemos sobre Abel, Enoque, Noé, Abraão e sobre os demais patriarcas: Isaque, Jacó e José.

Vimos que todos esses homens tinham um relacionamento correto com Deus por meio da fé. A fé definia esse relacionamento. Saindo de Gênesis, entramos no livro de Êxodo, que nos conta a história de Moisés, que vai até o capítulo 34 de Deuteronômio. Sua história é tão extensa que passa por Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Então, ele tem muito a nos contar.

Ora, os judeus imaginavam Moisés como o modelo da Lei, a ponto de a Lei ser chamada de “Lei Mosaica” ou “Lei de Moisés”. E assim, os judeus supunham que se alguém fosse um modelo de legalismo, tinha que ser Moisés. Moisés seria o legalista supremo. Então, é algo impressionante dizer que Moisés operou no reino espiritual pela fé e não pela Lei.

O escritor da epístola aos Hebreus expõe a fé de Moisés e como sua fé agiu nas diversas escolhas que ele fez. Sua vida foi marcada por escolhas relacionadas à sua fé. Veja o relato de Hebreus 11:

24 Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,
25 preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado;
26 porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão.
27 Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.
28 Pela fé, celebrou a Páscoa e o derramamento do sangue, para que o exterminador não tocasse nos primogênitos dos israelitas.
29 Pela fé, atravessaram o mar Vermelho como por terra seca; tentando-o os egípcios, foram tragados de todo.

Eu dou um título a esta porção: “Aquilo que a fé aceita e aquilo que a fé rejeita”. As escolhas da fé. Se você tem uma fé verdadeira e salvadora, então você faz escolhas. Há certas coisas que você aceita e há certas coisas que você rejeita e elas são realmente modeladas para nós aqui na história de Moisés. Moisés é o próximo exemplo da verdade de que a salvação não vem das obras, não da religiosidade, cerimônia ou ritual, mas da fé. Essa é a crença pessoal na Palavra de Deus.

Ao estudarmos Abel, aprendemos como alguém ganha vida pela fé e é através do sacrifício. Abel nos mostrou, então, como viver pela fé. Enoque nos mostrou como andar pela fé. Noé nos mostrou como trabalhar pela fé. E Abraão nos mostrou o padrão da fé. Os outros patriarcas mostraram a vitória da fé em enfrentar a morte com esperança, pois receberam a Aliança Abraâmica, mas nunca viram seu cumprimento. Abraão morreu na fé sem receber as promessas, tal como Isaque, Jacó e José. Então, eles são todos modelos de fé em um aspecto.

E agora, olhamos para Moisés e ele nos mostra como a fé age em termos das decisões que tomamos. E essa é uma maneira básica de ver a vida. A vida é uma série de escolhas que fazemos, algumas boas e outras ruins. Muitas vezes ouvimos pessoas se lamentando por escolhas ruins que fizeram, mas muitos não querem admitir que foram seus pecados que os levaram a fazer escolhas ruins.

Bem, isso é absolutamente verdade. O pecado é sempre uma má escolha. Nossas vidas são marcadas por fazermos a escolha certa ou a escolha errada. A vida é composta de decisões. E cada dia, cada circunstância, representa outra oportunidade para que possamos fazer uma escolha. Nós enfrentamos a oportunidade cada dia de nossas vidas, repetidamente, para fazer a escolha correta.

Eu amo o que J.J. Ingalls escreveu muitos anos atrás. Ele escreveu sobre a oportunidade nessas palavras. Descrevendo oportunidade, ele disse:

Mestre dos destinos humanos eu sou. Caminho por cidades e campos, penetro em desertos e mares remotos, passando por casebres, centros comerciais e palácios. Cedo ou tarde, eu bato espontaneamente uma vez em cada portão. Se dormindo acorda, se o jejum se levanta antes que eu volte, é hora do destino e os que me seguem alcançam cada estado. Mortais, desejam e conquistam cada inimigo, salvam a morte, exceto aqueles que duvidam ou hesitam. Condenado à falência, penúria e aflição, busca-me em vão e desnecessariamente implora. Eu respondo que não. Eu não volto mais.

Cada circunstância na vida é uma oportunidade de vida para fazer a escolha certa. Napoleão costumava dizer:

Em cada batalha há um período de dez ou quinze minutos de tempo em que a questão da batalha é resolvida. Ganhar isso é vitória, perder é derrota.

E assim, cada volta na vida é uma oportunidade de fazer uma escolha correta. É uma oportunidade singular que nunca mais volta. Ou você apreende essa oportunidade para a glória de Deus, escolhendo o caminho de Deus, da verdade, da justiça, ou escolhe o caminho da carne, o caminho do mundo, o caminho de Satanás. Esta é a vida. Veja esses textos:

Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência (Deuteronômio 30:19).

Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais… Mas, quanto a mim, eu e a minha casa serviremos ao Senhor (Josué 24:15).

  • Abel escolheu o caminho de Deus, o mais excelente sacrifício. Seu irmão, não. Abel foi abençoado e seu irmão foi amaldiçoado.
  • Enoque escolheu o caminho de Deus e andou com Deus. O resto do mundo não o fez e foi destruído, com exceção de oito almas.
  • Noé escolheu o caminho de Deus. O resto da raça humana pereceu no dilúvio.
  • Abraão escolheu o caminho de Deus, para viver uma vida de fé. Mas, as pessoas, em cuja terra ele morava, rejeitaram e foram tragicamente destruídas.
  • Isaque, Jacó e José escolheram o caminho de Deus e creram em Deus através do que não podiam ver. E eles morreram em esperança.

Houve outros, no Antigo Testamento, além dos nomes mais conhecidos, que fizeram a escolha correta. Por exemplo, em I Reis 19:18 o Senhor diz a Elias que conservou sete mil homens que não se curvaram a Baal. Outro exemplo, em II Reis 22:2, a Palavra declara que o rei Josias fez o que era reto aos olhos do Senhor e não se desviou para a direita nem para a esquerda.

Houve momentos em que todo Israel fez uma afirmação que parecia uma escolha certa. Em Êxodo 24:15, o povo diz: “Todas as palavras, que o Senhor tem falado, faremos”. O mesmo aconteceu em Neemias 10:28-29, quando declararam que seriam obedientes ao Senhor. Mas foram apenas palavras vazias.

Mas, quando olhamos para Moisés, contemplamos sua escolha pelos caminhos do Senhor, sua vida pela fé e sua obediência demonstrada em suas decisões. Essas decisões refletiam tudo que ele amou e tudo que ele rejeitou.

Vamos dar uma olhada no que ele rejeitou. O que rejeita a verdadeira fé?

A primeira recusa: “Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó…” (Hebreus 11:24-27).

Conforme os capítulos 1 e 2 do livro de Êxodo, Moisés, por providência de Deus, foi posto num cesto no rio Nilo, porque havia um decreto de Faraó para matar todos os bebês hebreus do sexo masculino. O cesto flutuou até a uma área onde a filha de Faraó estava tomando banho. Ela o viu, sabia que era um menino hebreu condenado à morte por seu pai, mas se apiedou dele, localizou a mãe de Moisés, Joquebede (Êxodo 6:20), e pagou para que ela cuidasse dele e o amamentasse.

Êxodo 2:10 diz: “E, quando o menino já era grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou; e chamou-lhe Moisés, e disse: Porque das águas o tenho tirado”. Não sabemos especificamente qual a idade de Moisés quando isso ocorreu. Tudo indica que aos 12 anos de idade. E isso significa que ele recebeu, de seus pais, o ensino sobre a Palavra de Deus, a promessa de Deus a Abraão, Isaque e Jacó, a história de José, a esperança da terra prometida e que viria um tempo em que Deus levaria Seu povo do Egito para lá. E mais: que Deus tinha prometido enviar um libertador para Israel, e um supremo libertador, a esperança maior de um Messias, aquele que teria o cetro, conforme Gênesis 49:10, um que seria o profeta definitivo.

Ele teria aprendido que o povo estava esperando o tempo de sua libertação e sua entrada na terra prometida. Eles esperavam a vinda de seu Messias, aquele que feriria a cabeça da serpente. Ele teria sido treinado em tudo o que Deus havia revelado, até então, uma grande promessa de Aliança a Abraão reiterada aos outros patriarcas.

E, depois de todo aquele treinamento do que tinha sido revelado por Deus, até seu tempo, ele foi levado de volta para ser o filho da filha de Faraó. Ele se tornou seu filho. Não seu bebê, não sua criança, mas seu filho – outra indicação de que ele estava, talvez, por volta dos doze anos de idade. Ela o nomeou Moisés, que significa “tirado das águas”.

Moisés, então, cresceu, tornou-se filho da filha de Faraó e “foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras” (Atos 7:22). Ele conheceu a verdade do Deus de seus pais e agora estava aprendendo a sabedoria dos egípcios.

O que o coração de Moisés agarrou, a sabedoria dos egípcios ou a verdade de Deus? Com toda a instrução que ele recebeu dos egípcios, ele teria perdido o que ele tinha como base de sua vida, a Palavra de Deus? Quando atingiu a idade de maturidade, ele enfrentou esta decisão crucial.

A resposta ao dilema está em Hebreus 11:24, que diz: “Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó”. Ele rejeitou o prestígio do mundo. E não foi pouco o prestígio que ele desprezou. Ele estava na posição de neto do Faraó, o homem mais poderoso em seu tempo, governante da sociedade mais sofisticada, rica e avançada daquela época.

Ele teve as honras de ser um príncipe no Egito. Tinha conforto, servos, poder, riquezas e privilégios. Ele “era poderoso em suas palavras e obras” (Atos 7:22). Deveria manter seu prestígio mundial? Ou deveria abandoná-lo para o chamado de Deus? Ele sabia que Deus o havia chamado para libertar Israel. Atos 7:23-25 diz:

E, quando completou a idade de quarenta anos, veio-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos de Israel. E, vendo maltratado um deles, o defendeu, e vingou o ofendido, matando o egípcio. E ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam.

Êxodo, capítulo 2, descreve o mesmo fato. Esse é o momento em que ele rejeitou o prestígio, a honra e tudo o que tinha como um príncipe do Egito. Ele jogou tudo fora e tomou seu lugar com os escravos. Ele rejeitou o prestígio que o Egito tinha a oferecer, porque sabia que Deus tinha um Reino melhor, uma recompensa melhor e um chamado mais alto para ele.

Ele tinha honra, poder, fama e tantas coisas muito sedutoras. A maioria das pessoas vive toda a vida perseguindo essas coisas. Ele tinha todas elas e desistiu de todas. Ele saiu do Palácio para se tornar um escravo. Ele se identificou com os escravos porque eles eram o povo de Deus. Ele sabia que Deus tinha um plano para eles, uma terra, uma promessa, um Reino e salvação, tudo ligado à promessa dada a Abraão. Deus iria recompensar o Seu povo com coisas muito maiores do que o que o Egito poderia oferecer.

Então, Moisés confia em Deus para recompensar, cumprir e realizar Seu propósito em sua vida. Ele literalmente rejeita o que tinha em mãos, ou seja, o prestígio e poder do Egito, e escolhe sofrer com o povo de Deus.

Foi este chamado que Jesus fez a todos Seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23). Se alguém não abandonar as coisas do mundo, não pode vir a Deus. Lembre-se da semente que caiu entre os espinhos: “Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera” (Mateus 4:19).

Anos atrás, o Barão Von Veltz rejeitou seu título na Europa, suas propriedades e suas receitas porque queria se tornar missionário na Guiana Britânica. E hoje seu corpo está numa sepultura solitária ali. Na época em que renunciou ao seu título para se tornar um missionário, ele escreveu o seguinte:

O que importa eu ter o título de ‘nascido de boa família’, quando nasci de novo em Cristo? O que importa para mim ter o título de “Senhor”, quando eu desejo ser o servo de Cristo? O que importa ser chamado de ‘senhor duque’ quando eu precisar da graça de Deus? Todas essas vaidades eu joguei fora e deito aos pés de meu querido Senhor Jesus.

E assim foi Moisés, rejeitando o prestígio do mundo.

Em segundo lugar, ele rejeitou o prazer do mundo. Veja o versículo 25: “Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado”.

O mundo vê o pecado como divertido e agradável, pois ele produz um gozo momentâneo. No Egito, você poderia satisfazer todos os seus desejos à vontade, especialmente se você fosse o príncipe. Tudo estaria à sua disposição, tudo que você desejasse, sem exceção. Jó 20:4-8 diz:

Porventura não sabes tu que desde a antiguidade, desde que o homem foi posto sobre a terra, o júbilo dos ímpios é breve, e a alegria dos hipócritas momentânea? Ainda que a sua altivez suba até ao céu, e a sua cabeça chegue até às nuvens. Contudo, como o seu próprio esterco, perecerá para sempre; e os que o viam dirão: Onde está? Como um sonho voará, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite.

Mas, Moisés foi chamado a desistir, a dar tudo para tornar-se um escravo com seu povo. Escolheu rejeitar os prazeres do pecado que são momentâneos e passar a fazer a obra de Deus, porque ela produz dividendos que são duradouros.

Tenho certeza de que, no início, Davi não havia pensado realmente sobre o seu terrível pecado com Bate-Seba. Mais tarde, na escuridão de sua própria culpa, ele gritou: “Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim” (Salmo 51:3). O prazer passou tão rápido e o levou a se tornar um assassino, ver a morte do filho e sofrer com a rebelião de seu filho Absalão. Seu pecado foi uma mancha horrível em sua vida.

Moisés fez a escolha certa. Essa é a escolha que a fé faz. Põe a sua confiança em Deus e diz: “Estou disposto a perder o gozo do mundo, a abandonar os prazeres do pecado e viver em busca do tesouro invisível”. Moisés teve tudo o que o mundo pode oferecer em suas mãos, mas rejeitou tudo e viveu em função da vontade de Deus.

A terceira rejeição: a abundância do mundo. Veja o versículo 26: “considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão”.

“Ele considerou”, no grego, “ele julgou ou ele fez um julgamento”. Esta não foi uma conclusão precipitada, mas uma consideração muito cuidadosa. Ele tinha prestígio, poder, riquezas e tudo que quisesse no Egito. Mas, a verdadeira fé salvadora rejeita todas essas coisas. Ele considerou o opróbrio de Cristo infinitamente mais valioso que os tesouros do Egito. Ele estava olhando para a recompensa eterna.

Agora, o que ele quer dizer com o opróbrio (desonra pública) de Cristo? Bem, há um pensamento maravilhoso aí. Seria um opróbrio semelhante ao que Cristo suportou. Moisés sabia que havia a promessa de um futuro libertador. Assim, ele estava disposto a sair do prestígio do palácio para a rejeição e desprezo junto ao povo de Deus.

Isto foi o que Cristo experimentou: sendo Ele rico, por amor de nós se fez pobre (II Coríntios 8:9). Pensamento maravilhoso. Moisés carregou um opróbrio que guardou semelhança ao de Cristo, com a diferença que Cristo era infinitamente rico, privilegiado, satisfeito na presença de Deus e colocou tudo de lado para fazer a vontade do Pai.

Moisés também rejeitou a pressão do mundo. Verso 27: “Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível”. Inicialmente, ele teve que fugir do Egito para Midiã, para escapar de ser morto por Faraó (Êxodo 2:15) e lá ficou por quarenta anos (Atos 7:30), antes de voltar ao Egito para ser um instrumento de Deus na libertação dos hebreus. Ele suportou tudo porque viu Aquele que era invisível. Ele sabia que sua vida estava nas mãos do Deus invisível e eterno.

O que realmente é dito lá no versículo 27: “Pela fé ele deixou o Egito”, é uma palavra com um sentido mais forte, no original, do que a tradução expressa. A palavra é “kataleipo”. Pode se referir a uma simples partida, mas é realmente uma palavra mais profunda, especialmente aqui. Alguns comentaristas entendem que significa uma renúncia de coração. O mesmo verbo é também usado em Lucas, significando que eles deixaram tudo para seguir Jesus.

Assim, tem a ideia de não simplesmente deixar o Egito, mas de renunciar ao Egito. Ele rejeitou o Egito como tendo qualquer poder sobre sua vida. Ele rejeitou o poder que Faraó supostamente tinha sobre sua vida. Ele rejeitou o temor do homem, para tomar emprestado as palavras de Provérbios 29:25, que diz: “O temor do homem armará laços, mas o que confia no Senhor será posto em alto retiro”.

E, você sabe, nem todos tinham sido tão fortes. Abraão acabou chamando sua esposa de irmã, porque temia o rei. Isaque fez a mesma coisa, porque temia um rei terreno. Jacó agiu com medo, fugindo de Labão. Arão agiu com medo, cedendo ao povo quando eles exigiram um bezerro de ouro. Assim vai. Davi agiu com medo, fugindo de Absalão.

Então, aqui temos a fé de alguém que não teme a ira do rei, porque ele sabe que sua vida está nas mãos de Deus. Como ele é ousado! Como ele é destemido! Bem, você se lembra da história, você chega a Êxodo 5 e se lembra do que acontece depois de quarenta anos em Midiã, o que ele faz? Ele volta. E para onde ele vai? Caminha diretamente para o palácio do Faraó e diz: “Faraó, deixa ir o meu povo”. Isso é ser destemido, não é?

Quarenta anos ele estava vivendo na terra de Midiã como um pastor de ovelhas e agora volta para o palácio do Faraó sem um exército ou armas. E ele foi enfrentar um monarca orgulhoso, altivo, pagão e que reinava sobre o maior império daquela época. E até à libertação, Moisés travou, ousadamente, um longo embate com o reino mais poderoso da terra.

Este é um homem de fé. Onde ele obteve esse tipo de fé? Alguns poderiam dizer que ele era macho e corajoso. Mas tudo procedeu de enxergar o invisível. Ele viu um Rei incomparável a qualquer rei terrestre e um reino acima de qualquer reino terrestre.

Ele tomou as decisões certas, rejeitou o prestígio do mundo, o prazer do mundo, a abundância do mundo e resistiu à pressão do mundo. Ele não rejeitou um nível baixo de prestígio, prazer e abundância, mas um nível altíssimo. Ele não resistiu a uma pequena pressão do mundo, mas a uma extrema pressão vinda do maior império da terra e do homem mais poderoso do mundo em seu tempo.

Moisés não foi um exemplo de legalismo, mas o modelo de um homem de fé que cria na Palavra de Deus. E por isso ele foi aceito por Deus.

Sabemos o que a verdadeira fé rejeita e, ao mesmo tempo, obviamente, o que ela aceita, ou seja, a Palavra de Deus. Mas o que significa aceitar a Palavra de Deus? O que a fé verdadeira aceita?

Primeiro de tudo, a verdadeira fé aceita os planos do Senhor. Veja o verso 23 de Hebreus 11: “Pela fé Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o edito do rei”.

Faraó tinha feito um decreto para matar os meninos hebreus e eles, sem medo, esconderam e protegeram a criança. E a única justificativa que o texto nos diz sobre isso é porque eles viram que ele era uma criança formosa, linda. Você diz: “Esse é o pensamento normal de todos os pais. Todos os pais veem seus filhos como lindos e maravilhosos”.

A palavra “formosa” ou “bela” é muito interessante. Êxodo 2:2 diz: “…Vendo que ele era formoso (ou belo), escondeu-o três meses”. E em Atos 7:20, Estevão diz: “Nesse tempo nasceu Moisés, e era mui formoso (ou belo), e foi criado três meses em casa de seu pai”. “Belo” ou “formoso” usado em Êxodo e em Atos significa “adorável aos olhos de Deus”.

Não era apenas uma questão de beleza física, os pais de Moisés sabiam que a criança era filha de Deus, que ele era justo aos olhos de Deus. Não era simplesmente uma atração humana por sua aparência. Era uma criança especial para Deus e que tinha um destino divino. Eles confiaram em Deus e protegeram a criança em desafio ao edito de Faraó. Colocaram Moisés num cesto no rio Nilo e creram que Deus traria o destino divinamente planejado para aquela criança.

Assim é como a fé age, não apenas com Moisés, mas voltamos para os pais de Moisés, Anrão e Joquebede, e aprendemos que a fé aceita o plano de Deus ou o propósito de Deus. Eles estavam plenamente confiantes na providência de Deus e no fato de que Deus tinha um propósito para aquela vida. Nós não sabemos como eles sabiam disso, mas certamente tinha sido declarado a eles. E assim, os pais de Moisés são modelos da fé que confia no propósito e no plano de Deus.

Eles o puseram em um cesto, a filha de Faraó o encontra e o devolve para que eles cuidem de Moisés por muito tempo (provavelmente até aos 12 anos de idade). Então, Moisés foi habitar no palácio, mas devidamente informado de tudo a respeito do Deus vivo, seus planos e propósitos, e sobre o chamado do próprio Moisés. Ele ficou no Palácio até os quarenta anos, sendo exposto à sabedoria egípcia, mas nunca se desviou de seu chamado.

E assim, a sua fé era como a de seus pais. Ele se recusou a ser chamado filho da filha do Faraó, ele recusou o prestígio, a proeminência, os tesouros, o poder, o prazer e não sucumbiu diante da pressão que sofreu. Ele creu plenamente no Senhor e agiu com base na sua fé.

A partir do versículo 11 de Êxodo 2, vemos o relato de Moisés matando um egípcio, que feria um hebreu, e enterrou seu corpo na areia. Um ato pecaminoso de Moisés, mas que já indicava que ele estava disposto a pagar as consequência de se identificar com seu povo e lidera-lo para a libertação da escravidão no Egito. E assim, ele enfrentou a oposição de seu próprio povo:

E tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois homens hebreus contendiam; e disse ao injusto: Por que feres a teu próximo? Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós? Pensas matar-me, como mataste o egípcio? Então temeu Moisés, e disse: Certamente este negócio foi descoberto. Ouvindo, pois, Faraó este caso, procurou matar a Moisés; mas Moisés fugiu de diante da face de Faraó, e habitou na terra de Midiã, e assentou-se junto a um poço (Êxodo 2:13-15).

Moisés não sabia como o plano de Deus iria ser consumado. O assassinato do egípcio, mesmo sendo uma ação que não pode ser tolerada, foi um importante ponto de mudança no curso de sua vida, expressando sua profunda identificação com o propósito de Deus, com o povo de Deus e sua rejeição total a tudo o que o Egito tinha a oferecer . Mas, mesmo o seu próprio povo o rejeitou, porque temiam que os egípcios viessem matá-los.

Ele fugiu por 40 anos, e durante todo esse tempo ele sabia que era o libertador de Israel. Ele levou o opróbrio de um ungido. Ele sabia o que devia fazer. E quando chegou o tempo, ele já tinha sido preparado por Deus e voltou utilizando apenas a Palavra do Senhor. A verdadeira fé aceita o plano do Senhor.

Em segundo lugar, aceita a provisão do Senhor. “Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse”. A última praga sobre o Egito foi o anjo da morte, que ceifaria a vida de todos os primogênitos, a menos que o sangue de cordeiro fosse aplicado, com um molho de hissopo, nas vergas das portas e em ambas as ombreiras (Êxodo 12:22).

Moisés fez isso, porque sabia que aquela era a provisão de Deus. Ele não agiu por si mesmo. Ele não tentou desenvolver sua própria estratégia. Ele aceitou a provisão de Deus e o caminho do Senhor. Ele fez tudo conforme a Palavra do Senhor. Ele chamou a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: “Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa… Vocês serão poupados se fizerem isso” (Êxodo 12:21 e 23).

Ele aceitou os planos do Senhor, as provisões do Senhor e a promessa do Senhor. Por fim, “Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram” (Hebreus 11:29).

Esse é um ato impressionante de fé. Quando o povo estava apavorado e encurralado entre o mar e o exercito de Faraó, Moisés proclamou:

Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais os tornareis a ver. O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis (Êxodo 14:13-14).

Ele cria sempre na provisão de Deus. Em nenhum momento vacilou em sua fé. Ele não estava esperando um grande navio, mas o mover do Senhor. A história de Moisés não é a história da Lei, é a história da fé. A fé faz todas as escolhas certas.

Pai, obrigado por nos dar realmente uma visão de águia, uma visão geral deste assunto e nos deixar olhar para ele de longe, mas uma história maravilhosa que é. E essa era a intenção do escritor aos Hebreus e, portanto, do Espírito Santo, de nos dar essa visão da história de Moisés, a visão que indica que ele é um homem de fé.
Isso não é natural. Isso não é normal. Isso não é humano. É um tipo de fé que só o Senhor pode dar. Essa é uma fé que salva. Essa é a fé que confia em Ti enquanto ainda não pode realmente ver os resultados. Diz não ao prestígio que pode ver, segura em Tua mão e diz sim ao prestígio que é invisível.
Fé que diz não aos prazeres que estão presentes e diz sim para o prazer que está por vir. Que diz não para o tesouro que está em mãos e sim para o tesouro que é colocado no céu. Não será intimidada pela pressão, pelo medo do homem. Fé que opera na confiança do poder invisível de Deus para proteger a si própria. Que modelo de fé, a fé que escolhe seguir o plano que o Senhor estabeleceu!
Seu propósito de vê-la se desdobrar, a fé que é ousada, que avança na confiança da promessa a ser cumprida. E vivemos naquela fé, Senhor, amamos Aquele a quem não vimos.
Temos uma esperança para um céu que nunca vimos e uma recompensa eterna que nunca vimos, e comunhão com o Senhor, o Deus invisível e o Senhor Jesus Cristo, a quem amamos embora não O tenhamos visto.
De onde vem essa fé? Este é um dom de Deus. E nós Te agradecemos pelo dom da fé e por nos dar esse tipo de fé que diz não ao mundo passageiro e sim ao que é eterno. Damos-Te louvor e gratidão, em nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre Hebreus 11. Abaixo os links dos que já foram publicados


Este texto é uma síntese do sermão “Moses: The Decisions of Faith”, de John MacArthur em 13/12/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-387/moses-the-decisions-of-faith

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno

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