Aborto! Que diz a Bíblia? – 2

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Este é o segundo de dois sermões de John MacArthur sobre o aborto. Para melhor entendimento do assunto, recomendamos a leitura prévia do primeiro sermão (Clique aqui e leia), onde ele definiu aborto, descreveu os procedimentos macabros do aborto, o sinistro avanço dele em todo o mundo, além de fazer avaliações bíblicas.  Neste presente sermão, além de um breve comentário do sermão anterior, ele avança nas respostas bíblicas e responde se há alguma exceção aceita por Deus.


Continuaremos hoje à noite de onde paramos nesta manhã em nossa exposição sobre o assunto do aborto. E como eu fiz esta manhã, eu quero começar com uma introdução que defina a questão que enfrentamos. Pela manhã, tivemos uma abordagem um pouco estatística, porém hoje à noite gostaria de abordar o assunto de um ponto de vista ético. Quero compartilhar com você alguns pensamentos que podem ajudar a definir esse assunto em sua mente e, então, vamos à Palavra de Deus para respostas específicas.

Durante séculos, o mundo ocidental operou sobre o que poderíamos chamar de ética do direito sagrado à vida. Ou seja, uma pessoa tinha direito à vida simplesmente por ser humano e era considerada humano por estar viva. Mas, tem havido uma mudança nos últimos anos para uma ética da qualidade de vida, em vez de uma ética do direito sagrado à vida.

Esta nova ética basicamente diz que uma pessoa não tem o direito de viver simplesmente por ser um humano. Uma pessoa só tem o direito de viver se satisfizer certos critérios, tiver certas qualidades. De acordo com esse ponto de vista moderno, uma pessoa não tem direito de viver simplesmente porque está viva. Mesmo se ela estiver fisicamente viva, ainda assim deve cumprir alguns critérios adicionais para ser considerada totalmente um humano. Se não cumprir tais critérios, não terá os direitos de um ser humano, incluindo o direito de viver.

Os não-nascidos devem atender a algum tipo de padrão vago de dignidade genética, ou devem possuir uma vida digna de ser vivida, ou devem ser procurados pela sociedade, ou devem atender aos critérios pessoais da mãe para serem considerados humanos. Esta mudança sutilmente permite o pesadelo da distorção do cenário de utopia [ou seja, no afã de se conseguir a sociedade perfeita, elimina-se os ‘imperfeitos’]. Também acaba autorizando programas de purificação genética, tais como os que foram perseguidos por Hitler e pelos médicos nazistas.

Esse é o mesmo tipo de ética que permitiu que os nazistas eliminassem elementos genéticos indesejados na população. Quando se perguntou a um guarda do campo de extermínio nazista como milhares de pessoas poderiam ter sido eliminadas daquela forma, sua resposta foi que elas não eram consideradas seres humanos. E o paralelo à nossa situação moderna é desconfortavelmente próximo.

De acordo com vários pesquisadores que estudam a vida de Margaret Sanger – que, aliás, foi a fundadora da Planned Parenthood (maior organização de abortos de mundo), a maior defensora do aborto que o mundo já conheceu -, ela concordou essencialmente com a abordagem de Hitler e procurou eliminar da raça humana os negros, europeus do sul, hebreus e outros considerados de “mente débil”.

Isso, então, muda o conceito da vida como direito sagrado, para um novo conceito conceito de que o direito de viver se baseia na qualidade da vida, que é determinada pelos engenheiros genéticos, ou pelos filósofos, ou quem quer que seja.

Embora chocantes, tais propostas eugênicas (“higiene racial” ou purificação da raça superior) não são muito diferentes, em princípio, da prática atual de abortar bebês. Um bebê que tem Síndrome de Down, defeito de nascença ou um que seria inconveniente, não tem uma vida digna de ser vivida, portanto, não é humano, e assim, podemos descartá-lo prontamente.

Estudiosos respeitados já propuseram critérios diferentes para estabelecer os critérios para o conceito dessa qualidade de vida que viabilizaria a vida. E você pode ler sem parar sobre isso. Uma ilustração, o prêmio Nobel James Watson, propôs que uma pessoa não deve ser declarado como possuidor da qualidade de viver até três dias após o nascimento, para ter certeza de que seja saudável. Em outras palavras, esperar três dias e, em seguida, se a criança não cumprir os critérios, tirar a sua vida.

Outras propostas exigem que alguém tenha vários anos antes que possa ser considerado um ser humano e, portanto, qualificado para viver. Eu ouvi recentemente que, em alguns países escandinavos, estão dizendo agora que uma pessoa pode não ser verdadeiramente considerada humana até que tenha sete anos de idade. Naturalmente, se os critérios podem ser impostos perto do começo da vida, então podem ser impostos a qualquer fase da vida.

Joseph Fletcher – você o associa com a ética da situação – sugeriu que para ser considerado uma pessoa deve-se ter um QI mensurável de, pelo menos, 40. Por esse critério, bebês, idosos senis ou pessoas que sofreram certos tipos de acidentes incapacitantes não seriam qualificados como seres humanos. Em tais casos, argumenta Fletcher, o aborto, o infanticídio e a eutanásia não estão tirando a vida pessoal, mas apenas a vida biológica.

As tentativas de justificar o aborto – alegando que ele elimina o sofrimento – não só abandona a ética do direito sagrado à vida, mas também ignora os fatos. Argumentar que o aborto visa a eliminar sofrimento não é verdade. É como o argumento de que os deficientes não têm uma vida digna de ser vivida. Os abortistas argumentam que crianças indesejadas vão ser crianças abusadas e, portanto, se elas não são desejadas, aborte-as para que elas não nasçam e sejam abusadas.

A propósito, estudos mostram que há muito pouca correlação entre o quanto uma criança é desejada antes do nascimento e o quanto essa criança é querida após o nascimento. Além disso, o Dr. Lenoski, professor de pediatria aqui na USC [University of Southern California], demonstrou que 91 por cento das crianças maltratadas são frutos de gravidezes planejadas.

Outro estudo demonstrou haver maior comportamento abusivo  em relação a bebês queridos do que quanto aqueles que foram indesejados.  Assim, qualquer argumento de que uma criança indesejada se torna uma criança abusada simplesmente não resiste a qualquer tipo de teste.

Pelo contrário, parece haver uma correlação entre o aborto e o abuso infantil. Quando o aborto foi legalizado nos Estados Unidos, havia 167.000 casos de abuso infantil por ano. Foi legalizado em 1973. Em 1979, havia 711.000 casos. Em 1982, já havia 1 milhão. A Grã-Bretanha experimentou um aumento de dez vezes no abuso de crianças após a liberalização das leis de aborto.

Agora, você pergunta: “Qual é a correlação?” A correlação é que passou-se a educar toda a sociedade no sentido de que uma criança é uma não-pessoa, que não vale a pena viver e que não deve ser um intruso inconveniente no mundo dos pais, de modo que a sociedade passou a tratar as crianças dessa maneira. O professor de psiquiatria Philip Ney concluiu, em um estudo amplamente divulgado, que a aceitação da violência contra o feto diminuiu a resistência dos pais para com a violência contra as crianças nascidas. Isso deveria ser óbvio.

O aborto é muitas vezes retratado como algo que visa beneficiar as mulheres. No entanto, ironicamente, quando as decisões para abortar são tomadas com base no sexo, as meninas são abortadas muito mais do que os meninos. De 8.000  abortos  feito em Bombaim, 7.999 eram meninas. Apenas um menino. Isso é verdade na China. Você só tem permissão para ter um filho e, se for uma menina, eles a matam. Em um estudo nos Estados Unidos, 29 de 46 meninas foram abortadas. Apenas 1 dos 53 meninos foram abortados. Portanto, a ideia de que o aborto beneficia as mulheres não parece corresponder aos fatos. O aborto leva à matança de mulheres ao redor do mundo.

Alguns argumentam que o aborto é necessário por causa da superpopulação. Mas isso ignora os princípios de produção e distribuição. De que forma os abortos realizados nos Estados Unidos aliviam a sobrepopulação em áreas lotadas da África!? Não há correlação!! Além disso, os Estados Unidos e a Europa têm um problema diferente quando se trata de população, pois nessas regiões as taxas de natalidade não têm acompanhado às de envelhecimento e morte da população.

Os pró-abortistas argumentam que a restrição dos abortos nos devolverá à era dos carniceiros dos becos. O Dr. Bernard Nathanson, que foi um daqueles abortistas e se converteu para uma posição de não-aborto, responde a isso afirmando que os números apresentados antes da aprovação da lei que autoriza o aborto nos EUA – visando criar uma imagem de necessidade de legalização do aborto, das alegadas mortes de gestantes que se submeteram a abortos ilegais em clínicas clandestinas – foram intensamente inflacionados.

De fato, ele afirma que os pró-aborto mentiram sobre quantas mortes realmente ocorreram como consequência de abortos ilegais, porque eles queriam o aborto legalizado por razões de negócios, então eles fabricaram todos os números para fazer com que as pessoas cressem que mais pessoas estavam morrendo do que realmente estavam em abortos ilegais.

Ele ainda afirma que desenvolvimentos em tecnologia médica e farmacologia farão com que até mesmo abortos ilegais se tornem medicamente seguros. Não que isso seja certo, mas o fato é que usam isso como um argumento de que se deixarmos de legalizar o aborto, os abortos não legais feitos em instalações médicas menos adequadas e com menos recursos médicos adequados resultarão em muitas mortes. Porém, segundo o dr. Bernard Nathanson, isso não se deve à tecnologia disponível.

A tolerância atual ao aborto está profundamente enraizada neste novo tipo de movimento de individualismo e de direitos pessoais. As pessoas pró-aborto sempre argumentam que uma mulher tem o direito de controlar seu próprio corpo, e, portanto, ela tem o direito de abortar qualquer intrusão nesse corpo. No entanto, a sociedade reconhece que os direitos devem ser limitados quando eles conflitam com os direitos de outra pessoa. E, certamente, a pessoa no ventre da mãe tem direitos.

Um juiz do Supremo Tribunal, Antonin Scalia, disse: “Se o direito de uma mulher sobre seu corpo se estende ao aborto, isso depende se o feto é uma vida humana“. E nós já vimos esta manhã que o feto é uma vida humana, não uma parte do corpo da mãe, mas uma identidade própria. Ele tem seu próprio conjunto de genes, seu próprio sistema circulatório, seu próprio tipo de sangue. Ele pode viver ou morrer independentemente da mãe, e a mãe pode viver ou morrer independentemente do feto. É uma vida separada.

A sociedade está sendo levada a uma reengenharia de pensamento e as filosofias que são dominantes na nossa cultura hoje são filosofias egoístas que pretendem remover qualquer tipo de intrusão nas liberdades pessoais.

O que a Bíblia diz sobre esse assunto do aborto? E voltamos para onde estávamos esta manhã. Já falamos sobre o primeiro ponto, que vou apenas revisá-lo brevemente agora: A concepção é um ato de Deus.

Falamos nesta manhã que Deus cria pessoalmente cada vida. Também lhes disse que no exato momento que surge a vida, Deus realiza uma obra criativa. Os teólogos têm debatido esta questão durante séculos, eu suponho. Aqueles de vocês que estão familiarizados com a teologia, poderiam lembrar de algo chamado traducionismo.

A ideia do traducionismo, basicamente, é que possuímos de alguma forma,  como macho e fêmea, no processo de procriação, o elemento em nosso poder procriativo para produzir uma alma. E a dificuldade com essa doutrina reside no fato de dois seres humanos mortais poderem produzir uma alma eterna. Bem, a resposta para isso provavelmente é não.

Por outro lado, a questão é: se não temos a capacidade de criar a alma quando nos reproduzimos, como é que o filho gerado já nasce com o pecado de Adão? Qual é a resposta para essa questão? Eu não tenho ideia. Eu me sinto duramente pressionado para pousar em ambos os lados da questão, porque eu sei que Deus não produzirá uma alma pecadora, mas também sei que dois humanos mortais não podem produzir uma alma eterna. Então, eu diria simplesmente para deixar a questão tão simples quanto minha mente possa permitir: em algum momento no incrível processo procriativo, Deus injeta a eternidade nessa alma e nós a manchamos com nossa natureza pecaminosa.

Mas, cada concepção é, no entanto, um ato de Deus, como vimos que a Escritura indica. Vimos textos, como: ‘Tu me fizeste’. ‘Tu me formaste’. ‘Tu sopraste dentro de mim o fôlego da vida’. ‘Tu ordenaste que eu viveria’. ‘Tu abriste a madre’. ‘Tu me fizeste ser quem Tu querias que eu fosse’. Este é o testemunho da Escritura.

Agora, vamos para um segundo ponto: A pessoa é criada à imagem de Deus. A pessoa criada é criada à imagem de Deus. Em Tiago 3:9, lemos: “Com ela abençoamos” – falando sobre nossas línguas – “com ela bendizemos nosso Senhor e Pai; e com ela amaldiçoamos os homens, que foram feitos à semelhança de Deus“. Já sabemos que a criação ocorre no momento da concepção. E é neste momento que Deus coloca nesse ser a realidade da vida.

Não sei em que fração de tempo na concepção ocorre a ação de Deus. São alguns milissegundos depois disso? Em algum momento, não sei quando, mas em algum momento, Deus infunde a personalidade e, assim, a alma eterna que nunca morrerá é criada por Deus. É criado esse ser real, que não é apenas uma coleção de genes, mas é algo eterno. Exatamente em que fração de segundo no processo criativo isso acontece, ninguém tem como saber.

Mas, no entanto, sempre que Deus faz isso, a criação é feita à semelhança de Deus, ou à imagem de Deus. O que estamos dizendo aqui, então, é  que o que é criado e o que é concebido não é um animal. Não é apenas uma sequência biológica. Não é apenas uma coleção de células. Não é matéria fetal. Não é apenas tecido humano. É criado por Deus à Sua imagem.

Tudo o que é necessário para esse novo ser agir, pensar, sentir, conhecer, confiar e esperar, tudo o que é racional, moral e emocional já está nele desde o momento que Deus infunde vida. Volte comigo para Gênesis capítulo 1. Vejamos os versículos 25 a 27:

Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom.   E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Nós não somos meros mortais. Nós não somos apenas carne. Somos imortais. A casca da pele, dos ossos e músculos é apenas um vaso, é apenas um repositório no qual reside algo da própria imagem de Deus. Gênesis 9:6, um versículo familiar, diz: “Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado; porque Deus fez o homem à sua imagem.” Em outras palavras: ‘se vocês matarem alguém, vão morrer. Não por causa de uma afronta contra essa carne humana, mas por causa da afronta contra a imagem de Deus’.

Há um domínio. Há uma personalidade nos homens que não existe nos animais. Há uma transcendência que se eleva acima do resto da ordem criada. Venha comigo para o Salmo 139. Há tanta coisa para dizer… e estou editando como eu vou fazê-lo… mas, este é um dos textos mais importantes a ser visto. No Salmo 139, você tem esta grande passagem que ensina que o nascituro é obra especial de Deus criada à Sua imagem.

Versículo 13: “Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe.” Literalmente, o salmista está dizendo: ‘Tu foste quem fizeste os meus rins, formaste as partes mais profundas do meu ser, teceste-me no ventre de minha mãe’. Essa é uma imagem absolutamente bela, ou seja, Deus tecendo tudo aquilo que faz parte de nossa humanidade, a tecelagem de cromossomos no DNA, a tecelagem de todos os componentes do incrível corpo humano, tudo tecido juntamente com a alma e o espírito.

No versículo 14, lemos: “Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.”  A palavra traduzida como admirável no texto original é “noraoth”, refere-se ao uso de grande poder de Deus. Ele diz que fomos admiravelmente e maravilhosamente feitos, cheios de majestade, como obras de Deus.

No versículo 15, o salmista diz: “os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.” A versão King James diz: “minha substância“, literalmente, “minha força, meus ossos, meus nervos e meus músculos“. O lugar “oculto”, secreto, referido no texto é o útero. E então, no versículo 15, a frase interessante: “…e entretecido como nas profundezas da terra“. Literalmente, “habilmente trabalhado“, no hebraico. Poderia ser traduzido como “quando eu fui tecido por vários fios coloridos“.

Para colocar de outra maneira, ‘quando Tu me teceste, pegaste cada pequeno pedaço e teceste tudo para me fazer’. É uma bela imagem da complicada e elaborada textura do ser humano. E Tu o fizeste “nas profundezas da terra“, uma referência ao ventre. Versículo 16: “ Os teus olhos me viram a substância ainda informe…“, a minha substância embrionária sem forma. Literalmente, novamente no hebraico, “algo rolou junto“, ou seja, ‘quando eu era apenas uma pequena bola de vida, quando eu era apenas uma pequena bola de cromossomos’.

Continuando o verso 16, “ e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” Ou seja, ‘todos os meus dias, todos os meus anos, todos os eventos da minha vida, meu destino eterno, tudo’. E então, no verso 17, ele diz: “Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos! E como é grande a soma deles!”. Em outras palavras: ‘é tão incrível pensar no Senhor pensando em mim antes que eu fosse feito!’.

A coisa toda por trás disso é o sentido de que esta criação é tão maravilhosa e tão incrível porque é uma criação na própria imagem de Deus. Essa imagem foi manchada. No Salmo 51, lemos algo desse estrago da imagem. Salmo 51: 5: “Eis que eu fui criado em iniqüidade, e em pecado minha mãe me concebeu“. Davi não estava falando aqui que ele foi concebido de forma ilegítima, porque ele não foi. Ele simplesmente quer dizer que ‘na minha concepção havia algo mais acontecendo em mim também, e era o pecado’.

Deus criou esse pecado? Não. Creio que transmitimos o pecado. Deus só cria a eternidade, a alma e o espírito eternos. É preciso ser uma pessoa, a propósito, para ser um pecador. Aquela pequenina vida, aquele pequenino bebê, aquela pequena bola de genética que se enrolou, esse feto já está designado como pecador no ventre, desde a concepção.

É preciso ser uma pessoa para ser um pecador. Assim, somos criados à imagem de Deus, cuja imagem é manchada pelo pecado de Adão, transmitida de geração em geração. E assim, podemos dizer que essa alma eterna é a criação de Deus, mas sua propensão pecaminosa é o legado do homem. Nenhum ser humano, então, jamais foi concebido fora da vontade de Deus, ou jamais concebido à parte da imagem de Deus. A vida é um dom de Deus, criado à Sua própria imagem.

Em terceiro lugar: a criação desamparada é o objeto especial do cuidado amoroso de Deus. Essa criação desamparada que Ele concebeu no ventre de uma mulher é o objeto especial de Seu cuidado amoroso. Em primeiro lugar, quero abordar a questão de uma forma geral. Vimos agora que aquela pequena vida é considerada uma pessoa criada por Deus à Sua própria imagem, e ainda, é um pecador.

Essa pessoa, então, torna-se objeto especial do cuidado de Deus. O Senhor se identifica com os pecadores. O Senhor se identifica com os necessitados. O Senhor se identifica com os pobres. O Senhor se identifica com a viúva. O Senhor se identifica com o órfão. O Senhor se identifica com os indefesos. No Salmo 82, encontramos uma referência geral àquilo que pode ser uma base para nossa compreensão. No Salmo 82:3, temos: “Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado.

É verdade que Deus tem uma preocupação especial para com os desamparados. Alguém pode estar mais desamparado, mais fraco, alguém é mais indefeso do que aquele nascituro? E assim, como todos os outros que são fracos e indefesos, os nascituros tornam-se alvo do cuidado especial de Deus. Eu não tenho tempo para examinar todo o fenômeno médico que protege o bebê no útero, mas é absolutamente incrível como Deus maravilhosamente isolou aquela pequena vida em um ambiente de calor, saúde e segurança, como Ele projetou o útero da mãe para ser um protetor.

Nunca esquecerei quando Patricia estava grávida de um dos nossos pequeninos – e estou tentando lembrar qual, acho que foi Mark – sim, era Mark. Minha esposa, grávida de nove meses, subiu numa cadeira, tentando consertar a cortina, no que ela se apoiou numa prateleira que sustentava uma pequena televisão que tínhamos. Ela perdeu o equilíbrio, caiu, derrubando a televisão, a qual caiu sobre a barriga dela, deixando um enorme hematoma.

Mark nasceu logo depois. Desde o acidente até o momento do nascimento, ficamos muito preocupados sobre se a pancada teria provocado algum dano em Mark. Ficamos muito emocionados, depois que ele nasceu, de ver como Deus o havia protegido, sendo ele ainda tão frágil. Deus tem muita compaixão pelos desamparados.

Lembro-me de ler, há alguns anos, sobre uma senhora que eu conheci, da qual alguns de vocês se lembram. Seu nome era Ethel Waters. Ela era um verdadeiro instrumento para o Senhor, dando seu testemunho. Ela compartilhou uma pequena história maravilhosa: “Uma menina negra foi atacada e estuprada por um homem branco na Pensilvânia. Ela mal tinha completado seu 13º aniversário. Ela ficou grávida”.

E Ethel Waters disse: “Houve aborto? Não. Em vez disso, nasceu uma menina saudável, que veio amar Cristo e cantar para Sua glória e fazer milhões de pessoas felizes. Uma garota cuja música preferida era ‘Deus olha para o pardal’. E essa menina sou eu.” O amor mostrado a um bebê desamparado, sem um pai, nasceu porque uma mãe não fez um aborto e deu ao mundo um presente maravilhoso. Essa história pode ser repetida milhões de vezes.

As pessoas inocentes e indefesas têm um protetor especial em Deus, que quer trazê-las ao nascimento, não importam as circunstâncias que levaram à sua concepção, ou que dificuldades possam haver em sua vida futura. Deus tem seus propósitos. E devo dizer que até mesmo os pecadores que passarão uma eternidade no inferno servirão ao propósito de Deus. E se Deus quis fazer vasos que são preparados para a ira, para trazer a Si mesmo glória, decidiu permitir que essas pessoas existissem, é o Seu próprio propósito [Rom. 9:22-23].

Estou convencido de que a fúria de Deus cairá um dia sobre os assassinos de Suas criaturas que não buscaram Seu perdão. Deus é protetor dos inocentes. Agora, para ilustrar isso biblicamente, voltem a Êxodo, capítulo 21. Esta é uma das passagens realmente importantes sobre o aborto. Nesta seção da Escritura, seguindo os dez mandamentos, Deus dá uma série de leis que dizem respeito à vida e todas as suas inúmeras circunstâncias. E em Êxodo 21, temos um relato muito interessante.

Dizem-nos os versículo 22 a 25:

Se homens brigarem, e ferirem mulher grávida, e forem causa de que aborte, porém sem maior dano, aquele que feriu será obrigado a indenizar segundo o que lhe exigir o marido da mulher; e pagará como os juízes lhe determinarem. Mas, se houver dano grave, então, darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe.

Uma das infelizes traduções no Novo Padrão Americano é a substituição da palavra aborto neste texto pela expressãoaborto espontâneo“. Não sei porque traduziram o termo hebraico aqui dessa forma! Não há nenhuma razão, pelo menos em minha mente, de acreditar que o versículo 22 se refere a um aborto espontâneo. E há um suporte contextual para isso, bem como linguístico. A leitura literal hebraica é simplesmente a seguinte: “E se os homens lutam uns contra os outros e atacam uma mulher com filhos…” – aqui está o hebraico – “para que seus filhos saiam“. Isso é o que o texto em hebraico diz.

Em outras palavras, ‘isso faz com que a criança saia’. Se não houvesse mais ferimentos, então, o agressor certamente seria multado como exigisse o marido da vítima, e deveria pagar coforme o que os juízes ou os tribunais determinassem. “Yeled”, a palavra usada no texto original, é a palavra hebraica comum para “criança“, a única irregularidade aqui é que está no plural, e é improvável que se refira a um feto em desenvolvimento que tenha sido abortado. O verbo “yatsa” muitas vezes se refere ao parto normal.

Enfim, o texto está se referindo a uma situação em que uma luta acontece, dois homens estão lutando e provavelmente uma mulher entra em cena, você sabe, a esposa para tentar parar a luta, e ela é atingida de modo que seus filhos saem (lembre-se que no original está no plural) sendo que um parto normal ocorre.

A propósito, o termo yatsa, que se refere ao parto normal, é usado em Gênesis 15:4 e Isaías 39:7  – referindo-se a um nascimento gerado a partir das entranhas do pai – e também em Gênesis 25:26 e Jeremias 1 – referindo-se ao parto, à criança sendo retirada da barriga da mãe. Assim, do lado do pai e do lado materno, o termo é usado para expressar uma criança que nasce. Em nenhum caso, esse termo, yatsa, se refere a um aborto espontâneo. Números 12:12 usa-o, mas refere-se a um natimorto, não um aborto.

A palavra hebraica para aborto espontâneo, shakol, usada em Êxodo 23:26, Oséias 9:14, não é usada neste versículo [Ex. 21:22]. Então, o que você tem aqui no texto de Êxodo é um nascimento prematuro. Agora, siga o pensamento: dois homens estão lutando. A mulher provavelmente entra, ela é atingida no processo e, conseqüentemente, o trauma causa um nascimento prematuro. Se tudo o que acontece é que a criança sai e não há mais ferimentos, então deve haver uma multa para o desconforto, para os problemas que possam advir para cuidar da criança, e cuidar da mulher por causa de qualquer trauma Ela tenha sofrido. E, se houver algum debate sobre isso, então, os juízes podem discernir o que deve ser.

Mas se houver dano grave…” [v.23]. Agora, o que seria isso? Bem, isso teria que significar algo mais grave, incluindo a perda da vida. “…então, darás vida por vida.” Qual é a questão aqui? A questão é que se alguém for responsável por matar um feto, deve pagar com a vida. Essa é a questão. Esse é o ponto. O delito aqui é visto como assassinato.

Assim, o versículo 22 foi incorretamente traduzido para significar que houve algum tipo de aborto. O equivalente a “maior” não aparece no texto hebraico. Ele simplesmente diz, no hebraico, “se não houver nenhuma lesão“, ou seja, se a criança nascer e não há qualquer lesão, tudo bem. O agressor arcará com o que seria equivalente aos custos médicos, se houver algum. Mas se houver mais do que isso, se houver lesão à criança, se houver lesão à mãe, então lex talionis, ou seja,’olho por olho, dente por dente’. E se a criança morrer, então o agressor paga com a própria vida.

É apenas a idéia de punição adequada, ou seja, se a criança sai e seu olho está ferido, o agressor perde o olho. Se a criança sai e sua mão está ferida, o agressor perde sua mão, se seu pé, seu pé, e assim por diante. Ferida por ferida, isso é justiça. Mas se a criança morrer, o agressor paga com a sua vida, lex talionis, a lei de talião.

Assim, a Escritura nos ensina, muito, muito claramente que a concepção é um ato de Deus, que cada pessoa concebida é concebida à imagem de Deus, e que cada pessoa está sob o cuidado especial de Deus. Nada ilustra isso mais do que: se alguém ferir uma criança que nasceu prematuramente por consequência de esse agressor ter infligido essa lesão, ele deve pagar uma punição justa, incluindo a pena de morte, em caso de a criança ser morta por conta da agressão. Deus tem um cuidado especial para aqueles que estão desamparados.

Há um quarto ponto: a compaixão deve ser exercida para com toda a criação de Deus à Sua imagem. Devemos nos portar para com esses frágeis pequeninos nos inspirando no cuidado que o próprio Deus tem para com eles.

Mas, voltando àquele princípio judaico que vimos esta manhã, isto é, “amarás o teu próximo como a ti mesmo” – reiterado em Mateus 22:39,  em Romanos, que nos diz no capítulo 13 que o amor cumpre toda a lei -, o nascituro é o próximo, é uma pessoa que precisa de cuidados e proteção. Nós temos o dever de tratar as crianças não nascidas com o mesmo tipo de compaixão que aplicaríamos a toda a criação de Deus, feita à Sua imagem.

Algo que eu hesito em dizer, mas devo digressar  por um momento, é sobre o fato de que hoje o movimento pró-aborto está estreitamente ligado com o movimento de defesa dos direitos dos animais, porque este último basicamente diz que os animais são iguais às pessoas. Vocês se lembram que há alguns meses eu falei sobre um dos slogans do movimento de defesa dos direitos dos animais que é: “uma rocha é um rato é um cão é um menino.” Em outras palavras, tudo o que é criado é de igual valor.

Não há uma compreensão apropriada de que o homem é criado à imagem de Deus e deve ser tratado com especial cuidado e consideração. E uma especial compaixão cristã deve ser aplicada a todos feitos à imagem de Deus. Eu nem consigo imaginar como uma mãe poderia pensar em um bebê como um inimigo. Se esse bebê foi o produto de um estupro, ou se esse bebê foi de algum modo malformado, como aquela mulher poderia pensar que a criança que está gerando seja um inimigo, quando por Deus lhe foi dado o privilégio de proteger aquela pequena e frágil vida? Certamente, isso não é um instinto natural para uma mãe. Mas, é uma ideia disseminada por uma cultura que se tornou decadente.

Bem, há muito mais a dizer sobre isso. Deixe-me levá-lo a um quinto princípio. Dissemos que a concepção é ato de Deus, a pessoa é criada à imagem de Deus, cuidar dessa nova vida é a preocupação de Deus, e a compaixão deve ser exigida pelo povo de Deus. Deixe-me levá-lo a um quinto, e este é talvez o mais surpreendente: a condenação dos assassinos é a vontade de Deus.

Já lemos em Êxodo que se uma pessoa golpeia uma mulher grávida, de modo que ocorra um parto prematuro como consequência disto e o bebê nasça e morra, o agressor pagará com a própria vida. É o princípio de vida pela vida. Não devemos nos surpreender com isso, pois sabemos que essa criança é uma vida viável e uma pessoa criada por Deus, mas em nossos dias poderemos nos surpreender, porque nos disseram que o feto não é uma pessoa.

Em Êxodo 20:13, Deus disse: “Não matarás“. E eu leio Gênesis 9: 6, que diz: “Quem derramar o sangue do ser humano; pelo próprio homem seu sangue será derramado; porquanto à imagem de Deus foi a humanidade criada.” Em outras palavras, claramente a Escritura indica que se você tirar uma vida, você vai perder a vida. Algumas pessoas dizem: ‘bem, isso é ensino do Antigo Testamento… Certamente Jesus mudou tudo isso’. Não, Ele não o fez.

Jesus foi o principal defensor da pena de morte do Novo Testamento. Em Mateus 26:51, é dito: “Eis que um daqueles que estavam com Jesus… ” – isto é, Pedro – “… estendendo a mão, puxou a espada e ferindo o servo do sumo sacerdote, decepou-lhe uma das orelhas.” E você sabe que ele estava tentando cortar a cabeça daquele homem, não sua orelha. Só que o sujeito abaixou e perdeu apenas a orelha. E, então, Jesus disse a Pedro: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada pela espada morrerão!

Jesus não está dando uma profecia, Ele está reiterando uma lei divina: ‘se você tirar uma vida, você dá uma vida’. Jesus estava articulando a lei de Deus: ‘se você pegar a espada e tirar a vida desse homem, você dará a sua vida em troca’.

Em Atos 25, Paulo disse, a partir do versículo 10:

Replicou-lhe Paulo: “Eis que estou diante do tribunal de César, onde convém seja eu julgado; nenhum crime pratiquei contra os judeus, como tu muito bem sabes. Contudo, se fiz qualquer mal ou pratiquei algum crime que mereça a pena de morte, estou pronto para morrer. Mas, se não são verdadeiras as acusações que me afrontam esses homens, ninguém tem o direito de me entregar a eles. Portanto, apelo para César!”

Paulo sabia que a pena capital foi designada por Deus. Ele disse: “Se eu fiz algo digno da morte, então, não me recuso a morrer”. Aqui você tem o apóstolo Paulo reiterando sua própria crença de que Deus estabeleceu a lei da pena capital. Em Romanos 13:4, Paulo disse que a polícia, os soldados, quem quer que no governo carregue armas para proteger os inocentes e punir o mal, “não é sem razão que traz a espada. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal”. Eles estão armados para tirar a vida. Eles não têm espadas para espancá-lo com elas. Eles têm espadas para tirar sua vida.

Claramente, a Escritura no Antigo Testamento projetou uma punição com pena de morte para aqueles que tirassem a vida de outra pessoa, e até mesmo a vida de uma criança por nascer. Jesus reiterou que a pena capital é apropriada para certos crimes, assim como fez o apóstolo Paulo.

Em Provérbios 6:16-17, deixe-me dar-lhe uma visão mais profunda da atitude de Deus para com aqueles que matam:  “Há seis atitudes que o SENHOR odeia, sete atitudes que ele detesta: olhos arrogantes, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente…“. Deus odeia pessoas que derramam sangue inocente. Há algo mais inocente do que uma criança? Existe algo mais inocente do que uma criança protegida, escondida no útero de sua própria mãe? Provérbios 24:11 diz:

Liberta os que estão sendo conduzidos à morte, salva os que são arrastados ao suplício! Porquanto, ainda que alegares: ‘Eis que não sabíamos o que ocorria!’ Aquele que investiga todos os corações não perceberia a verdade? Não saberia Aquele que preserva a sua vida? Não retribuirá Ele a cada um segundo a sua atitude?

Em outras palavras: Se você está permitindo que pessoas inocentes sejam mortas, não diga: ‘Bem, eu não sabia o que estava acontecendo…’. Deus conhece seu coração . Ele sabe. E se você for culpado, Ele retribuirá de acordo com sua obra.

Há muitas outras partes das Escrituras que falam sobre a atitude de Deus. Em Deuteronômio 27:25, temos: “Maldito quem aceitar qualquer pagamento para matar uma pessoa inocente. E todo o povo dirá: Amém!“. Deus diz que se você é pago para matar alguém, é maldito. E há alguns outros detalhes. Temos Levítico, capítulo 18; 2 Reis, capítulo 24; Amós, capítulo 1.

Quero dar um passo adiante. Deus proíbe tirar a vida inocente. Que entendamos isso. Mas, eu quero dar um passo adiante e dizer que onde há derramamento de sangue, um resultado muito interessante acontece. Veja o Salmo 106. Aqui está uma acusação contra pessoas pecadoras que, verso 37, sacrificam seus filhos e suas filhas aos demônios e derramam sangue inocente. Eles realmente matam seus próprios filhos para torná-los sacrifícios a deuses falsos.

Versos 38: “Derramaram sangue inocente, o sangue de seus próprios filhos e filhas, sacrificados aos ídolos de Canaã; e a terra foi contaminada pelo sangue deles.” Agora, observe esta linha, você pode querer sublinhá-la: “E a terra foi contaminada com o sangue...”. A terra foi poluída com o sangue. Ficou, por assim dizer, no solo, manchou a terra.

Agora, volte para Gênesis capítulo 4, verso 10. Deus havia dito a Caim: “Onde está teu irmão, Abel?” Ele disse: “Eu não sei“. Ele sabia. Ele o matou. Versículo 10: “E disse-lhe Deus: Que fizeste?” Então, escute isto: “Da terra, o sangue do teu irmão clama a mim. Portanto, agora és mais amaldiçoado que a terra que abriu a boca para tragar, de tuas mãos, o sangue de teu irmão.” Agora, siga o raciocínio: ‘Você derramou sangue inocente, e esse sangue poluiu a terra’. É como se o sangue estivesse manchando toda a terra.

O sangue de 2 milhões de bebês abortados em nosso país [EUA] e de cerca de 60 a 75 milhões em toda a terra, a cada ano, mancha o solo. E então, em Gênesis 4, Deus diz: “Esse sangue clama…“. Ele personifica esse sangue, como se estivesse vivo. E para que está clamando? Está clamando por retaliação. Está clamando pela justiça. Está clamando pela execução de seu assassino.

Gênesis 42:22, diz: “E Rúben acrescentou: ‘Não vos recomendei para não cometerdes tamanha falta contra o menino? Mas vós não me ouvistes, e eis que se pede conta de seu sangue!’” Ele estava falando sobre como eles haviam tratado José. Haverá um cálculo para o sangue inocente que clama a Deus, porque ele foi derramado. Várias vezes a Escritura diz: “E o sangue de certa pessoa estará sobre a tua cabeça“, lembram-se disso? Em outras palavras, você é responsável!

E assim, Deus exige a pena de morte quando o sangue derramado de uma vida inocente clama a Ele. Creio que a terra está manchada  com o sangue dos inocentes que foram e continuam a ser, ainda agora enquanto estou falando, massacrados. Nada mostra mais claramente a total decadência moral e espiritual de nossa sociedade, seu desprezo por Deus, seu desprezo pela Sua obra criativa, pelo que é feito à Sua imagem, pela sua compaixão e pela compaixão de Cristo. Nada mostra isso mais do que o assassinato em massa de milhões de bebês.

Este desprezo pelo direito sagrado à vida humana e a sua substituição pelo que chamamos de qualidade da vida, que nos faz ser assassinos de crianças, faz com que o próprio solo de nossa terra clame a Deus por retribuição. E eu creio que agora estamos sob o julgamento de Deus. Uma nação de assassinos. A terra está clamando. Deus tem os Seus caminhos. Algumas dessas pessoas que assassinam seus bebês podem sofrer o julgamento de Deus de uma maneira, e algumas em outra.

Alguns vão sofrer o julgamento de Deus somente no inferno eterno. Alguns podem sofrer o julgamento de Deus no inferno eterno, e também em um inferno nesta vida, através de drogas, doenças venéreas, e quem sabe o quê. Alguns podem sofrer com o fracasso de suas vidas, e de seus sonhos. Alguns podem sofrer com doença física. Quem sabe o que Deus envia em retribuição individual àqueles que matam os inocentes?

Penso em todos os médicos envolvidos nisso. Penso em todos os defensores do aborto, dos liberacionistas, das mulheres e dos políticos que ajudam e promovem este crime. Somente Deus sabe o que Ele planejou para eles. Temeroso… Penso na coalizão religiosa pelo direito ao aborto. Sabe quem está nela? Igrejas cristãs: Igreja Episcopal, Igreja Presbiteriana dos EUA, Igreja Unida de Cristo, Igreja Metodista Unida, Igreja Presbiteriana Unida, YWCA, etc. E o julgamento de Deus espera estas pessoas. Ele aguarda essas pessoas. E esta é a tristeza disso tudo, pois Deus julgará porque o solo clama.

Há uma palavra final e é essa: a graça condescendente e redentora de Deus está disponível para os participantes nesta tragédia. E, antes de tudo, direi que é minha convicção de que Deus salva todas essas crianças assassinadas, que Sua graça chega e leva aqueles pequeninos para estar com Ele, porque a Bíblia é muito clara acerca disso – e eu não vou entrar em detalhes, pois já ensinamos sobre esse assunto em outras ocasiões.

A Bíblia é muito clara sobre as pessoas perecerem no inferno porque se recusaram a crer, porque o inferno é para aqueles que rejeitaram a Deus, e que rejeitaram a Cristo, algo que uma criança não nascida jamais poderia fazer. E assim, Deus não tem uma base justa interna ou externa, em virtude da atitude ou da ação de uma criança não-nascida sobre a qual possa condená-la ao inferno, exceto pela depravação que herda em Adão, que nunca é uma causa para condenação, sem a evidência em comportamento ou atitude. Deus deve, então, abraçar essas crianças em Seu próprio reino.

E em segundo lugar, e digo isto em conclusão, Deus também graciosamente perdoa aqueles que foram assassinos de bebês. Eu sei que há algumas pessoas aqui que fizeram abortos, porque em uma congregação deste tamanho isso é inevitável. Quero que saibam que o Senhor Jesus Cristo lhes oferece perdão por esse pecado. Pode haver alguns de vocês que estiveram envolvidos na prática médica, como médicos, ou  enfermeiros, ou atendentes, e você foi envolvido em um aborto.

Pode haver alguns de vocês que em um momento ou outro ajudaram um amigo a praticar um aborto, ou talvez trabalharam em um lugar onde era feito. O Senhor perdoa tudo isso, se nós viermos a Ele. E, naturalmente, quando você chega a Cristo, todo seu pecado é perdoado, incluindo esse pecado, pois Ele oferece, como sabemos tão bem, uma graça maior do que o nosso pecado.

Recebi uma carta que quero compartilhar com você:

Querido John, sempre fui uma cristã, desde que me lembro. E na idade de 17, eu fiz um aborto. Não consigo nem explicar o desespero e a raiva que senti. Meu relacionamento com meus pais não era bom. Naquela época, eu me mudei de casa para evitar que meus pais soubessem. Eu trabalhei em tempo integral e terminei o ensino médio. Era um inferno. Não havia ninguém para me ajudar, ninguém para confiar. Fiquei tão assustada. Eu fui a Planned Parenthood e disse-lhes que eu queria o meu bebê. Eles pensaram que eu era louca. De modo algum eles me ofereceram outra alternativa, como adoção ou ajuda. O único conselho que me ofereceram foi o de um aborto e como ir ao Medi-Cal e dizer-lhes que eu não sabia quem era o pai. Dessa forma, a Medi-Cal pagaria por isso. Tudo isso foi um horrível pesadelo que nunca vou esquecer. Lembro-me especialmente do médico cantando ópera enquanto o procedimento estava sendo feito. Chorei meses depois. A única coisa que me atraiu foi o fato de que Jesus me perdoou, e com Sua bênção agora tenho três lindas meninas, e eu continuo me assegurando de que no céu também tenho um filho que ainda não conheci.

Gracioso. Tão horrível, horrenda, tão impensável como esta coisa toda é, Deus em Sua misericórdia está disposto a perdoar o pecador arrependido, tanto aquele que é a mãe, quanto aquele que é o médico.

Há muito mais a dizer, e eu acabei correndo e deixei de falar muito do que pretendia. Mas, eu acho que você entende, não é, o que a Escritura tem a dizer sobre isso? Este é um momento no nosso país para tomar uma posição sobre esta questão. Este é um tempo para compartilhar individualmente com pessoas que estão confusas, porque a questão é muito clara.

Vamos orar.

Agora, Pai, nós Te agradecemos que pudemos compartilhar juntos esta noite sobre um assunto tão triste e decepcionante, mas estamos gratos porque é tão essencial para nós entendê-lo. Senhor, sabemos que odeias aqueles que derramam sangue inocente. E nós sabemos que o chão clama por esse sangue a ser recompensado, por vingança, e sabemos que o Senhor julgará, como julgará todos os pecadores, a menos que venham a Cristo, a menos que se arrependam e sejam perdoados. E eu oro para que, se houver alguém aqui que derramou sangue inocente, que venha aos pés da cruz e receba Jesus Cristo como Salvador. E se há mesmo um cristão que fez um aborto, que essa pessoa venha a Ti, e confesse, e se arrependa, e peça aquela purificação que Tu ofereceste. Pai, oramos por nossa nação. Sabemos que estamos à beira do julgamento divino, por causa desse horror que existe. Nós pedimos que Tu faças com que esta nação seja atraída por Cristo. Senhor, não podemos sequer imaginar como tal movimento de Deus poderia acontecer, mas gostaríamos de ousadamente e esperançosamente Te pedir que alguma coisa aconteça para parar esta chacina e fazer com que as pessoas se voltem para Ti em busca de perdão. Para este fim oramos em nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série dois sermões sobre o aborto na perspectiva bíblica. 

  1. Aborto! Que diz a Bíblia? – Parte 1
  2. Aborto! Que diz a Bíblia? – Parte 2

Este texto é uma síntese do sermão “The Biblical View on Abortion, Part 2”, de John MacArthur em 30/08/1992.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-68/the-biblical-view-on-abortion-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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