O que é a Fé?

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho. Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente (Hebreus 11:1-3).

Hebreus 11 é chamado o ‘hall da fama’, o capítulo dos heróis da fé, a lista de honra dos santos do Velho Testamento. Ele trata da excelência da fé. O assunto do capítulo é a fé. Como sempre esteve na mente do Espírito de Deus, a Escritura se encaixa no contexto, e aqui não é diferente.

Nos primeiros dez capítulos, o escritor aos Hebreus trata de mostrar que o Novo Testamento ou a Nova Aliança no sangue de Jesus é, em todos os sentidos, superior à Velha Aliança. Esse é o tema de dez capítulos. Cristo é um sacerdote superior, que ofereceu um sacrifício perfeito, com o qual Ele selou uma aliança sem igual. Diz que Cristo é superior aos anjos, aos profetas, a Moisés, a Josué etc. Ele é superior a tudo e a qualquer coisa relacionada com a Velha Aliança.

Dentro da comunidade dos hebreus, à qual a carta aos Hebreus foi escrita, havia alguns judeus intelectualmente convencidos da superioridade da Nova Aliança, que sabiam que isso era verdade, mas não tinham recebido Cristo ainda. E assim, quatro vezes o escritor os advertiu para que viessem a Cristo, que não se afastassem da verdade. O capítulo 10 termina com uma advertência para se apropriarem da Nova Aliança.

Agora, isso traz à tona essa pergunta: como faço para chegar à Nova Aliança? O judeu estava muito acostumado a um sistema de obras, de méritos. A Nova Aliança diz respeito à graça, sem mérito de obras. Não há rituais, festas, cerimônias, circuncisão, lei etc. Como um homem orientado por um sistema de obras vem para a Nova Aliança, que é por graça? Essa é a questão.

Os judeus do primeiro século viam tudo como uma questão de obras. E mesmo depois que o escritor aos Hebreus lhes mostrou esta Nova Aliança, teria sido muito fácil para eles pensarem que poderiam entrar nessa Nova Aliança através do mérito, de alcança-la através das obras. Você sabe que até hoje há pessoas se esforçando ao máximo, tentando merecer algo de Deus por meio das obras? Ainda trabalhando duro, a fim de alcançar a salvação?

A salvação através do mérito era o único meio de salvação que os judeus conheciam. O judaísmo do primeiro século não era o sistema sobrenatural que tinha sido dado por Deus no início, mas era algo distorcido por um sistema de obras, com acréscimos legalistas, de autojustiça e autoglorificação. Não era nada além de um culto religioso construído sobre a ética. Perdeu seu conceito de fé em Deus, era um sistema de ética, um culto religioso de natureza ética, ensinava a salvação pelas obras.

Tal sistema de obras é desprezado por Deus. Deus não redime os homens pelas obras, Ele não fez isso no Antigo Testamento: “Abraão creu em Deus – e isso lhe foi contado por justiça”. Obras eram apenas um subproduto da fé. Deus sempre redimiu os homens pela fé, e nada é mais ofensivo para Deus do que as pessoas tentando ganhar o seu caminho para o céu por seus méritos e esforços.

Quando Jesus morreu na cruz, as últimas palavras que Ele disse foram: “Está consumado”, ou seja, está terminado, não há nada mais a fazer. Nenhum homem por seu próprio código de ética pode agradar a Deus. Efésios capítulo 2:8-9 diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

Nenhum homem é redimido pelas obras, não importa o quanto ele seja bom. Romanos 3:20 diz: “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei”. A única coisa que a lei faz por você é “dar-lhe o conhecimento do pecado”. A lei das obras foi excluída pela lei da fé, de tal forma que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei (v. 27-28). Romanos 4: 2-3 diz:

Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

A salvação sempre esteve na economia de Deus pela fé, não pelas obras. As obras sempre seguem a fé legítima. Tiago disse: “A fé sem as obras é morta”. As obras são um subproduto da verdadeira fé. E assim, descobrimos que Deus não tolera um sistema ético concebido pelo homem como meio de alcançar a salvação.

Agora, se você não pode contar com suas obras, como você vai chegar a Deus? É simples: é pela fé, e é exatamente isso que o escritor aos Hebreus introduz no versículo 38, do capítulo 10: “O justo viverá da fé”. A fé é a chave. Mas segue uma advertência: “E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma”. A salvação é sempre pela fé.

Agora, se a salvação é pela fé, é importante que se entenda o que é fé. Você percebe que aqueles judeus estavam tão confusos em obras, que era difícil para eles entenderem a fé. E o argumento deles era: ‘Todos os nossos antepassados costumavam operar em obras, através dos sacrifícios, das lavagens, das cerimônias, dos sábados etc. Eles seguiam a lei e eram obedientes’.

E assim, no capítulo 11, o escritor lista todos os heróis da história de Israel e introduz todos eles dizendo isto: “Pela fé”. Foi pela fé que eles fizeram tudo. Assim, os judeus estavam sendo levados a entender que a questão da fé não era algo novo, pois já estava na Velha Aliança. E a única maneira de eles entenderem a Nova Aliança, escapando do entendimento enraizado de obras, era saber que a Velha Aliança também tinha a fé como elemento principal. Deus sempre operou com base na fé.

A natureza da fé está no versículo 1, que diz: “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”. São dois aspectos da fé, que estão tão próximos, que quase é impossível dividi-los. Essas frases são quase idênticas.

Em primeiro lugar, fé “é o firme fundamento (ou substância) das coisas que se esperam”
. Essa é a primeira coisa que ele diz sobre a natureza da fé. É a substância das coisas esperadas. Você diz: “mas as coisas esperadas não têm nenhuma substância. Elas são apenas esperadas”. Mas a fé as torna reais, a fé lhes dá uma substância presente.

Como este capítulo mostra, nos tempos do Antigo Testamento havia muitos homens e mulheres que não tinham nenhuma realidade visível das promessas de Deus, eles não tinham nada, além das promessas de Deus, sobre o que descansar.

Eles sabiam da promessa do Messias que os libertaria do pecado, uma promessa da restauração de Israel, de ajuntá-los de todas as nações da terra e do reino triunfante do Messias, um tempo de paz e segurança. Deus prometeu tudo isso e eles nunca viram nada disso. Mas, eles esperavam o cumprimento dessas promessas. Diz-se que toda mãe judia desejava ser a mãe do Messias.

Eles esperavam pelas promessas. Esperavam a restauração de Jerusalém, após vê-la saqueada. E Isso é o que a fé é: ela vive em uma esperança que é tão real que dá substância à esperança no tempo presente. As promessas que vieram ao povo do Velho Testamento eram tão reais que, mesmo que eles nunca tenham visto seu cumprimento, basearam sua vida nelas, sem que as vissem.

Todas as promessas do Antigo Testamento estavam relacionadas ao futuro, mas essas pessoas agiam como se estivessem no tempo presente. Eles simplesmente creram na Palavra de Deus e viveram com base nessa fé. Eram pessoas de fé e esta fé deu substância ao que ainda viria no futuro.

Agora, dizemos então que a fé não é uma espécie de desejo ardente, esperando que algo aconteça num futuro nebuloso, mas a fé é uma absoluta certeza. Este conceito desafia tudo o que é normal.

A esperança cristã é fundamentada naquilo que esperamos, é a crença em Deus contra o mundo. Se seguirmos os padrões do mundo, cujas coisas são facilmente visíveis agora, teremos alguma medida de conforto.

Se seguirmos os padrões do Deus invisível, um Deus que nunca vimos, um Cristo cuja forma nunca tocamos, nós poderemos ter dor, perda, desconforto, impopularidade, perseguição e perder a vida, mas o fazemos de qualquer maneira, porque aquilo que esperamos é substância dada no tempo presente por causa da intensidade de nossa fé. É a fé que o faz querer sofrer com Deus agora do que prosperar com o mundo. A fé é, então, contra o sistema, contra o mundo. Foi isto que moveu Moisés:

Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível (Hebreus 11:24-27).

É uma espécie muito incomum de esperança. Você diz: ‘bem, Moisés estava certo, desejando ansiosamente, não era?’ Não. Sua esperança era certa, porque ele tinha uma esperança tão firme no futuro que lhe deu uma substância absoluta no presente. Ele realmente creu e compreendeu, em seus dias, a realidade do Messias prometido.

No livro de Daniel, Sadraque, Mesaque e Abednego são confrontados com a ordem de obedecer a Nabucodonosor, um homem poderoso e que estava diante dos olhos deles. Ou poderiam obedecer a Deus, que é invisível e a quem nunca viram. Se eles não obedecessem ao rei, seriam lançados no fogo ou na cova dos leões.

O natural seria não contestar o visível, curvar-se ao rei e esquecer o fogo e os leões. O homem de Deus, que tem fé, diz: eu obedecerei a Deus, embora eu não possa vê-Lo e receberei o castigo do rei terreno. A fé é contra o sistema, é crer em Deus contra o mundo, contra o que é tangível, contra o que é óbvio. É rejeitar nossos sentidos por causa de nossa esperança. A Bíblia diz: não acredite em seus sentidos, creia em Deus, que só pode ser tocado pela fé.

Há muito tempo, Epicuro, que era responsável pelo grupo de pessoas conhecidas como os ‘epicuristas’, disse que o principal fim da vida é o prazer, que o homem só existe para o prazer. Muitos fizeram dele um hedonista (filosofia que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana), mas ele não pensava assim. Ele disse que o que precisamos fazer é descobrir a coisa que é mais agradável em última análise, não mais agradável momentaneamente, porque o que é agradável momentaneamente pode trazer mais dor, em última instância. Então, Epicuro estava certo, disse ele, “vivo para o prazer supremo”.

O cristão não é um masoquista (prazer ao sentir dor ou imaginar que a sente). Muito pelo contrário, ele está vivendo para o prazer final. Eu prefiro sofrer um pouco neste mundo e ser glorificado para sempre na eternidade. Não é realmente um sofrimento tão duro, porque vivo na presença do Senhor, que nunca está separado de mim.

Essa foi a decisão de Moisés: “Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado”. O que ele estava vendo: “Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa”. Não se tratava de uma mera expectativa ou desejo ardente, mas de uma certeza que se transformou numa realidade presente. Assim, ele vivia acima dos sentidos naturais que procedem do que é visível. Isso é fé.

A fé é simplesmente fazer uma substância presente de uma realidade futura. Eu nunca estive no céu, eu não posso dizer quantas horas eu passei caminhando pelas ruas douradas. Mas, o céu já está mim antes que eu esteja lá. O que é isto? Fé. E é por isso que a Bíblia diz que estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo Jesus (Efésios 2:6).

A palavra substância (ou essência), do grego “hupostasis”, só aparece duas vezes em Hebreus. Uma vez é usada no capítulo 1, versículo 3, para falar de Cristo como a própria essência do Pai, a imagem expressa, substância ou essência. Outra vez, no capítulo 3, versículo 14, fala de uma garantia de um título de propriedade. E, isso é exatamente o que a substância é: essência e garantia.

A fé, então, fornece o firme fundamento em que estou esperando a garantia do cumprimento da essência da promessa de Deus. A fé crê em Deus. É garantia de que o que é prometido tem essência, conteúdo, realidade. Romanos 8: 24-25 diz:

Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.

Somos salvos pela esperança. Nós conhecemos nossa salvação agora apenas porque acreditamos que ela seja verdadeira no futuro, isto é, em termos de nossa glorificação. Não é uma esperança visível aos olhos carnais, mas visível pelos olhos da fé. Assim, podemos esperar com paciência, crendo plenamente em Deus, mesmo diante de duras adversidades presentes. Isso é fé em uma realidade futura, dando-lhe uma substância presente. Hebreus 11: 13-16 diz:

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. Se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Eles viram o céu com os olhos da fé, e eles o agarraram e abraçaram, dizendo: “nós não pertencemos a este mundo”. Isso é fé, dando realidade presente a uma realmente futura. A fé nos dá um objeto futuro e uma segurança, uma certeza que nos mantém firmes.

Em segundo lugar, o autor de Hebreus diz que a fé é “a prova das coisas que se não veem” ou “a evidência das coisas não vistas”. É muito parecido com a primeira afirmação, mas há uma diferença de significado. A palavra evidência é “elenchos” que significa convicção. Fé é a convicção no invisível. É o que ele está dizendo. É um passo adiante, porque implica ação. É um depósito de sua vida em sua esperança. A fé está vivendo na base de coisas invisíveis.

Vocês sabem quando Tomé tocou em nosso Senhor ou viu o nosso Senhor, e disse-lhe: “Tomé, você viu, e você tem crido, bem-aventurado aquele que não viu, e (ainda) crê”. Essa é a verdadeira fé. A fé, então, na primeira frase do versículo 1, realiza uma verdade futura, na segunda frase ela compromete a vida com ela. É a convicção de coisas que não se veem.

Noé, por exemplo, cria em Deus. Deus anunciou o dilúvio, mas isto não significava nada para Noé, porque a chuva ainda não existia [antes do dilúvio nunca havia chovido na Terra]. Noé creu porque a fé era algo com substância em sua mente. Pela fé, a Palavra de Deus se tornou uma realidade em sua mente, mesmo sobre algo que ele nunca havia visto antes. Esse é o primeiro passo. Podemos imaginar como ele ficou tentando visualizar o que seria uma chuva.

Mas ele não parou por aí. Ele construiu um barco. A convicção leva a um passo adiante. Você vê que uma coisa é imaginar como a chuva poderia ser, outra coisa é estabelecer sua vida em função dela. E mais, ele passa 120 anos construindo um navio no deserto, mesmo diante de uma perspectiva ridícula aos olhos humanos e da zombaria e desprezo da humanidade.

Você consegue entender bem isto? Uma coisa é visualizar uma realidade futura e dar-lhe substância presente, mas outra coisa é fazer dela sua vida prática hoje, como Noé, que por cento e vinte anos construiu um barco no deserto. A fé é começar a acreditar e, em seguida, depositar sua vida nela. E isso é o que vamos ver através do capítulo 11 de Hebreus, crer e depois agir, crer em algo e então, depositar sua vida no que você crê.

Eu tenho por certo que os verdadeiros crentes creem em Deus ao ponto de depositar suas vidas nesta fé. Para o mundo incrédulo, isto parece ser a coisa mais absurda e inimaginável. Para o mundo, isto não passa de tolice e fantasia. Uma maneira estúpida de se viver. O verdadeiro cristão experimenta, pela fé, coisas como estas:

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (Efésios 1:3)

[Deus] nos ressuscitou juntamente com Cristo e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus (Efésios 2:6)

Pela fé, estamos apenas nos movendo em outro domínio. E o mundo acha que algo está errado com nossas cabeças. Adoramos Aquele que é invisível, e nós depositamos nossas vidas Nele. Isso é uma fé com conteúdo, não um mero otimismo, uma mera expectativa ou algo parecido. É algo incompreensível à mente do homem em trevas. Esta fé não se utiliza dos sentidos carnais, mas apenas dos espirituais. I Coríntios 2:14 diz:

Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

Os homens acreditam em muitas coisas. Há um sentido no qual todos os homens vivem de um tipo natural de fé. Por exemplo, bebemos água crendo que ela está purificada e não vai nos causar doenças. Isto é um tipo de fé. Afinal, todos bebem água que chega em suas casas e não temos notícias de que estão morrendo por beber essa água.

Comemos em um restaurante, crendo que a comida foi produzida de forma higiênica e saudável. Isto é um tipo de fé. Você sabe que muitos comem ali e não tem notícias de ninguém morrendo por causa daquela comida. Você deita em um leito de uma sala de cirurgia e sabe que o médico vai abrir você e mexer com seus órgãos. E você acredita que tudo vai acabar bem, pois imagina que o médico sabe o que está fazendo e que outros já passaram por aquilo. Isto é um tipo de fé.

Os homens têm uma fé natural, mas não têm a capacidade de perceber Deus, porque essa fé é um dom sobrenatural de Deus. Romanos 10:17 e Efésios 2:8-9 dizem:

De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

A fé é um dom de Deus. Se um homem ouve com um coração disposto, preparado pelo Espírito Santo, Deus lhe concede a fé para responder. É a semente da pregação da cruz que traz a fé, quando ela chega a um solo fértil no coração de um homem. E assim, a fé em um sentido natural é uma coisa, a fé em um sentido espiritual é outra coisa.

Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação (I Coríntios 1:21).

A natureza da fé nos faz realizar uma verdade futura e em seguida, depositar a vida nela. O homem incrédulo tem isso em um sentido físico, mas ele não tem capacidade para isso em um sentido espiritual. Este segundo aspecto é exclusivo naqueles que nasceram de novo.

Então, o escritor aos Hebreus se move em segundo lugar para o testemunho de fé: “Porque por ela os anciões alcançaram testemunho”. ‘Anciãos’ se refere aos santos do Antigo Testamento, os pais de Israel, os grandes nomes que ele aponta no capítulo 11. ‘Alcançar testemunho’ refere-se à aprovação. Significa que eles viveram pela fé e, portanto, Deus os aprovou.

Deus aprova aqueles que operam na fé. E eu acho que há um sentido em que todo homem, que vive pela fé espiritual em Deus, tem dentro de seu próprio coração o conhecimento da aprovação de Deus por sua fé inabalável. Você tem essa experiência?

Abel creu em Deus em relação ao sacrifício, fez por fé e Deus aprovou o seu sacrifício. Enoque creu em Deus e andou com Ele, Deus ficou satisfeito e o aprovou. Noé creu em Deus plenamente, creu em algo que ele não conhecia (a chuva) e ele herdou a justiça por sua fé, Deus o aprovou. E etc. etc. Há tantos relatos no Velho Testamento… Eles creram no que não podiam ver, mas viveram como se vissem e moveram suas vidas sobre coisas invisíveis aos olhos humanos.

“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:2). Você pode fazer qualquer coisa, mas Ele só reconhecerá o que foi movido por uma fé verdadeira. Viver sem fé resulta em uma vida desolada e sem sentido. Um homem assim caminha para a parede do destino sem ter respostas.

Você pode imaginar não crer em nada? Você pode imaginar tentando cegar-se para que você nunca pense sobre o que acontece depois da morte? Você pode imaginar isso? Você pode imaginar viver em um mundo que é tão obscuro que você não tem esperança em nada e só percebe que você é apenas um grande nada no meio de um imenso universo, que parece uma coisa estúpida, sem significado em si mesmo? Especialmente se você percebe um mundo que rejeitou Deus completamente.

Se não há nenhum Deus fora deste pequeno mundo, do tamanho de uma ervilha, flutuando no meio de um universo infinito, então, a existência não tem nenhum significado, nenhum propósito. Então, estamos presos na piada mais estúpida que já existiu. A vida tornou-se apenas uma tolice. Esse é o resultado da mente desprovida de fé.

A descrença em Deus colocou o homem em um dilema. Por muitos anos o homem tinha o que os cientistas chamam de um ‘campo unificado de conhecimento’: Deus, história e ciência existindo no quadro da realidade. Mas, então, tivemos um grande movimento na filosofia, conhecido como racionalismo. Os racionalistas começaram a atacar todas as coisas sobrenaturais. E seu primeiro ataque foi contra a Bíblia. Assim, o racionalismo reduziu o homem a um nível de existência, e chamaremos isso de nível da razão.

Eles proclamaram que o homem existia apenas no nível da razão. Isso era muito difícil para o homem, porque significava que o homem vivia num mundo puramente racional e puramente lógico, e o homem não era nada além de uma máquina. Ele era apenas só o racional, tudo que não fosse racional não poderia ser crível. Eles diziam que não há nada fora do cérebro.

E você sabe o que aconteceu? O homem começa a coçar a cabeça e dizer: “Isso crucifica metade da minha natureza. Mas, minha alma anseia por algo lá fora, preciso acreditar em algo. Eu não posso simplesmente correr ao redor em uma pequena caixa pensando que eu sou uma máquina e eu não tenho nenhum significado final”.

E assim surgiram pensadores que dividiram o campo do conhecimento e no topo eles colocaram a fé, e todo mundo passou a se sentir melhor, havia algo em que acreditar. Mas você sabe o que eles colocaram aqui? Uma fé sem conteúdo. Apenas acreditar em qualquer pessoa ou coisa que você queira. Os filósofos o chamaram de “o salto da fé”. Uma fé sem conteúdo, irracional e sem lógica. Como pode um homem viver em uma tensão como essa? Como pode um homem dizer: ‘eu só acredito no que é racional, exceto quando eu salto para o que é irracional’.

Mas, isso é o que o homem tem feito hoje. E assim, o que acontece é que por um longo tempo o homem viveu em um mundo racional. E então, os homens começaram a saltar, e vieram todos os tipos de filosofias. Imediatamente após a filosofia veio a arte, que costumava ser razoável, a pintura de uma casa parecia de fato uma casa. Então, de repente, veio a arte abstrata, coisas que não parecem com nada real, e isto foi visto como um salto do homem.

E assim foi na música, literatura, etc. A cultura dirigiu homens a escreverem coisas apenas para esmagar a moral, os códigos de ética, o amor verdadeiro, a honestidade, tudo que é certo, acabar com tudo, apenas para ficar com o que é amoral, ilógico e sem conteúdo de nada. Nenhuma verdade, nenhuma moralidade, apenas desespero. Até mesmo a teologia seguiu este caminho.

Quando todas as caixas racionais se fecharam, o homem fez o que é absurdo. Sabe por que as pessoas usam drogas hoje? Elas ficaram sem opções racionais, e a droga é um salto para encontrar algum tipo de fuga do racionalismo doentio. É um salto para tentar agarrar-se em algo. Até as crianças estão nisso.

As pessoas estão se agarrando à reencarnação, à feitiçaria, à astrologia e a todos os tipos de coisas, porque perderam todas as opções racionais. Tudo isto sob uma rejeição a Deus, levando-os a buscar qualquer coisa sem conteúdo, sem sentido. É uma fé sem nada substancial. Uma busca ao absurdo. Quando o homem tirou Deus do cenário, ele caiu numa armadilha mortífera, buscando coisas estúpidas, tentando construir uma balsa para flutuar em meio ao caos. Há apenas uma resposta racional e essa é Deus. O Deus que fez o universo.

Existiram homens, desde o tempo de Adão, que acreditaram em Deus, e a vida para eles tinha significado, essência, convicção de uma realidade futura em que eles basearam suas vidas. E sabem de uma coisa? Quando suas vidas terminaram, eles estavam certos.

Quando estava morrendo por apedrejamento, Estevão olhou para cima e a Bíblia diz que ele viu “o Filho de Deus à direita do trono”. E ele disse: “Jesus, recebe o meu espírito”. Uma tremenda certeza sobre algo tão sublime. Crer em Deus dá razão para viver. Assim, vemos a natureza da fé e o testemunho da fé. As pessoas que acreditam em Deus não ficam presas no absurdo, elas têm sentido para a vida.

Em terceiro lugar, vamos olhar para a ilustração da fé, e isso é bom. Versículo 3: “Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente”.O escritor está dizendo:

Eu não estou pedindo que vocês juntem algo que vocês não possam reunir. Vocês já têm a fé em Deus, creem em quem Ele é, e que Ele fez o universo. Então vocês têm o começo da fé.

É uma declaração fantástica, a crença de que o mundo visível e o universo foram criados por Deus. É uma convicção de fé, não de visão. Ninguém estava lá, é através da fé que entendemos que Deus trouxe tudo à existência.

Você sabe que a origem do universo é um problema que os filósofos não conseguem resolver? O filósofo Bertrand Russell passou seus 90 anos de vida com uma mensagem: “Por que eu não sou um cristão”. Ele dizia: “Devemos conquistar o mundo pela inteligência”. Soa vigoroso, não é? Após 90 anos, ele disse que tudo era desapontamento, ele morreu sem saber nada, absolutamente nada. Ele não tinha nada em que pudesse crer. Você sabe o que os filósofos são? Eles são rabiscadores de palavras. Eles apenas escrevem um monte de palavras sem sentido. Colossenses 2:8 diz assim:

Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.

Os cientistas não sabem como o universo começou. A ciência só pode observar o que está acontecendo e dizer o que está acontecendo e não por que está acontecendo. Agora, veja isto, a ciência simplesmente descobre leis que já existem, mas tem tentado, estupidamente, observar as coisas antes que elas existissem. E segue neste caminho com raciocínios frágeis e mirabolantes. Igualmente, a teoria da evolução de Darwin não resiste aos mínimos critérios científicos, principalmente com os avanços no estudo das células.

Todo o conceito de tentar explicar tudo sem Deus é um esforço de tolos. Nós entendemos pela fé. A fé compreende o que a mente do homem, não importa quão brilhante seja, não pode compreender. I Coríntios 2: 9-10 diz:

As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.

Você vê o que ele está dizendo? “Olho não viu, nem o ouvido escutou”: ele está falando sobre percepção física, empirismo. “Nem entraram no coração do homem”: está falando de filosofia ou racionalismo. O homem não conhece pela ciência nem pela filosofia a verdade de Deus. O olho não o viu, não entrou no seu coração. “Mas Deus nos o revelou pelo seu Espírito”. Você vê o próximo versículo? Fantástico! A fé compreende. A fé não só compreende Deus e a criação do universo, mas a fé compreende a salvação em Jesus Cristo, não é? Como os justos vivem? Pela fé. Jesus disse: “Quem crê em mim tem a vida”.

John Goff, um evangelista de anos passados, contou uma história de dois meninos, que ele viu uma vez em um hospital de Londres. Uma linda história:

Os seus berços estavam lado a lado, um tinha febre, o outro tinha sido atingido por um caminhão. Seu pequeno corpo estava todo quebrado.
O pequeno com a febre estava muito fraco e o outro garoto falou com ele e disse: “Oi Willy, eu estava na Escola Dominical missionária e eles me falaram sobre Jesus, e eu creio que se você pedir a Jesus, Ele o ajudará. Eles disseram que se crermos Nele e orarmos, quando morrermos Ele virá e nos levará para estar com Ele”.
Disse Willy: “Mas e se eu estiver dormindo quando Ele vier e eu não puder pedir a Ele?” E o outro garotinho disse: “Apenas levante a mão, é isso que nós fizemos na escola dominical. Nós erguemos a mão, eu acho que Ele a vê”.
Willy estava fraco demais, então seu pequeno amigo conseguiu se inclinar e sustentar seu travesseiro e apoiá-lo debaixo do braço de Willy, que levantou o braço e adormeceu. Na manhã, quando a enfermeira chegou, encontrou Willy, morto, mas seu braço ainda estava apoiado. Agora você sabe que o Senhor viu seu braço. Que fé simples! E Jesus disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.

Vamos orar.

Pai, nós Te agradecemos que a fé é a substância das coisas esperadas, a evidência das coisas não vistas. E nós Te agradecemos que podemos crer em Ti, que Tu és digno de ser confiado.

Deus, eu Te agradeço porque és tão real, eu nunca Te vi, nunca vi Jesus, nunca vi o Espírito Santo, mas Tu és tão real para mim. Há uma realidade presente, ohh, eu Te conheço. Estás aqui comigo. E o céu é real, Pai. A Tua segunda vinda é real, eu sei que Tu estás voltando, eu mesmo posso visualizar o que vai ser quando o Senhor me chamar e eu Te encontrar nas nuvens no ar. Deus, eu não tenho nenhuma prova concreta disso, mas eu creio por fé. E eu não apenas estou depositando minha vida nisso. Eu estou Te dando todos os anos da minha vida, para o ensino da Tua Palavra, porque eu creio nela. E Deus, há muitas outras pessoas queridas neste lugar que estão depositando seu destino eterno no fato de que Tu és quem afirmas ser neste Livro que temos em nossas mãos, e que há um céu, e há uma segunda vinda, E Deus, estamos confiados nisto e temos certeza disso.

Senhor, há outras pessoas que não têm nada em que confiar. Eles não podem apostar sua vida em nada além de algum tipo de salto místico no absurdo. Eles estão esperando talvez por reencarnação, ou talvez se entorpecem com drogas para não ter que enfrentar a questão da morte. Ou eles estão apostando em algum tipo de destino apenas em virtude de seu próprio projeto. Mas Deus, eles estão presos em uma terrível tensão, em um tipo assustador de compreensão de que o que eles esperam pode não ser assim. Deus, que eles venham esta noite pela fé a Jesus Cristo e creiam nEle e em Ti.

Pai Nosso, oro para que Tu faças a tua obra perfeita nos corações daqueles que estão abertos, ó Deus, que ninguém deixe este lugar sem crer em Ti. Alguns que vieram aqui esta noite vazios possam ir para casa cheios. Em nome de Cristo.
Amém.


Leia também: 


Esta é uma série de sermões sobre Hebreus 11. Abaixo os links dos que já foram publicados


Este texto é uma síntese do sermão “What Is Faith?”, de John MacArthur em 03/12/1972.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/1626/what-is-faith

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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