Cristo a Si Mesmo se Esvaziou

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Ano após ano, fico impressionado com os paradoxos da confusa festa do Natal. Uma mistura da gloriosa encarnação de Cristo com uma mentalidade de carnaval. Não bastasse, a humildade de Cristo e a pobreza do estábulo confundidas com mesas fartas e suspiros por prosperidade.  A quietude de Belém confundida com o ruído dos shoppings centers. A seriedade da encarnação de Cristo confundida  com a tolice do espírito de festa.

Os brinquedos plásticos baratos como se fossem os presentes verdadeiros dos homens sábios, anjos confundidos com as renas voando. A sujeira do estábulo sobreposta e confundida com a brancura da neve branca. E assim vai. Tudo isto se formou para dificultar o entendimento da verdadeira história do nascimento de Cristo. Uma confusão projetada por Satanás, o inimigo das almas dos homens.

Em Filipenses 2: 5-11 Paulo escreve:

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.

Este texto é uma das joias puras do Novo Testamento. Sua beleza e profundidade estão além da compreensão humana. Só podemos entender com a ajuda do Espírito Santo.

Ele nos explica a condescendência do Filho de Deus de vir à Terra, morrer e, em seguida, retornar em exaltação à glória. Ele nos diz o que aconteceu do lado divino da história. E quero apenas dar-lhe cinco passos simples pelos quais podemos caminhar por esta tremenda parte da Escritura.

E nós só vamos ter apenas uma espécie de visão panorâmica, porque cavar profundamente levaria semanas e semanas. Mas, para esta manhã, pelo menos entenderemos a realidade, se não todos os elementos potenciais que poderiam ser examinados.

Número um: Ele abandonou uma posição soberana.  O verso 6 identifica Sua pessoa, natureza, caráter e atributos na eternidade antes que Ele viesse. Em uma palavra, Sua posição soberana. Diz: “Pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus”.

Estamos falando de Jesus Cristo, que é identificado no final do versículo 5. E esta declaração surpreendente capta Sua natureza essencial. Literalmente, “Ele sendo em forma de Deus”.

Basta olharmos para a palavra “ser” por um momento. “Ser” denota a natureza essencial da pessoa, a essência, aquilo que é inalienável e imutavelmente verdadeiro sobre Ele. Jesus possui esta natureza como Deus. Esse é o Seu ser, quem Ele é. Isso se refere à Sua essência inata, imutável, eterna, inalterável. Sua natureza é a de Deus.

Ele descreve aquela parte de uma pessoa que todos nós compreendemos. Seu próprio ser. Descreve aquela parte de uma pessoa que não pode ser mudada, é essencial à Sua própria existência e permanece sempre a mesma. Para Jesus Cristo, é dizer que Ele é Deus e que é imutável e inalterável.

É por isso que somos instruídos em Mateus 1:23 que Seu nome seria Emanuel, que em hebraico significa “Deus conosco”. Ele é Deus conosco. Ele era Deus, Ele é Deus, Ele sempre será Deus. “No princípio”, escreve João 1:1, “era a Palavra, a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus”. Isso é inalterável, isto é imutável. É por isso que Ele disse em João 8:58: “Antes de Abraão… Eu sou.”

Em Colossenses, capítulo 1, um testemunho semelhante é dado no versículo 15: “Ele é a imagem do Deus invisível”. Isto é, Ele é uma representação direta, um reflexo direto do Deus invisível e eterno. É aqui que você começa com a pessoa de Jesus Cristo.

O verso declara: “subsistindo [ou sendo] na forma de Deus”. E isso acrescenta outro componente. Essa é a palavra grega “morphe” e se refere às características ou qualidades, atributos de alguém.

A tradução realmente não captura esta palavra muito bem. A palavra “forma” não funciona muito bem. A palavra “forma” tem a conotação de algo no exterior, algo mutável, algo que pode ser alterado. Não é isso que essa palavra significa no grego, mas significa as características essenciais, permanentes ou atributos que pertencem a alguém. É traduzida no Novo Testamento como “conformado”, ou mesmo “transformado”. Em 2 Coríntios 3:18 , “Estamos sendo transformados na imagem de Cristo“. Isso não significa que estamos fisicamente, externamente nos tornando parecidos com Ele. Significa que estamos internamente, por características e atributos, sendo conformados no que Ele é. Esse é o conceito de “morphe”.

Assim, começamos então com o fato de que Cristo Jesus, no que se refere ao Seu ser, é Deus eterno. Quanto à forma, Ele possui todos os atributos, todas as características que pertencem a Deus. Ele não é menos do que Deus no sentido mais pleno. E você se lembra que os judeus O condenaram porque Ele se declarou igual a Deus (João 5:18).

Note a frase seguinte: “Não julgou como usurpação o ser igual a Deus”.  Havia no céu um ser chamado Lúcifer, que era o líder da adoração do céu. Ele era o querubim ungido, o mais elevado dos anjos. Mas, isso não era suficiente para satisfazê-lo. De acordo com Isaías, capítulo 14, ele disse: “Eu serei como o Altíssimo.”

O que ele queria? A igualdade com Deus. Era algo a ser arrebatado, usurpado e ele tentou agarrá-lo e foi instantaneamente expulso do céu, tonando-se o diabo e Satanás. Jesus não precisava fazer isso. Para Ele a igualdade com Deus não era algo que Ele precisava arrebatar, arrancar de alguém a quem legitimamente pertencia, porque era Dele por natureza.

Por um lado, não era algo que Ele tinha que arrebatar porque não lhe pertencia. E, por outro lado, pertencia a Ele, mas não era algo que Ele usurpava, agarrava. Ele estava disposto a desistir. Tão disposto que o versículo 7 diz: “Ele se esvaziou”. Essa é uma declaração poderosa. O verbo grego significa “derramar até que tudo se vá”.

Exatamente de que Ele esvaziou a si mesmo? Bem, algumas pessoas podem pensar que Ele se esvaziou de Sua divindade. Mas, isso não aconteceu, simplesmente porque Ele não poderia. Essa é a Sua natureza, o Seu ser, a Sua essência. E alguns poderiam pensar que Ele se despojou da forma de Deus e se tornou apenas um homem. Isso não é possível, porque a própria essência da natureza de Deus é manifestamente inseparável de suas características e atributos. Então, Ele não desistiu de Sua natureza como Deus e não desistiu de Seus atributos como Deus.

Bem, do que Ele desistiu? Do que Ele se esvaziou? Bem, o Novo Testamento nos diz. Ele permaneceu plenamente Deus, mas, por exemplo, João 17: 4, Ele disse: “Pai, dá-me de volta a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse.”  Ele se esvaziou de Sua glória. Sua glória neste mundo estava velada. No Monte da Transfiguração (Mateus 17:2), Ele puxou Sua carne para trás e revelou um pequeno vislumbre de Sua glória, você se lembra?

Ele velou Sua glória quando  veio a este mundo. Ele colocou Sua glória de lado e desistiu de Sua honra. De acordo com Isaías 53, não havia beleza Nele para que os homens o desejassem. Ele foi desprezado, rejeitado, odiado, tratado com desprezo, humilhado, cuspido e espancado. Ele desistiu de Sua honra, entregou Suas riquezas.

II Coríntios 8:9 diz que “Ele era rico, mas por nós se tornou pobre”. Isso não significa que Ele era pobre na terra, significa que Ele se despojou de todos os tesouros do céu e desceu e viveu em uma aldeia humilde, andou pelas ruas empoeiradas e viveu despojado de incompreensíveis tesouros celestiais ilimitados.

Ele desistiu do exercício independente de Sua própria vontade. Ele disse: “Eu não vim fazer a Minha vontade, mas a daquele que Me enviou” (João 6:38). Ele disse:

Nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou (João 8:28)

Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou (João 5:30).

Eu falo do que vi junto de meu Pai… (João 8:38)

Então, Ele desistiu de Sua própria autoridade pessoal, o exercício independente dessa autoridade. Ele desistiu do uso de Sua onisciência. Ele disse: “Eu nem sei quando a Segunda Vinda vai acontecer. Ninguém conhece senão o Pai” (Marcos 12:32). Ele desistiu do uso de Sua onipotência. Ele poderia ter chamado uma legião de anjos para defendê-Lo, mas Ele não fez isso.

Então, Ele entregou Sua glória, Sua honra, Suas riquezas, o exercício independente de Sua vontade. Ele mesmo desistiu de uma relação imensurável com Seu Pai quando Ele estava pendurado na cruz, fazendo-se pecado por nós, Ele disse: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46).  Foi de tudo isso que Ele se esvaziou.  É um profundo mistério de sabedoria e poder, mas é verdade. Esta é a natureza de Sua humilhação. Esta é a natureza de Seu amor.

Ele desistiu de Seus privilégios. É difícil de fazer. A disposição para fazer isso, mesmo no nível humano, é uma coisa muito, muito difícil. Se você quiser descobrir o que uma pessoa realmente é, se você quiser fazer um teste de liderança e um teste de caráter, dê privilégios a essa pessoa. Quanto mais privilégios você der, mais será revelado o caráter que alguém tem.

Jesus tinha todos os privilégios de ser Deus e escolheu pôr esses privilégios de lado para servir os pecadores na vontade do Pai. Então, Ele é como um rei que tira a sua coroa,  tira o seu manto majestoso e coloca os trapos de um escravo e sai do palácio para ajudar os pobres e indigentes a sobreviver. Assim, a história da encarnação de Cristo começa com o Filho de Deus abandonando uma posição soberana.

Em segundo lugar: Ele aceitou o lugar de um escravo. Verso 7 diz: “antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo”.  A palavra traduzida como “servo” é “doulos”, que significa “escravo, servo, homem de condição servil, alguém que se rende à vontade de outro”.

Ele desceu. Ele não trocou a posição de ser Rei no céu para ser um Rei na terra ou um Rei de Israel. Ele será o Rei dos Reis e o Rei de Israel mas, para esta ocasião em Sua encarnação, Ele veio para ser um escravo. Ele tirou as vestes de majestade e vestiu o avental de um escravo. Isso, é claro, é o que o Velho Testamento promete.

Olhe para Isaías, a última parte de Isaías, onde o Messias é projetado para ser o servo do Senhor. Ele é um escravo. Ele assume a forma de um escravo. Aqui está a palavra “morphe” novamente, Ele assume os atributos e as características de um escravo. Ele literalmente se torna um escravo, um escravo de Deus e um escravo de pecadores. Ele não veio para ser servido, mas para servir. “Eu estou no meio de vocês como alguém que serve”, Lucas 22:27 .

E como? Ao dar Sua vida. Assim, Ele assume não apenas a aparência de um escravo, não apenas um traje superficial, não apenas as vestes de um escravo, mas Ele assume os próprios atributos, as próprias características de um escravo. E o que é que é característico em um escravo? Absoluta submissão total à vontade de outro. Em Seu caso, foi à vontade de Seu Pai que Ele se submeteu alegremente. Ele se tornou o escravo de Deus para nos servir no ponto de nossa mais profunda necessidade.

Em terceiro lugar: Ele andou junto com os pecadores. Começamos a chegar à profundeza de Sua escravidão no versículo 7: “Tornando-se em semelhança de homens”.  Talvez Ele pudesse ter proporcionado a redenção tornando-se um anjo, ter sido o escravo de Deus, obedecendo a Deus como um anjo obedece a Deus.

Talvez Deus pudesse ter projetado que a redenção fosse realizada por anjos. Afinal, foram os anjos que trouxeram a Lei. Mas, não no plano de Deus. Ele desceu como um escravo. Ele veio todo o caminho até ser feito à semelhança dos homens. O sentido no grego é que Ele literalmente se tornou humano, um homem de verdade, verdadeiro homem, 100% humano e 100% Deus. Este é o mistério da encarnação. Ele não é metade Deus, metade homem. Ele não é todo Deus fingindo ser um homem. Ele é plenamente Deus e plenamente homem.

É importante entender isto. Jesus não caminhou por aí com uma auréola em Sua cabeça. Ele não andou com uma aura de ouro ao redor dele. Ele não flutuava. Ele não tinha um roupão que nunca ficava sujo ou pés que nunca precisavam ser lavados. Ele parecia um homem. Falava como um homem. Ele agiu como um homem, porque Ele era totalmente humano, tanto em termos de atributos e características, quanto em termos de aparência. Ele foi encarnado, mas nunca perdeu Sua essência divina. Ele é o Verbo Eterno, jamais deixou Sua divindade.

Mas, ninguém sabia que Ele era Deus simplesmente em olhar para Ele. Ele não se destacava em uma multidão, como dizem bobas pinturas medievais. Ele experimentou as coisas que os seres humanos experimentam. Ele entrou no mundo a partir do ventre de uma mulher, como as demais pessoas.  Ele tinha irmãos humanos, que trabalhavam, assim como Jesus também trabalhava. Ele exercia seu ofício na carpintaria de José até os 30 anos de idade, na pequena aldeia de Nazaré. Ninguém sabia quem Ele era.

Ele teve fome, sede, cansaço e necessidade de dormir, tal como fez no barco. Ele se entristeceu? Sim. Ele gritou porque estava zangado? Sim. Ele chorou porque estava sofrendo? Sim. Ele era um ser humano. Ele se vestia como as pessoas se vestem. Ele usava sandálias e o manto. Era uma pessoa como as demais de sua época e nação.

Nascido em uma insignificante manjedoura, em uma pousada insignificante, em uma aldeia insignificante, criado em uma casa humilde, uma mãe humilde, um pai com uma pequena carpintaria. E mesmo quando iniciou Seu ministério, ninguém sabia quem Ele era. João teve que apontar para Ele e dizer: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, ou então, Ele passaria despercebido.

E mesmo depois que João disse isso, a maioria das pessoas não creram, porque não sabiam nada sobre Ele. E mesmo quando Ele falava, Ele falava com a voz de um homem. E apesar de Ele ter dito coisas que ninguém jamais ouvira, eles ainda não creram que Ele era Deus. E apesar de Ele ter exercido poder que ressuscitava os mortos, expulsava demônios, curava doenças e operava maravilhas, mesmo assim não creram que Ele era Deus. Por fim, foi acusado de ser um falsário e de fazer sinais por meio de poderes satânicos. Enfim, Ele desceu, abandonou a posição soberana, aceitou o lugar de um escravo e andou junto aos pecadores.

Em quarto lugar: Ele adotou uma postura altruísta (não egoísta, em prol dos outros). Quão altruísta era Ele? “E, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (vv. 7-8). Quando Ele orou no Jardim, Ele começou a sentir o peso da cruz vindo sobre Ele. Naquela cruz Ele iria suportar o peso do pecado e o cálice da ira de Deus. Algo que nunca poderíamos compreender.

A ira de Deus é algo além da compreensão. Ele poderia receber toda aquela ira em pouco tempo, porque Ele é uma pessoa infinita e, portanto, tinha uma capacidade infinita para ser punido. O altruísmo aparece no Jardim, quando Ele disse: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.” (Marcos 14:36).

No início de Sua vida, Ele se humilhou em Nazaré. Ninguém sabia quem Ele era. Ali Ele era como qualquer menino, Seu pai provavelmente lhe ensinou como fazer um jugo para os bois, como fazer uma cadeira ou uma mesa para alguém. Ele foi quem criou o universo. Mas ninguém sabia disto.

Ele lavou os pés dos discípulos e Ele é Aquele a cujos pés todos os anjos do Céu se curvam. Ele desceu, mas não apenas se humilhou para entrar neste mundo e se humilhar para trabalhar na oficina de um carpinteiro. Ele se humilhou até a morte, e a pior morte possível, a morte atroz na cruz. Alguns historiadores disseram: “Qualquer um que morreu em uma cruz, morreu mil mortes”.

Agostinho, resumindo a encarnação de Cristo, disse:

O Criador do homem tornou-se homem para que Ele, o governante das estrelas, pudesse mamar no peito de Sua mãe; para que o Pão pudesse ter fome, a Fonte, sede; para que a Luz dormisse, o Caminho ficasse cansado em Sua caminhada; para que a Verdade pudesse ser acusada de falso testemunho, o Mestre fosse açoitado com chicotes, o Fundamento fosse elevado sobre o lenho, a Força enfraquecesse, o Médico fosse ferido; para que a Vida pudesse morrer. Para suportar estas e outras indignidades semelhantes por nós. Para nos libertar, mesmo sendo criaturas indignas. Ele, que existia como o Filho de Deus antes de todas as eras, sem ter tido um começo, veio a ser o Filho do Homem naqueles anos. Ele, que se submeteu a tais grandes males por nossa causa, nunca praticou qualquer mal. Embora nós sejamos os recipientes de tanto bem de Suas mãos, não temos feito nada além do mal.

Ele se tornou obediente até a morte da cruz. Ele se humilhou por todo o caminho para morrer por nossos pecados. A morte na cruz era dolorosa, vergonhosa. Era uma morte para malditos. Deuteronômio 1:23 diz: “Maldito aquele que for pendurado no madeiro”. Paulo cita isso em Gálatas 3:13 . Cristo tornou-se uma maldição por nós, absorvendo a ira de Deus em nosso favor.

Último ponto: Cristo abandonou uma posição soberana, aceitou o lugar de um escravo, aproximou-se de um povo pecador, adotou uma postura altruísta e, finalmente, ascendeu à posição de um príncipe supremo. Veja o verso 9: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”. Note o que diz o verso: “Por isso”. Sua exaltação foi consequência de Sua humilhação, obediência e doação de Si mesmo.

Deus o ressuscitou dos mortos como um sinal de Sua satisfação. Ele O exaltou, dando-lhe um “nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (v.9-11).

Foi-Lhe dado, então, um nome. Que nome é esse? É o nome “Senhor”. Não é o nome Jesus, pois esse foi um nome terreno, do Filho de Deus encarnado. Mas, não é este o nome acima de todos os nomes. O nome acima de todo nome é Senhor. Deus agora O exaltou e deu a Ele um nome acima de todo o nome.

Sua humilhação completa na cruz foi  seguida imediatamente pela Sua exaltação. Ressuscitado dos mortos, erguido à destra de Deus, restaurado à plena glória, plena honra, pleno privilégio, plena expressão de atributos, pleno uso de Sua própria vontade. Ele realizou nossa redenção e Deus O exaltou.

O versículo 10 diz que todo joelho se curvará a Ele, seja os que estão no céu, na terra ou no inferno. Todos O reconhecerão como Senhor. Não pense por um minuto que as pessoas no inferno não sabem que Jesus é o Senhor. Ele é o Senhor do inferno, eles sabem disso. E o inferno é definido como o sofrimento terrível e infligido àqueles que negaram a Cristo. Ele é digno, e essa é a afirmação de Sua excelência e apropriada submissão e adoração. Isso é o que envia as pessoas para o inferno:  eles rejeitam Cristo.

Toda língua confessará Jesus como Senhor. Se você fizer isso nesta vida, o que acontece? Romanos 10: 9 e 10 diz:

A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.

Há aqueles que confessarão esta verdade, de forma jubilosa, hoje e por toda a eternidade, no gozo celestial. Porém, os demais também confessarão eternamente, mas em amargura e remorso no inferno. Toda língua confessará, ninguém escapará.

Ele é Deus, entregando-Se a Si mesmo, mas permanecendo como Deus. Ele é Deus, vestindo a túnica de um Rei, e depois a tirando e tomando um trapo de mendigo. Ele é Deus, o juiz, que Se levantou do trono e foi para a cruz como um criminoso. Ele é Deus empobrecendo-se a Si mesmo, suplicando-Se a Si mesmo, expondo-Se ao rancor do mal, nunca Se poupando até uma cruz na colina de Jerusalém. E essa cruz se torna o marco de Sua humilhação abnegada. Oremos.

Pai, nós Te agradecemos novamente pela Tua Palavra. Nós Te agradecemos pela verdade concernente a nosso Salvador. Estes são dias maravilhosos para voltar e pensar profundamente sobre a vinda de Cristo. Obrigado pela manhã maravilhosa que tivemos de adoração. Nossos corações estão cheios , transbordantes. A música soa em nossos ouvidos, música que exalta Cristo, que oferece louvores a Ti por este dom inefável. Mas, isso não significa nada, a menos que O confessemos como Senhor.

Que não haja alma ao ouvir esta minha voz hoje que espere ainda para confessá-Lo como Senhor no fogo do inferno. Que Tu sejas misericordioso e abra seus corações para confessá-Lo como Senhor hoje e agora, aqui na terra, para que possam fazê-lo para sempre no céu. Que possamos demonstrar nosso amor a Ti, seguindo o exemplo de Cristo. Paulo disse: “Tenha o mesmo sentimento que estava em Cristo Jesus.” Que nós, como aqueles que conhecem a Cristo e O amam, que nos humilhemos a fazer Sua vontade, não importa o que custe, sabendo que para aqueles que obedecem haverá uma exaltação. Jesus é o padrão para nós também. Se nos humilharmos, um dia seremos exaltados. Nós Te agradecemos por esta grande graça. Nós nos regozijamos Nele. Celebramo-Lo com corações gratos, em nome de Cristo. Amém.

Leia também: Jesus, o Verbo Eterno


Este texto é uma síntese do sermão “The Theology of Christmas”, de John MacArthur em 20/12/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/80-354/the-theology-of-christmas

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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1 Resultado

  1. Yota4All disse:

    Mais ele se pos realmente abaixo se tornando homem para morrer pelos homens e assim cumprir toda a lei, resumindo-a em duas amar a Deus com todas as forcas; e , amar ao proximo como a si mesmo.

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