O chamado de Natanael

Imprimir

Este texto é parte de uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos. Veja os links dos demais textos no fim desta página.

Como você sabe, estamos estudando o Evangelho de Lucas. Chegamos ao capítulo 6, onde Lucas nos apresenta aos doze apóstolos de nosso Senhor Jesus. Vamos abrir nossas Bíblias de novo em Lucas, capítulo 6, apenas brevemente enquanto olharmos para a lista dos doze que Jesus identificou como Seus representantes oficiais.

De acordo com o versículo 14, são estes: “Simão, a quem também chamou Pedro, André, seu irmão, Tiago, João, Filipe e Bartolomeu, Mateus e Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Simão, chamado Zelote, Tiago e Judas Iscariotes, que se tornou o traidor.

Aprendemos, ao conhecer melhor esses homens, cinco dos quais já estudamos, que o Senhor escolhe homens comuns para chamados incomuns. Ser um apóstolo do Senhor Jesus Cristo é o mais alto chamado que qualquer pessoa poderia ter mas, ainda assim, eles são pessoas comuns. Isso nos dá um grande encorajamento, pela graça do Senhor em nossas próprias vidas.

Voltando para o Antigo Testamento, por apenas um momento de introdução, dois dos homens mais honrados na história do Velho Testamento, os dois que realmente simbolizaram o Antigo Testamento, a lei e os profetas, são Moisés e Elias. Moisés, o grande líder e legislador de Israel, Elias, o grande profeta de Deus. Eles são tão singularmente abençoados que apareceram com Jesus no Monte da Transfiguração, conforme registrado no relato do Novo Testamento.

Eles simbolizam o poder. Eles simbolizam a pregação. Eles simbolizam liderança, acima de tudo, no Antigo Testamento. Há Moisés, o grande líder de Israel, comandante-chefe do Êxodo. Ele foi o líder de Israel quando todo o exército do Egito foi destruído. Moisés, o receptor da lei de Deus. Moisés, que ouviu Deus falar pessoalmente na sarça ardente. Moisés, que estava no monte para ver a glória de Deus.

Moisés, que recebeu as tábuas de pedra sobre as quais Deus havia escrito com Seu próprio dedo os Dez Mandamentos. Moisés, que escreveu os cinco primeiros livros das Escrituras, cujo conjunto é chamado de Torá, a Lei, o Pentateuco. Moisés, o líder de Israel durante os quarenta anos em que vagaram no deserto, antes de eles entrarem na terra de Canaã. Este homem está identificado para sempre com a lei de Deus e com o povo de Deus, Israel.

Moisés era um órfão, de pais escravos, em uma terra estrangeira. Quando Deus o chamou para liderar o Seu povo, Moisés ainda tentou argumentar com Deus que ele não era uma escolha muito boa para aqueles propósitos. Moisés temeu diante de sua tarefa. Ele era propenso à ira.

Moisés era um assassino, como o apóstolo Paulo. Moisés às vezes duvidava de Deus. Houve vez de tentar trazer glória para si mesmo. Moisés era um homem com falhas, o tipo de falhas que todas as pessoas têm, mas que foi, no entanto, usado por Deus exclusivamente e identificado por Deus como “Moisés, meu servo”.

Então, há Elias, que representa os profetas. Tiago diz que ele era um homem com uma natureza igual a nossa. Ele era, de acordo com 1 Reis 17:18, um homem de Deus. Ele era um pregador, um dos maiores que já existiu. Ele era um milagreiro. Era aquele que podia ressuscitar os mortos, e assim o fez. Ele invocou fogo contra uma centena de homens do rei Acazias. Ele matou, com as próprias mãos, 450 falsos profetas de Baal.

Um grande profeta, um homem de poder, capacidade sobrenatural. E, no entanto, aquele grande homem demonstrou o tipo mais bizarro de medo e desespero quando confrontado por uma mulher pagã poderosa chamada Jezabel, a qual ameaçou sua vida.

E ele, em resposta, acabou correndo para o deserto para se esconder, por medo. Ele tinha uma avaliação seriamente exagerada de sua própria singularidade quando disse: só eu e não reconheceu que havia milhares de pessoas que não tinham dobrado os joelhos a Baal na terra de Israel.

Elias era um homem que estava tão deprimido, em tal desespero, que pediu a Deus que tirasse sua vida. Sua fé tinha minguado. E, no entanto, Deus não tirou sua vida, ao invés disso, Deus providenciou um arrebatamento privado para ele, que foi levado ao céu em um turbilhão. Falho? Correto. Mas, afinal, todos nós somos falhos. Somos todos caídos. Todos nós carregamos a marca da maldição e do pecado.

E, assim, Deus usa homens comuns para chamados incomuns. Estamos aprendendo isso a respeito dos apóstolos, não estamos? Pedro, Tiago, João, André e, na semana passada, vimos Filipe. Todos homens comuns. Agora, lembre-se, os discípulos que se tornaram apóstolos são divididos em três grupos de quatro. As listas destes doze estão em Mateus, Marcos, Lucas e Atos.

O primeiro nome é sempre o mesmo: Pedro. E, então, todo mundo aparece nos mesmos grupos de quatro. Os nomes podem aparecer misturados em cada lista, mas todos permanecem em seu próprio grupo. O nome no início de cada grupo é sempre o mesmo, indicando que cada um dos três grupos tinha um líder e que Pedro era o líder sobre todos.

Já conhecemos o grupo um: Pedro, Tiago, João e André. E, da última vez, nós nos encontramos com o líder do grupo dois: Filipe. Vimos que  Filipe tinha certa tendência a ser cético. Ele não era muito forte na fé com relação ao sobrenatural, tendia a lidar com coisas materiais. Ele era analítico, pessimista, relutante, inseguro, lento para acreditar e confiar. Sua fé tendia a ser limitada por circunstâncias, dinheiro, regras e provas. Mas, no fim, Deus, por Sua graça, venceu tudo isso nele, que se tornou um grande apóstolo, morrendo, como vimos, como um mártir.

Isso nos leva ao número seis da lista dos doze. Seu nome é dado aqui no verso 14 como Bartolomeu. Ele é mais conhecido como Natanael, como veremos na passagem em que ele é apresentado no Novo Testamento. Para ver essa passagem, volte-se para o capítulo 1 de João. Deixe-me apenas dizer um pouco sobre seu nome enquanto você está abrindo a sua Bíblia.

Ele é chamado Natanael em João 1. Natanael significa “dom de Deus“. “El, e-l” é o nome de Deus. É a parte inicial de Elohim. E assim, Natanael quer dizer “dom de Deus”. Bartolomeu literalmente significa “filho de Tolmai“. “Bar” significa “filho de”, como “bar mitzvah” quer dizer “filho da lei”. E, assim, ele é Natanael, filho de Tolmai, Bar-Tolmai. Pode ter sido que o nome de seu pai fosse Tolmai. Isso é o mais provável.

Mas, há uma possibilidade secundária. Havia entre os hebreus uma seita. Eles eram chamados de tolema, porque seu líder era chamado Tolmai. Esta seita era dedicada ao estudo das Escrituras. Eles davam muita atenção às Escrituras. Pode ser que Natanael, ou Bar-Tolmai, fosse filho de um homem chamado Tolmai ou, como alguns têm sugerido, embora seja um pouco mais obscuro, que isso possa significar que ele era um membro de um grupo chamado Tolmaians.

Ele era um filho de Tolmai, no sentido de que  era um seguidor do homem que iniciou o grupo, cuja devoção às Escrituras o marcava unicamente. Ele é Natanael, de qualquer maneira, filho de Tolmai. Ele veio da cidade de Caná, da Galiléia, que era realmente muito, muito perto, uma curta distância a pé, de Nazaré. João 21:2 o identifica como sendo de Caná.

Natanael foi trazido a Jesus por Filipe. E cada vez que você vê a lista dos apóstolos, Filipe e Natanael estão sempre ligados. Então, eles foram amigos próximos durante os anos de sua jornada com Cristo. Ao contrário de Pedro e André, que estavam juntos como irmãos, Tiago e João, que estavam juntos como irmãos, você encontra estes dois, não irmãos, mas companheiros próximos em todas as listas dos apóstolos, sendo identificados um ao lado do outro.

Agora, vamos encontrar Natanael, ou Bar-Tolmai, no primeiro capítulo de João, versículo 43. Este é o único lugar onde ele é identificado no Novo Testamento. O versículo 43 retoma a história de Jesus no tempo em que Ele estava chamando  discípulos. João Batista apontou para Cristo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O ministério de Jesus começou, então, oficialmente. Jesus chamou Simão e André, na passagem anterior, para serem Seus discípulos. Mais tarde, eles se tornariam apóstolos.

Neste ponto, Ele simplesmente os chamou para serem discípulos. E no dia seguinte, depois de ter feito isso, propôs-se a ir para a Galileia e encontrou  Filipe. Disse-lhe: Siga-me. Filipe é identificado como de Betsaida, a cidade de André e Pedro, e provavelmente os conhecia bem, frequentava a mesma sinagoga com eles, sabia que eles eram buscadores do verdadeiro Deus, amantes do verdadeiro Deus, com uma esperança messiânica.

Eles tinham muito em comum. Eles eram verdadeiros crentes do verdadeiro Deus e estavam desejosos pela vinda do Messias, de modo que seguiram Jesus, esperando que Ele fosse o Messias por quem eles haviam esperado.

Agora, Filipe, diz no versículo 45, encontrou Natanael. Eles eram conhecidos. Nós não sabemos o grau desse conhecimento. Não sabemos se era profissional, se era familiar, se era social, fosse o que fosse. Filipe encontrou Natanael. E a implicação aqui é que ele o conhecia, já que ele imediatamente foi a Natanael, porque queria lhe dizer que  tinha encontrado o Messias.

Natanael, então, foi encontrado por Filipe, enquanto Filipe foi encontrado pelo Senhor anteriormente. Obviamente, Deus estava dominando soberanamente todas as circunstâncias que fariam com que qualquer outra descoberta ocorresse, para que o que acontecesse fosse Sua perfeita vontade. E foi a vontade de Deus que Filipe buscasse Natanael e o trouxesse a Jesus, que foi exatamente o que ele fez.

Agora, a conversa entre Filipe e Natanael nos dá alguma introdução do tipo de pessoa que este era. “Nós encontramos aquele de quem Moisés e a lei e também os profetas escreveram.”  Esta é a primeira vez que vemos Natanael. O que interessa a Natanael são as Escrituras. Filipe conhece seu amigo Natanael. Ele sabia que Natanael vê as coisas do ponto de vista das Escrituras.

E assim, quando vai a ele para falar sobre o Messias que encontrou (ou foi encontrado por Ele), ele o faz do ponto de vista da profecia do Velho Testamento. Isto nos indica que Natanael e provavelmente Filipe eram estudantes do Antigo Testamento. Filipe não diz a ele que ‘eu encontrei o homem que tem um plano maravilhoso para sua vida’. Ele não diz: ‘eu encontrei o homem que vai consertar seu casamento’. Ele não diz nenhum desses tipos de alegações que possam apelar a algum outro elemento da personalidade de Natanael.

Filipe fala a Natanael de modo específico, usando a sua busca pelo Messias, de acordo com as Escrituras. “Encontramos aquele de quem Moisés nos falou na lei e também nos profetas.”

A ‘lei e os profetas’ era simplesmente um termo para se referir ao Antigo Testamento. Isso nos indica que ele era um pesquisador das Escrituras, era um buscador da verdade divina. E eu realmente acredito que, com exceção de Judas Iscariotes, todos os apóstolos eram, em certa medida, buscadores da verdade divina. Isto é, seus corações estavam corretos diante de Deus.

Eles eram sinceros em seu amor por Deus e seu desejo de conhecer a verdade e conhecer o Messias. Nesse sentido, eram muito diferentes do ambiente religioso da época, que era dominado pela hipocrisia. Eles eram a coisa real. E, assim, Filipe encontra seu amigo íntimo, Natanael Bartolomeu e lhe diz: nós encontramos aquele sobre quem nós estudamos por muito tempo.

Muito provável que eles tenham gastado longas horas juntos estudando as Escrituras. Muito provável que tenham estudado a lei e os profetas para discernir a verdade sobre a vinda do Messias. E foi realmente porque Natanael era tão bem treinado nas Escrituras, talvez melhor do que Filipe, que ele foi tão imediato em sua resposta favorável a Jesus. Ele foi capaz de reconhecer Jesus tão claramente, porque ele tinha uma clara compreensão do que as Escrituras dizem a respeito Dele.

Ele sabia o que as promessas diziam, de modo que ele sabia que tinham sido cumpridas. Ele sabia que Jesus era aquele de quem Moisés e os profetas haviam escrito. Então, Filipe diz a Natanael, e aqui é a parte surpreendente, final do verso 45: “É Jesus de Nazaré, filho de José.” Nessa época, as pessoas eram identificadas em relação ao nome do pai. Jesus era, de certa forma, um nome comum, Yeshua, que corresponde a Josué, em hebraico.

Filipe conta a Natanael que o Messias era Jesus,  filho de José, da cidade de Nazaré. E deve ter havido uma certa quantidade de surpresa,  pois a expressão que Filipe usa, é como se estivesse dizendo: ‘você não vai acreditar, o Messias é o filho de José, o homem chamado Jesus, da cidade de Nazaré!’.

No verso 46 nós obtemos um pouco mais de visão sobre Natanael. Ele era um estudante das Escrituras, um pesquisador do verdadeiro conhecimento de Deus. Isso mesmo, o seu lado espiritual foi forte, fiel, diligente, honesto, mas ele foi humano em sua reação. E aqui está a sua resposta: “Pode qualquer coisa boa vir de Nazaré?” Isso demonstra um certo tipo de preconceito, não é mesmo? Se ele dissesse: ‘você sabe, como eu li o Antigo Testamento, eu li que o profeta Miqueias diz que o Messias viria de Belém, não Nazaré…’

Ou ele poderia ter dito: ‘mas, Filipe, o Messias tem que ser identificado com Jerusalém, porque Ele irá reinar em Jerusalém…’. Ele poderia ter também respondido: “Filipe, isto é impossível, pois o Messias não pode vir de Nazaré!”. Mas, ele tinha suas deficiências, assim como todos os outros onze. De modo que ele apenas diz, curto e grosso: “Poderia qualquer coisa boa vir de Nazaré?”

Essa é uma declaração que geralmente manifesta um preconceito. Isso não é racional, isso é emocional. Agora, Natanael nem mesmo morava em uma cidade tão desenvolvida… Ele era de Caná. Eu estive lá algumas vezes. A menos que você esteja querendo conhecer a casa onde afirmam ter sido o local em que Jesus transformou água em vinho, você não iria lá, porque não há nada de especial em Caná.

Caná ficava perto de Nazaré, mas fora das rotas principais. Já Nazaré ficava no meio dessas rotas. Se você cruzasse  de norte para o sul, no mundo antigo, você passaria por Nazaré. Se você estivesse subindo o litoral de Israel e, eventualmente, entrasse na Galileia, você passaria por Nazaré, para comer, dormir e obter suprimentos. E se você estivesse indo de leste a oeste, também passaria por Nazaré, muito provavelmente vindo do leste dirigindo-se para o Mediterrâneo, ou o oposto. Era uma encruzilhada,ficava no meio dessas rotas de tráfego.

Nazaré era uma cidade rude, não refinada, sem instrução. Ainda é do mesmo jeito, da mesma forma. Você provavelmente pensaria nela como sendo um lugar pitoresco, mas não é. Ela possui um ambiente agradável nas encostas das colinas da Galileia, mas não é uma cidade memorável hoje e não era naqueles dias. Havia um povo não refinado e sem instrução que morava lá.

Os galileus e os judeus em geral olhavam para os nazarenos de cima para baixo, com certo ar de superioridade. Eles desprezavam os nazarenos. E, novamente, você vê que Deus encontra algum prazer, não só usando o mais comum das pessoas, mas fazendo com que elas venham dos locais mais desprezados para que, essencialmente, não haja nenhum mérito no homem, embora que usualmente esses mesmos homens sejam usados para  transformar o mundo e que, no final, a única explicação de como fizeram isso seja Deus e então, Ele obtém toda a glória.

É inconcebível para Natanael Bartolomeu que o Messias saísse daquele lugar pegajoso chamado Nazaré, um lugar rude, um lugar maligno, pecaminoso, corrupto. Bem, teria sido bom, quero dizer, se ele tivesse dito: ‘É um lugar mau!’ Porém, dizer: “Pode alguma coisa boa vir de Nazaré?” é apenas preconceito. Um pouco de ciúme da cidade talvez, porque Caná era certamente sem qualquer importância. E se Jesus não tivesse transformado água em vinho em um casamento lá, ninguém saberia nem de sua existência.

O preconceito é uma coisa feia. É desnecessário. É a generalização baseada em sentimentos de superioridade, não baseada em fatos. Mas, o preconceito é muito eficaz para afastar as pessoas da verdade. Suponho que, em um sentido, poderíamos dizer que toda a nação de Israel rejeitou seu Messias por causa do preconceito. Eles também não acreditavam que seu Messias viesse de Nazaré. Eles não podiam aceitar que seu Messias – bem como quase todos os Seus apóstolos – vinham da Galileia. E eles zombavam dos apóstolos, como galileus incultos que eram.

Eles não gostaram do fato de que Jesus falou contra o judaísmo religioso da época. Desde os líderes religiosos até à ralé, o povo sentado na sinagoga, foram seus preconceitos que os fizeram rejeitar Jesus, mesmo em Sua própria cidade, como aprendemos no quarto capítulo de Lucas.

Jesus entrou na sinagoga, Sua própria sinagoga, onde cresceu, em Sua própria cidade de Nazaré, e pregou. Eles odiaram Sua mensagem. Eles estavam tão cheios de preconceito contra Ele e contra o que Ele disse, que depois que Ele pregou o sermão, tentaram levá-Lo para um precipício na beira da cidade e jogá-Lo de um penhasco, para matá-Lo.

Foi realmente esse preconceito que distorceu sua visão do Messias. Todos aqueles escribas e fariseus, toda a elite religiosa, que eram os sepulcros caiados, isto é, eles eram hipócritas, miseráveis ​​por dentro e pintados de branco no exterior, estavam cheios de preconceito contra Jesus, porque Ele desmascarou sua maldade, porque Ele lhes disse o que era a verdade sobre si mesmos, sobre Deus, sobre Ele mesmo e sobre a salvação.

Foi seu preconceito contra Ele, como um galileu, julgando-O  como uma pessoa sem instrução, fora do ambiente religioso da época, o preconceito contra Sua mensagem, o preconceito contra Ele de todas as maneiras que, literalmente, os afastaram do evangelho. Eles se recusaram a ouvi-Lo, porque tinham preconceito contra Ele.

John Bunyan entendeu isso quando escreveu sua famosa alegoria, ‘A Guerra Santa’, que retrata Deus vindo para conquistar uma alma. Ele fala sobre Emanuel, que é Deus, e as forças divinas chegando à cidade de Mansoul. E essas forças de Emanuel que vêm à cidade de Mansoul estão trazendo o evangelho a Mansoul. E dirigem sua investida a Mansoul no ‘portão do ouvido’ (porque a fé vem através de ouvir e Bunyan compreendeu isso em sua alegoria).

Mas, Diabolos, que era o inimigo de Emanuel e de seus combatentes, quer manter Mansoul cativo para o inferno, decide enfrentar o ataque das forças divinas que estão agindo no ‘portão do ouvir’. E Diabolos aciona sua resistência aos combatentes divinos posicionando no ‘portão do ouvir’ o velho ‘sr. Preconceito’. Bunyan escreve: “O velho Sr. Preconceito, um sujeito irritado e mal condicionado, sendo que Diabolos colocou sob seu poder sessenta homens chamados ‘homens-surdos’“. E o evangelho, na visão de Bunyan, foi interrompido pelo preconceito. Muito vívido.

As orelhas dos homens são freqüentemente fechadas ao evangelho por preconceito, seja preconceito racial, social, religioso, seja o que for. E isso efetivamente fez com que a nação judaica permanecesse surda ao Messias. Diabolos tinha posicionado no ‘portão de ouvir’ de Israel os ‘homens-surdos’. É por isso que, quando Jesus entrou em Sua própria sinagoga e falou a verdade, eles foram surdos e tentaram matá-Lo, jogá-Lo de um penhasco.

Ainda é assim hoje. Indo além da surdez, você poderia tomar emprestada a imagem vívida de Paulo: “O deus deste mundo cegou seus olhos“. Surdos e cegos por seu preconceito contra a verdade, contra a justiça, perderam a mensagem. Natanael foi influenciado por isso? Com certeza. Ele vivia numa sociedade que era preconceituosa por natureza. Porém, todos os pecadores tendem a ser preconceituosos.

Todos nós fazemos declarações preconceituosas. Todos nós tiramos conclusões preconceituosas sobre certas pessoas e certas classes,  certas sociedades. E fazemos essas loucas generalizações, que são pecaminosas. E, assim, Natanael era como todos nós, mas seu preconceito se expandiu um pouco e se voltou contra uma cidade.

Então, ele era preconceituoso, pelo menos nesse ponto. Mas, Filipe lhe disse, verso 46: “Venha e veja.” Você sabe, essa é a maneira de lidar com o preconceito, porque o preconceito não é objetivo, é subjetivo. Não é baseado em fatos. É baseado no sentimento. Não é baseado na realidade. É baseado no senso de superioridade. E Filipe sabia que a solução para o preconceito de seu amigo era: “Venha e veja“. Em outras palavras: ‘você não precisa ter esse preconceito, você pode ter a realidade.’

Pode alguma coisa boa vir de Nazaré?” Venha ver!! E ele foi. Uma mente preconceituosa, mas eu acho que era um coração que buscava a verdade. E seu coração dominou sua mente preconceituosa. Agora, nós vamos aprender sobre Natanael a coisa mais importante e nós a ouviremos dos lábios de Jesus. Não podemos imaginar algo mais maravilhoso do que ter um elogio a nosso respeito  vindo da boca de Jesus. Verso 47, de João 1: “Jesus viu Natanael vindo a Ele e disse-lhe: ‘Eis um verdadeiro israelita em quem não há engano‘.

Geralmente, você ouve isso em um funeral, quando alguém morre e o pregador diz: “Bem, ele irá para o céu, onde vai ouvir  ‘Servo bom e fiel ‘“. Esse é um bom epitáfio. Mas, ouvir isso já no início? Este homem era íntegro desde o início. Oh, claro, que ele era humano e é certo de que ele era falho. Todos nós somos falhos. E uma de suas falhas era que ele tinha preconceito. Mas, também era verdade que ele era um israelita, de fato, verdadeiramente, genuinamente, um israelita.

Do que Jesus está falando? Ele está falando sobre Natanael ser um descendente de Abraão? Não, Ele não está falando sobre seu sangue, sua genética. O que Jesus quis dizer com “ele é um israelita verdadeiro em quem não há engano”? O que Jesus está dizendo é que, na maioria das vezes, os israelitas não eram reais. Romanos 9:6 diz: “porque nem todos os que são de Israel são israelitas“. Romanos 2:28 e 29, no final do capítulo, Paulo diz: “Porque não é judeu o que o é exteriormente… Mas é judeu o que o é no interior…”

Aqui estava um judeu que era judeu interiormente. Aqui estava alguém que adorava o Deus verdadeiro e vivo. Esta é a coisa real. E Jesus disse, em João 8:31, aos judeus que diziam crer Nele: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos“. Ele usou a mesma expressão: verdadeiro. Natanael era um verdadeiro discípulo desde o início, em quem não havia engano.

Não havia hipocrisia nele e isso é muito incomum. Quando Jesus acusou o meio religioso de Israel, Ele os acusou de hipócritas. Em Mateus 23, você tem esse discurso acusatório surpreendente contra eles, em que Ele os chama de hipócritas em todos os sentidos possíveis. E aqui estava Natanael, um judeu não-hipócrita. As sinagogas estavam cheias de hipócritas.

Jesus experimentou isso em Sua própria sinagoga na cidade de Nazaré, onde Ele cresceu e viveu a maior parte de Sua vida terrena, quando Ele pregou e eles tentaram matá-Lo, porque Ele tinha desmascarado a verdadeira condição de seus corações hipócritas.

Aqui, porém, estava um homem que era um verdadeiro israelita e um verdadeiro israelita é aquele que é um israelita no interior. Ele teve seu coração circuncidado. O que isso significa? Romanos 2:29 diz: “Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.” O que isso significa? Seu coração foi purificado. Era um homem justificado.

Natanael era um homem justo. Era um homem que conhecia o verdadeiro Deus e O amava e O servia. Era falho, é claro, porque todo mundo é, mas ele era real. Ele não era como os escribas. Ele não era como os fariseus e a maioria do resto do povo. Ele era confiável, genuíno.

Bem, a resposta de Natanael a Jesus vem no versículo 48 de João 1: “De onde me conheces tu? ” O que você acha que ele está dizendo aqui? Ele está questionando se esse homem pode de fato ser o Messias que Felipe afirma ser. Ele está questionando. Não que ele questione Filipe, que é seu amigo. Não que ele questione as Escrituras.

Mas, é apenas que este homem de Nazaré não parece se encaixar no perfil do Messias…  Filho de um carpinteiro, um homem sem nome chamado José, que vem de uma cidade que não tem conexão com a profecia, nem sequer existia no Antigo Testamento…

Ele simplesmente não poderia acreditar. Ele aparece e Jesus lhe diz: “Ah, um israelita de fato, em quem não há engano.” Acho que Natanael entendeu dessa maneira: ‘Você está me lisonjeando? Como você me conhece? Você está apenas tentando me adicionar a Seus seguidores através dessa lisonja? Como você pode dizer isso? Quero dizer, como no mundo você poderia dizer isso sobre mim?’

E Jesus respondeu e disse: “Bem, antes que Filipe o chamasse, quando você estava debaixo da figueira, eu vi você.” Oh… Agora este é um negócio completamente diferente. Agora não estamos falando de lisonja, estamos falando de onisciência. Bem, Jesus não estava lá, Natanael sabia disso.

‘Eu vi você lá. Eu te vi debaixo da figueira.’ Isso é onisciência. E eu creio que pode haver um pouco mais nisso. Todos os pequenos detalhes das Escrituras me fascinam. Naquele tempo, a maioria das pessoas pobres vivia em uma casa de um cômodo, em Israel. E como tudo era feito naquele único cômodo, a casa poderia ficar cheia de fumaça, poderia ficar abafada e também muito quente.

Uma das maneiras que eles usavam para refrescar mais a casa era plantando árvores ao redor dela, perto da casa. E uma das árvores favoritas para plantar era uma figueira, porque ela fornecia frutas maravilhosas, crescia a uma altura de cerca de cinco metros, de modo que as pessoas pudessem ficar debaixo dela e ela se espalhava para, suponho, num diâmetro de talvez quase dez metros. Então, isso faria da figueira uma árvore de sombra maravilhosa.

E, assim, as pessoas poderiam sair de  casa, para fugir do calor e ficar sob a figueira. Este seria um lugar excelente para estar. Tornou-se uma espécie de quarto privado para pessoas pobres. Tornou-se uma espécie de lugar para ir e poder sentar e meditar. E eu creio que Jesus está dizendo não apenas que sabia da localização geográfica onde Natanael esteve.

Um escritor diz isso: “Na Palestina, as casas dos pobres, porque elas tinham apenas um cômodo, levaram o povo a buscar a quietude para orar e meditar fora da casa, sob a sombra de uma figueira.” Se você quisesse escapar do ruído da casa, da agitação da casa, do calor, você iria sair e ficar à sombra da figueira.

Na verdade, isso pode ser o que Jesus está dizendo a Natanael: ‘Eu sei o estado de seu coração, porque vi você debaixo da figueira e sabia o que você estava fazendo. Esse é o seu quarto particular, onde você medita e ora. Eu vi você em seu lugar secreto. Eu vi você no lugar privado. Eu vi você no lugar da meditação. Eu sei o que você estava fazendo.’

Então, Jesus não só viu sua localização, mas viu seu coração. Era como se Jesus estivesse dizendo a Natanael: ‘Eu conheço a sinceridade de seu coração, porque vi você quando estava debaixo da figueira.’ Bem, isso foi suficiente para Natanael. Versículo 49: “Natanael respondeu: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel. ”

Todo o Evangelho de João é escrito para provar que Jesus é o Filho de Deus. É assim que começa, certo? “No princípio era o verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. E ele continua a falar no Filho como Deus manifesto. E aqui no primeiro capítulo, João dá o testemunho de Natanael, para acrescentá-lo à ideia central de todo o Evangelho, de que este Jesus é o Filho de Deus. E esse termo “Filho de Deus” sempre é usado para se referir que Jesus compartilha a mesma natureza divina, que Ele é Deus. Ele é da mesma essência de Deus.

A propósito, isso é algo que três anos mais tarde Filipe ainda não tinha entendido, porque três anos depois, como vimos na última vez, ele diz a Jesus: “Mostra-nos o Pai“. E Jesus diz: “Eu tenho andado por tanto tempo com vocês e você ainda não entendeu? Se você Me viu, viu o Pai“.  Após três anos, Filipe não tinha compreendido ainda o que Natanael compreendeu desde o início.

Natanael conhecia o Antigo Testamento. Ele sabia o que os profetas haviam dito. Ele sabia quem estava chegando. E, independentemente do fato de que Ele veio de Nazaré, Sua onisciência, Sua percepção espiritual, Sua capacidade de ler o coração de Natanael foi suficiente. João enfatiza isso no final do capítulo 2. Quando Jesus estava em Jerusalém depois disto, era a Páscoa, Sua primeira Páscoa no Seu tempo de ministério.

Durante a festa, João declara: “Muitos creram em Seu nome”. Isso soa bem, já que estavam vendo Seus sinais ou milagres que Ele estava fazendo. “Mas Jesus mesmo não se entregava a eles, porque conhecia a todos os homens“. Eles estavam crendo nEle, mas Ele mesmo não fez nenhum compromisso com eles, nenhuma conexão, versículo 25, porque Ele não precisava de ninguém para dar testemunho sobre os homens, pois Ele mesmo sabia o que estava no homem. E Ele sabia que o que estava neles não era a coisa real. Eles criam superficialmente.

Eles até queriam fazer uma conexão com Ele, mas Jesus nunca permitiu que isso acontecesse, porque Ele sabia que não eram Natanael, em quem não havia engano, nem hipocrisia. Ele sabia o que era real só de olhar e  viu essa realidade no israelita chamado Natanael. Natanael sabia que Ele conhecia seu coração. Ele não só conhecia sua localização física, mas conhecia sua condição espiritual.

E ele disse: “Isso é suficiente para mim, só Deus poderia saber disso, por isso, Tu és o Filho de Deus”. Ou seja, Tu tens a mesma natureza de Deus,  és um com Deus. E isso é, penso eu, claramente indicado em várias ocasiões no Antigo Testamento, que o Messias seria o Filho de Deus. Vemos certamente no Salmo 2. Natanael foi direto: “Tu és o Filho de Deus”.

Essa é a primeira declaração: a deidade de Cristo. Segunda: Tu és o Rei de Israel, o Messias, o Ungido que cumprirá todas as promessas feitas a Abraão e Davi. Natanael entendeu a onisciência de Cristo. E isso foi suficiente para ele crer. Isso o convenceu. ‘Esse homem conhecia minha localização física, e esse homem conhece meu coração’.

Natanael era como Simeão, no segundo capítulo de Lucas, quando Simeão levantou o bebê e disse: ‘Este é o Filho de Deus, este é o que estávamos esperando!’ Estavam à procura da consolação de Israel, à procura do Consolador, à procura do Messias. E eu creio que Natanael foi um daqueles profundos estudantes das Escrituras, um daqueles verdadeiros judeus que esperavam pelo Messias e sabiam que quando Ele viesse seria Filho de Deus e Rei. Natanael nunca foi um dos ‘meio-comprometidos’. Ele era comprometido desde o primeiro dia.

Então, Jesus, no versículo 50, respondeu, e disse-lhe: “Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? Coisas maiores do que estas verás.” Na verdade, esse ponto de interrogação não existe no texto original, em grego. A NIV traduz este versículo como uma afirmação e eu penso que é uma tradução melhor, para que ela seja lida assim: “Porque eu disse a você que eu te vi debaixo da figueira, você crê.” Jesus está dizendo: você crê por causa da onisciência. E, então, acrescenta: “Você verá coisas maiores do que estas.” Ou seja: você ainda não viu nada!

E você sabe o que Jesus está dizendo a Natanael? Em outras palavras: ‘Natanael, daqui em diante tudo que você vir apenas vai enriquecer a sua fé, ampliar a sua fé. Os outros discípulos, também verão, mas eles ainda lutarão para crer. Eles não vão entender. Mas você não. Tudo que você ainda irá ver vai enriquecer o que você já sabe que é a verdade.’ E foi assim.

Jesus estava fazendo milagre após milagre, ressuscitando os mortos, curando os doentes, expulsando demônios, criando comida, caminhando sobre a água. Tudo o que Ele fazia, tudo o que Ele dizia, todos os elementos sobrenaturais de Sua vida eram vistos por aqueles homens e por Natanael. E Natanael estava acenando positivamente com a cabeça, enquanto a fé em seu coração ia sendo ampliada e ampliada através de tudo isso. Que maravilhoso ver alguém tão crente e confiável desde o início, de modo que os três anos inteiros com Jesus serviram apenas para robustecer a sua fé!

No versículo 51, Jesus disse: “Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.” O que é isso? Isso é apenas uma espécie de maneira metafórica ou simbólica de dizer: ‘você vai ver o céu descer sobre Mim, anjos, revelação sobrenatural, poder sobrenatural, você vai ver e você vai entender.’ De todos os apóstolos, Natanael me parece ser o que mais tirou proveito de seu tempo com Jesus, porque desde o início ele já sabia exatamente quem Jesus era. Tudo o que veio depois foi só enriquecimento.

E, talvez, Jesus estivesse citando aquela passagem familiar do Velho Testamento, em Gênesis 28, onde Jacó sonha com uma escada do céu e a revelação descendo naquela escada.Jesus estava dizendo a Natanael: ‘Eu sou a escada e o céu descerá e você vai ver. O poder dos anjos, a revelação divina, os milagres sobrenaturais vão descer e voltar para cima a partir do Filho do Homem.’ Jesus usava essa expressão ‘Filho do Homem’ para Se descrever, ela foi usada mais de oitenta vezes no Novo Testamento.

Bem, no final, Natanael desfrutou da bênção mais completa e mais rica de seu tempo com Jesus. Se o compararmos com Judas Iscariotes,  que grande contraste! Judas não compreendeu nada. Mas, por outro lado, havia Natanael, que compreendeu tudo. Ele entendeu o que era o céu descendo sobre o Filho de Deus, o Rei de Israel.

Isso é tudo que sabemos sobre Natanael. Mas, isso é realmente suficiente. Há dois outros apóstolos no grupo dois: Mateus e Tomé. Na próxima vez, iremos olhar para estes dois apóstolos. E vou tentar detonar o mito de Tomé ser o homem das dúvidas.

Tenho algo ainda a dizer. Você sabe, eu sou grato por ter lido um monte de material sobre os apóstolos, assim como eu li sobre as pessoas que Deus tem usado. Eu tenho lido um monte de biografias e estou constantemente espantado com a forma de como Deus sempre usou pessoas fracas, como Ele simplesmente encontra o pior, o mais baixo , os mais degradados do mundo e os salva para, em seguida, torná-los os meios de salvação de outras pessoas. Tenho certeza de que todos nós poderíamos entender por que Paulo disse: “Eu sou o chefe dos pecadores, mas Jesus morreu por mim”.

O Salvador pode fazer de um publicano um apóstolo. Ele pode fazer uma mulher de virtude a partir de uma prostituta, como Ele fez no caso de Maria Madalena. Quero dizer, durante toda a história Deus tem usado pessoas falhas e pecaminosas. E nós vimos isso nesses homens. Mas, e a sua própria vida? Tenho certeza de que nessa congregação esta manhã há algum homem ou alguma mulher, algum jovem que sente que sua vida está quebrada e sem uma boa reputação, e talvez, até mesmo escandalosa e que seu coração está sujo, sua mente está cheia de corrupção.

Talvez até você ficasse bastante constrangido aqui, se a verdade a seu respeito fosse exposta. Bem, eu quero que você saiba, você é apenas o tipo de pessoa que o Senhor pode usar poderosamente, porque Ele é glorificado quando Ele pega os fracos, básicos, comuns e os transforma. Se você puder gritar: “Senhor, tem misericórdia de mim!”, isso é tudo o que Ele pede, como aquele publicano que batia no próprio peito enquanto suplicava a misericórdia do Senhor. E aquele homem, disse Jesus, voltou para casa justificado.

Se você está disposto, o Senhor pode mudar você e usá-lo para mudar o mundo. Isso é o que Ele tem feito. E Ele ainda está fazendo isso. Um dos maiores pregadores na América, depois da virada do século, era um homem que era um alcoólatra bêbado que gastou todo o dinheiro de sua família em sua bebida. Não alimentava sua família. Uma filha dele morreu quando ainda era bem pequena. Ela morreu de desnutrição.

Esse homem foi embriagado para o funeral da própria filha. Depois que a cerimônia acabou, ele roubou as roupas do corpo morto da criança para trocá-las por uma bebida. Foi quando ele ouviu o evangelho, através de um grupo de evangelistas, foi convertido e foi usado para trazer muitos outros para Cristo. Quero dizer, isso é apenas uma entre milhões de histórias que mostram o que Deus pode fazer e fará para aqueles que estão dispostos. Vamos orar.

Pai, nós Te agradecemos por Natanael. Agradecemos por aqueles que crêem desde o início, que não são céticos e pessimistas, não duvidam e nem desconfiam. Nós Te agradecemos pelo fato de que entre esta incrível variedade de personalidades há alguém, como nós, a quem Tu podes usar poderosamente.
Tu recebeste a glória pelo que realizaste através de Natanael. Uma coisa, Senhor, lamentamos. Nós não temos nenhum registro de como ele morreu. A tradição não nos diz nada, a Escritura não nos diz nada. Na verdade, não temos mais informações sobre seu ministério. Mas, estamos ansiosos para encontrá-lo no céu e perguntar-lhe como foi e como ele terminou.
Nós sabemos que ele foi fiel até o fim, porque ele era fiel desde o início. E tudo a partir daí construiu sua fé mais forte. Gostaríamos de ser como ele. Dá-nos esse tipo de confiança para que tudo o que virmos, tudo o que vivermos, amplie nossa fé e nosso culto, em nome de nosso Salvador. Amém.


Esta é uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos

01. O chamado dos doze apóstolos
02. O chamado de Pedro (Parte 1)
03. O chamado de Pedro (Parte 2)
04. O chamado de Pedro (Parte 3)
05. O chamado de André e Tiago (irmão de João)
06. O chamado de João
07. O chamado de Filipe
08. O chamado de Natanael (Bartolomeu)
09. O chamado de Mateus e Tomé 
10. O Chamado de Tiago (filho de Alfeu), Simão (o zelote) e Judas Tadeu 
11. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 1
12. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 2


Este texto é uma síntese do sermão “Common Men, Uncommon Calling: Nathanael, de John MacArthur, em 01/07/2001.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/42-78/common-men-uncommon-calling-nathanael

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *