A expiação eficaz de Cristo – 2

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Esta é uma série sobre a doutrina da graça. Para melhor entendimento, sugerimos ler a sequência das mensagens, conforme links no fim deste texto.


Estamos abordando algumas das doutrinas mais desafiadoras, profundas e difíceis da Escritura. E eu confio que estamos nos maravilhando profundamente na verdade de Deus.
No último domingo à noite, começamos a olhar para o assunto: “Por quem Cristo morreu?” Ou “A Natureza da Expiação”. Ou como eu escolhi chamá-la “A Doutrina da Expiação Efetiva”.
Se você não viu o sermão anterior, recomendo que o veja [link no fim deste texto], hoje vamos dar sequência a ele, mas fazendo uma pequena revisão antes.

Essas doutrinas nos desafiam porque, por mais que as entendamos do ponto de vista bíblico, ainda há muito que ultrapassa nosso entendimento. Existe ainda a inescrutável realidade da mente incompreensível de Deus, muita coisa que não podemos entender com nossas mentes limitadas.
Toda sinfonia doutrinária é, de certa forma, uma sinfonia inacabada para nossas mentes. Toda doutrina importante da Escritura termina em uma corda não resolvida, porque nós, em nossas mentes finitas, não podemos, no final, compreender plenamente a infinidade da mente de Deus.
Mas, fazemos o melhor que podemos e deixamos o resto para Ele. E assim, no final, confiamos a Ele o que não entendemos e abraçamos com todo o coração o que entendemos.

Certamente, a doutrina da extensão da expiação é uma daquelas doutrinas que nos levam muito além de onde nos sentiremos confortáveis. Ela estica nossas mentes até o ponto de ruptura. Leva nossa teologia ao perímetro de nossas tolerâncias. E no final, nos deixa com algumas realidades incompreensíveis. E assim é como deve ser.
Somos finitos e Ele é infinito, deve haver uma vasta distinção entre o que podemos conhecer e o que Deus conhece. Mas, há maneiras pelas quais podemos chegar ao limite de nossa compreensão e ao limite da revelação bíblica, para entender a grandeza e a glória da obra da redenção.

Jesus veio ao mundo, como Ele disse, “para buscar e salvar aqueles que estavam perdidos” (Lucas 19:10). Ele estava em uma missão de recuperação. Ele veio a este mundo para resgatar pecadores, entre aqueles que estavam vivos, os santos do velho testamento (II Samuel 23:3-5) e os que viveriam no futuro. Sua obra redentora na cruz alcançou as gerações passadas, a sua geração e as futuras.

A vinda do Senhor Jesus foi a mais perfeita revelação do Deus eterno. Deus nunca foi tão claramente manifestado como Ele o foi em Jesus. A natureza de Deus, Seu caráter, Seu propósito e Sua vontade foram vistos plenamente em Jesus.
E assim concluímos que Deus é, por natureza, o Salvador. O apóstolo Paulo gosta de chamá-Lo de “Deus, nosso Salvador”. Ele é, por natureza, o Salvador, e assim Jesus veio ao mundo para buscar e salvar o que se havia perdido.

Para que Deus salvasse os pecadores, tinha que haver um sacrifício que pagasse a penalidade pelos seus pecados. Jesus, que é Deus, veio ao mundo, tomou a forma humana para se oferecer como esse sacrifício, uma condescendência inimaginável, um ato imerecido.
Na cruz Jesus não morreu sob a ira dos homens, na verdade Ele morreu sob a ira de Deus. Não pelos planos dos romanos e dos judeus, mas pelo plano determinado de Deus, predestinado antes que o mundo começasse.
Foi um sacrifício satisfatório e eficaz. Ele efetivamente comprou para o Pai um povo escolhido, para se tornar Sua noiva.

Abra sua Bíblia em Isaías 53. Este é um bom lugar para começar quando olhamos para o sacrifício de Cristo. Esta é a seção clássica do Velho Testamento que trata da morte substitutiva de Jesus, em que Ele morre no lugar dos pecadores. Os versos 4 e 5 dizem:

Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.

Ele foi literalmente punido por Deus por nossos pecados. Observe: Ele carregou as transgressões, iniquidades e o castigo de quem? Nosso.
O verso 10 diz: “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará em suas mãos”.
Em outras palavras, Ele foi esmagado e posto em sofrimento como uma oferta de nossas culpas, na confiança de que Ele verá Sua semente, Sua prole. O versículo 11 diz: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito”.
Deus estava satisfeito e Cristo estava satisfeito porque disto viria Sua prole, Sua semente.

E, em seguida, o versículo 11 diz: “o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si”.
E, o final do versículo 12, diz que “Ele levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu”.
E a questão é: quem são os “nossos”, os “nós” e os “muitos”? Deve ser a prole. Devem ser aqueles que são a semente que nasceu desse sacrifício, porque é isso agradou a Deus e satisfez a Cristo.

O Novo Testamento, em I Timóteo 1:15, diz que o Senhor Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores. Esse é o grande empreendimento. Deus é um evangelista. Deus é um Salvador. Cristo, então, o Deus em carne, faz uma obra salvadora. Ele veio ao mundo para salvar os pecadores.
E todos aqueles que Ele salva, recebem a ordem de continuar este trabalho. De acordo com a grande comissão, devemos ir a todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura.
Devemos “ir e fazer discípulos de todas as nações, batizando-os e ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho ordenado, e eis que estou convosco todos os dias”. Somos embaixadores de Cristo, dizendo que as pessoas se reconciliem com Deus. Fomos redimidos para sermos usados neste grande empreendimento evangelístico.

Em Atos 1: 8, quando Jesus deixa este mundo, Suas palavras finais são: “Vocês receberão poder quando o Espírito Santo vier sobre vocês; e serão as minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, até a parte mais remota da terra”.
Essa é a última coisa que Jesus disse na terra. “Meu Pai é um Salvador. Eu sou um Salvador e vocês devem pegar o evangelho glorioso da salvação e levá-lo até os confins da terra”.

É por isso que estamos aqui. Todo o resto é secundário na igreja. Em certo sentido, todo resto é menos importante. Nada pode diminuir isso.
É por isso que quando ensinamos sobre a doutrina da eleição soberana, a doutrina da incapacidade absoluta do pecador e a doutrina da extensão da expiação, contemplamos sua absoluta coerência com nossa missão. Por isso pregamos o Evangelho consistentemente, porque este é o nosso mandato, é por isso que a igreja está aqui.

Vamos adorar melhor no céu, serviremos melhor o Senhor no céu, amaremos melhor no céu. Na verdade, nós faremos tudo isso perfeitamente. Mas, uma coisa que não faremos no céu é evangelizar o perdido. Eles não estarão lá.
E Deus, que chora pelos olhos de Jeremias, e Jesus, que chora por Seus próprios olhos sobre os perdidos em Jerusalém, convida-nos a chorar sobre os impenitentes e a sair com lágrimas levando a preciosa semente.

Esse mandato evangelístico define por que a igreja está no mundo. É por isso que estamos aqui, para pregar o evangelho da salvação, da reconciliação, do perdão e do céu para o mundo inteiro.
O Salmo 126:5-6 diz: “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes”.
Foi Jesus quem disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).

Nós somos instruídos a orar pela salvação de todas as pessoas ( I Timóteo 2). Nós somos instruídos a estabelecer um exemplo piedoso e a viver nossas vidas como luzes brilhantes, para que os homens possam ver o poder de Cristo em nós e ser atraídos por Ele. Nós somos instruídos a não nos envergonhar do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação (Romanos 1:16).

É-nos dito para proclamá-lo ao judeu e ao grego também. E é uma oferta legítima, uma oferta real. Cada pecador no planeta é responsável pela resposta a essa oferta.
E como vimos em nosso estudo nesta manhã, cada homem tem uma mordomia que Deus lhe deu. Pode ser uma mordomia de uma lei escrita em seu coração, uma mordomia de sua mente racional olhando para a criação em torno dele e sendo levado ao conhecimento de Deus.
E se ele seguir o caminho, como deveria, em obediência àquela mordomia que Deus lhe deu, descobrirá que a verdade lhe será aberta. Todo homem é responsável e nenhum homem tem uma desculpa.
E, assim, somos obrigados a levar o evangelho até os confins da terra. Mas, sabemos disso: nem todos se arrependerão e nem todo mundo vai crer. Nós sabemos isso. Isso sempre foi verdade, sempre.

Há multidões que deixaram esta terra e já estão fora da presença de Deus para sempre, em tormento eterno. Esse fato é inescapável. Há um inferno eterno continuamente cheio de pecadores até que a história redentora tenha terminado.
São pecadores que ignoraram a consciência e a lei escrita em seus corações. Eles ignoraram o que era conhecido de Deus que foi colocado neles, ignoraram a verdade quando a ouviram, a Escritura quando a leram, o evangelho quando foi pregado a eles. Pecadores que rejeitaram a graça e a bondade de Deus, que se recusaram a se arrepender.
E todos eles acabaram no inferno, e se a eles fosse dada a escolha, enquanto no inferno, para escolher de forma diferente, eles não iriam fazê-lo. Eles não têm nenhum interesse em Deus, nem hoje e nem no futuro.

Assim, somos chamados a uma tarefa mundial. E os pecadores são responsáveis por como eles respondem à mensagem em qualquer nível em que a recebem. Agora, como vou assinalar nesta manhã, há graus de punição no inferno.
Nem todo castigo será igualmente severo no inferno. Isso dependerá de quanta verdade você tem. A verdade é perigosa. Quanto mais você tem dela, quanto mais culpado você é, maior sua culpa, maior é a sua punição.

Não devemos nos surpreender com isso. Volte para Isaías 6, no verso 8, onde Deus faz uma pergunta:“A quem enviarei e quem irá por nós?”.
O povo de Deus está em sérios problemas, em grave perigo. O capítulo anterior expõe os pecados do povo e o julgamento severo e mortal que virá. E Deus precisa de um mensageiro para advertir, para chamar o povo ao arrependimento antes que venha o julgamento. Ele Se pergunta: “A quem enviarei e quem irá por nós?”. Significa a Trindade.

E Isaías responde: “Eis-me aqui, envia-me. Eu irei”. Esta deve ser a resposta de cada crente. Deus pergunta: “Quem enviarei a este mundo mergulhando em julgamento?”. Sua resposta deve ser: “Eu irei”. E então vem uma resposta aparentemente estranha:

Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo (Isaias 6:9-10).

O que isso está dizendo – e a propósito, essa passagem é citada repetidamente no Novo Testamento, porque é a passagem que define a obstinação de uma sociedade incrédula, em particular de Israel.
Deus estava dizendo: “Eles vão ouvir, mas não entenderão. Eles verão, mas não compreenderão. Eles serão insensíveis. Eles não vão conseguir. Eles não vão voltar. Eles não se arrependerão. Eles não serão curados. Então, saiba isso quando for pregar.

Li ontem uma pequena nota que dizia: “Há um maciço interesse por Cristo no mundo hoje”. Verdade? Onde fica isso? Eu devo estar perdendo alguma coisa…
E Isaías fez a pergunta certa no versículo 11. “Senhor, por quanto tempo?” Ou seja, “por que eu deveria fazer isso por muito tempo? Quanto tempo eu faço isso, como um par de semanas talvez?” Deus lhe responde nos versos 11 e 12:

Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada, e o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo.

Ou seja, “faça isso até o lugar estar devastado. Faça isso até que não haja ninguém para fazer isso, apenas continue pregando”. Você diz: “Bem, espere um minuto, isso parece infrutífero”. Não. O versículo 13 é a chave:

Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco.

Esta é uma das construções hebraicas mais emaranhadas de qualquer passagem no Antigo Testamento. Não vou tentar esmiúça-la para você. Simplesmente significa que o Senhor diz que haveria um décimo, isto é o que chamamos de “doutrina do remanescente”. Há um décimo, há um toco, há um grupo, há um remanescente, há uma semente santa.
E esta é a mesma semente que o Messias viu em Isaías 53 e ele pôde ver a sua semente e Sua alma ficou satisfeita (v.11).
Você acha que Deus tem algum mistério sobre quem será salvo? Claro que não. Ele sabe que serão poucos. Ele sabe que será um remanescente. Ele sabe que será apenas uma porção, uma santa semente. A palavra “santo” significa “separado”.

Então vamos como Isaías foi. Nós vamos para o mundo e vamos com o evangelho e sabemos que a maioria não vai acreditar. E nós poderíamos ficar muito desanimados e dizer: “Quanto tempo eu faço isso?” E o Senhor diz: “Apenas continue fazendo isso porque há uma semente já designada como santa”.
Eles já estão nos propósitos de Deus, foram separados para Deus. Eles são os eleitos, que ouvindo o evangelho, arrepender-se-ão e crerão.

Você se lembra de Atos 13:48? Diz: “E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna”. Todos quantos foram designados para a vida eterna creram. Há um remanescente. Há um povo designado para a vida eterna.

Em Atos 18, o Senhor veio a Paulo numa visão e disse: “Não temas, mas fala, e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade”. Eles ainda não tinham sido convertidos, estavam apenas esperando para ouvir.
Isaías perguntou: “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?”. Todos os homens são responsáveis e a oferta é legítima, mas quem será salvo? E isso nos leva para a doutrina da expiação real ou efetiva de Cristo.

Quem vai crer e ser salvo? Falamos sobre a doutrina da incapacidade absoluta do pecador de atender o chamado do Evangelho, também chamada de doutrina da depravação total.
E essa doutrina bíblica diz que nenhum pecador pode ou procurará Deus. Nenhum pecador, por si mesmo, correrá para a verdade, buscará a justiça, virá à reconciliação e à salvação. Ele não vai porque não pode.
Sua condição de estar morto no pecado torna isso impossível. E, assim, os únicos que podem vir são aqueles a quem Deus dá vida, luz, compreensão, arrependimento e fé. E também aprendemos que Deus escolhe quem Ele salvará e Deus salva a quem Ele escolheu.

Claramente, então, a salvação é toda obra de Deus. Não há mérito humano. A salvação não está separada da vontade do homem, mas está em harmonia com esta vontade alterada pelo poder de Deus. Então, Por quem Cristo morreu?
Vimos na última vez, vou apenas rever rapidamente, a maioria das pessoas na igreja pensa que Jesus morreu por todos potencialmente e ninguém efetivamente. Assim, a realidade da expiação dependeria de o pecador, por conta própria, o chamado livre arbítrio, crer e se arrepender. Se ele não fizer isto, a obra da expiação se tornaria apenas uma perspectiva que Deus abriu, ou seja, a expiação não foi real.

Assim, aqueles que creem nisso, creem – agora escutem atentamente – que a expiação de Cristo é limitada em seu efeito e poder, ou seja, creem que Cristo morreu também por todos que perecem no inferno.
Mas, eles afirmam que acreditam em uma expiação ilimitada. Isso não é verdade. Eles se recusam a crer numa expiação poderosa e plenamente eficaz limitada àqueles que o Pai chamou, e creem numa expiação dirigida a todos os homens, mas que não se efetivou na maciça maioria da humanidade.

O que a Bíblia ensina é que a expiação é limitada em sua extensão àqueles a quem Deus escolhe e salva. E para eles é ilimitada em seu efeito, em seu poder. Não é então uma salvação potencial para todos, é uma salvação real para muitos.
Cristo morreu por sua semente santa, pelos escolhidos do Pai, pela Sua noiva. E nenhum daqueles por quem Ele veio morrer se perdeu, nenhum sequer.
Veja, isso muda tudo. Ou você crê nisto ou então em uma expiação que não salvou ninguém, mas apenas abriu uma chance, necessitando ainda que o pecador seja convencido a buscá-la por seu livre arbítrio e vontade própria.

E você tem que perguntar a si mesmo quem recebe o crédito por isso? Não soa como o caminho para glorificar a Deus. Veja, essa é a ideia de que a expiação de Jesus é ilimitada em sua extensão, mas muito limitada em seu efeito.
Na verdade, não é suficiente para salvá-lo. Isso é incrível? Jesus morrendo na cruz, pagando a penalidade por seu pecado, mas muitos teólogos dizem que isso não é suficiente para salvar. Ou seja, o homem tem que fazer algo, por sua própria força e vontade, para completá-la, o que me soa como salvação pelas obras. Mas, como é que o pecador vai fazer isso se ele é absolutamente incapaz de fazer e não quer fazer? Morto em ofensas e pecado, cegado por Satanás.
Portanto, sabemos que poucos serão salvos. A expiação é limitada em sua extensão. E a questão é, quem a limitou? Deus, antes da fundação do mundo, decidiu a quem Ele salvará.

Eu simplesmente não posso olhar para a cruz e ver Jesus no final da cruz olhando para cima e dizendo: “começou” ao invés de “está consumado”. Ou “é uma obra potencial”. Isso não foi o que Ele disse, foi?
A morte de Cristo foi um pagamento completo a Deus, satisfazendo a Sua justa ira por um povo particularmente escolhido? Ou foi apenas uma morte potencial para todos, e o pecador é quem vai escolher se ela foi efetiva ou não?
Vejamos na Escritura como entender isso. Só temos um pouco de tempo. Todo mundo vem e diz: “Espere um minuto, e o mundo?”. Quando ouvimos a palavra “mundo”, pensamos que o mundo significa todos os que já viveram. Isso não é bíblico.

João 1:9 diz: “Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo”. O que isso significa? Isso significa que Jesus veio a cada ser humano sobre a face da terra?
Não, isso significa que Ele entrou no reino humano. Ele estava no mundo. “E o mundo foi feito por Ele, e o mundo não o conheceu” (v.10). “Mundo” é apenas um termo para a humanidade, ou o mundo criado.
Ele estava no mundo, Deus em carne humana. Não há nada sobre cada indivíduo no planeta estar necessariamente envolvido nesta palavra, apenas a ordem criada, apenas a humanidade.

Então, aqui você vê que a palavra mundo imediatamente tem que ser qualificada. João 1:29 diz: “No dia seguinte viu Jesus vir a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

Agora, espere um minuto, temos que qualificar isso imediatamente, não é? Se Ele tirou o pecado do mundo, todo mundo seria o quê? Salvo! Todos teriam seus pecados expiados.
Então, imediatamente temos que qualificar a palavra “mundo”. E como você a explica? Significa que Ele entrou neste reino humano, Ele entrou nesta ordem criada, Ele veio à humanidade para tirar o pecado. E no futuro, é claro, será removido completamente no novo céu e na nova terra.
Mas, você vai notar que isso é claramente limitado. Ele não veio para tirar o pecado de todos. Os versos 11-12 dizem:

Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome.

Assim, tirar o pecado do mundo é, então, limitado a ‘quem crê Nele’. Eles eram os únicos que tinham o direito de ser perdoados e tornarem-se filhos de Deus. Assim, “mundo” é apenas um termo genérico que significa humanidade, a ordem criada. E tem que ser qualificado, delimitado.

Em João capítulo 3:16, novamente, “Deus amou o mundo”. O que isso significa? Humanidade. “Ele deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele”.
Bem, imediatamente você sabe que o mundo precisa ser qualificado, delimitado aqui. Se você não o delimita, todos nós vamos sair universalistas [heresia que diz que todos os homens serão salvos] daqui, com todos sendo salvos. E sabemos que isso não pode ser verdade, porque a Bíblia é muito clara sobre o juízo eterno.

O sentido de “mundo” em João 3 é que o Senhor amou a humanidade. Ele amou pessoas de todas as tribos, línguas e nações. Em um sentido muito geral, significa o senso de graça comum, da oferta do evangelho e da compaixão, através do que Ele mostra amor ao mundo.
Mas, Seu amor salvador para o mundo é limitado àqueles no mundo, o reino da humanidade, que creem. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que crer”.

João 4:42, mais uma vez, é a mesma coisa. Ele diz: “Não é mais por causa do que você disse que nós cremos, porque ouvimos por nós mesmos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”.
O texto não diz que Ele é o Salvador potencial do mundo, diz que Ele é O Salvador do mundo. Se você entende que o texto está se referindo a todo o mundo, você se torna um universalista, crendo que todos serão salvos, ou estará limitando o poder efetivo da expiação.
Mas, se você entende que isto se limita àqueles que crêem, que foram chamados por Deus, você entende o poder infalível e efetivo da expiação de Cristo.

Em João 6:33, novamente a mesma ênfase: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.” Que parte do mundo? Versículo 35: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede”.
E que irá a Jesus? Versos 44, 45 respondem: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” e “ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido”.

Não se limita aos judeus, mas àqueles que crêem, àqueles que o Pai levou a Cristo, àqueles a quem o Pai chamou. No verso 58, Jesus disse: “Eu Sou o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre”.
Em João 12:47-48 Jesus disse que não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Isto não significa que Ele veio salvar a todos, como pensam os universalistas.
Você pode observar que a palavra “mundo” sempre precisa ser delimitada, ou seja, precisamos observar, nas Escrituras, a que esta palavra está se referindo em cada contexto.

Veja o capítulo 14:22, onde Judas (não o Iscariotes) diz: “Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo?”. Esta é apenas mais uma ilustração de como você sempre tem que delimitar a palavra mundo.
O que você acha que Judas quis dizer com isso? O que ele quis dizer com “O Senhor vai se revelar a nós e não ao mundo?”. Isto certamente significava que a maior parte da humanidade estaria fora deste grupo.

E o próprio Jesus deu as limitações à palavra “mundo” em João 17, quando Ele estava orando por seus discípulos.
Olhe para o verso 6: “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra”. E, então, desça ao versículo 9: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus”.
Jesus não estava intercedendo pelo mundo, mas por aqueles do mundo a quem Deus Lhe deu. No verso 20 Ele diz: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim”.

Então, Jesus estava limitando sua intercessão àqueles a quem o Pai lhe deu, seja naquele momento, ou ao longo da história.
No verso 9 Jesus diz: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” e no verso 15: “eles não são do mundo, como eu do mundo não sou”.
O mundo é sempre qualificado na Escritura, nunca há uma ocasião em que possamos afirmar que significa toda a humanidade.

Assim, nós simplesmente entendemos que o termo “mundo” é usado para manifestar que Jesus veio salvar pessoas de todas as tribos, raças e nações, e não apenas da nação judaica.
Paulo, em Romanos 11:15, diz que a rejeição de Israel trouxe a reconciliação do mundo. Paulo não acreditava, nem por um momento, que isso signifique que cada pessoa que viveu será reconciliada com Deus. O que ele quer dizer é que a rejeição de Israel está sendo posta de lado, a igreja é enxertada e a igreja é composta de judeus e gentios.

Os judeus tiveram dificuldade com isso. É por isso que os apóstolos se chocaram com o fato de que o Senhor estava fazendo uma obra entre os gentios.
Lembram-se da conversão da casa de Cornélio, um centurião romano em Atos 10? O verso 45 diz: “E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo”. Em atos 15:7-9 Pedro diz:

Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração.

Foi algo difícil para os judeus engolirem, que o Evangelho estendeu-se fora do judaísmo para a humanidade, de toda língua, tribo, povo e nação. Deus chamou pessoas de todo o mundo, mas não chamou todas as pessoas do mundo.

Em I João 2:2 diz: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”.
O que isto quer dizer? A mesma coisa que temos visto, ou seja, que o evangelho não se limita aos judeus.
“Propiciação” é uma palavra muito forte, “hilasmos” no grego, significa a verdadeira satisfação da justa ira de Deus. Não é um potencial. É uma palavra real. Poderia ser traduzido como “aplacado” ou “satisfeito”. Não somente para os judeus, mas também para os gentios, para pessoas de todas as tribos, línguas e nações.

Propiciação é uma palavra muito forte para significar apenas um sacrifício potencial, ou seja, que poderia salvar, mas, por si mesmo, não foi suficiente, dependendo agora do pecador se mover por sua própria escolha.
A propiciação significa que a ira de Deus foi satisfeita para sempre sobre aqueles a quem o Pai chamou e capacitou ao arrependimento. Esses receberão a fé e a vontade de buscar ao Senhor, algo que qualquer homem é incapaz por si mesmo.

2 Coríntios 5:19 diz: “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação”.
Bem, você diz: O que quer dizer o mundo aqui? Sempre tem que ser delimitado. Caso contrário, você acaba como um universalista. Se Deus não está lhe imputando seus pecados, então foi uma expiação efetiva e não apenas potencial.
E todos foram alcançados? Não. Se a expiação tivesse sido universal, então os pecados só deixariam de ser imputados após o pecador se mover, por si mesmo, em direção a Cristo. Um pensamento inconsistente com a Escritura, pois anula o poder da expiação de Cristo.

E isso não é uma salvação potencial, é uma salvação real. Quem quer que seja o mundo aqui, são aqueles que não têm mais suas transgressões contadas. São as novas criatura em Cristo, como diz o verso 17. O verso 21 diz: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. É algo efetivo e não apenas potencial, não dependente do esforço humano.

Não há tal coisa na Bíblia como uma potencial expiação, que para ser real teria que haver um complemento humano. A palavra “mundo” no contexto da expiação fala sobre o alcance da obra da cruz sobre todos os povos e não somente a Israel, mas não significa que foi dirigida a todos os homens.
A expiação da cruz foi totalmente eficaz e real para todos aqueles a quem o Pai chamou, não foi apena uma obra que abriu uma perspectiva para todos. Pensar assim é diminuir o poder da expiação de Cristo.

Bem, você diz: “A Bíblia diz ‘todos’”. Eu sei que diz “todos”. Quer olhar para alguns “todos”? Vamos lá. Romanos 5:18 diz:

Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

Todos foram afetados pelo pecado de Adão e se tornaram pecadores, portanto todos são afetados pelo justo trabalho de Cristo e se tornam justos? O problema é que isso não é verdade.
Há apenas uma ilustração sendo feita aqui. É simplesmente isso. O argumento está claro, Paulo está falando sobre o impacto da obra de Cristo, como que a obra de Cristo é a obra redentora de todos os que creem.

E a pergunta que surge será: “Como o ato de um homem pode ter um efeito tão grande? Como pode o ato de um homem ter tais implicações maciças?” E assim ele faz o paralelo no verso 19: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos”.
Este verso anula um falso entendimento de salvação para todos do verso 18, quando diz que “por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida”. O “todos” no verso 18 é qualificado, delimitado no verso 19.

Vá a Romanos 8:32. Aqui está “todos” novamente: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós”.
Quem é “todos nós” aqui? Cristo foi entregue por todos nós. Agora algumas pessoas dirão: “Bem, Ele foi entregue para todos em todo o mundo”. Não é isto.
Volte ao verso 31: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. Quem é o “nós” aqui? Todos os homens? Os versos 29-30 e 33-34 explicam quem são os “todos” e os “todos nós”:

Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.

Você consegue entender quem são os “todos” e “todos nós” que Paulo está se referindo? II Coríntios 5:14-15 traz uma linguagem parecida.

Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

Quem é “todos” aqui? Basta uma leitura cuidadosa para não cair no falso entendimento que a expiação foi estendida a todos os homens como algo potencial e não real.
Bem, quando você veio a Cristo, você se lembra que você morreu, não é verdade? “Eu estou crucificado com Cristo”. Nele você morre. Assim, “Ele morreu por todos, por isso todos morreram”. Ele morreu por todos os que morreram Nele. Ele morreu por aqueles que morreram e viveram Nele. Foi para eles que Ele “morreu e ressuscitou”. Há uma clara delimitação no texto.

Poderíamos olhar para a palavra “muitos”, se tivéssemos tempo. Tem alguns usos interessantes e você encontrará um número de referências à palavra “muitos”. Nós já vimos um em Romanos 5, apenas para que você possa compará-lo, dizendo que o Senhor não morreu por todos, mas por muitos. Veja esses textos:

Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação (Hebreus 9:28).
Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos (Mateus 20:28).

Quem são os muitos? Todos que creram. Foi uma expiação efetiva. Ele realmente fez uma expiação completa e eficaz para todos os que o Pai chamou a fé. Não foi uma obra generalizada que fracassou para a maioria, mais uma obra poderosa, completa e totalmente eficaz para os que foram chamados desde a eternidade. Veja Mateus 1:20-21, onde um anjo do Senhor diz:

José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Ele salvará a quem? Seu povo. Ele salva o Seu povo dos seus pecados. Isso é o que Ele fará quando Ele vier. Será uma verdadeira salvação para Seu povo. Foi uma salvação destinada a Seu povo, a quem o Pai elegeu desde a eternidade.
Em João 10:11,14, Jesus diz: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas, e conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem”.

João 11:52 diz que Jesus morreu “não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos”. Que afirmação tremenda. Jesus morreu não apenas para os judeus, mas para reunir em um só corpo os filhos de Deus espalhados por todo o mundo. Foi por isso que Ele morreu. Efésios 5:25-27 diz:

Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela. Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.

Ele pagou o preço por sua noiva, Sua igreja. Ele a redimiu. Foi este o objetivo da obra da cruz, foi uma redenção completa e efetiva, não foi apenas uma perspectiva de expiação. Foi uma redenção particular. É o que diz Efésios 1:4-7 sobre a expiação:

[Deus] nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça.

Tito 2:13 diz: “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo”. Eu amo isto que está no verso 14: “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras”.
Quem era esse povo? O povo que Deus escolheu antes da fundação do mundo e deu ao Filho como Sua noiva.

Pedro diz: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (I Pedro 1:24). Pedro também diz: “Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus”.
Ele não morreu para potencialmente levar as pessoas a Deus, Ele morreu para nos levar a Deus. Ele morreu para satisfazer Deus. Ele morreu para redimir a semente santa, a descendência santa.

Hebreus 10:29 diz: “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus e profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”.
Algumas pessoas dizem: “Bem, espere um minuto. Diz-se aí que algumas pessoas que serão punidas, algumas pessoas que pisaram o Filho de Deus e consideram como impuro o sangue de Sua aliança, diz que são santificadas”.

Posso te ajudar com esse verso? Pegue sua caneta e coloque apenas uma pequena linha acima do “e” de “ele” e o transforme em um “E” maiúsculo. Neste ponto, o texto não está falando sobre pecadores sendo santificados, está falando de Cristo, “pelo qual Ele foi santificado”.
Bem, alguém poderia lançar outro versículo, como 2 Pedro 2:1, que diz:

E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.

Você diz: “Espere um minuto, diz aí que, daquelas pessoas que foram apóstatas, que negaram o Mestre, haviam sido resgatadas”. Claro, há um sarcasmo lá, eles alegaram ser verdadeiros crentes, verdadeiros mestres, mas eram falsos, e Pedro diz: “Agora vocês negaram o Mestre que os comprou”.
Sabemos que o Mestre não pagou o preço por hereges condenáveis. Nenhuma ovelha Sua pode ser tirada de sua mão e da mão do Pai (João 10:27-29 etc. etc.).

Então, como resumimos isso? A morte de Cristo foi uma efetiva e verdadeira satisfação real da justiça divina. Foi um verdadeiro pagamento e uma verdadeira expiação. Não foi uma perspectiva, algo potencial. Não. Foi uma poderosa obra em que Deus resgatou a quem Ele elegeu desde a eternidade.
A morte de Cristo foi definida, específica e real em nome do povo escolhido de Deus, limitada em extensão pelos propósitos soberanos de Deus, mas ilimitada em efeito e poder.

É a obra de Deus. É a obra de Cristo que realizou a redenção, não para tornar a redenção possível, para então ser finalmente realizada pelo pecador. Cristo deu a salvação para todos a quem Deus chamaria e justificaria.
Os pecadores não limitam a expiação, Deus o faz. Jesus realmente levou a pena por completo para todos que creriam.

O que isso significa para você? Bem, você deve se alegrar porque o preço foi pago na íntegra para você. Você não precisa ativá-lo. Você é um troféu da graça divina de Deus. Em segundo lugar, saia e evangelize os perdidos com alegria, sabendo que há uma semente santa lá fora, porque Cristo já pagou o preço por seus pecados e é nossa alegria e nosso privilégio ser instrumentos de Deus para alcançá-los.

Pai, obrigado por esse tempo hoje à noite e que possamos nos regozijar pela grandeza da nossa salvação, no nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de 10 sermões sobre a doutrina da graça, conforme links abaixo.

01. A Perseverança dos Santos – Parte 1
02. A Perseverança dos Santos – Parte 2
03. A Perseverança dos Santos – Parte 3
04. A doutrina da eleição – Parte 1
05. A doutrina da eleição – Parte 2
06. A doutrina da eleição – Parte 3
07. A doutrina da incapacidade absoluta
08. A doutrina da Expiação Eficaz, Parte 1
09. A doutrina da Expiação Eficaz, Parte 2
10. O chamado eficaz de Deus


Este texto é uma síntese do sermão “The Doctrine of Actual Atonement, Part 2″, de John MacArthur em 14/11/2004.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-278/the-doctrine-of-actual-atonement-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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