A bênção aos puros de coração

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Hoje à noite retornamos ao nosso estudo das bem-aventuranças em Mateus capítulo 5. Chamo atenção para o verso 8: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” ou “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”
Com esta declaração de nosso Senhor, deparamo-nos com uma das maiores afirmações das Escrituras Sagradas.
E, é claro, nós nunca poderíamos esgotar esse versículo, ele se estende a diversos temas e realidades. Nós só vamos tentar, esta noite, descobrir o seu significado central.

Como fizemos nos estudos das bem-aventuranças, estamos perguntando e respondendo a perguntas-chave que nos permitem chegar ao cerne do que nosso Senhor está dizendo.
Sempre que você tem uma declaração muito simples como esta, a melhor maneira de entendê-la é fazer e responder algumas perguntas.
E a primeira pergunta que sempre vem à mente do estudante da Bíblia é esta: Qual é o contexto para essas palavras? Palavras como estas não foram proferidas de forma alheia a um contexto, a um cenário real, religioso e espiritual. Deixe-me falar um pouco do contexto em que Jesus disse isto.

Israel estava em uma condição desesperadora. Politicamente, havia perdido sua liberdade e estava sob a servidão do Império Romano. Economicamente, vivia sob um sistema de impostos exorbitantes e injustos estabelecido por Roma. Espiritualmente, também estava em grandes dificuldades. Nós queremos nos concentrar aqui no elemento espiritual, porque é isso que a bem-aventurança aborda.

Espiritualmente, o povo de Israel estava sobrecarregado pela autoridade opressora dos fariseus, religiosos dominantes da época.
Eles eram aqueles que tinham feito uma má interpretação da lei de Moisés, usando-a como um código, pelo qual poderiam alcançar a salvação.
Eles acrescentaram, além da lei de Moisés, uma série de outras leis, regras e ordenanças, bem como um rígido sistema de deveres que realmente eram impossíveis de se executar.
Consequentemente, as pessoas não foram capazes de viver de acordo com as exigências religiosas existentes de seu tempo. Isso as deixou oprimidas, frustradas e sentindo-se culpadas.

Talvez seja a razão pela qual João Batista teve uma resposta tão ampla e fenomenal ao seu ministério. Ele não tinha qualquer estrutura religiosa ou humana para ajudá-lo, vivia no deserto, mas atraiu multidões com sua mensagem de arrependimento.
As pessoas que se sentiam culpadas por sua incapacidade de seguir os ritos religiosos, tornaram-se amedrontadas diante da possibilidade de serem excluídas do Reino de Deus.

Esse temor pode muito bem ter contribuído para a sua ânsia de ouvir este homem que estava pregando sobre o pecado e o arrependimento.
Eles estavam ansiosos e muito animados em procurar um redentor, em busca de um libertador, que não só seria um libertador político para libertá-los de Roma, da pobreza e apertos, mas também um libertador no sentido espiritual.
Eles queriam paz, satisfação da alma e alívio de suas culpas e vergonhas. Eles estavam clamando por um redentor em cada uma dessas áreas.

E Deus há muito lhes havia prometido um redentor. A esperança de que aquele redentor viria era guardada em seus corações .
Finalmente, João Batista, que foi o precursor do Messias, o profeta, o último dos profetas do Antigo Testamento, veio e começou a pregar que o Messias estava chegando.
A hora de preparar o coração para não ser excluído de Seu reino era aquele momento. Havia chegado a hora de reconhecer os pecados e de se arrepender. Havia um perdão disponível para se alcançar o reino.
As pessoas não queriam perder o reino. Eles não queriam perder a vida eterna. Eles não queriam perder o que Deus tinha preparado para Seu povo através do Messias. E, assim, eles estavam procurando alguém que pudesse ajudá-las a lidar com sua culpa e seu pecado.

Por exemplo, Nicodemos, que era mestre em Israel, de acordo com João capítulo 3, também era um fariseu, príncipe dos judeus e um homem de grande prestígio.
Ele veio a Jesus de noite e disse-lhe: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele”.
Mas Jesus, que é onisciente, muda o assunto e, responde a uma pergunta que estava no coração daquele homem: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.

Nicodemos veio a Jesus consciente de seu pecado, de sua culpa, de sua indignidade e temendo perder o reino. Jesus sabia o que ele queria perguntar, qual eram as suas inquietações. 
Havia perguntas sem respostas no coração daquele homem, tais como: Qual é o padrão justo para a salvação? O que devo fazer para ser salvo? Como posso estar em paz com Deus? Como posso ser aceito por Deus?
Tais interrogações não eram exclusivas dele, muitos judeus também se perguntavam sobre isto.

Mais tarde, em João 6:28, uma multidão pergunta a Jesus: “Que faremos para realizar as obras de Deus?”. Era a mesma pergunta inquietante que havia em Nicodemos.
Em Lucas 10:25, um certo interprete da lei perguntou a Jesus: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. Outra pergunta da mesma natureza, ou seja, a mesma inquietação comum a tantos naqueles dias.
Em Lucas 18:18, um certo homem de posição diz: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. Aqui está a mesma pergunta básica. Vários cenários diferentes, mas a mesma pergunta.
Eles sabiam sobre a santidade e justiça de Deus. Também sabiam que tinham violado Sua lei. Agora, estavam aflitos e temerosos sobre a vida eterna e o Reino de Deus.

Essa era a questão que estava na mente da multidão, no monte da Galileia, quando Jesus ensinou essas bem-aventuranças no Sermão da Montanha.
Jesus já havia andado por toda a Galileia, ensinado nas sinagogas, pregado o evangelho do reino e operado sinais. Sua fama se espalhou por toda parte. A multidão correu para ouvir Suas palavras, para encontrar respostas às suas perguntas inquietantes.
E é sobre essa questão do coração que Jesus falou na beatitude. Quão bom um homem tem que ser? O que é necessário? Qual é o padrão? Aqui está no verso 8 de Mateus 5: “Bem-aventurados os puro de coração, porque eles verão a Deus”. Ou seja, é preciso ter um coração puro.

Francamente, esta foi uma declaração chocante. As pessoas costumam se medir pelas outras. Avaliam-se serem melhor do que outras e, portanto, esperam que sejam aceitáveis a Deus.
Sempre podemos achar alguém que julgamos ser pior que nós. E, por sinal, o pior também vai olhar para quem é pior que ele. E assim vai. No final das contas, o parâmetro será a pessoa mais vil e sem valor, a mais pecaminosa.
Porém, o padrão de Deus não é o pior dos homens e nem o melhor deles. Deus tem a Si mesmo como o padrão. É o nível de santidade perfeita que é o parâmetro para um caráter justo.

Assim, o Senhor responde à pergunta do povo dizendo que somente os puros de coração verão o reino de Deus. Somente os puros de coração conhecerão a Deus. Somente os puros de coração herdarão a vida eterna. Somente os puros de coração serão salvos. Pois somente eles alcançam o padrão de Deus.

Realmente, esta é a beatitude chave. Alguém poderia dizer: “Bem, se esta é a chave, por que não veio primeiro?”
Ela é a peça central, a joia principal. Você começa com os pobres de espírito reconhecendo sua falência espiritual. E, então, você chora por sua condição. E, então, você é manso e humilde, por causa dessa condição.
Aí você está com fome e sede de justiça. Depois, a você é concedida misericórdia, para que você possa se tornar puro de coração, que é, então, ter recebido a justiça que Deus requer.

E, veja você, os fariseus, o pior deles, os legalistas entre eles, achavam que era suficiente manter alguma pureza externa, alguma religião externa. Mas, aqui Jesus desfaz essa falsa suposição e diz que os únicos que verão Deus são os de coração puro.
Você sabe, inicialmente isso não aliviaria o fardo, apenas o agravaria. Se havia temores por não se guardar leis e ritos, imagine agora que Jesus falou da necessidade de ser absolutamente puro por dentro?

Assim, a palavra do Senhor realmente se encaixa no fluxo das bem-aventuranças. São os puros de coração que se tornam os pacificadores ( versículo 9), que são perseguidos (versículo 10), que são insultados e contra os quais todo o mal é falado (versículo 11).
São os puros de coração que são o sal da terra (versículo 13) e são a luz do mundo (versículo 14).

Penso que os legalistas farisaicos que estavam ali eram o alvo direto das palavras de Jesus, porque eles trabalhavam duro para executar obras externas.
Jesus simplesmente jogou no chão o sistema religioso deles. Ele desmantelou a estrutura religiosa deles ao afirmar que somente aqueles que são puros por dentro entrarão no reino dos Céus. Este ensino de Jesus foi um golpe profundo. Israel falhou em perceber as implicações e os fatos do Antigo Testamento, pois a Palavra diz que o homem olha para a aparência exterior, mas Deus olha para o coração, como o Salmo 51:6 e Oséias 6:6 dizem:

Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.
Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.

Eles estavam tão preocupados com o exterior, que negligenciava totalmente seu interior. No Salmo 24, você tem uma imagem maravilhosa desta luta. Davi é o salmista e ele se apresenta como um peregrino que vai para uma festa em Jerusalém.
Este é um grande evento. Seu coração está emocionado quando ele se aproxima da grande cidade e da grande terra do templo.
Mas, quando ele se aproxima com toda a euforia acerca da experiência de banquetear-se em Jerusalém e estar no templo, ele é atingido por uma realidade que o golpeia.

Ele diz: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios”(vs. 1-2).
Porém, ele faz um pergunta intrigante: “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?” (v.3).
Ou seja, à medida que ele se aproxima de Jerusalém e do templo, ele pergunta: “Como vou ser digno de entrar na presença de Deus? Quem pode estar diante Dele?”

E ele responde a pergunta, porque sabe a resposta. Não se tratava de alguém que tenha mantido a lei de Deus perfeitamente ou alguém que tenha cumprido todos os requisitos cerimoniais, mas:

Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação (vs.4-5).

Aí está a bem-aventurança, a bênção do Senhor. A justiça do Deus da sua salvação. Há imputação, justificação, concessão da justiça divina ao pecador. Ele recebe a justiça. Ele recebe bênçãos.
Suas mãos estão limpas e é dado um coração limpo. Você tem justificação e você tem conversão, transformação. São os que receberam a Sua justiça e foram purificados no interior pela lavagem da regeneração e pela renovação do Espírito de Deus. Acho que Isaías viu a mesma realidade. Veja o capítulo 59. Nos versos 1,2,12, 16 e 20 temos:

Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. Porque as nossas transgressões se multiplicaram perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniquidades; E vendo que ninguém havia, maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; por isso o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve. E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o Senhor.

Deus viu o sofrimento do pecador. E Deus viu que não havia homem para libertar o pecador. Então, Deus se armou com salvação para vir e salvar. Aquele redentor será o próprio Deus, Ele virá para aqueles que se converterem da transgressão.
Isaías viu a questão. O que era necessário era o arrependimento, a justiça imputada, a transformação do coração, a nova criação, regeneração. Sem essas coisas, nenhum homem pode ver a Deus, não importa qual religião externa o homem possa praticar.

O profeta Ezequiel escreveu isto deste modo, Ezequiel 36:25-27 diz:

Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.

Essa é uma promessa de regeneração da nova aliança. Isso é novo nascimento, transformação, santificação. O verso 29 diz: “Livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias; farei vir o trigo, e o multiplicarei, e não trarei fome sobre vós”. Ou seja, não mais julgamento.

Você vê, o reino sempre pertenceu aos corações que são puros. Ele sempre pertenceu àqueles que foram purificados. E mesmo no cristianismo, em nosso tempo, não é diferente.
Um pecador na condição em que ele está naturalmente é totalmente inaceitável para Deus, totalmente impróprio para o Seu reino, não importa quão religioso e moral ele seja. Até que ele tenha um coração limpo, um coração purificado e tenha sido coberto com o manto da justiça, ele nunca verá a Deus. Deus requer santidade.

Primeira Pedro 1:16 diz: “Sede santos porque eu sou santo”. Esse é o padrão. Ninguém atende ao padrão. O que você faz sobre isso?
Você tem um problema, precisa de um redentor, precisa de uma justiça que não seja a sua, precisa de uma pureza que não seja a sua, precisa de um Deus que lhe conceda justiça e lhe dê um novo coração. Nos versos 18, 19 e 22, Pedro diz:

Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado. Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro.

O homem nasce de novo através da Palavra viva e imperecível de Deus. Isso é o que significa ter recebido a justiça de Cristo imputada a nós. É isso que significa ter sido transformado e regenerado. Recebemos uma nova vida, a própria vida de Deus e temos o próprio Cristo residindo em nossos corações.

Segunda pergunta: O que está realmente envolvido em ser puro de coração? Nós perguntamos um pouco sobre o contexto, agora vamos fazer uma segunda pergunta: O que está envolvido em ser puro no coração?

Os fariseus estavam sempre lavando as mãos e as panelas, preocupados com o exterior e ignorando o interior. Davam dízimos e faziam suas orações ritualísticas, mas eles ignoravam o amor, a justiça e a verdade.
Eles haviam substituído os mandamentos de Deus por tradições humanas. E Jesus desconsiderou todos os esforços deles. Jesus foi direto ao centro de tudo: o coração.

O que é o coração? Bem, fisiologicamente é um músculo. Mas nós vemos mais que isso.
Nós falamos sobre amar alguém de todo coração e não com todo o fígado, pâncreas etc. Esta é uma herança hebraica.
O coração é a fonte de vida, porque ele bombeia o fluido da vida através de nossos corpos. O coração é usado nas Escrituras, mais comumente, para se referir à mente. É como um símbolo do homem interior: “Como pensamos em nosso coração, assim nós somos” (Provérbios 23:7).

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). Essa é a melhor definição do Velho Testamento sobre coração. O coração é aquela parte de nós de onde surgem todas as questões da vida. O coração é realmente a pessoa interior.

Mas, há um tremendo perigo nele: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9).
O que Deus viu no homem antes do dilúvio? “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”. O coração é o que pensamos e sentimos. O coração é a nossa pessoa interior.

E, portanto, o que o Senhor está dizendo nesta beatitude é que antes que você possa vê-Lo, terá que haver uma mudança essencial no núcleo de seu ser. Não é sobre religião e o exterior, é sobre uma mudança dramática e total da pessoa interior. O problema está no coração.
E nós podemos entender bem isto, pois normalmente conversamos sobre o ponto central de um problema, a essência de algo, o cerne da questão, etc.
Davi entendeu isto depois de seu grande pecado: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” (Salmo 51:10).

Quando Deus chamou Saul como rei, a Bíblia diz que Deus lhe deu um outro coração (I Samuel 10:9). Não foi um transplante, mas significava que Deus o mudou no interior, no centro de seu ser.
E o início de seu reinado foi bom, mas depois desobedeceu a Deus tentando agir como um sacerdote. Deus não permitia isto. Assim, Samuel lhe disse:

Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou… Não subsistirá o teu reino; já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o seu coração (I Samuel 13:13-14)

Deus havia dado a Saul outra disposição, outro coração, outro tipo de direção interior para ser rei. Mas, não era um coração segundo o coração de Deus.
Deus procurava alguém segundo Seu coração. Quem era este homem? Davi. Você pode ver isto em vários salmos, tais como o 9,19,26,27 e 28.

Qual era o segredo de Davi? “Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores” (Salmo 57:7). Ou seja, “Tu me destes um novo coração e ele está em Ti”.
Veja o verso 8, do Salmo 16: “Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei”.
Você vê, os judeus haviam perdido isto. A maioria vivia em função do exterior, de um legalismo vazio e de esforços vãos. É por isso que eles viviam cheios de culpas e preocupados se poderiam entrar no Reino.

“Puro” vem do grego “katharos” e significa “purificar da sujeira e impureza”. Significa, num sentido moral, “estar livre da impureza do pecado”.
Então, o que estamos falando aqui é de pessoas que foram limpas. Aqueles que tiveram suas entranhas limpas. E isso é exatamente o que a salvação faz, não é?
Então, o que Deus está procurando? Ele está procurando por pessoas que tiveram seu coração limpo, que têm o núcleo de sua natureza regenerada. Quem teve seu velho coração de pedra tirado, aquele velho núcleo pecaminoso e rebelde retirado e colocado um novo coração.
São aqueles a quem Deus diz que “porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim” (Jeremias 32:40).

Deus quer corações puros. Jesus pregou isso. Ele disse que “o homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más” (Mateus 12:35) e que “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6:21). Palavras que atacam o centro do problema do homem e não o que é periférico.
Tiago disse: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração” (Tiago 4:8).
Pedro disse: “Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro” (I Pedro 1:22).

Isso é o que é a salvação. Deus vem em misericórdia e limpa o coração. E é só então que iremos ver Deus, quando o coração for limpo.
Não é de admirar que Davi disse: “Cria em mim um coração puro, ó Deus”. E isso realmente deve ser a oração de cada crente. Ao viver sua vida cristã, você continua a clamar, como fez Davi, para que Deus mantenha seu coração limpo e puro.

Terceira pergunta: Quando falamos sobre a pureza no coração sobre o que estamos realmente falando? Quantos tipos de pureza existem?

Em Primeiro lugar, vamos chamar a primeira de “pureza primitiva”. Os teólogos podem usar isso para expressar a pureza que está em Deus desde sempre.
A pureza que é essencial à natureza de Deus, como a luz é para o sol. Isso não é inato para nós. Não temos pureza primitiva, temos impureza primitiva. Mas, a pureza primitiva refere-se àquela pureza que está originalmente em Deus.

Em segundo lugar, há “pureza criada”. E a pureza criada seria aquela pureza que Deus coloca em Sua criatura e certamente o fez na criação dos anjos e do homem.
Originalmente, os anjos foram criados puros, assim como Adão e Eva. Nós não participamos de nenhum dos dois casos. Nós, que nascemos de Adão após a queda, conhecemos apenas a impureza em nosso estado natural.

Em terceiro lugar, há o que poderíamos chamar “pureza final”. Essa é a pureza que pertence aos santos na glorificação. Está chegando um tempo em que seremos glorificados e, então, teremos um tipo essencial de pureza. Na verdade, seremos como Cristo. Seremos conformados à Sua própria imagem (Romanos 8:29). Vamos compartilhar Sua santidade.

Em quarto lugar, há “pureza imputada”. Esta é a pureza concedida a cada crente na salvação. Isso é o que entendemos por justiça ou justificação imputada, onde Deus imputa a nós a própria justiça de Cristo.
Nós nos tornamos a justiça de Deus em Cristo. Paulo, em Filipenses 3:9 diz: “E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé”.

Deus não requer de nós a pureza primitiva, ou então nenhum de nós jamais O veria, porque nascemos em pecado. Deus não exige a pureza criada, porque nós, que nascemos de Adão após a queda, não criamos pureza. Deus não requer a pureza final e perfeita, porque isso é inatingível para nós neste corpo pecaminoso. Mas, Deus requer uma pureza imputada pela fé em Cristo e por Ele nos concedendo essa pureza.

Em quinto lugar, o que poderíamos chamar “pureza regeneradora”. Essa é a pureza que é trabalhada em nós através do novo nascimento.
Ela aparece nos santos anseios, santas aspirações, no amor à lei de Deus e à adoração, e no amor dos cristãos, amor ao serviço de Deus e à esperança da glória.

“Bem-aventurados” ou “abençoados” significa felizes, satisfeitos, alegres e em um estado de bem-estar e prosperidade espiritual. Estes são aqueles que são puros de coração. Recebemos a pureza imputada a nós na justificação. Recebemos a pureza que nos foi dada na regeneração. E aguardamos a pureza final na glorificação.

Nesse meio tempo, trabalhamos em outro tipo de pureza, uma “pureza prática”: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (II Coríntios 7:1). Nós nos separamos do pecado enquanto nos esforçamos para viver uma pureza prática. E assim, os puros de coração são identificados.

Quarta pergunta:  Qual é a promessa ligada a essa pureza? A Resposta está em Mateus 5: 8, que diz: “Eles verão a Deus”.

Agora, você tem que entender isso. Ver Deus era algo assustador, não era? Você conhece alguém no Velho Testamento que viu Deus e viveu? Apenas um, dois ou três talvez e eles não viram a glória completa ou nunca teriam sobrevivido. Moisés viu a glória velada. Isaías viu uma parte dela. Ezequiel viu algo. Mas, ver Deus era fatal e mortal.

A pergunta nos corações era: o que nós vamos fazer para ter certeza de que veremos Deus? O que temos que ser e fazer para ter certeza de que veremos o Rei em Seu reino?
Moisés disse: “Eu te imploro, mostra-me a tua glória”. Isto foi o grande anseio de tantos em Israel: Ver Deus. Até mesmo os discípulos disseram: “Mostra-nos o Pai”. Ver Deus era muito importante e muito remoto.

Ver a Deus era realmente o clamor do coração de tantos, desejo de estar no reino e ver o rei. E, Deus diz que você O verá se você tiver seu coração limpo.
Podemos ver Deus através dos olhos da fé, ver toda a Sua glória através da revelação da Escritura. Um dia veremos a glória ardente da luz de Deus em esplendor eterno. Um dia veremos Jesus face a face em Sua forma glorificada.
Mas, hoje podemos vê-lo com os olhos da fé. Vemos Deus na história, em circunstâncias, na criação, na providência, mais claramente na revelação das Escrituras.
E o verbo aqui é usado figurativamente: ver Deus no sentido de conhecer a Deus, de estar consciente de Sua presença e poder.

Quando os discípulos disseram a Jesus: “Mostrai-nos o Pai”, Jesus lhes respondeu dizendo: “Tenho estado tanto tempo convosco e ainda não sabes?” Vocês têm visto o Pai.
Purificar a alma limpa a visão da alma para que possamos ver a Deus. Mas um dia O veremos face a face em toda a Sua glória. Somente os puros de coração conhecem a Deus, veem Deus e têm comunhão com Deus agora e para sempre.

Quinta pergunta: Quais são os sinais de um coração puro? Quais são os sinais? Eu apenas darei a você, você pode pensá-los através de si mesmo.

Em primeiro lugar: integridade e sinceridade. Aquele em cujo espírito não há engano. Em outras palavras, há um desejo real de justiça, um verdadeiro amor por Cristo e por Deus.

Em segundo lugar: uma fome de maior pureza. Se você tem um coração puro, está insatisfeito com o pecado ainda presente, porque ele violenta a sua nova natureza.

Em terceiro lugar: um ódio ao pecado. No Salmo 119:104, o salmista diz: “Eu odeio todo caminho de falsidade”.

Em quarto lugar: um amor pelos outros que conhecem o Senhor. Um amor pelos outros crentes. Amor de coração puro.

E quinto lugar: preocupado com Deus. Vivendo no temor de Deus, vivendo uma vida de adoração, desejando que Sua vontade seja cumprida, para que Sua glória venha.

Somente um coração puro torna-se pacificador, e isto veremos na próxima vez. Vamos orar.

Obrigado, Pai, por esta noite maravilhosa. Obrigado por estes queridos amigos que vieram sentar e ouvir a Tua Palavra. Trabalha em cada coração de acordo com a Tua perfeita vontade, para Tua glória, em nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre as bem-aventuranças. Abaixo segue os links das traduções já publicadas. Observe que não estamos traduzindo pela ordem cronológica.


Este texto é uma síntese do sermão “The Only Way to Happiness: Be Pure in Heart”, de John MacArthur em 19/07/1998.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/90-194/the-only-way-to-happiness-be-pure-in-heart

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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