A doutrina da eleição – 3

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Esta é uma série sobre a doutrina da graça. Para melhor entendimento, sugerimos ler a sequência das mensagens, conforme links no fim deste texto.


Temos falado nas últimas semanas sobre a doutrina da eleição. Quem escolheu quem? E eu entendo que não se trata de uma pequena controvérsia, quando você fala sobre a doutrina da eleição.
Há muitas pessoas que, usando seus raciocínios humanos, a vê com uma doutrina perigosa, uma heresia, uma quase blasfêmia que transforma Deus em um monstro.
No entanto, não importa a forma de pensar do homem, esta doutrina é ensinada nas Escrituras. E precisamos dobrar os joelhos para esta grande verdade da eleição divina. E, uma vez que o façamos, ela pode tornar-se para nós a mais preciosa de todas as doutrinas.

Eu entendo o que a Bíblia diz sobre essas questões da salvação. Entendo que a Bíblia diz em I Timóteo 2: 4 e II Pedro 3:9, respectivamente:

[Deus] deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.
Deus é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.

Eu sei que a Bíblia manda que preguemos o evangelho a toda criatura. Sei também que a Bíblia manda que todos os homens devem se arrepender. E Deus quer que todos considerem Seu Filho, em quem está o Seu prazer, e O ouçam. E, assim, o evangelho é essencialmente um comando, uma ordem de Deus ao homem.

Geralmente, falamos sobre o evangelho como um presente, uma oferta, mas é essencialmente uma ordem para crer no Senhor Jesus Cristo.
Eu também entendo que a Bíblia ensina a escolha humana e a vontade humana. Eu sei que Jesus disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e cansados, e eu vos aliviarei”. Eu sei que Ele disse: “Quem quiser, venha e tome da água da vida”.

E eu sei que Jesus chorou sobre a cidade de Jerusalém, dizendo que quis juntá-la, como uma galinha faz com seus pintinhos, mas ela não quis.
Eu sei que Deus chorou sobre um Israel rebelde e incrédulo. Ele chorou através dos olhos de Jeremias, conforme registrado em Jeremias 13.

Eu também sei que a Bíblia vê todas as pessoas como pecadoras e todos os pecadores como pessoalmente culpados de violar a santa lei de Deus, merecendo a ira divina e o castigo eterno. E eu sei que a Bíblia indica que todos os pecadores têm revelação suficiente para serem responsáveis por seus pecados.
Através da criação, em Romanos 1, e da consciência, em Romanos 2, ao pecador é dada a luz que pode levá-lo à verdade. Se eles não conseguirem segui-la, perecerão sob a ira de Deus.

Agora, eu entendo tudo isso e você também, e isso está tudo nas Escrituras. Mas, ao mesmo tempo, sem qualquer contradição, apenas em aparente dificuldade em nossas mentes, há um mistério revelado para nós nas Escrituras, que nos diz que nenhum pecador é capaz de compreender a verdade.

O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente (I Coríntios 2:14).
Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus (I Coríntios 1:18).

Na verdade, como diz Atos 11:18, a única maneira de um pecador ser salvo é se Deus lhe conceder arrependimento. Ou seja, está além da capacidade dos seres humanos.
Em João 1:12-13 é dito, de forma muito clara, que a fé não vem da vontade do homem, nem da vontade da carne.

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

A Bíblia diz, então, que as pessoas são incapazes de compreender a verdade do Evangelho. Elas são incapazes de se arrepender. São incapazes de crer.
A única maneira de qualquer pecador poder ser redimido, é pela obra de Deus. E Deus tem que conceder entendimento, arrependimento e fé.
Deus tem que dominar a morte espiritual e dar a vida, dominar a cegueira espiritual e dar vista, dominar a ignorância espiritual e dar a verdade, dominar o desejo penetrante do pecado e substituí-lo por um desejo de justiça.

Se alguém é salvo, é porque Deus anula todas as inabilidades naturais normais. É por isso que dizemos que a salvação vem totalmente de Deus. Não é apenas tudo de graça, mas é tudo de Deus. Agora, isso nunca está separado da vontade humana, nunca está em violação da vontade humana.
A profunda e insondável realidade é que ninguém jamais escolheria Cristo se Deus não o tivesse escolhido primeiro. Somos salvos e temos vida, porque Deus escolheu livremente nos dar.

Nas duas primeiras mensagens, eu lhes dei um monte de textos a considerar. Aqui está outros para adicionar à sua lista. Vejam João 6:64-66, que diz:

Mas há alguns de vós que não creem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com Ele.

Eu não sei o quanto mais claramente isto poderia ser dito. Você não pode vir, a menos que Deus lhe conceda o entendimento, o arrependimento e a fé. Isso é o que dissemos nas duas primeiras mensagens, que a salvação é obra de Deus.
E isso nos deixa com uma pergunta muito, muito importante para responder nesta noite: Por que Deus fez isso? Por que Ele fez essa escolha? Por que Deus escolheu salvar os pecadores de Seu justo julgamento?

E a resposta é realmente impressionante. Para entender por que Deus fez isso, vamos ver alguns textos muito poderosos das Escrituras. Vamos começar em Tito, capítulo 1. Você terá a imagem realmente grande desta gloriosa doutrina da eleição.
No começo da carta a Tito, Paulo se apresenta de maneira que é essencial para seu chamado. Ele é “o servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo”. No sentido amplo, ele serve a Deus, no sentido mais específico, ele serve a Deus como um apóstolo de Jesus Cristo.

Agora, no cumprimento de seu serviço a Deus e seu apostolado em favor de Jesus Cristo, há um número de elementos em seu ministério.
Em primeiro lugar, ele diz: “Para promover a fé que é dos eleitos de Deus”. Assim, a primeira coisa que Paulo diz é Deus me chamou para Seu serviço.

E, a propósito, a conversão e o chamado de Paulo é um quadro da conversão de cada pecador. Ele estava a caminho de Damasco e seu coração estava cheio de ódio por Cristo e pela igreja. No caminho, ele foi parado e soberanamente salvo por Deus.
Ele, então, se torna “servo de Deus e apóstolo de Cristo” e sua primeira tarefa é “pela fé dos eleitos”. Isto é, trazer o evangelho aos eleitos para que possam ouvi-lo e crer.

Agora, já que Paulo não sabe quem são os eleitos, já que não há maneira de identificá-los, pois o decreto de Deus e Sua eleição soberana são secretos e ocultos, então ele prega o evangelho em todos os lugares, sabendo que o Senhor o usará para levar o evangelho aos eleitos, que crerão.
Isto é o que é evangelismo. E este foi o primeiro aspecto do ministério de Paulo. É o ministério do evangelismo. Vocês trazem o evangelho para que os eleitos possam ouvi-lo e crer.

Então, há um segundo aspecto em seu ministério. Começa com o evangelismo e se move para a edificação.
Ele diz que não foi chamado a somente levar a verdade aos eleitos, mas também ao “pleno conhecimento da verdade segundo a piedade”, ou seja, para que os eleitos possam crescer à semelhança de Cristo.
Assim, você poderia dizer que o primeiro aspecto de seu ministério foi a salvação, o segundo, a santificação.

Há um terceiro aspecto do ministério, e é verdade para ele e para todos nós, no versículo 2: “Na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos”.
O terceiro aspecto é aquele elemento de encorajamento, consolo e esperança que olha para a glória futura.
Resumindo, ele está dizendo: “Primeiro, prego o evangelho para que os eleitos possam ouvi-lo e crer. Então, eu ensino a Palavra para que aqueles que creem possam crescer no conhecimento da verdade, em piedade. E então, eu lhes digo sobre a vida eterna que há de vir, para que eles possam viver na esperança, e a esperança se torna seu grande conforto”.

Portanto, há em seu ministério um aspecto de salvação, de santificação e de glorificação. E todos nós temos essa responsabilidade.
Quero dizer, é o que todos nós fazemos: Pregamos o evangelho, e, em seguida, para aqueles que creram, instruímos para que possam crescer. E, então, enchemos suas mentes com a esperança do que está para vir na gloriosa herança que nos espera no futuro.

Veja novamente o verso 2: “Na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos”. No grego, “tempos eternos” diz “antes que o tempo começasse”.
Ou seja, antes que o tempo começasse, Deus prometeu que salvaria, santificaria e glorificaria os crentes.

Agora, a questão é: antes de o tempo começar, a quem Ele fez essa promessa? Ele certamente não prometeu a nenhum ser humano, porque não havia nenhum.
Ele certamente não prometeu isso aos anjos, porque não há anjos salvos. Há apenas anjos que nunca pecaram e nunca caíram e os anjos que pecaram e caíram, mas nenhum deles foi salvo.
Na verdade, é muito provável que, quando essa promessa foi feita, não havia anjos, também, porque os anjos parecem ter sido criados em torno do tempo que tudo foi criado.

Então, a quem Deus fez esta promessa? Veja II Timóteo 1:8-9, que diz:

…Participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos.

Aqui temos exatamente a mesma frase, em grego, como em Tito 1:2, “antes dos tempos eternos”, ou seja, antes que o tempo começasse ou antes que houvesse tempo.
Antes que o tempo começasse, Deus prometeu salvar os pecadores, santificá-los e glorificá-los. A questão é: A quem ele fez a promessa? Os pecadores não estavam lá. A quem ele fez isso?

Bem, o versículo 9 diz: “Foi concedido em Cristo Jesus”. E aí está a chave. O Pai fez uma promessa ao Filho. Toda a salvação vem de Deus. É tudo sobre Seu próprio propósito e é concedido em nome de Cristo.
Então, o que você tem, para entender esta grande doutrina da eleição, é isto. O Pai, em algum ponto da eternidade, diz ao Filho: “Eu vou remir os pecadores e Eu o farei por você. Eu vou fazer isso por você”.

Por que Deus faria isso? Porque Ele ama o Filho. No capítulo 17 de João, como veremos mais adiante, o Filho celebra o amor mútuo que Ele tem com o Pai.
O amor dá, e o Pai determina em Seu amor eterno, dentro da Trindade, que Ele expressaria Seu amor pelo Filho dando ao Filho um presente. Esse presente, essencialmente, seria uma humanidade redimida. Ele deu ao Seu Filho uma noiva.

No mundo antigo, os pais escolhiam as noivas para seus filhos. Era dessa forma. Ninguém escolhia para si, isto era a responsabilidade do pai.
E aqui você tem o padrão divino. Deus determina que escolheria uma noiva para Seu Filho, como uma expressão de amor a Ele. Ele daria a Seu Filho uma humanidade redimida.

Na linha deste pensamento, veja João 6:37. Isso é crítico: “Todo o que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. É aqui que deve ser entendido.
Cada pessoa salva é um presente do Pai para o Filho. O Pai determinou na eternidade que daria ao Filho uma noiva, para dar ao Filho uma humanidade redimida.
A Bíblia nos diz que Ele realmente escreveu seus nomes no Livro da Vida do Cordeiro, sabendo que, mesmo antes da fundação do mundo, o Cordeiro teria que ser morto para pagar o preço por essa redenção.

Sempre havia um preço pago por uma noiva, pago ao pai por aquele que tomava a noiva. Neste caso, o Pai teve que desistir de Seu próprio Filho, o Filho teve que desistir de Sua própria vida para pagar o preço por Sua noiva.
Cada indivíduo salvo é uma parte dessa noiva. Até mesmo os santos do Antigo Testamento estão inseridos dentro da noiva e residirão na Nova Jerusalém que descerá do céu como uma noiva adornada para seu marido e tornar-se-á a capital da eternidade, a cidade nupcial.
Toda a história redentora é sobre o Pai buscando uma noiva para seu Filho. E o Pai determinou, antes da fundação do mundo, quem seria a noiva e Ele escreveu os seus nomes, de modo que cada pessoa que vem a Cristo é dada a Cristo pelo Pai. É, sem dúvida, uma verdade espantosa e gloriosa.

Veja o versículo 44: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”.
Você não pode vir. Você não pode entender. Você não pode se arrepender. Você não pode crer. É uma concessão divina, exatamente o que lemos no mesmo capítulo, versículos 64 e 65:

Mas há alguns de vós que não creem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.
E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido.

Então, como é que as pessoas são salvas? Elas são escolhidas. Seus nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro desde antes da fundação do mundo. Cada um deles é um presente pessoal do Pai para o Filho.
E, então, de volta ao versículo 37, “Todo o que o Pai me dá virá a mim”. Se você é dado a Ele, se você é um eleito, você virá. Esta é a “graça irresistível”.

Você receberá vida, compreensão, arrependimento e fé. E o versículo 37 diz: “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.
Por quê? Há algo intrinsecamente valioso no pecador? Não. Esta é uma das ilusões evangélicas de hoje, a de que somos tão maravilhosos que Deus não pode resistir a nós.
Não é nada disso. O valor não está no presente. O valor está no doador do presente. É porque o Filho ama tão perfeitamente o Pai, que tudo o que o Pai dá ao Filho assume um valor infinito por causa do doador, não do presente.

Quer dizer, acho que entendemos isso no sentido natural. Os presentes dados a nós, por pessoas que amamos, assumem um valor muito acima do objeto dado.
Não é que haja algo particularmente glorioso ou maravilhoso em nós, é que, porque fomos dados ao Filho pelo Pai, tornamo-nos preciosos para o Filho. E Ele nunca iria rejeitar um presente de Seu Pai.

E então, verso 39, diz: “E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia”.
Quem escolheu quem? Você está começando a entender? O Pai escolheu uma noiva e escreveu os nomes.
Com o tempo, à medida que a história se desdobra, aqueles que o Pai escolheu são dados ao Filho. Ao se arrependerem e crerem, o Filho os receberá. O Filho não os rejeita.
O Filho nunca perde nenhum deles, mas os ressuscitará no último dia. Isso não se baseia no valor que é inerente em nós. Nós nos tornamos preciosos porque o Filho preza os presentes de Seu Pai.

Esta mesma linguagem está novamente no capítulo 17 de João. Alguns chamaram este capítulo de ‘Santo dos Santos das Escrituras’. Aqui você se aprofunda na comunhão dentro da Trindade entre o Pai e o Filho. Em João 17, Jesus está falando ao Pai sobre nós, falando ao Pai sobre Sua noiva, aqueles que o Pai Lhe deu.

No verso 9, Jesus diz:

Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.

E nesse sentido, os eleitos são de Deus desde que foram escolhidos. Eles sempre pertenceram a Deus. E Deus os dá como presentes de amor ao Filho. E o Filho diz que está rogando por eles. Ele não está orando pelo mundo, mas por aqueles a quem o Pai Lhe deu.

Nos versos 11-12, Jesus diz:

E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.

Ele sabia que a cruz estava próxima e que não estaria com Seus discípulos por um breve tempo. Ele diz ao Pai que tem guardado aqueles todos que o Pai Lhe deu e, diante do que iria acontecer, Ele agora clama para o Pai guarda-los.
Você vê, Jesus diz: “Eu os guardei, Pai, eu os guardei porque Tu me deste“. Penso que Jesus estava sentindo a separação que viria. E os entrega aos cuidados do Pai. Ninguém pode sustentar sua própria fé, somente Deus é que a sustenta.
E quando Jesus subiu à glória, Ele enviou o Espírito Santo, que nos mantém e sela para a redenção eterna.

Por que tudo isso? Porque somos preciosos. E Por que somos preciosos? Não porque somos melhores do que qualquer outra pessoa, mas porque fomos dados ao Filho como presentes de amor do Pai. Veja o verso 24:

Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.

Ou seja, Jesus diz: “Pai, quero que vejam a minha glória, quero que eles venham ao grande casamento, quero que Tu os guarde.” Ele não perderá nada. O Pai não perderá nada. O Espírito nos sela para a redenção eterna.

Qual é o propósito de tudo isso? Bem, o Pai escolheu dar ao Filho uma noiva. Por qual razão? Para amar o Filho para sempre, servir ao Filho para sempre, louvar o Filho para sempre, glorificar o Filho para sempre.
O Pai deu ao Filho os escolhidos que vão gastar todo seu tempo e energia O seguindo por onde quer que Ele vá, servindo-O e louvando-O.
Eles serão ser Seu próprio coral particular de adoração, exaltando-o e farão tudo o que o Filho quiser. E não só isso, mas eles vão refletir a Sua glória, eles vão ser o mais parecidos possíveis com o Filho.

Não podemos conceber qualquer ser humano que mereça esse tipo de louvor. Mas, o Pai atribuiu a Cristo ser digno de uma humanidade redimida que encherá os céus eternos de louvor e honra dada ao Filho.
Eles serão, como Apocalipse 4 e 5 retratam, reunidos em torno do trono de Deus, clamando para sempre e sempre: “Digno é o Cordeiro. Digno é o Cordeiro”.
E eles servirão a Cristo e, mais do que isso, serão feitos como Ele, porque o verão como Ele é. Eles vão ter um corpo semelhante ao Seu corpo ressuscitado (Filipenses 3: 20-21).

Tanto quanto a humanidade glorificada pode ser como a deidade encarnada, seremos como Cristo. É assim que se deve entender a eleição.
Isto é o que Paulo chama em Filipenses 3:14 de “prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.
Sendo feitos como Cristo, para que possamos refletir Sua glória, de modo que seja o primeiro entre muitos irmãos.

A história redentora termina quando o último nome for resgatado. E, então, tudo estará terminado. No final, o Pai reunirá a noiva em sua totalidade e apresentará a noiva ao Seu Filho.
Isso será nessa grande e gloriosa Nova Jerusalém, que está adornada como uma noiva para seu marido. Ela será eternamente a cidade da noiva. E todos os santos de todas as eras comporão a humanidade redimida e tudo o que sempre faremos para sempre, e sempre, e sempre, e sempre é honrar ao Senhor Jesus Cristo. Isso satisfará o Pai, que tem perfeito amor pelo Filho.

Deixem-me lhes mostrar uma outra característica notável disto. Voltem para I Coríntios 15. O versículo 25 fala sobre como Cristo vai reinar e finalmente colocar todos os seus inimigos sob Seus pés. Isto é olhar para o fim de tudo. E o versículo 26 fala da abolição da morte, que virá no final deste universo. Veja os versos 27-28:

Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

É aí que o Pai toma a noiva e dá a noiva ao Filho. Tudo está lá. Tudo está sujeito a Ele, o que significa toda humanidade redimida. Estaremos todos lá.
A história da redenção estará completa. Esta terra e o universo, como nós conhecemos, serão dissolvidos como elementos que derretem no calor fervente, como Pedro diz. Tudo terminará. A história humana terá seu fim. E a noiva será completa e dada ao Filho, tudo sujeito a Ele.

Então, “o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”. Esse é um olhar assombroso para a glória do nosso futuro.
O que o texto está dizendo? Dizendo isto: quando o Pai der ao Filho a noiva, quando tudo for feito, toda a redenção terminada, todos os remidos serão reunidos e o Pai dará ao Filho a noiva, e o Filho, em um ato de amor recíproco, dá a noiva e a Si mesmo de volta ao Pai, para que Deus seja tudo em todos.

Se você tiver alguma compreensão superficial da salvação, isto leva você a lugares que sua mente nunca foi. Estamos sendo salvos, amados, porque somos apanhados numa gloriosa e divina expressão de amor entre o Pai e o Filho.
Está muito além de nós. Somos, de certo modo salvos, não como um fim em nós mesmos, mas como um meio para um fim. Nós não merecemos sermos salvos. O inferno não é injusto. O inferno é justo. O castigo eterno é justo.

Mas, Deus é misericordioso conosco, não por causa de algum valor que possuímos, mas porque Ele valoriza Seu Filho para dar-lhe uma humanidade redimida que O adorará para sempre por salvá-los, acrescentando uma dimensão de adoração e louvor que os anjos não podem dar.
E o Filho tendo recebido Sua noiva dará a Si mesmo e Sua noiva de volta ao Pai, em um ato de amor recíproco.

Isto é onde tudo finalmente termina, e isto é o que Paulo deve ter tido em mente quando escreveu aos Gálatas, e disse: “Sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gálatas 4:19).
Ele também disse aos corintos: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (II Coríntios 11:2).

Paulo entendeu isso. Esta doutrina da eleição não é alguma coisa filosófica. Não é alguma abstração. É o coração e a alma de toda redenção.
Você é um cristão porque o Pai te escolheu, o Pai escreveu seu nome, o Pai te atraiu, você veio, o Filho te recebeu, e o Filho não te perderá, e o Filho te ressuscitará, porque isso é o que o Pai decidiu fazer no início. Você é precioso por causa do que foi escolhido para fazer por toda a eternidade.

O preço – o Pai disse ao Filho: “Há um preço para a Tua noiva” – e foi um preço profundo. Ele levou em Seu próprio corpo nossos pecados na cruz. Fomos resgatados, não com coisas corruptíveis como a prata e o ouro, mas com o precioso sangue, o sangue de Cristo, como um cordeiro imaculado e sem mácula.
Aquele que era rico, o Filho, rico em riquezas celestiais, tornou-se pobre para que nós, por Sua pobreza, pudéssemos nos tornar ricos.

Você sabe, quando você pensa sobre a doutrina da eleição desse ponto de vista, é tão surpreendente. O Pai faz o Filho levar nossos pecados sobre Si para pagar o preço por uma noiva indigna.
Somos muito pouco diferentes da esposa de Oséias, que era uma prostituta. Oséias entrou no mercado e pagou o preço para comprá-la de volta de sua prostituição. Então, ele colocou seu amor nela como se ela fosse uma virgem.
Somos uma noiva preciosa, comprada com o empobrecimento do Filho de Deus e por Sua própria morte. Somos preciosos agora porque fomos escolhidos pelo Pai para o Filho.

Deixe-me dizer-lhe, em conclusão, como você deve pensar sobre a doutrina da eleição. A eleição soberana divina esmaga o orgulho. É a primeira coisa que quero que pense.
Ela simplesmente não produz nada além de humildade. Não é que você creu porque você era mais esperto do que qualquer outra pessoa, ou um pouco melhor do que qualquer outra pessoa, ou mais sábio ou mais humilde do que qualquer outra pessoa. Não. Nada disto. É que você foi escolhido.

C H Spurgeon chamou esta doutrina de ‘a doutrina mais despojadora em todo o mundo’. Ele disse:

Desconheço qualquer outra coisa que nos possa humilhar tão profundamente quanto a doutrina bíblica da eleição. Algumas vezes tenho-me deixado cair no chão e tenho ficado prostrado diante dessa verdade, quando procuro compreendê-la até às suas raízes. Nessas ocasiões, tenho distendido as minhas asas, e, à semelhança de uma águia, tenho alçado vôo na direção do sol. E, assim, o meu olhar se tem fixado no alvo, e as minhas asas não me têm decepcionado, pelo menos durante algum tempo. Entretanto, quando já fui me avizinhando daquele alvo, e quando aquele pensamento tomou conta de minha mente – “Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação” – então senti-me ofuscado diante do seu resplendor, fiquei pasmo diante da grandiosidade desse pensamento; e, desde aquelas alturas imensas, desci a minha alma estonteada, prostrada e quebrantada, dizendo: Senhor, eu nada represento. Eu sou menos do que nada. Por que eu? Por que eu?

Nada deveria ser o alvo do pregador a não ser a glória de Deus através da pregação do evangelho da salvação. Vocês e eu, somos constrangidos a pregar o evangelho, mesmo que nenhuma alma jamais seja convertida por ele; pois o grande propósito do evangelho é a glória de Deus, visto que Deus é glorificado mesmo naqueles que rejeitam o evangelho.

Meu caro amigo, que esmagamento de todo o orgulho está no coração da adoração, não é? Por outro lado, esta doutrina é exaltadora de Deus. Ela dá toda a glória a Deus.
Esta doutrina declara que a compreensão da verdade, a crença na verdade, o arrependimento do pecado e o poder de obediência ao evangelho vêm tudo de Deus, não de nós, mas para a glória do Senhor.

Esta doutrina não apenas esmaga orgulho e exalta a Deus, mas produz uma alegria imensurável.
É o mistério dela que contribui para a alegria. É a desesperança de nossas próprias habilidades que fortalece essa alegria.

Salmo 65:4 diz: “Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite em teus átrios; nós seremos fartos da bondade da tua casa e do teu santo templo.”
Se o Senhor não tivesse nos escolhido, estaríamos como Sodoma, destruídos. Em vez de se sentar e questionar os sentimentos racionais que às vezes se apegam a esta doutrina, celebre-a. Você foi amado por Deus com um amor eterno.

É também uma verdade que concede privilégios. Ela nos concede inegáveis benefícios e, benefícios estes, que nunca poderíamos ganhar. “Nós fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”.

Também é uma doutrina que produz a santidade. Eu não sei sobre você, mas não consigo pensar em nada mais motivador para viver uma vida piedosa do que gratidão por este santo chamado.
Eu realmente acredito que entender a doutrina da eleição produz a motivação mais significativa para um viver santo. Spurgeon disse:

Nada. Nada sob a influência graciosa do Espírito Santo pode fazer um cristão mais santo do que o pensamento de que ele foi escolhido. Posso pecar depois que Deus me escolheu? Eu transgredirei contra tal amor? Desviar-me-ei de tal misericórdia? Devo rejeitar tal bondade eterna? Meu Deus, desde que Tu me escolheste, eu vou Te amar, vou viver para Ti, eu vou me dar a Ti para sempre.

A doutrina da eleição nos dá força. Francamente, me deixa em paz com cada situação. Eu sou escolhido.
Filipenses 1: 6 diz: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”.
E se o Pai te chamou, você vem, você crê, o Filho te recebe, e Ele nunca perderá você, mas te ressuscitará no último dia. Nisto há grande encorajamento, grande força, não importam quais as circunstâncias da vida.

Há uma certa ousadia, uma certa confiança, uma certa firmeza, uma força, uma coragem que pertencem àqueles que entendem que são escolhidos, pois os dons e os chamados de Deus são sem arrependimento.
Esta é a bem-aventurança desta doutrina. É o esmagamento do orgulho, exaltação de Deus, produção da alegria, concessão de privilégios, promoção da santidade e doação de força.

E ousaremos ignorar tal doutrina? Se a ignorarmos, negarmos ou rejeitarmos, roubaremos a glória de Deus. Devemos glorificar a Deus como nosso redentor. Devemos glorificar a Deus como doador de vida, entendimento, arrependimento e fé, pois somos incapazes de produzir tais coisas por nós mesmos.
Se negarmos esta doutrina, então ficaremos com um mal-entendido de nossa própria fraqueza e perderemos todo o sentido do esquema de toda a história redentora.

E alguém neste momento vai dizer: “Bem, como você sabe se você é um eleito?” Se você consegue responder positivamente a estas perguntas: você realmente crê no evangelho? Você verdadeiramente se arrependeu do pecado? Você genuinamente deseja obedecer ao Senhor? Você verdadeiramente ama o Senhor Jesus Cristo? Essa é a prova. Porque isso não é possível, exceto pela poderosa obra soberana de Deus.

Poderíamos dizer muito mais sobre a doutrina da eleição, mas estamos tratando de muitas verdades importantes. Começamos com a doutrina da perseverança, entendendo que nossa salvação é eterna. E eu lhes disse que tem que ser eterna porque é baseada na eleição.
Agora, vamos voltar a outra doutrina, a doutrina da depravação humana, a razão pela qual você não poderia ser salvo, a menos que Deus te escolhesse para te salvar, porque você é incapaz de crer. E isso nos introduz à ‘doutrina da depravação’.

As pessoas que não entendem a preservação, a perseverança ou a segurança eterna, não entendem porque não compreendem a doutrina da eleição.
As pessoas que rejeitam a doutrina da eleição e acreditam que o pecador escolhe acreditar por conta própria não entendem a doutrina da depravação (incapacidade absoluta do homem caído).
Se você crer que os pecadores podem ser salvos por conta própria,ou seja, pela decisão deles, então não é apenas uma obra de Deus, é algo que os pecadores fazem, então você não entende a natureza do pecado.
Assim, no próximo domingo vamos continuar em nossa viagem através da doutrina eleição para a doutrina da depravação. Vamos orar.

Pai, nós Te agradecemos por esta gloriosa e empolgante verdade. A coisa toda está além de nós. Apenas nos deixa coxos por um lado, e sobrecarregados com alegria por outro. Agradecemos-Te por nos redimir. Não sabemos por que Tu nos escolheste. Nós não sabemos por que Tu nos despertaste, ou por que mesmo esta noite aqui neste lugar Tu despertarás dos mortos outros e farás com que eles sejam capazes de entender o que eles nunca entenderam, como ouvimos nos testemunhos de batismo hoje à noite.

Teu poder quebrantador entra e traz vida onde há morte, luz onde há trevas, verdade onde há engano, arrependimento onde há amor à iniquidade. Mas, ó Deus, como Te agradecemos porque nos escolheste e pedimos que continues a fazer-nos cheios de louvor. Possamos nos tornar muito versados nesta vida, fazendo o que faremos para sempre, louvando e glorificando Teu nome por nossa redenção.

E oramos esta noite, Senhor, para que Tu salves outros pecadores, adicionando-os à Tua igreja, à Tua noiva e usa-nos como instrumentos, assim como fizeste com Paulo, para trazermos a verdade, a fim de que os eleitos possam ouvir e crer. E para que aqueles que crerem, que possam ter o conhecimento que produz piedade e aprendam a viver na esperança de nossa glória eterna.

Sabemos que isso é o que Tu planejaste antes que o mundo existisse, e Tu cumprirás. Nós Te louvamos, agradecemos e estamos cheios de alegria porque Tu nos escolheste. Nós respondemos como podemos responder, na obediência e na fidelidade a Ti, para expressar nosso amor. Nós Te amamos, porque Tu nos amaste primeiramente. Oferecemos-nos outra vez a Ti, no nome do Teu Filho. Amém.


Esta é uma série de 10 sermões sobre a doutrina da graça, conforme links abaixo.

01. A Perseverança dos Santos – Parte 1
02. A Perseverança dos Santos – Parte 2
03. A Perseverança dos Santos – Parte 3
04. A doutrina da eleição – Parte 1
05. A doutrina da eleição – Parte 2
06. A doutrina da eleição – Parte 3
07. A doutrina da incapacidade absoluta
08. A doutrina da Expiação Eficaz, Parte 1
09. A doutrina da Expiação Eficaz, Parte 2
10. O chamado eficaz de Deus


Este texto é uma síntese do sermão “The Doctrine of Election, Part 3″, de John MacArthur em 17/10/2004.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/90-275/the-doctrine-of-election-part-3

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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