A Doutrina da Eleição – 2

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Esta é uma série sobre a doutrina da graça. Para melhor entendimento, sugerimos ler a sequência das mensagens, conforme links no fim deste texto.


Continuamos hoje a falar da doutrina da eleição. Uma doutrina bíblica que é alvo de distorções e ataques por parte de muitos no meio da igreja.
Não é um exagero dizer que há pessoas que odeiam a ideia de predestinação ou eleição. Há pessoas que odeiam o pensamento da eleição divina, ou seja, da escolha soberana de Deus.
Algumas pessoas até dizem que esta doutrina da eleição é satânica. Essas pessoas têm seus próprios parâmetros de justiça e atribuem a Satanás uma verdade bíblica.

Para muitas pessoas, racionalmente, parece injusto que Deus escolha quem será salvo. Para outras, é emocionalmente difícil de aceitar e suportar que Deus decida quem Ele salvaria.
Para outras pessoas – e talvez para as mesmas pessoas, como as duas primeiras – parece uma espécie de ataque ao livre-arbítrio humano. Muitos estão convencidos de que haja algum tipo de direito humano aí a ser protegido.

E eu entendo esses pensamentos e sentimentos. Todos nós que viemos a entender o que a Bíblia ensina sobre a doutrina da eleição tivemos que lidar com os argumentos humanos que dizem que isso não parece justo.
Todos nós tivemos que lidar com o fato de que, embora tenhamos vontade e escolha, em última análise, nada é independente de Deus.
Mas, é importante dizer que o que satisfaz sua razão, sua emoção e o seu senso de liberdade, não é o determinante da verdade. De forma alguma.

Eu e você não somos Deus. Muitas verdades bíblicas podem não satisfazer nossa razão, mas temos que lembrar que nossa razão está caída, cheia de justiça própria. Da mesma forma, podemos não satisfazer nossas emoções caídas e nossos sensos de liberdade igualmente caídos.

De maneira nenhuma podemos tentar projetar Deus à nossa imagem, tentar encaixá-lo em nossa razão, emoção ou senso de liberdade.
Não podemos projetar Deus para ser o que pensamos que Ele deveria ser. Não podemos projetar Deus para agir como pensamos que Ele deveria agir.
Ainda assim, há alguns que parecem ser ousados o suficiente para questionar as Escrituras e estabelecerem o que seria justo.

Assim, criaram um Deus que não é o Deus da Bíblia. O Deus de sua criação pode ser mais razoável e confortável para eles, encaixando-se melhor em seus instintos.
Dessa forma, reduziram e limitaram Deus aos seus raciocínios lógicos e mentes caídas, deturparam a verdade, corromperam nossa adoração e culto a Deus, adentrando num obscuro caminho de blasfêmia e ignorância.

Uma ilustração para pensarmos na natureza de Deus seria a criação.
Se você acredita na evolução e rejeita a ideia de que Deus criou o universo em seis dias, se você não aceita isso como um fato, mas acredita que há um processo evolucionário, você acaba de roubar a glória de Deus, certo? Porque Ele deve ser glorificado como o Criador.
No meio da igreja há uma corrente muito forte que acredita que os relatos do livro de Gênesis são figurativos. E daí surgiram vários pensamentos.
Qualquer pensamento que diminui Sua glória como criador corrompe a nossa compreensão sobre Deus e abala nossa adoração.

Nós temos uma razão. A razão, de acordo com Romanos 1, permite-nos concluir que há um Deus.
Nós temos emoção. A emoção nos dá a faculdade de nos relacionarmos uns com os outros, algo que animais e plantas não têm. A emoção também nos dá o privilégio de nos relacionarmos com Deus. E nós temos a vontade. Agimos de alguma forma com uma certa liberdade.
Mas nossa razão, emoção e vontade caíram quando Adão caiu. E assim, todas as nossas faculdades, residuais em relação a Adão, estão, em um grau ou outro, corrompidas pela carne.

Portanto, para que a razão, a emoção e a vontade funcionem como Deus quer que elas funcionem, elas não podem ser deixadas por conta de si mesmas, porque estão caídas. Elas devem ser trazidas debaixo da autoridade das Escrituras.
O que é verdadeiramente razoável não é o que parece razoável para nós. O que é verdadeiramente satisfatório pode não ser o que nos satisfaz. Aquilo que é verdadeiramente uma expressão da verdade pode não ser aquilo que nossa vontade caída mais deseja.

A única maneira de nós sempre termos uma visão incorrupta de Deus é ir a uma fonte incorrupta. Que fonte é esta? A Palavra de Deus.
Para nossas mentes, emoções e sensos de liberdade caídos, parece ser estranha a ideia de que todos os homens estão marchando para o inferno, mas Deus escolheu alguns para salvar.

Porém, negar a doutrina da eleição ou negar a doutrina da predestinação não muda nada, porque se eu disser que você é capaz de ir para o céu com base na sua escolha, não na de Deus, você é o determinante do seu destino eterno, ou seja, Deus deixa isso completamente para você.
Responda: Deus sabe o que cada um vai fazer? A resposta tem que ser sim, Ele sabe o que cada um vai fazer, porque Ele sabe tudo.
E porque Ele já tem um livro da eternidade, em que os nomes de todas as pessoas que vão crer já estão escritos, então Deus já sabe quem não creria e os trouxe a existência mesmo assim? Quer dizer, realmente nunca podemos escapar de um dilema.

No final, uma coisa é clara. Deus nunca planejou salvar a todos. Você diz: ‘Como você sabe disso?’ Porque nem todos são salvos. Portanto, Deus não poderia ter planejado salvar todos, porque se assim fosse, todos seriam salvos, certo?
Porque Deus pode fazer o que quer, não é verdade? Então, a questão é: por que Deus deixa alguns para trás e escolhe outros? A resposta é: para Sua própria glória. Romanos 9 nos diz que Deus é glorificado em Sua ira como Ele é em Sua misericórdia.

Agora, isso é uma questão enorme, mas negar a doutrina da predestinação ou a doutrina da eleição não resolve o problema. Uma coisa é clara. Deus não determinou salvar todos. Isso é claro.
Jesus disse isso: “Muitos estão no largo caminho que leva à destruição”. E, então, a questão é: se Deus, em seu propósito perfeitamente justo, santo e soberano, determinou salvar alguns, por quais meios Ele determinou fazer isso?

Será que Ele decidiu fazê-lo simplesmente a partir das escolhas que as pessoas fazem, ou Ele próprio fez a escolha?
Primeiro, Ele determinou, nós sabemos, não salvar a todos. Caso contrário, não haveria um inferno eterno, e não haveria “poucos” que encontrariam o caminho para a vida eterna. Então, a única questão restante é: quem escolheu quem? As pessoas escolheram Deus ou Deus escolheu as pessoas? E a resposta é encontrada onde? Na Bíblia.

Da última vez, dei-lhes uma longa lista de textos das Escrituras, porque é muito importante ajudá-los a compreender esta doutrina. Deixem-me dar-lhes mais alguns. Vejam Deuteronômio 10: 14-15:

Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus, a terra e tudo o que nela há. Tão-somente o Senhor se agradou de teus pais para os amar; e a vós, descendência deles, escolheu, depois deles, de todos os povos como neste dia se vê.

Vemos aqui uma declaração sobre a suprema autoridade de Deus. Ele controla todo o universo. Ele é o dono de tudo. Tudo no céu e o céu mais alto, tudo na terra, tudo o que existe pertence a Deus.
E de tudo isso, Deus escolheu a descendência de Abraão, e pôs o Seu afeto em amá-lo acima de todas as pessoas. Ele fez uma escolha. E Ele deixou para trás todas as outras nações. Assim, fazer escolhas, eleger pessoas em detrimento de outras não é algo extraordinário que Deus fez apenas na era do Novo Testamento. É assim que Ele sempre opera. Ele escolheu Abraão.

Em Mateus 11:27, Jesus diz:

Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

A única maneira de alguém conhecer a Deus, o Pai, é se o Filho quiser revelá-Lo. Todas as prerrogativas pertencem à Trindade. Todas as prerrogativas pertencem a Deus. Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Em Mateus 22:14, lemos: “Muitos são chamados, mas poucos são -” o quê? “- escolhidos”. Eu não sei o quanto mais claro isso poderia ser.
Muitos são chamados. Há um amplo chamado do evangelho, poucos são escolhidos.
Em Marcos capítulo 13:20, quando Jesus está falando sobre o tempo futuro da tribulação, Ele diz: “E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias”.

Lá está. Quem escolheu quem? Ele nos escolheu. Ele encurtou os dias. No tempo da tribulação, haverá coisas terríveis acontecendo, julgamentos em todo o mundo. E o tempo será encurtado, ou os eleitos nem poderiam sobreviver.
Pelo bem de todos Ele abreviou o tempo? Não, apenas por causa dos eleitos ou escolhidos.

Eu não estou lhe dando todos os textos que eu anotei, mas alguns deles. Vamos para Romanos 11:2-4, que diz:

Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal.

Aqui Paulo está falando sobre Elias e os profetas de Baal. Na ocasião, Elias começa a se sentir o único fiel ao Senhor. Jezabel, mulher do rei Acabe, queria mata-lo e, então, ele fugiu para o deserto.
E ele acha que é o único fiel que sobrou, todos os demais haviam se curvado diante dos falsos deuses. A resposta divina foi: “Eu reservei para mim sete mil que não dobraram a Baal”. Isto é, “Eu os escolhi. Eu os guardei.”

O verso 5 explica que “assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça”.
Havia 7.000 pessoas que foram fiéis a Deus no tempo de Elias, que Deus havia escolhido e mantido, e há no tempo presente, quando Paulo escreve isto, e em cada tempo, e hoje, um remanescente de acordo com a escolha graciosa de Deus.
É uma escolha. Verso 7. “Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos”.
Ou seja, os escolhidos alcançaram e aqueles que não foram escolhidos foram endurecidos. É uma linguagem forte sobre a escolha soberana de Deus. Há algo mais claro que isto?

Em 2 Timóteo 2:10, Paulo diz: “Portanto, tudo sofro por amor dos eleitos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna”. É inconfundível. Deus tem Seus escolhidos e Sua escolha tem de ser confirmada pela audição do evangelho.

Tiago 1:17-18 diz:

Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

Ele o fez. Ele veio do céu. Como um exercício de Sua vontade, Ele nos resgatou pela Palavra da Verdade, através do evangelho. O capítulo 2:5 diz: “Deus escolheu aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino”. Porque a maioria dos fiéis é pobre? Tiago diz: “Deus escolheu os pobres”.

E, então, em Apocalipse 13:8 e 17:8, temos, de forma inequívoca:

E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo.

Aqui temos o rol dos eleitos, escrito por Deus desde a eternidade. Somente os eleitos escaparão do engano de Satanás. Estes gozam da segurança eterna de sua salvação, e perseveram no Evangelho porque Deus os sustenta.
Em Mateus 24:24 Jesus diz que “surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”. Ou seja, “se possível” implica claramente que tal engano não é possível.

Olhe para 2 Timóteo 2:18-19, que diz:

Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou, e estão pervertendo a fé a alguns. Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor.

Por que se desviaram? “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (I João 2:19)
Mas, o firme fundamento de Deus permanece naqueles que foram efetivamente chamados. Deus fez este fundamento que nunca poderá ser removido.
E o que está nessa fundação? O Senhor conhece aqueles que são Dele. Ele sabe quem pertence a Ele. Ele os guardará.

João 3:3-7, diz:

Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Nicodemos entende que Jesus está falando de um nascimento espiritual. Ele sabe disso. Ele está apenas dizendo: “Como pode acontecer?”.
Jesus responde que é um nascimento de cima, algo sobrenatural. Não vai acontecer além do Espírito Santo. “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”.
É uma obra que vem de cima, que não é possível se explicar como ela acontece. É uma ação sobrenatural de Deus, nada tem a ver com algum mérito humano.
Deus, soberanamente, faz tudo o que quer fazer em qualquer vida que Ele queira fazer. E no final, Ele ganha toda a glória.

Nota: A ação do Senhor no homem é efetiva. O Senhor não é frustrado ao chamar alguém. Isaías 53:11 diz que Jesus “verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito”. Por que satisfeito? Porque Ele salvou a todos que veio para salvar, nenhum daqueles que o Pai lhe deu (os eleitos) se perdeu (João 10:27-29 e 17:9,12,20). Poderia Ele ficar satisfeito ao ver a maior parte da humanidade indo para o inferno? Não. Ele veio salvar os eleitos e o fez cabalmente.

Vamos para 1 Coríntios 1:26-29, que diz:

Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.

Olhe para os verdadeiros cristãos. Quantos da realeza há entre eles? Quantos sábios do mundo? Quantos nobres? É assim porque Deus queria ser glorificado. Deus queria receber toda a glória.

Nenhuma pessoa que é salva jamais poderá gabar-se de sua própria salvação, como se recebesse um retorno de sua própria escolha. Não há mérito humano na salvação. Deus escolheu os insensatos, os fracos, os do porão, os desprezados, os “nadas” e os “ninguéns”.

Agora ouçam, se foram os fracos e os insensatos que escolheram a Deus, e não Deus que escolheu eles, esta passagem não faria sentido. Se foram os fracos e os insensatos que escolheram a Deus, quem recebe o crédito? Os fracos e os insensatos.
Mas, a verdade da eleição imputa a Deus toda a glória. Ele não divide Sua glória com ninguém. O homem nunca foi a Cristo por seus próprios meios, Deus os levou ao Seu Filho. Jesus disse: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (João 6:44).

Como em toda a Bíblia, esta passagem não é sobre a escolha do homem, isso não tem nada a ver com a escolha do homem. Isso é sobre a escolha de Deus.
E se você entende que é sobre a escolha do homem, então como é que acaba a vanglória humana? Você transformaria toda a passagem em absurdo absoluto.

Volte para Romanos 9:9-16, que diz:

Porque a palavra da promessa é esta: Por esse tempo, virei, e Sara terá um filho. E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai.E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.

Não diz nada sobre Jacó escolher Deus, mas Deus escolher Jacó, sem qualquer mérito de Jacó. O que foi eficaz aqui? O chamado de Deus, apenas isto.
Você pode dizer que isto é uma injustiça? Bem, se Deus elegesse quem o escolheu primeiro [como creem muitos, que dizem que Deus escolheu aqueles que, por Sua onisciência, Ele sabia que iriam escolhê-Lo], não haveria este tipo de pergunta que o próprio apóstolo relata. Mas, o texto faz com que você entenda que o homem caído não tem como julgar o que Deus faz em Sua soberana vontade e perfeição.

Se fôssemos nós escolhendo a Deus, então por que Paulo está preocupado que possamos pensar que Deus é injusto, se é apenas a nossa escolha?
Ninguém iria acusar Deus de ser injusto se Ele apenas escolhe quem O escolhe. Mas, Paulo sabe que as pessoas acusarão Deus de injustiça, porque isto vai contra a nossa razão caída, quando ouvimos que Deus faz a escolha segundo seu próprio propósito. Paulo, então, diz nos versos 20 a 23:

Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão.

Toda a preocupação de Paulo aqui seria absurda se não fosse claro que esta é uma escolha divina.
Se fosse uma escolha humana, estaria encaixado em nossa razão caída e não haveria necessidade de explicações tão detalhadas. Não haveria o porquê de se fazer uma defesa da justiça e soberania divinas.
Se você negar a eleição, você transforma todo esse texto em absurdo ou em um perfeito embuste.

Veja Romanos 11:33-36, uma doxologia que coloca tudo em seu devido lugar.

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

Você entende que não pode mergulhar nas profundezas do conhecimento e da sabedoria de Deus? Você entende isso? Não superestime a si mesmo.
O que pode não lhe parecer razoável, emocionalmente satisfatório, justo com a vontade e a liberdade humanas, não lhe confere a ousadia de sequer começar a desafiar, com sua mente carnal, as profundezas da sabedoria e do conhecimento que pertencem a Deus. Nunca se coloque em posição de questionar a Deus.
Você vai dizer a Deus o que Ele pode ou não pode fazer? E isto você faria a partir de seus próprios raciocínios lógicos e humanos caídos?

Você já olhou para o céu e disse: ‘Deus, Tu deves estar realmente orgulhoso de mim, por causa das escolhas que eu fiz, pois eu decidi sair do pecado e crer no evangelho?’ Esse pensamento já entrou na sua mente?
Você já pensou: ‘Deus, Tu sabes, olhe para todas essas pessoas estúpidas ao meu redor, que rejeitam o evangelho. Eu sou sábio o suficiente para fazer o certo?’
Você pode olhar para um novo convertido e vislumbrar nele méritos de uma escolha humana? Ou seja, você imagina que Deus o escolheu porque ele escolheu Deus primeiro?

Você entende que estava se afogando e Ele o salvou. Você estava morto e Ele lhe deu vida. Você era cego e Ele lhe deu visão. Você era surdo e Ele lhe deu ouvidos. Você entende isso?
É por isso que Tito 3:5 diz: “Ele nos salvou”. Foi o Seu poder, por Sua vontade, segundo o Seu propósito. Nós viemos porque Ele nos atraiu. Não está separado de nossa vontade. Ele moveu nossa vontade.

Quando um pecador experimenta um verdadeiro arrependimento, ele confessa sua culpa, quer ser limpo e perdoado, humilha-se diante do Senhor, é convicto de seu estado de morte, deseja dar sua vida por Cristo.
Deus o escolheu e o salvou. O Espírito Santo ativa todas essas verdadeiras respostas espirituais: arrependimento, humildade, amor, fome de justiça. Você escolheu Deus porque Ele lhe escolheu primeiro. “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (I João 4:19).
A salvação é uma ação miraculosa do Espírito Santo sobre o homem. Por isto devemos orar para que o pecador venha ao arrependimento e à fé. Nenhum pecador vai fazer isso, a menos que o Espírito o mova a isto.

Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer (João 6:44).
Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido (João 6:65).

Portanto, o fato de que Deus nos escolheu está em toda a Bíblia. Não é que Ele nos escolheu porque sabia que o escolheríamos. Porque se Ele não tivesse nos escolhido, nós nunca teríamos escolhido a Ele.
Quando falamos sobre a doutrina da perseverança dos santos ou segurança eterna, vimos que se você pudesse perder a sua salvação, você a perderia com certeza.
Se eu pudesse perder a minha salvação, eu iria perdê-la dez vezes por dia, todos os dias. Eu não posso salvar a mim mesmo ou manter-me salvo.
Deus me escolheu, Ele despertou meu coração e minha vontade, Ele os ativou para que eu pudesse abraçá-Lo. E Ele é quem sustenta tudo pelo Seu poder (I Pedro 1:1-9).

Alguns dizem que Deus não pode escolher, porque Ele não sabe. É uma doutrina que circula por aí. Eles dizem que a razão de Deus não saber é que não há nada a saber, porque não aconteceu ainda, ou seja, você não pode saber o que não aconteceu e ainda não existe.
Este é o pensamento do Teísmo aberto, uma teologia que nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. Eles classificam Deus apenas como um bom previsor do futuro.
Essa falsa doutrina diz que Deus precisa ler o jornal da manhã, como todo mundo, para descobrir o que está acontecendo. A doutrina da eleição é um absurdo para eles, algo completamente incompreensível às suas mentes.

Veja Isaías 46:9-10 e 44:6-8, que dizem:

Eu sou Deus, e não há outro, Eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.

Assim diz o Senhor, Rei de Israel, seu Redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus. Quem há, como eu, feito predições desde que estabeleci o mais antigo povo? Que o declare e o exponha perante mim! Que esse anuncie as coisas futuras, as coisas que hão de vir! Não vos assombreis, nem temais; acaso, desde aquele tempo não vo-lo fiz ouvir, não vo-lo anunciei? Vós sois as minhas testemunhas. Há outro Deus além de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça.

Em 1 Reis 13:2 , Deus prediz o nascimento de Josias, 300 anos antes do evento. Como Ele sabia disso? E 2 Reis 19:25, Ele afirma explicitamente que tinha ordenado e planejado as vitórias militares dos assírios muito antes.
Deus prediz a opressão de Israel no Egito em Gênesis 15:13 . Ele prediz o endurecimento do coração de Faraó em Êxodo 3:19. Ele prediz a rejeição da mensagem de Isaías pelos israelitas em Isaías 6:9. Ele prediz a rebelião dos israelitas depois da morte de Moisés em Deuteronômio 31:16. E etc. etc. etc.

E o que falar de toda a história de Cristo? “Ele foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus” (Atos 2:23), “para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” (Atos 4:28). “O Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13;8).
A Bíblia em nenhum lugar sugere ou mesmo permite a interpretação de que Judas, Caifás, Pilatos e os soldados eram peões involuntários forçados por Deus a cometer um crime horrível. Eles agiram livremente e de acordo com seus próprios motivos e propósitos, mas eles fizeram exatamente o que a mão de Deus e o plano tinham predestinado para acontecer.

Deus ordena tudo. Ele conhece o futuro, porque o escreveu. Todas as escolhas são Dele e, certamente, a escolha da salvação de pecadores perdidos, mortos e cegos. Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro. Ok! essa é uma introdução. Continuaremos na próxima vez. Vamos orar.

Pai, que alegria é celebrar as glórias desta imensa doutrina! Não se trata apenas de o Senhor soberanamente determinar nossa salvação, mas é sobre o Senhor ser soberano e determinar tudo. Este é apenas um componente, mas o quão rico é entender isso! Tu fazes o que faz pela Tua glória. Nós não Te questionamos. Nós nunca teríamos um pensamento de que Tu pudesses ser injusto ou não amoroso, mas Tu és Deus e nós não podemos alcançar Teu conhecimento, não podemos ir tão profundo quanto a Tua sabedoria. Teus caminhos são insondáveis e estamos contentes em deixar Tuas decisões contigo, para Tua própria glória.

Mas, sabemos que, mesmo com esta doutrina maravilhosa da eleição soberana, Tu também disseste: “Todo aquele que quiser pode vir, e o que vem a mim não me desviarei dele”. Não entendemos o decreto secreto. Não entendemos a história, até que tudo se desenrole. Nós não temos essa habilidade. Mas, sabemos que o evangelho chegou até nós, e que nos foi dito para crer. E, para alguns de nós, o Espírito de Deus está se movendo em nossos corações, e precisamos ser obedientes, responder com fé, sabendo que Tu vais ouvir e salvarás a todos os que vierem a Ti.

Agradecemos por essa promessa. Não precisamos nos preocupar com as coisas que não podemos entender. Precisamos apenas responder ao evangelho. E, se não o fizermos, por mais misterioso que seja, a Tua Palavra diz que é culpa nossa, é nossa responsabilidade, é nossa culpa, é nossa rejeição, é nossa incredulidade que nos matará. Como isso se encaixa com Tua vontade soberana e glória, é para nós entendermos talvez na eternidade, mas agora temos que clamar a Ti por misericórdia e salvação, enquanto pudermos.

Nós te agradecemos, Senhor, pela graça que nos veio em Cristo e virá a outros, até que toda a igreja seja redimida e nós entremos em Tua presença para sempre. Esperamos isso com alegria no nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de 10 sermões sobre a doutrina da graça, conforme links abaixo.

01. A Perseverança dos Santos – Parte 1
02. A Perseverança dos Santos – Parte 2
03. A Perseverança dos Santos – Parte 3
04. A Doutrina da Eleição – Parte 1
05. A Doutrina da Eleição – Parte 2
06. A Doutrina da Eleição – Parte 3
07. A Doutrina da Incapacidade Absoluta
08. A Doutrina da Expiação Eficaz, Parte 1
09. A Doutrina da Expiação Eficaz, Parte 2
10. O Chamado Eficaz de Deus


Este texto é uma síntese do sermão “The Doctrine of Election, Part 2″, de John MacArthur em 26/09/2004.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/90-274/the-doctrine-of-election-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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