A doutrina da eleição – 1

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Esta é uma série sobre a doutrina da graça. Para melhor entendimento, sugerimos ler a sequência das mensagens, conforme links no fim deste texto.


Como você sabe, há algumas semanas, concluímos nosso estudo na maravilhosa epístola escrita por Judas, que termina com a promessa de que Deus é capaz de nos impedir de cair e nos apresentar perfeitos e com alegria diante de Sua gloriosa presença.
E isso nos introduziu à maravilhosa doutrina da segurança eterna, ou melhor, a perseverança dos santos, ou a preservação dos santos. Passamos algumas semanas falando sobre essa doutrina.
Nossa salvação é segura até o fim, porque foi predestinada no começo para ser completada. E lembramos que Romanos 8:28-29 faz uma declaração monumental e muito clara a esse respeito:

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

E assim, dissemos que o grande fundamento que assegura nosso futuro é o decreto de Deus desde a eternidade. É o fato de que somos escolhidos para a salvação final, uma verdade que torna nossa salvação segura.

A doutrina da eleição é uma doutrina perturbadora para muitas pessoas. É retratada e apresentada dessa maneira, como se de alguma forma ela questionasse a bondade de Deus, a graça de Deus. De fato, há declarações chocantes feitas sobre esta doutrina por evangélicos proeminentes.

Por exemplo, o bem conhecido Tim LaHaye, diz:

Sugerir que o misericordioso, longânimo Deus da Bíblia iria inventar uma terrível doutrina como esta – predestinação – que nos faria acreditar que é um ato de graça selecionar certas pessoas para o céu e, por exclusão, outras para o inferno, chega perigosamente perto da blasfêmia.

Arno Froese, de outro ministério, escreve:

A teologia defeituosa da eleição é uma tentativa de eliminar a capacidade do homem de exercer seu livre arbítrio, o que reduz o amor soberano de Deus a um ato de um mero ditador.

Outro pastor, escritor e professor, diz: “Esta doutrina faz com que nosso Pai celestial pareça o pior dos déspotas”.

Outro, presidente da Texas Holiness University, diz:

Esta doutrina é o mais irracional, incongruente, autocontraditório, desprezível e desonroso esquema de teologia que apareceu no pensamento cristão. Ninguém pode aceitar suas proposições contraditórias, mutuamente exclusivas, sem autodebilidade intelectual. Ela sustenta um Deus tirano egocêntrico, egoísta, sem coração e sem remorsos, que nos ordena a adorá-lo.

Um pastor da Capela do Calvário escreve:

A doutrina da eleição faz de Deus um monstro que tortura eternamente crianças inocentes. Ela remove a esperança de consolação do evangelho. Limita a obra expiatória de Cristo. Resiste ao evangelismo. Ela suscita argumentação e divisão e promove um Deus pequeno, irritado e crítico, em vez do Deus de coração grande da Bíblia.

Outro diz: “Dizer que Deus escolhe soberanamente quem será salvo é a coisa mais retorcida que eu já li, isto faz de Deus um monstro, não melhor do que um ídolo pagão”.
Outro site de estudantes de teologia no Canadá diz: “Esta doutrina torna Deus um monstro diabólico e reduz o homem, que foi criado à imagem de Deus, a um mero robô”.
Dave Hunt escreveu: “A doutrina da eleição é uma falsa representação de Deus, que faz com que muitos se afastem do Deus da Bíblia como de um monstro”.

A palavra de ordem parece ser “monstro”. Segundo esses homens, de alguma forma, a doutrina da eleição transformaria Deus em um monstro.
Essas são declarações bastante severas sobre esta doutrina, mas representam parte do mundo evangélico, incluindo líderes de ministérios, pastores e escritores. Mas, apesar desses pensamentos, a doutrina da eleição é ensinada nas Escrituras.

A noção penetrante desses céticos e críticos desta doutrina é que, de alguma forma, a eleição seria algo injusto. Deus seria injusto se assim procedesse.
Mas, antes de tudo, queremos deixar bem claro que Deus não deve ser medido pela nossa compreensão do que é justo.
Nós temos que ser os primeiros a admitir que nossa compreensão de praticamente tudo é, de alguma forma, distorcida e afetada por nossa própria pecaminosidade.

No Salmo 50:21, Deus disse: “Pensavas que Eu era igual a tu.” E, certamente, Ele não é. Isaías 55:8 diz:

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.

E aqui está a chave. Deus tem caminhos e pensamentos que são incompreensíveis para nós, insolúveis, inescrutáveis. Romanos 11:33-36 diz:

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

É uma compreensão essencial da perfeita santidade de Deus. Ele é infinitamente e perfeitamente justo e perfeito em todos seus caminhos. Tudo que Ele faz é justo. A perfeita justiça é um atributo de seu caráter.
E Qual é a regra da justiça de Deus? Qual é o princípio da justiça de Deus? O que está por trás de seus julgamentos? O que está por trás disso é o seu próprio livre-arbítrio e absolutamente nada mais.
Deus faz determinações baseadas em nada além do seu próprio livre-arbítrio. E o que quer que Ele queira, é, por definição, justo. É só porque Ele quer. Não é porque Ele vê que é justo algo que Ele quer, é porque Ele quer algo que, então, este algo se torna justo.

William Perkins, um puritano, disse: “Não devemos pensar que Deus faz uma coisa porque é boa e correta, mas a coisa é boa e correta porque Deus a faz”.
O Criador não deve nada à criatura, a qual não pode entender Seus caminhos , não pode entender Sua mente, não pode ser Seu conselheiro.
E de qualquer maneira, como poderia Deus ser chamado de “injusto” por escolher salvar alguns, quando não há quem mereça ser salvo?

A salvação nunca foi uma questão de justiça. E, ainda assim, é o que as pessoas dizem: “Isso não é justo. Isso não é justo”. Mas, eu não acho que você quer justiça, não é? Não queira. A eleição está enraizada na pura graça. Deus é muito gracioso e parece que Ele é mais gracioso para aqueles a quem a graça parece mais imerecida.

Não há muitos poderosos, não há muitos nobres. Volte-se para 1 Coríntios, capítulo 1, e esse é um bom lugar para começar.
Eu não tinha a intenção de começar aqui, mas enquanto eu estava sentado lá cantando, esta passagem pulou em minha mente. I Coríntios 1:26-29, diz:

Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.

Quando Deus escolhe, quando Ele é gracioso para com quem Ele será gracioso e misericordioso, parece que Sua graça se inclina para o mais indigno de todos, para que ninguém se glorie.
Os versículos 30-31 dizem: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”.

Quando chegamos ao povo que crê na mensagem do Novo Testamento, eles são os pobres e os proscritos, os ignóbeis, os fracos, as meretrizes, as prostitutas e os cobradores de impostos.
E Deus deixa para trás os poderosos, nobres, os religiosos e os mais educados. Há poucos. Salvação não é uma questão de justiça, é uma questão de pura graça. E Deus escolheu dar essa graça àqueles a quem pode parecer mais injusto.

Mas, não podemos estar lutando com essas verdades intelectualmente, como se houvesse alguma resposta em nossa razão. Devemos chegar à Palavra de Deus e devemos olhar para o que a Escritura diz para revelar a verdade desta doutrina.
Não devemos deixar que esta doutrina se torne vítima de nossas corrompidas mentes pecaminosas e nossos raciocínios egocêntricos e orgulhosos.

E assim, como qualquer outra verdade bíblica, simplesmente abrimos a Bíblia e nos submetemos ao que ela diz. E, o fato de ser uma doutrina dolorosa não muda nada. O inferno é uma doutrina muito dolorosa, mas isso não muda nada na doutrina em si.

E, embora possa ser difícil para nós compreendê-la, visto que através de nossas mentes débeis e maculadas com o pecado nós não temos a capacidade de estabelecer o conceito do que venha a ser justo, devemos colocar tudo isso de lado e nos submeter à Palavra de Deus.

Algumas pessoas pensam que esta doutrina da eleição é de alguma forma estranha a Deus e de alguma forma estranha aos Seus propósitos no mundo.
Mas isso certamente não é verdade. Não é como se de alguma forma a doutrina da eleição tivesse surgido no Novo Testamento, sem nunca ter aparecido no Antigo Testamento.
Afinal de contas, claramente, de todas as pessoas no mundo, Deus escolheu Israel. De todas as pessoas no mundo, Deus escolheu Abraão e o tirou de Ur dos caldeus, e o fez pai de uma grande nação. É por isso que Israel é chamado de “seus eleitos” (Salmo 105:43). O Salmo 135:4 diz: “Porque o Senhor escolheu Jacó para si mesmo”.

Deuteronômio 7: 6 e 14: 2 diz: “O Senhor teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra”.
E Deus não disse que a razão de os ter escolhido é porque eles eram melhores do que quaisquer outras pessoas, mas por Seu livre arbítrio predeterminado, estabeleceu Seu amor sobre eles. Nenhuma outra razão. Israel, Seu eleito. Deus os chamou.

Você entra no Novo Testamento, e você tem o mesmo tipo de linguagem. A igreja é chamada de “os eleitos, os escolhidos”. E este não é um termo isolado em referência à igreja. É repetido.
Em Mateus 24:22, naquele discurso do Monte das Oliveiras, onde nosso Senhor está falando sobre a segunda vinda, Ele diz: “E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos eleitos serão abreviados aqueles dias”.
“Eleitos” aqui é um substantivo. Um termo que descreve os crentes, eles são “os escolhidos, os chamados”.

Dois versículos mais adiante, no versículo 24: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os eleitos”. Eles não são chamados de “crentes” ou “cristãos”, mas de “eleitos”.
E o versículo 31 diz: “E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus eleitos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”. Eleitos por Deus. Essa é uma designação para o povo de Deus.

Lucas 18:7 diz: “Deus não fará justiça aos seus eleitos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?” Novamente, os crentes são chamados “seus eleitos, escolhidos “.

Romanos 8:33 diz: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica”. Os redimidos são chamados de eleitos e declarados justos.
Na sequência, Paulo fala sobre a segurança eterna do chamado divino para os eleitos. Nós não elegemos ou escolhemos a Deus, mas Ele é que nos elegeu ou escolheu.
Colossenses 3:12 diz: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade”.

Os crentes, então, são pessoas a quem Deus escolheu para pertencer a Ele. E, no Antigo Testamento, é certo, foi escolhida uma nação de pessoas na terra, um povo temporal. No Novo Testamento, os eleitos são um povo espiritual.
O Novo Testamento é repleto desse ensinamento inescapável. Em João 15:16 Jesus diz de forma inequívoca: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós”.
Eu não sei como poderia ser dito algo mais claro do que isso. “Você não me escolheu, mas eu escolhi você”.

Em João 17:9, em sua oração sacerdotal, Jesus diz: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus”.
No Santo dos Santos da Trindade, onde o Filho comunga com o Pai, Ele diz: “Eu peço por eles”, Ele está orando pelos Seus. Ele não está orando pelo mundo, mas por aqueles a quem o Pai Lhe deu.
E, no verso 20, Jesus diz: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim”. Ele está orando por todos os eleitos ao longo dos séculos.

Em Atos 13:48, após a pregação de Paulo e Barnabé, novamente a linguagem é inequívoca: “E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam nomeados para a vida eterna”. Todos os que foram nomeados para a vida eterna creram.

Veja Romanos 9, uma passagem, novamente, forte e inconfundível. E você poderia realmente começar com os gêmeos nos versículos 11-14, Jacó e Esaú.

Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma.

Veja, antes de terem nascido, antes de terem feito alguma coisa boa ou má. O texto traz somente o propósito de Deus, Sua escolha, pois Ele é quem chama. Você vê que é muito claro. Absolutamente claro. Deus fez essa escolha antes que eles nascessem.
Isto não é nada novo para Deus, fazer este tipo de escolha entre dois. Ele disse a Moisés, em Êxodo 33: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer”.

Portanto, não depende do homem que deseja, nem do homem que corre, mas de Deus que tem misericórdia. Ou seja, a escolha de Deus não depende da vontade do homem, mas de Deus.
Em Romanos 9:18 diz: “[Deus] Compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer”. Inescapável, absolutamente inescapável.

Em Romanos 11:4-5, Paulo está falando sobre Elias, o profeta, que pensava que ele era o único que restava, e Deus lhe diz: “Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal. Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça”.
Escute isto: um remanescente de judeus crentes, no presente, quando Paulo está escrevendo isto, de acordo com a eleição soberana. De acordo com a graciosa escolha de Deus.
1 Pedro 1: 1-2 diz: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia; Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”.

Ao ler as epístolas do Novo Testamento, conforme você percorre todas as epístolas até o livro do Apocalipse, toda vez que você vê a Palavra “chamar” ou “chamado“, refere-se à escolha soberana da eleição de Deus para chamar alguém à salvação.
Os chamados são aqueles que são efetivamente chamados, não apenas um chamado geral, como na declaração do Evangelho: “Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”.
Sempre que o chamado é identificado nas epístolas, é um chamado eficaz. 1 Coríntios 1:9, diz: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor”. Nós somos os escolhidos, os predestinados e, portanto, os chamados.

Efésios 1:3-6 diz:

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado.

Aqui diz que somos escolhidos. Somos escolhidos para a santidade final e irrepreensível. No amor, fomos predestinados a sermos adotados como filhos através de Cristo.
Tudo isso por causa da intenção bondosa do próprio livre arbítrio de Deus, para que no final todo o louvor e a glória Lhe sejam concedidos, pela graça que nos foi concedida gratuitamente.

1 Tessalonicenses 1: 2-4 e 2 Tessalonicenses 2:13-14 dizem:

Damos, sempre, graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar, recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição.

Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

Não haveria esperança de santificação ou qualquer esperança de fé, na verdade, a menos que Deus nos tivesse escolhido desde o princípio, para a salvação.
Ele nos escolheu antes da fundação do mundo, para que fôssemos semelhantes a Cristo, para sermos santos e estarmos na presença de Sua glória.
Escolheu você para ganhar a própria glória do Senhor Jesus Cristo. Ele escolheu você para que você carregasse Sua imagem no céu.
Ele te escolheu no passado, Ele te chamou com um poderoso chamado eficaz que te despertou dos mortos e te concedeu um entendimento claro do evangelho, no dom da fé salvadora.

Agora, não há nenhuma maneira pela qual você possa concluir que isso é uma ideia ambígua, certo? Isso não está em dúvida na Bíblia.
Se você acredita na Bíblia, você acredita na predestinação. Se você acredita na Bíblia, você acredita em Deus escolhendo quem seria salvo.
Se você acredita na Bíblia, você acredita que Deus determinou quem seria salvo e determinou que essa salvação vai chegar à sua conclusão final quando formos glorificados no céu.
Se você acredita na Bíblia, você acredita que Deus efetivamente chama aqueles que Ele escolhe e lhes concede fé. E, contudo, com toda essa clareza, muitos ainda resistem a esta verdade.

Olhe para Romanos 9. E eu quero que você saiba como Deus lida com isso. Isso é tão bom. Volte de onde paramos no versículo 18, falando sobre Jacó e Esaú e como Deus determinou tudo antes de eles nascerem. Veja os versos 18 e 19.

Logo, Deus tem misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?

Ou seja, em outras palavras, um oponente imaginário diz: “Por que Deus ainda encontra falta, pois quem resiste à sua vontade? Quero dizer, se tudo isso é determinado pela escolha divina antes que alguém nasça, se este é Deus sendo misericordioso com quem Ele será misericordioso e tendo compaixão de quem Ele terá compaixão, se isto não é sobre a vontade e esforço do homem, se isso é tudo sobre Deus, então, como Ele pode achar a culpa com alguém? Como você pode me culpar, se eu não creio? Como eu posso resistir à Sua soberana e eterna vontade?”.

Essa é uma resposta bastante razoável, você não acha? E este é o argumento que as pessoas sempre usam para tentar asfixiar a doutrina da eleição. E Paulo antecipou isto. Você vai dizer: “Isso não é justo, porque então você não pode me condenar ao inferno. Você não pode encontrar falha comigo. Como vou resistir à Sua vontade?”.

O versículo 20-21 dá uma resposta incrível:

Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?

Ou seja, em outras palavras: “Feche a boca. Isso não esclarece nada. Quem você pensa que é? Você está acusando Deus de punição injusta de pecadores? Você está acusando Deus do mal? É melhor você fechar a boca antes de dizer qualquer outra coisa. Pode a coisa moldada questionar o moldador? Pode o vaso argumentar com o oleiro o que seria justo? Pode o barro reivindicar do oleiro ser uma vaso honroso?” Isso é incrível.

Não se atreva a questionar Deus. Deus é o oleiro, você é o barro. O barro está muito abaixo do oleiro. É sujeira inanimada. Não tem o direito de nem sequer ter a ideia de falar com o oleiro.
E tão vasto quanto o abismo está entre o vaso e o oleiro, ainda mais vasto é o abismo entre você e Deus. O oleiro, versículo 21, não tem direito sobre o barro para torná-lo da maneira que ele quer fazê-lo?

E, então o versículo 22, é realmente muito, muito forte: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição”.
Ou seja: e se Deus quiser demonstrar Sua ira? Ele não tem o direito de demonstrar Sua ira? Isso não é parte de Sua glória? Não pode colocar Sua ira em exibição? Ele é Deus. Não pode Deus fazer Seu poder conhecido em Seu julgamento, em Sua ira, em Sua condenação?

Sim, Ele pode. Mas, observe como o versículo 22 termina. Passar a usar verbos passivos. Nunca diz que Deus criou recipientes preparados para a destruição, pois isso seria a ‘dupla predestinação’, e a Bíblia não ensina isso.
Diz que “suportou com muita paciência os vasos de ira” – passivos – “preparados para a destruição”. Não que Ele os tenha preparado para a destruição.
Deus não desce com uma lista dos humanos para vir e dizer: “Ok, você vai para o céu, e você vai para o inferno; vocês três vão para o inferno, e vocês dois vão para o céu”, etc, etc.

A Bíblia não ensina isso. A Bíblia ensina que todos os homens estão marchando para o inferno. E Deus escolheu resgatar alguns e suportar os outros que se dirigiam por esse caminho.
E os que vão para o inferno, não é por causa de algo que Deus fez, não é por causa de um decreto que Deus fez individualmente para eles, mas porque continuam em seus pecados e são completamente culpados.
Deus tem todo o direito de demonstrar Sua ira, e Ele é tanto glorificado em Sua ira como Ele é em Sua misericórdia.

Os versículos 23 e 24 dizem:

A fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?.

E aqui os verbos são ativos. Ele faz os vasos da misericórdia, ele suporta aqueles que são ajustados para a destruição. Deus é ativo na redenção e passivo em reprovação.

Em Apocalipse 19 nos é dito que o Senhor Deus reina. Eu não sei se nós ainda sabemos do que estamos falando quando lemos isso.
O que isso significa? Isso quer dizer que Ele decide sobre tudo. Ele reina. Como o Altíssimo, Ele governa nos exércitos do céu e ninguém pode questioná-lo dizendo: “O que Tu estás fazendo?” Ele faz todas as coisas segundo o conselho de Sua própria vontade.

Ele é o oleiro celestial que se apodera de nossa humanidade caída e, como um pedaço de argila, nos transforma em vasos de honra. E Ele suporta aqueles que se moldaram a si mesmos em vasos de desonra.
Ele é o determinante do destino de cada pessoa e o controlador de cada detalhe da vida de cada indivíduo. Que é apenas outra maneira de dizer que Deus é Deus.
E eu vou te dizer o que é realmente repugnante para mim é uma espécie de ideia de que Deus está sendo constantemente superado por Satanás. Isso é blasfêmia.

Mas, a doutrina de eleição não é fácil de aceitar. Alguns de vocês estão sentindo um pouco de dor em sua mente agora. Essa doutrina machuca um pouco.
De fato, se eu puder fazer você se sentir um pouco melhor, já que é tão doloroso, pense que a única razão pela qual alguém acredita na eleição é porque está na Bíblia.
Ninguém a inventou. Nenhum homem, nenhum conjunto de homens, nenhum comitê chegaria a isso.
Nós nunca chegaríamos a uma doutrina do inferno eterno, porque envolve coisas que estão em conflito com os ditames da mente carnal.

Olha, eu não entendo a Trindade, mas isso não significa que não seja verdade. Não consigo compreender a Trindade. Eu não sei o que significa ser três pessoas e ainda uma.
Não consigo compreender o nascimento virginal de Cristo. Isso é incompreensível. Não consigo compreender o caráter de Cristo, sua natureza.
Há tantas coisas que não consigo entender. Há tantas coisas que são incompreensíveis para mim, mas eu creio plenamente nelas porque elas são reveladas nas Escrituras. E eu nem me importo com alguma tensão aqui.
Eu não me importo com o fato de que a Bíblia também diz: “Quem quiser”. A Bíblia também diz que Jesus chorou sobre Jerusalém e disse: ‘vocês não querem vir a mim para que tenham vida.’

Você pode dizer: ‘Bem, o que é tudo isso?’ Isso é simplesmente dizer que qualquer que quiser pode vir e quem quer que venha será recebido.
Você diz: ‘Como isso funciona junto com a eleição?’ Eu não sei. Há tantas coisas que eu não sei.

Se eu lhe fizer uma pergunta muito simples. Se eu perguntar a você: quem escreveu o livro de Romanos? O que você vai dizer? Nem sequer pode dizer isso, pode? Você vê, eu ouvi alguns falarem: “Paulo”.
E, então, você está de repente inseguro, porque você sabe que não é a resposta completa, certo? Você diz: “Bem, o Espírito Santo escreveu”.
Bem, foi Paulo ou o Espírito Santo? Foram os dois. E o que isso significa? Paulo escreveu um versículo, o Espírito Santo escreveu outro versículo? Como podemos entender isso?
Cada palavra veio da mente e coração de Paulo? Mas também, cada palavra veio do Espírito Santo. Como pode ser? Isso é incompreensível e inescrutável para mim.

Posso fazer-lhe outra pergunta, já que você se saiu tão bem nessa. Jesus era Deus ou homem? Vejo que todos responderam corretamente. Mas como você poderia ser totalmente Deus e totalmente homem?
Você não pode ser totalmente duas coisas. Como você pode ser todo homem e todo Deus? Isso está além da nossa compreensão.
Se você é totalmente homem, então você não pode ser totalmente Deus. Se você é totalmente Deus, você não pode ser plenamente homem.
Mas, Jesus era exatamente cem por cento homem e cem por cento Deus. Como podemos explicar isto?

Se eu lhe fizer outra pergunta simples. Quem vive sua vida cristã? Você tem que vivê-la todos os dias. Quem vive a sua vida cristã? Você diz: “Eu”.
Realmente. Realmente, você vive? Você diz: “Não, eu não. É Cristo quem faz isso”. Então, nós vamos culpar a Cristo pelas nossas falhas? Creio que não podemos dar a você o crédito por seus acertos, bem como não podemos culpar a Cristo pelas falhas que você comete. Logo, temos um problema de difícil solução aqui.

Sabe, existiram os pietistas, que diziam: “Vou esmurrar meu corpo, me disciplinar e vou viver minha vida cristã”.
E, então, vieram os quietistas, você sabe, como os Quakers que disseram: “deixa Deus agir.” E eles simplesmente entraram no modo passivo. A partir disso, veio o Movimento Keswick, com as ideias da ‘vida crucificada’. Mas, a pergunta continua: quem está vivendo sua vida cristã?

Você pode responder que se houver algo errado, é você quem está vivendo, mas se se tratar de acerto, é Cristo. E eles dizem que é um mistério que é inconcebível. Sobre isto, o apóstolo Paulo escreveu: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20).
Veja, ele não sabia. John Murray disse há muitos anos que, em cada grande doutrina da Bíblia, há um aparente paradoxo. Há um paradoxo não resolvido que é transcendente. E isso significa que Deus é Deus e o fato de existirem esses paradoxos significa que a Escritura não foi escrita por homens.

Então, porque acreditamos que Jesus é Deus, não significa que não cremos que Ele seja homem.
Por outro lado, porque cremos que Ele nasceu de uma mãe humana, não significa que não cremos que Ele nasceu de Deus.
Porque devemos perseverar em nossa fé, não significa que a segurança eterna de nossa salvação esteja sob risco, ou seja, não podemos deixar de ser filhos de Deus para nos tornar novamente filhos do diabo.
Porque a Bíblia foi escrita por autores humanos não significa que não cremos que ela foi escrita pelo Espírito Santo.

Porque temos de nos disciplinar para viver a vida cristã, não significa que não cremos que a vida cristã é Cristo em nós.
E porque acreditamos na doutrina da eleição, não significa que não acreditamos na responsabilidade humana.
Estes são paradoxos aparentes, que não podemos resolver. Mas, o perigo é, no afã de querer explicar tudo isso, acabar destruindo a verdade e criando um meio-termo racionalista. Isso é perigoso.

Assim, o ensinamento inconfundível da Escritura é a doutrina da eleição. Pedro diz:

Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (I Pedro 1:1-2).

Mas, os que negam a doutrina da eleição, argumentam que tudo acontece de acordo com a presciência de Deus, sob o ângulo de que Deus sabe tudo que vai acontecer com você.
Então, eles creem que, desde a eternidade, Deus já sabia tudo a respeito de você. Ele sabia que você ouviria e creria no Evangelho e, por causa disso, escolheu você. Você acha isso estranho? Mas, isso é o que a maioria da igreja moderna acredita e ensina.

Então, para eles Deus atua no campo da previsão neste assunto da eleição, Ele sabe o que as pessoas farão. Agora, o problema com isso é: como esses pecadores mortos vão ressuscitar e fazer isso sem ajuda de Deus?
Você responde a essa pergunta? Como os que são totalmente depravados, totalmente cegos, totalmente mortos vão chegar ao lugar onde tomam a decisão pela salvação? Como eles vão fazer isso?
Se Deus apenas olha para baixo e vê quem vai tomar a decisão, então Sua eleição não é baseada em Seu próprio livre arbítrio mas baseado nos méritos do homem, certo? Os bons iriam O escolher e, então, Deus os escolheria.

Isso não tem nada a ver com todos aqueles versículos que lemos, absolutamente nada a ver com eles. E, a propósito, a Bíblia diz: “Somos escolhidos de acordo com a presciência de Deus”.
Volte para I Pedro 1:18-20,que diz:

Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós.

Oh, nós temos um problema. Se a presciência significa que Deus olha para frente e vê o que vai acontecer, então ser conhecido antecipadamente deve significar a mesma coisa, certo?
Então, isso significaria que Deus olhou para a história e disse: “Oh, olhe isso. Cristo vai dar a sua vida. Bem, se Ele vai fazer isso, Eu vou fazer Dele o Salvador”.
Quero dizer, obviamente, a presciência não pode significar isso, porque Jesus disse que Ele não veio para fazer a Sua própria vontade, mas a vontade de Seu Pai. É por isso que Ele é chamado Cristo, o ‘eleito’.

Você diz: “Bem, o que presciência significa?” É uma escolha predeterminada. Cristo foi conhecido. Ou seja, Ele era conhecido por Deus no sentido íntimo como o Salvador, o Redentor, antes da fundação do mundo.
Em Amós 3:2, Deus diz a Israel: “De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido”. Não que os judeus fossem as únicas pessoas que Deus conheceu. Conhecimento aqui revela intimidade, a mesma palavra em Gênesis 4:1, que diz: “Conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu”.
Também em João 10:38, temos a mesma aplicação: “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”.

O que você tem aqui na presciência é uma intimidade predeterminada. Assim como o Pai tinha um relacionamento predeterminado com o Filho, que o traria como sacrifício pelo pecado, para derramar seu precioso sangue, como um cordeiro imaculado, assim também o Pai tinha uma relação predeterminada com aqueles que Ele escolheu. O conhecimento prévio é uma escolha deliberada.

Uma outra passagem sela esse caso. Atos 2:22-23, onde Pedro diz:

Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos.

Eles pensaram que haviam crucificado Jesus, eles pensaram que tudo foi resultado do plano deles. Mas, não foi nada do que pensavam. Jesus foi entregue pelo plano predeterminado e pela presciência de Deus e foi crucificado por homens sem Deus.
Somos culpados? Sim. Mas Deus tinha predeterminado que seria feito. Estava estabelecido em Seu plano predeterminado. Isso é predeterminar, antecipar, não é simplesmente ter informações sobre o que vai acontecer, mas predeterminá-lo. Então, entendemos que a Bíblia é muito clara sobre a doutrina da eleição.

Isso levanta a pergunta: por que Deus fez isso? E essa pergunta vai ser respondida na próxima vez, no que eu acredito ser a mais convincente, a mais poderosa, a mais abrangente compreensão da redenção que é possível saber.
Creio que sairemos daqui com mente e alma satisfeitas, com uma alegria maior em sua salvação do que você já conheceu. Mas vamos guardar isso para a próxima vez. Vamos orar.

Pai, estamos emocionados com esta gloriosa verdade, emocionados, atordoados realmente que Tu nos escolheste e fazemos a pergunta: por que nós? Por que nós? Nós te agradecemos, ó Deus, pela Tua salvação graciosa e agradecemos-Te que essa salvação, embora não a possamos compreender, está aberta a quem olha para Cristo e crê Nele. Quem quiser virá. Harmonizar isso com Tua eleição soberana é para o Senhor entender, e não para nós.

Mas nós sabemos que Jesus chora sobre aqueles que não virão. Por aqueles que não abraçaram a Cristo, pedimos que Tu despertes suas almas mortas, dês vista a seus olhos cegos, que eles possam ver a Cristo irresistivelmente diante deles e possam correr para Ele e para a salvação. Oramos em Teu nome. Amém.


Esta é uma série de 10 sermões sobre a doutrina da graça, conforme links abaixo.

01. A Perseverança dos Santos – Parte 1
02. A Perseverança dos Santos – Parte 2
03. A Perseverança dos Santos – Parte 3
04. A doutrina da eleição – Parte 1
05. A doutrina da eleição – Parte 2
06. A doutrina da eleição – Parte 3
07. A doutrina da incapacidade absoluta
08. A doutrina da Expiação Eficaz, Parte 1
09. A doutrina da Expiação Eficaz, Parte 2
10. O chamado eficaz de Deus


Este texto é uma síntese do sermão “The Doctrine of Election, Part 1″, de John MacArthur em 19/09/2004.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/90-273/the-doctrine-of-election-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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