O chamado de João

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Este texto é parte de uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos. Veja os links dos demais textos no fim desta página.

Vamos abrir nossas Bíblias novamente no capítulo 6 de Lucas. Nos versos 12 a 16 chegamos a uma seção em que Lucas nos apresenta aos doze apóstolos. O versículo 12 nos diz que Jesus foi para a montanha orar, passou a noite inteira em oração a Deus, discernindo, certamente, a partir daquela oração, o que Deus queria, em termos dos doze, ou quem eram.

Veio no dia seguinte, chamou Seus discípulos a Ele, todos eles. Haveria, talvez, várias centenas deles. E, dentre esses discípulos, escolheu doze deles, a quem Ele também nomeou como apóstolos. Jesus tinha muitos aprendizes (discípulos). Ele escolheu doze para serem os pregadores, os operários com sinais e milagres para autenticar o Evangelho que pregariam.

Eram os apóstolos. São nomeados: Simão (ao qual chamou de Pedro), André, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou o traidor. Não podemos simplesmente passar por esses nomes, porque eles não são apenas nomes. São pessoas, não apenas pessoas, mas apóstolos, com um chamado único.

No capítulo 9, descobriremos que eles têm a habilidade de expulsar demônios e fazer milagres e curas. Sabemos, então, que eles tinham um ministério muito singular de pregar o Evangelho e autenticar a validade desse Evangelho por meio de milagres, sinais e maravilhas, como Paulo diz. Sabemos também que eles governarão as doze tribos de Israel, no Reino Milenar. E, quando chegarmos ao céu, encontraremos seus nomes nas doze pedras de fundação sob as doze portas que dão entrada à Nova Jerusalém, a capital do céu.

Eles foram homens únicos, chamados pelo Senhor para continuar o ministério depois que Ele fosse embora, a fim de estabelecer a igreja no mundo, escrever e supervisionar os escritos do Novo Testamento. A parte notável sobre isso é que eles eram muito comuns. Nenhum deles estava entre a elite religiosa, nenhum deles estava entre a nobreza.

O único, aparentemente, que tinha algum dinheiro era um cobrador de impostos, que o havia ganho através de corrupção. Os coletores de impostos eram judeus, como você se lembra, que compraram franquias fiscais dos romanos, o exército de ocupação odiado pelos judeus. Eram, portanto, traidores de seu próprio povo.

Extorquiram-lhes impostos por meio de intimidação e eram auxiliados por criminosos, vigaristas e bandidos que extorquiam o dinheiro das mãos de seu povo, que o dava muito relutantemente. Eles eram os mais odiados e desprezados de todos os judeus. Mateus era um deles, antes de ser salvo.

Nenhum dos apóstolos foi escolhido dentre os sacerdotes. Nenhum deles foi chamado dentre os escribas. Nenhum deles foi nomeado dentre os saduceus, fariseus, da nobreza religiosa, da elite religiosa. Nenhum dos que conhecemos tinha algo a ver com Jerusalém, que era o centro da religião. O único que não era galileu era Judas Iscariotes, o traidor, que era da cidade de Kerioth.

E, assim, eles eram os mais comuns dos homens comuns. Vindos da Galileia, os líderes de Israel os teriam desprezado por serem povo comum, a ralé. Mas, o Senhor geralmente escolhe o comum, como disse Paulo: “Não muitos nobres, nem muitos poderosos…”. Ele escolheu o básico, o comum, os fracos e os insignificantes, a fim de que, no final, toda a glória seja apenas Dele, do Senhor.

A única explicação para a existência da igreja no mundo, e do poder do Evangelho através da história humana é o poder de Deus, não o poder desses homens. Nas palavras do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 4:7, “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.”

E o que ele estava dizendo era: temos este Evangelho glorioso, que é a glória de Deus que brilha no rosto de Jesus Cristo, este Evangelho incrível, e nós temos este tesouro em vasos de barro. Na melhor das hipóteses, Paulo disse, nós não passamos de potes de barro. Escrevendo a Timóteo, Paulo também falou de vasos para desonra. Naquele tempo, em uma casa eles tinham utensílios que eram usados para funções honrosas, como servir comida. E havia utensílios em uma casa usados para funções desonrosas, como para tirar o lixo da família.

Os potes de argila eram usados para os usos mais comuns, mais baixos. Eles eram substituíveis, eram quebradiços, eram feios, eram usados para as coisas indizíveis na casa e Paulo diz que somos, na melhor das hipóteses, vasos de barro e que a excelência não pode ser de nós mesmos, mas de Deus. Mas Deus, em Seu maravilhoso poder e sabedoria, pode tomar um pote de barro e ajustá-lo para o uso do Mestre, como Paulo disse em 2 Timóteo 2:21.

E, então, vamos agora entrar na fase de montagem destes doze vasos de barro. Um deles rejeitado, Judas, substituído por um homem chamado Matias. E outro foi acrescentado mais tarde, o apóstolo Paulo. Os vasos de barro são aqui introduzidos para nós e eles nos lembram que Deus usa homens comuns para fazer obras incomuns.

Ele usa homens comuns, que não possuem capacidades eternas, que não têm capacidade para fazer algo que dure para sempre, e os transforma naqueles que são capazes de fazer o que é eterno. Em nossa própria carne humana, tudo o que fazemos perece. Tudo o que fazemos é temporal. Mas, quando o Senhor se apodera de nós, o que fazemos pode tornar-se eterno.

E assim, temos essa reunião de homens comuns com um chamado incomum. Já vimos Pedro, o notável, inesquecível Pedro, o líder, o que em Mateus 10:2 foi chamado prtos, o primeiro, o principal, o chefe, sempre o líder, sempre na parte superior das quatro listas dos apóstolos fornecidas por Mateus, Marcos e Lucas. Pedro é o porta-voz, falando não apenas por si mesmo, mas pelos outros muitas vezes. Era o mais falador de todos, o mais evidente, o mais extravagante, o líder.

Vimos também que seu irmão, André, era o oposto de Pedro. Era o homem dos bastidores, quieto. André era o missionário que sempre trazia pessoas a Jesus. Era modesto, manso, não assertivo. Em seguida, vimos Tiago (irmão de João), filho do trovão, corajoso, ambicioso, zeloso, apaixonado.

Agora, nos encontraremos com João, o irmão de Tiago. Ele é familiar para nós, por causa do Evangelho de João, das três epístolas e porque ele é o destinatário do Apocalipse, que termina o Novo Testamento. João nos deixou muita revelação. Ele nos deu a história de Jesus em seu Evangelho.
Ele nos deu três epístolas em que o Espírito Santo o inspirou a escrever sobre assuntos importantes para a igreja. E ele nos deu as visões de Cristo que dominam o Apocalipse.

Nós podemos conhecer muito sobre João a partir de como ele visualiza os fatos descritos em seu Evangelho, de como ele visualiza a igreja em suas epístolas, e a partir de como ele vê as revelações que recebeu, as visões de Cristo. E, assim, João é bem conhecido por nós.

Ele também foi parte do círculo interno formado por Pedro e Tiago, sendo estes os mais íntimos dos seguidores de Cristo. André foi sempre uma parte do grupo um. Cada lista dos apóstolos contém três grupos de quatro pessoas. Eles são mencionados sempre no mesmo grupo. O primeiro grupo era o mais íntimo de Jesus.
Os outros três grupos têm intimidade decrescente com Jesus, embora fossem relacionados a Ele e tinham todos sua importância. Mas, sem dúvida, o grupo um era o mais achegado e, dentro dele, havia o círculo mais íntimo, formado por Pedro, Tiago e João. E, provavelmente, João seria o apóstolo mais próximo a Pedro.

Então, João ocupa uma grande parte do Novo Testamento, por seus escritos, e uma parte importante dos Evangelhos, por sua presença, e junto com Pedro, como um companheiro nos primeiros doze capítulos de Atos.

Na semana passada, quando falamos sobre André e Tiago, falei que tudo o que eu poderia fazer era lhes dar uma silhueta, porque nós não temos muito registro sobre André e Tiago. Mas, nesta manhã podemos ter um retrato mais vívido de João.

Agora, João, sabemos, é irmão de Tiago. No capítulo 5, versículo 10 Lucas esclarece que Tiago e João eram filhos de Zebedeu, o que os torna irmãos. E eles foram parceiros de Simão Pedro. Logo, temos duas duplas de irmãos: Pedro e André, Tiago e João. E todos eles eram parceiros em um negócio de pesca. Eles vieram da mesma região. Eles viveram na mesma área. Eles trabalharam juntos todos os dias. Eles foram amigos íntimos e parceiros de negócios.

Se você tiver duas expressões em mente, você tem um quadro para entender quem era João. E, essas duas expressões podem ser resumidas em: revelação cristã e vocabulário cristão. Assim, João é caracterizado pela verdade e pelo amor. Essas duas realidades espirituais, que são tão fundamentais para o reino de Deus, que são insubstituíveis, essenciais, e, na verdade, inseparáveis entre si, são as características de João.

Se você quiser descrever João, pode descrevê-lo como um homem de verdade e de amor, que é a mais desejável combinação possível. Se você puder desejar algo que ateste sua santificação, deseje verdade e amor. Se você puder perseguir quaisquer virtudes, persiga verdade e amor. É o equilíbrio espiritual perfeito, a mistura de verdade e amor. Conheça a verdade e a sustente com amor.

Deixe- me ilustrar isso com uma passagem do apóstolo Paulo no quarto capítulo de Efésios. Neste capítulo, Paulo nos dá uma magnífica visão do design de Deus para a igreja, tanto quanto ao seu ministério, como a sua meta. O ministério da igreja é tratado a partir do verso 11 de Efésios 4. O Senhor deu à igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Assim, o Senhor fornece homens dotados à Sua igreja, homens que Ele redimiu. Eles são aqueles que possuem a liderança na igreja e sua responsabilidade é, verso 12, o equipamento dos santos para a obra do ministério.

Assim, o Senhor dá à igreja líderes para equipar os santos, equipar os santos com vistas à construção do corpo de Cristo. Isto é edificação, santificação . Este é o processo de amadurecimento. Este é o crescimento espiritual. E o objetivo disso, no versículo 13, é atingir a unidade da fé.

Todos nós estamos sendo dirigidos, direcionados para um mesmo lugar. A fé nos direciona para um mesmo fim. É o conhecimento do Filho de Deus que produz um homem maduro à medida da estatura que pertence à plenitude de Cristo.

Sem usar totalmente toda essa linguagem, deixem-me dizer, o ponto é este: o Senhor deu à igreja mestres, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, com o propósito de edificar os santos, com o objetivo de que sua edificação ou seu amadurecimento os leve à medida da estatura que pertence à plenitude de Cristo. O objetivo da santificação, o objetivo de todo o ministério, o objetivo da igreja, o objetivo do crescimento espiritual, então, é a semelhança de Cristo.

Tudo o que o Senhor está fazendo na igreja, através dos homens aos quais foram dados ministérios, tudo o que Seu Espírito está trabalhando no processo de santificação, no desenvolvimento espiritual, é para nos levar a sermos maduros. E a maturidade é definida em Cristo, é fazer-nos como Cristo, de modo que, versículo 14, nós não sejamos mais meninos atirados aqui e ali pelas ondas e levados por todos os ventos da doutrina, pela astúcia dos homens e intrigas fraudulentas.

As crianças são vulneráveis. Elas são uma boa metáfora para ilustrar pessoas espiritualmente imaturas. O Senhor está nos levando a um lugar onde já não faltará discernimento, onde não mais faltará discrição, nem discriminação, nem sabedoria, nem entendimento. Mas, antes, passaremos da vulnerabilidade da infância para a sabedoria da maturidade.

Chegaremos a este ponto da medida da estatura da plenitude de Cristo falando a verdade em amor. Devemos crescer em todos os aspectos naquele que é a cabeça, Cristo. O que significa ser espiritualmente maduro? Significa falar a verdade em amor. É para lá que vamos, pessoal. Nós estamos indo em nosso progresso espiritual a um ponto onde nós conhecemos a verdade, mas nós a falamos com amor, onde há esse equilíbrio entre esses dois pináculos da virtude cristã.

Pode parecer fácil chegar a este ponto de maturidade, mas, na verdade, leva uma vida inteira. E é preciso um constante exame de si mesmo e a constante e poderosa obra do Espírito de Deus e a obra da Palavra na vida do cristão, para que seja produzido esse equilíbrio. Significa conhecer a sã doutrina, mas significa também produzir o fruto do Espírito, que é o amor.

É um equilíbrio indescritível essa maturidade espiritual, mas é a semelhança de Cristo. Cristo é a perfeita expressão da verdade e a expressão perfeita do amor. Ele é o modelo. Este equilíbrio pertence àqueles que conhecem a sã doutrina e àqueles que andam no Espírito e manifestam o fruto do Espírito, que é o amor.

Esse equilíbrio, aliás, é, como eu disse, muito difícil de encontrar. Em primeiro lugar, há pessoas na igreja, a maioria delas, eu diria, que nem sequer compreendem qual é a prioridade, qual é a meta. Tudo, em última instância, deve ser definido em nossas vidas pela meta. Para onde estamos indo? Estamos indo para a semelhança de Cristo. E o que é isso? Significa chegar ao ponto onde falamos a verdade em amor, onde tudo o que sai da nossa boca é uma representação correta da revelação divina falada em amor. É para lá que estamos indo.

Cristo só falou a verdade e somente a verdade. Ele disse: “Eu só falo o que o Pai me mostra para falar.” Ele nunca falou uma palavra que não fosse um reflexo preciso da mente de Deus. E Ele falou em amor. Ninguém pôde questionar o amor de Cristo demonstrado não somente pelo Seu choro sobre as mesmas pessoas que Deus julgaria, mas também demonstrado por Sua disposição de ir à cruz e entregar Sua própria vida por aqueles a quem Ele amou. Este é o equilíbrio.

Há muitas pessoas hoje que não possuem esse equilíbrio, pois sua balança é mais pesada no lado do amor. Eles são ignorantes quanto à verdade, muitas vezes. Eles estão enganados, a verdade está faltando. E o que lhes resta é um erro ou superficialidade revestidos de um sentimentalismo tolerante. Isso é um substituto pobre para o amor genuíno.

Por outro lado, há os ortodoxos que têm todos os seus argumentos teológicos em uma linha e que conhecem a doutrina, mas não são amorosos e são auto exaltados. A verdade para eles são fatos frios, sufocantes e desinteressantes.

Manifestar juntamente a verdade e o amor só é possível ao crente maduro, aquele que cresceu na medida da estatura que pertence à plenitude de Cristo. E a única maneira de definir a maturidade espiritual é com a coexistência dessas duas virtudes: conhecer a verdade e proclamá-la em amor. Conhecer a verdade como Deus a revelou e amar como Cristo ama.

E essa é a estrutura que define João. Se você está procurando um exemplo de um cristão maduro, João lhe servirá muito bem. Cristo é a perfeição disso. João é o exemplo humano disso. E parece-me que há sempre, como lemos na história, uma luta em cada era da igreja para se alcançar este equilíbrio.

Eu estava lendo ontem para minha esposa uma seção de um livro que eu escrevi alguns anos atrás chamado ‘O Amor de Deus’. Há uma seção pequena interessante neste livro sobre D.L. Moody, que foi um pregador ardente do fogo do inferno e dano eterno. E, de algum modo, apareceu na igreja onde Moody estava em Chicago um inglesinho chamado Harry.

Moody relata o fato de que quando Harry pregou sobre João 3:16, “Porque Deus amou o mundo”, foi a primeira vez que Moody havia entendido o amor de Deus. E ele estava tão tomado pelo que este homem disse que ele anunciou ao povo que estaria pregando sobre o mesmo assunto todas as noites naquela semana. ‘Traga seus amigos!’ Foi uma nova descoberta. E assim, este pequeno inglês pregou sobre o mesmo texto todas as noites durante uma semana. Moody, no final da semana, confessou que pela primeira vez em sua vida tinha entendido o amor de Deus.

Isso pode ser dito com relação a quase todas as épocas da igreja. É certamente verdade hoje. Há uma luta real para encontrar o equilíbrio entre verdade e amor. Houve um tempo em que os pregadores estavam apenas atirando o fogo do inferno, da ira, da perdição e eles precisavam de uma dose de equilíbrio de amor. Hoje, porém, parece que vivemos num tempo em que tudo é amor, amor, amor e quem se importa com a verdade?

De uma forma ou de outra, poderíamos prever que o inimigo atacaria esse equilíbrio, porque este é o objetivo da verdadeira maturidade espiritual. O ensino superficial abunda. A tolerância para com o erro abunda. O mesmo acontece com a ortodoxia fria. Sentimento e superficialidade de um lado, e indiferença orgulhosa do outro. Mas, a mistura crítica dessas duas virtudes – verdade e amor – é visível neste amado apóstolo, João.

Agora, vamos ver que tipo de retrato podemos pintar de João. Mas vamos ter um olhar geral sobre João. Por causa do tratamento que dá a si mesmo, por causa do modo como ele se refere a si mesmo em seu Evangelho, tendemos a pensar em João, e com razão, como um homem humilde. Ele se tornou um homem humilde. Mas, ele não começou desse jeito.

Na arte medieval ele é retratado como um tipo manso, suave, voraz, de pele pálida, cinza e afeminado. Você sabe, ele aparece frequentemente apoiado no ombro de Jesus olhando para cima com um olhar vazio, do tipo passivo. Mas, isso nem sequer chega perto de quem era João.

João se tornou, em certa medida, humilde. João respondeu ao ministério de formação que Jesus aplicou em sua vida e aprendeu a amar. Mas, ele não começou desse jeito. Ele começou, junto com seu irmão Tiago, como um ‘filho do trovão’. Em Marcos 3:17 foi Jesus quem os chamou Boanerges, que significa filhos do trovão.

João era volátil, impetuoso, agressivo, apaixonado, zeloso. João era pessoalmente ambicioso. Quando Tiago queria clamar fogo do céu para queimar os samaritanos, João ecoava. Havia André, você sabe, que estava silenciosamente trazendo pessoas para Jesus, mas Tiago e João estavam sugerindo a Deus que queimasse todos os incrédulos.

E quando a mãe, a esposa de Zebedeu, veio a Jesus e disse: “Quero meus meninos à Tua direita e à esquerda”, não era só Tiago que estava lá, era João também. João era ambicioso. Ele queria proeminência. Acredite em mim, João também estava entre os apóstolos quando todos eles argumentavam sobre quem iria ser o maior no reino.

Curiosamente, se você estuda Mateus, Marcos e Lucas, você sempre vê João com Jesus, Pedro e Tiago. Só uma vez, nos três Evangelhos, João aparece e fala sozinho. Vamos para Marcos, capítulo 9. Aqui temos João sem Tiago, sem Pedro, este é, puramente, João.
Este é o único relance singular de João em um dos Evangelhos sinóticos. Os três primeiros Evangelhos são chamados de sinóticos, porque eles dão uma sinopse, síntese, da vida de Cristo, enquanto que o Evangelho de João lida mais com Sua divindade, que é expressa através do relato de uma série de milagres e declarações auto-proclamadas de Sua própria identidade.

Mas, em Marcos 9, temos esta foto de João. O resto das informações sobre João temos que construir a partir de seu Evangelho, de suas epístolas e do livro de Apocalipse. Porém, aqui em Marcos está uma narrativa histórica sobre João. Agora, vamos ao início de Marcos 9 para que possamos tirar a foto. Jesus faz a incrível declaração de que alguns dos que estavam ali de pé não provariam a morte até que vissem o reino de Deus. Esta é uma declaração incrível.

Bem, o Reino Milenar ainda não chegou. Então, do que Ele estava falando? Jesus estava falando sobre prévias, amostras daquilo que ainda acontecerá no Reino. É disso Ele estava falando. Tratava-se de um antegozo da glória divina, que aconteceu imediatamente depois disso, seis dias depois, versículo 2. Seis dias depois de ter feito aquela declaração, Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, o círculo íntimo, para uma montanha alta e lá Ele foi transfigurado diante deles.

O que aconteceu lá foi que Ele levantou o véu de Sua carne humana e a glória de Shekinah, a própria essência da natureza do Deus Eterno, estava brilhando. O registro de Mateus 17 diz que isto foi tão chocante, que os discípulos ficaram literalmente aterrorizados, em coma. Eles caíram como pessoas mortas. Isso é algo que eles nunca tinham experimentado. Essa era uma experiência transcendental, como nunca tinham imaginado.

As vestes do Salvador se tornaram radiantes, extremamente brancas, como nenhum lavador na terra poderia branqueá-las. Não há qualquer produto que pudesse deixá-las tão brancas. Eram brilhantes como a luz. E, então, Elias apareceu junto com Moisés, num tipo de manifestação glorificada.

Eles ficaram aterrorizados, diz o versículo 6, era uma experiência aterrorizante. Uma nuvem se formou sobre eles, veio uma voz, a voz do Pai: “Este é o Meu Filho amado, ouça-O”. E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, senão Jesus. Pedro, Tiago e João experimentaram um privilégio único.

Porém, veio a parte difícil, versículo 9: “E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos.” Isso é difícil de fazer, quero dizer, você acabou de ver a coisa mais incrível que poderia ser vista por qualquer pessoa e você não pode contar a ninguém sobre isso… Esta é uma grande restrição colocada sobre eles.

Lembre-se, os discípulos estavam sempre discutindo sobre quem seria o maior. E eu tenho certeza de que era muito, muito difícil para eles não usarem isso como munição para o seu próprio benefício, ou seja, descer a montanha e dizer ao resto do mundo: “Caras, nós temos uma vantagem sobre vocês. Onde vocês estavam quando estávamos lá na montanha? E adivinhem quem apareceu? Elias e Moisés! “.

Eles tinham muito assunto para conversar. Poderiam falar sobre Moisés, sobre Elias, sobre a glória de Deus Brilhando através do véu da carne de Jesus, sobre a ressurreição. Eles tiveram um vislumbre do Reino! Eles devem ter ficado muito animados, pois viram o que nunca poderia ser visto ou conhecido por ninguém e que ainda iria acontecer.

Vamos ver o que aconteceu, então, no versículo 33 de Marcos 9, quando eles já estavam em Cafarnaum: “…e, entrando em casa, [Jesus] perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho?” Jesus não precisava da informação, Ele só precisava da confissão, pois Ele sabia exatamente o que eles estavam falando durante a viagem.

Verso 34: “Eles ficaram em silêncio.” Por que? Porque eles estavam envergonhados, visto que “pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior.” Eu posso imaginar Pedro e João dizendo: ‘bem, quando Jesus foi transfigurado, eu estava mais perto dele do que você. Olhei em volta. Você estava a dois pés para a direita…’ Esta era a sua ambição, quero dizer, eles estavam mergulhados nessa disputa interna sobre quem seria o mais importante entre eles.
Eles estavam tão envergonhados que nem sequer disseram nada. O Senhor teve muito trabalho para tratar isso neles.

E, sentando-se, Ele chamou os doze e lhes disse: ‘vocês têm que aprender uma coisa, camaradas’, “se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.” (v. 35). Então, pegou uma criança e Ele a colocou diante deles, tomando-a em seus braços, e disse, “Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou.”

Em vez de discutirem e lutarem uns com os outros, em vez de se colocarem uns contra os outros, em vez de rejeitarem uns aos outros, por que vocês não aprendem a receber uns aos outros como a uma criança? É o que Eu espero de vocês, porque quando vocês recebem uns aos outros, vocês Me recebem, pois eu vivo nessa pessoa.
Em vez de lutar uns contra os outros, em vez dos conflitos uns com os outros, vocês precisam abraçar uns aos outros, como se estivessem Me abraçando. E em vez de desejarem ser o primeiro, vocês precisam assumir o papel de último.

E isto corta no coração. Esta foi uma repreensão séria.

Particularmente, João entendeu a mensagem. E aqui temos a única vez em que João fala nesses três primeiros Evangelhos. Versículo 38: “E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue.” Agora temos uma percepção de João. Penso que João falou, porque ele sabia que tinha errado, sentiu-se condenado. Acho que ele sentiu a picada desta repreensão.

Isso é sectarismo: ‘ele não pertencia ao nosso grupo’. Esta é a intolerância de João. Este é o filho do trovão. Aqui é Boanerges. Esse é o sectarismo, a estreiteza, a ambição, o desejo de ter tudo para si e não compartilhá-lo com ninguém, especialmente alguém fora do grupo. Este era João. Mas, algo está mudando nele, porque agora João começa a ver isso como algo indesejável, e esta é a sua confissão.

João está dizendo em resposta ao que Jesus disse: ‘Mestre, vimos esse cara expulsando demônios em Teu nome e tentamos detê-lo’. Esse era o velho João. ‘Pare, você não está no nosso grupo!’ João não era passivo. Ele era agressivo e competitivo. Ele estava condenando um homem que estava tentando ministrar em nome de Jesus. Não sabemos nada sobre a natureza desse ministério, mas pelo menos ele estava tentando expulsar demônios em nome de Jesus e eles o tinham proibido.

E João está dizendo: “Eu confesso, nós fizemos isso.” Porque ele agora está começando a sentir que isso está errado, por causa do que Jesus tinha acabado de dizer. Jesus está os enfrentando e dizendo: ‘vocês têm que se livrar deste espírito sectário e estreito’.
E João é o que verbaliza. O fato de ele estar fazendo a confissão é indicativo da transformação. Sua consciência o incomoda. Ele está sendo amolecido. Ele sempre foi forte pela verdade, ele sempre foi zeloso e apaixonado, mas o Senhor tem lhe ensinado o amor. E, aqui, nós vemos o João do passado e o João que começando a mudar.

Então João, o único que fala, confessa sua estreiteza, confessa seu sectarismo, confessa seu preconceito. E você pode estar pensando: “por que um homem assim seria escolhido para ser apóstolo, mesmo sendo apaixonado, zeloso, bombástico, volátil, uma pessoa explosiva como João, Tiago ou Pedro?” Porque homens assim, após serem redimidos e moldados, tornam-se úteis a Deus. Esse tipo de coragem e força pertence à história da igreja cristã, não é?

Você volta ao passado e vê que a força daqueles homens, a infatigabilidade deles, sua implacabilidade, coragem, ousadia escreveram a história da igreja. E, é claro, eles selaram com seu sangue, sendo intransigentes, fiéis até a morte. O Senhor precisa de homens de grande coragem, grande ambição pelo Evangelho, grande impulso, grande paixão, grande zelo, grande ousadia. E João tinha esse potencial de ser o tipo de homem que o Senhor precisava. Ele tinha o potencial de ser a mistura de verdade e amor que Deus queria.

E eu penso que em Marcos 9 você começa a ver uma repreensão crítica que começou a mover João para ser um homem de amor. Sua força foi moldada pelo Senhor em uma estreita, intransigente e intolerante devoção à verdade divina. Você vê isso em seus escritos.
João, de todos os escritores do Novo Testamento, na verdade de todos os escritores na Bíblia, realmente, é o mais ‘preto no branco’. Ele é o mais absoluto. Ele é aquele que fala das certezas.
Não parece haver nenhuma área cinzenta em João. Gosto de pensar que João é preto no branco, sem exceções, e que Paulo é o ministro das exceções. Então, quando você está lendo João, lendo o Evangelho de João, as epístolas de João, você tem que ir a Paulo de vez em quando apenas para encontrar algum espaço para respirar, porque tudo é tão ‘curto e grosso’ com João.

Você lê o Evangelho de João e você está ou na luz ou na escuridão; é vida ou morte; reino de Deus ou reino do diabo; filhos de Deus ou filhos de Satanás. É o julgamento dos justos ou o julgamento dos ímpios. É a ressurreição da vida ou a ressurreição da condenação. É receber Cristo ou rejeitar Cristo. É ter frutos ou nenhum fruto. Está sendo cortado e queimado, ou dando frutos para a glória de Deus. É obediência ou desobediência. É amoroso ou não amoroso. João é absoluto.

Você entra em suas epístolas. Você lê 1 João e ele diz que se você é um crente, então você está na luz e está confessando seus pecados, está andando da maneira que Jesus andou, está amando seu irmão, está obedecendo os mandamentos e você não está amando o mundo não está continuando no pecado e está ministrando a seu irmão quando você o vê na necessidade e você está cumprindo os mandamentos, está vivendo retamente e você é puro, está amando a verdade, e assim por diante.
E você está lendo e dizendo: sim, mas não o tempo todo, João, não o tempo todo. E ele nunca lhe dá qualquer brecha. Você tem que ir para Paulo para encontrar um pouco de espaço lá.

Você leu a segunda epístola de João, onde ele pede uma separação completa e total de tudo o que é falso. Você lê sua terceira epístola e termina no versículo 11: “Aquele que faz o bem é de Deus, aquele que faz o mal não viu Deus”, apenas aquele ‘preto no branco’. Se você faz o bem, você é de Deus, se não faz, você não é. Esse é João.

Essa era a sua personalidade. Ele era o homem preto no branco, absoluto e certo. Ele falava a verdade inabalável, sem exceções. Mas, eu tenho que dizer que ele fez isso com um tom pessoal pastoral ardente. O Senhor pegou essa tendência à convicção, à estreiteza, a uma atitude intransigente e atrelou tudo isso à verdade, para que João implacavelmente aderisse à verdade absoluta de Deus.

Em algum lugar ao longo de sua caminhada, sua ambição – que fazia de João um homem corajoso, confiante, corajoso, zeloso e apaixonado – foi amadurecida. E você nunca encontra em qualquer de seus escritos a menor sugestão de orgulho, a menor sugestão de auto engrandecimento, auto-exaltação ou ambição. E o melhor, eu penso que a melhor visão disso é que em todo o seu Evangelho, vinte e um capítulos, João nunca usa seu nome, nunca. Ele teria todas as razões para fazê-lo, se quisesse, mas nunca o faria.

Ele se refere a si mesmo? Sim, mas ele sempre se refere a si mesmo em referência ao Senhor. Deixe-me mostrar rapidamente João 13:23 e isso é muito útil para entender João. Jesus tinha acabado de lavar os pés dos discípulos, é a noite que Judas irá traí-Lo e Ele será dirigido à cruz. Os discípulos estão com Jesus. Jesus diz no versículo 21: “Um de vocês me trairá”, versículo 22, “Os discípulos olham um para o outro”, eles estão perdidos para saber de quem Ele está falando, pois eles não têm ideia de que seja Judas.

E, então, o verso 23: “Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus”. Eles estavam reclinados, é claro, como era de costume, ficavam quase deitados, de modo que João estava muito perto de Jesus, não talvez literalmente O tocando, mas inclinando-se na direção de onde Jesus estava. Quem era ele? Um de Seus discípulos, a quem Jesus amava.

João nunca dá seu próprio nome. Ele nunca fala de si mesmo em referência a si mesmo. Ele fala de si mesmo em referência a Jesus. Ele está sempre honrando a Cristo. Em vez de dizer “João”, que pode trazer alguma atenção a ele, ele diz “o discípulo que Jesus ama”, dando glória a Jesus por ter amado este homem. Agora, de acordo com João 13:1 e 2, Jesus amava todos os seus apóstolos. Ele amava a todos, mas parece-me que havia uma maneira única em que João se agarrou a isso.

Ouça o que eu digo para você. Já que João foi tão crítico na articulação da verdade, a verdade do Evangelho de João, da vida de Cristo, a verdade das epístolas de João, a vida na igreja, a verdade do livro do Apocalipse, a consumação, já que ele era tão crítico com a verdade, era essencial que fosse equilibrado com o amor. E, assim, o Senhor, eu penso, assumiu João como um projeto especial e ensinou-lhe como amar.

Como você ensina um homem a amar? Amando-o do jeito que você quer que ele ame. Você aprende a amar por ser amado. E, assim, João aprendeu. Ele não era ‘o homem a quem Jesus tinha chamado’ (que teria sido bom), nem ‘o homem que Jesus tinha escolhido’, nem ‘o homem a quem Jesus tinha ensinado’, mas era ‘o homem a quem Jesus tinha amado’. Em todos os seus anos de convivência com João, Jesus o estava amando e amando. E, assim, João aprendeu a amar.

No capítulo 19, no versículo 26, eles estão em pé ao pé da cruz, João está lá e a mãe de Jesus, Maria, está lá junto com algumas outras mulheres. No versículo 26, “Quando Jesus viu Sua mãe e o discípulo a quem Ele amava…”. Aqui está João novamente referindo-se a si mesmo como ‘o discípulo a quem Jesus amava’. Acho que o que aconteceu com João foi que Jesus o amou tanto, Ele demonstrou tanto afeto, amor, cuidado, compaixão, graça, misericórdia e ternura para com João, que o levou a aprender a amar.

E, então, para mostrar-lhes que, no momento da morte de Cristo, que ocorreu cerca de dois anos após a passagem de Lucas que nós vimos, dois anos de treinamento entre o momento do chamamento de João e a morte de Jesus, João aprendeu a amar tão bem, que Jesus disse da cruz para a sua mãe: “Mulher, eis o teu filho”, e Ele estava se referindo a João. ‘Mulher, eis o teu filho, Eu sou teu filho e eu estou partindo, estou te dando um novo filho para cuidar de você.’

“Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.” (v. 27). João tinha aprendido a amar? Eu asseguro que ele aprendeu, ou Jesus não teria lhe confiado o cuidado de sua própria mãe. A Pedro, Jesus disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. E a João: “Cuida de minha mãe”. Há registros da história eclesiástica que indicam que João nunca deixou Jerusalém e nunca deixou o cuidado de Maria, até que ela morreu.

João aprendeu a amar, porque foi amado de uma maneira única. No capítulo 20, versículo 2, Maria Madalena vem ao sepulcro, corre, se dirige a Simão Pedro e ao outro ‘discípulo a quem Jesus amava’. É assim que ele se refere a si mesmo e penso que isso era um reflexo de que João tinha entendido a mensagem que estava sendo confiada a ele: ‘João, é ótimo sustentar a verdade, é ótimo ser intransigente, inabalável, estreito, implacável e intolerante com aquilo que é falso, mas você precisa equilibrar isso com o amor.’

Eu sei, eu olho para a minha própria vida, quando estava saindo do seminário, e nesse momento você está apenas carregado de verdade e realmente curto de paciência. E você quer vir fazer um estrondo na igreja. Eu vejo isso com homens jovens, mesmo hoje. Você quer vir fazer um estrondo na igreja e despejar a verdade sobre todos e obter resposta imediata. Mas, você tem que aprender a paciência, tolerância, misericórdia, graça, perdão, ternura e compaixão.

E foi o que João aprendeu. Era ótimo ter a ousadia, é ótimo ser o trovão, mas ele precisava de amor. E ele ficou espantado, penso eu, que Jesus amasse um homem que queria queimar os samaritanos, que Ele amasse um homem que buscava honra para si mesmo no Reino.

Então, quando você olha para a vida de João, você vê essas virtudes, verdade e amor. A verdade, ela vem através de tudo o que ele diz. Seu Evangelho é uma teologia, é uma cristologia. É a teologia de Cristo e do Evangelho. É a verdade divina consumada. Suas epístolas são uma afirmação da teologia da verdadeira salvação. E, claro, seu livro, o Apocalipse, é a Cristologia final. É a apresentação da glória eterna do Filho de Deus.

Ele era o teólogo consumado e sua teologia foi centrada, principalmente, em Cristo, em toda a Sua glória como Deus, como Homem, como Redentor e Rei vindouro. Ele tinha a verdade, mas também tinha amor. Ele usa a palavra “amor” mais de oitenta vezes em seus escritos.
É por isso que ele se tornou conhecido como ‘o apóstolo do amor’. Ele aprendeu a amar porque o Senhor o amava. Ele entendeu a mensagem. Ele aprendeu a amar assim como o Senhor o amava.

E em seus escritos, você pode resumir sua teologia. Ele ensinou que Deus é um Deus de amor, que Deus amou seu próprio Filho, que Deus amou os discípulos, que Ele ama a todos, que Deus é amado por Cristo, que Cristo amou os discípulos, que Cristo ama os indivíduos, que há homens que O amam, que Cristo ensinou que devemos amar uns aos outros e que o amor cumpre a lei. O amor é uma parte crítica dos ensinamentos de João. É um dos temas dominantes.

E seu amor nunca caiu num sentimentalismo tolerante disfarçado de amor. Até o fim de sua vida, ele ainda era um filho do trovão. Até o fim de sua vida, ele não perdeu nenhuma de sua intolerância por mentiras.
Foi perto do final de sua vida, nos anos 90, quando ele estava escrevendo suas epístolas, ele ainda estava trovejando a verdade. Trovões contra cristologias errantes, contra mentiras, enganos, contra o pecado, contra a imoralidade. Ele foi um filho do trovão até o fim.

Você vê, esta é uma nota importante. O Senhor sabia que o mais poderoso defensor do amor teria que ser um homem que nunca comprometeu a verdade. Caso contrário, seu amor o levaria pelo caminho do sentimentalismo e da tolerância do erro, um caminho percorrido por muitos que confessam a Cristo. Havia amor, mas nunca houve equívoco na verdade.

Ele usa a palavra “testemunha” setenta vezes. É outra palavra dominante, porque ele sempre foi o testemunho da verdade. Referiu-se ao testemunho de João Batista, ao testemunho das Escrituras, ao testemunho do Pai, ao testemunho de Cristo, ao testemunho dos milagres, ao testemunho do Espírito Santo e ao testemunho dos apóstolos, todos testemunhando a verdade .

Amante da verdade, amante de Deus e amante dos homens, não se apoiava no ombro de Jesus por causa de alguma afeição sentimental, mas porque queria ouvir toda palavra da verdade que saísse da boca de Cristo e porque queria desfrutar do amor puro que seu Senhor lhe deu. Muitos tributos foram feitos aos ensinamentos de João, quanto à sua verdade e amor. E eles são justificados.

Nos primeiros capítulos de Atos, João acrescentou seu amor e sua proclamação da verdade a Pedro, na fundação da igreja. Muitos, muitos anos depois, no final do primeiro século, quando todos os outros apóstolos estavam mortos, ele ainda estava fundando igrejas gentias na verdade e no amor. Ele era o amante ardente da verdade e amante de Deus e amante dos homens. Ele odiava o que o Senhor odiava, mas amava a quem o Senhor amava.

Ele havia se tornado o patriarca das igrejas na Ásia Menor, a Turquia moderna. Ele foi banido, Apocalipse 1: 9 diz: “Por causa da Palavra de Deus e o testemunho de Jesus.” Falar a verdade no amor era mais do que o mundo poderia suportar, e assim o baniram para uma pequena ilha chamada Patmos, no mar Egeu, ao largo da costa oeste da Turquia.

João foi parar no exílio porque ele não desistiria da verdade que pregava por amor a Deus. Dois anos depois de ter recebido o Apocalipse, por volta de 96-98 dC, durante o reinado do imperador Trajano, ele morreu, diz a tradição. Algumas tradições dizem que ele foi mais lembrado por causa de uma frase constante em seus lábios: “Meus filhinhos, amem-se uns aos outros.”

Mas, o melhor epitáfio que eu posso dar está em 2 João. E nós vamos fechar com isso. Em 2 João, vemos a vida de João em um pequeno microcosmo. Ele está escrevendo para esta igreja, versículo 4, “Muito me alegro por achar que alguns de teus filhos andam na verdade, assim como temos recebido o mandamento do Pai.” Esse é João, sempre preocupado com a verdade.

O que João está dizendo é que a verdade veio da parte de Deus até nós. E João estava alegre porque aqueles irmãos andavam nessa verdade. “E agora, senhora [referindo-se à igreja], rogo-te, não como escrevendo-te um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros.” (verso 5). João estava lhes dizendo como o fato de eles viverem a verdade o deixava feliz. Mas, ele tinha que acrescentar algo muito importante: que só a verdade não bastava. Teria que haver amor.

De que tipo de amor que estamos falando? Este é o amor: que nós andemos de acordo com Seus mandamentos. Amar é o mandamento dado desde o início pelo Senhor. Devemos continuar andando, cumprindo esse mandamento. É o amor da obediência. Se você amar a Deus, então, seja obediente. Você ama a Cristo, então, seja obediente à Sua Palavra. Ame a Deus, ame a Cristo e, em obediência à Sua Palavra, amem uns aos outros.

É bom ter a verdade, mas você não pode ter a verdade sem amor. E amar significa que você obedece a Palavra de Deus e é assim que você ama a Deus e a Cristo. Isso é o que motiva você a amar os outros. Veja o versículo 7, da Segunda Carta de João: “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo.” Agora, João volta a falar da verdade.

Não deixe que o amor se reduza a um tipo de sentimentalismo. Há enganadores em todo o lugar. Eles não reconhecem que Jesus Cristo veio em carne. Estes são enganadores e o Anticristo. Vigie para que você não perca o que já alcançou, para que venha a receber uma completa recompensa.

Como ocorre isso? Você vai se associando, andando junto, ouvindo, tendo comunhão com as pessoas que ensinam mentiras sobre Cristo, pessoas que não conhecem o verdadeiro Jesus. E você vai perder sua recompensa.

Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis.Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras (II João 1:9-11).

Resumindo, o que João está dizendo é: sou tão feliz porque vocês andam na verdade. Porém, vocês não podem separar a verdade do amor. Vocês devem amar a Deus, a Cristo por obedecer Sua Palavra. Precisam ser obedientes e amar uns aos outros. Mas, não deixem que o amor seja uma desculpa para uma tolerância ao erro. Não o transforme em sentimentalismo.

Scott Daniel McClain disse a respeito de João: “Ele morreu como um dia de verão, seu coração expandiu como o sol poente.” Nenhum homem ou a mulher é desligado do time de Cristo por causa do que eles são, mas por causa do que eles se recusam a tornar-se. Isso é encorajador.

Os pescadores da Galileia, Pedro, André, Tiago e João se tornaram pescadores de homens em grande escala, reunindo almas na igreja, fundando a igreja. Em certo sentido, eles ainda estão lançando suas redes no mar do mundo, pelo testemunho de Jesus nos Evangelhos e suas epístolas.
Eles ainda estão trazendo multidões de pessoas para Cristo. Vemos que Cristo tomou homens muito comuns, transformou-lhes em apóstolos muito raros, e Ele procura fazer um trabalho semelhante em sua vida hoje. Que privilégio! Vamos orar.

Pai, nós Te agradecemos pelo testemunho de João, cuja vida temos tão brevemente considerado.
Este homem que foi o equilíbrio perfeito entre a verdade e o amor, que foi um pai espiritual para seus filhos, mostra-nos como os pais espirituais devem ser.
Nós Te agradecemos que ele viveu até se tornar um homem idoso e seu amor floresceu e cresceu, assim como sua devoção à verdade.
Faça-nos pessoas da verdade, que falam a verdade em amor, a fim de que a verdade possa ser atraente para aqueles que precisam desesperadamente ouvi-la. Em nome do Salvador, oramos. Amém.


Esta é uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos

01. O chamado dos doze apóstolos
02. O chamado de Pedro (Parte 1)
03. O chamado de Pedro (Parte 2)
04. O chamado de Pedro (Parte 3)
05. O chamado de André e Tiago (irmão de João)
06. O chamado de João
07. O chamado de Filipe
08. O chamado de Natanael (Bartolomeu)
09. O chamado de Mateus e Tomé 
10. O Chamado de Tiago (filho de Alfeu), Simão (o zelote) e Judas Tadeu 
11. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 1
12. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 2


Este texto é uma síntese do sermão “Common Men, Uncommon Calling: John”, de John MacArthur, em 17/06/2001.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/42-76/common-men-uncommon-calling-john

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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