A parábola dos talentos – 1

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Abra sua Bíblia em Mateus 25. Começaremos hoje a olhar para uma das grandes parábolas das Escrituras, a parábola dos talentos. É uma parábola sobre a tragédia da oportunidade desperdiçada.

As Escrituras chamam todos nós para aproveitarmos ao máximo a oportunidade espiritual. Eclesiastes 11:1, diz: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”.
Nós estamos sendo lembrados para semearmos nossa semente e à noite não retirarmos nossas mãos dela, pois não sabemos qual semente irá prosperar, se esta ou aquela. Em outras palavras, vamos aproveitar melhor cada oportunidade, porque qualquer oportunidade perdida é um desperdício.

Provérbios 10:5, diz que “o que ajunta no verão é filho prudente; mas o que dorme na sega é filho que envergonha”. Ou seja, é melhor armazenar enquanto você puder, você colhe melhor enquanto houver colheita para ser colhida.
O Salmo 69:13, diz: “Faço a minha oração a ti, Senhor, num tempo aceitável”. Isaías 55:6, diz: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”.

Jeremias 8:7, diz: “Até a cegonha no céu conhece os seus tempos determinados; e a rola, a andorinha, e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece a ordenança do Senhor”.
O que Jeremias está dizendo é que os animais, os pássaros sabem onde estar, quando e como cuidar de si no tempo determinado, e isso é mais do que algumas pessoas sabem.

No Salmo 95:6-8 diz: “Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou. Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações…”.
Ou seja, hoje é a hora marcada, o tempo favorável, o tempo oportuno, o tempo privilegiado.
É o mesmo pensamento de Hebreus 3:15, que diz: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações”.

O Senhor Jesus disse: “A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai”. Mais uma vez, chamando-nos para tirar proveito da oportunidade espiritual.

Um escritor secular disse: “De todas as palavras tristes da língua, as mais tristes são estas: ‘Poderia ter sido’”. Ou seja, oportunidade perdida.
Esse é o tema da parábola em nosso texto. Vamos olhar para ele e você verá a mensagem.

14 Porque [O reino dos Céus] é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens:
15 a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem.
16 O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles, e ganhou outros cinco;
17 da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois;
18 mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Ora, depois de muito tempo veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.
20 Então chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.
21 Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22 Chegando também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei.
23 Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste;
25 e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu.
26 Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não espalhei?
27 Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros.
28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos.
29 Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.
30 E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.

O assunto desta parábola é a tragédia da oportunidade desperdiçada. Desde o capítulo 24 de Mateus o Senhor esteve respondendo as perguntas dos discípulos sobre sua volta. Por cinco vezes Ele disse: “Ninguém sabe o dia e nem a hora” (Mateus 24:36,42,44,50 e 25:13).
Ele deu alguns sinais do período de Sua volta, mas foi enfático: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai” (24:36).
Ele deixou um alerta: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mateus 24:42). Sua volta será um acontecimento súbito, surpreendente e inesperado. Devemos estar sempre prontos para isto.

Ele falou sobre isto na parábola das virgens (Mateus 25:1 a 12) e, em sequência, na parábola dos talentos.
A parábola das dez virgens falava de prontidão, a ênfase estava na espera. Ele a encerrou dizendo: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” (Mateus 25:13).
A parábola dos talentos não é uma ênfase na espera, mas no trabalho. Ou seja, enquanto estamos esperando o Senhor voltar, devemos estar servindo.
Essas duas parábolas nos fornecem um equilíbrio magistral de vida em relação à segunda vinda de Cristo. Devemos estar esperando e trabalhando, servindo. Não podemos perder este importante equilíbrio.

Na segunda carta aos Tessalonicenses, Paulo exorta alguns que não queriam mais trabalhar por considerar iminente a volta de Cristo.
Ele os repreende a trabalharem e não se cansarem de fazer o bem (2:12-13), mantendo seus corações no amor de Deus e na paciência de Cristo (2:5). É sobre este equilíbrio que Jesus trata na parábola dos talentos.

O equilíbrio da vida cristã pode ser visto pelas virgens que tinham óleo em suas lâmpadas (parábola das virgens).
Elas tinham a graça necessária em suas almas. O óleo representa uma natureza e vida transformadas, uma alma redimida.
E a parábola dos talentos ilustra o fato de que os verdadeiros crentes manifestam essa graça necessária em uma vida de serviço.
Por um lado, você tem a graça salvadora, do outro, você tem o produto dessa graça que se manifesta em serviço. Este é o equilíbrio no cristianismo. A verdadeira fé é aquela que produz frutos. A fé sem as obras é morta (Tiago 2:26).

A mensagem da parábola dos talentos é sobre não desperdiçar as oportunidades. Estamos em um período de tempo de espera para a vinda do Senhor, mas não é um tempo de ficar apenas esperando, é um tempo para aproveitar oportunidades, de produção de frutos.
Quatro aspectos que vamos analisar nesta parábola: a responsabilidade que recebemos, a reação que temos, o acerto de contas que enfrentaremos e a recompensa que ganharemos.

A Responsabilidade que recebemos

Veja Mateus 25:14, que diz: “Porque [o Reino dos Céus] isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens”.
Podemos inserir “Reino dos Céus” no verso 14, porque Jesus está falando do mesmo assunto que Ele começou no verso 1.
O Reino dos Céus é a esfera onde Deus governa pela graça e salvação através de Cristo. O Reino é a esfera do domínio de Deus em Cristo. Seu governo, a sua área.

Às vezes o termo “Reino dos Céus” é usado para identificar o exclusivo, interno, invisível e genuíno conjunto das pessoas redimidas.
Vemos isto, por exemplo, em Mateus 18:3, onde Jesus diz: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”.
Ou seja, Jesus diz que somente os verdadeiramente convertidos podem entrar no Reino dos Céus. Ele está se referindo ao Reino dos céus em seu sentido puro, invisível, interno e genuíno. Nós não podemos ver quem está no Reino dos Céus. Nós não podemos ver o coração dos homens.

Mas, por outro lado, às vezes, o Reino dos Céus também é usado para se referir ao reino visível, exterior, composto de pessoas que se identificam com Cristo, alguns são verdadeiros e outros são falsos.
Vemos isto, por exemplo, na parábola das dez virgens (Mateus 25:1-13). Na parábola do joio e do trigo, em Mateus 13, Jesus concluiu dizendo:

Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (v.41-43).

Em seguida, nos versos 47 a 50 de Mateus 13, Jesus diz:

Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora.
Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Não fique chocado e confundido com isto. Nós fazemos a mesma coisa com a palavra “igreja”.
Às vezes falamos “igreja” para nos referir exclusivamente aos verdadeiros redimidos, “à universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hebreus 12:23).
Mas, quando falamos da igreja atolada no pecado, estamos falando sobre a mistura de material, ou seja, da falsa igreja misturada à verdadeira igreja. Essa é a igreja visível.

Na parábola dos talentos, vemos que o Reino dos Céus é preenchido com diferentes tipos de servos. Essa é uma imagem comum. A igreja visível, o Reino externo e visível está cheio de diversidade.
O Reino dos Céus é como a semente de mostarda “que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; o qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos” (Mateus 13:31-32).

Também o Reino dos Céus é como o joio e o trigo que crescem juntos (Mateus 13:24-30). É também como as virgens prudentes e as imprudentes (Mateus 25:1-13).
É também como duas casas, uma fundamentada na rocha e outra na areia (Mateus 7:24-27). É também como dois caminhos e duas portas (Mateus 7:13-14).
Em outras palavras, o Reino visível terá sempre o falso e o verdadeiro, mesmo no tempo da grande tribulação. Haverá sempre o lixo preso na rede, virgens sem óleo, o solo ruim, pessoas andando no caminho largo e entrando pela porta larga. Por fim, na separação final, quando o Reino invisível for manifesto, o Senhor Jesus disse:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? Então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade (Mateus 7:21-23).

Até chegarmos lá, conviveremos com o Reino visível, que está mesclado com dois tipos opostos de pessoas. Dois tipos de corações divergentes no meio da igreja.
É o retrato da parábola dos talentos. O homem tem um monte de servidores, um monte de pessoas que se ligam a ele. As atitudes de coração deles se manifestarão.

Assim, este Reino dos Céus é como um homem que viaja para um país distante, para uma longa viagem. E, naquela época, sem os meios de transportes modernos, viagens assim poderiam durar anos. Ele vai embora. Antes disso, chama os seus servos e lhes entrega seus bens, para que eles cuidem deles.
O verso 15 diz que “a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe”. Ele conhecia a habilidade de cada um e distribuiu seus bens de acordo com a capacidade deles.

Um talento não se referia às habilidades e dons, mas a uma medida de peso. Não era uma moeda específica, pois o valor de cada talento dependeria se era de ouro, prata ou cobre.
Provavelmente, é melhor ver aqui como a prata, porque a palavra usada por “dinheiro”, no versículo 18, é frequentemente usada para se referir à cunhagem de prata.

É óbvio que você deve olhar para esta parábola entendendo que aquele homem que distribuiu os talentos representa o próprio Senhor.
Foi nos dado uma medida de talentos, e agora a estamos gerenciando. E isto é para utilizarmos no seu Reino até que Cristo volte.
Recebemos quantidades diferentes, de acordo com aquilo que podemos administrar. Também somos expostos a diferentes oportunidades, privilégios, professores e processos de discipulado.

Todos nós somos diferentes. E isso é por desígnio de Deus. Não há problema em um, dois, cinco ou dez talentos. Essa é a maneira como Deus projetou. Mas, há algo que caracteriza o servo que realmente ama a seu senhor, ao receber a sua medida de talentos, ele vai dizer:

Aqui está a minha oportunidade de mostrar a ele o quanto eu o amo. Aqui está a minha oportunidade de realmente investir meu tempo, minha energia, meu pensamento, meu trabalho e multiplicar aquilo que ele me confiou. Aqui está a minha oportunidade de lhe mostrar que ele estava certo em confiar esta medida de talentos a mim. Eu quero viver de acordo com o que ele espera de mim.

O Senhor dá às pessoas, no âmbito do Seu Reino, no âmbito da Sua igreja, todos os diferentes níveis de capacidades e oportunidades. E a questão é o que fazer com essas oportunidades. Os talentos aqui não se referem ao bom uso de habilidades naturais do ser humano.
Os talentos incluem o ensino que recebemos, as oportunidade que tivermos em ouvir a Palavra, nossas capacidades intelectuais e emocionais dadas por Deus, habilidades e dons dados por Deus, a comunhão e tudo mais que o Reino oferece.

Você tem o privilégio de ouvir a Palavra de Deus, de ser ensinado, de conhecer pessoas que amam o Senhor e caminhar com o Senhor.
A diferença entre quantidade de talentos é dada por Deus. Como diz em Romanos 12:3, é “conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”.
Veja que o que recebeu cinco talentos, os duplicou, assim como o que recebeu dois talentos, também os duplicou. Com diferentes níveis de talentos, eles tiveram a mesma fidelidade.

Observe isto entre os 12 apóstolos. 12 homens escolhidos pelo Mestre. Mas havia um trio de líderes, constituído por Pedro, Tiago e João. Porém, Pedro era o líder único e especial. Isto era óbvio para a igreja em Jerusalém.
Mas, aqueles 12 apóstolos revolucionaram o mundo. Deus recebeu um retorno máximo proporcional aos talentos que eles receberam, de todo o tempo em que eles andaram com Cristo e de tudo que eles contemplaram.

A questão é, será que damos a Deus o retorno máximo daquilo que Ele nos confiou? Se Ele te deu cinco, Ele quer mais cinco de volta. Se dois, Ele quer mais dois.
No entanto, você pode receber cinco e devolver apenas mais 2, ou receber dois e devolver apenas mais um. O ponto aqui é o máximo retorno.
A recompensa está baseada na fidelidade e não no tamanho dos resultados.

Você recebeu de Deus uma quantidade de talentos em um saco. Você é responsável por ele. É um saco de mordomia, de privilégios, de oportunidades.
Mordomia cristã é o manejo responsável dos recursos do reino de Deus que foram confiados a uma pessoa.
Você está gerenciando a parte da fortuna de Deus. Toda vez que você recebe verdades da Palavra de Deus, são mais riquezas que estão lhe sendo confiadas. É uma tremenda responsabilidade.

A reação que temos diante do que recebemos, ou seja, o que fazemos com a oportunidade espiritual?

Veja o verso 16: “O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles, e ganhou outros cinco”.
“Imediatamente” é uma palavra chave. Este é um verdadeiro servo, porque ele é ativado imediatamente. Seu coração responde instantaneamente para o privilégio de servir a seu Senhor. É uma resposta imediata.
Ele aproveitou, ganhou mais cinco talentos. Ele dobrou o dinheiro do seu senhor. Isso mostra o compromisso máximo. Ele não desperdiçou os privilégios e oportunidades espirituais.

O verso 17 diz “que da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois”. Ele foi tão fiel quanto o que recebeu cinco talentos. Ele  tinha recebido menos privilégios e oportunidades, mas deu também um retorno máximo sobre o privilégio que Deus lhes deu. E isso é o que Deus queria.

Mas, o versículo 18 diz: “O que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor”. Ele cavou um buraco e enterrou.
Isto era uma coisa comum de se fazer quando se queria economizar dinheiro. Mateus 13:44 fala sobre “um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu”. Era uma forma comum de se manter o dinheiro.
E, assim, o homem enterra o dinheiro. Ele não faz absolutamente nada com ele, desperdiçando sua oportunidade e perdendo seu privilégio.

Ele não está dizendo que aquele que recebeu apenas um talento é infiel. A questão aqui é o que ele faz com o que recebeu.
Lucas 16:10 diz que “quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito”.
Ele usa a ilustração de um modo que a ira do mestre não é porque ele perdeu muito, mas por causa da oportunidade desperdiçada. É este o ponto. Aquele que tem menos oportunidade é igualmente responsável.

Foi-nos dado o privilégio espiritual, enquanto o nosso Senhor está longe. Ele nos deu diferentes níveis de privilégio, mas Ele quer um máximo retorno sobre o Seu privilégio, por Sua oportunidade concedida a nós. A questão é o que faremos com tudo isto. Se vamos desperdiçar as oportunidades ou vamos aproveitá-las.

O acerto de contas

Vamos apenas iniciar este assunto hoje, terminarei na próxima vez.
Veja o versículo 19: “Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles”.
“Ajustar contas” é um termo comercial para “comparar contas”. Ele volta e olha seus livros e vê o que cada servo fez com o que lhe foi confiado.
E isto acontecerá quando o Senhor voltar. Ele vai voltar e dar uma olhada nos livros e ver o que os homens fizeram com a oportunidade de servir o Rei, de servir ao Senhor, de servir o mestre. O que eles fizeram com os seus privilégios espirituais?

Veja que Ele diz: “Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos”. É semelhante ao noivo na parábola das virgens: “Tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram”.
Ele fala de um tempo de espera além do que se imagina. Mas, não há espaço para ficar sentado e esperando, há algo a ser feito, há uma ocupação para seus servos nesta espera.

Houve momentos na história da igreja, e até mais recentemente, em que muitos pararam dizendo que Jesus estava voltando.
Não é isto que a Palavra nos ensina. Quando Jesus voltar, Ele quer ver seus servos ocupados e prontos para o ajuste de contas.
Agora, Ele não está falando sobre o arrebatamento, mas sobre a Sua segunda vinda. E este ainda não será o tempo em que os cristãos serão recompensados, mas será o tempo da separação entre cristãos verdadeiros e não-cristãos. Este é o assunto da parábola.
Então, depois de muito tempo o patrão retorna. E é hora de ele dar uma olhada em suas contas. E isso é exatamente o que ele vai fazer. O julgamento em si é descrito a partir do versículo 31 até o fim do capítulo, no versículo 46, e nós veremos isso na próxima vez.

O que aconteceu no acerto de contas? Ele diz aos que receberam cinco talentos e dois talentos, e que devolveram e dobro: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (v.21,23).
Eis aqui estão dois servos que deram retorno total sobre a oportunidade de Deus, certo? Aqui estão dois genuínos crentes, verdadeiros santos.

Mas, o que recebeu um talento disse: “Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu” (v.24-25).
Ele ouve do seu senhor: “Servo mau e negligente… Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez… Lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes”.

Agora, o que significa tudo isso? Veremos na próxima vez, pois nosso tempo está esgotado hoje. Vamos nos inclinar em oração.

Senhor, é nossa oração que ninguém seja enganado por esse enganador, Satanás, ou por seu próprio engano, mas que cada um de nós olhe para a própria vida, para ver se somos trigo ou joio, solo bom ou mau, uma casa com fundamento ou sem fundamento, virgens com óleo ou sem, servos que servem ao Senhor aproveitando o privilégio espiritual ou servindo a si mesmos e ignorando as oportunidades espirituais. Que todo coração seja examinado e que o Teu Espírito faça o que for necessário para tirar a realidade da falsidade.

Antes de terminarmos, em oração, enquanto suas cabeças estão curvadas, gostaria de dizer que esta é uma mensagem séria que o Senhor nos dá.
É algo que deve estar no coração de Jesus o tempo todo, porque Ele deu vários ensinos acerca desse assunto.
Mesmo no dia em que o Senhor retornar, mesmo no tempo da Tribulação, haverá pessoas que se identificaram exteriormente com Seu Reino, mas interiormente não O conhecem, que durante esse período de tempo dizem que são servos, mas não farão uso de sua oportunidade espiritual.
Ouça, este é o seu dia de oportunidade, este é um tempo aceitável, este é um tempo designado, este é um tempo de salvação.
Eu não sei quanto tempo esse tempo será. A morte, o Arrebatamento da igreja, os horrores da Tribulação, a Segunda Vinda de Jesus Cristo estão no horizonte para cada um de nós.
Você precisa estar pronto, olhar para o seu próprio coração e ver se há ou não genuinidade nele. Você pode julgar a sua sinceridade, como eu disse na minha oração mais cedo, por temer ofender o Senhor.
Você tem esse medo de ofendê-Lo? Tem interesse em conhecer e fazer a Sua vontade acima de tudo? Por uma disposição de negar a si mesmo, por um coração de amor para Sua glória, por um desejo de nunca se desviar de Seus mandamentos e nunca ofender outro cristão?
Isso descreve o seu coração? Se isso acontece, essas são as marcas de sinceridade e genuinidade e você tem usado a sua oportunidade e seu privilégio.
Mas, se essas não são as marcas de sua vida, então não se engane pensando que tudo está bem, porque tudo não está bem, não importa se você está associado à igreja apenas exteriormente. Você precisa vir a Cristo, confessar seu pecado, crer Nele como Salvador e Senhor.


Esta é uma série de 2 sermões sobre a parábola dos talentos, conforme textos listados abaixo.

01. A parábola dos talentos (Parte 1) 
02. A parábola dos talentos (Parte 2)


Este texto é uma síntese do sermão “The Tragedy of Wasted Opportunity, Part 1″, de John MacArthur em 05/08/1984.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/2376/the-tragedy-of-wasted-opportunity-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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1 Resultado

  1. Osman disse:

    Amém, tem me edificado muito esses textos, que Deus continue dando Graça a vocês.

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