Como entrar no Reino de Deus?

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A questão que temos em Atos 2:37 a 42 é de como um homem é salvo e tem seus pecados perdoados. Por qual ato? Através de quem? Como a salvação se processa no homem? De onde vem a salvação?
Sempre houve aqueles que queriam solucionar as inquietações do homem, oferecendo infinitos caminhos. Mas, todos eles fracassaram e a questão de como ser salvo permanece na mente de muitos.
O homem sempre manifestou inquietação em relação ao tempo e à eternidade. Isto sempre foi um ponto de interrogação.

Biblicamente, a questão vem repetidamente. Como posso entrar no reino? Como posso ser salvo? O que eu tenho que fazer para herdar a vida eterna?
E muitos usam textos isolados da Bíblia, fora de contexto, dando interpretações equivocadas, para fabricar respostas diferentes.

Por exemplo, o legalista diz que temos que guardar a lei. Ele diz que Abraão foi justificado pelas obras (Tiago 2:21), mas foge de Romanos 3:20 que diz: “Pelas obras da lei nenhuma carne será justificada”.
O moralista diz que Deus tem um escala para medir a moralidade dos homens e, assim, eles devem se preocupar com isto. Ele diz que os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida (João 5:29), mas foge de Efésios 2:8-9, que diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem de obras, para que ninguém se glorie”.

O racista crê que faz parte de um povo exclusivo, único. Diz que “Todo o Israel será salvo” (Romanos 11:26), mas foge de Romanos 9:6, que diz: “nem todos os que são de Israel são israelitas”.
O universalista crê que, no final, todos serão salvos e estarão no reino. Usa Romanos 5:18 que diz que “a graça de Deus veio sobre todos os homens para justificação de vida”. Ele foge de Mateus 7:14, onde Jesus disse: “Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”.

O ritualista invariavelmente irá buscar algo na Escritura que acomoda o seu ritual. E uma das coisas mais usadas é o batismo.
Há algumas pessoas que acreditam que você é salvo e perdoado pelas águas do batismo. Outras dizem que é uma combinação de fé e batismo, mas isto é, basicamente, a mesma coisa.
E essas pessoas usam Atos 2:38, que, na tradução comum, diz: “Arrependei-vos, cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados” [A questão aqui é a palavra grega traduzida como “para”. Isto será analisado ao longo deste sermão].
Para elas a salvação é uma combinação dessas duas coisas. Se faltar uma, a salvação não é possível. Assim anula-se Romanos 10:9-10 que diz: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”.

Você pode fazer muitas heresias parecerem verdades usando a Bíblia, basta que use textos fora de contexto. É uma prática corriqueira nos movimentos heréticos. E o batismo, como um ato necessário ao perdão dos pecados e salvação, é uma heresia extraída, principalmente, de Atos 2:38. Por isso, vamos estuda-lo hoje cuidadosamente.

Atos 2:38 é o encerramento do sermão de Pedro. E é algo extremamente importante olharmos para o que acontece em resposta à pregação de Pedro, porque estamos ganhando princípios reais aqui para o nosso próprio testemunho, para o nosso próprio evangelismo, para a nossa própria pregação.

Aprendemos que Jesus prometeu enviar o Espírito Santo para equipar a igreja, para continuar sua obra.
E no dia de Pentecostes, começando no primeiro versículo de Atos 2, o Espírito de Deus, então, batizou todos aqueles discípulos que estavam reunidos em Jerusalém, para dentro do Corpo de Cristo. Eles foram introduzidos no Corpo de Cristo, sendo cheios do Espírito Santo.
Houve um som, como de um vento poderoso, que atraiu uma multidão de pessoas que estava em Jerusalém. Aquelas pessoas começaram a se ajuntar atraídas pelo forte barulho de um furacão inexistente.

E aqueles discípulos começaram a falar sobre as obras maravilhosas de Deus nas línguas nativas de todas aquelas pessoas que estavam peregrinando em Jerusalém.
Eles ficaram espantados. Toda aquela cena foi usada pelo Espírito Santo para atrair a multidão para ouvir o que Pedro estava por falar.
Aquela multidão, vendo todos aqueles fatos, e ouvindo que os discípulos proclamavam a glória de Deus, percebeu que aquilo não era obra de Satanás, mas do Senhor.
De forma gloriosa, o Espírito Santo preparou os ouvidos daquelas pessoas para ouvirem as palavras do apóstolo Pedro.

Pedro começa seu sermão no versículo 14 de Atos 2. Há quatro partes: a introdução, o tema, o apelo e os resultados.
A introdução é explicar o Pentecostes, o tema é a exaltação de Jesus, o apelo é a exortação ao povo e os resultados nós podemos ver na reação de milhares ali reunidos.
Parece óbvio que Lucas não escreveu todo o sermão de Pedro. Penso que aquele sermão deve ter sido muito longo. Havia uma ação poderosa do Espírito Santo naquele lugar, muito mais coisas devem ter sido ditas em meio a uma adoração ao Senhor.

Em Atos 2:17-21, Pedro cita as profecias de Joel, que nos últimos dias haveria um derramamento do Espírito, sinais, prodígios, coisas espantosas nos céus e na terra, até a chegada do glorioso dia do Senhor (Joel 2:28-32).
“Últimos dias” era uma expressão judaica referente ao tempo de Cristo: a era presente da história redentora, da primeira vinda de Cristo até sua volta.
Eles sabiam que era uma referência messiânica. O Messias, o Salvador, o Redentor, o Libertador, o Ungido havia chegado.

Em Atos 2:22, Pedro proclama a Jesus de Nazaré como o Messias prometido. Ele confirma o cumprimento das profecias messiânicas.
Foi algo surpreendente, porque a nação havia crucificado Jesus como um blasfemador. Eles ouviram que haviam crucificado Aquele que eles esperavam vir.
Pedro diz: “A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis”.

No versículo 23, ele diz que Cristo não foi uma vítima dos homens, mas que a cruz foi ordenada por Deus: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”.
A partir de então, Ele fala da ressurreição de Cristo. Nos versos 24 a 32 ele mostra como o Antigo Testamento falou da vida, morte e ressurreição de Cristo. Ele proclama que tudo aquilo havia se cumprido em Jesus de Nazaré.

Em seguida, Pedro passa a mostrar que Jesus é o Messias, em virtude da ascensão, nos versículos 33 a 35. Ele é o Messias, porque Ele foi exaltado à direita do Pai. Eles foram testemunhas oculares de sua ascensão.
Pedro finaliza dizendo: “Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (v.36).

Eles foram informados de que executaram seu próprio Messias, por quem eles tanto esperavam.
O maior pecado do homem não é nada mais do que rejeitar Jesus Cristo. A rebeldia contra o Senhor é o pecado original do qual o Espírito Santo nos convence.
Jesus disse sobre o Espírito Santo: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim” (João 16:8-9).

Em outras palavras, é primordial que o homem reconheça que é um rebelde contra Deus, contra o Salvador Jesus Cristo e contra o plano soberano de Deus.
Claro que o sermão foi muito mais do que as palavras escritas por Lucas. No verso 40, Lucas, o escritor de Atos, diz que “com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa”.

No verso 37, ele diz: “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos?”.
Eles lhes chamam de “irmãos”, porque isso era um termo usado entre os judeus, por sua comum ascendência abraâmica.

O que devemos fazer? Oh! Eu gosto essa pergunta. Isso é bom. Eles estão no lugar certo e eles estão desesperados. É aí que o Espírito de Deus pode levar todos os homens à convicção.
“Compungiram-se” é usada apenas uma vez no Novo Testamento, e significa “perfurar ou penetrar com uma agulha ou um instrumento afiado como uma faca”. Ela carrega a ideia de rapidez. É como desferir uma punhalada em alguém. É uma dor aguda, súbita e penetrante.

Eles foram duramente confrontados quanto ao ato de executarem, por meio dos romanos, o Messias, a quem eles esperavam, e permanecerem normalmente com suas atividades religiosas e tradições.
Além da culpa que eles sentiram, havia o aspecto do forte temor da ira divina, pois havia ali testemunhas oculares do Cristo ressurreto e Senhor.

Eles ouviram Pedro dizer: “Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés” (V.34-35).
Ou seja, haveria um julgamento divino sobre os inimigos do Messias. Eles haviam matado o Messias. Houve neles uma terrível sensação de juízo iminente.
Com os corações dilacerados, eles disseram: “Que faremos, homens irmãos?” (v.37). Este é o ponto onde cada homem deveria estar.

Enquanto o homem pensar que pode resolver seu problema por conta própria, ele nunca poderá experimentar a salvação.
Enquanto o homem pensar que, por suas próprias obras, pensamentos, ideias e esforços, pode sair de sua situação de trevas, ele nada alcançará.
Nada mudará sua situação, até que o homem se veja perdido e desesperado, e diga: “O que eu devo fazer?” Somente neste ponto é que Deus pode intervir com a graça salvadora.

Foi exatamente assim que aconteceu com Paulo na estrada de Damasco. Diante do resplendor de luz do céu, ele, tremendo e atônito, diz a Jesus: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6).
O mesmo aconteceu com o carcereiro na cidade de Filipos. Paulo e Silas estavam louvando a Deus na prisão quando o Senhor faz tremer o chão, move os alicerces e abre suas portas.
O guarda da prisão, temendo uma possível fuga dos prisioneiros, quis suicidar-se. Então, Paulo diz: “Não te faças nenhum mal. Estamos todos aqui” (Atos 16:28).
E, então, ele “saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?” (Atos 16:29-30).

Esse foi o estado em que aquela multidão estava diante de Pedro e dos demais apóstolos. Este é o estado da alma que está preparada para se render a Jesus Cristo. A culpa está totalmente exposta, o pecado torna-se facas afiadas que dilaceram suas consciências.
Em Zacarias 12:10 e 13:1, o profeta escreve sobre o resgate de Israel na grande tribulação:

12:10 Sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.
13:1 Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi, e para os habitantes de Jerusalém, para purificação do pecado e da imundícia

Esta é exatamente a mesma dor e angústia que aquelas pessoas devem ter sentido no dia de Pentecostes.
Houve uma forte convicção de pecado. A convicção é a chave na mão do Espírito Santo, que abre o coração para a salvação.

Ao pregar o Evangelho, não podemos omitir do pecador a sua situação miserável, seu estado de rebeldia contra Deus, o destino tenebroso que o pecado está produzindo na vida dele, a sua necessidade de rejeitar a si próprio e ir a Cristo com um coração quebrantado e arrependido.
Ele precisa entender que, por si mesmo, ele não tem como escapar do atoleiro da morte eterna. Ele precisa ir a Cristo como um miserável em busca de salvação. Sem isto, ele permanecerá onde está.
Nenhum esforço próprio de justiça poderá resolver seu problema, nem mesmo atenuar. O pecador precisa reconhecer seu estado de miséria espiritual.

Agora, você diz: “Bem, se você pregar com convicção, olha aqui, 3.000 pessoas serão salvas”. Isto pode acontecer.
Porém, há uma outra reação que é possível. Em Atos 5:33, quando Pedro e os apóstolos estavam testemunhando diante do Conselho, o que aconteceu? “Eles, porém, ouvindo, se enfureceram e queriam matá-los”.
Diante da pregação de Estevão, o que aconteceu? “E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele” (Atos 7:54).

Você pode pregar a mensagem do Evangelho com poder e ousadia, alguns vão se arrepender, outros vão ranger os dentes e outros podem querer te matar. Mas nunca deixe de proclamar a mensagem genuína do Evangelho. Deus te livre de fazer  gracejos e truques emocionais para agradar as pessoas. A grande ferramenta de convicção é a Palavra de Deus e não, contar estórias.

Porque a palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração (Hebreus 4:12).

É a palavra do Deus que é a agência de convencimento na mão do Espírito de Deus. Nós não precisamos de pequenos truques. A Palavra vai fazer seu trabalho. Nós temos que a transmitir com fidelidade.
Nunca faça nada diferente disto. Não tente ser agradável ao pecador, diga a ele o que Deus pensa e o que Deus tem a dizer.

Em resposta à pergunta deles, Pedro diz: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38).

A primeira coisa que ele diz é “arrependei-vos”. Esta palavra vem do grego “metanoeo”, significa ‘virar e ir para outra direção’, uma direção oposta, uma mudança total de atitude.
Arrependimento é um abandono da velha vida e um compromisso total com Jesus Cristo. Nada menos do que isso.

Arrependimento não é acrescentar Jesus às suas atividades e pensamentos. Não é um pouco de tempero divino em sua dieta de atividades humanas. É um compromisso total.
Jesus Cristo não é um acréscimo às suas atividades. Ele não é um pouco de sal divino sobre sua dieta da atividade humana. É compromisso total. E assim, Pedro diz: “Vocês sabem o que fazer? Dêem meia volta, trilhem a direção oposta que humanamente vocês desejam. Andem na direção que Deus quer”.

Arrependimento não é simplesmente uma tristeza e um lamento pelo pecado, ou seja, um tipo de remorso. É uma tristeza que faz você mudar de direção, afastar-se de seus caminhos e buscar a direção celestial.
II Coríntios 7:10, diz: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte”.

O arrependimento não é ter medo das consequências. Este é o falso arrependimento.
O verdadeiro arrependimento não está olhando para a punição, mas para passar a ver o pecado como algo nojento e que afronta a Deus.
O verdadeiro arrependido passará a odiar o pecado e desejar escapar de suas garras, porque ele sabe que é algo que Deus abomina.
O verdadeiro arrependimento abandona o pecado e vem em total compromisso com Cristo. E há uma urgência no que Pedro diz aqui: “Arrependei-vos”.
A mensagem do Evangelho diz respeito ao arrependimento. O chamado de Jesus e dos apóstolos foi para o arrependimento verdadeiro. Sem arrependimento, você não pode entrar no Reino de Deus.

Agora, imagine em sua mente a situação daquelas pessoas diante de Pedro. Elas se consideravam um povo escolhido e parte natural do Reino de Deus.
Elas se achavam justas por suas vastas tradições religiosas e um vínculo nacionalista singular. Consideraram Jesus um blasfemador e O entregaram para ser morto pelos romanos.
E, agora, eles são intimados a se dobrarem diante de Jesus Cristo, arrepender-se de seus pecados, romper com suas tradições religiosas e sair das densas trevas nas quais eles estavam.
A mensagem de Pedro e do Evangelho tinha um custo muito alto para eles. E, para completar, de perseguidores eles passariam a ser perseguidos.

Mas, isso é o arrependimento, ou seja, uma reviravolta total na vida do homem. É uma mudança total de direção.
João Batista pregou o arrependimento, Jesus pregou o arrependimento, os apóstolos pregaram o arrependimento.
Se você não passar por esta experiência, você não poderá entrar no Reino de Deus. Isto é válido tanto para os judeus como para os gentios.

Assim, Pedro os exorta a fazer uma mudança que é inacreditável. Agora, ele acrescenta: “e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados”.
E, neste ponto, os ritualistas encontram o argumento para dizer que a salvação depende do batismo nas águas, que, sem o batismo, não há perdão dos pecados.

Após as palavras de Pedro, houve uma reação de muitos ali, que foram duramente confrontados com a verdade.
Eles eram judeus e sabiam das perigosas consequências de professar a fé em Cristo. Poderiam pensar em uma fé secreta, sem professar publicamente, o que significaria um rompimento declarado em relação ao judaísmo.

Pedro fala sobre o batismo, isto ficou claro para eles, pois no judaísmo havia todos os tipos de lavagens.
A coisa mais desprezível para um judeu seria ir a Jesus Cristo, que foi considerado um blasfemador e digno de morte.
Mas, Pedro diz: “Eu quero que vocês façam um ato público de romper seus laços com o judaísmo e de uma nova identificação com Jesus Cristo. E, então, eu quero que vocês sejam batizados, como um sinal público da união de vocês com Cristo”.

Dr. Ryrie disse:

Mesmo hoje, para um judeu, não é a profissão do cristianismo, nem a sua participação em cultos cristãos, nem a sua aceitação do Novo Testamento, mas hoje mesmo, sua submissão ao batismo com água é que, definitivamente e, finalmente, exclui alguém da comunidade judaica e o marca como um cristão.

O batismo é uma expressão pública de minha identificação com Cristo. E nós batizamos pessoas no nome de Jesus Cristo como um testemunho ao mundo de que eles têm sido desejosos de união com Jesus Cristo.

Você diz: “Bem, ele diz para se arrepender e ser batizado para ser salvo”.
Isso é muito simples. Por exemplo, em Lucas 18, temos uma boa ilustração. Houve um jovem que veio a Jesus e disse: “Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?” (v.18).
É uma boa pergunta. É a mesma pergunta que fizeram em Atos 2. Jesus responde: “Vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me” (v.22).

Você poderia concluir que a salvação é uma questão econômica. Basta dar dinheiro aos pobres e tudo está resolvido. Isto seria algo ridículo.
Jesus estava ali tratando de uma barreira no caminho daquele homem. Ele quis dizer: “Esqueça suas riquezas e me siga” [Você pode imaginar o que pensariam seus familiares e amigos. Ele seria banido].
Em Atos 2, temos uma questão semelhante. Ele diz aos judeus: “Esqueçam a reputação religiosa de vocês, esqueçam os laços religiosos, rompam com tudo publicamente e sigam a Cristo”.
Não havia lugar para discípulos secretos que não estavam dispostos a pagar o alto preço de seguir a Jesus.

A Palavra de Deus não ensina a salvação batismal. Não ensina que você deve ser batizado para ser salvo, mas que você deve ser batizado por ter sido salvo, ou seja, por causa da remissão (perdão) dos pecados.
O batismo não tem nada a ver com a salvação, ele acontece na vida do crente porque ele foi salvo e não o contrário.

Você diz: “Mas está escrito: ‘cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados’?”.
Isto é algo que deixa as pessoas confusas, e as fazem concluir que sem o batismo não pode haver perdão dos pecados, que no batismo nossos pecados são perdoados.

Se assim fosse, seria uma afirmação que contradiz a Bíblia, como se por alguma obra pudéssemos completar a nossa salvação.
Ao estudarmos, no grego, a frase “para a remissão dos pecados”, que muitas vezes é traduzida pelos ritualistas como “a fim de que”, podemos chegar a algumas conclusões.

A palavra traduzida como “para” e “a fim de que” vem do grego “εἰς” (“eis”), e uma das traduções dela seria “por causa de”.
Esta mesma palavra grega foi traduzida como “por causa de” em Mateus 12:41, quando Jesus disse que os ninivitas se arrependeram “por causa da” pregação de Jonas, ou seja, em resposta à sua pregação.
Então, o texto de Atos 2:38 seria melhor traduzido como: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, por causa da remissão dos pecados”.

Em outras palavras, você se arrepende e, em seguida, você é batizado porque seus pecados foram perdoados.
É um sinal público do que tem acontecido no seu interior. E, assim, o arrependimento trouxe a remissão dos pecados. O batismo é uma manifestação pública dessa realidade.
O verdadeiro arrependimento traz a você a realidade da obra expiadora da cruz. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19).
Pelo nome de Jesus, nossos pecados são perdoados (I João 2:12). Promessa tremenda. É o que temos em Colossenses 2:13-14, que diz:

E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.

Em seguida, Pedro diz: “E recebereis o dom do Espírito Santo”. Ou seja, eles iriam experimentar a presença do Espírito Santo, uma vida habitada pelo Espírito Santo de Deus.
Você diz: “O que é o dom do Espírito?”. Bem, isso é o próprio Espírito Santo, é exatamente isto que significa.
Qual é a condição para receber o Espírito Santo? Arrependimento. O Espírito de Deus não vem como resultado do batismo nas águas, mas do arrependimento. Cada crente recebe o Espírito Santo no momento da sua salvação. Em I Coríntios 12:13 diz:

Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.

Este é o apelo de Pedro. Os judeus que haviam rejeitado a Jesus Cristo são chamados ao arrependimento e a uma manifestação pública de sua fé pelo batismo nas águas.
Eles tinham que deixar tudo para trás. O batismo nas águas representava um rompimento com a estrutura religiosa, sendo que haveria uma consequente perseguição. Era um obstáculo que eles precisavam superar.

Devemos levar a mensagem do Evangelho, não como um acordo de boa vontade com os homens, mas como um chamado que está acima de todas as barreiras, temores e resistências.
A falha de pregarmos a mensagem genuína do Evangelho tem enchido a igreja de falsos crentes, de muito joio no meio do trigo.

[–> Clique aqui e leia o sermão sobre a declaração de João Batista de que Jesus batizaria com o Espírito Santo e com Fogo. –> Clique aqui e leia o sermão sobre o batismo e a unção de Jesus].

Três verdades devem estar bem claras para você:
1. O Espírito de Deus não é dado no batismo nas águas, mas no arrependimento.
2. O batismo deve seguir a salvação imediatamente. É um ato de obediência ao que Jesus ensinou em Mateus 28:19. Não é algo que deve ser adiado. Se você experimentou um verdadeiro arrependimento e não foi batizado, você precisa se submeter ao batismo nas águas.
3. O dom do Espírito é gratuito, não é algo que você tem por algum mérito ou porque você buscou. Ele vem a você no momento do novo nascimento. Todo verdadeiro crente recebe este dom.

Você diz: “Bem, talvez o batismo fosse apenas para os judeus”.
Não, porque em Atos 10 Cornélio foi batizado e ele era gentio. Paulo batizou a Crispo e Gaio (I Coríntios 1:14). A ordem de Jesus foi a todos e não teve um limite estabelecido. Até hoje o batismo declara a nossa união com Jesus Cristo.

Em Atos 2:39, Pedro diz: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”.
A promessa não era somente para Israel, mas também para os gentios. Temos aqui o aspecto soberano da Salvação, como temos a responsabilidade do homem no verso 21: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.
Então, você tem ambos os lados. A soberania de Deus caminhando em paralelo com a responsabilidade do homem.

Então, o verso 40 diz que “com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa”.
A pregação de Pedro foi longa, Lucas apenas registrou uma síntese. Ele foi enfático: “Salvai-vos desta geração perversa”.
Jesus chamou aquela multidão de incrédula e perversa (Mateus 17:17). Menos de 40 anos após, o general romano Tito matou mais de um milhão de judeus. Eles foram chamados ao arrependimento, a escapar daquela geração.

O arrependimento tem que ser honesto e legítimo. O Senhor nos ensinou a calcular se estamos de fato dispostos a pagar o preço de segui-lo (Lucas 14:25-33).
Ao pregar o Evangelho, temos que transmitir exatamente tudo que o Evangelho exige do homem. Não podemos camuflar a mensagem que Jesus e os apóstolos pregaram.
Se você tentar tornar o Evangelho agradável aos homens, você apenas conseguirá encher a igreja de falsos cristãos.
Pedro expôs o Evangelho com fidelidade e ali muitos se converteram verdadeiramente e “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (Atos 2:42).

Bem, como muitos creram?
Era a Festa de Pentecostes, havia centenas de milhares de pessoas vindas de todos os lugares em Jerusalém, mas apenas um pequeno grupo de 3.000 pessoas se converteu.
Por que 3.000? Foram aqueles que tiveram a firmeza de declarar publicamente sua fé em Cristo através do batismo. E eles perseveraram.

Quantos se precipitam e dizem professar sua fé em Cristo e arrepender-se? Cruzadas evangelísticas colhem milhares de pretensos conversos que não resistem ao tempo.
Para se chegar a Jesus não há um caminho fácil. Não há obras de esforços humanos, mas deve haver um verdadeiro quebrantamento, um desejo ardente em perseverar Nele.
Multidões seguiram a Jesus, mas o abandonaram. Em João 6, temos uma multidão empolgada, mas que se escandalizou e o abandonou. A perseverança na fé é sinal da salvação. Um verdadeiro salvo persevera.

Assim, a igreja nasceu. E o que eu gosto sobre isso é que foi uma verdadeira igreja, que era visível e asim como era visível, era também invisível. Em outras palavras, todos os que estavam nela estavam realmente em Cristo. Se o seu evangelismo é certo, você vai evitar trazer para a igreja um monte de problemas, pois não trará ‘abortos espirituais’ para a igreja ou o joio. Verifique se o seu evangelismo é claro.

Pedro pregou de acordo com a unção que o Espírito Santo lhe deu. Ele pregou o Evangelho com fidelidade, 3.000 almas se converteram verdadeiramente e perseveraram em Cristo. Assim nasceu a igreja.
Se você pregar o Evangelho com fidelidade, você trará convertidos para a igreja. Caso contrário, você encherá a igreja com joio.

Pai, nós Te agradecemos pelos princípios que Tu nos ensinaste nesta manhã. Deus, nós simplesmente não queremos ser superficiais em nossos ministérios. Queremos ter a certeza de que não estamos fixados na quantidade de convertidos, mas em sua qualidade.
Não estamos tão preocupados com quantos vêm a Jesus Cristo superficialmente, ou quantas pessoas temos oportunidade de levar a Cristo, embora isso seja importante, Senhor, isso não é o fim.
Estamos preocupados que eles sejam reais, que eles tenham avaliado o custo de Te servir, que eles tenham removido a barreira, o obstáculo, seja o que for, que os impede de se renderem a Jesus.
Como o Senhor mesmo disse: “Esteja disposto a deixar pai, mãe e tudo”. Para que estejam dispostos a tomar a cruz e segui-Lo, mesmo não sendo dignos de serem Teus discípulos.
Deus, nós queremos conversar com pessoas desesperadas e se eles não estão desesperados, queremos mostrar que eles precisam estar desesperados. Deus, ajude-nos a nos envolver no evangelismo do Espírito Santo.
Não tire nosso zelo, Senhor. Basta dá-lo a nós na perspectiva certa. Obrigado pelo que nos ensinaste, em nome de Jesus. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “Peter’s Sermon: The Appeal and Results”, de John MacArthur em 02/07/1972.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1708/peters-sermon–the-appeal-and-results

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


Notas (com observações extraídas da Bíblia de Estudos MacArthur)

Mesmo que o pensamento de perdão dos pecado através do batismo não encontre respaldo no Evangelho, você pode estar pensando nesses textos bíblicos que parecem desmentir isto:

1) Marcos 16:16 que diz: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. –> Os versículos 9 a 20 do capítulo 16 de Marcos não constam nos manuscritos mais antigos. Eles foram acrescentados por algum escriba. Eusébio e Jerônimo, pais da igreja, no século IV, destacaram que todos os manuscritos antigos não continham tais versículos.
Eles foram aceitos pela Bíblia King James no século XVI, antes da descoberta dos manuscritos mais antigos. Mesmo assim, a segunda parte do texto diz que a condenação é por descrença e não por falta de batismo.
Fica evidente que a transição entre os versículos 8 e 9 é abrupta e desajeitada. O que se segue não é a continuação da história da mulheres citada verso 8. Ele fala de Maria Madalena como se o fizesse pela primeira vez. Há uso de várias palavras gregas que não foram utilizadas por Marcos ao longo de seu evangelho.

2) I Pedro 3:21 que diz: “Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo”. Sobre isto leia o texto em http://www.reieterno.com.br/?p=5583

3) Temos também Paulo falando de estarmos imersos em Cristo em Romanos 6:3 e Gálatas 3:27, para isto ele usa metaforicamente “batizado”. Mas não é sobre o batismo nas águas que ele está tratando.

 


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