O chamado de André e Tiago

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Este texto é parte de uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos. Veja os links dos demais textos no fim desta página.

Abra sua Bíblia, por favor, em Lucas 6. Continuamos o nosso estudo acerca dos apóstolos: homens comuns com um chamado incomum. Na história da vida de Jesus que Lucas registra, ele nos traz no capítulo 6, versículos 12 a 16, a lista oficial dos doze apóstolos. Deixe-me ler este texto para você:

12 E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus.
13 E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos:
14 Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;
15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote;
16 E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.

Agora, aqui estão reunidos oficialmente os doze pela primeira vez. Conhecemos alguns deles antes, porque o Senhor já os tinha chamado primeiro a crer Nele, e depois a segui-Lo, como discípulos. Mas, agora, dentre este grande grupo de discípulos – várias centenas, sem dúvida, alguns dos quais Ele chamou pessoalmente, outros que vieram por conta própria – Ele escolheu estes doze, não para serem discípulos, mas para se tornarem apóstolos, mensageiros ou enviados .

Eles são, então, levados a um nível pessoal e íntimo de treinamento com o Senhor. Como eu lembrei na semana passada, Marcos diz que eles foram atraídos para Ele, para perto dEle. Ele puxou esses doze para perto, para um treinamento especial dentre Seus discípulos, a fim de serem enviados para proclamar o Evangelho ao mundo.

É um pequeno grupo de homens muito comuns. Todos são galileus, exceto um, que é Judas Iscariotes. Eles vêm de uma vida comum, sem nobreza, sem uma educação especial ou elevada. Eles são escolhidos por Deus dentre o comum para a tarefa muito incomum de proclamar o Evangelho, a fim de mudar o mundo.

Isso traz à minha memória o trecho maravilhoso de 1 Samuel 13 e 14. Esse texto registra um daqueles tempos muito difíceis na história de Israel, quando este estava em conflito com os filisteus. Os filisteus, naturalmente, eram os ocupantes da terra de Israel quando o povo judeu entrou para recebê-la como sua terra prometida. E, no processo de despojar os filisteus, Israel estava, muitas vezes, em conflito com eles.

Nesta ocasião especial, Saul era o rei, mas ele tinha sido reprovado. Ele foi o primeiro rei, como você se lembra, em Israel. Ele tinha sido reprovado, desclassificado como líder e rei e, assim, o exército dos judeus estava sem um comandante.

Eles também foram subjugados pela superioridade numérica e pelo poder dos filisteus nessa ocasião. 1 Samuel 13 diz que eles não tinham armas adequadas. Então, estavam em uma situação muito difícil. Eles não tinham nenhum líder ou general para o seu exército, estavam em desvantagem e não tinham armas para lutar a batalha. Como, então, poderiam eles esperar derrotar os filisteus?

Bem, eles fizeram. Essencialmente, através de um homem, Jônatas, filho de Saul, famoso por sua ajuda a Davi. Jônatas e seu portador de armas, literalmente, foram usados por Deus para derrotar todo o exército filisteu. A estratégia era bastante original. Jônatas e seu portador de armas tinham coragem e confiança em Deus. O restante dos israelitas estava escondido dos filisteus em vários lugares.

Mas, Jônatas e seu portador de armas determinaram que iriam entrar no acampamento, iam direto para o campo militar dos filisteus, o que para os filisteus pareceria ser uma deserção. Pareceria que este filho proeminente do rei estava desertando de Israel, sob o medo do poder filisteu e estava se aproximando deles, dos filisteus.

E, assim, eles apenas entraram no acampamento e tudo parecia inocente o suficiente para os filisteus. Mas, já na primeira metade do acampamento, as Escrituras dizem, Jônatas matou vinte filisteus. Naquela época, Deus abalou a terra, o que adicionou um elemento divino para a ocasião. E os filisteus entraram em pânico.

O pânico dos filisteus fez com que alguns dos israelitas escondidos saíssem de seus esconderijos e se juntassem à luta. Desse modo, os filisteus foram derrotados naquele dia, fugindo aterrorizados, temendo por suas vidas. Realmente, uma estratégia incrível: apenas um homem com seu portador de armas (que carregava a parafernália), entrando no campo inimigo.

A fé de Jônatas é declarada em 1 Samuel 14: 6, um versículo famoso: “Disse, pois, Jônatas ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura operará o Senhor por nós, porque para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.” Grande afirmação! Nada impede o Senhor de salvar com muitos ou com poucos. Naquela ocasião, Ele salvou a nação de Israel com poucos: Jônatas e seu portador de armas.

Aqui no Novo Testamento, Deus se propõe, por assim dizer, a salvar o mundo com apenas doze homens. Naquele dia, um homem mudou o curso da história de Israel, e no Novo Testamento, doze homens mudaram o curso da história do mundo. Doze parece ser uma quantidade escassa, especialmente dado o tipo de homens que eram.

Nenhum deles possuía qualquer nível elevado ou qualquer proeminência econômica, política ou religiosa. E, ainda assim, eles foram usados pelo Senhor para, literalmente, mudar o mundo, proclamando o Evangelho, estabelecendo a igreja, supervisionando-a e escrevendo o Novo Testamento. Nossa fé hoje está baseada no fundamento dos apóstolos e dos profetas e na verdade que eles ensinaram, que se tornou a doutrina do Novo Testamento.

À medida que encontramos esses doze – e aqui está sua nomeação oficial – eles estão seguindo Jesus, estão no meio de todos os demais discípulos. Eles agora são retirados para serem especialmente treinados, através de um estágio em torno de menos de dois anos, para estarem preparados a continuar a obra quando o Senhor Jesus retornasse ao céu.

Nós já encontramos o primeiro deles, versículo 14, Simão, a quem Jesus também chamou de Pedro. Ele era “petros”, de acordo com Mateus 10: 2, o líder, o chefe, o principal. Isso é claro em todo o Novo Testamento. Levou-nos várias semanas para passarmos por todas as informações sobre Pedro, por causa de sua proeminência. Agora, tendo feito isso, chegamos à lista que segue o líder.

O chamado de André

E o primeiro nome, versículo 14, a seguir, é André, seu irmão. É quase como se ele não tivesse nenhuma identidade própria. Ele é um tipo de pessoa de segundo plano. Vamos ver um pouco de informação sobre ele. André era irmão de Pedro, sabemos que ele nasceu onde Pedro nasceu, ou seja, na aldeia de Betsaida. Isso é indicado em João 1:44. André era de Betsaida, bem como seu irmão Pedro.

Mais tarde, eles se mudaram para Cafarnaum, que era o centro da pesca na costa norte do Mar da Galileia. Eles viviam juntos. Eles operavam um negócio de pesca juntos lá. Antes de André encontrar Jesus, ele era um judeu devoto. E eu acho que vale a pena olhar para aquela reunião inicial. Volte-se para o Evangelho de João, capítulo 1, versículo 40: “Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João [João Batista], e O haviam seguido.”

O contexto dessa passagem está nos versos 35 a 40:

35 “No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos;
36 E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus.
37 E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus.
38 E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras?
39 Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima.
40 Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido.”

André era um seguidor de João Batista, o que nos diz que ele estava ouvindo a pregação de João Batista, sem dúvida, ansioso, porque a mensagem de João era de que o Messias estava chegando. André estava na expectativa pela chegada do Messias. Ele teria sido envolvido em toda aquela expectativa messiânica, toda aquela emoção, pelo fato de que o cumprimento da promessa davídica e abraâmica estava próximo, visto que o Messias estava chegando. Esta era a mensagem de João Batista.

João estava no Jordão pregando, como o precursor do Messias. E aqui vemos que André é um seguidor de João Batista, inicialmente. Ele é um daqueles entre os israelitas que procuravam a consolação de Israel, a vinda do Messias. Sem dúvida, portanto, ele é um judeu devoto, esperando a chegada do Messias. E é bastante evidente a partir desta passagem, que Pedro também estava esperando a chegada do Messias.
Apesar de Pedro e André não serem proeminentes religiosamente, eles eram religiosos. Eles estavam comprometidos com a adoração do verdadeiro Deus, com a vinda do Messias, com o cumprimento da promessa da aliança. João Batista aponta para Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo “. André entende isso e crê. Imediatamente, corre para encontrar Pedro, a fim de lhe dizer: ‘encontramos o Messias!’

Assim, desde o início, podemos presumir que tanto Simão Pedro como André eram judeus, que criam no verdadeiro Deus, nas promessas do Velho Testamento e esperavam a chegada do Messias. O texto continua dizendo que André passou algum tempo com Jesus, passou o resto daquele dia com Jesus, provavelmente com Pedro, é claro, porque Jesus identifica Pedro pela primeira vez aqui como ‘Pedro’. Ele diz: ‘Você é Simão, mas você vai ser Pedro’.

Então, aqui está a primeira reunião. O Senhor coloca um novo nome em Pedro e começa o processo de moldá-lo na rocha que será o líder dos doze e o grande pregador dos primeiros anos da igreja, descritos na primeira metade do livro de Atos. Então, André e Pedro encontram Jesus. Este é o primeiro encontro de André.

E aprendemos um pouco sobre ele, um pescador de Cafarnaum na Galileia que viajou todo o caminho até o Jordão para ouvir João pregar, porque ele estava vivendo na esperança da vinda do Messias. Depois desta reunião inicial, Pedro e André voltaram para a Galileia, para Cafarnaum e continuaram suas carreiras como pescadores.

Mais tarde, meses e meses depois, Jesus vem para a Galileia, depois de um ministério no sul, ao redor de Jerusalém, Judeia, onde Ele purificou o templo e fez algumas outras coisas. Ele vem, provavelmente um ano depois, para a Galileia e se depara com esses dois irmãos novamente. Ao mesmo tempo, Ele encontra outros dois irmãos, Tiago e João. Todos os quatro são pescadores no Mar da Galileia.

O registro dessa reunião encontra-se em Mateus, capítulo 4. Lemos no versículo 18: “E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores.” Isso indica que, depois da compreensão original de que Jesus é o Messias, segui-Lo e passar um dia com Ele – e tenho certeza de que foi o dia em que eles realmente creram Nele, que selou seu destino eterno – eles voltaram para a pesca e isso é o que estavam fazendo.

Mas, agora Jesus os encontra de novo, versos 19 a 22 :

19 E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
20 Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no.
21 E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes;
22 E chamou-os; eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no

Estes quatro são os primeiros literalmente chamados por Jesus para serem os discípulos que formavam o círculo mais íntimo entre os doze: Pedro, Tiago, João e André.

André teve o privilégio de ter encontrado Jesus no mesmo dia em que Jesus foi anunciado como o Messias. Ele está bem ali no primeiro dia, junto com Pedro. E, quando Jesus chama discípulos para Si mesmo, soberanamente trazendo-os para perto dEle, para propósitos que se desenrolam mais tarde, ele, André, está entre os dois primeiros chamados e entre os quatro primeiros – Pedro, Tiago e João. Então, ele é muito privilegiado.

A propósito, como uma nota de rodapé, o relato de chamá-los, que eu acabei de ler em Mateus 4, também está registrado em Lucas 5. Nós estudamos isso um pouco atrás. E em Lucas, capítulo 5, você tem essa história da pesca, que resultou no chamado desses homens.

Bem, esse é o dia em que Jesus chamou André, Pedro, Tiago e João. Mas, curiosamente, no evangelho de Lucas, todo mundo é mencionado, menos André. Para Lucas, André é uma sombra, é obscuro. Sabemos que ele estava lá, porque é um relato paralelo da mesma história. Mateus menciona André, Lucas não. Isso nos dá uma pequena dica de que André está nas sombras. Ele está no primeiro grupo dos quatro, mas o destaque recai sobre Pedro, Tiago e João.

André está um pouco em segundo plano. Ele é um homem de retaguarda, de fundo. Judeu devoto, procurando o Messias, querendo conhecer e servir o Deus verdadeiro e vivo, abraçando o Cordeiro de Deus, o Senhor Jesus Cristo, tendo o incrível privilégio, juntamente com Pedro, de passar um dia ou uma parte de um dia com Ele em comunhão pessoal, André tem um privilégio notável. Mas, nunca sai das sombras.

Na verdade, ele viveu toda a sua vida à sombra de Pedro. Eles viviam juntos, de acordo com Marcos 1:29. Assim, em todos os lugares onde André esteve, ele foi ofuscado por Pedro. Mas, isso não diminui seu incrível privilégio. Ele era uma pessoa oculta, sim, mas muito respeitada, como veremos.

Ele é aquele que aparece no círculo íntimo em Marcos 13: 3 e 4 com Pedro, Tiago e João, fazendo uma pergunta-chave sobre a Segunda Vinda, pergunta essa que lançou Jesus naquele grande discurso sobre Sua Segunda Vinda. Ele estava lá quando a pergunta foi feita: quando o Senhor voltará e qual será o sinal de Tua vinda?

Mas, mesmo que ele estivesse entre os quatro mais íntimos e mesmo que fora apresentado ao Cordeiro de Deus antes de Pedro e antes dos outros, embora tenha sido chamado pela primeira vez antes de Tiago e João, juntamente com Pedro, embora ele estivesse lá com todos aqueles privilégios iniciais, ele não se destaca como os outros três.

Há numerosas ocasiões em que Pedro, Tiago e João estão com Jesus, como no Monte da Transfiguração. Foi Pedro, Tiago e João quem viram o Cristo desvelado. Como no jardim, Pedro, Tiago e João são puxados para cima em oração íntima com Jesus, enquanto os outros estão a uma certa distância. Ele não gozava dos mesmos privilégios de intimidade.

E, como eu mencionei para você, é interessante que seu nome nem sequer é mencionado na história do seu chamado, conforme registrado por Lucas. João, é claro, o conhecia bem e se refere a ele três vezes. Vamos voltar ao texto de João 1 por um momento, e vamos olhar para as três vezes que André é mencionado.

Verso 40: “Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido.” Nesta parte, diz-se que um dos que ouviram João Batista falar era André, irmão de Simão Pedro. Na sequência, verso 41: “Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo).” O texto indica que ele está dizendo: ‘nós encontramos aquele que procurávamos’.

A primeira vez que você se encontra com André, ele está trazendo seu irmão, ele primeiro encontrou seu irmão e o trouxe para Cristo. André é o apóstolo missionário, Ele está trazendo pessoas para Jesus Cristo. E para André, começou a obra missionária onde o trabalho missionário sempre começa: em casa. Ao encontrar o Messias, foi buscar seu irmão. A obra de trazer pessoas a Cristo deve começar dentro de nossas casas.

A próxima vez que vemos André no Evangelho de João é no capítulo 6. E os discípulos têm aqui um dilema. Há uma multidão enorme, milhares e milhares de pessoas se reúnem, cinco mil homens, o que significa outras cinco mil mulheres e, provavelmente, dez mil crianças. Grande multidão. Verso 5: “Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?”.

Jesus realmente o estava testando, porque não havia lugar para comprar pão, não havia supermercados, não havia padarias. Não há lugar para obter este tipo de pão para este tipo de multidão. Ele estava apenas testando-o. Ele sabia o que Ele mesmo ia fazer. Verso 7: “Filipe respondeu-lhe: Duzentos denários de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.” Isto é, duzentos dias de salário.

Mas, aí vêm os versos 8 e 9: “E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?” André já tinha feito contatos na multidão. Tenho certeza que a maioria dos apóstolos estava vendo a massa de gente, mas André estava vendo as pessoas.

Estava no coração de André contactar os outros e, no processo de se misturar com as pessoas, ele estava sempre querendo levá-las para Jesus. E, assim, ele encontrou um menino. Ele o trouxe para fora desta multidão maciça, até onde Jesus estava. E há um pouco de incredulidade aqui, mas é misturada com alguma fé. “Eu encontrei um garoto com cinco pães de cevada e dois peixes, mas não sei como isso pode dar certo em uma multidão desse tamanho…”.

Os pães de cevada eram pequenos biscoitos. E o peixe era uma espécie de peixe em conserva de sal. Era como comer biscoitos com peixe. E aqui está André trazendo alguém para Cristo, alguém que ele acredita que talvez possa ser útil. Sempre encontrando pessoas, sempre se misturando com o povo, nunca aparentemente solto na multidão, mas capaz de encontrar alguém na multidão.

Ele o leva a Jesus e é exatamente o que Jesus precisa. Daquele pequeno almoço que sua mãe preparou naquela manhã, Jesus alimenta milhares de pessoas.

A terceira ocasião está no capítulo 12 de João, o tempo da Páscoa em Israel. A época da Páscoa, é claro, se concentrava em Jerusalém e Jesus está chegando para a Páscoa. Versos 20 a 21: “Ora, havia alguns gregos, entre os que tinham subido a adorar no dia da festa. Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus.”

Queremos ver Jesus, e Filipe poderia ter dito:’claro, venham comigo. Eu O conheço pessoalmente.’ Mas, ele não disse. A quem Filipe disse? Verso 22: “Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe o disseram a Jesus.” Filipe não sabia o que fazer com eles. Ele estava confuso. André não estava confuso.Quando alguém queria ver Jesus, ele o conduzia a Jesus. André entendeu o que Jesus queria: não veio Ele ao mundo para salvar pecadores?

André presumia que não haveria ninguém que Jesus não quisesse ver. André presumiu que se alguém que queria ver Jesus, Jesus queria ver essa pessoa. O que nós aprendemos sobre André? Há pouco registro sobre a vida desse apóstolo. Mas, nesses três incidentes aprendemos algumas lições sobre André: ele era um missionário, trouxe pessoas para Jesus e não tinha preconceito.

Ele trouxe gentios. Ele sabia que Jesus havia declarado pela primeira vez Sua messianidade a uma mulher samaritana. Tenho certeza de que ele tinha conhecimento disso. Ele não só era aberto e sem preconceitos, mas tinha fé. Felipe não tinha a fé naquele momento para crer que Jesus poderia fazer qualquer coisa para alimentar a multidão, e Felipe falhou na prova.

Mas André, crendo que Jesus era o Filho de Deus e tinha poder milagroso, disse: ‘Senhor, tenho um menino com um pequeno almoço… O que o Senhor pode fazer com ele?’.

E eu penso que também seja justo dizer que André exibe humildade. Quero dizer, o próprio fato de ele ter ido buscar seu irmão Pedro, sabe, a natureza humana poderia tê-lo tentado a dizer: ‘você sabe, eu estive sob a sombra desse cara toda a minha vida, eu fui liderado por meu irmão Pedro por toda a minha vida, e agora eu encontrei o Messias, e eu acho que vou apenas desfrutar de meu privilégio singular’.

Não foi assim. Ele sabia que assim que ele dissesse a Pedro e Pedro abraçasse o Messias, ele iria ficar à sombra de Pedro, como ele tinha estado por toda a sua vida. E ele fez. Na verdade, ele estava sempre à sombra de Pedro. É uma coisa interessante. Eu cresci com um pai famoso e eu sempre fui “o filho do Dr. Jack”. Então, eu não tinha um nome, era o filho do meu querido pai. Eu não tinha identidade. Mas, o Senhor tem um senso de humor, porque agora meu pai é o pai de John MacArthur. É incrível o que acontece, se você viver tempo suficiente, não é?

Bem, André era irmão de Simão Pedro. Ele estava nas sombras. Há pessoas que não querem tocar na banda, a menos que possam bater no tambor grande. Mas, André não era assim. Ele estava mais preocupado em trazer pessoas para Jesus do que sobre quem tinha o crédito, ou quem estava no comando. Ele não tinha ânsia de honra. Ele nunca foi visto nos grandes debates. Nunca o ouvimos dizer nada, a não ser quando estava envolvido em trazer alguém a Jesus.

Ele é um daqueles que trabalham calmamente no fundo, nos bastidores, não servindo para agradar a homens, mas, como servos de Cristo, fazendo a vontade de Deus de coração, como Paulo disse. Pedro, Tiago e João são referidos na Bíblia como pilares da igreja. André não, ele era uma pedra mais humilde.

André poderia ter antecipado o sentimento de Christina Rosetti, que escreveu aquele belo poema: “Dê-me o lugar mais baixo, não que eu ouse pedir esse lugar mais baixo, mas Tu morreste para que eu pudesse viver e compartilhar Tua glória ao Teu lado. O lugar mais baixo. Ou, se para mim o lugar mais baixo é muito alto, faças um mais baixo onde eu possa sentar e ver meu Deus e amá-Lo assim.” Este era André.

Nunca realmente fez parte do círculo dos três mais íntimos, sempre na borda, sempre o irmão de Pedro. Desconsiderado? Não. Privilegiado, pois ouviu, antes de todos, que Jesus era o Cordeiro de Deus. André era uma daquelas pessoas raras que não se importam de estar nas sombras, aquele tipo de pessoas das quais todos nós que lideramos dependemos.

Todos nós, que somos ‘Pedros’, precisamos desesperadamente de ‘Andrés’, aquelas almas que se esquecem de si mesmas, satisfeitas em ocupar uma pequena esfera e estão livres da ambição egoísta.

André tem suas honras. Como todos os apóstolos, ele reinará sobre uma das tribos de Israel no reino milenar de Cristo na terra, depois da Segunda Vinda. E, como os outros apóstolos, o nome de André estará lá quando você chegar ao céu e entrar em uma das portas da cidade santa, a Nova Jerusalém. O nome ‘André’ estará em um dos fundamentos.

O escocês Daniel McClain escreveu o seguinte, em homenagem a André:

Juntando os traços de caráter encontrados na Escritura, não temos nem o escritor de uma epístola, nem o fundador de uma igreja, nem uma figura principal na era apostólica. Simplesmente um discípulo íntimo de Jesus Cristo, sempre ansioso para que os outros conhecessem a fonte da alegria espiritual e compartilhassem a bênção tão valorizada, um homem de dotação moderada, simples, simpático, sem poder dramático ou heróico, mas com aquela confiança em Cristo que o levou ao círculo íntimo dos doze, um homem de profunda fé religiosa, com pouco poder ou expressão, no começo. Mais adequado para as tranquilas caminhadas da vida, do que para as vias agitadas.

André é o apóstolo da vida privada. E, no entanto, André se tornou um pregador. Isso é o que um apóstolo faz. E a ele também foi dado, mais tarde, poder para curar doenças e expulsar demônios, porque Deus pode fazer muito com o pouco. André sofreu, por sinal, por seu amor a Cristo. Ele sofreu por sua lealdade ao Evangelho.

A tradição informa que André fez algo muito perigoso. Ele levou a mulher de um governador provincial romano a Cristo e isso enfureceu seu marido. Ele exigiu que sua esposa retratasse sua devoção a Jesus Cristo e ela recusou. Assim, tal governador determinou que André fosse crucificado. Ele o crucificou em uma cruz em forma de ‘X’. E sempre que você vê uma cruz em forma de ‘X’, na tradição da igreja, essa é a ‘cruz de Santo André’.

Segundo os relatos, André foi mantido suspenso na cruz em agonia excruciante por dois dias, durante os quais continuou pregando o Evangelho da salvação a todos que passavam por ali, enquanto ele ainda conseguia falar. O tempo todo trazendo pessoas para Cristo…

O chamado de Tiago (Irmão de João)

De volta a Lucas 6, agora vamos voltar nossa atenção para Tiago. Pedro e João, obviamente, são bastante retratados nas Escrituras. Nós temos um retrato razoavelmente bem colorido deles. Mas, temos apenas silhuetas de André e Tiago.

O versículo 14 mostra que Pedro é seguido por André, seu irmão, e então vêm Tiago e João. Vamos analisar João no próximo sermão. Tiago, nós sabemos, era filho de um homem chamado Zebedeu, o qual tinha um negócio de pesca, sendo que Tiago e João eram pescadores nesse negócio.

Apesar de termos poucas informações acerca de Tiago, ele ocupava uma posição bem relevante entre os doze. Em duas das listas com os nomes dos doze, seu nome vem depois do de Pedro. Disso podemos presumir que ele era um líder muito, muito forte. Além disso, quando os dois nomes dos irmãos aparecem juntos – Tiago e JoãoTiago é sempre o primeiro, o que poderia indicar que ele era mais velho e o mais dominante dos dois.

O nome de Tiago nunca aparece, em nenhum momento nos Evangelhos, separado do nome de João. Não temos qualquer informação sobre Tiago sem João. É sempre ‘Tiago e João’. Eles são inseparáveis nos Evangelhos. Mas, Tiago parece ser o predominante.

O negócio da pesca era bastante bem sucedido, aparentemente, porque aprendemos em Marcos 1:20 e Mateus 4:21 que seu pai tinha esse negócio e que eles contratavam mão-de-obra, o que mostra que o negócio era bastante grande. Tiago e João, naturalmente, como Pedro e André, tiveram o privilégio de serem chamados naquele primeiro chamado, ao longo da costa da Galiléia, naquele dia em que Jesus veio e os trouxe para esse círculo íntimo de relacionamento.

E, ao contrário de André, Tiago fazia parte do círculo dos três mais íntimos de Jesus, junto com Pedro e João. Ele estava lá no Monte da Transfiguração. Ele estava lá no lugar especial do jardim, com o Senhor, orando. Mas, ainda assim, sabemos muito pouco sobre ele.

A melhor maneira de começarmos a desvendar um pouco a pessoa de Tiago é, provavelmente, notar que Jesus lhe deu um nome. Na verdade, Ele chamou Tiago e João de Boanerges, Marcos 3:17. Significa “filhos do trovão”. Agora, quando você chama alguém de ‘filho do trovão’, você está definindo sua personalidade em termos muito vívidos.

Tiago se encaixa nesse perfil: zeloso, trovejante, apaixonado, fervoroso. Ele pode muito bem ter sido uma espécie de Jeú do Novo Testamento, que disse no Velho Testamento: “Venha ver o meu zelo pelo Senhor!”, e, então acabou com a casa de Acabe e varreu os adoradores Baal da terra.

Tiago era uma pessoa ardente, apaixonada. Ele parece ter sido capaz de fazer grandes inimigos rapidamente. Enquanto André estava levando pessoas silenciosamente para Jesus, ele as estava afastando. E há um lugar na liderança espiritual para aquelas pessoas que têm personalidades trovejantes. Tiago aparentemente era assim por personalidade, por caráter e pode ter sido auxiliado e encorajado pelo fato de que ele se fixou em algumas das coisas que Jesus fez, que justificavam esse tipo de fúria.

Tenho certeza de que ele bem se lembrava de que Jesus tinha feito um chicote e purificado o templo, quando aquelas pessoas estavam fazendo o que desonrava a Deus. E tenho certeza de que Tiago estava convencido de que sua fúria era realmente justa indignação, protetora da santidade de Deus.

Mas, às vezes, seu zelo era menos que justo. Nós não temos muitos vislumbres de Tiago, mas eu vou mostrar-lhes os que temos. Olhe para Lucas 9 e aqui está uma resposta típica de um ‘filho do trovão’. Lucas 9:5. Jesus agora vai subir a Jerusalém para a Páscoa final, para Sua morte, sepultamento, ressurreição.

Agora, eles vêm da área da Galileia, descendo em direção a Jerusalém. Eles têm que passar por Samaria. E há uma aldeia samaritana. Não há como fazer uma reserva para estadia, portanto, é necessário enviar um mensageiro à frente. Este é o momento em que um grande número de peregrinos estão migrando e têm que encontrar um lugar para ficar. E, assim, eles enviam mensageiros à frente de Jesus. Eles vão e entram numa aldeia dos samaritanos.

Agora, você precisa saber que os samaritanos e os judeus se odiavam com paixão. Os samaritanos eram pessoas que se casaram com gentios. Eram judeus que desprezavam e desdenhavam sua herança, como Esaú, e se casaram com pagãos, e assim contaminaram a linhagem de Israel. E eram odiados pelos judeus, por tal desdém e deserção. Os judeus nem sequer entravam em áreas samaritanas.

Os samaritanos não só odiavam os judeus, mas odiavam a adoração em Jerusalém. Eles tinham seu próprio culto no Monte Gerizim. Eles, portanto, odiavam o evangelho messiânico. Eles não tinham nenhum interesse nesse assunto. E isso era apenas mais uma das coisas judaicas que eles desprezavam.

Então, quando os mensageiros foram à frente de Jesus, eles provavelmente disseram: “Olha, o Messias está vindo”, e assim por diante, e contaram-lhes toda a história, versículo 53, mas eles não O receberam porque Ele [Jesus] estava caminhando com o rosto em direção a Jerusalém. Eles não queriam nada com alguém indo para Jerusalém, fazendo parte dessa adoração. E, assim, não O receberem.

Quando Seus discípulos, Tiago (de novo o primeiro nome) e João viram isto, eles não disseram: “Senhor, devemos orar por essas queridas pessoas, para que elas sejam iluminadas?”. Mas, o que eles disseram foi: “Senhor, queres que ordenemos fogo para descer do céu e os consumir?” Esta não é a mentalidade de alguém amigável: ‘Senhor, dá-nos o poder e vamos incinerá-los!’ Este é um autêntico filho do trovão falando.

Pode até ter havido um clima sério, hostil, na aldeia samaritana. Os mensageiros podem ter sido expulsos com maldições e pedras jogadas contra eles, visto que a animosidade era tão grande. Mas, o fato de que eles não aceitariam o Messias enfureceu Tiago e João. Aparentemente, a idéia reacionária teria partido do líder, que era Tiago. O Senhor deveria dar a ele e a seu irmão João o poder de ordenar fogo do céu e, literalmente, transformar toda a cidade em cinzas, acabar com os incrédulos.

Agora, André disse: ‘traga-os a Jesus’. Já Tiago, ‘queime-os!’. Esse não é, exatamente, o espírito missionário. Mas, não é interessante que o Senhor chamou um sujeito como este e seu irmão para compor o grupo dos doze apóstolos?

Bem, Jesus responde no versículo 55: “Ele se virou e os repreendeu e disse: Vocês não sabem de que tipo de espírito são.” Em outras palavras, ‘vocês têm uma atitude ruim, pessoal’. Isto é, ‘que tipo de espírito é esse?’, ‘vocês não poderiam ser mais parecidos com André?’. “O Filho do Homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los.

Agora, há um toque de nobreza na abordagem de Tiago e João. Há algo sobre isso que eu gosto. Melhor ser inflamado com justa ira do que permitir insultos a Cristo, você não concordaria? Gosto do fato de que eles não permitiriam que um insulto ao Messias passasse sem uma reação. Jesus ficou irritado quando Deus foi desonrado.

Há outro episódio em Mateus 20, versículo 20. Este é um dos incidentes mais bizarros, em todos os Evangelhos, sobre os apóstolos. Tiago não era apenas fervoroso, apaixonado, zeloso, insensível. Mas, ele também era ambicioso, disposto a alcançar os lugares mais altos. “Então, a mãe dos filhos de Zebedeu veio a Jesus com seus filhos, curvando-se, e fazendo um pedido a Ele.”

Eles vieram junto com a mãe… Ela poderia amaciar Jesus. E Ele disse a ela: ‘O que você deseja, o que você quer?’ Ela respondeu, mais ou menos assim: ‘bem, isto não é não é um pedido simples… Ordena que, no Teu reino, estes dois filhos meus possam sentar-se, um à tua direita e um à tua esquerda…’.

Percebem sua atitude? Eu não sei como era Zebedeu, mas a Sra. Zebedeu era um punhado corajosa… Uau! Ela está tentando comandar o Messias! E algumas senhoras estão dizendo: ‘eu não posso me identificar com ela … Isto não é um espírito manso e quieto: Jesus, mande que meus meninos estejam à Tua direita e à Tua esquerda no reino.’ Pobre senhor Zebedeu… Tenho certeza que ele passava muito tempo no barco…

Vocês sabem, eles estavam perto de Jesus. Eles sabiam que estavam no círculo íntimo. Eles haviam sido chamados como discípulos há um longo, longo tempo. Eles O conheciam bem. E eles iriam aproveitar essa posição. E tinham sua mãe envolvida. Quero dizer, ela não teve qualquer hesitação. Isso mostra o quão ousada ela era. Ela expôs sua ambição bem diante Dele, de Jesus.

E Jesus disse: “Não sabeis o que pedis…”. E o pedido era para que seus filhos tivessem uma posição mais proeminente no Reino. Essa era a idéia. Jesus continua: “Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber?” Ele estava dizendo era que a posição que eles queriam no Reino era reservada para quem sofria. Como Ele, o próprio Jesus, sofreu mais, Ele será exaltado a uma maior posição e aqueles que sofrem mais serão exaltados a essas posições. É dado para aqueles que sofrem. Então, ‘vocês são capazes de beber do cálice que estou prestes a beber’?

E, naturalmente, em sua auto-ambiciosa confiança, eles disseram: “Podemos, nós somos capazes”, clamando por honra, clamando por posição. Você acha que o Senhor chamaria propositalmente alguém que é insensível, áspero, zeloso, apaixonado e ambicioso para o ministério? Bem, Ele faz isso o tempo todo. Ele gosta de projetos, de matéria bruta para refinar.

E, como eu tenho dito a você o tempo todo, o único tipo de pessoas que Ele tem a disposição são aquelas que são problemas que precisam ser resolvidos. Esse tipo de paixão, de zelo e o tipo de fervor que esses irmãos tinham foi usado poderosamente por Deus, após eles serem lapidados.

Portanto, o Senhor diz: ‘Ok, vocês vão beber de minha taça. Vocês querem alcançar esta posição no Reino? Acreditam que conseguem lidar com isso? Vocês irão beber. Desculpem-me, pois não posso lhes garantir estarem sentados à minha direita ou esquerda. Somente o Pai determinará quem merece os lugares de destaque.’ Haverá lugares de destaque no Reino, mesmo entre os apóstolos. Eles governarão sobre as doze tribos, sim, mas alguns receberão mais proeminência do que outros.

Bem, essa ambição ridícula criou todo tipo de problemas, porque o verso 24 diz: “Ouvindo isso, os dez se indignaram com os dois.” Agora, todos estão envolvidos no espírito de rivalidade e você conhece a história. Passaram a debater o tempo todo quando estavam juntos, clamando pela honra.

E aqui estão, Tiago e João, os incineradores de samaritanos, consumidos com ambição. Seu zelo se torna um empreendimento de perseguição pelas posições de poder. Jesus tinha muito trabalho a fazer nestes homens…

Tiago queria uma coroa, Jesus lhe oferece uma taça, um cálice. Ele queria poder, Jesus lhe deu servidão. Ele queria governar, Jesus lhe deu uma espada, não para a empunhar, mas para ser o instrumento de sua própria execução. Catorze anos depois disso, o céu foi encontrado por Tiago, sob a sombra da espada.

Vamos ao capítulo 12 de Atos, para o fim da história. Aqui, fora dos Evangelhos, nós vemos Tiago sozinho, embora ele seja identificado como o irmão de João. Agora, isso é muito interessante. Herodes está muito, muito furioso, irado contra a igreja, a expansão da igreja, a expansão do Evangelho, pois a igreja estava começando a afetar o mundo pagão. “E por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar.” (Verso 1). Começa a perseguição.

Olhe os versículos 2 e 3: “E matou à espada Tiago, irmão de João. E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro.” Quando Herodes quis parar o crescimento da igreja, a quem ele escolhe matar? Pedro? Não. João? Não. Tiago. Nessa época, Tiago já era pura potência no Reino de Deus. Era o poder espiritual personificado.

Ele primeiramente escolhe matar Tiago. Não Pedro, o grande pregador dos primeiros doze capítulos de Atos. Nem João, o companheiro de Pedro e que viajava com ele. Ele matou Tiago. Esse filho do trovão tinha sido lapidado por Cristo, capacitado pelo Espírito Santo, transformado assim em um homem cujo zelo e ambição eram para Deus e para o reino de Deus, cuja força e intolerância eram para fins divinos e para a proteção da verdade.

Suas simpatias estavam reservadas para aquelas coisas que honravam a Deus. Em algum lugar ao longo do caminho, Tiago tinha aprendido a controlar seu temperamento, a frear sua língua, redirecionar seu zelo, eliminar a vingança, e perder completamente a ambição pessoal.

Corajoso, zeloso, às vezes sem amor, insensível, ambicioso, um homem de paixão, ele se transformara agora em um instrumento de Deus. E sua força era tão grande que quando chegou a hora de parar a igreja, ele era o homem que tinha que morrer.

Ele bebeu o cálice, sua vida foi curta. Chegou ao fim rapidamente na ponta de uma espada. Um escritor histórico diz que quando foi condenado à morte, Tiago foi levado por um oficial ao local de execução. Este homem era seu carcereiro. Este oficial ficou tão impressionado com a coragem que Tiago demonstrou naquela hora, que se arrependeu do seu pecado e caiu aos pés do apóstolo e implorou perdão pelo papel que desempenhara no rude tratamento que dera a ele no caminho para a execução.

O apóstolo, de acordo com este relatório, levantou o oficial do chão, abraçou-o, beijou-o e disse: “Paz, meu filho, a paz seja contigo no perdão dos teus pecados”. Imediatamente transformado, o oficial, publicamente confessou sua rendição a Jesus Cristo e foi decapitado ao lado de Tiago. Tiago se tornou um pouco mais parecido com André, trazendo alguém a Jesus, mesmo em sua morte.

Deus quer o apaixonado, o zeloso, o linha de frente, dinâmico, forte, ambicioso, mas não com insensibilidade. Deus tem que fazer um trabalho maravilhoso para abrandar as pessoas que são assim. Zelo com insensibilidade é cruel. Billy Sunday, foi um famoso evangelista americano, mas todos os seus filhos morreram na incredulidade. Tiago poderia ter sido assim facilmente, por isso precisou de refinamento.

Agora, se eu tiver que escolher entre um homem de ardor, paixão, entusiasmo e um homem com potencial de fracasso e de compromisso frio, eu vou levar o homem com paixão. Mas, é preciso muito trabalho para aperfeiçoar isso. Se, pela graça de Deus é moldado, então você tem um Tiago: tão importante, forte e tão comprometido que, para parar a igreja, você tem que executá-lo. Deus precisa dos ‘Pedros’, dos ‘Andrés’, e Ele precisa dos ‘Tiagos’ também.

Oremos.

Pai, nós Te agradecemos de novo por este vislumbre dessa vida, não apenas qualquer vida, mas de uma vida notável e espantosa, de uma vida ainda vivida na Tua presença no céu, a vida de Tiago, filho de Zebedeu, pescador, líder da igreja de Jerusalém. Como foi maravilhoso! E outro veio após ele, também chamado Tiago, o irmão de nosso Senhor, como um líder daquela igreja, seguindo este Tiago. Nós Te agradecemos, Pai, por nos lembrar novamente de como Tu nos levas com todas as nossas várias idiossincrasias, todas as diferentes matérias-primas e Tu podes moldar todos os tipos de pessoas comuns para que possam ser levadas a um chamado incomum e ter um eterno impacto. Usa-nos como achares conveniente, molda-nos para Tua glória. Em nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos

01. O chamado dos doze apóstolos
02. O chamado de Pedro (Parte 1)
03. O chamado de Pedro (Parte 2)
04. O chamado de Pedro (Parte 3)
05. O chamado de André e Tiago (irmão de João)
06. O chamado de João
07. O chamado de Filipe
08. O chamado de Natanael (Bartolomeu)
09. O chamado de Mateus e Tomé 
10. O Chamado de Tiago (filho de Alfeu), Simão (o zelote) e Judas Tadeu 
11. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 1
12. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 2


Este texto é uma síntese do sermão “Common Men, Uncommon Calling: Andrew and James”, de John MacArthur, em 10/06/2001.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/42-75/common-men-uncommon-calling-andrew-and-james

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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