O divino consolo na tribulação

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A chuva e a névoa obscurecem as belas montanhas verdes, isso é de certa forma uma parábola da vida.
Onde quer que você encontre uma genuína vida cristã coberta com as névoas e chuvas de tristeza, você provavelmente vai encontrar a beleza verdejante da alma.
Grandes corações são o produto de grandes problemas. As provas da vida fornecem a Deus a oportunidade de nos humilhar. E a humilhação é o caminho para a glória.
Deus permite tantos problemas, a fim de que possa nos dar de Seu consolo e força, que não poderiam existir em nossos próprios recursos. E tudo isto Ele faz para que estejamos plenamente dentro de Sua vontade.

O apóstolo Paulo era uma pessoa que bem sabia o significado de ser humilhado, ter a vida envolta por nevoeiros e ser cercado por chuvas de tribulações.
Em vez de lutar contra elas, ele as abraçou. Em vez de resisti-las, ele congratulou-se com elas. Em II Coríntios 12:9-10, ele diz:

De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.

Ele tinha aprendido que os problemas, as tribulações, as disciplinas e as dores que vieram à sua vida eram a própria chuva, neblina e nevoeiro que Deus usou para fazê-lo à imagem de Cristo.
Ele aprendeu que a força de Deus só é aperfeiçoada em nossa fraqueza. Somente quando encaramos uma extremo de vida, onde não temos nenhuma solução humana, assim Deus pode trazer toda a glória além da escuridão.

No Salmo 42, o salmista fala sobre esta questão. Em sequência, no Salmo 43, ele encontrou-se em uma névoa grave e em meio a uma chuva de problemas. Envolto em tantos profundos problemas, ele estava em situação de lágrimas contínuas, de luto o tempo todo.
Ele era atacado por seus inimigos, sentiu-se abandonado por Deus e oprimido. Sentiu-se ofegante em meio às lágrimas e a sensação de ameaças parecia estar piorando.
Ele diz: “As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?” (Salmo 42:3).
Quando ele tirou os olhos de sua situação e os colocou em seu Deus, as coisas começaram a mudar. Quando ele parou de ouvir a sua alma perturbada, houve uma alteração no seu estado de espírito.

Ele afirma que Deus virá e trará o socorro. E não só isso, ele diz que Deus vai mudar seu rosto, seu semblante. Em outras palavras, o homem que está deprimido, desesperado, inquieto, miserável e infeliz vai mostrar isto em seu rosto.
Mas, o salmista diz que Deus virá e mudará seu rosto, seu semblante. De uma expressão inquieta, perplexa e perturbada, seu semblante se tornará sereno, calmo, tranquilo, equilibrado, brilhante e esperançoso.
O salmista, então, diz: “Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu. Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face e Deus meu” (Salmo 43:4-5).

Em Isaías 49:13-15, o profeta havia aprendido, em circunstância terríveis, o que o salmista havia entendido:

Exultai, ó céus, e alegra-te, ó terra, e vós, montes, estalai com júbilo, porque o Senhor consolou o seu povo, e dos seus aflitos se compadecerá. Porém Sião diz: Já me desamparou o Senhor, e o meu Senhor se esqueceu de mim. Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.

Temos, ainda, no livro de Isaías: “Eu sou aquele que vos consola” (51:12); “o Senhor consolou o seu povo” (52:9); “como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei” (66:13).

No Novo Testamento, quando Jesus estava prestes a deixar esta terra, ele gastou um tempo animando e consolando os discípulos, prometendo o consolador e que não os deixaria órfãos.
Ao enviar o Espírito Santo, Ele capacitou seus discípulos a dizerem: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. (Filipenses 4:13)

Vamos olhar agora para o texto que quero compartilhar com vocês hoje, Em II Coríntios 1:3-7, que diz:

3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação;
4 Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.
5 Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo.
6 Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação e salvação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos;
7 E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação.

Paulo está falando de consolo e está expressando sua gratidão por todo consolo que ele recebeu em meio a suas dores.
Uma das principais marcas de seu apostolado foi a dor, não apenas a dor física da perseguição, mas a dor da decepção, e, certamente, a igreja de Corinto infligiu muita dor a ele.
Mas, apesar de toda a sua dor e provações, ele não está gemendo e reclamando, ele fala de alegria, pois em meio a suas dores, ele estava sendo consolado por Deus.
E toda a consolação que ele recebia do Senhor o equipava a ministrar aos outros a consolação divina e a expressar o poder de Deus.

Falsos mestres, que afirmavam ser verdadeiros apóstolos, haviam infestado a igreja em Corinto e levantado um motim muito grave.
Eles reuniram muitos para se rebelarem contra Paulo. Eles se empenhavam em ensinar heresias. Eram representantes de Satanás, disfarçados de anjos de luz.
Eles atacaram Paulo com mentiras caluniosas, acusando-o de todos os tipos de pecados, desde imoralidade a fraude. Diziam que Paulo era uma farsa e uma fraude, e que ele não tinha credibilidade, pois lhe faltava integridade.

No capítulo sete desta segunda carta, Paulo relata que encontrou Tito cheio de alegria, por ter constatado um arrependimento naquela igreja, após a forte repreensão de Paulo na primeira carta.
Ele também sabia que ainda havia uma minoria disposta a fazer mais uma rebelião, mas ele considerou que aquilo não iria longe.
E, assim, ele escreve esta carta, em parte, para demonstrar sua alegria e gratidão pelas atitudes da igreja, mas na maior parte para reafirmar suas credenciais apostólicas.

O nosso texto de hoje, II Coríntios 3-7, nos diz algumas coisas muito profundas sobre o conforto de Deus em nosso sofrimento.
Em primeiro lugar, reafirma-nos a promessa de consolo, verso 4: “que nos consola em toda a nossa tribulação”.
Paulo está dizendo: ‘eu quero que vocês saibam que o Deus de toda a consolação nunca falha. É Sua natureza. É Sua promessa. Ele disse que não nos deixaria órfãos’.

O Senhor é um amigo que se apega mais do que um irmão. O Senhor está sempre conosco, Ele não nos deixa e nem nos abandona. O Senhor faz morada em nós, em Seu poder soberano supre nossas necessidades, segundo Cristo Jesus.
Ele é o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação. Paulo fala isto não somente por revelação, mas, principalmente, por experiência.

É muito parecido com Romanos 8:31, que diz: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” E, claro, a resposta é ninguém, porque ninguém é tão poderoso quanto Deus. O verso 32 diz: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?”.
Ou seja, se Ele já nos deu o maior presente que era Seu Filho, o dom mais sublime, o presente mais sacrificial, como não nos ajudará em nossas provações, em coisas menores?

Se Ele já fez o sacrifício supremo, Ele certamente está disposto a fazer outros de menor importância. Se Ele nos deu a maior graça, Ele nos dará as menores. Se Ele nos deu Cristo, não irá Ele dar-nos o resto?
Você acha que alguém pode ter êxito ao trazer uma acusação contra os eleitos de Deus? (v.33) Não. Deus já nos declarou justos. Quem é que vai nos condenar? (v.34) Ninguém. Jesus Cristo morreu por nós.

Então o que é que poderia nos separar do amor de Deus em Cristo? O que seria? Tribulação? Não. Aflição? Não. A perseguição? Não. Fome? Não. A nudez, o perigo, a espada? Não. Na verdade, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por Aquele que nos amou.
E assim, nos versos 35-39 de Romanos 8, temos:

Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

Paulo tinha conhecido a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, as ameaças da espada, do perigo e da nudez. Ele tinha sofrido atentados de anjos caídos e principados malignos.
Ele está dizendo que já havia passado por tudo isso, não só por revelação, mas por experiência pessoal.
Ele não se entregou à melancolia da alma, mas confiou no Deus a quem servia. Ele sabia que servia a um Deus que havia feito uma aliança inquebrável com ele.
E ele tinha por certo que “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

Ele diz no verso 4 que “Deus nos consola em toda a nossa tribulação”. Esta palavra “tribulação” ou “aflição”, vem do grego “thlipsis”, que significa “pressão”.
E na vida de Paulo havia sempre a pressão tentando esmagar a sua vida, debilita-lo ou restringir e limitar o seu ministério.
Mas, quando ele diz que Deus nos consola em “toda” nossa tribulação, ele está ressaltando a abrangência do consolo divino.
Não importava de onde vinha e quão poderosa fosse a pressão, Deus estava com ele, dando-lhe força para atravessar os vales.

No plano soberano de Deus, até chegar o momento em que o Senhor quisesse que Paulo saísse dessa terra, ele era indestrutível.
Muitas foram as situações em que ele passou por graves perigos, hostilidades e atentados contra sua vida, mas jamais recuou em seu ministério. Ele disse:

E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus (Atos 20:22-24).

Ele sabia que era indestrutível enquanto Deus estivesse cumprindo um propósito com sua vida. Ele tinha a confiança de que Deus estaria lá para fortalecê-lo em todas as provas, até que Seu plano fosse totalmente concluído.
Ele não era mais forte que as lutas que passou, mas o Deus a quem ele servia é soberano sobre tudo. E, assim, Paulo descansava no poder gracioso de Deus.

A consolação que Deus nos dá tem um propósito: “Para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” (II Coríntios 1:4).

Esta é uma verdade maravilhosa. Escute isto: Paulo vê o consolo não como um fim em si, mas como um meio para um fim. Como algo que se destina a ser passado adiante. Ele recebeu o consolo de Deus para que pudesse fortalecer a outros que estavam em angústias.

É interessante, realmente, que o Deus soberano que usou Paulo para humilhar a igreja de Corinto, confrontando-a para o arrependimento, também o usou para a consolar.
Paulo sabia que aqueles que sofrem mais, experimentaram mais consolo. E aqueles que experimentam mais consolo eram, assim, capazes de consolar outros mais.

Ele havia sido afligido, humilhado, ferido. Ele não era perfeito, mas ele era um nobre cristão. Ele não se queixava, era um cristão muito preciso e disciplinado.
Mas, viu tudo isso como um meio de devastar seu próprio orgulho humano, enfraquecendo-o ao ponto de depender apenas do poder de Deus.
Ele via a si mesmo como um mero canal através do qual Deus poderia passar consolo e ânimo para os outros, porque ele tinha experimentado tanto Dele.

Em Lucas 22:31-32, Jesus diz a Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos”.
O Senhor sabia que Pedro ia ser severamente tentado por Satanás e o negaria.
O Senhor estava lhe dizendo: ‘Pedro, você vai se deparar com toda a fúria do inferno, haverá momentos de fracassos, mas vou deixar você passar por isto. Depois de passar por tudo, você virá quebrantado e arrependido. Então, poderei usá-lo para confortar e fortalecer os outros’.
O Senhor permite os sofrimentos para que Ele possa criar em nós um coração estável e pronto para socorrer os aflitos.

O verso 3 de II Coríntios 3 diz que Deus é o “Deus de toda a consolação”, ou seja, toda consolação vem Dele, o resto é uma farsa. O verso 4 diz que nós consolamos “com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus”.
Não há consolação verdadeira fora de Deus. Você vê psicólogos, psiquiatras e outras pessoas tentando consolar pessoas no reino humano com recursos humanos. Tudo isso é de curta duração e não resolve o problema.
O único consolo verdadeiro vem, de forma sobrenatural, de Deus. Não há nada mais que seja real. Só podemos consolar com a mesma consolação que recebemos de Deus.

O consolo não é ilimitado. Veja verso 5: “Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo”.
O que ele está dizendo? Ouça o que ele está dizendo. O consolo de Deus estende-se a qualquer nível que sofremos por Cristo. O limite do consolo de Deus é o sofrimento justo, santo.
Se nós sofremos os sofrimentos de Cristo, também seremos plenamente consolados com o consolo de Cristo. O conforto será igual ao sofrimento. Que sofrimento? Não o sofrimento pelo pecado, mas o sofrimento por Cristo.

I Pedro 2:12-16 diz:

Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.

Em qualquer nível que sofrer por Cristo, você vai ser consolado por Cristo. Na medida em que você sofre por Cristo, você será consolado.
Na medida em que você sofre por Cristo e é consolado, você será recompensado na eternidade. Sua recompensa eterna está ligada ao grau de seu sofrimento, como é o de seu consolo.
Não importa o que aconteça com você por causa do nome de Cristo, Deus irá abençoá-lo, o Espírito da glória, o Espírito de Deus vai descansar em você. O Espírito Santo virá para você com o poder.

Ouça bem, não há nenhuma promessa de glória futura e consolo, se o pecado é a causa de seu sofrimento.
Deus não está dizendo: “Bem, em todo o seu pecado eu vou te consolar”. Não, em seu pecado Ele irá discipliná-lo, conforme Hebreus 12:5-11. Ele usará o açoite para te conduzir à santidade.
Assim, os parâmetros para a promessa do consolo de Deus são os sofrimentos de Cristo.

Por isso, Paulo diz: “Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo” (II Coríntios 1:5). Em II Coríntios 4:8-12,14-15 ele diz o mesmo:

Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco. Porque tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de Deus.

Em Gálatas 6:17 ele diz: “Trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”. E em Colossenses 1:24, ele diz: “Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja”.
Ou seja, ele declara sua alegria por sofrer pela igreja. Ele não rejeitou, em momento algum, o padecer pelo que é justo.
Em Filipenses 3:10, ele declarou o desejo de crescer no conhecimento de Cristo “e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte”.

Jesus declarou: “Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?” (Mateus 10:24-25).
Se Jesus sofreu, eu sofrerei. E conforme Hebreus 13:13, devo estar disposto a suportar o seu opróbrio, carregar cicatrizes destinadas a Jesus.
Mas, estamos sob uma tremenda promessa do Senhor: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).

A promessa de conforto vem de Deus. A finalidade do conforto vem através de nós para os outros. Os parâmetros de conforto são definidos pelo sofrimento de Cristo. Não espere que Deus venha a você com grande poder e consolo, se você está em pecado. Ele vai derramar o Seu Espírito de graça e de glória em você quando o seu sofrimento é por causa da justiça.

Temos a parceria do sofrimento. Ele diz: “Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação e salvação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos” (II Coríntios 1:6).
Ou seja: ‘Olha, quando estamos aflitos é para que possamos te confortar e trazer a salvação. E quando estamos consolados, depois da nossa aflição, é novamente para que possamos te consolar’.

Deve ter havido uma falta de compaixão para com Paulo pela igreja de Coríntios. Deve ter havido uma dureza de coração, uma frieza, uma falha em compreender a dor, o sofrimento e a aflição de Paulo, que Deus havia permitido para santificá-lo e o torna-lo mais útil.
Este sofrimento tinha uma parceira, ou seja, estava ligado à igreja. Foi a disposição de sofrer que permitiu a Paulo cumprir seu ministério naquela cidade e em outros lugares.
As névoas de problemas poliram seu caráter e o fizeram útil àqueles irmãos. Seu sofrimento tinha uma ligação direta com a vida da igreja.

Deus estava usando Paulo como um instrumento para a salvação e perseverança da igreja de Corinto.
Ele se doou a uma congregação que lhe custou muitas dores e aflições. Mas, até mesmo essas dores e sofrimentos o levaram a ser mais útil àqueles irmãos. Há uma clara conexão aqui.
Se aprendermos a sofrer injustamente pelo testemunho de Cristo, seremos consolados e fortalecidos pelo Senhor, tornando-nos aptos a levar, aos que também estão padecendo, o mesmo consolo que recebemos do Senhor. Esta realidade não pode ser dissociada do sofrimento pela justiça.

Creio que você deve aprender a olhar além de si mesmo. Quando você sofre por causa da justiça, por fazer o que é correto, justo, você compreende que está ligado ao corpo de Cristo nessa dor. Não se trata de sofrer por causa das consequências do pecado, mas de sofrer por causa da justiça.

Eu sou tão feliz pelos sofrimentos que experimento em minha vida. Quando fui à Europa oriental, conheci um grupo de pessoas que tinha vivido uma vida de tantas inimagináveis privações, que quando comparei com os meus sofrimentos, considerei-os pequenos e sabia que estava apto a consolá-los num sentido muito pequeno. Quando eu conversava com eles, pude saber que experimentaram um consolo de Deus em um nível que eu não experimentara. Eles compartilharam comigo sua forte confiança no Deus que os trouxe até ali. Sou muito feliz por ter entendido isto.

Posso olhar para pessoas em várias situações ao redor do mundo e, embora eu não tenha passado exatamente pelo que elas passaram ou passam, eu sei que também experimentei o conforto suficiente de Deus para poder ser apto a consolar outros e transmitir a confiança que Deus derramou em mim nos momentos de aflição.

Há uma certa parceria, no sentido de que você nunca pode olhar seu próprio sofrimento a parte do corpo de Cristo. Você não pode desenvolver uma atitude de ‘coitadinho de mim’, uma atitude de autopreservação que diz: ‘eu não posso me posicionar por Cristo nesse assunto, porque se fizer isso eu poderei sofrer’. É melhor você se posicionar por Cristo, sofrer, ser confortado e, assim, Deus poderá te usar para confortar outros.

Havia alguns na igreja de Corinto que estavam sofrendo pelo Reino, pela justiça, pelo Evangelho. Eram cristãos comuns e estavam sofrendo, assim como o apóstolo Paulo estava. E Paulo estava dizendo que aqueles irmãos poderiam se confortar mutuamente com o consolo que cada um recebia da parte de Deus. E isso permitiria que cada um perseverasse pacientemente, através daqueles sofrimentos.

Como isso ocorre? Bem, você compartilha suas lições que tem aprendido no sofrimento e o irmão compartilha as dele com você. Isso ajuda a perseverar. Chamamos isso de encorajamento. O conforto traz esperança, mostra ‘luz no fundo do túnel’.

E, então, o verso 7 diz: “E a nossa esperança acerca de vós é firme…”. Ele não tinha dúvidas de que Deus iria fortalecê-los e conduzi-los em meio ao sofrimento. Por que ele declara que a esperança acerca daqueles irmãos era firme? Porque “… como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação.” Em outras palavras: ‘eu sei que vocês vão ficar bem, porque há um grupo de irmãos nesta igreja que está sofrendo por causa de Cristo e Deus irá trazer a vocês o consolo e a força. E através disto sua esperança vai permanecer firme’.

Os muitos sofrimentos na vida de Paulo multiplicavam o conforto divino que recebia e isso o fazia apto a confortar outros irmãos que passavam pelas mesmas aflições. E esse conforto os ajudava a perseverar. As aflições e conforto na vida de Paulo eram em prol da igreja. As tribulações o fortaleciam, davam ousadia, coragem e isso o capacitava a fortalecer a confiança de outros irmãos.

A despeito de toda dor que os coríntios tinham infligido em Paulo, e não foi pouco o que fizeram contra ele, Paulo via alguns ali como parceiros de sofrimento para serem ajudados. Mesmo embora eles o tivessem ferido tão profundamente e transmitido a ele tanta ansiedade, ele queria dar a eles apenas o conforto. E Paulo sabia que havia alguns entre eles fiéis o suficiente para sofrer pela mesma causa que ele sofria.

Deus te promete o conforto em toda circunstância, para que através de você alguém mais seja confortado. Esse conforto diz respeito apenas aos sofrimentos por causa de Cristo. E nesses sofrimentos você não estará sozinho, isolado. Seja qual for a dificuldade pela qual você passa, você não tem que ficar por sua própria conta, vendo o quanto isso te debilita, afeta, torna sua vida difícil. Mas, ao invés disso, veja como Deus usará essa experiência em favor de outros na igreja.

Veremos o próximo ponto depois, pois o tempo esgotou agora. Vamos orar.

Pai, agradecemos-Te por nesta manhã, de modo tão simples, Tu teres nos lembrado de que o Senhor é o Deus de toda consolação.
Esperamos que tenhamos sido capazes de trazer clareza acerca dessa passagem das Escrituras.
Colocaremos muitas questões da vida numa perspectiva diferente se entendermos que quando vivemos para Ti, pregamos o Evangelho, exaltamos a Cristo, sofreremos, seremos humilhados, perseguidos, tratados rispidamente, mas estaremos apenas no ponto em que Teu Espírito irá repousar em nós e nos fortalecer, fazendo-nos capazes de consolar outros que passam pelas mesmas aflições.
Senhor, faça-nos como o Senhor quiser que sejamos. Qualquer que seja o grau de sofrimento que passemos por causa do Reino, para nos moldar a fim de que sejamos úteis, pedimos que Tu o tragas a nós.
Que possamos, como Paulo, dizer que nos alegramos nas nossas fraquezas. Faça-nos fracos. Enfraqueça-nos, Senhor, em nossa força própria, para que sejamos fortalecidos em Tua força e poder.
Agradecemos-Te, em nome de Cristo. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “Blessed Is God, Part 2″, de John MacArthur em 14/11/1993.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/47-3/blessed-is-god-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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