A sabedoria celestial e terrena

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Vamos abrir nossas Bíblias em Tiago 3:13-18. Estou animado com o que o Senhor tem para nós esta noite através dessa porção das Escrituras.

13 – Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria.
14 – Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.
15 – Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.
16 – Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa.
17 – Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.
18 – Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.

Este maravilhoso texto é sobre a sabedoria. Ele contrasta a sabedoria terrena e celeste. O tipo de sabedoria que alguém demonstra é um teste da presença ou não da verdadeira fé salvadora.
Tiago coloca uma série de testes pelos quais uma pessoa pode verificar a autenticidade de sua fé. E este é o próximo na lista.
Ele está dizendo a seus leitores que aqueles que são verdadeiramente salvos, que conhecem a Deus, que possuem uma fé viva, têm um certo tipo de sabedoria.
Em outras palavras, a sua conversão espiritual se manifesta em sua sabedoria. A sabedoria é evidência de qual tipo de pessoa você é, que nós somos.

E sabedoria, lembre-se, não significa conhecimento, informações. A sabedoria significa a aplicação do conhecimento com o poder divino para a transformação de atitudes e comportamentos em justiça, uma reconstrução de vida.
Sabedoria, então, não é o que eu sei, mas como eu vivo. E assim, se eu vivo de acordo com a sabedoria de Deus, estou demonstrando minha condição espiritual de novo nascido.
Deus não recompensará a sabedoria humana. A sabedoria que vem Dele é aquela que transforma o homem em seu interior, e é esta sabedoria que tem valor eterno.

Tiago era um judeu escrevendo para judeus, ele presume a compreensão deles sobre o Velho Testamento.
A sabedoria do Antigo Testamento foi basicamente iniciada pelo temor do Senhor. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmo 111:10).
A sabedoria começa temendo ao Senhor. Temer ao Senhor é igual à fé salvadora. Temer ao Senhor é ter uma relação de confiança reverente em Deus.
Quando o Antigo Testamento diz “temei ao Senhor”, é um chamado à salvação, é um chamado para uma confiança reverente, para um compromisso de amor, obediência e rejeição do pecado.

Então, a sabedoria começa no momento em que alguém é levado a um relacionamento com Deus, através de uma fé reverente e confiança, chamado, no Antigo Testamento, de temor do Senhor.
Em Atos 10, Cornélio, que era um gentio, e creu no Senhor, foi chamado de “temente a Deus” (v.22). Essa era a essência da fé salvadora.
Assim, no Antigo Testamento, quando uma pessoa colocava a sua fé em Deus, ele começava a trilhar um caminho de sabedoria. O temor do Senhor era o princípio da sabedoria.
O temor do Senhor era fugir da iniquidade, odiar o mal, amar a justiça e cumprir os mandamentos de Deus. Isso tudo é parte da obra de salvação.

Assim, quando uma pessoa coloca a sua fé em Deus, ela foi conduzida para a esfera da sabedoria. Ela passará a crescer nesta sabedoria divina.
A verdadeira sabedoria vem de Deus. É dada a quem se relaciona com Ele. Se conhecermos a Deus de uma forma íntima e pessoal, receberemos Dele a sabedoria. Ele é a fonte da sabedoria.
Todos nós que conhecemos a Deus, através de Cristo, de uma maneira pessoal, recebemos a sabedoria de Deus. A sabedoria de Deus se manifesta na vida de um crente verdadeiro.
Um verdadeiro cristão manifesta e cada vez mais manifesta a sabedoria de Deus. Um verdadeiro cristão cresce na adoração e no amor a Cristo. Um verdadeiro cristão serve e obedece a Deus cada vez mais.
Assim, quando dizemos que, como crentes, recebemos a sabedoria de Deus, isso não significa que recebemos e aplicamos toda a sabedoria de Deus.
Assim como falamos que a marca de um crente é a manifestação da sabedoria de Deus em sua vida, também podemos dizer que este texto de Tiago é um encorajamento e uma exortação para que possamos crescer em sabedoria.

O Novo Testamento também liga a sabedoria ao ato de crer. Por exemplo, veja Mateus 7:24-27, que diz:

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

Ele diz que aquele que ouve a Palavra e a pratica, o convertido, é um homem prudente, um homem sábio, que construiu sua casa sobre um fundamento correto.
Aquele que ouve e não a pratica, o falso religioso, é um homem insensato, um homem tolo, que construiu sua casa sobre um fundamento errado.
Nas palavras do Senhor, a sabedoria é equiparada com a salvação. A presença da fé salvadora na vida do homem.

Veja Mateus 24: 42-46, que diz:

Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis. Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim.

Em outras palavras, quem é o servo exaltado e sábio? Quem é? O servo fiel e prudente, o servo sábio.
Mas Jesus citou outro tipo de servo, aquele que disse: “O meu senhor tarde virá e começou a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios” (v.48-49).
Então, Ele diz que o senhor daquele servo virá de surpresa e “separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes” (v.50-51).
O falso crente é infiel, imprudente ou seja, um tolo. O verdadeiro crente é fiel, prudente, ou seja, um sábio.

No capítulo 25 de Mateus, nosso Senhor fala da Sua segunda vinda e conta uma parábola sobre o reino dos céus sendo semelhante a dez virgens tomando as suas lâmpadas, e as lâmpadas, por sinal, representam a profissão da fé cristã. E elas saíram ao encontro do esposo. Elas queriam conhecer a Cristo. Mas cinco delas eram prudentes e as outras cinco insensatas.
As loucas não tinham óleo em suas lâmpadas, ou seja, não havia nenhuma realidade no interior delas. As prudentes tinham óleo em suas lâmpadas, tinham a realidade interior.

À meia-noite houve um grito. O noivo está chegando. As prudentes acenderam suas lâmpadas e as tolas não tinham como acender.
Era tarde demais, a porta foi fechada. Jesus conclui dizendo: “E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos. E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço” (v.11-12).
Você quer ser um tolo com uma profissão religiosa, sem a realidade? Ou você quer ser um sábio, professando a fé e tendo uma realidade? Então, mais uma vez, a sabedoria é equiparada com a verdadeira fé salvadora.

Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 1, versículo 23-24, encontramos o mesmo pensamento:

Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.

Ou seja, quando você receber a Cristo, Ele se torna a sabedoria de Deus em você. Então, novamente sabedoria é equiparada com a fé salvadora.
Paulo conclui no verso 30: “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”.

Colossenses 2:3 diz que em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”.
Ou seja, aqueles que recebem a Cristo, recebem a sabedoria. São sábios. Quando alguém teme ao Senhor, trilha o caminho da sabedoria.

Em II Timóteo 3:15, Paulo diz a Timóteo: “E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus”.
Isso é precisamente o que Tiago está propondo em Tiago 3:13-18. Ele está dizendo que você pode conhecer o estado espiritual de uma pessoa por sua sabedoria.
O homem verdadeiramente espiritual manifestará a sabedoria de Deus: pura, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia (V.18).

Tiago diz: “Quem dentre vós é sábio e entendido?” (v.13). Ou seja, quem é um homem sábio? Quem tem a verdadeira sabedoria? E ele aponta três áreas.
Em primeiro lugar, ele trata de sua conduta em geral. Em outras palavras, se você acompanha-lo durante um período de tempo, e o vir nas provas, tribulações e exigências da vida, você verá, em sua conduta geral, a sabedoria de Deus.
Em segundo lugar, não só em sua conduta geral, mas também nas suas obras, em atos específicos. Cada ação específica será manifesta a sabedoria de Deus.
E então, finalmente, em uma atitude de humildade.
A sabedoria manifesta o poder e a palavra de Deus em cada área da vida. Então, quem é sábio? Aquele que prova através de sua conduta geral, seus atos específicos e sua atitude de humildade.

A falsa sabedoria

Nos versos 14 a 16, Tiago começa por analisar a sabedoria do mundo. Uma sabedoria que não é de Deus, não tem nenhuma relação com Deus, nenhuma obediência a Deus, nenhum conhecimento da verdade de Deus.

Primeiro de tudo, a motivação da falsa sabedoria: “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade” (v.14).
A questão aqui é o motivo, ou seja, “em vossos corações”. Provérbios 4:23 diz: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”.
Então, ele está olhando para o coração e vê o que motiva a pessoa. E há duas coisas que motivam: a inveja amarga, ou, numa melhor tradução, ciúme amargo e a ambição egoísta.

Vamos olhar para o ciúme amago. No grego, “ciúme” vem de “zelos” e expressa um ciúme perverso. Aqui há uma ideia de um egocentrismo amargo e duro, que produz basicamente uma atitude ressentida com todos os outros.
Isto constitui o mundo dos homens. A sabedoria humana faz o homem viver centrado em si mesmo, desenvolvendo uma atitude amargamente ciumenta contra quem ameace seu pequeno mundo.
Faz o homem ressentir-se com qualquer um que ameace seu território, suas realizações, sua reputação e sua pequena fatia neste mundo.
Qualquer pessoa autocentrada tem um tremendo problema com o ciúme amargo: ‘Qualquer um que não concorda comigo, é um inimigo implacável. Qualquer um que não concorda comigo é um adversário. Quem discorda de mim está errado. E tenho um amargo ciúme, uma amarga inveja daquele que discorda de mim e se dá bem’.

E, depois segue-se um sentimento faccioso no coração. Isso significa uma ambição pessoal que cria rivalidade ou um espírito partidário ou de antagonismo.
É novamente o centralismo em si mesmo. É apenas uma outra maneira de apontar para si mesmo.
Primeiro, você começa com ciúme amargo, isto o leva a desenvolver uma atitude de competição e conflito. A ambição egoísta gera um partidarismo e uma amargura para com os outros.

A sabedoria que não vem de Deus é egoísta, é autocentrada e é consumida com a satisfação do ego. Tem como objetivo a satisfação pessoal a qualquer custo.
É o objetivo do pensamento humanista, da sociologia humanista, da psicologia e de todo materialista.
É algo típico de um coração não regenerado. Não há nenhuma abnegação, não há humildade e não há um amor humilde para com os outros.
São pessoas orgulhosas, egoístas e tendo a si mesmas no centro. São pessoas que trabalham para o seu ganho pessoal, sua realização pessoal e o seu engrandecimento pessoal.
Elas manifestam a falsa sabedoria do mundo e mostram a ausência da sabedoria divina, ou seja, a ausência de uma relação com Deus.

Tiago fala de um cenário trágico, quando pessoas assim ainda alegam possuir alguma sabedoria. Ele diz:

… Não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa (v.14-16).

Em outras palavras: isto é uma grande mentira!

Dê uma olhada em si mesmo. O que motiva você? Olhe para o seu coração. Você está motivado por aquilo que honra a Deus? Você está motivado por um amor ao próximo? Você está motivado pela humildade? Você está motivado pela preocupação com os outros e não consigo mesmo?
Ou você está em uma viagem sob a direção de seu enorme ego, buscando ardentemente cumprir todos os seus desejos?
O homem perdido é dominado pelo orgulho e pelo egocentrismo. Essa é a natureza dele. É uma marca inconfundível de uma vida nas trevas.

A verdadeira sabedoria vem de Deus. Tiago diz: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente” (Tiago 1:5).
Deus é a fonte da sabedoria: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. (Tiago 1:17).

Tiago nos dá três palavras para descrever a sabedoria que é falsa: terrena (do mundo), animal (carnal ou sensual) e demoníaca (do diabo).
Quais são os três inimigos do crente? O mundo, a carne e o diabo. Você percebe o paralelo aqui?

Por que terrena (do mundo)? O homem sem Deus está confinado em um mundo em trevas, ele anda na escuridão e vive sem iluminação espiritual.
Ele nunca sobe acima do nível do mundo material. Ele está em um sistema fechado, trancado. Seus pensamentos são limitados à própria natureza do mundo.
Ele é ligado à terra. E assim, toda a sua sabedoria tem a marca da maldição de sua própria natureza caída, seu orgulho e egocentrismo.
O mundo vomita e gera cada vez mais egocentrismo.

Os homens vivem para satisfazer as suas próprias necessidades, seus próprios desejos, fazer o que quiserem e não deixar ninguém invadir aquilo que consideram ser seu direito. O sistema finito de homens perdidos exige uma sabedoria terrena e nada mais. Tudo se limita à corrupção do sistema do homem. Isso permeia sua filosofia, que permeia sua educação, que permeia todas as dimensões da sua vida.

Em segundo lugar, Tiago diz que é animal (do grego “psuchike”, que quer dizer carnal ou sensual).
I Coríntios 2:14 diz que “o homem natural (“psuchike”) não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.
Ele é sensual. Todos os seus sentimentos, impulsos, apetites estão trancados dentro de um sistema corrompido e caído, isto é, não se eleva acima dos seus impulsos corporais.
Do coração não santificado do homem e do seu espírito não resgatado é gerada toda a sabedoria humana.
A sociologia, a psicologia, a filosofia, a educação ou o que quer que seja, compreende o homem, seus problemas e soluções do ponto de vista sensual, carnal, puramente humanista.

Em terceiro lugar, é demoníaca. Além de a sabedoria do homem ser fruto de sua própria mente carnal e presa a este mundo corrompido, é também oriunda de demônios.
É disso que Paulo fala a Timóteo, sobre homens “dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” (I Timóteo 4:1).

Então, a sabedoria terrena tem essas marcas tenebrosas. E essa é a maneira que a maioria das pessoas vive. Mas, Satanás chama de sabedoria.
No Éden, Satanás prometeu que a desobediência daria sabedoria e o homem a buscou na forma que Satanás sugeriu (Gênesis 3:5-6).
Isso foi uma grande mentira. Satanás sempre promete sabedoria. E ele sempre promete que você vai conhecer, entender, ser erudito e educado. Mas, a sabedoria do mundo procede de espíritos malignos, de anjos caídos, de demônios, de Satanás e seus agentes disfarçados de ministros de luz, quando na verdade eles são ministros das trevas.

O que faz da maldade humana algo tão devastador é que o homem é inteligente e mau. Esta é uma combinação é mortal.
“O mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria” (I Coríntios 1:21). A sabedoria do homem apenas o leva à arrogância, autossuficiência e busca de satisfação de seus impulsos naturais (ou carnais).

E a única coisa, amados, acreditem em mim, que restringe o mundo em seus impulsos, é que Deus, em Sua graça, tem salgado a terra com a sabedoria divina que age como um limitador. E Ele colocou aqui um limitador vivo, o Espírito Santo.
Mas, olhamos para mundo e constatamos que ele está cada vez pior. E ele não pode ir de outra maneira, porque temos uma civilização inteira de pessoas que estão escravizadas pela sabedoria humana.
Nada oriundo desse mundo pode oferecer qualquer solução, pois todo o mundo está corrompido.

Em terceiro lugar, ele fala sobre os resultados da falsa sabedoria no versículo 16: “Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa”, ou, “onde há amargo ciúme e espírito de ambição pessoal aí há confusão e toda obra perversa”.
Isto é resultado produzido pela sabedoria terrena, sensual (carnal) e demoníaca. Este é resultado da sabedoria humana.
“Confusão” vem do grego “akatastasia”, que significa “desordem, instabilidade, caos, confusão”.
É a mesma palavra traduzida como “dobre” em Tiago 1:8, que diz: “O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos”.

A sabedoria terrena é, antes de tudo, orgulhosa, egoísta e centrada em si mesma. Ela destrói a intimidade, o amor, a unidade e a comunhão, trazendo a discórdia e o caos.
Você vê isto no mundo. Este é o ambiente em que vivemos. Ódios, amarguras, ações judiciais, divórcios, discórdias, divisões, confusões, devastações, incapacidade de amar, falsidades, ausência de paz, guerras etc. Este é o legado da sabedoria terrena.
E o mundo avançará trilhando este caminho obscuro de sua própria falsa sabedoria, até que a humanidade entre no mais profundo caos, até o momento em que Deus disser: basta!.

Se alguém diz professar uma fé em Cristo, diz ter experimentado o novo nascimento, mas seu coração está cheio de maus motivos centrados em torno do orgulho egoísta, sua forma de viver é terrena, sensual (ou carnal) e demoníaca e o produto de sua vida é o caos, a discórdia, a desordem e a confusão, trata-se apenas de um engano, de alguém firmado na falsa sabedoria, andando nas trevas.

A verdadeira sabedoria

Verso 17: “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia”.

Primeiro de tudo, ela é pura. Acredito que é uma referência ao seu motivo. A palavra aí implica caráter moral e espiritual sincero.
Ele não usou “hagios”, a palavra normal para algo puro, mas “hagnos”, que tem mais a ver com o caráter moral e espiritual sincero. Ou seja, livre de ciúme amargo, ambição egoísta e de autopromoção arrogante.
João usa esta mesma palavra quando se refere a Jesus: “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro” (I João 3:3).

Um crente verdadeiro é uma pessoa cujo coração tem desejos puros. O mais profundo desejo de um verdadeiro crente é fazer a vontade de Deus, servir a Deus, amar a Deus.
O salmista diz: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23-24).

O verdadeiro crente odeia seu pecado, e no seu mais íntimo, tem um desejo de ser puro e santo. Ele quer as mãos limpas e um coração puro. Esta é uma condição de um verdadeiro crente, como indicado nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5:8). Aqueles que têm a verdadeira sabedoria são aqueles que têm um coração puro.

A ideia raiz de “puro” é a palavra “hagnae”, que tinha a conotação secular da necessidade de se ter um coração puro para se aproximar dos deuses.
Hebreus 12:14 coloca que sem santidade ninguém verá o Senhor.
Ezequiel 36:26 diz: “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne”.
Creio que, ao salvar o homem, Deus remove dele um coração impregnado com a sabedoria do mundo e lhe dá um coração que se consome com a pureza.
Mesmo que este novo homem ainda esteja sujeito ao pecado, por causa de sua carne, ele agora tem um desejo puro de agradar a Deus.

A verdadeira sabedoria é fundamentada na motivação santa, na pureza. Esta é a atitude interior que manifesta preciosos frutos.
Ele diz que é pacífica, ou seja, amante da paz, promotora da paz. Em Mateus 5:9 Jesus diz: “Bem-aventurados os pacificadores, porque ele serão chamados filhos de Deus”.
Em oposição à sabedoria do mundo, a sabedoria de Deus não cria confusão, distúrbio, autopromoção. É amante da paz e construtora da paz.
Isto não quer dizer que ela busca uma trégua profana em não defender a verdade, não é isto, ela está comprometida com a verdade.

Depois, ele diz a sabedoria de cima é moderada ou suave, ou indulgente. É uma palavra difícil de traduzir do grego, o significado mais próximo é de uma pessoa sensata e meiga.
É a pessoa que suporta todos os tipos de maus tratos e dificuldades com uma atitude de humildade amável e paciente, sem nenhum sentimento de ódio e vingança.

Jesus disse no sermão do monte:

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós (Mateus 5:11-12).

E então, Tiago está novamente repetindo o que Jesus disse: os cidadãos do reino de Deus possuem esta sabedoria celestial.
Eles são pacíficos e eles são moderados, ou suaves e meigos. Eles não conhecem a vingança, eles reagem às perseguições e maus tratos com bondade.

Em terceiro lugar, ele diz que esta sabedoria é tratável. Esta foi a tradução usada para “Eupeithes” que significa “disposto a ceder, não teimoso, dócil”. O oposto seria teimoso, obstinado, desobediente.
Palavra usada para falar de uma pessoa que se submete à disciplina militar de bom grado, uma pessoa que observa as normas legais e morais na vida e voluntariamente se submete.

Tratam-se de pessoas guiáveis, que podem ser admoestadas, ensinadas, que se rendem facilmente.
É reflexo do que Jesus disse: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mateus 5:3-5).

Depois ele diz que a verdadeira sabedoria, a sabedoria de Deus, é cheia de misericórdia. É também um reflexo do sermão do monte, onde Jesus disse: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7).
Isso significa uma preocupação para com as pessoas que sofrem, perdão para com aqueles que erraram, a compaixão pela dor alheia.
Isso é evidência de fé salvadora e de uma vida transformada: a preocupação com os outros, a compaixão pelos outros e o desejo de dar para satisfazer as necessidades dos outros.
A ausência disto põe em xeque a existência da fé salvadora. João questiona: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (I João 3:17).

E, em seguida, cheia de bons frutos, Versículo 17. Significa simplesmente cheia de todas as boas obras, uma grande variedade de obras espirituais.
É muito parecido com: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mateus 5:6).
Esta é a pessoa cuja vida é demonstrada em boas obras, que são produzidas pela fé, o fruto do Espírito, “cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (Filipenses 1:11).

E, então, ele diz que é sem parcialidade. Esse é o único lugar, no Novo Testamento, que este termo é usado.
Isso significa alguém inabalável em seu compromisso. Não há nenhuma mudança e oscilação. É consistente, nunca faz distinção de pessoas e nunca vacila no compromisso.
E, finalmente, sem hipocrisia. Totalmente sincero, verdadeiro, não falso, sem pretensão, sem máscara e sem hipocrisia.

Esse é o clímax da verdadeira sabedoria. Você quer saber o que é uma pessoa verdadeiramente sábia? É uma pessoa que manifesta este tipo de estilo de vida, esse tipo de comportamento.
Tudo isto é fruto da obra redentora na vida do homem. Não é possível o homem desenvolver isto a partir de sua própria sabedoria. “A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (I Coríntios 3:19).

Cristo é a nossa sabedoria, Ele é a personificação de todas essas características. Quando Cristo vem habitar em nós, essas coisas se evidenciam em nós. Não vivemos mais nós, mas Cristo vive em nós (Gálatas 2:20).
“Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (I João 2:6), assim manifestaremos uma sabedoria pacificadora, humilde, paciente, um espírito não vingativo e dócil, um desejo pela obediência, atos compassivos e misericordiosos, um compromisso total com a verdade divina, sem parcialidade para com ninguém e com frutos preciosos de justiça.
Tiago diz que a pessoa que manifesta isto tem a verdadeira sabedoria, não está mentindo contra a verdade, tem a obra do Espírito.

Você diz: “Agora, John, eu não sei. Eu olho para a minha própria vida e pergunto sobre mim mesmo”.
O ponto não é você ter tudo isso no mais alto grau, mas ter o suficiente para mostrar a vida de Deus dentro de você. Você nunca chegará à perfeição, mas se estas marcas não estão presentes em sua vida, há algo errado.

Quais são os resultados da verdadeira sabedoria? Versículo 18: “Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz”.
A verdadeira sabedoria aqui é equiparada com a justiça, o fruto da justiça. A Justiça é equiparada a verdadeira sabedoria, pois a sabedoria é o viver justo.

Normalmente a semente é semeada, mas, por outro lado, a fruta colhida torna-se semente para a próxima safra, não é?
Não é interessante o que ele está dizendo no verso 18? Você semeia o fruto da justiça, que produz mais justiça. O processo em curso, o ciclo contínuo de fruto justo, um ato de justiça colhido no campo da verdadeira sabedoria, torna-se a semente e assim por diante.

E essa última frase “por esses que fazem a paz” é um pouco vaga. Mas o melhor que podemos dizer sobre isso é que a justiça floresce em um clima de paz nas mãos dos pacificadores, aqueles que não estão preocupados com seu ego.
Um verdadeiro cristão é revelado em seu comportamento. A sabedoria de Deus será revelada na maneira como vivemos. Assim, daremos testemunho de quem nós somos.

Você se pergunta a si mesmo: Eu tenho a sabedoria de Deus? A resposta não é nada além do que é o caráter de sua vida, quais são as ações específicas que você faz e qual é a sua atitude.
E você deve fazer um exame acerca de si mesmo. Sua vida manifesta a sabedoria mundana ou a sabedoria divina?

Você diz: “Eu não sei. Talvez eu esteja no meio termo”. Bem, é melhor você ficar de joelhos e descobrir de qual lado da linha você está.
Pode ser que você esteja na área da sabedoria mundana, mas você, por viver entre cristãos, adquiriu alguns bons hábitos.
Pode ser que você esteja na área de sabedoria divina, mas está, de alguma forma, sofrendo influência mundana, e adquiriu hábitos nocivos.
E se você está tendo dificuldade para descobrir onde você está, sua situação é desesperadora. A sabedoria de Deus deve marcar sem equívoco as pessoas que pertencem a Jesus Cristo.

A sabedoria é igual ao estilo de vida. A entrada para a sabedoria é por meio da fé em Deus, através de Jesus Cristo. Somos salvos em sabedoria.
Uma vez que entramos para a sabedoria, então as Escrituras tornam-se a fonte da sabedoria, o Espírito Santo torna-se o mestre de sabedoria. Que pensamento maravilhoso! Que verdade maravilhosa!

E, se nos falta alguma sabedoria, podemos pedir a Deus. Nós entramos na esfera da sabedoria. Nós possuímos a revelação da sabedoria. Estamos habitados pelo Mestre de sabedoria.
E seja qual for a porção de sabedoria que nos falta, nós podemos pedir a Deus, que não a esconde de nós.
Assim diz Paulo: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios” (Efésios 5:15).
Se você está na sabedoria de Deus, Paulo está dizendo que você deve agir como tal. Vamos nos inclinar em oração.

Pai, este foi um estudo rico e gratificante para nós. Nós Te agradecemos muito.
A clareza da Tua Palavra, a simplicidade com que ela chega aos nossos corações no poder do Espírito Santo é tão vital.
Nós Te louvamos por isso. Que dia maravilhoso nós tivemos e que noite abençoada!
Agradecemos muito por nossa rica e doce comunhão, pelas músicas que cantamos.
Agradecemos até mesmo pelo que nos espera enquanto compartilhamos juntos após o culto ter terminado.
Nós Te agradecemos mais que tudo por Tu teres falado a nossos corações.
Obrigado que o Senhor nos escolheu, sendo tão pecadores e tão indignos, e nos fez sábios. Sábios para a salvação, para a piedade.
Nós Te agradecemos. E ajuda-nos, Senhor, a sermos tão sábios quanto podemos ser, a preencher todo o potencial da sabedoria divina que nos é concedida em Cristo, em cujo nome oramos. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “Earthly and Heavenly Wisdom, Part 3″, de John MacArthur em 08/02/1987.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/59-21/earthly-and-heavenly-wisdom-part-3

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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