Bem-aventurados os mansos…

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“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mateus 5:5).
Estamos olhando para o Capítulo 5 de Mateus, o sermão maravilhoso de nosso Senhor Jesus Cristo, denominado de “Sermão da Montanha”. A verdade que está nele é algo que esmaga nosso ego.
Eu tenho estado extremamente quebrantado em meu coração diante dessas verdades e diante da responsabilidade de falar sobre elas.
Se eu for obediente a Deus e responder ao Espírito Santo como Ele quer que eu responda neste estudo, eu vou ser uma pessoa diferente. Isto será muito salutar para mim e, tenho certeza, para você também.

A afirmação de Jesus “bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” é uma declaração chocante para quem o ouviu falar isto. Na verdade, as bem-aventuranças são chocantes.
Antes de falar em mansidão, Jesus já havia falado: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mateus 5:3-4).

Jesus pediu coisas absolutamente estranhas ao pensamento comum. Seus ouvintes sabiam como ser espiritualmente orgulhosos, autossuficientes e ter aparência piedosa. Eles tinham uma forma religiosa que os satisfazia.
Eles pensavam que poderiam sobreviver por conta, força e sabedoria próprias, com seus poderes e recursos próprios.

Eles esperavam que o Messias, quando chegasse, iria dizer-lhes: “Eu estou aqui para felicitá-los pela grande religiosidade de vocês, pela maravilhosa espiritualidade de vocês. Estou aqui para anunciar que Deus está muito satisfeito com vocês. Vamos direto ao reino, pois há poucas coisas para se ajustar na vida de vocês”.

Mas nosso Senhor disse-lhes: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Ou seja, não aqueles que pensam que são justos, mas os que sabem que são pecadores.
Ele Continuou: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. Não aqueles que estão felizes sobre si mesmos, mas aqueles que estão tristes sobre si mesmos.
Ele prosseguiu: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.

Eles não entenderam isso. Eles não esperavam por isto. Eles tinham depositado tudo na sua aparente espiritualidade, em seu orgulho.
E Jesus minou tudo logo no início de Seu ministério. Ele queria um espírito quebrantado, um coração em luto e um espírito humilde. Sem justiça própria e orgulho espiritual. São requisitos para se entrar em Seu reino.

Jesus deixou as pessoas chocadas. Ele falou de coisas que são opostas ao que a natureza humana é inclinada.
O homem pensa que a vitória e os despojos pertencem aos mais fortes. Eis aqui Jesus desfazendo um conceito arraigado na humanidade caída.

É importante entender o contexto de Israel quando Jesus falou as bem-aventuranças. Vamos ver isto resumidamente.
Um pouco mais de meio século antes de Jesus nascer, no ano 63 a.C., Pompeu anexou as terras de Israel para Roma. E, assim, Israel, como uma nação independente, deixou de existir.
Antes disto, um tempo de independência havia sido conquistado através de um banho de sangue, na revolução dos macabeus, num enfrentamento contra o Império Grego. Mas, agora, a nação caiu nas garras do Império Romano.

A partir de então, aquelas terras foram governadas parcialmente através de reis “herodianos”. Os “herodianos” eram uma família. É como um sobrenome. Eles eram uma família de reis nomeados por César. Além disso, ele lhes deu procuradores ou governadores, o mais famoso dos quais é, para nós, Pilatos.
E, assim, eles estavam todo esse tempo sob a dominação romana, de reis fantoches, a família de Herodes, procuradores e governadores. Todas as terras descritas no Novo Testamento também estavam sob o domínio de Roma.

Os judeus viviam debaixo da opressão romana, a qual Eles literalmente desprezavam.
Na verdade, eles nem sequer admitiam isso. Quando Jesus estava falando com os líderes religiosos, em João 8, e disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (v.32). E eles responderam: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém” (v.33).
Afirmação muito estúpida. Eles nem sequer admitiam que eram escravos de Roma. Eles nem sequer reconheciam sua situação. Eles eram orgulhosos.

Toda a história de Jesus, em seguida, se enquadra no âmbito de uma nação sob o jugo de Roma. A sombra de César, literalmente, embota toda a luz que se espalha ao longo do Novo Testamento.
Você vê Cesar em cada página. E, ao mesmo tempo, havia nos corações dos judeus a crença que o Messias viria.

Simeão recebeu uma revelação que não morreria antes de ver o Messias (Lucas 2:25-26). E quando ele viu o bebê Jesus, proclamou: “Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação” (Lucas 2:29-30).
O mesmo fez a profetisa Ana, declarando publicamente quem era aquela criança para todos que esperavam a redenção em Jerusalém (Lucas 2:36-38).

Havia a sensação de que algo estava prestes a acontecer. O Messias estava por vir. O reino de Deus seria estabelecido. O Velho Testamento era claro sobre isso, havia a sensação de que a profecia estava prestes a se cumprir. E, então, Jesus Cristo entrou em cena. Marcos relata o seguinte:

E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho (Marcos 1:14-15).

Eles estavam sob a opressão romana, e agora, de repente, aparece um homem fazendo maravilhas e milagres. Um homem que falava como nunca outro homem havia falado e fazendo coisas como nunca outro homem fez.
Em João 6, Eles pensaram: “Talvez este seja o Messias”. E quando Jesus multiplicou pães e peixes, alimentando uma multidão, eles estavam prontos para crer, queriam agarrá-lo, fazer Dele um rei, começar uma revolução militar e política para se libertarem do jugo de Roma.

Eles estavam procurando por um Messias para derrubar Roma. Eles estavam à procura de um grande general que poderia liderar uma revolução judaica que traria independência pela ação militar.

Havia quatro grupos de Judeus: Fariseus, saduceus, zelotes e os essênios.
Os essênios viviam como afastados da sociedade, no deserto, concentrados em estudar a Torá (os 5 primeiros livros da Bíblia – O Pentateuco).
Os zelotes eram os ativistas políticos que não estavam muito preocupados com religião, mas com a política.
Os fariseus eram os religiosos conservadores e os saduceus eram os religiosos liberais.

Os Zelotes realmente queriam a vinda do Messias e acreditavam que ele seria um grande general que viria constituir um poder militar para derrubar Roma. Assim, eles almejavam um reino militar.
Por outro lado, os fariseus eram igualmente ansiosos para derrubar Roma, só que eles não estavam à procura de um reino militar, eles estavam procurando por uma restauração da teocracia do Antigo Testamento.
Eles aguardavam um Messias para governar de forma religiosa. E, assim, os Zelotes esperavam por um Messias militar e os fariseus por um Messias milagroso.

Os Zelotes provavelmente acreditavam que o Messias faria uma ação militar e os fariseus provavelmente acreditavam que o Messias faria algo milagroso, libertando a nação de Roma por milagres sobrenaturais.
Ambos estavam à espera de uma intervenção catastrófica de Deus e a vinda do Messias (cf. Daniel 7:13-14).
Eles sabiam que o Messias viria nas nuvens e grande glória, mas não sabiam como isso iria acontecer. Cada um tinha suas próprias ideias.

E até mesmo os apóstolos, os doze apóstolos, esperavam por isto. Em Atos 1:6, eles disseram: “Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel?”, Ou seja, “Quando é que Tu vais fazer isso?”. Mas, este não era o propósito de Jesus. Pilatos o interrogou se Ele era um rei. Jesus disse-lhes: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:33,36).

Israel estava sob o domínio do poder sombrio de Roma e César não permitiria qualquer independência. Os judeus queriam esta libertação, suas esperanças estavam depositadas no Messias prometido. Isto levou ao aparecimento de falsos messias.

Os zelotes não esperaram pelo Messias prometido, eles se especializaram em ataques terroristas contra Roma.
No ano 70 d.C., cansado da ação do zelotes, Tito Vespasiano e o exército romano literalmente destruíram Jerusalém e mataram mais de 1 milhão de pessoas.
Mas, isso não foi o pior. Entre os anos 132 e 135 d.C., um homem chamado Adriano, veio de Roma, passou por toda a terra de Israel, massacrou as pessoas, arrasou todas as cidades e destruiu Israel como uma nação.
Eles queriam alguém para derrubar Roma. Os zelotes acreditavam que poderia ser feito militarmente, e os fariseus e os outros religiosos pensaram que poderia ser feito milagrosamente pelo Messias, mas eles estavam errados.

Jesus não veio com isso em mente. Sua obra aqui na terra tinha a ver com a libertação espiritual da nação e não uma libertação política do Império Romano.
O plano de Deus não era o que eles pensavam. E quando Jesus começou a falar no Sermão da Montanha, você pode imaginar a reação deles.
Eles esperavam um Messias inconformado com as injustiças dos romanos e com a espada nas mãos para destruir os inimigos da nação.

Mas Jesus vem e diz: “Felizes os humildes de espírito, felizes os aflitos, felizes os mansos”.
E eles devem ter dito a si mesmos: “Que tipo de Messias é este? Que tipo de multidão ele quer reunir? Qual a utilidade de pessoas chorando? Para que serve um grupo de pessoas humildes e mansas? Pessoas assim nunca poderão lidar com Roma”.

E, assim, Jesus decepcionou os ativistas políticos, porque Ele não iria liderar uma revolução. E Ele decepcionou os religiosos, porque usou seus poderes para curar pessoas e não para destruir Roma.
E é por isso, quando finalmente eles viram Jesus humilhado, ferido e desfigurado diante de Pilatos, gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o! Não temos rei, senão César!” (João 19:15).
Eles odiavam Jesus. E um dos motivos era a frustração que Ele havia causado às expectativas deles quantos a derrotar os romanos.
Eles bradaram: “Fora daqui com este, e solta-nos Barrabás” (Lucas 23:18). Quem era Barrabás? Um criminoso, mas que combatia o domínio romano. E, na visão deles, Barrabás estava mais próximo de ser o Messias do que Jesus Cristo.

Então, Jesus morreu numa cruz. O Antigo Testamento diz: “Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”.
O desprezo deles para com Jesus chegou ao extremo. De um possível guerreiro para um homem que morreu humilhado numa cruz de maldição. Jamais eles creriam que Ele era o messias.
Apesar de 500 testemunhas de sua ressurreição, Eles jamais acreditariam. Eles nem sequer consideravam as tantas profecias no Velho Testamento sobre o sofrimento, morte e ressurreição do Messias.

E quando Jesus disse: “Felizes os mansos porque eles herdarão a terra”, eles pensaram: “Que tipo de negócio é este? Os despojos pertencem aos fortes, não aos mansos”.
Esta palavra de Jesus contrariava toda a filosofia de vida deles. Mas, Jesus veio como um servo.
Eles eram ignorantes sobre Isaías 40 a 66, onde o Messias é apresentado como um servo sofredor.
E quando Jesus anunciou quem Ele era, usando Isaías 61, os lideres religiosos quiseram jogá-lo de cima de uma montanha (Lucas 4:18-29).

Jesus declarou que o “Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:28).
Sua vida inteira foi uma ilustração de humildade e serviço. Eles não conseguiam entender um Messias que veio em humildade, mansidão, na forma de um servo. Era um fato inaceitável a eles.

Com suas palavras, Jesus estava confrontando os autossuficientes, aqueles com justiça própria, os orgulhosos, os fortes, os arrogantes, os autoconfiantes e cheios de si mesmo. Eles não estrariam no seu reino.
Ele estava chamando os quebrantados, os que choram, os mansos, os famintos, os sedentos, os misericordiosos, os puros, os pacificadores, os perseguidos, os injuriados e caluniados que não desejavam retaliações.
Ele confundiu toda a estrutura de pensamento humano. As pessoas ficaram espantadas com Suas palavras.

Eles não podiam acreditar. “Ele não pode ser o Messias. Os cidadãos do reino serão pessoas desse tipo?”. Era algo oposto a uma mensagem revolucionária. Eles imaginavam que Deus precisava de homens fortes e não de pessoas no degrau mais baixo da escala de valores humanos.
Sobre isto, o apóstolo Paulo escreveu:

Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele (I Coríntios 1:27-29).

Agora, vamos falar sobre isso: “Manso”. É diferente de ser quebrantado de espírito. A raiz da palavra contém a mesma ideia.
Mas, deixe-me mostrar-lhes. De fato, em alguns lugares na Bíblia essas duas palavras poderiam ser usadas como sinônimos, mas há uma bela distinção feita aqui.
Agora observe. “Quebrantado em espírito” gira em torno de meu pecado. “Mansidão”, refere-se à santidade de Deus.
Dois lados da mesma moeda. Quebrantado em espírito, porque eu sou um pecador e manso, porque Deus é santo. Dois lados da mesma moeda.

Olhando de outra maneira, ‘pobre ou quebrantado de espírito’ é negativo e isso resulta em luto. A mansidão é positiva e resulta na busca da justiça. É apenas o outro lado.
Essa é a beleza da sequência. Há uma progressão aqui. Primeiro de tudo, há essa fragilidade, este tremendo senso de pecado, e é negativo, isso resulta em luto.
E então, de repente, você começa a ver o outro lado dele. Você começa a ver um Deus santo, e isso é a mansidão. Então, você começa a estar faminto depois de sua santidade. Você vê a sequência das bem-aventuranças, o fluxo?
Jesus diz que felizes são aqueles que estão quebrantados e arrependidos. Aqueles que abandonaram sua arrogância, autossuficiência, autojustiça, dureza de cerviz, orgulho e se tornaram mansos. Que discurso devastador!

Os zelotes queriam um Messias militar e um reino militar. Os fariseus queriam um Messias milagroso para derrotar os romanos e um reino milagroso. Os saduceus queriam um Messias materialista, pois eles eram materialistas. Provavelmente os essênios queriam um Messias monástico, um monge.
Mas Jesus veio estabelecer um reino para os mansos. Em oposição à cultura mundana que associa felicidade e sucesso com força, autoconfiança, sobrevivência do mais forte, conquista e poder.

Veja esses textos:

Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão (Efésios 4:1-2).

Que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens (Tito 3:2).

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade (Colossenses 3:12).

A Bíblia diz que as pessoas do reino de Deus são mansas. A mansidão sempre foi um padrão bíblico.
O Salmo 25:9 diz que o Senhor “guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho” e o Salmo 149:4 diz que “o Senhor ornará os mansos com a salvação”.
Isaías 29:19 diz que “os mansos terão regozijo sobre regozijo no Senhor”. Veja, salvação, ensino, bênção e alegria para os mansos.

Jesus veio e pregou que Seu reino seria ocupado por pessoas caracterizadas pela mansidão. Agora, quero fazer algumas perguntas esta noite para nos ajudar a entender o que isso significa.
Precisamos entender o que significa mansidão, o que significa ser manso e o que é mansidão. Só os mansos são bem-aventurados, então precisamos saber o que isto significa.

Bem, lembre-se que o verso 5 veio depois de Jesus falar em ser pobre de espírito (humilde de espírito) e ter um coração em luto. São duas condições para se chegar à mansidão.
Mansidão não é covardia. “Manso” vem de uma palavra grega cuja raiz é “praus”, que significa, basicamente, “paciente, bondoso, calmo, moderado, submisso”.

Quando Jesus entrou em Jerusalém, Mateus diz: “Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, manso, e assentado sobre uma jumenta…”.
Ele veio montado em um jumentinho, transporte de classe baixa, que em nada poderia se assemelhar, humanamente falando, a um rei triunfante.
Ele não estava demonstrando fraqueza, ali Ele mostrou o poder sob controle. Foi consequência de Seu esvaziamento de Si mesmo, de Sua humilhação.
Seu poder estava sob Seu controle, é o mesmo princípio quando a Palavra diz: “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Efésios 4:26). O manso exerce domínio sobre seu espírito.

Provérbios 25:28 diz: “Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio”.
Isso é o poder fora de controle. Você tem o poder, mas não há nada para contê-lo, e é como uma cidade destruída. A mansidão não significa impotência. É o poder sob controle.
Por outro lado, Provérbios 16:32 diz: “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade”.
Em outras palavras, para dominar o espírito é necessária a mansidão. A falta de mansidão gera consequências desastrosas.

A mansidão é fruto do Espírito. E ela está listada em Gálatas 5. É encontrada no solo da pobreza espiritual, da contrição, e do pranto.
É uma flor nobre, que se desenvolve a partir das cinzas do amor próprio e na sepultura do orgulho.
Por um lado, o homem vê a sua própria ruína, sua indignidade e miséria. Por outro lado, ele contempla a bondade e a benignidade de Deus.
A característica interna é uma disposição do coração, que através da percepção aguçada de sua própria miséria e contemplação de Deus, torna-se tão flexível, suave, leve e maleável, que nenhum vestígio de sua velha natureza permanece.

É o oposto da violência e da vingança. O homem manso aprendeu algo assim: “com alegria permitistes o roubo dos vossos bens, sabendo que em vós mesmos tendes nos céus uma possessão melhor e permanente” (Hebreus 10:34).
A pessoa mansa morreu para si mesma. Ela nunca se preocupa com seus próprios ferimentos. Ela não tem qualquer rancor.
O puritano John Bunyan disse: “Aquele que já está em baixo não pode cair”. Não há nada a perder.
Uma pessoa mansa não se defende, porque ela sabe que não merece nada. Ela nunca fica com raiva sobre o que está sendo feito contra si, porque sabe que não merece nada.

Mansidão. Isto é o que Cristo disse que caracteriza as pessoas no Seu reino. Eles não estão se defendendo. Eles não estão correndo por aí tentando obter o que lhes é devido. Eles sabem que não têm nada.
Eles já estão quebrados em espírito por causa do pecado. Eles já estão de luto e chorando sobre a consequência disso. E, em humildade, estão diante de um Deus santo e eles não têm nada a recomendar-se.

Eles têm o poder sob controle. Eles confiam em Deus. Eles se deliciam com Ele. E Deus promete dar-lhes a terra. Não é covardia. Não é flacidez. Não é uma falta de convicção. Não é só simpatia humana.
O manso diz: “Em mim, nada é possível. Mas em Deus, tudo é possível. Em nada tenho que me defender. Por Deus darei a minha vida”. Ele está indignado com seu próprio pecado, uma santa indignação.

Pedro disse: “Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente” (I Pedro 2:21-22).

Aqui está a verdadeira humildade. Aquele que foi perfeitamente santo em todos os seus pensamentos, atitudes e atos, sofreu todo tipo de escárnios, mas conservou-se plenamente manso e humilde. Ele jamais revidou uma ofensa e nem reivindicou seus direitos, apenas entregava-se ao Pai.

Essa é a mansidão. Jesus nunca se defendeu. Mas quando eles profanaram o templo de Seu Pai, Ele fez um chicote e os expulsou de lá, não é? Mansidão diz: “Eu nunca vou me defender, mas eu vou morrer defendendo Deus”.
Por duas vezes Jesus purificou o templo (João 2:15; Mateus 21:12). Ele confrontou os hipócritas, condenou os falsos líderes de Israel, pronunciou juízo divino sobre muitos, e ainda assim a Bíblia diz que Ele era manso.
A mansidão não é impotência. A mansidão é o poder usado apenas na defesa de Deus, nunca em defesa de si mesmo.

Ele nunca usou Seu poder para Si próprio. Ele poderia ter chamado 12 legiões de anjos para o defender de Seus algozes (cerca de 600 homens), que juntos a Judas Iscariotes, vieram prendê-lo (Mateus 26:53), mas não o fez, porque Ele nunca fez nada para Se defender. Note que em II Reis 19:35, apenas um anjo matou 185 mil assírios.
O manso vê a santidade de Deus e está pronto para defender o Seu santo nome, mas jamais se esforça para se justificar e se defender. Você entende isto?

Isto foi um choque para os religiosos judeus. Eles passavam todo o seu tempo defendendo sua própria santidade, mas eles eram hipócritas.
Eles não entraram no reino de Deus, porque não sabiam o significado de mansidão. Seu poder estava fora de controle. Eles estavam atirando e atacando quem os ofendessem ou criticassem. Isso não é humildade, não é mansidão.

Segunda pergunta: Como é que a mansidão se manifesta?
Primeiro de tudo, vamos olhar para Gênesis 12. Abraão estava morando em Ur dos Caldeus, e Deus diz a ele: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (v.1).
E Deus faz um pacto com ele: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (v.2-3).

Abraão tinha um sobrinho com ele: Ló. Houve contenda entre os pastores de gado de Abraão e Ló, por causa das pastagens (Gênesis 13:7).
Abraão tinha o direito, ele era o homem a quem Deus havia chamado e feito uma aliança. Ló era nada além de um carona.
Abraão disse a Ló: “Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda”. (Gênesis 13:8-9).

Ele deu a Ló a preferência de escolher a que fosse melhor e ele ficaria com o que restasse. Alguém deve ter dito: “Abraão, você está louco! Você vai desistir da melhor terra”.
Abraão tinha o poder e o direito de tomar as terras que ele quisesse. Ele tinha o poder, mas não usou seu poder na defesa de si mesmo. Uma tremenda lição de mansidão e submissão a Deus.
Ele sabia que Deus estava no controle e entregou a questão à soberania divina. Ele deu as honras a Ló.

Em seguida, houve José. Por ciúmes da preferência de Jacó por ele, seus irmãos o venderam como escravo. Ele acabou se tornado escravo no Egito. Deus prosperou seus caminhos e o tornou governador do Egito, autoridade delegada por Faraó.
Quando houve uma fome terrível, seus irmãos, não sabendo de nada, foram ao Egito em busca de alimentos.
José tinha o poder para executar qualquer tipo de vingança, mas exerceu o perdão, a misericórdia e o amor. Ele os viu e os amou. Uma tremenda lição de mansidão e humildade.

Depois temos Davi. Em I Samuel 24, Davi encontrou Saul, que o perseguia. Saul estava tentando matá-lo. Saul costumava jogar lanças contra ele.
Saul sabia que Deus havia ungido Davi como rei de Israel, e por isso o odiava e o desprezava. Saul lutava para manter seu próprio reinado.
Davi e seus homens encontram Saul dormindo numa caverna. Os homens disseram a Davi: “Eis aqui a chance de matar teu adversário”.
No entanto, a Palavra diz: “Davi conteve os seus homens, e não lhes permitiu que se levantassem contra Saul; e Saul se levantou da caverna, e prosseguiu o seu caminho. Depois também Davi se levantou, e saiu da caverna, e gritou por detrás de Saul, dizendo: Rei, meu senhor! E, olhando Saul para trás, Davi se inclinou com o rosto em terra, e se prostrou” (v.7-8).

Davi tinha o poder e o direito, mas não os usou. Ele era o rei ungido, mas não atentou contra Saul. Aqui temos mais um exemplo de alguém pronto para agir em nome de Deus, mas não para se defender e praticar a vingança.

Deus pode fazer qualquer coisa através de pessoas que estão sujeitas a Ele. Mas Ele não trabalha com pessoas que agem por conta própria.
Seu reino tem que ser ocupado com pessoas que são submissas. Isso é o que Jesus está dizendo.

Veja Moisés. Números 12:3 diz: “E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra”. Você pode imaginar toda a autoridade que Deus havia revestido Moisés?
Quando ele desceu do monte Sinai, viu Arão, seu irmão, levando o povo à adoração do bezerro de ouro e grandes orgias, ele irou-se, quebrou as tábuas de pedra da lei e ali morreram mais de três mil idólatras (Êxodo 32:21-28).
Ele não estava se defendendo, ele estava defendendo Deus.

Quando Deus disse a Moisés, em Êxodo 3, que ele foi o escolhido para guiar o povo para fora do Egito em direção à terra da promessa, Moisés disse: “Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (v.11).
Ele questionou a Deus que não teria como lidar com Faraó e levar dois milhões de pessoas pelo deserto até Canaã. Ele não confiava em si mesmo, ele se julgou incapaz e totalmente inadequado.
Deus lhe disse: “Certamente eu serei contigo” (v.12). Ele não podia defender-se diante de Deus, mas ele iria defender Deus diante de qualquer um. Essa é a mansidão.

Paulo teve a mesma atitude. Ele disse: “Servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne” (Filipenses 3:3) e “posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Filipenses 4:13).

Deixe-me mostrar-lhe um contraste em II Crônicas 26. Esta é uma história fantástica do rei Uzias. Quando ele morreu, Isaías lamentou profundamente seu triste fim em Isaías 6.
Uzias começou a reinar em Israel aos 16 anos de idade, no lugar de seu pai Amazias. Inicialmente buscou ao Senhor e Deus o fez prosperar. Triunfou contra os filisteus e teve um reinado próspero, sob a bênção de Deus.
Ele tinha um exército incrível, com mais de 300 mil homens e uma enorme estrutura militar que fazia com que Israel prevalecesse contra seus inimigos. Sua fama corria o mundo.

Mas, algo aconteceu com o coração daquele homem: “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o Senhor seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso” (v.16).
Somente os sacerdotes podiam queimar incenso no templo do Senhor, mas Uzias teve o pensamento de que ele era tão grande, tão invencível, tão superior e que estava acima dos sacerdotes.

E ele imaginou: “Por que eu preciso de um humilde sacerdote? Olhe para mim, sou grande, conquistei meu mundo”.
O sacerdote Azarias e mais 80 sacerdotes, homens valentes, resistiram a Uzias e disseram: “A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para queimar incenso; sai do santuário, porque transgrediste; e não será isto para honra tua da parte do Senhor Deus.”
O rei Uzias resistiu àqueles homens e “Indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes” (v.19). Ele mesmo fugiu ao ver que fora ferido pelo Senhor (v.20) e “assim ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte; e morou, por ser leproso, numa casa separada…” (v.21).

Quando um homem é atingido pelo orgulho, ele inevitavelmente profanará o nome do Deus ao defender-se.
Quando um homem é manso, ele vai defender Deus e não terá a necessidade de se defender.

Mansidão. Quem foi o maior exemplo de todos? Jesus Cristo. Voltando para Mateus 5:5, temos a terceira pergunta: Qual é o resultado? Qual é o resultado de mansidão?
Bem, em primeiro lugar, Jesus diz que “bem-aventurados os mansos”. Ou seja, felizes os mansos.
Não é uma felicidade circunstancial e passageira, mas uma verdadeira e permanente alegria.

Em segundo lugar, “Eles herdarão a terra”. Deus havia prometido uma terra a Israel. Mais que isto, na criação, Deus havia prometido ao homem o domínio sobre toda a terra. Deus deu ao homem o domínio sobre toda a terra.
E o que Ele está dizendo é que quando você se tornar um crente, um manso, entrar no reino, você tem acesso à herança original. É o paraíso recuperado.
E, amados, em última análise, reinaremos sobre toda a Terra com o Senhor Jesus Cristo no grande reino vindouro.

E o que Jesus está dizendo aqui é isto. As pessoas no reino herdarão a terra e os únicos que entram nesse reino são os mansos. Os orgulhosos estarão de fora. “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4:6).
Ele estará com os pobres de espírito, os quebrantados pelo reconhecimento de sua própria pecaminosidade, os que estão pranteando suas misérias, os mansos, ou seja, aqueles que não estão se gastando na sua própria defesa.

Você vê, Deus prometeu aos hebreus uma extensão de terra. A promessa original da terra a Abraão se estende por todo o caminho até o rio Eufrates. Israel não está nem perto disso. Eles mal podem atravessar o Jordão para a margem leste. Há um sentido em que essa é uma promessa não cumprida.
Isaías, capítulo 57 e 60, diz que virá um dia em que o Messias terá toda a terra. Você sabe o que os judeus pensaram? Que o reino milenar pertence aos fortes, orgulhosos, os desafiantes, aqueles que estão revoltados com a injustiça.

Jesus disse: “Não. A terra pertence aos mansos”. E você diz: “Como os mansos obterão a terra?” Entrando no reino de Cristo. É Cristo que os dará.
Sobre isto, Jesus disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3).
A menos que você se humilhe e se torne como uma criança, você não pode entrar no reino. As pessoas orgulhosas não entrarão no reino.

Se o orgulho domina sua vida, há uma boa possibilidade de que você não esteja no reino. A palavra “herdar” vem do grego “klēronomeō”, que significa “receber uma parte que lhe é atribuída”. Deus prometeu.

O Salmo 37:11 diz: “Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz”. Antes, o salmista diz: “Descansa no Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho. Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra.” (v.7-8).
O salmista prossegue: “Aqueles a quem o Senhor abençoa possuirão a terra; e serão exterminados aqueles a quem amaldiçoa. Os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre. Espera no Senhor, segue o seu caminho, e ele te exaltará para possuíres a terra; presenciarás isso quando os ímpios forem exterminados.” (v.22,29,34).

Ou seja, não se preocupe com o que está acontecendo ao seu redor. Não se preocupe com a prosperidade dos soberbos. Deposite a sua confiança no Senhor, descanse Nele, e a seu tempo, Ele concederá Seu reino. Você estará seguro lá.
Os ímpios serão exterminados da terra. Os justos a dominarão totalmente.
Não se preocupe. Este mundo pode pertencer aos homens maus, a perversidade parece dominar toda a terra, mas um dia, ela será dominada pelos justos.
Os justos serão parte desse reino santo e eles reinarão com Cristo.

Em I Coríntios 3:21, Paulo diz: “Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, E vós de Cristo, e Cristo de Deus”. Ele diz mais adiante: “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?” (I Coríntios 6:2-3,9).

Haverá um dia em que o cristão vai compartilhar com Israel no reino. Mas há um tempo presente aqui. Todas as coisas são nossas agora em juízo, um dia se tornarão nossas plenamente.
Salmo 149 diz: “Porque o Senhor se agrada do seu povo; ornará os mansos com a salvação”.
O que significa isso? Um dia Ele vai executar juízo sobre as nações. Ele vai prender seus reis e nobres em grilhões. Ele vai reunir os maus e os levar para a escuridão eterna e dará a terra aos justos. O novo céu e a nova terra.

“Os mansos herdarão a terra”. É algo futuro, mas penso que tem uma aplicação presente. Eu não sei sobre você, mas o fato de saber que um dia eu vou possuir a terra me dá uma sensação de posse agora.
Por uma decisão soberana de Deus, a terra será posse dos redimidos em Seu reino, isto nos enche de certezas absolutas.

George McDonald escreveu alguns belos pensamentos. Isto é o que ele disse:

Nós não podemos ver o mundo como Deus o vê no futuro. A segurança de nossas almas é caracterizada pela mansidão. Somente em mansidão somos seus herdeiros. Mansidão, por si só, torna o olhar espiritual puro para receber as coisas de Deus como elas são, sem misturas com as impurezas e imperfeições.

Observe o fato de que por estarmos em Seu reino, enxergamos muito diferente do mundo. O mundo vê tudo a partir de si mesmo, e os redimidos vêem tudo a partir dos olhos de Cristo.
[A soberba e o orgulho conduzem os homens a dar a sua vida para conquistar a terra, mas partem de mãos vazias para a eternidade. A mansidão leva os redimidos a dar sua vida pelo que é invisível ao mundo, mas são elas que os encherão de bênçãos eternas, entre elas, herdarem a terra].

Finalmente, você diz: “Por que isso é necessário? Por que a mansidão é necessária?”.
Eu tenho que dizer-lhe isto. É necessária porque somente os mansos podem ser salvos. Salmo 149:4 diz que Deus “adorna os mansos com a salvação”.
Sem humildade, não há salvação. Ouça-me, se você não consegue ouvir a Deus com um espírito quebrantado, lamentando suas próprias misérias, em profunda humildade diante Sua santidade e com um coração manso, que jamais se defende, você não pode ser salvo. É por isso que é importante.

Além disso, isto é um mandamento divino. Deus “guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho”.
Você não pode sequer receber a palavra de Deus, a menos que você seja manso. Tiago 1:21 diz:

Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas.

Se você não é manso, não tem um espírito humilde, você não pode nem ouvir a Palavra de Deus. Muito mais impossível ainda recebe-la.

Precisamos de humildade, porque você não pode ser salvo sem ela, porque ela é ordenada por Deus. Você não pode receber a palavra de Deus sem ela.
Você não pode testemunhar de Cristo sem mansidão e humildade. Uma postura de orgulho anula qualquer efeito de seu testemunho.
Pedro diz: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pedro 3:15).

A mansidão na vida de um crente glorifica o nome do Senhor. Aprendemos a mansidão com o exemplo e com as palavras de Cristo.
Ele disse: “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:29).

I Pedro 3: 4 diz: “Seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus”.
O que significa? Poder sob controle. Como é que se manifesta? Em todas as ocorrências da vida.
Você nunca vai procurar se defender, mas apenas defender a Deus. Quais são os seus resultados? Bem-aventurança e a herança do reino.
Por que é necessário? É a única maneira de ser salvo. É ordenado por Deus. É necessário para receber a Sua palavra. É necessário para transmitir a Sua palavra. E é a razão da existência, para glorificar a Deus.

Finalmente, você diz: “Como faço para saber se eu sou manso? Eu quero ser manso. Existe uma maneira que eu possa examinar meu coração?”.
Vou fazer-lhe estas perguntas. Você quer saber se você é manso? Responda estas perguntas.

Primeira pergunta: Você experimenta o autocontrole? Você reage e se irrita apenas quando Deus é desonrado e não quando você mesmo é desonrado?
Segunda pergunta: Você sempre responde com humildade e obediência à Palavra de Deus?
Terceira pergunta: Você é um promotor da paz? Você é um pacificador? A mansidão é perdoadora e restauradora da paz.
Efésios 4:2-3 diz que devemos nos portar “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade e guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”. Somente as pessoas mansas promovem a unidade e a paz.
Quarta pergunta: Você recebe, com humildade, as críticas feitas a você e ama a todos que lhe fizeram as críticas?

Pergunte a si mesmo essas perguntas. Você poderá perceber se de fato é manso. Mansidão significa o fim de meu ego, para sempre. “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Marcos 8:34).

Vamos orar.

Pai, nós sabemos que se nós não nos vemos dessa maneira, uma das duas coisas é possível.
Em primeiro lugar, se eu olhar para minha vida e eu não passar no teste e não vejo a mansidão, há uma possibilidade de que eu não seja um cristão, não importa o que pode ter acontecido no passado.
Em segundo lugar, há a possibilidade de eu ser um cristão, mas neste momento, estou agindo em desobediência.
Senhor, ajude a todos aqui a verem isso. Onde não há mansidão, pode haver uma alma no caminho para o inferno. Ou pode haver um crente no caminho para o castigo. Em ambos os casos, Senhor, nós sabemos que Tu não queres que seja assim.

Enquanto suas cabeças estão inclinadas, deixem-me sugerir algo para vocês.
Vocês podem dizer: “John, eu quero aprender a ser manso, o que eu faço?” Bem, deixem-me lhes dar dois ensinos.
Você realmente quer ser manso? Você realmente quer experimentar isso em sua vida?
A primeira coisa é isso, Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração”.
Se você quiser ser manso, a primeira coisa que eu sugiro que você faça é aprender de Jesus. Estudar os Evangelhos, estudar todos os dias de sua vida, a beleza do caráter de Cristo, aprender a mansidão de Jesus.
A segundo coisa, Gálatas 5 diz que “o fruto do Espírito é a mansidão”.
Que o Espírito de Deus controle sua vida. Se você aprender de Cristo e se render ao Espírito, você saberá ser manso.

Pai, oramos para que, em cada um dos nossos corações venhamos a lidar com isso, conforme o Espírito convença. Em nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre as bem-aventuranças. Abaixo segue os links das traduções já publicadas. Observe que não estamos traduzindo pela ordem cronológica.


Este texto é uma síntese do sermão “Happy Are the Meek”, de John MacArthur em 08/10/1978.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/2200/happy-are-the-meek

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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