Jesus: Triunfo do sofrimento – 2

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John MacArthur destacou quatro áreas em que Jesus triunfou em meio ao seu sofrimento: Um triunfante ato de carregar sobre si nossos pecados, uma proclamação triunfante, uma salvação triunfante e uma supremacia triunfante.
No primeiro sermão ele falou sobre um triunfante ato de carregar sobre si nossos pecados.
Ele concluiu que Pedro está nos dizendo é que quando nós sofremos, devemos sofrer triunfantes, como Cristo fez.
Segue abaixo o segundo ponto: Uma proclamação triunfante


I Pedro 3
17 Porque melhor é que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal.
18 Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado no espírito;
19 No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;
20 Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas ( isto é, oito ) almas se salvaram pela água;
21 Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo;
22 O qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências.

Nós estamos olhando para o triunfo dos sofrimentos de Cristo. O sofrimento de Jesus Cristo, como você sabe, foi a hora de Sua maior humilhação, um tempo de tratamento injusto, mas também foi o momento de seu maior triunfo. No sofrimento Ele realizou a sua maior obra.
E esta é a grande verdade que Pedro nos traz neste texto. Ele está escrevendo aos cristãos que estão um pouco desanimados por causa da perseguição e pressão, em um momento muito difícil, quando estavam sendo testados em meio às hostilidades.

Ele quer animá-los, dizendo que eles podem triunfar em meio ao sofrimento e perseguição injusta. E a maior ilustração é Cristo, que padeceu, foi perseguido e sofreu hostilidades injustamente.
Mas, no meio de sofrimentos inimagináveis, Jesus foi absolutamente triunfante. E Ele é o exemplo de que nós também podemos triunfar em meio aos nossos sofrimentos.

Pedro fala sobre a morte de Cristo e diz que Ele “tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências” (v.22). Por meio dos momentos tenebrosos de sua morte, Ele experimentou seu maior triunfo, e é isso que Pedro quer expressar.
A questão é que você pode sofrer injustamente, pode sofrer da maneira mais severa, até o ponto de perder a sua vida, mas em tudo Deus pode trazer a vitória e o triunfo, através da realização de um santo propósito.

Pedro nos mostra quatro áreas em que Jesus triunfou: Um triunfante ato de carregar sobre si nossos pecados, uma proclamação triunfante, uma salvação triunfante e uma supremacia triunfante.

No sermão anterior, nós olhamos para o ponto número um, que na morte de Jesus Cristo, injusta como foi, vergonhosa, horrível, trágica, sofredora e dolorosa, ainda assim Ele triunfou ao tomar sobre si o pecado de todos nós.
Foi um sofrimento definitivo, supremo. Seu sofrimento foi relacionado com os pecados alheios, não os seus próprios pecados, visto que Ele jamais pecou.
Ele não apenas morreu carregando ou expiando nossos pecados, mas, Ele morreu uma só vez. Não há nada semelhante. Foi algo único e suficiente para mudar a história de todos que se achegam a Ele.
A morte de Cristo foi abrangente, nada escapou de suas implicações. Foi vicária, ou seja, Ele morreu em nosso lugar, tomou o castigo que era nosso.

Agora, a segunda verdade que Pedro quer nos dizer, e é o que gostaríamos de focar esta noite, é que, na cruz, no momento de seu maior sofrimento, Ele realizou uma proclamação triunfante.
“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus, mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito. No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão.” (I Pedro 3:18-19).
Este é um elemento fascinante sobre o triunfo de nosso Senhor.

O primeiro ponto indica-nos que Ele triunfou sobre o pecado, mesmo em Seu sofrimento.
No versículo 18, é dito que Ele foi condenado à morte na carne. O que isso significa? Isso significa simplesmente que Ele morreu. Ele realmente morreu na carne. Isto significa que sua vida física cessou. Ele realmente morreu.
Ele foi alvo de um assassinato judicial, resultado de um julgamento ilegal. Ele morreu. E, assim, esta declaração refere-se a Sua morte física.

No original grego, o termo usado é “θανατωθεὶς” (“thanatōtheis”), que significa, basicamente, “morrer”. Mas o termo também possui o significado de ser “uma morte violenta para quem está morrendo”.
Ele enfatiza não só Sua morte, mas o sofrimento que foi associado com Sua morte. Ele aponta para o fim doloroso de Sua vida terrena.
Os soldados romanos vieram quebrar as pernas de Jesus, para acelerar Sua morte, como faziam normalmente, mas constataram que Jesus já estava morto. Há muitas heresias que negam sua morte.

O versículo 18 diz ainda que “Ele foi condenado à morte na carne, mas vivificado no espírito“.
Existem inúmeras interpretações possíveis da passagem que eu vou ensinar a você hoje à noite. Não vou arrastá-los por múltiplas opções. Eu vou simplesmente dizer o que eu creio ser a melhor opção.

Fisicamente, ele estava morto, mas em espírito Ele estava vivo. Isso é o que está dizendo o texto: “vivificado no espírito”.
Essa não é uma referência ao Espírito Santo, mas à verdadeira vida interior de Jesus Cristo, seu próprio espírito.
Em contraste com sua carne, que esteve morta por três dias. Seu espírito (divindade) estava vivo “no espírito” (Lucas 23:46).

Alguns veem isto como uma referência à ressurreição. É uma possibilidade. Mas, francamente, se fosse uma referência à Sua ressurreição, Pedro provavelmente deveria dizer: “Ele foi condenado à morte na carne, mas Ele ressuscitou na carne”, certo? Porque a ressurreição não foi apenas a ressurreição de Seu espírito, foi a ressurreição de Seu corpo. Foi uma ressurreição literal, física, corporal.
Assim, parece-me que a questão aqui não é que Ele ressuscitou, mas que apesar de estar morto na carne, Ele estava vivendo no espírito.
Você poderia matar seu corpo, mas você não poderia matar o Cristo eterno. Assim, enquanto Seu corpo estava na sepultura, seu espírito estava vivo.

Agora, isso é um mistério para entender, e Pedro colocou o assunto de modo o mais simples possível. Como, então, devemos entender isso? Bem, repare que a frase diz no versículo 18: “vivificado no espírito”.
Será que Pedro quis dizer que Jesus tinha sido morto em espírito? Que em algum momento na morte na cruz, Ele morreu espiritualmente?
Pode ser [quanto à sua humanidade e não à sua deidade ou divindade]. E se Ele foi vivificado no espírito, em seguida, em algum momento, de alguma forma, Ele deve ter morrido em espírito. Em outras palavras, experimentando uma espécie de morte espiritual e a morte espiritual é definida como a separação de Deus.
[Nota do site: John MacArthur está se referindo à parte humana de Jesus. Ele era 100% homem e 100% Deus. Em algum momento, o homem Jesus sofreu uma separação do Pai, mas sua divindade nunca se separou do Pai.]

Antes de morrer na carne, Jesus disse: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?”.
Creio que houve uma separação de Deus, não uma cessação da existência. Ele não deixará de existir porque Ele era e é eterno.
Mesmo quando os seres humanos morrem, eles não deixam de existir. Eles podem experimentar a morte espiritual, a morte eterna, mas eles não deixam de existir.
Assim, Cristo passou por algum tipo de separação de Deus, não uma cessação da Sua existência.

Nós não sabemos o mistério deste fato, mas de alguma forma Ele esteve em um momento de tempo com todo pecado que foi derramado sobre Ele e Deus teve que virar as costas e O abandonou.
Ele não deixou de existir, mas houve uma espécie de morte espiritual, uma separação de Deus, no ponto em que Ele foi feito pecado por nós.
Mas, é muito claro que qualquer separação espiritual que Ele experimentou naquele momento, foi rápida, porque não muito tempo depois, ainda na cruz, Ele disse: “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito”.
Assim, qualquer experiência de separação espiritual que Ele teve, foi apenas por um momento, quando Ele foi feito pecado. E então, novamente Seu espírito foi vivificado.

Agora, o ponto que Pedro quer que você entenda é este: quando Jesus foi crucificado na cruz, Seu corpo morreu e foi para o túmulo.
Mas, quando seu corpo estava morto, seu espírito estava vivo. Agora a pergunta é: para onde Ele foi no espírito vivo? “No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão.” (v.19)
Seu espírito estava com o seu corpo na cruz e quando Seu corpo morreu e jazia no túmulo por três dias, seu espírito foi para outro lugar.
Seu espírito não foi remetido para julgamento, não foi entregue à morte eterna, não experimentou a segunda morte, como os injustos que sentem a ira de Deus. Mas, seu espírito foi liberado para o perfeito propósito de Deus.

Onde ele foi? Bem, Pedro diz, de forma muito clara, que Ele fez uma proclamação, um sermão. Ele foi a um lugar para pregar. Ele foi e fez um sermão triunfante.
Assim, mesmo antes de sua ressurreição, no domingo de manhã, Ele estava se movendo livremente no reino espiritual.
E Ele foi pregar. Agora, o verbo aqui “pregar”, não é do grego “euaggelizō”, que quer dizer “pregar o evangelho”.
Ele não foi a algum lugar para pregar a salvação. Aqui o verbo é “kerusso”, que significa “anunciar um triunfo”.

É a palavra “arauto”. Generais e reis tinham um arauto para anunciar suas vitórias. Ele foi a um lugar para anunciar Sua vitória.
Ele não estava pregando o evangelho para algumas pessoas ou seres no mundo espiritual. Ele estava anunciando um triunfo. Sobre o que? Seu triunfo sobre o pecado, a morte, o inferno, os demônios e Satanás.
Ele foi proclamar a vitória. É esse o contexto. É tudo sobre o triunfo no meio do sofrimento injusto.

Agora, para quem Ele fez esse anúncio triunfante? “Aos espíritos em prisão” (v.19). Quem são os espíritos? Bem, pense sobre isso. No versículo 20 Pedro usa a palavra “pessoas” ou “almas”: “poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água”.
Pedro chama as pessoas de almas. Parece-me, então, que os espíritos devem ser diferentes das pessoas neste contexto.
O Novo Testamento sempre usa os “espíritos” para se referir a anjos, nunca para homens sem algo que os qualifique.
Hebreus 12 diz: “Os espíritos dos justos aperfeiçoados”. Sempre que é qualificado, a frase de qualificação vai dizer a quem se refere. Mas, todos os outros usos de “espíritos”, se referem aos anjos.

Além disso, sabemos que os anjos estão em destaque no versículo 22, porque diz “tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e os poderes”. Então, em algum momento nesta passagem, Pedro quer que entendamos que Ele tinha sujeitado a Si mesmo os anjos, as autoridades e os poderes, que são apenas nomes diferentes para os anjos.

Eu creio que Ele foi declarar Sua vitória sobre os demônios e que “os espíritos” se referem a demônios.
Você diz: Por que você diz demônios? Porque esses espíritos estavam em prisão. Isso não poderia ser uma mensagem de salvação aos demônios, pois os demônios não podem ser salvos.
Os demônios que caíram estão condenados para sempre, por assim dizer, trancados em seu destino.

Hebreus 2: 15-16 diz: “E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão”.
Ele não redime espíritos, Ele redime pessoas. Então, tudo o que Ele disse para esses demônios não era uma mensagem de salvação, mas a proclamação de um triunfo glorioso.

Você diz: “Bem, por que Ele foi anunciar o triunfo para um bando de demônios?” Porque desde o início, quando Satanás caiu, ele tem estado em guerra contra os propósitos de Deus.
Há um conflito cósmico neste universo entre Deus e Satanás, testemunha Jó capítulo 1. Há conflito entre os santos anjos e os anjos caídos, testemunha Daniel.
E o tremendo conflito entre o grande anjo poderoso de Deus e o príncipe de Tiro, um demônio.

Sempre houve guerra espiritual, em um nível sobrenatural, e Satanás e os demônios têm feito tudo para tentar destruir os propósitos de Deus em Cristo.
Desde o início, quando Satanás sabia que sua cabeça seria ferida e que ele seria finalmente esmagado, ele lutou contra os propósitos de Deus e lutou contra Cristo de todas as formas possíveis.

Ao longo do Antigo Testamento ele tenta destruir a linhagem messiânica. Ele tenta destruir o povo de Deus.
No Novo Testamento Ele tenta fazer com que Cristo se renda diante de si mesmo e, assim, frustrar o propósito de Deus. Ele tenta destruí-lo, para violar o plano de Deus. Quando Jesus estava morto no corpo, ele tenta mantê-lo no túmulo.
Os demônios do inferno e o próprio Satanás, sempre procuraram destruir a obra de Cristo.
E agora, como Ele estava na cruz, levando sobre si os nossos pecados, Sua vida humana foi esmagada e fisicamente foi morto, parece que os demônios pensaram ter vencido.
E um escritor disse que o inferno estava no meio de um carnaval quando Jesus chegou. Eles provavelmente foram comemorar esta grande derrota.

E onde foi isso? Pedro diz: na prisão. Onde é esse lugar que Jesus foi? Em nenhum lugar na Escritura diz. Mas, esses espíritos estão presos.
O sentido, no grego, não é uma condição, mas um local. Refere-se a um local real, não alguma condição de ser preso em pecado. É um lugar.

Você diz: “Bem, agora espere um minuto, se Jesus foi para um lugar onde os demônios estão presos, como é que os demônios estão correndo por aí?”.
Diferentes demônios. Nem todos os demônios estão na prisão.
Há a primeira linha de anjos, que se dividem em dois tipos: anjos santos e caídos. Dos anjos caídos existem dois tipos: soltos e encarcerados. Dos anjos encarcerados há dois tipos: Permanentemente e temporariamente encarcerados.
O que estamos falando aqui, portanto, é dos anjos caídos encarcerados permanentemente.

Há um monte deles correndo soltos. Sabemos que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas contra o que? Demônios. E você quer saber algo sobre os demônios que estão soltos?
Lucas 8:30-31 diz: “E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios. E rogavam-lhe que os não mandasse para o abismo”.

Em outras palavras, os demônios disseram: “Por favor, Jesus, não nos envie para o abismo, não nos faça prisioneiros”. Eles não querem isso.
Em Mateus 8:29 eles disseram: “Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?”
Em outras palavras: “Você não está fora da programação? Você vai nos enviar para aquele lugar agora, antes do tempo?”

Eles não queriam ir para lá. Deve ser um destino muito temido. Os anjos caídos que estão presos lá são incapazes de se mover. Eles estão em cativeiro.
Eles não podem espalhar seu mau em torno da Terra e do universo. Eles não podem lutar contra os santos anjos. Eles não podem fazer esforços para frustrar os propósitos de Deus que eles tanto odeiam.
Então eles disseram: “Não nos mande para o abismo”, que é uma palavra que significa, basicamente, “a prisão dos espíritos desobedientes”, assim diz Kittel, em seu estudo do original grego desta palavra.

Agora você diz: “Espere um minuto. OK, alguns estão soltos e alguns estão presos. Como eles ficaram presos? O que eles fizeram para ficar permanentemente presos neste lugar?”
O versículo 20 responde. Bem, uma vez que eles foram rebeldes.
Você diz: “Ei, espere um minuto. Todos os demônios são sempre rebeldes. O que isto significa?”.
Uma vez que, em algum momento no passado, eles ultrapassaram até mesmo as limitações que Deus impôs a eles. Eles foram longe demais.

Você diz: “Bem, quando eles foram desobedientes a este ponto?”.
Versículo 20: “Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água”.
Oh, agora sabemos que foi durante o tempo de Noé. Ali eles ultrapassaram os limites que Deus estabeleceu para suas maldades. E foi durante o tempo em que Noé passou 120 anos construindo uma arca.

Você diz: “Bem, essa arca era um barco, ok?” Sim, mas isso não era realmente o seu principal objetivo.
O seu principal objetivo não era ser um barco, mas ser uma lição objetiva. Seu valor foi para a pregação de 120 anos sobre o julgamento divino.
A arca foi apenas um barco por um ano, mas um sermão por 120 anos. Infelizmente ninguém ouviu o sermão e todos morreram, exceto oito.

Assim, em geral, a impiedade do tempo de Noé era total. Na verdade, ele diz que toda a imaginação do coração do homem era apenas má continuamente (Gênesis 6:5).
E você sabe o que isso significa? Isso significa que espíritos demoníacos estavam enchendo o mundo com toda a sua maldade e atividades contra Deus.
E é por isso que Deus julgou o mundo com o dilúvio. Não há nenhum outro momento em que a maldade foi tão grave como nos dias de Noé.
Os espíritos rebeldes controlaram toda a raça humana, com exceção de Noé e sua família. Eles literalmente possuíam toda a terra.

E até 120 anos de pregação não conseguiram convencer ninguém, ficando apena as oito pessoas na família de Noé.
Quando Jesus voltar, a Bíblia diz que será como nos dias de Noé. A terra voltará a essa extrema maldade.

Assim, os dias de Noé foram dias de auge em atividades demoníacas. E os demônios se infiltraram e corromperam, com sucesso, toda a raça humana, de modo que Deus teve que, literalmente, afogar toda a Sua criação, com exceção de oito pessoas.
E os demônios que excederam os limites no tempo de Noé foram colocados na prisão. Isto deveria ser algo muito familiar para os leitores de Pedro, porque ele faz uma explicação tão mínima aqui.
Deve ter sido algo com o qual eles estavam muito familiarizados ou Pedro teria dado uma maior quantidade de detalhes.
Todos deveriam ter conhecimento sobre os espíritos presos porque ultrapassaram os limites que Deus havia estabelecido, mesmo no comportamento perverso dos demônios, nos dias de Noé.

Agora, todos os demônios foram colocados na prisão? Não, porque alguns deles estão ainda soltos. Quais foram? Veja II Pedro 2:4-5, que diz:
“Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; e não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios”.

Nesta segunda carta, Pedro diz que houve um tempo em que Deus lançou os anjos caídos, que ultrapassam os limites, no inferno, no poço de escuridão e lá estão presos para julgamento.
E novamente ele diz que foi num momento em que Noé, o proclamador da justiça, pregou e Deus trouxe o dilúvio sobre o mundo dos ímpios.

E então ele diz:
“E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente; e livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis.” (II Pedro 2:6-7).

Então, ele menciona duas outras ilustrações de julgamento, a condenação das cidades de Sodoma e Gomorra, mencionando Ló, que foi resgatado.
Note que ele refere-se a Ló. Parece-me altamente provável que ele está se referindo a esses anjos que pecaram e foram lançados no poço de escuridão, reservados para o juízo.
Este fato deve ter ocorrido no tempo de Ló, Sodoma, Gomorra e Noé. Deve ter sido algo de tal conhecimento comum para os leitores de suas cartas, que Pedro não precisou fazer grande explicação sobre este assunto.

A propósito, a palavra “inferno”. No versículo 4, é a palavra grega “tartarōsas”, ou, literalmente, poderíamos escrevê-la, em uma transliteração do inglês, como“tartarus”.
“Tartarus” era um nome, na mitologia grega clássica, usado para descrever o abismo subterrâneo em que deuses rebeldes foram punidos.
A palavra foi tomada para o judaísmo e usada para se referir à prisão dos anjos caídos.

Os judeus estavam acostumados, a propósito, com o livro não bíblico chamado “O Livro de Enoque” [livro desaparecido]. Na carta de Judas, versículo 14, ele faz menção a este livro.
“O Livro de Enoque” discute o relato de Gênesis sobre os anjos que ultrapassam os limites.
Então, eu acredito que Pedro ao se referir a este registo, está se referindo a algo comumente conhecido pelas pessoas.

Agora, Deus não enviou todos eles para lá. Quais deles que Ele enviou?
Vá para Judas 6: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia”.
Você vai notar também, no versículo 7, que ele está falando sobre uma outra história em Gênesis: “Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno”.
Novamente Sodoma e Gomorra, o que me leva a crer que ele também está se referindo, no versículo 6, a Gênesis.

Os anjos que não guardaram o seu próprio domínio, mas abandonaram seu próprio domicílio, são mantidos em prisões eternas. Há alguns que estão temporariamente presos, e outros permanentemente.
Qual foi o seu pecado específico? Veja o versículo 7. Eles abandonaram o seu próprio domicílio, assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades ao seu redor.
Essa região se transformou em lugar de imoralidade galopante, notadamente sodomia e homossexualidade, ao ponto dos homens de Sodoma terem tentado violentar dois anjos que tomaram a forma humana.

O que esses anjos fizeram? Vamos voltar a Gênesis 6 e descobrir. Eu tenho certeza que Judas e Pedro sabiam sobre o livro de Enoque.
Judas se refere a ele no versículo 14, possivelmente referindo-se a uma interpretação do livro de Enoque sobre Gênesis 6.
Vamos de volta aos tempos de Noé, abra sua Bíblia em Gênesis 6: 1-4, que diz:

E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos. Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.

Você diz: “O que quer dizer isto?” Vou lhe dizer o que é. “Filhos de Deus” são demônios, “filhos de Deus” é um termo usado no Antigo Testamento para se referir a anjos.
E o que você tem aqui são anjos caídos, que assumiram corpos humanos, em algum tipo de forma, coabitaram com as mulheres e produziram uma geração de híbridos demoníacos.
É possível que eles foram chamados de “Nephilim”, um termo que pode significar “caído”, ou ter referência a “violento”, ou quando utilizado em Números 13:33, “gigante”.
Aparentemente, esses demônios coabitaram com as mulheres e produziram alguns tipo de monstros, uma prole endemoninhada que era muito poderosa, gigante, muito violenta.

Agora, algumas pessoas acreditam que os “filhos de Deus” referem-se, na verdade, às pessoas da linhagem de Sete.
E isso significaria, simplesmente, que a linhagem de Sete, que era piedosa, misturou-se com a linhagem de ímpios.
Mas eu entendo que o que diz aqui é exatamente o que Pedro e Judas estão aludindo que aconteceu no tempo de Noé.

A existência desses homens híbridos foi uma das razões que levou Deus a destruir o mundo com as águas do dilúvio.
Se você pode criar um homem demônio, então ele é imperdoável. Cristo, como o Homem-Deus, veio redimir os homens, não homens-demônio. Eles queriam poluir a humanidade para torná-la irredimível.

Há uma série de razões pelas quais essa interpretação está de acordo com Gênesis 6.
Uma delas, é que é a interpretação mais antiga e mais amplamente difundida.
Outra razão, é que os “filhos de Deus” sempre se referem a anjos no Antigo Testamento. De fato, manuscritos os traduziram como anjos.
A expressão “filhos de Deus” é usada, especificamente, para se referir àqueles trazidos à existência diretamente por Deus, não para aqueles procriados. Então, por isso, remete aos anjos.
A igreja primitiva tinha este ponto de vista até o quarto século.

Os homens, neste momento, seriam procriados, eles seriam os “filhos dos homens”, e não os “filhos de Deus”.
E pelo jeito, se isto simplesmente significasse “homens”, então, todos os “filhos de Deus” deveriam ser do sexo masculino, porque ele diz que “os filhos de Deus coabitaram com as filhas dos homens”.
E os “filhos de Deus”, portanto, teriam que ser todos do sexo masculino, o que seria uma estranha forma de interpretá-lo.
Penso que se o texto estivesse se referindo aos homens, teria que simplesmente dizer que “os filhos dos homens coabitaram com as filhas dos homens”.

Além disso, se estes eram os “filhos de Deus”, chamados assim porque eles eram crentes da linhagem de Sete, por que Deus iria afogar todos eles nas águas do dilúvio?
E poderíamos continuar e continuar com esse tipo de raciocínio. Creio que esses demônios deixaram seu estado natural, e foram atrás de carne estranha.
Siga a analogia. Em Sodoma, os homens foram atrás de anjos; aqui, anjos foram atrás de mulheres. Quanta perversão!
Não é apenas o casamento entre crentes e não crentes. Não havia proibição dada para isso ainda, então por que Deus iria afogar todo mundo por fazer isto, mesmo os crentes? Não.

Agora você tem o cenário? Em Gênesis 6 alguns demônios pecaram, fora dos limites que Deus iria tolerar, e foram condenados à prisão permanente no abismo.
Quando Jesus foi morto na cruz, o inferno pensou: “Vencemos”. E todos os demônios presos no abismo podem ter esperado Satanás com as chaves da prisão para libertá-los.
E eles estavam lá esperando o momento de sua libertação. Mas quem apareceu por lá? Jesus, anunciando o Seu glorioso triunfo sobre todas as hostes malignas.

Veja Colossenses 2:14, que diz:

Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.

Esses são termos para os demônios. Na cruz, eles pensaram que estavam triunfando, mas estavam enganados. Jesus estava ali os aniquilando e os despojando publicamente.
Creio que Paulo está se referindo à mesma coisa, que, quando o corpo de Jesus estava morto, seu espírito estava vivo e Ele desceu ao abismo para proclamar a vitória àqueles anjos encarcerados.
Eles queriam constituir uma humanidade irredimível, mas Jesus triunfou gloriosamente, redimindo um povo para Deus.

E Jesus, em meio aos sofrimentos, triunfou sobre o pecado, sobre Satanás e seus demônios, sobre a morte. Tudo ao mesmo tempo.
Isso não é um triunfo maravilhoso? Pedro quer nos fazer entender que quando nós sofremos, nós podemos triunfar também.

Obrigado, Pai, pelo grande triunfo do nosso Cristo.
Oh Deus, como nos alegramos que os anjos e as autoridades estão sujeitas a Ele, e que no momento em que o pensamento do inferno foi de ter alcançado seu maior triunfo, foi frustrado e o próprio Filho, o espírito vivo, mostrou-se vivo para anunciar Seu glorioso triunfo, e, em seguida, algumas horas mais tarde, saiu vivo da sepultura.
E por causa desse evento, nós também entramos em Seu triunfo. Amém e amém.


Esta é uma série de 3 sermões sobre o triunfo do sofrimento de Cristo

01. O triunfo do sofrimento de Cristo – Parte 1
02. O triunfo do sofrimento de Cristo – Parte 2
03. O triunfo do sofrimento de Cristo – Parte 3


Este texto é uma síntese do sermão “The Triumph of Christ’s Suffering Part 2”, de John MacArthur, em 15/10/1989.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/60-37/the-triumph-of-christs-suffering-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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