Anatomia da igreja: O esqueleto

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Este sermão de John MacArthur foi pregado em agosto de 1983. Faz parte de uma série de 8 sermões sobre a anatomia da igreja. Temos traduzido sermões deste servo do Senhor, pregados entre 1969 e 2016, todos na “Grace Community Church”, na cidade de Panorama City, estado da Califórnia, Estados Unidos. É muito salutar vermos a firmeza bíblica, coerência bíblica e perseverança bíblica de seu ministério. Os frutos que o Senhor produziu, através deste vaso nas mãos do Oleiro, resultaram em um imensurável impacto para o Reino de Deus, uma obra que tem alcançado todo o mundo. Na introdução deste sermão, vemos sua fé inabalável na Palavra de Deus. Hoje, 33 anos após este sermão ter sido pregado, este homem continua colhendo os doces frutos de sua fé bíblica, pregando as mesmas coisas. Isto é o resultado de um ministério que nunca se afastou da imutável Palavra de Deus.


Alguém me disse que não sabe o que se passa em meu coração, ou seja, do que eu espontaneamente falaria, porque raramente estou desconectado de um texto bíblico.
Bem, talvez hoje eu possa apenas compartilhar meu coração.
Em nossa série sobre o Evangelho de Mateus, entramos na última semana de vida de nosso Senhor Jesus. Mas, antes de começarmos, eu tenho algumas coisas em meu coração para compartilhar com vocês.

Quando eu ministro em outros lugares, converso com outras pessoas, passo tempo em oração na Palavra e lendo alguns livros, eu normalmente sou capaz de afastar a pressão e pensar com clareza.
Quando estou aqui, é difícil ter o tempo para fazer isso; e, como resultado disso, o Senhor parece gravar sobre meu coração certas coisas que são necessárias para eu entender, para eu enfatizar em meu próprio coração e vida, e, para eu compartilhar com vocês.
Eu quero que você saiba que esta igreja é a minha vida. É o coração e a alma da minha vida.
Estou aqui há quinze anos (sermão pregado em 1983), eu acredito que o futuro ainda está diante de nós. É emocionante, cheio de alegria e expectativa e um enorme potencial de possibilidades.
Mas eu também penso que nós estamos em um ponto na vida da igreja onde os problemas nos mostram o momento de oportunidade que temos em nossas mãos agora.

Após algum tempo nas férias, eu tive uma oportunidade de jogar golfe com um pastor, pois meu tempo estava tomado com pregações em outros lugares, em plenas férias.
Ele falava sobre o desejo de formar uma grande igreja. E começou a fazer referência à nossa igreja, falando do tamanho, quantidade de ministérios, etc.
Mas, o ponto central da conversa dele foi mais ou menos isto: ‘Com algo assim, que funciona bem, você pode ter este tempo para descansar tranquilamente’.

E eu lhe disse que ser uma parte da construção de uma igreja é fácil. Começamos com um grupo de pessoas que decolou e cresceu extraordinariamente. Coisas maravilhosas estavam acontecendo. Isso foi fácil.
Foi obra de Deus. Muito emocionante. Eram tempos de euforia. Eu gosto de chamar aqueles anos de ‘descobrimento’.
Eu não sabia muita coisa, mas nós estudávamos juntos as Escrituras Sagradas. O impacto dela sobre as pessoas era tremendo. Foi um tempo de tremendo crescimento espiritual.

Meu objetivo, sinceramente, quando cheguei aqui, era manter as pessoas que já estavam aqui.  Esse era o meu objetivo básico.
Eu nunca imaginei que chegaríamos onde chegamos. É por isso que eu disse que o verso na Bíblia mais verdadeiro para a minha compreensão nos anos de ministério aqui é Efésios 3:20, algo que Eu vi Deus fazer.

“Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera”

Mas, naqueles primeiros anos, estávamos todos animados. Houve um tremendo êxtase. Houve um tremendo sacrifício. Todo mundo era uma parte do edifício e crescimento conjunto.
Um dos companheiros da equipe me disse há algumas semanas que se você olhar para a história, em praticamente todas as áreas da vida da igreja e da vida do povo de Deus, há uma espécie padrão muito interessante:

A primeira geração luta para descobrir e estabelecer a verdade e foi isso que fizemos de forma árdua e persistente.
A segunda geração luta para manter e proclamar a verdade. Criamos vasto material audiovisual e livros, enviamos homens a pregar em outros lugares, trabalhamos com os líderes e pastores, ensinamos arduamente aos irmãos, mantemos e proclamamos a verdade.
A terceira geração tem a tendência de ter menos zelo, uma vez que eles não tomaram parte da luta inicial em cada fronte. Eles não correram riscos e tendem a não dar valor àquilo que receberam de ‘mão beijada’.

Isso me assusta. Isso realmente me assusta. O comportamento  mais difícil de lidar no ministério é a indiferença, apatia e complacência.
Você não pode lidar com isso. Não há nenhuma maneira de lidar com isso, a não ser instruir na Palavra da melhor maneira possível e assim por diante. Isso é difícil.

Alguém vem a mim e, você sabe, nós temos problemas como qualquer igreja teria. Na verdade, temos muito, é claro, porque temos muita gente aqui.
Mas quando alguém vem a mim e diz: “Oh, John, nós temos um problema real”.
A minha resposta a isto é, “Formidável, rapaz, isto é emocionante! Nós temos um problema, e nós sabemos o que é, e nós podemos resolvê-lo com a verdade da Palavra de Deus. Formidável!”
Quer dizer, essa é a graça do ministério. Quem poderia ficar em uma igreja sem problemas?
Eu digo isto aos jovens pastores: Se você encontrar uma igreja sem problemas, não vá lá. Você vai destruí-la.
Quer dizer, que ótimo ter problemas, porque os problemas podem ser resolvidos com a aplicação da verdade divina. Então, eu fico animado sobre isso.

Mas, a complacência, indiferença e apatia são de partir o coração. E pensar que nós podemos produzir uma geração de pessoas que não tomaram parte na luta inicial, uma geração que apenas recebeu tudo pronto, e assim, basta entrar e se acomodar  e dizer: “Bem, está tudo aqui, gente, nós recebemos isto de ‘mão beijada’ e sempre estará aqui”.
E uma vez que eles não sabem qual foi o preço, eles não podem nem mesmo provar o doce sabor da vitória. Eles nem sequer sabem o que é passar por toda a batalha.

Quer dizer, você só tem uma chance na vida, e eu olho para isto como se Deus tivesse me dado o maior, mais maravilhoso e emocionante possível uso desta única chance.
Ele me colocou aqui, e eu não creio que acabou ainda. Mas temo que as pessoas que não foram parte do processo de construção e do processo de luta não sejam capazes de apreciar o que Deus tem feito.

Deuteronômio, capítulo 6, traz uma boa ilustração sobre isto. Deus, é claro, em Sua maravilhosa graça, escolheu o Seu povo Israel. Misericordiosamente os tirou do cativeiro para colocá-los na Terra Prometida e literalmente os inundou com a graça divina e bênção.

E Ele diz nos verso 3 a 6: “Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os guardares, para que bem te suceda, e muito te multipliques, como te disse o Senhor Deus de teus pais, na terra que mana leite e mel. Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.”.

Ele diz que a manutenção de uma fé fiel é resultado de um amor a Deus com todo o coração, alma e força.
Amar a Deus mais do que ama qualquer outro bem, seja lá o que for e em qualquer lugar, resultará em bênçãos indescritíveis.
Bernard de Clairvaux, de forma muito convincente, disse: “Eu tenho três grandes desejos em minha alma: Lembrar de Deus, contemplar a Deus e amar a Deus”.
Se formos convidados a listar os três grandes desejos da nossa alma, eu me pergunto se é isso que estaria em nós.


E, então, o texto diz: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (v.6-7).  
Ou seja, não só em seu coração, mas em seus lábios, ensinando a seus filhos. Instruindo-os em todo o tempo. Você tem feito isto? É essa a sua conversa?

E, em seguida, nos versículos 8-9, Ele diz para fazer outra coisa: “Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas”.  
Em outras palavras: ‘Refresque a sua memória com alguns símbolos’. Em nossas casas precisamos ter lembretes para sacudir nossas memórias para as coisas que deveríamos estar pensando.

Então, começa no coração, sai nos lábios, e é fixado em nossas mentes por meio de sinais e símbolos. Você poderia perguntar: ‘Por que tudo isso?’. O Senhor explica:
“Quando, pois, o Senhor teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que te daria, com grandes e boas cidades, que tu não edificaste, e casas cheias de todo o bem, que tu não encheste, e poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste, e comeres, e te fartares, guarda-te, que não te esqueças do Senhor, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão” (v.10-12).

Quer dizer, a tendência é que, por você não ter sido uma parte do processo de construção, você entenda tudo como recebido de ‘mão beijada’.
E eu temo que alguns de nós possam se esquecer deste processo, esquecendo-se da mão de Deus e seu mover sobre nós.
E muitos vão entrando e não conseguem enxergar os sacrifícios para chegarmos onde estamos.

O que acontece com estas pessoas que já encontraram tudo pronto é que quando algo não vai bem, elas se tornam muito exigentes. Elas não entendem que a guerra é real, e  não entendem a realidade da luta e as grandes questões envolvidas.
É como alguém disse certa vez: “Eles estão reorganizando as cadeiras no convés do Titanic”.
E às vezes as pessoas vêm a mim com certas exigências acerca de assuntos tão pequenos, e vem logo ao meu pensamento, embora nem sempre eu as digo: “Quem se importa? Eu não me importo com isso. É pequeno demais. Há assuntos realmente importantes…”. E eles dizem: “Oh, oh”.

Devemos focar na realidade. Por que as pessoas querem mexer com as coisas não essenciais? Vamos em frente com o reino.
Algumas pessoas passam toda a sua vida em torno de curiosidades e exigências sem importância.
Elas não entendem. Eu penso que o filho da apatia é a crítica. E é tão fácil entrar no lugar onde você vê tudo como recebido de “mão beijada”.  
Isto conduz à indiferença e à crítica para com todas as imperfeições que você pode ver. É como uma pessoa que, ao entrar em um lindo pasto, imediatamente encontra um monte de esterco.
Bem, isso é uma perspectiva que você não quer ter.

Eu sei que Deus nos deu pessoas maravilhosas, e nós somos uma igreja rica em pessoas maravilhosas, pessoas que Deus nos deu. Bendigo o nome do Senhor por este fato.
Mas também sei que há muitas pessoas que andam por conveniência. Fazem apenas o que lhes é conveniente fazer.
E olham para a igreja como olham para tudo na vida, buscando apenas se servir de acordo com suas necessidades.
Não estão compromissadas com nada. Estão satisfeitas com o menor esforço.

Vivemos em um mundo onde tudo é para você, onde você pode obtê-lo à sua maneira. Tudo vindo para você. Até mesmo o mundo cristão entrou nessa.
E assim você olha para a igreja; e se ela tem algo a oferecer, você aparece. Você não entende a lealdade de apoiar o pastor ou o homem de Deus que está falando.
E esse é o tipo de atitude que gera complacência em uma igreja, e esse é o tipo de atitude que pode matar um ministério.

Veja na igreja de Éfeso. Eles deixaram o seu primeiro amor, e eles precisavam ser sacudidos para lembrar o que eles costumavam ser.
Então eu disse a este pastor: “Iniciar uma igreja é fácil. Tentar lidar com o grande é que é difícil. Impedir que as pessoas fiquem complacentes, indiferentes, levando tudo como recebido de ‘mão beijada’ e não entender o que elas têm é complicado. Elas tendem a ver tudo como algo simples e fácil. Nem sequer conseguem orar por cada aspecto como deveriam”.

Você ora pelos pastores? Você ora pela igreja? Algumas pessoas são rápidas para criticar e não tão rápidas para orar.
E aqueles que estão na liderança, vocês têm orado pelas pessoas que vocês lideram? Ou pensamos que está tudo sendo feito tão bem, que não precisamos mais de Deus?


Veja, você não entende a batalha, a guerra. Você só vê o resultado. Tudo parece tão fácil. Você não entende as lágrimas e a labuta.
Você não entende como nós, que estamos na liderança na igreja, temos que estar ao lado do outro apenas para apoiar uns aos outros, porque muitas vezes fica muito doloroso, muito difícil.
E eu só quero que você se lembre de que precisamos de você como uma parte totalmente comprometida. Precisamos de suas orações, dons e serviço.

Olhe comigo por um momento para II Pedro 1:12, que diz: “Por isso não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade”.

Pedro está dizendo, em outras palavras: ‘Eu não vou ser negligente. Está dada a oportunidade por Deus e você não vai querer estragar tudo. É uma santa vocação, um grande privilégio para o qual você é responsável.’
E eu estou aqui para fazer o mesmo hoje. Eu não vou dizer nada de novo. Eu vou dizer algumas verdades antigas que você precisa se lembrar.

Ele diz: “Eu quero vos lembrar destas coisas, ainda que vocês as saibam e estejam confirmados na presente verdade”.
Ou seja: ‘Eu sei que você conhece, mas você precisa ser lembrado, só precisa de algo para sacudir sua memória.’

Ele completa: “E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já me tem revelado. Mas também eu procurarei em toda a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas” (v. 13-15).

Há uma certa virtude em fortalecer as verdades básicas que não podem ser esquecidas. E é isso que eu gostaria de fazer, apenas compartilhar meu coração ao passo que compartilho essas verdades.
Muitos pastores vêm aqui para descobrir por que nossa igreja cresce e o que estamos fazendo. E eles geralmente vêm querendo pegar algo para aplicar em suas próprias igrejas.
O que eles não entendem é todo o material que está dentro. Você vê o funcionamento do ministério, mas o que você tem que entender é o que está por trás da cena que você não pode ver.

E assim eu gostaria de tomar emprestada uma analogia, se eu puder, do apóstolo Paulo, a analogia de um corpo. E eu acredito que podemos chamar isso de
“A anatomia da Igreja” . 
Eu creio que o corpo pode ser visto em quatro características. Isto não é clínico, é apenas para o bem da nossa analogia: Ossos ou esqueleto, sistemas internos, músculos e carne [Não foi esquecido a Cabeça (Cristo), tema do último sermão desta série. Todos os pontos estão relacionados a Cristo]. 
Uma igreja tem que entender a si mesma dessa forma. Tem que haver estrutura, ou seja, esqueleto. Tem que haver sistemas internos, que eu identifico como aquilo que  flui através de certas atitudes. E, então, tem que haver músculo, que é mais ou menos a ação que nós temos, e então a carne é gerada na forma de nosso ministério.

Mas a forma não é suficiente. Você não pode simplesmente reproduzir a forma sem o resto. Ela não vai viver. O corpo não vai ficar de pé. Não vai funcionar.
Então, vamos voltar de onde começamos, é isso que eu acredito que Cristo quer que nossa igreja seja.
Este é o lugar onde estamos comprometidos, e o futuro será maior do que o presente, se nós realmente conseguirmos agir em conjunto.
Nós queremos fazer o que temos de fazer no futuro, porque Deus nos deu o fundamento. Nós não queremos dizer: “Ei, nós construímos o fundamento. Não é este um fundamento lindo?” Queremos continuar e terminar a casa.

O esqueleto do Corpo de Cristo (igreja)

Eu quero falar antes de tudo sobre o esqueleto; e eu acho que isso é tudo que eu vou falar esta manhã.
Para o corpo funcionar e trabalhar, ele tem que ter esqueleto, a estrutura, a forma. É o esqueleto que dá a estrutura de base para formar o corpo.
Agora, eu creio que há certas verdades esqueléticas com as quais nós temos que estar comprometidos. Elas são inegociáveis, inalteráveis e invariáveis.
E quando digo isso, amado, refiro-me a você. A igreja é você. Eu não estou falando de algo nebuloso. Eu estou falando de você, de mim, de nós.

Deixe-me dar o que eu penso ser os componentes esqueléticos, que são questões inegociáveis.
Primeiro, ter uma visão elevada de Deus. É absolutamente essencial que a igreja se veja como algo para a glória de Deus. Você entende isso?
Agora, isso é tão básico que parece desnecessário dizer. Mas, acredito que a igreja, em geral, desceu desse nível para se tornar uma igreja para ajudar homens.
E a igreja pensa que seu objetivo é ajudar as pessoas a se sentirem melhores sobre si mesmas, servindo de psicólogo para elas, consertando seus casamentos e outras áreas de suas vidas.

Reduzimos a igreja, de um organismo que tem como objetivo conhecer e glorificar a Deus, para uma organização que tem o objetivo de fazer as pessoas se sentirem melhores sobre si mesmas. É um erro.

Se você conhece suficientemente a Deus, em última análise, você será inteiramente muito melhor. A resposta a tudo em sua vida é conhecer a Deus, pois o Senhor é o começo de toda a sabedoria.
E quando você tem um relacionamento correto com Deus, e leva Deus a sério, todas as outras coisas estarão no seu devido lugar.

Isso não quer dizer que não estamos preocupados com as necessidades das pessoas. Mas, deve haver um equilíbrio, e tudo começa com uma visão elevada de Deus. Devemos levar Deus a sério.

Há pessoas que questionam o porquê se certos sofrimentos em suas vidas e tornam-se indiferentes.
Um Deus santo deveria ter nos explodido para fora da existência há muito tempo. Essa é a questão. E porque Deus é misericordioso não há qualquer razão para sermos complacentes e indiferentes. Temos que levar Deus a sério.


Fico indignado com esses pregadores que querem arrastar Deus de Seu trono e transformá-lo em algum tipo de servo para os homens, para fazer todas as coisas que eles exigem.
Esta é uma geração irreverente que não sabe como adorar.
O que se chama de adoração, em muitos casos, é simplesmente indução de sensações. E  pensam que isto é adoração.
Uma geração que sabe pouco a respeito de Deus, que é excessivamente parecida com Marta e não o suficiente com Maria.

Uma geração ocupada em serviços o tempo todo, e não sabe o que é curvar-se e lavar os pés de Jesus. Que não sabe o que é  tremer diante da Palavra de Deus.
Nós não sabemos o que é ter uma confrontação maravilhosa com um Deus infinito e Santo, que nos deixa quebrantados sobre nossa própria pecaminosidade, e portanto, fazendo-nos úteis para sua glória.
Queremos nos sentir bem sobre nós mesmos. Queremos conquistar tudo que precisamos, ter todos os nossos problemas resolvidos. Nós estamos sendo vendidos a um saco de psicologia religiosa que é chamada de igreja.

Ouça, eu realmente vou dar um passo adiante e dizer que você poderia pegar 90 por cento de todos os livros que estão sendo escritos hoje e jogá-los no lixo, e você não perderia nada com isto.
Esses livros são apenas um bando de falsos ensinos atacando os problemas que eles não podem resolver, e ainda conduzem as pessoas a não levarem Deus a sério e não andarem em obediência.

Quanto mais perto você chegar de Deus, mais você vê o seu pecado, certo? Foi isto que Tiago escreveu:
“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará” (Tiago 4:8-10).

Se procedermos assim, não teremos uma igreja centrada no homem. Deus será o foco da nossa adoração, a nossa vida.
E nós não olharemos para a Bíblia tentando encontrar pequenas fórmulas para resolver todos os nossos problemas. Nós olharemos para o Santo Livro como a fonte que revela Deus. A Bíblia revela Deus.

Há uma segunda verdade inegociável, e flui da primeira, e que é a autoridade absoluta das Escrituras. Não podemos comprometer esta verdade.
A Bíblia está sendo constantemente atacada. Ultimamente, por exemplo, tem-se tentado conciliá-la com o homossexualismo. E se você pensa assim, seria mais coerente você jogá-la fora.
Muitos seminários estão ensinando jovens a pregar a Palavra, enquanto eles mesmos estão negando as Escrituras Sagradas. Infelizmente, esta é a realidade. Isso é um ataque de frente.


Há carismáticos atacando a Bíblia, acrescentando todas as suas visões, revelações e outras coisas.
Eles sutilmente estão minando a Bíblia, porque ela já não é a autoridade única. Muitas bobagens são ditas em nome de Jesus, corroendo a credibilidade soberana de sua Palavra.


Ouça, vamos manter a Palavra de Deus como a autoridade absoluta. O pior ataque contra as Escrituras vem daqueles que dizem crer nela, mas não conhecem o que ela ensina.  
Por isso, invisto fortemente no ensino da Palavra. Devemos ensinar cada palavra. E se você não tem um apetite pela Palavra de Deus, isto não vai mudar o que fazemos.
Jesus disse: “O homem não vive só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”.

Você pode dizer: “Bem, eu, você sabe, nós não precisamos de mais ensino, nós gostamos de ter comunhão”.
Bem, isso é bom. Espero que isto seja sempre uma realidade, mas nós continuaremos a alimentá-lo com a Palavra, pois é ela que te
fará crescer.
É importante a comunhão, mas não como um substituto da Palavra de Deus. Na verdade, a mais doce, pura e gratificante comunhão, é sempre em torno da Escritura, sempre em torno da Escritura.

A prioridade absoluta da Palavra de Deus é onde meu coração está. Espero que seja também onde o seu está.
Você pode dizer: “Bem, já sabemos tanto”. Ouça, isto é uma manifestação do orgulho. O processo de descoberta da Palavra é infinito.

Uma vez um pastor me disse que apenas ensinava o que, para ele, era importante. Mas, toda palavra que procede da boca de Deus é importante. Isso é algo inegociável.

Em terceiro lugar vem algo que flui novamente da segunda: sã doutrina. Você começa com uma visão elevada de Deus, e se você faz seu compromisso com Deus, então você vai ter que ficar com Sua revelação, a Sua Palavra.
Se você faz um compromisso com a Sua Palavra, você vai ficar preso com o que ela ensina, e isso é doutrina, sã doutrina.

Há uma imprecisão quanto ao ensino das Escrituras Sagradas no meio cristão. Há muitas palavras de efeito para despertar emoções.

Há muita gente gritando verdades superficialmente, sem qualquer profundidade, desprezando as riquezas da Palavra de Deus.
Há uma necessidade de respostas sólidas que a Palavra de Deus fornece para a igreja. Mas, a igreja perdeu isso. A escassez do alimento sólido está enfraquecendo a igreja.


Há tanta confusão sobre coisas que deveriam ser, e são, de fato, claras na Palavra de Deus.
Creio que devemos ensinar a Palavra de Deus e ensiná-la com os princípios que são as verdades divinas, que são fundamentais para a vida.
Se precisamos saber sobre os anjos, temos que conhecer o que a Bíblia diz sobre eles. O mesmo sobre os demônios. E assim sucessivamente. Temos que olhar para a Palavra e conhecer o que Deus deixou para que soubéssemos.  


Em quarto lugar e igualmente inegociável: A santidade pessoal.
Vivemos em uma sociedade absolutamente profana. O lixo está esparramado por todo lugar como um esgoto quebrado inundando as ruas. Tudo está contaminado.
Há toda uma geração de pessoas sendo bombardeada, diariamente, pelo lixo do inferno.
Nós somos chamados a uma pureza de vida e não podemos negociar nada. Precisamos estar comprometidos com a pureza e a santidade. Temos que criar nossos filhos longe das garras do mundo.

II Coríntios 7:1 sempre me vem à mente: “Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”.  
Queremos reforçar isso. É por isso que exercitamos a disciplina na igreja. É por isso que, se alguém peca, temos que ir até ele. Você tem que ir até ele.

Certa vez alguém veio me fazer um relato contra um irmão.
Eu respondi: “Caro amigo, se você tem algo contra este irmão, você deve ir a ele. Você não deve me procurar para atacar e acusar um irmão. Eu não aceito o que você acabou de dizer. Se você tem um problema com ele, resolva com ele e eu nem sequer preciso saber sobre o assunto”.
Bem, depois ele me procurou confessando seu pecado, que havia aprendido uma lição tremenda e pediu-me perdão.
Eu não sei se houve de fato a ofensa que ele havia relatado, mas tenho que tratar tudo de forma bíblica.

Onde estamos em termos de santidade? Onde estamos em termos de verdadeira comunhão com o Deus vivo, na Palavra e na oração? Penso que nós não podemos apenas nos sentar e viver uma vida cristã de  compromisso pela metade e esperar, que mesmo assim, a obra de Deus seja feita do modo de Deus.  


Bem, a quinta verdade inegociável é a  Autoridade espiritual.
Eu creio, de todo meu coração, que a igreja deve entender que há pessoas investidas da autoridade de Cristo na igreja. Cristo é a cabeça e governa a igreja através de presbíteros piedosos, investidos dessa autoridade.
Isso é apenas o que a Bíblia diz. Eu não inventei isso. Os anciãos têm o governo sobre vocês no Senhor. É simples assim. Eles têm autoridade.

Agora, isso pode ser objeto de abusos.
Há homens que pensam que essa autoridade vem de seu ofício ou de sua personalidade. Não é isso.
É a autoridade da Palavra de Deus nas mãos de um homem de Deus. Em outras palavras, a única autoridade de um presbítero é falar e aplicar a Palavra de Deus.
Fora da Palavra de Deus, não há autoridade. O respaldo da autoridade é conferido apenas quando se está dentro da Palavra de Deus.


Algumas pessoas simplesmente não querem estar sob autoridade espiritual, porque sofreram com abusos anteriormente.
Mas, a igreja deve entender que Deus deu a homens piedosos da igreja a autoridade para representar Jesus Cristo, pelo exemplo e preceito na igreja.
A Igreja deve viver amorosamente sob sua liderança, embora tal liderança não seja impecável e perfeita.

Ouça, oramos constantemente para que seja tão próximo quanto possível da perfeição, mas sabemos que haverá falhas.
Alguém disse: “A única diferença entre cristãos e o exército é que aqueles costumam atirar em seus feridos”. Ou seja, quando alguém faz algo errado, às vezes eles são atacados impiedosamente.
É errado fazer o mal, mas não é, em última análise, um desastre fazer algo errado, se você o confessa e segue em frente.
Temos que entender que têm sido dados à igreja aqueles que devem liderá-la.

“E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós” (I Tessalonicenses 5:12-13).

“Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver. Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hebreus 7:13.17).

E nós temos uma pluralidade de líderes aqui. Eu sou apenas um deles. Você diz: “Bem, como é que você é o cara que sempre prega?”.
Havia doze apóstolos, certo? Mas cada vez que há uma lista deles, em Mateus 10:2-4, Marcos 3:16-19 , Lucas 6:13-16 e Atos 1:13, Pedro sempre está em primeiro lugar, ele sempre foi o porta-voz.
Isso foi apenas a maneira como  foi estabelecido. Não significava que ele era melhor do que ninguém.

Pedro e João viajavam juntos. Você acha que João, que também andou intimamente com Jesus, não tinha nada a dizer? É só observar o seus livros e você saberá que ele tinha muito a dizer.
Mas, cada vez que ele estava com Pedro, ele nunca abriu a boca. Por que? Porque Pedro tinha o maior dom em termos de pregar, falar.
Vemos o mesmo quanto a Paulo e Barnabé. Mesmo sendo Barnabé um grande mestre, grande orador e, provavelmente, um dos líderes na igreja, a palavra sempre estava com Paulo.
Portanto, há variações, mas na totalidade, há uma igualdade de autoridade espiritual e liderança dada àqueles que a Bíblia chama de anciãos ou pastores. Temos que entender isso, e esta igreja estará sempre sob os cuidados dessas pessoas, sempre.

Então, o que vimos hoje?
Se a igreja é o corpo de Cristo, tem que ter a estrutura certa. Tem que ter uma visão elevada de Deus.
Esta tem que ser sua busca: Conhecê-lo, conhecê-lo, conhecê-lo. E na busca para conhecê-lo, ela precisa que ter uma visão elevada das Escrituras, pois esse é o lugar onde Ele pode ser conhecido.


E por isso tem que possuir uma alta visão das Escrituras, estar comprometida com clareza doutrinária, a sã doutrina, a santidade pessoal. E, assim, vamos confiar as nossas almas ao cuidado daqueles que estão sobre nós no Senhor, como autoridade espiritual.
Eu digo isso aos pastores o tempo todo: se você não tem essas cinco verdades estabelecidas na igreja, tudo que você fará será superficial e de curto alcance
.
Leva anos para estabelecer este tipo de fundamento, e isso é apenas o esqueleto. Nós nem sequer falamos sobre os órgãos internos, os músculos e, em seguida, a carne.

Eu quero que você saiba que eu só tenho uma vida para viver, e eu sinto o Espírito de Deus dizendo que estou a vivê-la e a dá-la aqui, e eu não poderia estar mais feliz. Para mim, a aventura está apenas começando.
Eu não estou dizendo: “Ei, nós fizemos este grande negócio, e agora vamos nos espalhar e ir aqui e ali e fazer tudo”.
Não, o Senhor sabe, esta é a paixão do meu coração, esta igreja. E eu acredito que Deus tem um grande futuro para nós, se pudermos ver onde a guerra real reside e sempre estarmos comprometidos com as verdades fundamentais e reais.

Pai, temos realmente tocado em algumas verdades muito importantes para o Senhor.
Podem não ser sempre tão importantes para nós, embora devessem sempre ser, porque são as verdades mais importantes para o Senhor, uma vez que o Senhor é importante para o Senhor.
Tu és Deus e Tua Palavra é importante e o que ela ensina é importante. Santidade é importante, porque isso é o que Tu desejas. E autoridade espiritual é importante, porque Tu desejas governar sobre Tua própria igreja, em Teu próprio reino, pois Tu és o Rei.
Ajuda-nos a considerar importante aquilo que o Senhor considera importante e não gastar todo o nosso tempo brincando com trivialidades que não importam.
Ou pior, tornando-nos apáticos e indiferentes, porque temos sido afastados pelo mundo, ou porque temos tido por certo tudo o que Tu já fizeste e estamos acomodados onde chegamos, porque não fomos uma parte da batalha.
Ou talvez, Senhor, nós parte da batalha, mas apenas uma espécie de expectadores.Levá-nos de volta à batalha, Pai.Faz uma obra em meu coração e em cada coração para Tua glória. Amém.


Décadas depois deste sermão, John MacArthur proferiu dois sermões que podem ilustrar perfeitamente o que representa um ministério fundamentado na Palavra de Deus: O ministério pastoral santificante e Soberania de Deus, a obra e dormir bem.


Esta é uma série de 8 sermões sobre a Anatomia do Corpo de Cristo (igreja)

01. Anatomia da Igreja: O esqueleto
02. Anatomia da Igreja: Os sistemas internos – Parte 1
03. Anatomia da Igreja: Os sistemas internos – Parte 2
04. Anatomia da Igreja: Os sistemas internos – Parte 3
05. Anatomia da Igreja: Os sistemas internos – Parte 4
06. Anatomia da Igreja: Os músculos e a carne – Parte 1
07. Anatomia da Igreja: Os músculos e a carne – Parte 2
08. Anatomia da Igreja: A cabeça da igreja


Este texto é uma síntese do sermão “The Skeleton”, de John MacArthur, em 28/08/1983.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/resources/sermons/2024/the-skeleton

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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