Quem é Deus? (Parte 1)

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Esta é uma série sobre a pessoa de Deus. Para melhor entendimento, sugerimos ler a sequência das mensagens, conforme links no fim deste texto.



Nesta série de sermões pregados no ano de 1975, o pastor John MacArthur traz um ensino bíblico sobre os atributos de Deus, bem como a respeito de quem são Satanás e os demais seres angelicais.
Vivemos em um mundo místico, onde há muita deturpação quanto a estes assuntos, mesmo no meio da Igreja. Muitos têm crido num deus criado em suas mentes, sob a influência de suas culturas e filosofias. Simplesmente não conhecem o Deus verdadeiro, que é revelado através das páginas das Escrituras.
Por outro lado, há uma ignorância grotesca quanto ao que a Bíblia ensina acerca do assim chamado ‘mundo espiritual’, gerando um terreno fértil para a proliferação de muitas doutrinas heréticas.
Se você quer aprender mais sobre esses temas e buscar ter uma visão bíblica, correta sobre os mesmos, invista um tempo na leitura atenta e reflexiva destes sermões.
Este é o primeiro sermão e trata da doutrina sobre os atributos de Deus. Veja, no final deste texto, os links para os demais sermões traduzidos.


Esta manhã, vamos examinar a primeira parte desta breve série de sermões sobre Deus, Satanás e os anjos. Começando pela doutrina acerca de Deus. Ele existe? Quem é Ele? E como Ele é?

Antes de examinarmos a Bíblia, gostaria de fazer algumas citações acerca do assunto.  Will Durant disse: “A maior questão do nosso tempo não é o comunismo versus individualismo; não é a Europa contra a América, nem mesmo o Oriente versos Ocidente; é se o homem pode suportar viver sem Deus.

Eu concordo. Eu acredito que a maior questão no mundo é acerca da existência de Deus. Agora, a Bíblia, definitivamente, postula Deus, e nós, que somos cristãos, cremos em Deus, que é o coração da nossa fé.

A Bíblia diz o seguinte sobre Deus, no Salmo 90, no versículo 2: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus.” Neste texto há uma grande declaração doutrinária sobre Deus. Ele nos diz que Deus é o único Deus – “Tu és Deus.”

Também declara que Deus é o Deus eterno – “de eternidade a eternidade, tu és Deus.” Ademais,  afirma que Ele é o Deus criador – “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo…“. Estas são declarações sobre Deus. Deus é o único Deus. Ele é o Deus eterno. É o Deus criador.

Este Salmo, curiosamente, foi escrito por Moisés, que estava expressando o caráter de Deus em contraste com a fragilidade do homem. No versículo 10, por exemplo, do Salmo 90, ele faz a afirmação de que o homem vive cerca de 70 anos, e se ele é realmente forte vive 80 anos, mas mesmo após esses 80 anos, ele descobre que sua força, seu trabalho e tristeza, tudo isso desaparece rápido e ele diz, quase pensativo, ‘nós voamos’.

Ele mostra a fragilidade do homem, a pecaminosidade do homem em contraste com o refúgio, a segurança, o caráter eterno de Deus. No versículo 1, por exemplo, ele diz: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração.”

Em outras palavras: temos sempre o nosso refúgio em Ti. Nós sempre temos que enfrentar nossas próprias insuficiências e as nossas próprias fragilidades e nós, com certeza, sabemos que a única força é a Tua força’. Assim, vemos Deus como um Deus eterno, o Deus criador, a força do Seu povo. Este é Deus, basicamente.

A pergunta que vem à mente quando começamos a examinar de perto esse assunto é o fato de algumas pessoas dizerem que os cristãos têm simplesmente inventado esse Deus. Na verdade, argumentam que todas as pessoas no mundo que professam alguma religião ou foram seus criadores, ou são vítimas de seus antepassados, que criaram essa religião, não havendo nada de sobrenatural quanto a esse assunto.

E, assim, a primeira pergunta é: Deus existe? O Deus da Bíblia existe realmente? Sigmund Freud disse – e eu não costumo citá-lo – que o homem criou Deus. E tal declaração, naturalmente, é o contrário do que a Bíblia diz: Deus criou o homem.

Freud disse em seu livro ‘O Futuro de uma Ilusão’ – e você se lembra que Freud foi o psiquiatra vienense a quem é dada a responsabilidade de ser o criador da psicanálise moderna – ele declarou: “O homem precisa tão desesperadamente de segurança, e porque ele tem esses medos profundos, e porque ele vive em um mundo ameaçador em que ele tem muito pouco controle sobre suas circunstâncias, ele inventou Deus como uma fuga de sua realidade.”

Assim, em seu livro “O Futuro de uma Ilusão”, Freud afirmou que Deus foi inventado pelo homem, por três razões. Motivo número um: o homem teme a imprevisibilidade, a impessoalidade e a crueldade da natureza. Em outras palavras, ele vê a doença, a fome e os desastres, e ele sabe que não tem qualquer defesa contra estas coisas, e por isso ele inventa alguém em algum lugar que possa livrá-lo disso tudo.

O segundo motivo que, segundo Freud, leva o ser humano a inventar Deus, é que o homem vive com medo por causa de suas relações com seus semelhantes. Porque o homem se sente tão injustiçado pelos outros, ele resolve inventar  uma espécie de árbitro divino, uma espécie de um ser cósmico com um super apito que, em última análise, pode interromper o jogo e dar a cada um o que merece. Alguém que vai fazer o que é justo.

Freud, em terceiro lugar, disse que o homem inventou Deus, porque ele tem medo da morte e da extinção, por isso ele quer encontrar um Pai celestial, uma pessoa feliz em algum lugar, que irá levá-lo para um lugar feliz, porque ele não pode suportar o fato de ter que deixar de existir. E, assim, ele inventa a noção de um  céu.

Agora, essa é a visão de Freud acerca de Deus: não há Deus, senão na invenção da imaginação do homem. Esse conceito errôneo foi gerado em sua própria mente corrompida, como foram todos os outros conceitos que Freud desenvolveu. Não há qualquer prova acerca de tudo o que ele disse, e é totalmente insustentável seu raciocínio acerca de Deus, mas, no entanto, tem havido milhares de pessoas que creem nele.

Freud, além do mais, mostra uma visão bastante simplista, ignorante acerca de religião. Porque, se você realmente examinar o assunto ‘religião’, vai descobrir que quando o homem fabrica um deus, ele muito raramente é um deus libertador. Ele é geralmente um deus opressivo que tem que ser continuamente apaziguado.

Eu obviamente não concordo com Freud e defendo o oposto do que ele pensava, pois o homem não tem interesse em criar Deus, mas na verdade seu interesse é eliminar qualquer noção acerca de Deus. Na verdade, se você realmente estudar a história, você vai descobrir que o homem, seja filosófica ou pragmaticamente, sempre existiu sem Deus. Ele sempre fez o melhor que pôde para eliminar Deus.

O homem prefere crer que Deus está morto. O ser humano prefere viver como se Deus não existisse. Por exemplo, quando olhamos para o Éden, sabemos que lá foi onde ocorreu a queda do homem, onde o pecado entrou no mundo. Adão e Eva caíram. Qual foi a primeira ação que eles praticaram imediatamente depois que caíram? Imediatamente Adão e Eva se esconderam de quem? De Deus.

Eles começaram a desejar que Deus não existisse, e isso tem sido um comportamento constante dos homens ao longo da história. De fato, em Romanos, capítulo 1, diz-nos que Deus existe, e que os homens sabem que Deus existe em seu coração. Certo? “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.” (v. 19).

E, no versículo 21: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças…“. No versículo 28a temos esta declaração:     “E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus…”. Você já leu isso? O homem não criou Deus. O homem sempre quis que Deus não existisse.

E assim, afirmo que Freud está mortalmente errado. O homem não inventou Deus. E deixe-me acrescentar isso: onde os homens inventaram deuses, onde os homens em falsas religiões inventaram deuses, eles não são deuses protetores, eles são deuses que os homens temem de pavor.

Você pensa que a mulher na Índia que leva seu bebê e joga para se afogar no rio Ganges pensa no seu deus como um grande salvador, um grande juiz universal, alguém para libertá-la de seus problemas? Não. Ela olha para seu deus como alguma grande criatura assustadora, que deve ser apaziguada. Se o homem está inventando deuses, ele tem inventado o tipo errado.

A razão desses falsos sistemas de religião inventarem esses tipos de deuses é porque eles são, na verdade,  demônios que existem e são muito ativos em seu mundo. O homem não deseja que Deus exista. Mas, o homem deseja que Deus não exista e que saia do seu caminho.

Teólogos catalogaram razões pelas quais o homem acredita na existência de Deus. São várias razões, mas eu só vou citá-las rapidamente para você, porque não dispomos de tempo para discorrer em profundidade sobre todas elas.

E eles não podem provar pelos métodos humanos a existência de Deus, mas eles certamente podem nos mostrar que há mais razões para crermos em Deus do que para não crermos em Sua existência, certo?

Escute isso. Como cristãos, nós vemos Deus como um grande milagre e, aí tudo o mais faz sentido. Um ateu nega a existência de Deus. E argumenta que é preciso muita fé para acreditar em Deus. Todavia, há uma abundância de provas de Sua existência.

Por exemplo, há aquilo que os teólogos chamam de um ‘argumento teleológico’. Que vem da palavra grega teleios’, que significa perfeição, ou resultado, ou o fim, ou terminar. Isso quer dizer que quando olhamos para qualquer projeto, seja acabado ou em andamento, nós presumimos que houve alguém por detrás daquele projeto que foi o seu desenvolvedor, seu autor.

Quando olhamos para um piano, para um relógio, por exemplo, nós automaticamente presumimos que houve alguém que foi o autor, o executor, o designer daquelas peças. Nós não presumimos que eles vieram do nada, que simplesmente a árvore caiu e se transformou num piano.

Mas, presumimos alguém por detrás daquele projeto. E assim é com Deus. Olhamos para todo o universo, para a Terra, para os seres vivos e não vivos, presumimos que alguém os criou, que há um designer. Esse é o argumento teleológico.

Um segundo argumento utilizado para justificar a crença na existência de Deus é o argumento da ontologia, ou argumento ontológico. Ontos é um particípio grego referindo-se ao verbo “ser” – o ser de Deus. O próprio fato de o homem poder conceber a existência de Deus, como um ser perfeito e sublime, indica Ele existe.

Um terceiro argumento é estético. Segundo esse argumento, tem de haver, em algum lugar do universo, o padrão em que a beleza e a verdade são baseados. Há também o argumento volitivo, segundo o qual se o homem é capaz de fazer escolhas e expressar uma vontade individual, deve haver, em algum lugar, uma vontade infinita. E o mundo deve ser, como é, a expressão dessa vontade.

Depois, há o argumento da moralidade. O próprio fato de sabermos o que é certo e o que é errado, sugere a necessidade de um padrão absoluto. Um sujeito veio a mim esta manhã, e disse: ‘Bem, eu tenho um amigo que não acredita que haja qualquer definição de certo e errado. Ele diz que não há absolutamente nada correto e nada que seja errado. O que posso dizer a ele?’

Eu, então, lhe disse: ‘Você vai perguntar a ele se é certo ele pegar uma metralhadora e fazer algo bizarro, tal como abrir fogo contra um monte de pequenas crianças em idade escolar brincando no jardim da escola. Pergunte a ele se isso é certo ou errado…’’. Um homem seria um idiota absoluto se não reconhecesse nesse ponto que há o certo e o errado a se fazer.

E se existe o certo e o errado, então, em algum lugar há um padrão. E se há um padrão, logo, é a partir dele que as noções de certo e errado são definidas. Esse é o argumento da moralidade.

Depois, há o argumento da cosmologia. Cosmologia é o argumento de causa e efeito. Você vê, há apenas dois pontos de vista do universo: ou Deus existe, e isso faz sentido, ou Deus não existe, e então nós temos alguns problemas. Por exemplo, a equação Deus não existe” é ‘ninguém vezes nada é igual a tudo. Isso é um pouco difícil de acreditar. Você olha para o universo, e conclui que ninguém pegou o nada e criou tudo?

A outra equação é: alguém vezes algo, a partir do nada, é igual a tudo’, e isso faz sentido. Você vê, cosmologia é o argumento de causa e efeito – ‘cosmos’, o mundo; e efeito, o universo. Nós olhamos para o universo, e dizemos: alguém fez isso.

E, à medida que nós vamos desvendando o universo, nós aprendemos mais sobre a pessoa que o fez. Por exemplo: o agente criador do movimento perpétuo deve ser poderoso. O criador da complexidade deve ser onisciente. O criador da consciência deve ser um ser pessoal. O criador dos sentimentos deve ser um ser emocional.

O criador da vontade deve ser um ser volitivo (que resulta da vontade; determinado pela vontade). O criador dos valores éticos deve ser um ser moral. O criador dos valores religiosos deve ser um ser espiritual. O criador da beleza deve ser perfeito. O criador da retidão deve ser santo. O criador da justiça deve ser justo. O criador do amor deve ser amoroso. O criador da vida deve estar vivo [e é a própria vida]..

Tudo que você precisa fazer é olhar para o que temos no mundo, e examinar com cuidado, e você verá que deve haver um Deus que é infinito, eterno, onipotente, onipresente, onisciente, pessoal, emocional, volitivo, moral, espiritual, estético, santo, justo, amoroso e vivo.

E a Bíblia fundamenta cada uma destas características de Deus. Deus existe.  A Bíblia diz claramente no Salmo 14: 1 e no Salmo 53: 1, “O tolo diz no seu coração: não há Deus.” Dizer que Deus não existe é uma afirmação tola.

Um dos mais convincentes argumentos em minha mente que atesta que Deus existe é por causa do meu enorme desejo de saber que Ele existe, porque eu olho para as pessoas que negam que Ele existe, e eu vejo o tipo de vida que vivem.

Quando você estuda história e estuda sobre todos os filósofos ateus bem conhecidos, verá como suas vidas acabaram, e esse é um dos assuntos mais interessantes que você irá estudar. Aqueles foram os mais tristes, desesperados atemorizados homens que você poderia ler a respeito.

Voltaire disse o seguinte no final de sua vida: “Tirando uns poucos sábios que existem, a multidão de seres humanos não é senão um conjunto terrível de criminosos infelizes e a Terra contém nada além de cadáveres. Eu tremo de ter que reclamar mais uma vez do ser dos seres,  lançando um olhar sobre esta imagem terrível. Eu gostaria de nunca ter nascido.”

Renan disse: “Estamos vivendo no perfume de um vaso vazio.”

HG Wells , outro ateu, declarou: “não há nenhum caminho para fora, ou ao redor, ou através; é o fim.”

Robert Ingersoll, disse: “A vida é um véu estreito entre os picos frios e estéreis de duas eternidades. Nós nos esforçamos em vão para olhar para além das alturas. Nós choramos em voz alta, e a única resposta é o eco do nosso próprio grito de choro.”

Mark Twain disse o seguinte: “milhares de homens nascem, trabalham, suam e lutam pelo pão. Eles disputam, reclamam e lutam. Eles lutam por vantagens pequenas uns sobre os outros. A idade rasteja sobre eles. Enfermidades os seguem. Vergonhas e humilhações derrubam seus orgulhos e as suas vaidades. Aqueles que eles amam, são tirados deles, e a alegria da vida se transforma em dor. O fardo de dor, os cuidados e miséria crescem mais a cada ano. Por fim, a ambição é morta. O orgulho é morto. A vaidade é morta. Anseio por libertação está em sua razão. Ela vem finalmente – a morte, o único presente não envenenado que a terra já deu para eles. E eles desaparecem de um mundo onde foram de nenhuma consequência, onde eles não conseguiram nada, onde eles foram um erro, uma falha, uma tolice e onde eles não deixaram qualquer sinal de que jamais tenham existido; um mundo que irá lamentar sua morte um dia e esquecê-los para sempre. E depois outra infinidade de homens toma o seu lugar, e copiam tudo o que fizeram, e seguem ao longo da mesma estrada sem proveito, e desaparecem assim como os outros, para dar lugar a outro, e outro, e milhões de miríades, de seguirem o mesmo caminho árido através do mesmo deserto e alcançarem o que todos os outros homens que viveram antes alcançaram: nada.”

Bertrand Russell: “O homem é o produto de causas que não tinham previsão do fim que estavam atingindo; sua origem, seu crescimento, suas esperanças e medos, seus amores e crenças são apenas o resultado da colocação acidental de átomos; nenhum fogo, nenhum heroísmo, nenhuma intensidade de pensamento e sentimento podem preservar a vida individual além da sepultura; todos os trabalhos de eras, toda a devoção, toda a inspiração, todo o brilho do gênio humano estão destinados à extinção na vasta morte do sistema solar; e todo o templo das realizações do homem deve inevitavelmente ser enterrado sob os escombros de um universo em ruínas. Todas essas coisas, se não completamente fora de questão, são quase tão certas quanto nenhuma filosofia que as rejeita pode ter esperança de permanecer”.

Vidas bastante sombrias, não é? Toda a evidência diz que Deus existe, e qualquer homem desesperado certamente procuraria conhecer a verdade se soubesse que, se ele não conhecer a Deus, ele irá acabar assim.

Por outro lado, as consequências da fé em Deus são brilhantes. O salmista disse: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, pois Tu estás comigo.”

Larimore, em seus últimos dias, escreveu o seguinte: “A minha fé nunca foi tão forte. Minha esperança nunca foi tão brilhante. Minha cabeça nunca foi tão clara. Meu coração nunca foi tão calmo. Minha vida nunca foi tão pura. Eu amo todos. Não odeio ninguém. Meu amor por alguns eleva minha alma para o reino do sublime. Estou disposto a morrer hoje. Estou disposto a viver mil anos para contar a velha, velha história de Jesus e Seu amor. Meus amigos são mais queridos ainda para mim. A comunhão com eles é mais doce para mim. Minha simpatia pelas almas que sofrem é mais forte. Meu amor por tudo o que é puro,  verdadeiro, belo, bom, sublime, seja o broto, a flor, a criança, a Ele de quem todas as bênçãos fluem, é mais verdadeiro, proponente, mais doce do que nunca. Eu durmo profundamente, sonho docemente, e regozijo-me sempre.”

Bem, eu não sei como você quer sair deste mundo, mas essa é a maneira que eu quero partir. Então, eu digo que no cristianismo aceitamos um grande milagre – Deus – e tudo faz sentido. Você nega este grande milagre, e nada faz sentido. Deus existe.

A segunda pergunta é: Quem Ele é?  Primeiro de tudo, Ele é uma pessoa. Deus é uma pessoa. Deus não é uma célula de bateria cósmica flutuante. Einstein disse: “Sim, nós sabemos que há uma força cósmica do universo, mas ele é incognoscível (impossível de se conhecer).” Einstein estava errado.

Deus é uma pessoa. E uma das razões para crermos assim é porque seres pessoais devem vir de um ser pessoal, com personalidade. E nós somos pessoas, temos todas essas características pessoais que compõem a personalidade, e elas vieram de uma fonte que é igualmente pessoal.

Sabemos que Deus é pessoal, porque a Bíblia diz que Ele é uma pessoa, porque usa títulos pessoais para descrevê-Lo. A Ele são atribuídos nomes pessoais. Ele é chamado, por exemplo, de ‘Pai’. Ele é chamado de ‘Pastor’. Ele é chamado, por exemplo, de Amigo, de Conselheiro. Os termos que são usados para identificar Deus O identificam como uma pessoa.

Não só isso, mas também pronomes pessoais são usados. O hebraico e grego sempre se referem a Deus como ‘Ele’. Deus é uma pessoa. Ele é uma pessoa, porque Ele pensa e age, e sente, e fala. Ele se comunica. Isso é uma característica da personalidade. Todas as provas das Escrituras indicam que Ele é uma pessoa, e todas as provas da criação e da nossa personalidade indicam que nós viemos de tal Pessoa.

Agora, como é que vamos definir Sua pessoa? Nós a definimos nesses três termos. Número um: Ele é espírito. Deus é um espírito. “Deus não é homem“, é dito no Antigo Testamento, em Números 23:19. Deus é espírito. E em João 4:24, Jesus disse: “Deus é espírito, e os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” Deus é  espírito. “Um espírito”, disse Jesus em Lucas 24:39, “não tem carne nem ossos.”

Deus não é um corpo. Você poderia dizer: ‘Mas a Bíblia diz: Seus olhos percorrem toda a terra. Seu braço não está encolhido para que Ele não possa curar. Seu braço direito é um braço poderoso…’. Sim, mas isso é o que chamamos de antropomorfismo. Sabe o que é? Esses são termos usados para falar de Deus no corpo de um homem, como se Deus fosse um homem.

Por que? Porque como não sabemos como é Deus de fato, já que ninguém nunca O viu, a maneira de O compreendermos melhor é através da associação com os nossos próprios sentidos.  Então, você pensa em Deus em termos humanos. A Bíblia simplesmente traz isso.

Mas, não podemos ampliar isso e fazer de Deus um homem, como alguns têm feito em seus cultos. Vou dar outra ilustração. Você sabe que em algumas passagens a Bíblia fala sobre as penas de Deus cobrindo você. Deus não é um pássaro também. Deus não é um homem, Deus é um espírito.

Ele é falado, em I Timóteo 1:17, como sendo o Deus invisível. Nenhum homem jamais verá a Deus. Nenhum homem jamais viu a Deus. Para que você pudesse ver Deus, você teria que ser Deus, pois ninguém poderá vê-Lo e viver.

Nenhum homem jamais poderia ascender ao nível de ver Deus. Agora, Deus representa a si mesmo na glória shekhinah do Antigo Testamento, na luz, no fogo. Deus representa a si mesmo na forma de Jesus Cristo no mundo, e vemos Cristo. E Jesus disse, em outras palavras: ‘Se você me vê a mim, isso é o máximo que você vai poder ver de Deus’, João l4.

Não vamos ver Deus, porque Deus não pode ser visto, Ele é invisível. Ele pode escolher manifestar-se através de alguma forma visível e, ao fazê-lo, revelar-se, mas isso não é a totalidade de Deus. Deus é espírito. Estou feliz que Ele seja espírito, porque Ele é espírito onipresente também. Falaremos sobre isso na próxima semana.

Número dois: Ele é único. E não há um monte de deuses. Você sabia disso? Há um só Deus; isso é tudo, apenas um. “Ouve, ó Israel” – Deuteronômio 6: 4, grande afirmação que é a chave de tudo, realmente, para um judeu – “o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” Eles estavam vivendo no meio de uma sociedade politeísta, com multiplicidades de deuses, e estavam dizendo: “há um só Deus.”

Você poderia perguntar neste ponto: ‘Sim, mas o que dizer de Jesus? Ele veio mais tarde e afirmou ser Deus; é Ele Deus número dois? Há pelo menos dois?’ Não.

Veja Marcos, capítulo 12, eu vou lhe mostrar algo muito interessante. Eu quero mostrar-lhe algo sobre como Jesus via a si mesmo, em termos do conceito de um único Deus. “E Jesus respondeu:”  – Marcos 12:29, isso é o que Ele disse – “O primeiro de todos os mandamentos é este…” e aí Ele reafirma o Velho Testamento, onde foi dito: “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor, amarás o Senhor teu Deus  de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento, e todas as tuas forças…”.

Agora, ouça-me: se Jesus dissesse que além do Deus de Israel havia um outro Deus, que era Ele, Ele teria que dizer: ‘Dividam a sua lealdade entre nós dois.’  Mas, quando Ele diz: Ame a Deus com todo coração”, Ele está dizendo que só há um único Deus, ao mesmo tempo que Ele está afirmando ser aquele mesmo Deus. Você vê?

Grande indicação de Sua própria divindade, e, no entanto, mesmo dizendo que Ele é Deus, Ele está dizendo ao mesmo tempo: “Ainda que haja duas pessoas, há um só Deus. E você pode dar a sua total fidelidade ao único Deus.” É por isso que Ele diz: ‘com todo o seu coração, mente, e força, e tudo’, porque só há um Deus.

Você vai dedicar todo o seu coração a Deus. Não uma parte do coração a um e outra parte a outro. Não há qualquer concorrência. Você não precisa dividir sua fidelidade. Essa é a potência desta passagem. Deus é um.

Ao longo de I Coríntios, capítulo 8, Paulo estava resolvendo alguns dos problemas de Corinto, e eles tiveram alguns problemas relacionados ao fato de estarem vivendo em uma sociedade pagã, onde havia um monte de deuses. Havia todos os ídolos em todos os lugares. E as pessoas ofereciam ofertas aos seus deuses, e geralmente eles ofereciam alimentos.

Naquela sociedade, os adoradores de Marte,  ou Diana, ou Ártemis, pegavam um pequeno monte de comida, levavam ao templo, e o colocavam diante daquele deus. Bem, depois de colocar a sua comida lá, ela não ficaria lá, pois os sacerdotes tiravam a comida e a levavam para a parte de trás do templo, onde funcionava um pequeno mercado no qual aquelas comidas sacrificadas eram vendidas às pessoas.

A falsa religião sempre pensa nos lucros financeiros… Bem, o que estava acontecendo em Corinto era que alguns cristãos estavam comprando essa comida… E isso estava criando grande tensão na comunhão, pois nem todos os cristãos aceitavam esse tipo de comportamento.

Assim, Paulo está escrevendo aqui para dizer-lhes o que fazer sobre este assunto. Versículo 4, I Coríntios 8: “Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só.” Olhe para o final do versículo 4, “…não há outro Deus, senão um só.”

É isso aí – apenas um. “Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.” (vv. 5-6).

Agora escute isto: “e um só Senhor, Jesus Cristo…” Você poderia questionar:  ‘Bem, agora, espere um minuto. Você tem um e um, que é igual a dois!’

Não, ouça: “há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.” Agora, ouça-me: como poderiam todas as coisas serem por Deus, o Pai, e todas as coisas serem pelo Senhor Jesus, a menos que ambos sejam o mesmo?

Você vê, uma outra reivindicação à divindade absoluta de Jesus Cristo sem dividir Deus em duas partes. Deus é um. Primeira Timóteo 2: 5 traz o mesmo: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” Há um só Deus, isso é tudo, um Deus, não muitos.

Você poderia perguntar também: e quanto ao Salmo 82, verso 6, que diz: “Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo”? Bem, a explicação é que no Salmo 82, Deus está falando aos juízes de Israel, e Ele não está falando sobre sua essência, mas Ele está falando sobre o seu ofício. Ele está dizendo: ‘sabem, vocês que se sentam para exercer a função de juízes  sobre Israel, estão sentados no lugar de Deus.’

Você entende agora o que este texto significa? ‘Você está julgando como se Deus estivesse julgando. Você está investido da autoridade de Deus, e você a tem pervertido’. E, no verso seguinte, Ele diz que irá acabar com eles: “morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes.” (v. 7).

Portanto, é óbvio que eles não são iguais a Deus, no sentido de serem como deuses santos, ou Ele não estaria dizendo essa palavra de juízo. E, então, o próximo verso diz: “Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações.” (v. 8).

Número três: Deus tem três pessoas. Deus é espírito. Deus é um. Deus é três. Agora, as pessoas sempre dizem: ‘Bem, você não pode provar a Trindade…’. Olha, a maneira mais simples de provar a Trindade é apenas lendo a Bíblia desde o início até o fim. Você verá sempre as Três Pessoas operando. Sempre em conjunto.

Apenas para ilustrar, vamos ver alguns versos que são muito interessantes. Gênesis 1:1, diz: “No princípio, criou Deus…“, e a palavra hebraica que é traduzida como ‘Deus’ aí é Elohim. O plural em hebraico é feito colocando-se um ‘im’ no final de uma palavra. Equivale ao ‘s’ em nosso idioma.

Assim, o substantivo ‘Deus’ nesse texto equivale a uma palavra no plural, em hebraico: ‘Elohim’. Portanto, a Trindade é introduzida logo no início da Bíblia.

Em Mateus capítulo 3, Jesus está sendo batizado, e a Bíblia diz que o Espírito Santo desceu como uma pomba, sendo que o Pai disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Pai, Filho, Espírito Santo, todos juntos, na mesma cena, mesma passagem.

Em João 14:16, Jesus diz: “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” Novamente, as três Pessoas da Trindade na mesma passagem.

Em I Coríntios 12:4-6, o apóstolo Paulo fala sobre os dons espirituais. Ele diz: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” Três versos e todos os três membros da Trindade mencionados novamente.

Outro exemplo está em II Coríntios 13:14, que diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.

E eu estou pensando também em I Pedro 1: 2: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.”

Isso é apenas uma amostra do que está na Bíblia. Deus é um só, mas Ele é três. Você pode estar se perguntando: ‘como isso acontece, como podem ser três em um?’ Eu não sei. Não tenho a menor ideia. E toda esta mensagem, em comparação com a verdadeira realidade de Deus, é como um grão de areia em comparação com cada peça no universo.

Eu não consigo compreender tudo sobre Deus. Se você tentar entender a Trindade com a nossa lógica humana, vai sair fumaça de sua cabeça e você não a compreenderá. Você não pode entender isso. Não tem jeito. Basta crer.

Deus é um só, mas Ele é três. E eu não me refiro – ao dizer que Ele é três – ao Modalismo ou Monaquismo ou Sabelianismo, uma antiga heresia que defendia que Deus é de fato apenas uma pessoa, mas que ora se manifesta como Pai, ora como Filho, ora como Espírito Santo. Isto é heresia.

Deus é um só, e ainda assim Ele é três ao mesmo tempo. Algumas pessoas dizem: ‘Bem, é como um ovo; a gema, a clara e a casca.’ Porém, eu creio que não posso comparar Deus a um ovo.

Outras pessoas dizem que é como a água, que pode se apresentar em seus três estados: sólido, líquido e gasoso.  Creio também que não dá para se fazer tal analogia. Outros ainda dizem que é como a luz, que pode iluminar, ou pode aquecer, e pode produzir energia…

Deus é Deus e ponto final! E não há uma lâmpada no mundo, ou um ovo, ou uma porção de água como Ele. Ele é Deus, e Ele é três em um. Eu não entendo isso. Eu creio nisso. E eu estou feliz por não entender isso. Porque se eu conseguisse compreender com exatidão quem Deus é, eu teria que ser igual a Ele e isso não vai acontecer.

A última pergunta: o que Ele é? Vou responder a esta questão falando de dez atributos de Deus. Hoje, vamos ficar apenas com um desses atributos. Da próxima vez que nos reunirmos, veremos os demais.

PRIMEIRO ATRIBUTO: DEUS É IMUTÁVEL.  

Este é um tremendo conceito. Deus é imutável. O Salmo 102: 26, diz: “Eles perecerão, mas tu [Deus] permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.” Deus nunca muda.

Em Malaquias 3: 6, Deus olha para Jacó e diz: “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.” Tiago declarou: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” Nem mesmo há um indício de mudança em Deus.

Deus não muda. Agora, pense nisso. Mudança é algo que ocorre tanto para melhor ou para pior, certo? Ambos são inconcebíveis com Deus. Ele não poderia ficar melhor do que é e nem pior. Não há nada para mudar Nele.

Agora, essa característica, a imutabilidade de Deus, O distingue de tudo, porque tudo muda. Os céus mudam. Você olha para cima e vê a atmosfera, ela se move, os ventos alteram seu curso, e ainda assim eles são rígidos em seu curso.

Apocalipse nos diz, nos capítulos 6 a 19, que um dia o Senhor irá rasgar todo o céu. Será como sacudir uma figueira madura, as estrelas vão cair, e o céu será enrolado como um pergaminho. O sol vai deixar de existir, a lua vai se transformar em sangue, e as estruturas do universo serão abaladas.

Não só isso, mas há mudanças na Terra. Há muitas mudanças na Terra causadas pela ação do homem. Mas, um dia, em Apocalipse capítulos 6 a 19 novamente, é revelado que Deus vai mover-se sobre a face da terra, e alterá-la muito drasticamente. Os mares serão totalmente poluídos, envenenados. A água doce também será. Uma grande parte da vegetação irá morrer. Seres humanos vão morrer.

Vão ocorrer holocaustos terríveis, uma centena de pedras grandes de granizo caindo do céu. A face da Terra será alterada novamente (já que a primeira alteração drástica depois da criação foi por conta do dilúvio). Os elementos se desfarão abrasados quando a Terra for consumida.

Os ímpios mudam. Eles mudam o tempo todo. Pessoas ímpias só mudam, flutuam. Sua lealdade muda. Suas atitudes mudam. Algum dia toda a sua identidade vai mudar quando se encontrarem diante de um Deus Santo. E o que hoje eles consideram ser uma maneira feliz de viver vai passar a ser a trágica maneira que os levará a  passar uma eternidade sem Deus.

Você sabe, até mesmo os santos mudam. Nós mudamos, não é? Não existe uma afirmação como: ’John MacArthur, o mesmo ontem, hoje e eternamente…’.  Não é muito bom, não é? Eu não sou o mesmo ontem, hoje e eternamente. É ridículo. Eu mudo. Há momentos em que meu amor ferve por Cristo e eu obedeço. Há momentos em que o ardor não é tão intenso, e eu desobedeço…. Você não é assim? Eu mudo. Mesmo o melhor dos santos muda.

Davi um dia declarou: “Deus é o meu rochedo, nele confiarei; o meu escudo, e a força da minha salvação, o meu alto retiro, e o meu refúgio…“, em II Samuel 22:3.  Mas, então ele também disse: “Ora, algum dia ainda perecerei pela mão de Saul…“. Poderíamos dizer a Davi: ‘Ei, agora, espere um minuto, Davi; ou Deus vai cuidar de você, ou Ele não vai!’ E ele poderia responder: ‘Bem, eu vacilei um pouco…’. Sim, e nós sabemos disso por experiência própria, não é mesmo?

Até os anjos mudam. Você sabia que Judas 6 diz que os anjos “não guardaram seu primeiro estado?” As pessoas, cada coisa criada em todo este universo sofrem alteração, mudança, exceto Deus.

Deus nunca muda, e nem Jesus. Isso significa que Ele é Deus. “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hebreus 13:8). Esta é uma das maiores declarações bíblicas acerca da divindade de Jesus Cristo.

Há apenas um no universo que não muda – que é Deus. O que isso significa para os piedosos? O que significa para mim, como um cristão, que Ele não muda? Vou lhe dizer o que significa.

Isso significa conforto para mim. Ouça, se alguma vez Ele me amou, Ele me amará para sempre. Se alguma vez Ele me perdoou, Ele me perdoou para sempre. Se alguma vez Ele me salvou, Ele me salvou para sempre. Se alguma vez Ele me prometeu algo, Ele prometeu para sempre.

O Senhor não retarda a sua promessa…”, 2 Pedro 3:9. Também, Romanos 11:29, diz: “os dons e os chamados de Deus são sem arrependimento…”. Deus não muda Sua mente. Você não está feliz com isso? E Ele pode olhar para mim e dizer como disse a Israel em Malaquias 3:6: ‘MacArthur, eu deveria realmente acabar com você, mas Eu sou o Senhor, Eu não mudo.’

E, em uma das mais poderosas partes das Escrituras, é declarado o seguinte: “Se formos infiéis, Ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.” (2 Timóteo 2:13).

Você sabe em que a sua salvação e segurança se baseiam? No caráter imutável de Deus, em Sua natureza absoluta. Jeremias 31: 3 diz: “Com amor eterno Eu te amei…”. Se alguma vez Ele te amou, amará para sempre. “As montanhas serão removidas…“, disse Isaías, “…mas a Minha benignidade não se apartará de ti, nem a aliança da minha paz mudará.”

O meu conselho subsistirá…“, Isaías 46:10 diz. Não é paradoxal que, para nós podermos nos relacionar com um Deus imutável, tenhamos de sofrer uma mudança drástica? Essa é a única maneira, certo? A fim de sermos bem relacionados com um Deus imutável, temos de sofrer uma mudança drástica.

Jesus disse a Nicodemos: Você deve nascer de novo. Você poderia dizer: ‘Bem, MacArthur, você está ignorando algumas partes das Escrituras, como Amós capítulo 7, Gênesis 6: 6, Jonas 3:10, nas quais é dito que o Senhor se arrependeu de fazer algo…’. Você está certo. Está certo. Mas a Palavra também declara em Números 23:19 que “o Senhor não é filho de homem para que se arrependa.”

Agora, como a Bíblia pode dizer que o Senhor não se arrepende, e depois, três vezes, declarar que Ele o fez? Bem, você tem que entender a situação, o contexto. Deus não muda. Isso é verdade. Deus não muda. Isso é claro. Ele nunca muda. Deus nunca muda Sua vontade. No entanto, dentro de Sua vontade, Ele pode querer uma mudança, sob certas circunstâncias.

Por exemplo, Deus diz a Nínive: ‘Você, Nínive, vai ser cortada do mapa!’ Por quê? Por ser uma cidade pecaminosa. Então, Deus diz: ‘Jonas, você vai até lá’. E você se lembra o que aconteceu. Jonas transformou uma viagem que seria curta em uma longa viagem, dentro de um peixe, mas ele finalmente chegou em Nínive.

E quando ele chegou lá, ele pregou, e toda a cidade se arrependeu e Deus olhou e a Bíblia nos informa que  Deus se arrependeu do que Ele iria fazer, e, em vez disso, Ele abençoou a cidade de Nínive.’ Deus mudou Sua vontade? Não foi Deus que mudou, mas foi Nínive que mudou!!

Igualmente ocorreu quando Deus olhou para o povo antediluviano, a civilização pré-diluviana, e disse ter se arrependido de ter criado tudo. Por que Ele disse isso? Deus os havia criado para os abençoar, mas o homem se virou, violou os princípios de Deus, e Deus teria que amaldiçoá-los.

Ouça, Deus nunca muda Sua vontade. Sua vontade é sempre a mesma: recompensar o bom e punir o mal, certo? Aconteceu, então, que o cenário mudou. Você sabe, você não pode culpar o sol por derreter a cera e endurecer a argila, pois isso tem a ver com a substância, não com o sol.

Pode até parecer, do ponto de vista humano, que Deus mudou. Mas, Ele não muda. O homem é que vai mudando e atraindo bênção ou castigo de Deus. É com andar de bicicleta contra o vento. Você vai pedalando com mais dificuldade, sentindo a resistência do vento contra o seu corpo. Mas, então, você muda de direção e passa a pedalar a favor do vento e tudo fica mais fácil… E aí é quando você diz: ‘Oh, o vento mudou.’ Ora, o vento não mudou de direção. Você mudou!

Deus nunca muda. Tem sido sempre o mesmo. Deus recompensa o bem e castiga o mal. E tudo vai depender de se você se coloca na posição de obediência, e receberá graça, ou desobediência, recebendo a punição.

Assim, quando a Bíblia diz: “Deus se arrependeu”, isso não significa que Ele disse: ‘Oh, eu acho que eu cometi um erro, vou fazer isso de outra maneira…’. Mas, significa que Deus alterou o que Ele já tinha sido compelido, por Sua própria vontade, a fazer, como resposta a certo comportamento dos homens, mas, diante da alteração do comportamento dos homens, Ele age com outra resposta.

Mas Sua vontade nunca mudou. Sua vontade é sempre a mesma: punir o mal e recompensar o bom. Ele não muda. Ele nunca varia fora de seu curso. E, assim, Deus não muda.

Irmãos, eu não sei como essa verdade repercute em vocês, mas para mim, isso é emocionante. Eu pertenço a Ele, e Ele vai cuidar de mim. Tudo o que Ele nos prometeu é para sempre. Se a Bíblia diz: “Meu Deus suprirá todas as suas necessidades”, isso é segurança para nós.

Por outro lado, o que significa para o incrédulo? Isto: se Deus disse “A alma que pecar, essa morrerá”, Ele quis dizer isso. Se Deus disse: “O salário do pecado é a morte”, Ele quis dizer isso. Se Deus disse: “Há um inferno eterno”, Ele quis dizer isso mesmo. E se isso é o que Ele diz agora, isso é o que Ele disse no passado, e isso é exatamente o que vai acontecer.

A Bíblia diz em Salmos 119: 89, “Para sempre…“, quanto tempo? “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra está firmada nos céus.” Deus nunca muda. Para alguns de nós isso traz é tremenda alegria. Para outros de nós, deveria gerar medo.

Pai, obrigado por esta manhã por este tempo para compartilharmos juntos. Obrigado por revelar-se através de Tua Palavra , que nis revela quem Tu és. Pai, obrigado por ser um Deus de misericórdia. Ajude-nos, aos que somos cristãos, que estamos no fluxo da Tua graça e vontade, que temos o Teu vento nas nossas costas, a desfrutarmos a segurança e refúgio da bênção que é nossa para sempre, a fim de vivermos uma vida de gratidão.

E, Pai, eu oro por aqueles que estão indo contra o vento, que estão opondo-se à Tua vontade e graça. Ó Pai, eu oro para que o Senhor  possa mudar a direção com relação a eles, porque eles mudaram sua direção, seu comportamento. Que eles possam se tornar novas criaturas em Cristo, e, portanto, serem bem relacionados a Ti.

Enquanto suas cabeças estão inclinadas, apenas em um último pensamento, eu diria o seguinte: se alguns de vocês aqui, esta manhã, nunca se comprometeram com Cristo, nunca abriram seu coração a Ele, é minha oração nesta manhã que você se coloque em posição de ser bem relacionado com o Deus imutável, a fim de que você goze de Suas bênçãos.

A Bíblia diz: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo.” É quando você coloca sua fé em Cristo e responde a Ele como Senhor e Salvador, que você está justamente relacionado com Deus, e que Seus braços seguros são colocados sobre você para a eternidade.

Nossa oração é que você faça isso nesta manhã, de coração. Para aqueles que já conhecem a Cristo, que este possa ser um momento de você ser grato a Deus por tudo que Ele agora e para todo sempre.

E, Pai, obrigado por nossa comunhão, esta manhã, por cada vida preciosa aqui, e por Tua presença divina. Pedimos Tua atenção e operar do Espírito Santo sobre todos os que precisam mudar os rumos de suas vidas e se lançarem ao Senhor, em arrependimento sincero, para que alcancem vida eterna. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre a pessoa de Deus,conforme links abaixo. Em breve novas publicações

01. Quem é Deus (Parte 1) 
02. Quem é Deus (Parte 2)
03. Quem é Deus (Parte 3)   


Este texto é uma síntese do sermão “God: Is He? Who Is He?”, de John MacArthur em 24/08/1975.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/resources/sermons/1351/god-is-he-who-is-he

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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